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Um ano de Trumpismo

por João André, em 03.01.18

Ao longo de 2017 fui-me abstendo de comentar a presidência de Trump. Fi-lo essencialmente por três razões: 1) nao tenho humanamente tempo para comentar toda a estupidez que sai da Casa Branca a um ritmo diário; 2) seria cansativo para qualquer leitor; 3) a asneira poderia muito bem ser minha e vale a pena não condenar alguém excessivamente cedo (especialmente quando eu não vou ser lido por ele e não o posso influenciar). Agora, ao fim do primeiro ano de Trump na Casa Branca, tento deixar uma reflexão.

 

Antes de mais é-me complicado escrever "trumpismo". A única característica do "trumpismo" enquanto política é a crença de Trump num mundo de soma zero, onde há vencedores e vencidos em cada conversa, diálogo ou negociação e a medida em que cada parte é vencedora é a mesma em que a outra é vencida. Esta visão é obviamente errada: basta ver o resultado de negociações que ponham fim a guerras, que acabam com o sofrimento da esmagadora maioria das pessoas. Haverá quem perca (por exemplo a indústria do armamento) mas nunca na mesma medida em que os outros vençam.

 

Já as outras características que Trump tem usado ao longo desta sua presidência não são políticas. Narcisismo, bullying, insultos, estupidez, egoísmo, interesse pessoal, mentira, etc, nada disso é política, mesmo quando usados ao serviço da mesma. Estas características são apenas aquelas que, a menos que me engane muito, colocarão Trump como o pior presidente da história dos EUA (ou muito perto disso).

 

Como o avaliar? Comecemos com as suas vitórias. Aqui teve duas: nomeou Neil Gorsuch para o Supremo Tribunal e conseguiu passar a sua reforma do sistema de impostos. Tudo o resto até ao momento pouco teve de vitória. Mudar leis para permitir às empresas poluir mais ou colocar centenas de milhar de pessoas em risco de serem deportadas do país onde viveram toda a sua vida não são vitórias. São actos de estupidez e maldade. Nem há argumentação em defesa do que ele fez.

 

A nomeação de Gorsuch pode ser vista como uma vitória, mesmo que o seja mais do braço parlamentar, quando impediu Obama de cumprir o seu papel e apresentar o seu nomeado. Gorsuch veio inclinar a balança do Supremo Tribunal para o lado mais conservador mas, para ser sincero, Trump parece ao menos ter escolhido alguém com sólidas credenciais intelectuais, ao contrário de algumas das suas outras escolhas para juízes, tão incapazes que até conservadores lançam as mãos aos céus. Mesmo assim é bom lembrar que Gorsuch foi aquilo a que os americanos chamam um gimme, tão fácil num congresso completamente dominado pelo Partido Republicano que seria o mesmo que aceitar elogios por um pôr do sol bonito.

 

Os impostos então. É uma clara vitória, isso sem dúvida. Trump conseguiu avançar com a sua reforma, a mais profunda desde Reagan, mesmo contra as objecções do seu próprio partido. Conseguiu ainda colocar-lhe cláusulas que provavelmente acabarão com o Affordable Care Act, conseguindo assim aquilo que não foi possível por via legal normal. Claro que conseguiu esta vitória de uma forma exclusivamente partisan, sem diálogo, sem apoio de mais ninguém, contra todos os conselhos dos especialistas, contra aquilo que todos os estudos indicam e de uma forma que vai aumentar o défice, aumentar a carga fiscal da esmagadora maioria dos americanos depois da próxima eleição (que coincidência) e aumentar a sua fortuna e a dos membros do seu gabinete. Mas foi uma vitória. Para a sua conta bancária, pelo menos.

