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Treze gráficos

por José António Abreu, em 26.11.15

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Atente-se no gráfico sobre o investimento: até 2003, em Portugal investiu-se sempre mais do que na Irlanda - com muito piores resultados. Não interessa: há quem continue a ver o Estado como o principal dinamizador da economia. Repare-se também no gráfico sobre a despesa pública: após o disparo causado pelo salvamento dos bancos, a Irlanda centrou a correcção nos cortes de despesa e regressou a níveis inferiores a 40% do PIB. Portugal não atinge esse patamar desde a década de 1980; não atinge sequer um nível em torno dos 42% ou 43% - que já seria incrivelmente libertador para a economia - desde a de 1990. Não importa: há quem continue a defender que um Estado pesado não trava o desenvolvimento de uma economia débil. Veja-se o curioso gráfico acerca dos trabalhadores sindicalizados: com um modelo menos apoiado no sector público, a Irlanda consegue apresentar uma percentagem mais elevada. De somenos: o papel dos sindicatos é defender leis laborais rígidas e a manutenção de empresas deficitárias na esfera pública. Analise-se a taxa de mortalidade infantil (um dos justificados orgulhos de Portugal, que afinal a Troika não destruiu): parece que também pode ser garantida por um sistema de saúde em que o Estado chegou a despender anualmente menos 1,5% do PIB (conforme o gráfico sobre os gastos públicos com saúde). Que importa? Os números não dizem tudo; a saúde tem a ver com «pessoas». Mas, a propósito de pessoas, estude-se o gráfico sobre o coeficiente de Gini: com menos dinheiro público, a Irlanda criou uma sociedade mais igualitária (nota adicional: ao contrário do que afirmam muitas vozes, em Portugal não houve aumento da desigualdade com a chegada da Troika mas uma ligeira redução). Vergonhoso, fazer tal referência: o papel do Estado é apoiar quem precisa, sem olhar a custos. Notem-se ainda o saldo das contas públicas, o PIB per capita (indicador de produtividade e justificação de factores tão irrelevantes como o nível salarial), a taxa de desemprego, o nível da poupança (depauperado em Portugal e na Grécia pelo crédito barato e por estímulos públicos errados), o valor dos salários. Irrelevante, uma e outra vez: o modelo de desenvolvimento seguido em Portugal e na Grécia está correcto. Os problemas advêm do euro, da «austeridade» e da Alemanha.

Uma e outra vez, recusamos as evidências e cometemos os mesmos erros. Guterres sabia o que era necessário fazer mas desistiu antes de começar. Durão foi eleito prometendo fazê-lo mas fugiu quando isso se revelou difícil. Sócrates garantiu tudo e o seu oposto e só fez o oposto. Apenas Passos avançou realmente no sentido correcto. Timidamente. Com erros, constrangimentos (incluindo os gerados por facções dentro do PSD e CDS), adiamentos (fatais, num país de tamanha inércia). Enfrentando bloqueios constitucionais e níveis recordes de demagogia (por parte do PS, que levara o país à beira do abismo, mas também de inúmeras vozes com direito a tempo de antena). Obteve resultados ténues (tudo isto demora, exige paciência e capacidade de perseverança) mas encorajadores. Nos próximos meses, Costa e Centeno, agrilhoados às fantasias utópico-revolucionárias de Jerónimo, Catarina e Arménio, inverterão o ciclo. O sector público será novamente privilegiado à custa do privado. O investimento e o emprego (este muito em particular se a CGTP conseguir juntar o reforço da contratação colectiva e a limitação dos recibos verdes ao já programado aumento do salário mínimo) ressentir-se-ão. É verdade que, no imediato, haverá mais dinheiro disponível e tudo parecerá correr melhor. Depois, os problemas regressarão - mais graves, esgotada a acção do BCE e o capital de simpatia conseguido junto dos parceiros europeus, com os investidores cada vez menos predispostos a apostar num país que muda de ideias a cada governo e uma economia mundial que dificilmente escapará a uma crise (basta a FED subir as taxas de juro e os BRICs ressentir-se-ão).

