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Tribunais, sensibilidades e política nos EUA

por João André, em 03.10.18

Na semana passada vivemos um caso que não é inédito mas que felizmente tem sido raro: um nomeado para o Supremo Tribunal dos Estados Unidos a defender-se de uma acusação de assédio sexual (mantenhamos este termo genérico, que não sei como classificar legalmente os casos Hill vs Thomas e Blasey Ford vs Kavanaugh). Nesta situação há que tomar duas medidas a priori:

 

1) existe presunção de inocência para Kavanaugh - não há qualquer prova (ou sequer evidência, fora testemunhos) que Kavanaugh tenha cometido qualquer crime.

2) respeito para a acusadora - até se ouvir a sua acusação e como ela feita, não podemos atacar o testemunho ou a alegada experiência.

 

Na falta de provas ou de uma investigação conclusiva por parte da polícia, o caso acaba por se reduzir a em quem acreditamos. Depois de ter visto os testemunhos de um e de outro, sei quem saiu mais credível (Blasey Ford), mas isso não significa que Kavanaugh tenha cometido os actos de que é acusado. A sua fúria nasce de uma frustração perfeitamente legítima em alguém inocente e que está a ser acusado sem ter nada feito para isso. Se Kavanaugh não cometeu os actos (penso que nunca o saberemos realmente) de que o acusa Blasey Ford, então é normalíssimo que fique furioso com a devassa da sua vida privada. É normal que se sinta impotente com as consequências a que está sujeito ele próprio do ponto de vista profissional (se não for eleito, a sua carreira legal estará em risco) e privado (a sua família estará a sofrer).

 

Por outro lado, Blasey Ford surgiu como perfeitamente credível. É muito difícil que Blasey Ford esteja a inventar o caso que descreveu com detalhe e de forma tão poderosa. É difícil acreditar que possa ser tão boa actriz (nos filmes os actores têm muitos takes para conseguir o tom desejado) ou que fosse capaz de criar detalhes tão convincentes. É no entanto possível que esteja equivocada com os responsáveis pelo acto - passaram muitos anos e um trauma cria lacunas na memória que o cérebro tenta colmatar com outros dados. Só que, se assim for, ela sofreu de facto esse ataque/assédio e sofreu também por isso. Ao longo de décadas.

 

E é por isso que escrevo. Não escrevo porque creia que Kavanaugh ou Blasey Ford sejam sinceros ou estejam a mentir, mas porque Kavanaugh não se estava a candidatar para um qualquer posto de trabalho nem a defender-se criminalmente. Por não estar perante um questionário da polícia nem num tribunal a responder a uma acusação de crime, a barra para o julgar deve ser mais baixa: não é precisa uma certeza absoluta de culpa para se ter uma opinião. Não é correcto, mas é a natureza humana e ainda mais a natureza da política. Ou seja: Kavanaugh não tem que demonstrar que é inocente (num tribunal é a acusação que tem que provar a sua culpa, não o contrário) mas tem que lutar pela sua imagem. Blasey Ford faz exactamente o mesmo.

 

A outra questão que referi é o facto de esta ser apenas mais uma entrevista para um emprego para a vida, no posto mais independente no sistema dos EUA. Isso significa que Kavanaugh deveria ter demonstrado algo mais que frustração e combatividade. Deveria ter demonstrado vontade de responder honestamente às perguntas que lhe foram colocadas (ficou longe disso) e deveria, no mínimo, ter demonstrado simpatia para com Blasey Ford, de quem disse «Não questiono que a Dr. Ford tenha sido atacada sexualmente por alguma pessoa nalgum momento. Mas eu nunca o fiz a ela nem a ninguém.» (tradução minha). Não o fez em momento nenhum e transformou a sua audiência num momento de "eu, eu eu" muito zangado e de ataques à esquerda e aos democratas.