 

De resto? Bom, não só não conseguiu impedir a Coreia do Norte de adquirir um arsenal nuclear credível (embora provavelmente ninguém o conseguisse), mas conseguiu também hostilizar o ditador que tem o dedo nesse mesmo arsenal. Claro, os EUA provavelmente não temem verdadeiramente o arsenal norte-coreano. Uma coisa é possuir um míssil com alcance para chegar a Washington DC, outra é acertar no alvo e ainda outra é conseguir que o mesmo não seja abatido pelas defesas americanas. Além disso os EUA sabem que podem transformar a Coreia do Norte num planalto se forem atacados. Não serão os norte-americanos a sofrer com a estupidez e egotismo de Trump. Poderão antes ser os sul-coreanos, que morreriam às centenas de milhar se as hostilidades começassem a sério; ou os norte-coreanos que já são oprimidos mais que qualquer outro povo no planeta e que morreriam aos milhões. Mas Trump já provou que se está nas tintas para o sofrimento que causa a outros.

 

Que mais? Decidiu aceitar a transferência da embaixada em Israel para Jerusalém. Não contente com isso e perante a condenação internacional, decidiu "punir" o resto do mundo ao cortar financiamento de programas da ONU. Agora, pensando que ainda há quem possa sofrer mais, ameaça cortar o financiamento aos palestinianos, especificamente à Autoridade Palestiniana. Mais uma vez estupidez pura: se pensa que os palestinianos irão agora baixar os braços depois de serem punidos, vai provavelmente ser acordado ao som de bombas. Mas não vai ser ele a sofrê-las, serão antes os israelitas a morrer, aqueles que ele diz querer ajudar a proteger. Mais: o processo de paz na Palestina chegou ao fim por muito tempo. Dado que os EUA são indispensáveis ao mesmo, não será retomado tão cedo. Lá poupou umas viagens ao genro, o manequim que tem uma enorme pasta que deve servir de pisa papéis lá em casa.

 

Saiu da UNESCO. A sério, que lógica tem isto? Esqueceram-se de designar a monstruosidade que é a torre Trump como património da Humanidade?

 

Saiu do acordo de Paris. Basta ver a reacção da indústria americana para saber que foi mais uma estupidez.

 

Está a tentar destruir alianças de décadas na Europa. A curto prazo é mau para os europeus. A longo prazo nem tanto. Entretanto a CIA, o FBI e a NSA devem andar a tentar reparar os danos para poderem continuar a receber informação.

 

Ainda vai acabar com o Irão a construir armas nucleares. Sinceramente, o homem deve querer que o resto do mundo se arme.

 

A sua administração fez um bom trabalho com um furacão e depois, quando o outro caiu sobre os hispânicos, decidiu que esses não mereciam a mesma atenção.

 

Não deixou uma palavra de crítica à Rússia (não falo da investigação sobre o potencial conluio, isso pertence á justiça dos EUA) mas criou um vazio que Xi Jinping tem vindo a aproveitar para expandir a influência chinesa, essa grande democracia.

 

Conseguiu em um ano perder um porta-voz, um chefe de staff, um conselheiro nacional para a segurança, dois directores de comunicação e a única mulher negra que tinha num posto sénior. As suas nomeações para as centenas de posições que já deveria ter preenchido têm sido tarde e esmagadoramente masculinas e brancas (80%, se não me engano). Conseguiu ainda que o seu Secretário de Estado tivesse a relevância de um peixe fora de água.

 

Claro. posso estar errado. Trump pode estar a quebrar o molde dos políticos mas poderá conseguir resultados que o mundo deseja desde há décadas. Poderá conseguir levar a paz ao médio oriente, atingir uma nova era de colaboração entre as Coreias, desenvolver a economia dos EUA para níveis não atingidos desde há muito e obter uma conciliação interna no seu país entre as diversas correntes de pensamento. Já houve coisas mais estranhas a acontecer (se bem que me falha a memória do que fosse).

 

No entanto penso que não e, para dizer a verdade, não sei o que seria pior.  Se um mundo mais inseguro, menos próspero, mais intolerante, mais desigual e mais dominado por ditadores ou iliberais; ou um mundo que está melhor mas que lá chegou devido a um ogre na Casa Branca. Por agora fico-me. Talvez volte ao assunto no próximo ano se ainda cá estivermos.