Em Portugal - como na Grécia, como na maioria dos países da América Latina, como até em Itália e em França -, continua a acreditar-se que a riqueza é gerada através da despesa pública, da governação por decreto, da perseguição ao lucro. Acontece desta forma porque os cidadãos temem a mudança e porque dá jeito aos políticos que assim seja: um Estado leve, com menos a distribuir (empregos, contratos, obras, apoios), não liberta apenas a economia; liberta também os eleitores.

Treze gráficos. E podiam ser mais. Mas para quê? Em Portugal, poucos os querem ver, menos ainda os desejam perceber.

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32 comentários

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De José António Abreu a 26.11.2015 às 14:12

Só depois de publicar o texto reparei que os gremlins atacaram a legenda do último gráfico (Grécia e Irlanda surgem duas vezes). Obviamente, aplica-se neste o mesmo código de cores dos restantes.
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De Luís Lavoura a 26.11.2015 às 14:38

o nível da poupança depauperado em Portugal e na Grécia pelo crédito barato e por estímulos públicos errados

O governo não tem culpa de o crédito ter embaratecido.

Quanto aos estímulos públicos errados, eles mantêm-se. O Estado continua a incentivar a compra de casa própria através de descontos no IRS dos juros pagos.
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De José António Abreu a 26.11.2015 às 14:54

Por uma vez, estamos de acordo.

Bom, já não será a primeira - mas parece. De qualquer modo, se foi um erro dar estímulos públicos para a compra de casa - e foi -, é um erro um pouco menor não os eliminar de um momento para o outro, nomeadamente para as situações de compra efectuadas no passado.

E não foram estes os únicos estímulos errados nem as poupanças das famílias as únicas a descer. A aposta no consumo interno e nas obras públicas levou muitas empresas a investir sem grande racionalidade para além do curto prazo, diminuindo reservas e contraindo dívida.
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De Luís Lavoura a 26.11.2015 às 15:05

foi um erro dar estímulos públicos para a compra de casa, é um erro um pouco menor não os eliminar de um momento para o outro, nomeadamente para as situações de compra efectuadas no passado

Não sei qual é o regime atual, mas julgo que o Estado continua a abater aos rendimentos, para efeitos de IRS, os juros pagos para compra de casa, mesmo que a casa tenha sido comprada agora. Corrija-me se estiver errado.

O Estado continua também, julgo, a eliminar o IMI para as habitações próprias nos seus primeiros 10 anos. Corrija-me se estiver errado.

Agora introduziram outra: para bonificar as famílias com filhos, as autarquias são autorizadas a reduzir o IMI delas - mas somente se habitarem em casa própria. Mais uma benesse para a compra de casa própria.

Enfim, posso estar errado, mas parece-me que todas as benesses fiscais à compra de casa própria se mantêm tal e qual (aliás - são agora ainda maiores) como no tempo de Sócrates. Corrija-me se estiver errado.
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De Luís Lavoura a 26.11.2015 às 15:09

A aposta no consumo interno e nas obras públicas levou muitas empresas a investir sem grande racionalidade, diminuindo reservas e contraindo dívida.

Pior que essa aposta é o facto de o Estado continuar a bonificar, em sede de IRC, as empresas que contraem dívida, permitindo-lhes abater aos lucros os juros pagos por essa dívida.

Ou seja, continua a ser preferível, por motivos fiscais, para uma empresa pedir empréstimos do que poupar os seus lucros para os reinvestir.

Critica-se as empresas portuguesas por funcionarem com base na dívida, em vez de funcionarem com base no capital, mas continua-se a apoiar fiscalmente as empresas que funcionam nessa base.
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De Diogo Moreira a 26.11.2015 às 14:53

Comecemos pelo óbvio: estamos a comparar países do fundo da tabela da Zona Euro. Estivesse aqui um (ou mais) dos países do Norte, estaríamos com conclusões diferentes. Estamos a trabalhar na "Liga dos Últimos".