 

Relembremos que Kavanaugh vai no futuro, se for confirmado no cargo, ter de ouvir e deliberar de forma objectiva (embora sempre parcial, de acordo com a sua visão e opinião) sobre casos que surjam de todo o lado. Poderá ter de deliberar sobre casos de sindicatos, de círculos eleitorais, de liberdades pessoais, de casos específicos de género. Perante o discurso que teve nas respostas (ou falta delas) às questões colocadas, Kavanaugh demonstrou ser completamente inadequado para o cargo para o qual foi nomeado. Kavanaugh surgiu como alguém sem a menor capacidade de ouvir opiniões ou questões de que não goste, com as quais não concorda e sem a mínima sensibilidade para com o sofrimento de uma pessoa (que admitiu ser possível).

 

Com tudo isto, parece-me óbvio que o caminho que os Republicanos deveriam trilhar é o de retirar a nomeação de Kavanaugh e escolher outro juíz. Poderiam escolher outro juíz igualmente conservador de entre os nomes mencionados no passado. A Five Thirty Eight publicou várias análises do posicionamento na escala liberal-conservador dos actuais juízes e dos potenciais nomeados no passado (aqui, aqui e aqui, por exemplo). Não faltam portanto opções de juízes igualmente conservadores que provavelmente passariam na nomeação sem excessivos problemas (ou polémicas). Há várias razões para os republicanos estarem a insistir em Kavanaugh:

1. Pensam que Kavanaugh é de facto o melhor candidato para a posição. É possível, mas perante uma larga lista de possíveis nomeados, é difícil acreditar que a bagagem que Kavanaugh traria agora não elimine as suas possíveis vantagens judiciais.

2. Têm receio que o atraso na nomeação de um novo juíz os penalize nas eleições intercalares. É possível que a base republicana considere a falta de um novo juíz uma fraqueza, mas seria igualmente fácil (e lógico, porque verdadeiro) vender tal situação como culpa dos democratas e retirar daí dividendos eleitorais.

3. Há receio que os Republicanos percam o Senado. É sempre possível que uma avalanche democrata capturasse as duas câmaras (neste momento parece haver boas probabilidades de isso acontecer na câmara baixa) mas improvável. Neste momento o mesmo Five Thirty Eight projecta uma probabilidade de 2 em 7 para os democratas o conseguirem. É sempre possível, mas improvável, porque há relativamente poucos lugares em disputa para o Senado nestas eleições.

4. Trump. O presidente americano não quer perder a batalha. Nomeou uma pessoa e sentiria como uma ofensa pessoal se tivesse que escolher outro candidato. Se Kavanaugh falhar nalgum momento (por exemplo, se se demonstrar que mentiu ao Senado), Trump não terá problemas em o descartar e humilhar (lidar com Trump é um jogo de alto risco), mas até lá Trump não se moverá um milímetro da sua posição. E o Partido Republicano está completamente vendido à sua base mais barulhenta e extremista, não arriscando perder o apoio dos trumpistas, independentemente dos riscos eleitorais que isso acarrete.

 

No final, a não ser que nas próximas 36 horas o FBI descubra evidências novas ou que conclua que Kavanaugh mentiu deliberadamente na sua audiência (omissões que podem ser desculpadas pelo tempo passado não serão relevantes), Kavanaugh será confirmado como o novo membro do Supremo Tribunal. Nessa altura, o Partido Republicano terá conseguido o seu objectivo mais próximo: garantir que o último bastião das liberdades nos EUA esteja nas suas mãos. Dessa forma, não fará qualquer diferença que percam eleições. Quaisquer medidas legislativas podem ser encaminhadas para os tribunais e assim ser contestadas perante um painel de juízes com simpatias para com as suas posições.

 

E Kavanaugh, o juíz que bebia demais, talvez tenha tido comportamentos inaceitáveis com mulheres, não demonstra o mínimo de simpatia com outros e só pensa em si mesmo, será um deles. Não é a melhor perspectiva para o farol da democracia no mundo.

