Todo um padrão

Desta vez, felizmente, não houve atropelamentos. Mas não deixou de haver passa-culpas ministerial: é todo um padrão do Governo Costa.
Apanhado pela TVI em evidente transgressão dos limites legais de velocidade enquanto se deslocava na viatura oficial, o ministro do Ambiente, Matos Fernandes, acaba de produzir esta extraordinária declaração: «Não era eu que ia a conduzir e não me apercebi do que estava a acontecer.»
Faz lembrar o miúdo queixinhas da escola primária, pronto a apontar o dedo aos outros meninos. Como se alguém acreditasse que o condutor do ministro fosse de pé na tábua - a 160 km à hora na estrada nacional e a 200 km na A2 - por livre iniciativa, sem consentimento do chefe máximo.
Agora diz-nos também que já recomendou ao motorista para não voltar a ultrapassar o limite de velocidade, garantindo que isso não irá repetir-se. Deve ser isto que alguns consideram "ética republicana": é preciso ser apanhado em transgressão para jurar que a partir de agora irá cumprir a lei.
Que belo exemplo de cidadania num país onde, entre 2011 e 2020, se registaram 5072 vítimas mortais em desastres rodoviários. Nem o trágico atropelamento do cidadão Nuno Santos a 18 de Junho pela viatura oficial em que seguia o ministro Eduardo Cabrita serviu de lição aos seus colegas de Governo.
Todo um padrão nisto também.