33 comentários

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De Beatriz Santos a 03.01.2018 às 17:28

Mas como é que um ogre na Casa Branca pode tornar o mundo melhor...nunca julguei possível que Trump fosse eleito. Foi. Mas também é verdade que excedeu pela negativa todas as previsões. Desprestigia o cargo de presidente.
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De João André a 04.01.2018 às 08:57

Não acredito minimamente que seja possível, penso que o meu post deixa isso claro. Mas posso estar errado.
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De Luís Lavoura a 03.01.2018 às 17:31

O João André deveria avaliar o ano de Trumpismo também por aquilo que ele não permitiu: um ano de Hillarismo.
Não falo das questões internas dos EUA, porque elas não me interessam basicamente nada (não sou americano nem tenciono voltar a pôr os pés nos EUA, apesar de lá ter vivido 3 anos). Falo das questões internacionais, que são as que interessam aos portugueses. E, nestas, houve uma enorme vitória: a guerra na Síria praticamente acabou; com Hillary, não teria acabado. E Trump ainda não começou mais nenhuma guerra; Hillary quase de certeza já estaria a cozinhar alguma. (As altercações no Irão poderão ser obra da CIA, mas não parece, por ora, que sejam.)
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De Vlad, o Emborcador a 03.01.2018 às 20:24

Meu caro, a politica externa dos EUA tem reflexos em todo o mundo excepto nas Selvagens.
Quanto à Síria concordo. Quanto ao refogar de novas guerras veja a Coreia do Norte...."o meu botão é maior que o teu".....e Jerusalém. .....aliás Trump adora colecionar inimizades
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De João André a 04.01.2018 às 09:04

Mesmo que Trump saia de um conflito acabará sempre por arranjar outro... A não ser que já não o levem a sério (espero bem...).
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De Luís Lavoura a 04.01.2018 às 09:29

Eu não vejo "refogar de novas guerras" nenhum. Vejo Trump a gabar-se da boca para fora, tal como se gabava de agarrar as mulheres pelas partes. Uma coisa é falar, outra é fazer. E, até agora, ele não agrediu ninguém.
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De João André a 04.01.2018 às 10:28

E poderá até não agredir e ainda assim causar guerras ou outros conflitos. Se amanhã os palestinianos lançarem nova Intifada e a autoridade palestiniana não conseguir ter nela qualquer controlo por não ter meios para o fazer, a mesma não foi iniciada por Trump, mas ele terá tido grande influência na mesma.

Como o Secretário da Defesa disse: quando o financiamento para a diplomacia é cortado, ele tem que comprar mais munição.
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De Anónimo a 05.01.2018 às 02:47

"não agrediu ninguém"
Excepto as mulheres que violou.
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De João André a 05.01.2018 às 07:41

Pessoalmente acredito nisso, mas se não tem provas convém ser comedido nas acusações. Toda a gente tem direito à assumpção de inocência.
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De Luís Lavoura a 05.01.2018 às 10:01

Que eu saiba, até agora nenhuma mulher acusou Trump de a ter violado.

E por acaso tais acusações até estão agora muito na moda nos EUA. Se nenhuma mulher aproveitou a ocasião para o acusar, é provavelmente porque ele não violou mesmo nenhuma.
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De João André a 05.01.2018 às 11:35

Verdade que nenhuma mulher o acusou de a ter violado (pelo menos no sentido de sexo). Muitas mulheres argumentarão que tê-lo a agarrar os genitais sem autorização e sem consideração por elas é o mesmo que violação - afinal de contas, não é o sexo em si que constitui a pior parte da agressão.

No entanto está completamente enganado se julga que por causa de umas (poucas) dezenas de mulheres terem vindo a público acusar homens de violações ou comportamentos inapropriados isso significa que quem não o fez não foi violada. A esmagadora maioria das mulheres não o fez nem fará assim (pelo menos em público) porque tem medo e vergonha.

Julga mesmo que agora que Trump é presidente alguma mulher se arrisca a vir a público? Especialmente com toda a máquina mediática que o apoia e todos os apoiantes violentos que ele tem?

Eu pessoalmente acredito completamente que ele tenha violado mulheres. O comportamento descrito pelas mulheres que o acusaram e que é corroborado pelas suas declarações na tal gravação que vio a público está perfeitamente alinhado com o que é descrito para predadores sexuais. O facto de não ter sido acusado ou condenado não significa nada neste aspecto. Qualquer pessoa razoável e que compreenda o comportamento de predadores sexuais e das suas vítimas acreditará muito mais que Trump provavelmente já violou alguém (ou pelo menos que já o tentou) do que ele ter sido um anjinho.

