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Tiro à letra

por Pedro Correia, em 12.04.19

20190407_120600.jpg

 

Há livros que são editados com os pés, para usar uma expressão da gíria jornalística. Abrimos um exemplar e logo na contracapa ou numa badana deparamos com um erro grosseiro, gerado por ignorância ou incompetência - daqueles que nos levam de imediato a pôr aquilo de parte.

Por vezes o disparate surge não na casca, mas já no miolo, no espaço reservado à apresentação ou prefácio. Aconteceu-me há dias, com um exemplar de uma destas editoras que pretendem difundir "coisas giras" e "fora da caixa". Bastou-me ir à primeira página impressa para deparar com isto: como se não bastasse o impiedoso extermínio das impropriamente chamadas "consoantes mudas", o tiro à letra é tão obsessivo que leva estes mabecos a mutilarem até palavras como "actual", aqui mascarada de "acual". Deve ser idioma de pato: língua portuguesa não é, seguramente.

Fechei o livro e ele lá ficou, a gozar um merecido repouso. Faço votos para que seja perpétuo.


10 comentários

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De jpt a 12.04.2019 às 15:20

não seria anal?
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De Pedro Correia a 12.04.2019 às 15:21

Nunca se sabe.
Talvez seja a maneira "pós-moderna" de escrever anal.
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De João Marchante a 12.04.2019 às 16:07

Muitíssimo bem caçada essa peça abjecta de mau Português, e delicioso texto o seu.
Saudações Culturais!
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De Pedro Correia a 12.04.2019 às 23:08

Obrigado pelas palavras amigas, João. Forte abraço.
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De Maria Dulce Fernandes a 12.04.2019 às 17:43

Sempre que me proponho fechar os olhos ao acordo ortográfico e ler esta ou aquela "obra" da actualidade literária , acontece algo muito semelhante, Pedro, e tão flagrante, que acabo sem saber se fico a detestar a editora , o autor , os livros, a lingua aportuguesada, ou apenas a mim própria, que já tenho idade e experiência suficientes para não cair no conto do vigário.
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De Pedro Correia a 12.04.2019 às 23:09

Eu já inspecciono com a máxima atenção cada livro, Maria Dulce. Precisamente para não cair no conto dos intrujões.
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De Pedro Correia a 12.04.2019 às 23:10

Sou fervorosamente contra os exterminadores implacáveis de consoantes.
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De Corvo a 13.04.2019 às 11:04

Eu também! Abaixo os exterminadores implacáveis de consoantes que só vieram trazer mal-estar embaraçoso aos dignos defensores da língua-mãe.
Veja-se a mesma situação, por exemplo.
Antes. Espectadores sabia o que era. Por exemplo: os espectadores em Alvalade a verem jogar o Sporting. Poucos, número quase irrisório, mas espectadores na mesma.
Agora. Espetadores. Pois que seja o que cada um quiser ou lhe aprouver, que quanto a mim, acho, de todo, conveniente não me alongar em embaraçosas explicações.
Um excelente fim-de-semana.
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De Pedro Correia a 14.04.2019 às 22:55

Espetadores é muito diferente de espectadores.
Espetadores foram, por exemplo, os jogadores do Sporting quando espetaram um golo que afastou o Benfica do final da Taça de Portugal.

Mas não fiquem tristes. Para o ano há mais.
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De Tiro ao Alvo a 12.04.2019 às 18:54

Acual não será o lugar onde se anda para trás? É que acuar é o mesmo que retroceder. Ou será onde esta gente foi encurralada?
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De Pedro Correia a 12.04.2019 às 23:13

Não faço a menor ideia.
Talvez seja vocabulário politicamente correcto.
Ou cu-re(c)to.
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De Corvo a 13.04.2019 às 12:52

Por outro lado.
Isso só pode ter sido mau-olhado ou praga rogada.
Um era a alternativa, este é o lindo serviço que presta à literatura, que bem pode limpar as mãos à parede pela brilhante prestação apresentada.
Aconselho-o a não ler nada. Nada de letras. Nem jornais porque pelo encaminhamento dramático que a sorte nefasta lhe foi rogada, estás-se mesmo a ver que tudo quanto possa ler, trate-se de que artigos se tratarem, ao folheá-los, tudo que leia será sinistro para si.
Por exemplo, política: o que um matou o outro enterrou.
Economia: é certinho que lhe estão a ir ao bolso.
Desporto: aí a praga dispara para patamares exacerbadamente incomportáveis de sinistralidade extrema, com o coiso sempre atrás do coiso.
Decididamente! Vá por mim e abole as leituras da sua vida.

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