Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Trump está perigoso.

por Luís Menezes Leitão, em 11.04.17

Os presidentes norte-americanos têm o condão de supreender qualquer observador, funcionando completamente ao contrário do que tinham anunciado. É assim que Donald Trump, depois de imensa controvérsia por as suas medidas inconstitucionais contra os imigrantes islâmicos terem sido barradas nos tribunais, decidiu agora intervir na guerra civil síria. Foi uma acção sem mais consequências do que uns mísseis despejados no terreno, mas que lhe garante o aplauso da comunidade internacional perante o total apagamento da ONU. A propósito, o que é que anda lá a fazer o nosso Guterres? A Rússia fica furiosa, o Irão protesta, mas o ataque não vai trazer consequências de maior na esfera internacional. Trump pode por isso proclamar que está a tornar a América "great again" e tranquilamente gozar os aplausos gerais pela sua iniciativa, que lhe permite consolar o seu ego magoado por um dos inícios presidenciais mais desastrados da história recente. 

 

O problema é que Trump tem um perfil psicológico narcísico e os aplausos que hoje lhe dão por uma iniciativa bem sucedida estimulam-no a passar rapidamente a outra. Mas o que ele agora considera estar à mão é muito mais perigoso do que ele alguma vez pode imaginar: a Coreia do Norte. À primeira vista pode parecer um resquício da guerra fria, que os Estados Unidos facilmente dominarão, mas a verdade é que nem nos seus maiores tempos de grandeza a América conseguiu vencer a Coreia do Norte. O seu mais brilhante génio militar McArthur, depois de encurralado no sul da península, conseguiu tomar Pyongyang em virtude do sucesso mililtar do seu desambarque em Incheon, mas percebeu perfeitamente que teria que recuar após a entrada da China no conflito. Ainda chegou a propor a Truman um ataque nuclear à China, mas a perspectiva de generalização da guerra nuclear, com a ameaça de uma resposta russa, levou o presidente a demitir o seu general, tendo depois as partes acordado em voltar a fixar a fronteira no paralelo 38.

 

Hoje a Coreia do Norte é um estado nuclear, que não reconhece qualquer poder na esfera internacional, uma vez que até se gaba de ter vencido uma guerra contra as Nações Unidas. Não é por isso nada provável que um ataque convencional à Coreia do Norte não desencadeie uma resposta nuclear imediata que, se não atinge por enquanto os EUA, facilmente atinge a Coreia do Sul ou o Japão. Trump pode estar a querer testar tantos anos depois a velha doutrina de Kissinger da guerra nuclear limitada, que lhe granjeou o epíteto de Dr. Strangelove. Mas é muito pouco provável que a China alguma vez pactue com semelhante estratégia, ainda mais depois das polémicas declarações de Trump sobre a Formosa. Seguramente que Trump não sabe onde se está a meter.


18 comentários

Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 11.04.2017 às 17:53

nem nos seus maiores tempos de grandeza a América conseguiu vencer a Coreia do Norte

Bem, isso foi porque a Coreia teve a ajuda da China. Caso contrário teria sido feita em picado.
Imagem de perfil

De Luís Menezes Leitão a 11.04.2017 às 21:01

E a China teria sido feita em picado se não tivesse a URSS a apoiá-la. Julgar que se resolve o assunto ignorando as solidariedades regionais é brincar com o fogo.
E em qualquer caso o Vietname não foi feito em picado apesar do envolvimento militar americano ter sido muito superior. Uma guerra na Coreia do Norte seria para os EUA um Vietname elevado à décima.
Sem imagem de perfil

De escreve por linhas tortas a 11.04.2017 às 18:31

Deu a louca no xerife do mundo. E sem miranda law. À jagunço. Ou capitão do mato. Soleníssma alimária. Alah hu akbar... Dass...
Imagem de perfil

De Manuel a 11.04.2017 às 22:10

No passado dia 6 Xi Jinping foi a casa de Trump falar sobre relações comerciais e sobre Coreia do Norte. Estava ele preparado para negociar, bem sentado que estava num sofá da Casa Branca quando Trump mandou lançar uns mísseis na Síria.
Resultado da reunião foi um sucesso, Xi Jinping concordou em aplicar sanções à Coreia do Norte.
Sem imagem de perfil

De Vento a 11.04.2017 às 23:01

Concordo em absoluto com a estrutura de sua reflexão. Mas não concordo com a forma como sobrevaloriza a reacção americana.

