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Um desabafo inútil

por Luís Naves, em 22.09.15

Sei que este desabafo é inútil, mas julgo que há limites para a tolice e para a irresponsabilidade. Este texto de Francisco Sena Santos é um chorrilho de imprecisões e falsidades, servindo apenas para enganar a opinião pública. O primeiro parágrafo é inacreditável e revela a total ignorância do autor sobre o tema em causa e sobre o funcionamento da União Europeia. “Controlo administrativo sobre rádios e TVs”? “Pressões sobre juízes”? “Hostilidade com minorias étnicas”? Como explicar que não existe uma única frase verdadeira naquele parágrafo*? Como se faz para explicar ao autor que a lei que o indigna e o leva a querer acabar com a “infecção” (gosto da linguagem nada xenófoba) foi aprovada no parlamento quase por unanimidade; o Fidesz não tem maioria qualificada e a lei passou com os votos da oposição de extrema-direita, sim, mas foi também viabilizada por dois partidos da oposição de esquerda, que se abstiveram, certamente sodomizados pelo senhor Orbán.

Como explicar ao autor desta inqualificável prosa que neste momento há milhares de refugiados em território da Hungria e que por ali já passaram mais de 200 mil? Foram (e são) protegidos, alimentados, tratados, embora em Portugal o arrastão mediático faça um retrato patético. Como é que a circunstância factual de haver milhares de refugiados em território húngaro joga com a “intolerável brutalidade” do primeiro-ministro?

Viktor Orbán deve ser criticado politicamente, mas a fantasia sobre a existência de uma ditadura que não existe serve apenas os interesses da estultícia. Segundo Sena Santos, Orbán quer pôr fim a Schengen, embora a Hungria seja o único país da região que cumpriu esse acordo, tentando registar os migrantes indocumentados.

Informe-se, verá que mais de 50 mil foram registados, o que aliás provocou um pandemónio no país, com desobediência civil em massa, paralisação do sistema ferroviário, fecho de fronteiras, caos nas auto-estradas, alarme social que levou o próprio partido socialista húngaro, na oposição, a elogiar a actuação da polícia. Mas perante a ignorância do autor deste texto é impossível explicar que os migrantes que agora passaram a ser registados nos países de trânsito anteriores (Sérvia, Croácia) têm direito a livre circulação e circulam hoje de forma controlada pelo território húngaro, transportados através das zonas de trânsito até à fronteira austríaca. Há uma migração ordeira de milhares de pessoas e não podia ser de outra forma, pois quem tem documentos passa sem problemas. O transporte é gratuito e não há máfias a lucrar com o negócio da desgraça destes refugiados. Faça favor de ver a BBC, veja a CNN, informe-se, leia, estude.

 

*é pura demagogia confundir casos de polícia e discriminação social de ciganos com uma política governamental de hostilidade dessa minoria, como se entre nós não existe também o problema.

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6 comentários

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De zazie a 22.09.2015 às 20:34

Já faltou menos para defenderem a prioridade da invasão da Hungria.
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De Anónimo a 23.09.2015 às 02:28

Quem vem de barco que naufraga e perde os documentos como faz? Quem na pressa de fugir não trouxe documentos, como é? Quem perdeu os documentos na caminhada como é? Deitam-se ao mar? Que se saiba todos os terroristas que até hoje fizeram atrocidades estavam bem identificados e eram conhecidos, mas ninguém imaginava que o eram. De que serviram os documentos? Não há desculpa possível para Orbán! É um político a treinar-se para ser um verdadeiro ditador que não olha o sofrimento alheio, mas usa dum populismo saloio para mostrar que protege muito bem o seu povo e os húngaros iludidos dizem amém.
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De Luís Naves a 23.09.2015 às 08:36

A que Mar se refere? O lago Balaton? Os húngaros dizem, com certa lógica, que o registo obrigatório de Schengen deve ser feito pela Grécia. Um refugiado com registo tem direito à livre circulação na zona Schengen, mas o processo leva tempo e inclui as impressões digitais da pessoa. Em relação às escolhas eleitorais do povo húngaro, não me pronuncio, mas se o senhor sabe mais do que eles...
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De Anónimo a 23.09.2015 às 13:37

O mar, é aquele que navegaram em lanchas precárias, em que muitos nem sequer chegaram a bom porto. Os terroristas não vêm em barcos sujeitos a nunca poderem atingir os seus fins, já para os refugiados é um dos poucos meios que podem alcançar, para fugirem do inferno onde estão. O processo leva tempo, mas o tempo para as vidas humanas esgota-se e quantos já pereceram nesse esgotamento... Quando chegarem ao país de acolhimento que se faça esse registo e não massacrem mais quem está exausto e desesperado. Quanto às escolhas eleitorais, cada povo tem aquilo que merece e provavelmente os húngaros tem-no.
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De cristof a 23.09.2015 às 11:00

Nao gostando de ataques pessoais, reconheço que o PS tem um ninho de iniquidades; este narrador tem sido muito convidado, para botar discurso, mas em geral duma vacuidade tal, que diz bem com qualquer indumentária ou cenário, praia ,campo ou salão. Quando tenta ser mais especifico nota-se que são conhecimentos de salão e lugares comuns.
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De Justiniano a 23.09.2015 às 21:57

Sim, caro Naves, é inútil, sem dúvida!! Mas, ouvi hoje, de Geronimo de Sousa, a posição mais prudente e distanciada do histriónico dos costumes, em que Portugal deve apenas receber os refugiados que pode receber e não os que, por imposição estrangeira, assim seja determinado!! Sem mais!!

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