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31 comentários

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De Miguel Bessa a 03.10.2018 às 12:05

A Ford é tão credível que ninguém corrobora a estória, que adiou a audiência porque tinha medo de voar mas voa 2x ao ano, que não se lembra de nada. Olhe a credibilidade: quando? Onde? Quem? Não sei, não me lembro, não me recordo.

Mas, ok. Admitamos que estava tudo certo até aqui.
E o que impediria os democratas de sendo nomeado outro candidato voltarem a arranjar um possível crime numa data não especificada, num local não especificado, sem ninguém a confirmar a não ser a vítima? Como o crime que serviu de base a todo este processo não tem corroboração possível a acusação já vai em que o homem afinal era um bêbado, veja se lá que até atirava com cubos de gelo quando andava no colégio. Ainda vamos ver a dizerem que alguém que fala de flatulência no livro de curso é criminoso.

Se alguém me acusar de algo que não fiz porque devo mostrar lhe simpatia? Que grande inversão lógica que aí vai. E ainda mereço não ser promovido porque não digo que fiz algo que não fiz. Você tem família? Nos states não deve haver, mas em Portugal há um ditado sobre isso "quem não se sente não é filho de boa gente".
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De João André a 03.10.2018 às 12:59

Os próprios republicanos referiram que a consideraram uma testemunha credível e essencialmente entraram pelo caminho de ela estar equivocada na pessoa que teria cometido o ataque.

Nõ entrei no jogo de "quem disse a verdade?". Antes referi alguns aspectos óbvios.

E não estamos a eleger o merceeiro da esquina. Kavanaugh pode sentir-se por ser filho de boa gente em privado, entre amigos. O "sentir" dele só demonstrou que não tem o mínimo carácter para ser juíz do Supremo Tribunal. Provavelmente não o terá para ser juíz (ter que decidir sobre o destino de pessoas), mas esse comboio já passou.
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De Miguel Bessa a 03.10.2018 às 14:16

Consideraram porque se chamassem a atenção para as inconsistências em logo chamados de bigots e homofóbicos. Foram espertos! Deram tudo o que foi pedido pelo outro lado e ficam na foto (a olhos neutros) como sendo os moderados que cederem a tudo o que foi pedido por quem acusa sem provas.
É um caso em que há tão pouco do lado de quem acusa que aquilo acaba por morrer por falta de conteúdo (já vai em atirar cubos de gelo). Até lhe ofereceram uma investigação do FBI a algo que ninguém que faça aquela queixa tem direito. Uma festa, não sei onde, não sei quando, em que ninguém esteve? Cai de maduro.

Só o facto de não entrar no jogo já é entrar no jogo. Só o facto de não questionar umas alegações sem a mínima consubstanciação e tentar colocar no mesmo patamar de alguém que é acusado de agressão sexual é demonstrativo da escolha de um lado do jogo.

O meerceiro e o juiz merecem o mesmo respeito, não merecem ser acusados sem provas, não merecem perder o trabalho por um diz que fez algo que não me recordo de nada. Se não tivesse mostrado sentimentos era culpado, se tivesse mostrado simpatia era sinal de culpa, se reage é porque é partisan (num processo que desde o início foi assumido pelos democratas que era para não deixar passar fosse por que mais fosse). No supremo não tem de "sentir" tem de impor a constituição.

Pelo standard colocado neste processo por parte dos democratas, nunca ninguém poderia ser votado. Nunca.
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De João André a 03.10.2018 às 14:31

Já vi que acreditaria em Kavanaugh e nos republicanos nem que amanhã alguém apresentasse um vídeo do caso ("fake news" certamente). É uma escolha sua.