Os gráficos do PIB (total e 'per capita') não conseguem revelar o que lhes está subjacente. Na Irlanda, ao contrário dos outros dois países, existe uma grande indústria intensiva em capital (nomeadamente, a farmacêutica). Isso ajuda a explicar como um país, com pouco mais de metade da população de Portugal e Grécia consegue produzir tanta riqueza como estes. Naturalmente, quando se divide um número semelhante por menos pessoas, o resultado 'per capita' é muito melhor. Em termos práticos, para os irlandeses, a história é outra: uma parte significativa desse valor é repatriado e não provoca efeitos na Irlanda. A comparação mais interessante seria com o Produto Nacional Bruto.

O gráfico da Despesa Pública, juntamente com a evolução do PIB, permitem dizer que o seu nível absoluto até pode aumentar, desde que o PIB aumente mais - em termos relativos, a percentagem de Despesa Pública diminui.

O Saldo das Contas Públicas pinta a imagem de uma Irlanda com saldos positivos e, mesmo assim, foi castigada pelos "mercados". Estamos a falar, nos três casos, de um forte apoio ao sector bancário, o qual andou a brincar com o dinheiro dos depositantes e teve que ser suportado pelos contribuintes.

A taxa de desemprego, mesmo com o abrandamento da austeridade na Irlanda e com uma ligeira subida do Investimento, ainda se encontra muito acima do nível anterior à crise. A taxa portuguesa está subestimada. O que este gráfico demonstra é o poder destrutivo da austeridade, a qual não atacou o verdadeiro problema da crise.

A taxa de poupança está intimamente ligada ao salário 'per capita' dos trabalhadores (que é a principal fonte de rendimento das pessoas destes países). Em termos económicos, só se pode investir se existirem recursos não utilizados (a famosa 'identidade' Investimento = Poupança) - no entanto, existe um excesso de liquidez no sistema, o qual não permite que o investimento descole. Por isso, o importante é perceber porque é que não se está a investir, quando as taxas de juro dos empréstimos estão em níveis historicamente baixos.

Ignoro a relevância dos trabalhadores sindicalizados e da mortalidade infantil, pelo que não farei comentários.

A Despesa Pública com saúde nestes três países está abaixo da média europeia. Porque não comparar com o cenário médio?

Finalmente, o gráfico do Coeficiente de Gini só vai até 2012. As notícias mais recentes dão conta de um agravamento deste indicador da desigualdade.

No fundo, o que os gráficos dizem é: se o valor da Economia melhorar (PIB), tudo fica melhor. Mas, mesmo que tudo esteja bem, podemos levar uma cacetada pelas asneiras que um conjunto de agentes económicos fizerem. O Estado tem que fazer o seu papel, intervindo na Economia como regulador, fornecedor de bens públicos e de monopólios naturais - o crescimento do peso do Estado não é um fim em si mesmo, ao contrário do que os seus detractores afirmam. A maior fatia cabe sempre aos agentes privados
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De Nuno a 26.11.2015 às 15:06

"A maior fatia cabe sempre aos agentes privados"

Quando a despesa pública sobe acima de metade do PIB (e a receita disso se aproxima): não, não cabe.
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De José António Abreu a 26.11.2015 às 15:27

Estamos a comparar países relativamente comparáveis, até pela intervenção de que foram alvo. Os países nórdicos têm níveis de despesa pública acima de 50% do PIB mas não chegaram aí por artes mágicas (excepto, em parte, a Noruega, por causa do petróleo). Nos anos 80, a Finlândia tinha níveis pouco acima dos 40%. E a crise do início da década de 90 fez-lhes fazer muito do que nós recusamos: reformar a segurança social, abrir o mercado de trabalho, vender ao estrangeiro (os bancos, por exemplo). Uma economia privada ágil suporta um Estado mais pesado. Mas não se chega lá asfixiando-a em impostos e dando-lhe estímulos errados.
Eu prefiro a ideia de um Estado leve e ágil mas isso nem é um objectivo: é muito mais um meio para a criação de riqueza que depois até pode ser desviada para o Estado - desde que não asfixie a parte da economia que verdadeiramente gera riqueza.