Antes de continuar permita afirmar que estes arrufos já eram previsíveis. Aliás afirmei aqui num texto de Alexandre Guerra:
"Se me permite eu respondo-lhe por antecipação sobre o entendimento de Trump e Putin. Será bom, para eles e para o mundo. Encontraremos uns arrufos para alimentar o ego interno, o da população de ambos países.

E dir-lhe-ei mais, a Europa reconsiderará a sua posição face à Rússia, e viverá arrufos mais "agressivos" com os EUA. Por fim Trump reconhecerá a importância da Europa no novo ordenamento."

http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/2017-o-ano-do-renascimento-do-czar-9015079#comentarios

No que diz respeito à Síria, Trump pretendeu somente assinalar que na guerra que se trava naquela região não alinhará no vale tudo. Só tem este significado. E com isto demonstrou também a Israel que se manterá do seu lado no caso de uma ameaça química contra o país. Não estranhe que existam vários arsenais biológicos naquela região, que surgirão numa situação mais acesa que possa envolver Israel.
No caso da Coreia do Norte, se reparou Trump só desviou o porta-aviões da rota que seguia em direcção à Austrália depois do encontro com o homólogo chinês. Esse tweet de Trump visa somente não comprometer a China com o aval dado à permanência do vaso de guerra na região, só para refrear o PR norte-coreano.

Concluindo, depois dos referidos arrufos para entreter a opinião pública de cada país a normalidade regressará e confirmar-se-á a perspectiva por mim exposta no comentário ao texto de Alexandre Guerra.
Se reparou, da cimeira do G7 não saiu nada diferente do que eu aí tinha apontado sobre a posição da Europa. Quem ficou a ver navios foram os britânicos.
Sem imagem de perfil

De Vento a 12.04.2017 às 21:35

Permita acrescentar que a China absteve-se hoje na resolução proposta na ONU.

http://rr.sapo.pt/noticia/81060/russia_veta_resolucao_contra_a_siria?utm_source=rss

A questão na Coreia está resolvida e na Síria também. Trump e Putin vão captar algum protagonismo internacional. Israel trabalhará nos bastidores para forçar uma posição na Síria. Assad poderá vir a ser substituído no futuro, desde que esta substituição contemple alguém que se comprometa com a Rússia e o Irão.
A questão no médio-oriente conta com dois intervenientes igualmente decididos a marcar o andamento da política na região: Rússia e Irão.

A China será a que mais beneficiará junto de americanos e europeus com o seu "low profile". Sem hostilizar a Rússia de quem depende, e muito, não só em tecnologia para melhorar a sua Força Aérea como também como parceira para a resolução de situações que se prendem com territórios que reclamam do Japão.
Os EUA jamais iniciarão uma acção militar contra a Coreia.
Imagem de perfil

De Luís Menezes Leitão a 13.04.2017 às 09:07

Você anda a tomar a nuvem por Juno. A China está-se nas tintas para o que sucede na Síria. Mas obviamente que não se estará nas tintas para o que sucede na Coreia do Norte.
Sem imagem de perfil

De Vento a 13.04.2017 às 11:09

Repare nesta notícia:
http://24.sapo.pt/noticias/internacional/artigo/trump-satisfeito-com-china-sobre-moeda-comercio-externo-e-diplomacia_22233265.HTML

Agora diga se confundo a nuvem com Juno.
O programa nuclear norte-coreano avançará. O problema dos EUA reside na possibilidade dos norte-coreanos desenvolverem motores que possam levar as ogivas a território americano.
A declaração de Trump, depois daquele tweet, vem ao encontro de minha observação.
Evitar que a Coreia desenvolva motores de grande alcance não é o mesmo que deixar os americanos arrasarem com a Coreia. A China sabe jogar seu papel no plano regional e internacional.
Concluindo, a minha análise vai provar-se correcta. Já começou.

Sem imagem de perfil

De Vento a 13.04.2017 às 23:54

Fechando o ciclo dos comentários:
http://www.jn.pt/mundo/interior/russia-acordou-com-eua-fim-de-ataques-na-siria-6220876.html
Sem imagem de perfil

De joao a 11.04.2017 às 23:08

tramp e um grande lider
Sem imagem de perfil

De ranbir a 12.04.2017 às 06:04

as i read about trump, he is not as dangerous as media and other opposition represent him these days. he is doing good things. if stopping terrorism is dangerous then yes , he is dangerous.
If standing alone against north korea is dangerous for world , then yes he is dangerous.
no one is complete in this world. so he is good at some points and may be bad at some points
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 12.04.2017 às 09:48

"... o Vietname não foi feito em picado..." e a 2ª mundial não teve trincheiras. Outros tempos, outras batalhas. Outras guerras.