Note-se que Ivana Trump o acusou de violação, embora tenha na altura reformulado a história (com muitas modificações entre o que ela disse, diz e o que o advogado disse). Enfim, vale o que vale, mas parece-me claro que cai na mesma categoria do que é comportamento de predador sexual.
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De Octávio dos Santos a 05.01.2018 às 12:59

E as mentiras - pronto, está bem, vá lá, as «lacunas informativas» - continuam... ;-)

«Julga mesmo que agora que Trump é presidente alguma mulher se arrisca a vir a público? Especialmente com toda a máquina mediática que o apoia e todos os apoiantes violentos que ele tem?»

Na verdade, e há menos de um mês, três «arriscaram-se»...

http://www.eonline.com/news/899435/3-donald-trump-accusers-share-their-stories-of-sexual-misconduct-on-megyn-kelly-today

... Embora uma delas se tenha queixado, fundamentalmente, de que Donald Trump lhe pediu o número de telefone...

https://twitchy.com/brettt-3136/2017/12/11/i-wish-i-had-been-stronger-then-accuser-recalls-time-trump-asked-for-her-phone-number/
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De João André a 04.01.2018 às 08:59

Não sei o que seria um ano de Clintonismo 2.0 (não gosto de de lhe chamar "Hillary", não a conheço de lado nenhum) porque não o vi. Talvez tenha razão. Sei que a Síria foi "pacificada" pelas bombas de Putin e deixou o ditador Assad no poder. Será realpolitik? Talvez. Apenas avalio o que aconteceu, não estou a falar do contrafactual do que seria Clinton como presidente.
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De Luís Lavoura a 04.01.2018 às 09:34

não gosto de de lhe chamar "Hillary", não a conheço de lado nenhum

Nos EUA toda a gente se trata pelo nome próprio, mesmo quando não se conhece de lado nenhum. Acredite no que digo, eu vivi lá.

a Síria foi "pacificada" pelas bombas de Putin e deixou o ditador Assad no poder

Pois deixou. O ditador Assad é 1000 vezes preferível à ditadura alternativa, teocrática, que é aquilo que os rebeldes apoiados e financiados pelo "Ocidente" instaurariam. Uma ditadura similar à da Arábia Saudita ou dos EAU, países muito amigos do "Ocidente". Eu prefiro 1000 vezes uma ditadura laica.

não estou a falar do contrafactual do que seria Clinton como presidente

Isso é um erro de perspetiva seu. Temos sempre que considerar as alternativas. Assad é mau, mas os rebeldes são piores. Trump é mau, mas Clinton seria pior. Convem não dizermos muito mal daquilo que temos quando sabemos que a alternativa seria ainda pior.
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De João André a 04.01.2018 às 10:32

Sei que tem razão, mas eu não sou Americano e não tenho que seguir as regras deles. Também não começo posts sobre muçulmanos com "a paz esteja convosco".

Referi a realpolitik porque talvez seja verdade que Assad seja melhor que a alternativa. Tenho dúvidas que seja melhor que todas as alternativas e tenho sérias dúvidas que a "solução" encontrada usando Putin seja melhor que alguma outra. Sinceramente penso que isto será apenas uma acalmia e a coisa voltará no futuro,bem pior.

Você pode fazer o exercício de pensar que Clinton seria pior. Não o creio. Teria talvez (e é um grande talvez) áreas em que seria pior. A única coisa em que Trump é melhor é no facto de, sendo incompetente, não saber fazer mais estragos. Isso ainda pode piorar. Olhe que ainda não se completou o primeiro ano.
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De Anónimo a 04.01.2018 às 18:52

Já ouviu falar nos Acordos de Paris? A atitude anti-ciência e anti-ambiente da administração Trump prejudicará toda a gente, portugueses incluídos. Existem também muitos portugueses que residem nos EUA e correm o risco de deportação. Ou pensa que isso só acontece com os imigrantes mexicanos?
Além disso, a administração Trump deu continuidade as negociatas com a Arábia Saudita ao mesmo tempo que incita ao ódio contra a comunidade muçulmana nos EUA.
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De Luís Lavoura a 05.01.2018 às 10:05

Já ouviu falar nos Acordos de Paris?