A investigação pelo FBI é lógica porque Kavanaugh está a ser proposto para um caso federal. Pode ser desnecessária (é o seu ponto de vista) ou fogo de vista (o meu) mas a ser feita uma qualquer investigação do caso, tem que ser o FBI. E é precisamente por ser um juiz federal e não um merceeiro. Da mesma forma que se alguém amanhã ameaçar o presidente ou o atacar, a investigação será feita pelo Serviço Secreto.
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De Miguel Bessa a 03.10.2018 às 19:06

Ora aí está a inversão. Só falta chamar me a mim aquilo que os democratas estão ansiosos por chamar aos republicanos! Porque tentar rebater algo nem tenta.

Quem acusa e acredita sem provas é o autor. Eu acredito nas provas, nos factos. "Fui violada, num ano que não sei (e já mudei de versão diversas vezes), numa casa que não sei onde fica, e quem estava lá não confirma, não são provas. É menos do que diz que disse.
Se amanhã houver provas mudo de opinião. A minha opinião orienta se por factos, se os factos mudarem assim muda a opinião. Aqui: não há factos.

Eu comparei o juiz ao meerceiro no respeito perante a lei que ambos merecem. Cada um é investigado por quem de direito. Mas até haver provas em contrário são inocentes.
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De João André a 03.10.2018 às 20:16

Ela nunca firmou que foi violada e é perfeitamente legítimo ter-se esquecido de certos aspectos (diga-me lá as festas a que foi no ano de... 1998, por exemplo, onde, quando, quem lá estava, a que horas foi, etc).

E já referi várias vezes: não se trata de um processo judicial, antes de um processo político. Estou farto de lho explicar. Se não entenda meta explicador.
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De Miguel Bessa a 03.10.2018 às 22:13

Para o caso é igual é seja qual for o crime. A questão é não haver um único facto ou pessoa que corrobore a estória da Ford.
Eu fui assaltado, não sei quando, não sei onde, só sei que foi você e quem eu digo que estava lá nega. Acredita em mim? Peça me desculpa. E mostre compaixão, pois se não mostrar é culpado, mas se mostrar é arrependimento. Percebe assim?

Eu não sei o que fiz ontem, mas eu não acuso ninguém. Não percebe a diferença? Um acusador tem de provar.

Claro que é político. Ainda bem que reconhece que não tem nada a ver com o juiz ser o A ou o B. Os democratas desde a 1a hora prometeram que iam fazer tudo por tudo para não confirmar o juiz. Tiveram de se agarrar a uma vítima sem a mínima corroboração. Repare que é o que eu digo desde o 1o comentário "E o que impediria os democratas de sendo nomeado outro candidato voltarem a arranjar um possível crime numa data não especificada, num local não especificado, sem ninguém a confirmar a não ser a vítima?" Destruir duas pessoas, famílias e um movimento social (o me too) e uma instituição por política! E os republicanos ainda deviam "retirar a nomeação de Kavanaugh"?
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De Manuel Alves a 03.10.2018 às 12:17

Não se importa que eu repita aqui parte de um comentário que fiz noutro post (de Luís Naves) deste blogue?
"Quem quer ser político tem de fazer votos de castidade (e não só) desde pequenino. É como um sacerdote. Na realidade mais difícil, pois o cristianismo admite o arrependimento e o maior pecador pode tornar-se santo (vide Santo Agostinho). Mas quem cometa uns pecadilhos de brincadeira nunca pode ser político. E se o for tem sempre a espada de Dâmocles em cima da cabeça: se a coisa se descobre!!!
Se aparece uma mulher a dizer que eu a apalpei (e qual é o heterossexual que nunca apalpou nenhuma?) de duas uma: ou tenho a carreira arruinada ou dou-lhe dinheiro a rodos (se o tiver) para a calar.!"
E agora acrescento: ou ela está a mentir mas isto é hipótese que nos dias que correm poucos aceitam.
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De João André a 03.10.2018 às 13:01

E se for ele a mentir? Não digo que o esteja, mas é sintomático que seja essa a reacção imediata de tantos homens (quase sempre homens) quando mulheres surgem a acusar outros homens destes "pecadilhos".