Confesso alguma piada a justificações com a que dá para a taxa de desemprego na Irlanda: "ainda se encontra muito acima do nível anterior à crise". E então? Estas coisas demoram. E já está mais baixa do que taxa de desemprego em Portugal - esteja esta "subestimada" ou não.

Quanto ao facto dos indicadores melhorarem se o PIB subir, claro que sim. Mas não pode subir de qualquer modo. Não pode subir baseado em dívida nem especialmente através do sector público. Se o PIB subir 4 mil milhões de euros, 3 dos quais introduzidos pelo sector privado, é uma coisa (e o peso do Estado até cai); se subir 4 mil milhões mas 3 forem introduzidos pelo sector público (e 2,5 dos 3 forem conseguidos à base de dívida), é outra. Entre 1995 e 2007, o PIB fartou-se de subir na Grécia...
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De Diogo Moreira a 26.11.2015 às 15:48

Existem os casos melhores, existem valores calculados 'médios' e existem os piores. Como é óbvio, as conclusões variam conforme a amostra escolhida. Foi esse o reparo que fiz a abrir e o José concorda que, por outras latitudes, as coisas são diferentes.

Eu não justifico em nada a taxa de desemprego da Irlanda. Chamei apenas a atenção que esse país, que insistem em fazer um caso exemplar, não conseguiu repor o nível de desemprego anterior à crise, apesar da maioria dos indicadores que apresentou já o terem feito (a excepção é o investimento).

O crescimento pré-crise foi muito alavancado na dívida privada. Como o Luís Lavoura aponta acima, uma dessas causas foi (e é) o crédito à habitação. Outra foi a ilusão do 'justo valor' de mercado de várias coisas - uma bolha no preço de mercado de muitos activos [cf. http://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/economistas/detalhe/os_anos_do_bezzle.html ]. Ora, os privados não são melhores a alocar recursos que o Estado - pelo que não se pode dizer que o Estado é que tem que ter a iniciativa económica, nem se pode deixar os privados fazerem tudo o que quiserem. Neste momento, as taxas de juro estão em mínimos históricos - porque é que as empresas não investem? [note-se que não é só em Portugal; a tendência é mundial]

Os números fictícios que apresentou são um de muitos cenários possíveis. Podíamos esgrimir cenários alternativos que não iríamos a lado nenhum, pela impossibilidade de os testar.
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De José António Abreu a 26.11.2015 às 16:56

Por outras latitudes as coisas são diferentes mas, aí sim, decididamente incomparáveis. A Holanda exporta tanto ou mais do que a França. A Áustria não deve estar muito abaixo. É com esses países que, por enquanto (e, seguindo a via do consumo interno, talvez para sempre) faz sentido que nos comparemos?
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De Diogo Moreira a 26.11.2015 às 17:25

Se a meta é a convergência da Paridade do Poder de Compra com a média europeia, então sim, temos que nos comparar com todos (grande e pequenos). Se a meta for o menos mau dos últimos, então não precisamos de olhar para cima.
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De José António Abreu a 26.11.2015 às 17:41

A questão não é olhar. É saber como chegar lá. E isso não se faz replicando primeiro a parte do Estado (que é fácil). Faz-se replicando primeiro a parte da economia privada (que é difícil: leva tempo e exige um Estado que saiba esperar).
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De Diogo Moreira a 26.11.2015 às 18:08

Os especialistas acerca do desenvolvimento das nações não conseguem chegar a um consenso quanto a uma forma padrão que possa ser replicada pelos outros países. Pelo meio das teorias, existem muitas referências ao carácter específico e especial de cada nação.