Já. Mas sou extremamente cético em relação à capacidade prática de a Humanidade reduzir de qualquer forma significativa as suas emissões de gases com efeito de estufa. Uma redução significativa (isto é, que permitisse que o planeta não aqueça uns tantos graus) só seria possível com mudanças extremamente profundas do nosso modo de vida, que ninguém está disposto a fazer. A minha opinião é que, com os atuais líderes políticos ou com quaisquer outros, os nossos netos vão fritar. Não é Trump quem fará com que eles fritem a temperatura mais alta.
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De João André a 05.01.2018 às 11:21

Em poucos anos já começaram a ser reduzidas nos países insdustrializados, até na China (https://ourworldindata.org/co2-and-other-greenhouse-gas-emissions/). À medida que mais medidas venham a ser tomadas, algumas organizacionais, outras simples adopções de melhores práticas e ainda outras soluções técnicas, as emissões irão reduzir-se, também de forma significativa.

Só que, de facto, isso não irá suceder depressa o suficiente para os nossos filhos (talvez os netos...) dado que o CO2 permanece na atmosfera durante muito tempo e, mesmo que desaparecesse para níveis pré-industriais, ainda teríamos um período longo de redução de temperatura (pelas mesmas razões que o aumento da temperatura anda sempre atrasado em relação ao aumento das emissões - capacitância do sistema).

Seja como for, os governantes não devem decidir apenas para os 4/5-8/10 anos seguintes. Devem deixar um país/planeta que possa ir melhorando. Pensar de outra forma é o que nos trouxe onde estamos.

O maior problema de sair dos acordos de Paris não é necessariamente pelo lado das emissões dos EUA. Estas já se estavam a reduzir antes e as indústrias não voltarão aos tempos "sujos" por causa dessa decisão - em muitos casos descobriram que as medidas de redução de emissões tornam as suas indústrias mais eficientes e também lhes poupam dinheiro. Além disso, o investimento está feito.

O pior vai ser pelo lado do desinvestimento em ciência. Esta não é somente no lado do ambiente, mas em tudo o resto. Todos os investimentos em ciência para procurar reduzir emissões, capturar e armazenar gases com efeitos de estufa, melhorar eficiências, etc, levam a spin-offs que trazem imenso valor à sociedade. Um pouco como hoje termos satélites por todo o lado como spin-off da exploração espacial. Só que a estupidez trumpista vai desinvestir nas tecnologias que estão a marcar a agenda futura e deixará os EUA para trás (especialmente porque o sector privado nunca irá compensar na parte de investigação mais fundamental). É uma medida, digamos, lysenkista.
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De Vlad, o Emborcador a 03.01.2018 às 19:39

O mundo de soma zero faz parte da dialética empresarial. Desde há uns a arrogância, o resultado a todo o custo, fez escol, não só no mundo dos negócios, mas também no nosso quotidiano. Pensar à grande que a humildade e prudência são mesquinhas. Quanto à Trump Wallstreet adora-o. E no final é só isso que irá contar.
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De João André a 04.01.2018 às 09:06

Wall Street adora-o do ponto de vista pessoal, mas em breve poderão começar a preferir livrar-se dele, se a economia começar a sofrer. Claro que Trump estará a aumentar o défice, o que aumentará a dependência de dívida, coisa que Wall Street prefere. Talvez isso os faça continuar a apoiá-lo.
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De Octávio dos Santos a 03.01.2018 às 22:39

«A asneira poderia muito bem ser minha e vale a pena não condenar alguém excessivamente cedo»...

... E, porém, não faltam as asneiras - e as mentiras - nesta posta. Tão previsível nos preconceitos ideológicos, na ignorância dos factos, na indignação selectiva.

«Posso estar errado». E está mesmo. Tal como os muitos outros que acreditam em tudo o que as centrais de propaganda disfarçadas de «reputados» órgãos de comunicação social expelem regularmente relativamente aos EUA.