Já agora: um apalpão seria de ignorar a não ser que fosse comportamento repetido ao longo da vida. Aquilo que Casey Ford acusou Kavanaugh de fazer não é um apalpão. Não faça comparações descabidas.
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De Manuel Alves a 03.10.2018 às 13:31

"Não faça comparações descabidas." Pronto, não faço. O homem é sempre o mau da fita. Mas eu acredito que homens e mulheres são iguais e têm a mesma capacidade para a vigarice. Portanto ou se prova o que ela diz ou não. E não faça avaliações sem ter em conta o ambiente em que hoje se vive. Há muita mulher a aldrabar e homens também. Para mim são todos "gente" e ou se prova ou não.
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De João André a 03.10.2018 às 14:03

Normalmente são as mulheres as más da fita. São sistematicamente ignoradas, enxovalhadas, acusadas de mentir, são intimidadas e, mesmo quando violações ou outras agressões sexuais são dadas como provadas, as mulheres acabam imensas vezes humilhadas no processo (e os homens muitas vezes livram-se com um dedo em riste do juiz).

A comparação descabida foi entre um "mero" apalpão (gostaria de saber se se sentiria da mesma forma se eu lhe apalpasse os testículos sem lhe dizer nada) e aquilo que Blasey Ford descreveu (forçar uma mulher a deitar-se, tentar retirar-lhe a roupa e barrar-lhe a saída enquanto ela diz não).

Já o disse: não sei se Kavanaugh cometeu esses actos. Acredito que Blasey Ford os tenha sofrido, mas pode ter sido às mãos de outras pessoas. Sei no entanto que o carácter dele pode dar para carroceiro (ou advogado, é mais ou menos o mesmo, mas sem a honestidade daquele), mas não deveria dar para juiz.
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De Manuel Alves a 03.10.2018 às 16:52

" (gostaria de saber se se sentiria da mesma forma se eu lhe apalpasse os testículos sem lhe dizer nada) " Se você fosse mulher (eu sou hetero) adorava. Como sabe homens e mulheres têm sentimentos diametralmente opostos nesta matéria. O exemplo é mau.
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De João André a 03.10.2018 às 17:12

Não é mau, é perfeito. A razão de não gostar é completamente indiferente. Sentir-se-ia agredido na sua dignidade e privacidade. E correctamente. O sexo da pessoa que o faz é indiferente.
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De Pedro a 03.10.2018 às 14:59

Sim, e não esqueçamos que os juízes do Supremo fazem jurisprudência. Estranho também foi o afastamento do FBI neste caso. Contudo Clinton não foi melhor e foi um bom presidente
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De João André a 03.10.2018 às 16:35

Claro que muita gente pode contestar o "bom presidente" mas tem razão no que diz respeito a Clinton. A atitude dele faria correr outro tipo de tinta nos dias de hoje. E bem.

A maior diferença é que o sexo com Lewinski foi consensual. Já o caso de Paula Jones poderia ser constituído como assédio sexual (se bem que segundo as descrições que lembro ela disse não e ele aceitou-o).

O caso da jurisprudência é precisamente a razão porque os republicnaos apostam tanto nestas mudanças de juízes. E poderão ter ainda mais oportunidades sob Trump caso Ginsburg (85 anos) ou Breyer (80 anos) abandonem o tribunal. Isso seria uma catástrofe para o equilíbrio legislativo do tribunal.
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De João Campos a 03.10.2018 às 18:08

Quanto às razões para a insistência dos republicanos em Kavanaugh, julgo que no último programa o John Oliver acertou no 20: é um "fuck you" aos democratas. O que se tornou ainda mais evidente depois da audiência que, como dizes, o desqualifica por completo para o cargo.

(e sim, nesta matéria o Oliver está a anos-luz de ser imparcial - e nem por isso a análise deixará de ser certeira)
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De João André a 03.10.2018 às 19:57

Terás razão João. E Oliver também. Não é preciso ser-se imparcial para se ser correcto. Como escrevi no post, a parcialidad enada tem de mal e a imparcialidade real pode ser um objectivo, mas raramente é alcançado.
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De Anónimo a 03.10.2018 às 18:22

Por acaso segui os acontecimentos nos EUA.