Por isso, a sua ideia de que é preciso replicar a economia privada é tão válida quanto outra qualquer.

Eu defendo a intervenção do Estado na educação dos cidadãos (e que ninguém venha dizer em causa própria que "burro velho não aprende línguas!") e na definição clara das regras do jogo (para que não andem os grandes empresários sempre a reclamar por mais e mais benefícios fiscais nem na sombra das lucrativas PPP), ao mesmo tempo que impede abusos nos monopólios naturais (como a produção e distribuição de electricidade ou refinação de combustíveis) ou legais (como as licenças das operadoras de telemóveis) e produz os bens públicos que necessitamos (por exemplo, captação e distribuição de água ou transportes públicos).
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De lucklucky a 26.11.2015 às 20:54

"Eu defendo a intervenção do Estado ---e na definição clara das regras do jogo (para que não andem os grandes empresários sempre a reclamar por mais e mais benefícios fiscais nem na sombra das lucrativas PPP)"

Esta lembra-me os anarquistas que querem mais socialismo ou seja mais estado.

Esse imenso poder que você quer dar ao Estado é o mesmo poder cria as PPP e os subsídios.

Quando há Socialismo é para todos. Especialmente os que têm mais poder reivindicativo.
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De jj.amarante a 26.11.2015 às 15:02

Gostaria de comentários adicionais sobre a importância que a sobrefacturação das multinacionais localizadas na Irlanda tem no PIB irlandês. Até que ponto esse factor será relevante?
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De José António Abreu a 26.11.2015 às 16:52

Não sei. Mas elas fazem-no porque o governo irlandês lhes criou condições apetecíveis - e ele ganha com isso. Evidentemente, há limites e também não se pode entrar numa guerra de taxas cada vez mais baixas. Mas os países que querem crescer têm de saber escolher onde serem competitivos: daí a aposta na descida do IRC do governo PSD/CDS ter sido acertada (e até ter gerado mais receitas) e a inversão de marcha do PS (+PCP+BE+PEV) ser um erro que, numa primeira fase, pode não ter reflexo na colecta (admitamos que o consumo irá aumentar e, por conseguinte, as receitas das empresas também) mas acabará por se reflectir no investimento, em particular quando somada a tantas outras medidas pouco amigas deste.
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De Zy a 26.11.2015 às 16:33

Não sei onde a OCDE vai buscar os dados, mas basta observar os gráficos referentes ao salário médio e mínimo para ver que algo está mal. Nestes últimos 5 anos praticamente não houve variação? Estamos conversados.
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De José António Abreu a 26.11.2015 às 16:46

Estamos? A sério? Com base nesse argumento? Estes liberais aldrabões da OCDE...

É evidente que não houve variação no salário mínimo. Ele sobe por decreto e, pura e simplesmente, nenhum governo sob assistência decretou que subisse (em Portugal, até há cerca de um ano). Quanto ao médio, caiu claramente na Grécia (se a linha azul lhe parece horizontal recomendo um exame médico) e ligeiramente em Portugal. Mais relevante ainda: na Irlanda já retomou a trajectória de crescimento.
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De am a 26.11.2015 às 17:14

Costa --- O PINGO DOCE

Com a ajuda da família Jerónimo Martins, irá revolucionar esta catrafiada de gráficos,
Tenhamos fé! Com as promoções e marcas brancas!