Na verdade, Donald Trump está a ser muito, muito, muito melhor do que o seu antecessor. O que até nem seria, não é, muito difícil, visto ele ter-se revelado um criminoso e mesmo um traidor.
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De João André a 04.01.2018 às 09:11

Errados podemos estar sempre todos. Eu posso estar errado, você também. Até pode dar-se o caso de chegarmos ao fim, Trump ter cumprido aquilo a que se propõe, e termos opiniões distintas sobre os resultados: eu achar que foi um desastre e você que foi um enorme sucesso. É até o mais provável. A maior diferença é que eu aceito poder estar errado. Você deve ser o Papa.

Isso trata da questão do "errado".

Quanto às asneiras, enfim, o mesmo que o "errado". Podem existir (e certamente existirão pelo menos algumas). Afinal de contas, deixo opiniões.

Quanto às mentiras, não há uma única. Tudo o que escrevi foram factos e opiniões sobre os mesmos. Nem me dou ao trabalho de voltar ao texto. Quem tem honestidade intelectual pode encontrá-los. Quem não tem (o seu caso) irá ignorá-los.

Mas deixo um aviso: da próxima vez que me acusar de mentira (ou a qualquer outra pessoa) num comentário aos meus posts eu não o aprovarei. Se quer apontar mentiras, faça-o e explique o porquê. O ónus é seu. Se acusa outros de mentira isso é má educação e não merece palco meu. Escreva-o noutro sítio (o seu blogue, por exemplo).
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De Octávio dos Santos a 05.01.2018 às 00:32

Você acha mesmo que eu alguma vez referiria a existência de mentiras se não conseguisse demonstrar que o são? Repito-o: eu lido com factos, não com fantasias.

«Não há uma única»? Vejamos, então...

«Comecemos com as suas vitórias. Aqui teve duas.»

Na verdade, foram bem mais. Várias listas foram feitas, deixo apenas quatro...

http://www.washingtonexaminer.com/year-one-list-81-major-trump-achievements-11-obama-legacy-items-repealed/article/2644159

http://www.cbc.ca/news/world/donald-trump-accomplishments-first-year-1.4466338

http://www.rasmussenreports.com/public_content/political_commentary/commentary_by_richard_baris/trump_s_first_year_accomplishments_compiled_in_shockingly_long_list

http://thehill.com/homenews/administration/366429-trumps-top-10-accomplishments-of-2017

«Tudo o resto até ao momento pouco teve de vitória. Mudar leis para permitir às empresas poluir mais ou colocar centenas de milhar de pessoas em risco de serem deportadas do país onde viveram toda a sua vida não são vitórias. São actos de estupidez e maldade. Nem há argumentação em defesa do que ele fez.»

Na verdade, o que não falta é argumentação em defesa do que ele fez: trata-se, basicamente, de fazer cumprir as leis... que impõem, obviamente, que quem está ilegalmente no país deve ser preso e/ou expulso. E você acredita que sob Barack Obama não foram, «estúpida e maldosamente», deportadas pessoas? Até em Portugal, país com fronteiras abertas, o SEF não deixa de procurar e de prender estrangeiros cuja situação não é legal.
Quanto ao «permitir às empresas poluir mais», é tão ridículo que nem merece grandes comentários. A EPA foi fundada por um presidente republicano (Richard Nixon!), e o que está agora em questão é impedir aquela agência de exorbitar as suas competências e de restringir o crescimento económico. Acaso existiram catástrofes ambientais nos EUA em 2017? Creio que não, mas se souber de algumas por favor informe-me.

«... Impediu Obama de cumprir o seu papel e apresentar o seu nomeado (ao Supremo Tribunal).»

Ninguém impediu Barack Obama de apresentar o seu nomeado, tanto assim que ele o fez, tendo proposto o juíz Merrick Garland. O que aconteceu foi que o Senado se recusou a discutir e a votar a sua nomeação, assim seguindo uma prática (bi-partidária) de décadas de não preencher vagas no ST durante o último ano de mandato de um presidente.

