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Um assunto de porteiras

por Pedro Correia, em 16.07.19

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A reprodução descarada e obsessiva da lógica das redes sociais pelos órgãos de informação está a contribuir para o descrédito acentuado do jornalismo que vai restando.

Há dezenas de jornalistas, em quase todas as redacções, que nada mais fazem durante dias inteiros senão escrutinar o que se cochicha e bichana nas redes, acabando por dissociar-se por completo do mundo concreto e do país real. Nas suas prédicas em papel ou no digital, recorrem aos temas e à semântica que pupulam nessas «vias alternativas à informação», como há já quem lhes chame no meio jornalístico, disparando assim contra o próprio pé.

 

Reparem no que acontece naquilo a que ainda é costume chamar «canais de notícias» na televisão. Num curioso fenómeno de mimetismo, generalizou-se o modelo CMTV, absorvido inicialmente pela TVI 24 e agora já vampirizado também pela SIC Notícias: fecham três ou quatro mecos num estúdio durante horas a discutir coisa nenhuma sobre a bola que agora nem rola nos relvados e assim supõem cumprir a missão jornalística.

Mas não cumprem: essas tertúlias de bitaiteiros são meras correntes transmissoras de boatos e rumores. Basta comparar as imagens que reproduzo acima: foram propaladas com escassas horas de intervalo no mesmo canal - a primeira às 18.17, a segunda às 22.32. Sujeitas a esta lógica editorial mais que duvidosa: primeiro imprime-se a lenda, depois (se não chover) imprime-se o facto. Assim duplica-se a audiência (o que não parece ser o caso, longe disso, no canal em causa, a avaliar pelos mais recentes números tornados públicos).

 

Isto já se pratica hoje sem sofisticação nenhuma, como é patente no exemplo que deixo aqui em baixo. Talvez farto de publicar notícias, essa coisa anacrónica e maçadora, um jornal de difusão nacional acaba de instituir uma secção intitulada "Negócios e Rumores". Como se fosse um assunto de porteiras em vez de jornalistas, sem desprimor para as porteiras.

Assim ao menos não ilude ninguém: o leitor, à partida, já sabe que irá mesmo ser enganado. 

 

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12 comentários

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De Anónimo a 16.07.2019 às 11:31

Bom dia Pedro Correia
Assino por baixo.
António Cabral
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De Pedro Correia a 16.07.2019 às 11:31

Bom dia, António. Grato pelas suas palavras.
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De Anónimo a 16.07.2019 às 12:52

Ah ah ah, comprem, comprem cuecas Marcelfie©.

Triste país ...



Smoreira
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De Pedro Correia a 16.07.2019 às 16:48

Atenção ao respeito devido ao Chefe do Estado.
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De D. a 16.07.2019 às 14:49

Assino por baixo.
As TVs tratam os espectadores como atrasados mentais, todas!
Será por isso que se passaram a chamar espetadores?

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De Pedro Correia a 16.07.2019 às 16:51

Como num diálogo que imaginei aqui há uns anos, na minha série "Acordo Burrográfico":

- Sinto-me um mero 'espetador', pá.
- E ainda te queixas?

https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/4487371.html

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De D. a 16.07.2019 às 22:56

Muito bom! Gostei muito das irâmides do Egito!!!!
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De Anónimo a 16.07.2019 às 15:07

E os monólogos dos comentadores de política são o quê ?
Constantemente a alvitrarem factos alternativos que seguem uma agenda subterrânea de interesses obscuros.
Ao menos com estes programas de "bola" nós já sabemos que não devemos ligar puto.

WW
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De Pedro Correia a 16.07.2019 às 16:54

Você praticamente não tem alternativa. Os programas de bola chegam a ocupar cinco e seis horas diárias nos "canais informativos".
Mesmo quando não há sequer bola a rolar na relva, como agora acontece.

Começou na CMTV: sete serões por semana.
A TVI 24 copiou este modelo descaradamente.
E A SIC Notícias também já segue estas pisadas.

Quase não sobra mais nada.
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De Anonimus a 16.07.2019 às 17:29

Sobram os canais de séries. E o Panda.
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De Anónimo a 16.07.2019 às 18:10

Você tem razão !
Como deve saber esse tipo de programas teve início na Sic com os donos da bola.
Felizmente na RTP chegou a haver o trio de ataque com o saudoso Poncio Monteiro e esse é o que o original , discutia-se bola a sério sem ignorar as idiossincrasias das políticas futebolísticas mas com propriedade.
O que existe actualmente serve para preencher tempos de antena e é um formato barato para entreter.

WW
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De V. a 17.07.2019 às 11:11

A estratégia é mais simples: o que lhes interessa e estar sempre a falar do Benfica, seja por que motivo for e em que situação for. Não há má publicidade. Nem que seja num jogo da Selecção ou de uma equipa manhosa qualquer no estrangeiro, há sempre alguém que "passou pelo Benfica". O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica.

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