A DECO que não se mêta!
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De José António Abreu a 26.11.2015 às 17:25

Bom, pode acontecer: Costa e Centeno têm é de conseguir estimular o consumo na Polónia e na Colômbia... :)
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De João de Brito a 26.11.2015 às 17:20

Todos estes gráficos e a respetiva discussão fazem sentido dentro do sistema político-económico liberal.
Sistema que, está mais que provado, acentua a injustiça social, agrava o desemprego, promove o consumismo, degrada e/ou esgota os recursos naturais...
Os conceitos, aqui postados e debatidos, há décadas que nos matraqueiam incessantemente, repetidos até à exaustão em toda a comunicação social, fechados sobre si mesmos, blindados por interesses muitas vezes inconfessáveis, sem um laivo de generosidade, de criatividade, de esperança!
Conceitos detidos e professados por gente que se apresenta muito importante, muito engravatada, muito guru, quais profetas detentores de bíblicas tábuas da lei, para que ninguém descubra que, afinal, toda a sua doutrina se resume a meia dúzia de ideias que, consideradas de trás para a frente ou da frente para trás... tanto faz!...
É tempo de ter a coragem de desmascarar o rei que vai nu... nu de ideias, mas bem vestido de fazendas.
Urge inventar uma ordem nova, criativa, mais amiga da humanidade e da natureza, que nos mobilize pela esperança e pela solidariedade.
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De José António Abreu a 26.11.2015 às 17:36

Está a falar da Nova Política Económica de Lenine (mais liberal do que muitos comunistas gostariam) ou do colectivismo de Estaline (imposto de forma tão indolor e com tão maravilhosas consequências)?
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De Tiro ao Alvo a 26.11.2015 às 19:52

José António, o de Brito não sabe do que fala. Defende ideias (que leu na cartilha) como quem defende o "seu" clube. Cegamente.
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De José António Abreu a 26.11.2015 às 20:37

Tiro ao Alvo:
Muitas pessoas parecem acreditar que a História começou mais ou menos no ano em que nasceram, ignorando que muitas ideias que elas julgam inovadoramente utópicas já foram testadas, com péssimos resultados.
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De lucklucky a 26.11.2015 às 21:17

- Injustiça Social não existe, existe Injustiça. Social é narrativa Marxista.
- Desigualdade ou Diferença é o que promove o crescimento e consequente aumento de qualidade de vida. Uma ideia, só possível porque essa pessoa é diferente, aparece numa cabeça não em todas ao mesmo tempo.
- Toda a evolução para uma melhor qualidade de vida promove o desemprego. Melhor qualidade de vida implica mais tecnologia e mais esforço.
O ensino publico totalitário reforça essa incapacidade, reforça a igualdade promove a estagnação económica.
-O consumismo é uma coisa boa. Não me diga que é contra e favor do o emprego.
-Nada é mais eficiente que o Capitalismo(não estamos num sistema Liberal) a aproveitar os recursos. Se estivéssemos no Comunismo o Petróleo provavelmente já teria "acabado" ou certamente seria muito mais caro só ao alcance da nomenklatura do Partido.

O João de Brito quer mais pobreza, menos desigualdade, menos qualidade de vida, mais emprego mesmo que fictício ao mesmo tempo que quer mais desemprego porque é contra o consumismo, mais mortes, mais poluição, mais insustentabilidade.
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De William Wallace a 26.11.2015 às 20:33