«Conseguiu avançar com a sua reforma (fiscal), a mais profunda desde Reagan, mesmo contra as objecções do seu próprio partido.»

A sério?! O Partido Republicano pronunciou-se oficialmente contra uma redução de impostos?! Como explicar então as centenas de congressistas, entre representantes e senadores, que votaram entusiasticamente a favor?
Acaso o seu nariz terá crescido ao escrever isto?

«Contra todos os conselhos dos especialistas, contra aquilo que todos os estudos indicam e de uma forma que vai aumentar o défice, aumentar a carga fiscal da esmagadora maioria dos americanos depois da próxima eleição.»

Foram mesmo «todos» os conselhos dos especialistas? Então à direita não existem fiscalistas que preconizam reduções de impostos, muitos deles assessores, conselheiros, dos políticos que elaboraram e votaram a proposta? Esta «vai aumentar o défice»? Trata-se de uma mera, e alarmista, previsão, que não se cumprirá se, como esperado, a economia crescer o suficiente para aumentar a receita fiscal, e, logo, contribuir para diminuir o défice.

«Não conseguiu impedir a Coreia do Norte de adquirir um arsenal nuclear credível (embora provavelmente ninguém o conseguisse), mas conseguiu também hostilizar o ditador que tem o dedo nesse mesmo arsenal.»

Na verdade, Donald Trump não conseguiu impedir a Coreia do Norte de adquirir um arsenal nuclear... porque aquela já o tinha antes de ele tomar posse (aliás, começaram a tratar disso há 20 anos). E que «horror», hostilizar o ditador! Sim, eu sei que os esquerdistas preferem não hostilizar, e até apoiar, ditadores e terroristas. O que é certo é que o «falar grosso» de Trump conseguiu que China e Rússia concordassem em sanções contra a CdN, e que esta retomasse o diálogo com a Coreia do Sul.

(Continua...)




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De Octávio dos Santos a 05.01.2018 às 00:35

(Continuação...)

«Trump já provou que se está nas tintas para o sofrimento que causa a outros.»

Que sofrimento é que Trump causa, ou causou, a outros? E quem são eles? Os democratas, ainda histéricos pela derrota em 2016? E onde estão as provas de que ele «se está nas tintas»?..

... Ou os «sofredores» serão os «afectados» pelos cortes nos financiamentos dos programas da ONU e ainda os «palestinianos»? Quanto aos primeiros, ainda não há dados sobre o impacto da redução das verbas norte-americanas (diminutas no âmbito geral); quanto aos segundos, creio que é indubitável que eles sofrerão muito menos com a mudança de uma embaixada do que as vítimas das bombas que eles lançam.

«... Genro, o manequim que tem uma enorme pasta que deve servir de pisa papéis lá em casa.»

Jared Kushner é modelo, faz desfiles e fotografias de moda? Como é que eu nunca soube disso? ;-) E que «enorme pasta» é essa? Tem fotografias dela?

«Saiu da UNESCO. A sério, que lógica tem isto? Esqueceram-se de designar a monstruosidade que é a torre Trump como património da Humanidade?»

A «lógica» é a de não participar numa entidade ridiculamente anti-semita e anti-Israel, que chega ao cúmulo de negar aos judeus a propriedade, a autoria, de património... construído pelos seus antepassados.
E a Torre Trump é uma «monstruosidade» porquê?

«Saiu do acordo de Paris. Basta ver a reacção da indústria americana para saber que foi mais uma estupidez.»

A «indústria americana»? Ou apenas determinadas companhias, lideradas por esquerdistas, apoiantes de democratas, como a Apple, Facebook e General Electric? E «estupidez» seria aceitar gastar biliões de dólares enquanto a China e a Índia não gastariam nem um cêntimo.

«Está a tentar destruir alianças de décadas na Europa.»

Não, não está: quer, sim, que os países europeus façam - e paguem - mais pela sua própria defesa.

«Ainda vai acabar com o Irão a construir armas nucleares.»

Se tal acontecer será por causa do (muito) dinheiro que Barack Obama mandou aos «ai-as-tolas».