O caso:
Uma mulher (CF) acusou o juiz nomeado (K) para o Supremo de ataque sexual há 36 anos.
CF foi mudando a sequência e descrição de acontecimentos até a versão final (número de participantes no ataque e número de participantes na festa).
Na versão final indicou que estava ela, uma amiga e três rapazes, dois responsáveis pelo ataque (incluindo K) e um outro que não se teria apercebido de nada.
TODOS negaram o acontecimento (incluindo a amiga). A amiga disse mesmo que não conhecia K e nunca tinha estado numa festa com ele.
O autor do post diz: sei quem saiu mais credível (Blasey Ford) ?????????????????????????

Há outras incongruências na narrtiva de CF. Onde foi? Quando foi? Como chegou lá? como saiu de lá?
O autor do post diz: descreveu com detalhe ???????????????????????????

Não esteve atento? É o ódio a Trump que cega? É ingenuidade? Não sei.

Assistiu-se a uma tentativa de atrasar a nomeação até às próximas eleições (Nov.) , porque ganhando a maioria PD pode bloquear a nomeação até à próxima eleição presidencial.

K está no caminho, tem que cair. Se fosse o autor do post no caminho também tinha que cair. Só isso.
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De Manuel Alves a 03.10.2018 às 19:42

Caro anónimo das 18:22
As imprecisões da mulher parecem interessar pouco ao autor do post. Aliás a nossa memória depois de trinta e tal anos trai-nos sem nós darmos conta disso. É impossível a mulher ser precisa e fiel depois de tantos anos, durante os quais nunca pensou exercitar a memória em público sobre o assunto. Mas para muitos o que a mulher diz é sempre credível, não há mulheres vigaristas. Repare-se na atitude super paternalista do autos do post. Hoje há muito homem que gosta de se armar ridiculamente em protectores das mulheres.
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De João André a 03.10.2018 às 20:18

O seu comentário demonstra a sua misoginia. As mulheres são constantemente ignoradas, humilhadas, acusadas de mentir, intimidadas, etc, só porque, com a vergonha que têm de ter sido abusadas ou violadas, não se queixaram no momento.

E sim, estou à partida, quando tudo é igual, do lado da mulher. Sei que algumas vezes isso será incorrecto, mas uma vez que as mulheres sofrem sempre mais que os homens nestas situações, penso que vale a pena.

E faço-o com orgulho!
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De Manuel Alves a 03.10.2018 às 21:13

"E faço-o com orgulho!" #MeToo
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De Rui Henrique Levira a 05.10.2018 às 23:49

Meu caro Manuel Alves, a coisa funciona agora mais ou menos assim:

A) Pergunta a PJ à "menina" que, alegadamente e com a alegada ajuda do marido, matou e incinerou a mãe adoptiva, se efectivamente o fez. Respondendo a suspeita que não, e sabendo nós que as senhoras nunca mentem, é ela mandada em paz e na companhia do Senhor;

B) Pergunta a PJ à senhora que, alegadamente e em conluio com o alegado amante, despachou o legítimo marido, se efectivamente praticou tal acto. Respondendo a referida senhora que não, e conhecendo qualquer pessoa avisada que as pulsões homicidas, a ganância, o adultério e a pura e crua maldade são pecados exclusivamente masculinos, é ela mandada em paz na adequadíssima companhia da Santíssima Virgem (que todos nós sabemos ser "Santa" e "Virgem" porque é Maria e não José);

C) Pergunta a PJ à senhora professora que, alegadamente, resolveu apressar o passamento do cônjuge com a ajuda de um martelo e de uma faca, se realmente o fez.
Respondendo a senhora professora que jamais tal ideia lhe passou pela mente, e sabendo qualquer filho de Deus que a palavra de uma senhora é palavra divina e que essa coisa de assassinar alguém barbaramente é coisa exclusiva da parte viril da Humanidade, é ela mandada em paz continuar o seu admirável magistério do espalhar do amor e da empatia pelo próximo junto da petizada.

