Trump
Muito do que se escreve sobre Donald Trump concentra-se no folclore, em frases fora do contexto ou ideias feitas que não procuram entender as intenções deste movimento político. Alguns comentadores usam o sorriso condescendente da superioridade intelectual. Outros não duvidam de que o fenómeno é fascista e não parecem compreender que esta afirmação é negacionista ao extremo, pois se Trump é fascista, então o fascismo nunca aconteceu como consta nos livros de História. Trump poderá concluir uma viragem na América, tornando a república imperial mais oligárquica, libertária e nacionalista. Os três elementos são contraditórios, como é a tensão entre república e império que tem dilacerado os EUA. Trump terá de respeitar os interesses dos trabalhadores que o elegeram, mas também dos interesses oligárquicos dominantes. Terá de preservar a hegemonia americana deixando de intervir em todos os conflitos. Fará talvez uma partilha do mundo com a China e a Rússia, procurando demolir o estado profundo das burocracias não eleitas que em Washington controlam a diplomacia, a segurança e a regulação estatal. Trump também vai desprezar os europeus que não o acompanharem, sobretudo Bruxelas.