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Três deputados "limianos"

por Pedro Correia, em 11.01.20

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Ontem votou-se o Orçamento do Estado para 2020. Com o PS, minoritário na Assembleia da República e liderando um executivo monocolor, a conseguir atrair nada menos de cinco partidos para aquilo que lhe interessava: a viabilização do mais importante instrumento de governação nesta legislatura. BE, PCP, PAN, PEV e Livre agem nestes dias pós-geringonça como se ainda houvesse pactos de legislatura assinados com os socialistas. No fundo, como se estivessem no governo sem lá estarem: António Costa nem precisa de dar-se ao incómodo de lhes reservar pastas ministeriais, ao contrário do que sucede com o seu homólogo espanhol, Pedro Sánchez, que a partir de amanhã terá de sentar no Conselho de Ministros os equivalentes locais de Catarina Martins e Jerónimo de Sousa. O socialista português usufrui o melhor de dois mundos.

Mas desta vez Costa foi mais longe: conseguiu trazer para a sua órbita três deputados do PSD, todos eleitos pela Madeira. Que a troco da libertação de verbas destinadas ao novo Hospital do Funchal - que é obrigação do Estado e já devia estar construído há vários anos - mandaram às malvas a orientação de voto imposta por Rui Rio e associaram-se à esquerda parlamentar, viabilizando o OE2020 pela abstenção. Nem o facto de isto ter ocorrido em plena campanha interna para a eleição do presidente do PSD lhes travou o passo, desautorizando o líder nacional do partido em toda a linha.

O primeiro-ministro acaba, portanto, de garantir a fidelidade de três deputados "limianos", partindo as fileiras adversárias - sem sequer necessitar deles. Sérgio Marques, Sara Madruga da Costa e Paulo Neves são dignos sucessores do histórico deputado Daniel Campelo que a troco da promessa de ver construída uma fábrica de queijo no concelho natal, Ponte de Lima, fez transitar em 1999 o seu voto do CDS para o PS para tranquilidade e sossego do primeiro-ministro socialista, António Guterres.

Na altura, houve inflamadas atitudes de indignação na comunidade de comentadores cá do burgo. Agora, observo quase todos a encolherem os ombros ou até a acenarem em concordância, como se a pesca de votos à linha nas fileiras da oposição fosse um passatempo corriqueiro e talvez até digno de louvor. Basta este exemplo para se perceber como em duas décadas recuámos em padrões de ética política e exigência mediática. Antes havia quem mostrasse repulsa, embora pudesse ser postiça. Agora já ninguém se dá ao incómodo de aparentar indignação.


35 comentários

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De João Pedro Pimenta a 11.01.2020 às 17:31

Por acaso nem fiquei muito indignado com Campelo: ao menos estava ali um deputado que velava pelo seu círculo eleitoral e não apenas por mesquinhos interesses partidários ou obedecendo À chefia sem mais. E além da tal fábrica, foram inúmeros benefícios para o alto Minho, até mais importantes.
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De Pedro Correia a 11.01.2020 às 18:08

Se todos os deputados fossem como Campelo, João Pedro, todos os orçamentos do Estado rebentariam.
Campelo é, aliás, a negação do que deve ser um deputado à luz da Constituição. Os deputados representam a nação e não a aldeia, vila ou cidade de onde emanam.
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De s o s a 11.01.2020 às 23:26

portanto, ainda é excessivo dizer banal, mas já é normal (a pesca , como diz ).

O problema, diz, é a etica.

Mas nao só nao é problema, como é soluçao.

Tambem aqui o sr. PC nao se compromete : fala em pesca (estragos) em terceiros, ate desnecessarios, mas nao defende a rutura, nem diz se lhe agradaria vivermos em sucessivas eleiçoes. Para os pobres, eticas, no caso valores maiores como o interesse nacional, sao musiquinha, nao alimento.

Pelo vistos é a propria democracia a sobreviver. Ou devemos antes criticarmo-nos a nos proprios enquanto eleitores "dispersivos"
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De s o s a 11.01.2020 às 23:40

outra questaozinha ... os deputados tem opiniao, a abstençao nada significa nao a ter, mas a responsabilidade face a um bem maior que é a governabilidade.

Do mesmo modo, quer agora com os atuais NAO, como antes, ao votarem sabem que nada acontecera, que o seu voto nao despoleta a catastrofe, a ingovernabilidade.

Pode criticar-se a abstençao, mas se nao vai de encontro aos nossos interesses.
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De O SÁTIRO a 12.01.2020 às 00:01

Inadmissível esta atitude dos 3 laranjas.
Todos sabemos que os governos Costa desprezam a saúde... SNS um perigo que mata efetivamente doentes como se vê nas notícias que os media do regime/governo tentam esconder..tudo em nome do superávit e das cativações...
Fosse Portugal um país de verdadeiro respeito pela vida humana e haveria centenas ou mais processos contra médicos administradores e finanças e min saúde...
Eu processei já quem devia..

A extrema esquerda está a cavar o suicídio como se vê no PCP...

Com a crise económica da Alemanha/UE que se aproxima com efeitos em 2 a 3 anos em Portugal Costa vai ver se aflito em 2022....e nós ainda mais...

Veremos se o país vai precisar de outro empréstimo gigantesco nessa altura... e quem vai ter coragem de o gerir e levar com os insultos dos media sindicatos e dos verdadeiros culpados.....
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De Anónimo a 12.01.2020 às 00:18

Quer dizer que então está quase.
Aquela malandragem dos deputados conservadores que votavam diferente durante várias sessões (brexit) é lá na Engole a Terra e podem fazer como quiserem, cá é que não por poder haver qualquer coisinha.
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De Carlos Faria a 12.01.2020 às 14:13

Já não é a primeira vez que os deputados pelas regiões autónomas votam diferente das orientações nacionais, são estruturas autónomas das nacionais do partido.
Bem recente, no tempo de Passos: Mota Amaral, Duarte Ponte e Lídia Bulcão votaram em desobediência a obrigatoriedades do grupo parlamentar cujos processos depois redundaram em nada, mas talvez por isso não foram recandidatos.
Em tempos históricos de Mota Amaral, este deu orientações para os deputados dos Açores votarem diferente em questões na AR. Logo nada de novo no PSD.
Já agora, nos Países Anglossaxónicos com círculos uninominais os deputados lutam, e muito, pelos interesses da sua terra, talvez por isso eu veja um nível de desenvolvimento na equidade territorial no Canada bem mais saudável do que neste Portugal que olha para o Corvo que serve para fundamentar tantos investimentos em nome do isolamento e deixa toda a raia de norte a sul e algumas ilhas como Flores e Graciosa num estado miserável.
Apesar das autonomias do PSD insular, a verdade é que quando estive na presidência de uma assembleia concelhia havia cadernos eleitorais distintos para eleições a órgãos nacionais do PSD, onde constavam os militantes que estavam conformes com as regras nacionais, e outros cadernos para eleições a órgãos regionais, onde constavam mais militantes conformes com as regras aceites pelas estruturas regionais. Nada como se viu ontem na Madeira
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De Anónimo a 12.01.2020 às 14:16

Ena, tanta gente pura! Diz o roto para o nu, ... de que te vestes tu?

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