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Com o ataque dos Estados Unidos à Síria, corres o risco de ser convidado para partipar numa discussão televisiva ou radiofónica sobre o tema. Não percebes pevide do assunto? Nada temas. Tens aqui tudo o que é necessário para saires do debate em ombros.

Intervenção inicial: transmite com clareza a tua visão abrangente sobre o problema e as suas diversas implicações. Frase a utilizar: "é demasiado simplista colocar as coisas em termos de Ocidente contra Rússia. O mundo de hoje é multipolar e global. A Síria é um tabuleiro político para onde confluem questões geoestratégicas com ramificações que vão muito além da influência regional". Olha em redor para todos os outros participantes com ar confiante. Marcaste pontos. Alisa a franja do cabelo como se fosses o Nuno Rogeiro e não contraries a tentativa de intervenção que certamente um outro tertuliano tentará fazer. Já ninguém conseguirá ultrapassar uma análise global tão abrangente como a tua a não ser que invoque uma invasão iminente de marcianos.

Intervenção subsequente: demonstra inequivocamente o teu conhecimento sobre a linha estratégica trilhada pela Rússia como elemento chave no contexto internacional. Frase a utilizar: "a Síria tem uma importância fundamental para Putin (aqui pronuncia como o Zé Milhazes) sobretudo tendo em conta os desenvolvimentos recentes na Península Turca e a ambição política e militar do regime de Ankara". Mais um tiro certeiro da tua parte. Acabaste de antecipar-te ao tertuliano que tinha prontinha uma intervenção sobre Erdogan. A Turquia é uma referência fundamental nestas discussões. Tu foste o primeiro a trazê-la para a mesa.

3ª Intervenção: é o momento de revelares ao mundo não só o teu domínio da geopolítica mas também do processo histórico de evolução das ideias. Frase a utilizar: "no fundo, tudo isto representa a derrota do pensamento central de Fukuyama (faz descair ligeiramente e com condescendência o teu lábio superior, tal e qual como faz o Miguel Sousa Tavares). A História não acabou... a História não acabou, a verdade é essa. Estamos, não sei se concordarão, perante o regresso da geopolítica". Concordarão, claro. Com a mesma vontade com que as galinhas concordam sobre a importância do milho. Se não fosse a geopolítica não estavam todos ali, não é?

4ª intervenção: o pensamento humano tem enorme apetência por analogias. Conquista terreno abusando de comparações. Aqui não faz sentido amarrar-te a uma frase pré-definida. Dá largas à tua imaginação. Refere os balcãs, o império austro-húngaro, o Cisma do Ocidente, Hitler, o Czar Branco (não existiu, mas tal como tu, os outros não sabem), Estaline, Richelieu, Pedro o Grande, Zé do Telhado, Tira-Dentes, Átila o Huno, enfim, vai por aí fora. O céu é o limite.

5ª intervenção: está na altura de preparar o KO dos restantes tertulianos. Chegou a hora da filologia. Frase a utilizar: "é preciso termos presente que o território da Síria actual foi sucessivamente colonizado por canaanitas, fenícios, arameus, hebreus, egípcios, sumérios, assírios, babilónios, hititas, persas, gregos e bizantinos. Mas é preciso ter em conta que esta Síria não é a Síria a que Heródoto, por exemplo, se referia. Essa Síria do Heródoto coincidia com o território da Capadócia e por aqui se vê como a própria situação turca está sempre presente nestas questões". Olha fixamente para os restantes participantes na discussão. Goza o momento. Fodeste-os.

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2 comentários

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De Botas a 08.04.2017 às 13:24

Aquilo das dezenas de mortos gazeados é para esquecer não é ?
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De isa a 08.04.2017 às 22:32

O Problema é que não foi Assad que gaseou a própria população, não tinha nada a ganhar com isso, quem ganhou foi o Deep State, aqueles que acabam por controlar globalmente, as políticas dos países e até os Presidentes dos EUA.
Até se comprovou que subsidiam grupos terroristas.

A ideia dos eleitores americanos era este não vir a ser manipulado e, pelos vistos, continua tudo na mesma, exatamente a mesma coisa que aconteceria com Clinton, querem guerras e destruição, bom para o negócio de quem tem o Monopólio de imprimir dinheiro. FED e BCE são Bancos Privados, só isso devia servir para acordar "as ovelhas" que acreditam em tudo o que lhes contam.
Porque pensa que os políticos vão prestar vassalagem ao grupo Bilderberg?
As dívidas dos países servem apenas criar dependência e subjugar países.
https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_Bilderberg_participants#Portugal

Neste momento, estamos à beira de ser controlados globalmente por psicopatas que sempre quiseram Poder Total, as guerras não são por acaso nem para bem das populações e, se pensa que há alguma coisa que não controlam, basta saber quem doou o terreno para a 1ª Sede das Nações Unidas, quem controla FMI e Bancos Centrais, tudo pertence aos mesmos. Pode ouvir um que acreditava que algo ia mudar com Trump:
https://www.youtube.com/watch?v=dq_yWMouwLE

Ou outro jornalista que ajudou a eleger Trump mas vê, como com esta "false flag"
https://pt.wikipedia.org/wiki/Opera%C3%A7%C3%A3o_de_bandeira_falsa
está a dar uma vitória aos mesmos do costume que estão e, sempre estiveram, desejosos por uma guerra com a Rússia.

https://www.youtube.com/watch?v=YFGmm3YWbt4
Michael Savage On The Syrian False Flag & The Sheeple That Are Buying That Assad Did It

Não acredite em informação "pré-mastigada", faça a sua própria investigação, ouça tudo o que for contraditório para depois, poder fazer o seu próprio julgamento.
Mas tudo se resume ao mesmo: Poder, Dinheiro e Controle e, desta vez, anda tudo a ser preparado para ser a nível global. A única coisa a "entupir" é a Constituição Americana mas, já muito maltratada com leis saídas do Governo Federal que tem tentado destruir e minar as políticas dos Estados que sempre tiveram autonomia.

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