Bem vindo, meu caro Manuel Alves, ao admirável mundo novo do progressismo que jamais se baralha com essa coisa complicada que é o claro e o escuro da natureza humana.

P.S. - Repare, por favor, que, e ao contrário de muito boa gente extraordinariamente progressista, utilizei com profusão "alegadamente", "alegada" e "alegado". Tiques reaccionários do porco machista que eu sou, está bom de ver...
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De João André a 03.10.2018 às 20:12

Tudo foi referido na audiência em si. É normal que não se recorde de todos os pormenores de uma festa de há 36 anos (eu não me lembro daquelas a que fui há 20). Ainda pior quando há um trauma que leva (como ela descreveu perfeitamente) a que os pormenores relacionados com o mesmo fiquem gravados na memória mas outros, anciliares, se apaguem.

O mesmo para as outras pessoas na festa. Kavanaugh e Judge, se cometeram o acto, certamente não o confessariam. Os outros não teriam qualquer razão para recordar uma festa especificamente em vez de outras. Foi apenas mais uma e não serão capazes de a recordar de forma nenhuma que a distinga. Normal.

É até possível que Blasey Ford se tenha equivocado na identidade. É também perfeitamente possível (há imensos casos de testemunhas que identificam como criminosos pessoas que nada tinham a ver com o caso). O cérebro prega partidas estranhas.

Não escrevi um post a acusar Kavanaugh de ter atacado Blasey Ford. Escrevi um post a indicar porque razão Kavanaugh se desqualificou para o cargo.

Quanto aos democratas, claro que querem causar o maior número de entraves possível à nomeação de um juiz que seria (a par de Thomas) o mais conservador no tribunal. O melhor resultado para eles seria Kavanaugh sair de liça e os republicanos avabarem por nomear um juiz menos conservador (por exemplo Hardiman, indo pelo cálculo do Five Thirty Eight). É normal depois do que os republicanos fizeram ao nomeado de Obama - no que foram as tácticas mais nojentas que surgiram até agora.

Mas não se convença que os democratas ganharão o Senado. O Congresso, possivelmente, mas o Senado não. E se acaso o ganharem será em grande parte por causa de nomear Kavanaugh, não apesar disso. E é o Senado quem vota estas nomeações. O Congresso não tem nada a dizer.

Escusa de adicionar tantos pontos de interrogação. São feios e ferem a vista e nada acrescentam ao que quer argumentar.
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De Rui Henrique Levira a 05.10.2018 às 21:49

Quem se mete com trastes - sejam eles de que sexo forem - acaba a fazer figura de traste e com umas orelhas de burro enfiadas até aos artelhos.
O falecido Anthony Bourdain agradeceu muito à sua actvíssima namorada o ter-lhe aberto os olhos para o seu pretérito comportamento inadequado para com as mulheres. Dentro da sua desgraça, o bom do Bourdain teve uma boa-aventurança: fechou os olhos antes de ver a sua mestra em impolutíssima conduta sexual ser acusada de se deitar e de mais alguma coisa fazer com um rapazinho impúbere.
Quando se embarca em histerismos que nos pretendem convencer de que a Humanidade se divide em duas partes irremediavelmente antagónicas ( uma puríssima - a parte feminina - e outra atávica e violentamente perniciosa - a masculina) já a dissonância cognitiva vai em estado extremamente avançado e, sinceramente temo, fatidicamente irreversível.
A bondade é coisa exclusivamente feminina, pois é... Comtemplai, ó gentes, a bondade de Magda Goebbels mandando para os anjinhos a ampolas de veneno os seus filhos todos crismados com nomes começados por H como o tio Hitler; mirai-vos no exemplo de caridade das guardas SS dos campos de extermínio nazis; copiai a espessura humana das adolescentes Kmher vermelhas exterminadoras das suas próprias famílias; levantai estátuas a todas as caridosas mães que assassinaram a sua própria prole e tornai o Mundo melhor, que o mesmo será dizer tornai-o mais "feminino".
Vou, assim sendo, dar a minha contribuiçãozita para o inexorável avanço da raça humana: já marquei a operação para rente me cortarem aquilo que todos os dias me põe à beira do estupro e da coacção sexual - o meu (horror!!!) pénis e ilhas adjacentes. O tratamento com hormonas para que fique com um aspecto menos "agressivo" virá de seguida. O resto da minha vida vou eu passá-lo em retiro espiritual e vergastando-me diariamente em penitência pelas décadas em que pareci um homem e agi - mea culpa, mea maxima culpa - como um homem.
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De João André a 05.10.2018 às 22:25

