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Delito de Opinião

Um abraço do tamanho do mundo

Sérgio de Almeida Correia, 12.04.22

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Para quem aprecia um bom jogo de futebol, o encontro entre Manchester City e Liverpool da última jornada da Premier League foi um espectáculo. Em regra, os jogos do campeonato inglês são sempre um espectáculo. Há respeito pelo adversário, entrega, coragem, emoção, golos. Discute-se a bola em cada centímetro de relva, sua-se no campo todo.

E depois há o público. Animação, alegria, cânticos, aplausos. Não há fossos de protecção, não há arames, grades, jaulas.

E o que aquela gente corre, meu Deus. Até parece que não se cansam. Com os lusos a contribuírem para o espectáculo. Irrequietos, mostrando todos os seus atributos, destilando classe no drible, no passe. De vez em quando lá se vê o árbitro. Também se farta de correr. Fala com os jogadores, repreende-os quando é necessário, pedem-lhe desculpa, por vezes riem-se juntos. Tudo a anos-luz do que por outros lados se vê, onde os bandoleiros teimam em fazer parte do espectáculo. Mas não é este o momento apropriado para falar de desgraças.

O que aqui quero sublinhar desse jogo, e que é comum em quase todos os outros da Premier League, é o modo como os treinadores se relacionam. Parece que quanto melhores mais se entendem, mais se estimam, mais se admiram. E o jogo de domingo não fugiu à regra.

Naquele abraço no final do jogo entre Guardiola e Klopp estava lá tudo. A deferência, a amizade, a autenticidade, o respeito pelo outro, a paixão pelo jogo, os adeptos das duas equipas. O futebol em todo o seu esplendor.

Que bom foi ver esse abraço. Um abraço que foi todo ele um hino ao futebol, à civilidade, uma jogada excepcional, que em segundos resumiu toda uma partida. Um abraço que mostrou, afinal, que esse jogo, que pouco se assemelha ao "chuto-na-bola", também pode ser jogado por cavalheiros. Que exemplo.

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