Nestas guerras e guerrinhas, em curso, os cenários, os adreços já são completamente outros e, importante, os actores são de outras escolas de pensamento.
Trump óbviamente não quiz destruir nem destruiu um aeroporto.

Obama era um interessante tribuno, um "entretainer", o homem de momento na fachada. Funcionou politicamente ao serviço de outrem.

Trump é ele mesmo em tudo. Quem se sente afectado tenta destrui-lo. É um homem de acção. Agiu. Decidiu. E conseguiu, interna e externamente, algum efeito. Quiçá mais e melhor, para ele, do que imaginava.
A partitura agora é outra.
Imagem de perfil

De Manuel a 12.04.2017 às 12:20

Eu não estou assim tão confiante.
- Sputnik fala da forte possibilidade da força naval norte americana estacionada na península coreana ser bastante superior ao que aparece à superfície.
- China Daily fala que o Japão também quer participar nos exercícios (intimidatórios)
- China estacionou uma força de 150.000 soldados junto da sua fronteira com a Coreia do Norte, sob pretexto de prevenção humanitária.
- China partiu para as sanções e mandou parar o fornecimento de carvão e reduzir outros fornecimentos.
E como se tudo isto ainda não dê para preocupar sempre podemos juntar mais umas coincidências.
- Dia 15 de Abril é o dia do Sol na Coreia do Norte. O dia do feriado mais importante do regime - é o dia em que se celebra o nascimento do avô do actual líder. (Será que ele vai festejar em grande?)
Outra coincidência interessante, esta porque tenho para mim que o bombardeamento à base aérea na Síria é um aviso à Coreia do Norte. Logo porque no passado dia 6 Xi Jinping estava com Trump e, embora ambos estejam preocupados com a CN, há indícios de que não estão em sintonia quanto à forma de resolver o problema, isto logo no dia que fez 100 anos que os EUA declararam Guerra à Alemanha. Depois alguma imprensa internacional deu conta de que logo após o ataque norte americano Kim fez questão de ligar para Assad para lhe dar apoio moral na luta contra o imperialismo.
Portanto eu não estou muito optimista.
Sem imagem de perfil

De Octávio dos Santos a 12.04.2017 às 14:43

E os disparates, por parte de pessoas já com idade para terem juízo e não se deixarem manipular, continuam...

«... As suas medidas inconstitucionais contra os imigrantes islâmicos terem sido barradas nos tribunais...»

Não, não são inconstitucionais. Era só o que faltava que um governo legítimo de um país soberano não pudesse decidir quem pode entrar naquele - seria o mesmo que dizer que o SEF não deve localizar, deter e expulsar de Portugal quem está cá ilegalmente (apesar das fronteiras abertas!) Os cidadãos estrangeiros não têm direitos segundo a Constituição dos EUA - pelo menos, o direito de «visita» quando muito bem entendem. O problema, aqui, são os juízes partidários, facciosos, activistas (isto é, esquerdistas), que tomam decisões baseados não na Lei mas sim na (sua) ideologia - convém recordar os casos de referendos estaduais «anulados» por decisões judiciais. Os juízes que agora bloqueram a decisão de Donald Trump não fizeram o mesmo quando Barack Obama proibiu, durante seis meses, iraquianos de entrarem. Em última instância (literalmente), deverá ser o Supremo Tribunal a decidir.

«... Um dos inícios presidenciais mais desastrados da história recente...»

«Desastrado» porquê? Em que sentido? Por estar a fazer - ou a tentar fazer - exactamente aquilo que prometeu durante a campanha? Por estar a implementar medidas de que aqueles que o opõem não gostam (que «surpresa»!)? Em política (e não só) o que conta mais não é o começo mas sim o fim.

«O problema é que Trump tem um perfil psicológico narcísico e os aplausos que hoje lhe dão por uma iniciativa bem sucedida estimulam-no a passar rapidamente a outra.»