A velocidade a que chegou aos nazis...

Um comentário... traste.
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De Rui Henrique Levira a 05.10.2018 às 22:42

Gostei da sua rápida resposta e gostei mais ainda da sua larga abordagem inteligentemente crítica ao meu comentário.
O que nos distingue a mim e a si - e nisto se falarmos da velocidade a que chegamos a determinado ponto - é o tempo: se eu depressa cheguei aos nazis (o carácter videirinho da sua escolha do exemplo - po rque não o apontar do exemplo Kmher ou o das caridosas mamãs que não menos caridosamente assassinam a sua prole? - é todo ele meridianamente revelador), o senhor, a julgar pelo que escreveu, à velocidade da luz chegou às Inquisições portuguesas e espanholas.
E já agora, e a bem da boa gente que me criou, vá Vossa Excelência chamar "traste" a quem o fez. Se souber o senhor quem foi esse "quem", claro está...
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De João André a 06.10.2018 às 11:05

Traste foi o comentário, não me referi a quem o fez. Faça essa extrapolação se lhe apetecer.

Não mereceu mais consideração depois de ter ido buscar nazismo para esta discussão.
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De Rui Henrique Levira a 06.10.2018 às 13:22

Não faço extrapolação nenhuma. Seria de todo útil que o senhor publicasse o meu comentário posterior ao das 22:42 de ontem, para que os frequentadores deste espaço avaliassem quem verdadeiramente extrapolou e o quanto e o quão inteligentemente extrapolou. Já o senhor tem de aprender como e a quem dirige os seus fluídos figadais.
Para os meus raciocínios vou eu buscar os exemplos que bem me apetecem e não é o senhor que me diz de que forma, com que exemplos e em que sentido devo eu explanar aquilo que penso, pois eu não aceito sermões telegráficos de quem levianamente manda para o lixo aquilo que defende a honra de todo aquele - homem ou mulher - que vive numa sociedade civilizada: a presunção de inocência.
Por último, se a memória me não falha, creio que já lhe pedi encarecidamente que tivesse a fineza de ir colher malvas para oferecer às senhoras. Faça o favor.
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De João André a 06.10.2018 às 18:22

Vá buscar as comparações que entender. É se eu entender que são disparatadas e não merecem resposta, não a dou.

Informo que não tem qualquer comentário por aprovar e que o comentário que referiu está acima. Parece-me que não lê sequer aquilo que escreve.
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De Rui Henrique Levira a 06.10.2018 às 22:11

O que o senhor considera ou não disparatado e aquilo a que dá ou não dá resposta interessa-me nada. Já, pelo contrário, me interessa muitíssimo a pornográfica falta de honestidade intelectual de que certa gente faz gala como se da mais linda prenda se tratasse.
Colher malvas, sim?
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De João André a 06.10.2018 às 22:28

Você anda obcecado com as malvas...
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De Rui Henrique Levira a 05.10.2018 às 22:52

E já agora: és tu Anthony? Voltaste do Além para vires comer uns petiscos com os "Dead Combo"?

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