Os gráficos apresentados são pertinentes na medida em que mostram uma evolução MACRO de indicadores económicos e sociais mas infelizmente não traduzem as causas de tal evolução nem os efeitos colaterais das politicas económicas adoptadas. Apenas se podem extrair conclusões muito generalistas, mais que isso é querer usar os dados traduzidos pelos gráficos como verdades absolutas e inquestionáveis que é tipica forma de análise das economias planificadas feitas de planos quinquenais.
A economia é uma não é uma ciência exacta embora muitos achem que ela pode ser, tanto os pseudo liberais como os acérrimos socialistas e esse pressuposto de ambos os lados que mina qualquer tentativa de a compreender e analisar friamente as causas dos dados MACRO explanados nos gráficos.
Entenda-se que eu não os contesto, apenas penso que é preciso saber quais as reais causas e não fazer juizos extrapolados de acordo com a "escola" que se tem.
A economia Portuguesa pode ser comparada com outras mas a sua especificidade (assim como de todas as outras) não pode ser alvo de terapias cegas e indiferentes as especificidades da mesma e infelizmente é isso que se faz sempre, seja pelos "liberais" que acreditam no deus mercado ou pelos socialista que acreditam tudo poder controlar.
Passando á vaca fria, o peso do Estado e os impostos que tem de recolher para se manter a tona e activo, esse peso será cada vez maior no futuro porque foram assumidos compromissos altissimos com privados, ou seja o Estado gasta muito não para devolver em bens, serviços e salários mas para sustentar empresas privadas nomeadamente a banca e os negocios satélites da mesma e isso para um liberal deveria ser um crime, daí eu os apelidar de falsos liberais.
Depois temos o problema que atinge o núcleo de qualquer economia que são as familias que são obrigadas a pagar elevados impostos para o Estado sem o respectivo retorno, ao mesmo tempo que são "obrigadas" a comprar serviços a privados para poderem ter o retorno total que pretendem / precisam, ou seja toda a gente na maioria dos casos está a pagar 2 vezes pelo mesmo bem que o Estado deveria fornecer pelos impostos que já cobra, impostos esses que estão a ser desviados para pagar compromissos assumidos pelo Estado perante os privados que infelizmente não têm retorno para a sociedade, ou se têm é muito diminuto em relação ao investimento e rendas em pagamento assumidas pelo Estado. No fundo o Estado fez "outsoucing" de actividades sem obter poupança alguma sendo que na maioria dos casos os privados conseguem melhor rendibilidade do que se fossem eles a proporcionar os serviços directamente porque NÃO TÊM CONCORRÊNCIA dado tratarem-se se monopólios universais ou semi universais em que podem actuar em cartel.
Neste texto não apresentei exemplos concretos porque eles são bem conhecidos.
Uma ultima adenda, a evolução "positiva" dos gráfico que o JAA refere não pode ser de modo nenhum assacada a Passos Coelho, aliás em tudo o que ele pode chutar para canto com a anuência da Troika foi o que fez.
O novo governo parte logo de um pressuposto errado que é dar mais "rendimentos" ás pessoas, ora isso não resolve nada, 1º porque só algumas franjas da sociedade serão contempladas, das quais entendo que os funcionários publicos não o deveriam ser, fica o exemplo, manhoso, mas fica, por exemplo em vez de aumentar 1 enfermeiro para 1200 € e ter 2 a ganhar 2400 € porque não ter 3 a ganhar 800 € cada, claro que este é um raciocinio um pouco básico mas creio que a perda salarial seria compensada por menos trabalho, melhor qualidade de vida, etc.
Depois temos outro problema no Estado que é a falta de centralismo e as decisões ad hoc em inumeros sectores que controla e que geram elevados custos para o comum dos cidadãos. Nos dias que correm o Estado precisa de voltar a ser altamente centralizado pois a tecnologia permite isto, a descentralização e autonomia administrativa tem de ser eliminada, a tecnologia permite e as decisões seriam mais facilmente escrutináveis.

Peço desculpa pelo "romance" sem exemplos (propositado) e desde agradeço a quem leu até ao fim.
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De José António Abreu a 27.11.2015 às 11:18

William:

O meu problema com posições como a sua é que apontam problemas - em grande medida, com os quais concordo - mas raramente defendem uma linha de conduta clara. A que compromissos com os privados se refere e quais devem ser cortados?
- A ajuda aos bancos? OK, então defenda claramente a sua falência, com todos as consequências que daí advirão (mas convém ter noção delas e assumi-las como inevitáveis). Infelizmente, por ter consciência delas, eu não consigo ser taxativo em relação a todos os casos. Uma solução intermédia é assumir que os depositantes poderão ter de pagar parte dos custos da falência (à la Chipre e regras em implantação) mas mesmo esta via é altamente contestada.
- As PPP? Foram renegociadas e a verdade é que a maioria dos encargos existem: as estradas e os hospitais estão aí, as empresas privadas endividaram-se para a sua construção e para garantir a sua manutenção. Deve o Estado anular os contratos, deixando degradar os equipamentos e arriscando ter de pagar indemnizações? A minha resposta: não. Deve ir mais longe na renegociação? Talvez - mas não esperemos milagres. Nota acessória: denunciar os contratos poderia colocar em risco as empresas, que por sua vez deixariam de pagar os empréstimos contraídos aos bancos, que por sua vez ficariam ainda mais fragilizados, que por sua vez... etc, etc.
- As pensões assumidas em tempos de irracionalidade económico-financeira? Pouca gente defende cortes nas pensões; o clamor contra eles, ainda que centrados nas pensões mais elevadas, foram ensurdecedores. A minha posição: sim, devia existir um ajuste, progressivo e a partir de um determinado valor (provavelmente entre os 750 e os 1000 euros).
- A retoma de empresas "estratégicas" dos sectores da energia, como defendem Bloco e PC? A sério? Paga-se como, o que custaria em investimento estrangeiro perdido, que ganhos se obteria (para além dos obtidos pelo PT brasileiro ou pelo governo venezuelano)?
- Outros? Quais?

No que respeita ao 'outsourcing':
- Em que casos ficou a passagem de empresas para a esfera privada mais cara para o Estado? Em alguns casos, ficou mais cara para os utentes - mas é preciso saber se, antes, não estava o contribuinte a subsidiar o serviço (bem como eventuais ineficiências).
- A compra de serviços (p. ex., consultoria) do Estado aos privados decorre tanto de interesses e cunhas (que existem) como da rigidez das regras de funcionamento no Estado, onde não se pode facilmente gerir os recursos humanos consoante as necessidades. Ou seja: tem o Estado, apesar do elevado número de funcionários, capacidade para responder às necessidades providenciadas por esses privados? Tem as pessoas certas nos locais certos? E pode alterar a situação? (Veja-se a polémica que existiu em torno dos professores ou dos funcionários da Segurança Social.)

Haveria mais mas por agora tem de chegar.
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De Manuel a 30.11.2015 às 01:14

Na mouche, mas a malta que liga a estas coisas da vida do país não gosta que se aponte a esse alvo. Estado, Estado e mais Estado. Ora usado como meio e beneficiando uns, ora usado como fim e beneficiando outros. Isto não passa disto, até já se organizam em grupo para tomar o pelouro. Tanto o é, que o grande dever de cidadania da populaça, o de votar, vai chegando ao ponto em que só vota quem tem salário publico ou interesses nos negócios com o Estado. O resto(a maioria) já nem vota, porque isto de escolher quem vai viver melhor à pala do imposto só interessa mesmo é a quem come directamente dele.
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De cristof a 26.11.2015 às 20:35

Excelente, não desista e ajude-nos a perceber melhor: Os eleitores (alguns) não são vitimas , mas sim cumplices; e alguns burros.
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De José António Abreu a 27.11.2015 às 11:23

Obrigado, cristof. Comecei por fazer cinco ou seis gráficos e depois achei que podia conseguir um panorama mais completo. Mas pelo décimo terceiro - ou melhor, décimo quarto, que ainda fiz um com a evolução da população, que acabei por não publicar por achá-lo pouco relevante - já estava absolutamente farto... :)
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De lucklucky a 26.11.2015 às 21:23

De notar que a trajectória da mortalidade infantil mexeu-se na turbulência do antes, durante o 25 de Abril e PREC mas não mostra a influência do nascimento do Serviço Nacional de Saúde na mortalidade infantil. A trajectória anterior manteve-se.
Neste caso pelo menos parece que não importou.
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De José António Abreu a 27.11.2015 às 11:26

lucklucky, não destrua mitos do regime. O que seria do legado histórico do Sr. Arnaut sem a ideia de que a implantação do SNS foi um momento de viragem indiscutível?

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