Barack Obama também tinha, e tem, um «perfil psicológico narcísico»... E se a iniciativa (o ataque à Síria) foi «bem sucedida», e que recebeu o(s) «aplauso(s) da comunidade internacional», como é que «não vai trazer consequências de maior na esfera internacional»? Eu diria que pelo menos - o que não é pouco - está a ter a «consequência de maior» de deixar mais descansados os aliados tradicionais dos EUA, que tinham algumas desconfianças, e até inquietações, relativamente ao novo presidente norte-americano.

«... McArthur, depois de encurralado no sul da península, conseguiu tomar Pyongyang em virtude do sucesso mililtar do seu desambarque em Incheon...»

Foi Seul, e não Pyongyang, a cidade que foi (re)tomada aquando da Batalha de Incheon.

«... É muito pouco provável que a China alguma vez pactue com semelhante estratégia, ainda mais depois das polémicas declarações de Trump sobre a Formosa.»

Será mesmo «muito pouco provável»?

http://www.telegraph.co.uk/news/2017/04/12/north-korea-chinas-xi-tells-trump-peaceful-resolution-needed/

Enfim, note-se o insólito de se considerar Donald Trump «perigoso» por... retaliar contra a utilização de armas químicas em civis (Rui Tavares, em artigo no Público a 10 de Abril, usou a mesma palavra). Ou seja, deixemos ditadores e terroristas matarem quem quiserem, como quiserem, quando quiserem... e não haverá «perigo». Aparentemente, a coragem é uma qualidade cada vez mais rara, ou mesmo inexistente, em certas áreas.
Imagem de perfil

De Luís Menezes Leitão a 13.04.2017 às 09:03

O primeiro aditamento da Constituição americana proíbe discriminações com base na religião. Expusar ou proibir a entrada de pessoas com base na religião que professam é inconstitucional, com bem disseram os juízes. Por isso as medidas do presidente foram barradas nos tribunais. Qualquer pessoa que conheça a América sabe que o primado da lei (e da constituição) é um valor essencial para os americanos. Por isso o presidente teve um início de mandato tão desastrado. Parte dos seus assessores já teve que ser substituído.
Não foi apenas Seul, mas também Pyongyang que foi tomada após Incheon, mais precisamente a 19 de Outubro de 1950, obrigando o governo norte-coreano a deslocar-se para Kanggye. Se não fosse a imediata intervenção da China no conflito a guerra teria acabado aí.
A pós-verdade pode andar na moda, mas nos meus textos não entra.
Sem imagem de perfil

De Octávio dos Santos a 13.04.2017 às 16:24

Aparentemente, e infelizmente, não é apenas a «pós-verdade» que não entra nos seus textos: a verdade também não, mesmo que ocasionalmente.

O denominado «travel ban» não é um «muslim ban» porque o critério não é a religião mas sim o(s) país(es) de que se é originário; se fosse «anti-muçulmana», a iniciativa estender-se-ia a todos os países de maioria muçulmana, e não a meia dúzia, que se vêem na «mira» das autoridades norte-americanas não por causa do Deus a que rezam mas sim por não oferecerem suficientes garantias de controlarem devidamente os seus cidadãos e assim diminuirem os riscos de circulação de terroristas; ou seja, e por exemplo, hipotéticos hindus e cristãos da Síria e do Sudão também não poderiam entrar nos EUA.

A questão principal aqui, volto a salientar, é o ter-se coragem ou não, é o demonstrar capacidade ou não, de passar das palavras aos actos quando tal é necessário. No problema da Síria (e não só) Barack Obama demonstrou não as ter: anunciou uma «linha vermelha» que depois não quis, ou não conseguiu, fazer respeitar, e depois, em mais uma demonstração da «flexibilidade» que prometeu a Vladimir Putin, aceitou e acreditou que os russos eliminariam o arsenal químico de Assad... o que - para espanto de ninguém com dois dedos de testa - afinal não se verificou.

Quanto à China, estará mesmo a alterar a sua atitude perante a Coreia do Norte por força das palavras e do actos de Donald Trump... pelos vistos uns mísseis com bolo de chocolate podem ter bons resultados. E se não é suficiente o que se diz no Telegraph, talvez seja o que se diz num jornal chinês...

http://www.globaltimes.cn/content/1041998.shtml
Sem imagem de perfil

De JAB a 12.04.2017 às 16:01

"Que anda lá (na ONU) a fazer o nosso Guterres"?... Exactamente aquilo para o qual foi eleito... Ficar muito quietinho... É a vida!...

Comentar post


Pág. 1/2



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D