«A sua administração fez um bom trabalho com um furacão e depois, quando o outro caiu sobre os hispânicos, decidiu que esses não mereciam a mesma atenção.»

Três territórios dos EUA - Texas, Flórida e Porto Rico - foram atingidos por três grandes furacões - Harvey, Irma e Maria. Nos três existem grandes comunidades hispânicas... e, claro, a de PR é maioritária. Não há notícias de discriminação por etnia (ou outra) na assistência às vítimas nos três.

«Não deixou uma palavra de crítica à Rússia.»

Falso:

http://orient-news.net/en/news_show/130590/0/Trump-criticizes-Russia-Obamas-inaction-in-Syria

https://www.reuters.com/article/us-poland-usa-trump/trump-criticizes-russia-calls-for-defense-of-western-civilization-idUSKBN19R02Q

http://www.newsweek.com/donald-trump-blames-russia-not-china-north-korea-tensions-693630

«Um ogre na Casa Branca.»

Mas você é daltónico? Trump «é» cor-de-laranja, e não verde! ;-)
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De João André a 05.01.2018 às 07:39

V. julga mesmo que ser de esquerda é mau e ser-se um "esquerdista" um insulto, não?
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De Anónimo a 05.01.2018 às 14:22

Octávio, consulte um psicólogo.
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De Anónimo a 04.01.2018 às 18:48

"Na verdade, Donald Trump está a ser muito, muito, muito melhor do que o seu antecessor."
Largue a droga.
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De pitosga a 04.01.2018 às 11:32

Ao 'Delito de Opinião':

Atenção às parvoíces debitadas pelo sr André.
Um texto do 'é', 'não é', 'não pôde ser', 'impossível foi', 'não quis', 'não deixaram', 'mente', 'demente', 'não mente'.
Texto logo secundado pelos tontos que opinaram naquela caixa.

O prestígio do blog não pode estar à venda num quiosque para tontos. Porque não sabem explicar, porque nem raciocinam.

Umas tantas (poucas) vezes por ano, o 'Delito' comete estes delitos.

A bem do blog. Ou seja: quem te avisa...
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De João André a 04.01.2018 às 12:16

Eu sou autor é escrevi parvoíces. E comentei e como tal sou tonto. Vá lá que V. só cumpre um dos critérios. Parabéns.
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De Vento a 04.01.2018 às 12:01

João, estaremos cá para a consoada de 2018 e ao mesmo tempo apercebermo-nos que somos nós o presépio de Jesus.

Quanto a Trump, tudo se encaminha para as previsões que deixei expressas no nosso diálogo aquando das eleições americanas. Isto é, Trump não faz o que quer mas faz bem o que pode.

A questão sobre quem tem o maior botão não passa de conversa de costureiras para ver como os poderá encaixar, aos botões, nas casas das camisas.
A historieta de Jerusalém como capital de Israel não passa de um capital que Trump pretende rentabilizar face à perda de influência registada com o sucesso de Putin na Síria, na Turquia e em outras partes da região.
Em suma, Trump parece partir a loiça toda. Mas não parte.
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De João André a 04.01.2018 às 12:15

Também penso que sim, mas também tive mais certezas no passado.

Reflectindo no que escreve, concordo que Trump faz bem o que pode. Claro que o que pode é pouco daquilo que quereria, felizmente. E o que pode é frequentemente mau (do meu ponto de vista, claro).

Mas discordo em relação a Jerusalém. Não é apenas mais uma capital. Não o é para ninguém e muito menos o é para judeus e muçulmanos. Se o fosse Israel também não teria feito tanta fita. Ainda vai correr sangue (previsão fraca para o Médio Oriente, é certo, mas esta é mais pelo volume).
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De Vlad, o Emborcador a 04.01.2018 às 12:31

Vento, Trump e Putin fizeram um acordo. Trump nada faria na Síria. Putin nada faria em Jerusalém
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De Vento a 04.01.2018 às 20:58

Trump nada faz na Síria (porque não pode) e Putin já fez o que tinha a fazer por Jerusalém, aceitando Jerusalém ocidental como capital de Israel e Jerusalém oriental como capital da Palestina. Enfim a política dos dois estados vai avançar, aos bochechos.

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