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The Post

por Diogo Noivo, em 05.02.18

The-Post-Movie-Trailer-2017-Spielberg-Hanks-Streep

 

The Post é uma boa história. E uma boa ideia. É por isso uma pena a hagiografia e o tom propagandístico – o próprio Spielberg reconheceu que o filme contém um conjunto de mensagens endereçadas ao Presidente Trump. Sei que destoo de boa parte dos meus colegas de DO, mas um filme que pretende retratar um caso verídico e com relevância histórica não pode abdicar da plausibilidade. Os personagens de The Post não têm arestas nem profundidade. Vivem num mundo de certo e errado onde a ambiguidade é tão-somente uma miragem, e são donos de uma bússola moral irrepreensível. Pura ficção, portanto. Creio que tudo isto impede The Post de entrar na galeria dos grandes filmes sobre jornalismo onde figuram All The President’s Men ou, mais recentemente, Spotlight. Até a esgrima bem cadenciada de Frost/Nixon o supera. São inegáveis as virtudes de Meryl Streep, embora, pensando nos Óscares, me pareça que Frances McDormand está mais próxima do galardão com o seu desempenho em Three Billboards Outside Ebbing, Missouri. Em resumo, uma boa história que se perde em recados e endeusamentos.

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16 comentários

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De Vlad, o Emborcador a 05.02.2018 às 11:38

O filme detem-se sobretudo sobre a importância de uma imprensa livre, que sirva não os interesses dos governantes mas sim dos governados. Tema mais que premente hoje e nos dias vindouros em que se torna fundamental saber, para ajuizar sobre as informações adquiridas, quem detem a propriedade dos meios de comunicação. Propriedade esta escondida sob a denominação SA.

A alegoria a Trump é por demais pertinente, em virtude da guerra declarada, por este, aos meios de comunicação de referência Americanos- ex: New York Times- e das consequências advindas da Patriot Act. A quem queira ver na obrigação de dizer a verdade uma traição aos interesses de Estado.
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De Diogo Noivo a 05.02.2018 às 16:41

Certo. Tudo muito bem. Mas não dava para fazer isso sem escorregar na superioridade moral, sem personagens superficiais, sem submeter a história aos recados e às lições?
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De Vlad, o Emborcador a 05.02.2018 às 17:11

Talvez, Diogo. Mas assim não haveria filme, nem tampouco a
liberdade criativa do criador. Teríamos um documentário.

Spielberg aproveitou-de de um tema histórico para deixar um recado aos presentes.

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De Diogo Noivo a 06.02.2018 às 10:55

"All The President’s Men", "Spotlight" e "Frost/Nixon" demonstram ampla liberdade criativa, dão os seus recados, e não são monos nem documentários. "The Post" é uma oportunidade perdida, caro Vlad.
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De Lucklucky a 05.02.2018 às 18:47

Raramente vai alguém para o jornalismo para ser jornalista. Vão todos para fazer proselitismo político.

"O Washington Post, o New York Times são "meios de comunicação de referência"

Hehe
" meios de comunicação de referencia" é eufemismo para dizer que não existem para dar informação, existem para fomentar mais política e os recados associados.
Os dois jornais são instrumentos políticos de protecção do Partido Democrata que como o nome indica têm como objectivo destruir a Republica Americana.

A lista das fake news do Washington Post, New York Times dos últimos anos é longa e extensa. Podemos aliás começar pelos textos racistas dos dois jornais.

Quanto a Speilberg está-se nas tintas para o jornalismo, ele existe para defender o Partido Democrata. Se não fosse teria falado das perseguições ao jornalismo feito por Obama, ao uso do Estado Federal para punir adversários políticos e da violência da Esquerda americana contra os Republicanos.

Claro tudo censurado por cá.
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De Vlad, o Emborcador a 05.02.2018 às 19:00

Onde tem o Templo?
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De Vlad, o Emborcador a 05.02.2018 às 19:20

O maior ataque à Constituição e à República Americanas tem um nome :

Patriot Act.

Quem pôs a máquina de guerra americana ao serviço de uma agenda escondida foi George W. Bush (Petrolíferas ), Donald Rumsfeld ( complexo farmacêutico -militar) , Dick Cheney (Haliburton, Blackwhater) aquando da II Guerra do Iraque, assim como em 2008, com o Estado Americano a injectar milhões em bancos ,alguns com ligações promíscuas com o Departamento do Tesouro (Paulsen)...Obama podia ter feito melhor...mas teve mais vergonha na cara que o clã Bush
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De Lucklucky a 06.02.2018 às 12:33

O maior ataque à Constituição Americana é violá-la começado por guerras sem autorização do Congresso como fez Obama , como utilizar o poder das instituições Federais para perseguir adversários políticos: IRS, Universidades.
Veja-se aliás a enorme quantidade de artigos nos "jornais" de referência de esquerda contra a Constituição.

"Quem pôs a máquina de guerra americana ao serviço de uma agenda escondida..."

E temos o argumento Comunista quando os Aliados resistam ao Nazismo.
E sempre que o Ocidente está em guerra.

Não houve coisa pior para os contratos de armamento do que a guerra no Iraque. Faça um esforço e liste o número de projectos de armamento cancelado ou parado por Rumsfeld. Para o Iraque foi preciso balas, armas ligeiras , coletes e pagar a soldados. Não foi preciso artilharia pesada (Crusader) , aviões(F22) , navios...
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De Vlad, o Emborcador a 06.02.2018 às 14:42

This inquiry into the UK’s involvement in the Iraq war, chaired by Sir John Chilcot, a retired civil servant, has taken seven years and now its report finally appears, 13 years after the US-British invasion, in 12 volumes running to 2.6m words.

https://www.ft.com/content/1353c1d8-4298-11e6-b22f-79eb4891c97d

Tony Blair and George Bush's White House meeting on January 31 2003 show that the prime minister was prepared to go to war in Iraq before he had tried to get a second UN resolution. Given that the attorney general and Foreign Office lawyers believed at this time that war would be illegal without one, the story throws further doubt on the legality of the conflict.





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De Lucklucky a 06.02.2018 às 20:33

Típico a desviar.
Nem respondeste.
Legalidade da guerra no próprio país. é disso que estamos a falar.

Que escrevas sobre a legalidade da guerra para a ONU ainda mais bizarro fica.

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De V. a 05.02.2018 às 20:00

Para engagamento artístico não contem comigo, sobretudo com uma fulana tão irritante como a Meryl Streep. Sempre a tentar ensinar qualquer coisa, mudar o mundo e merdas assim. Que gente tão burra. Vão mas é pentear macacos, que têm lá muitos.

(Quer dizer, pelo menos no zoo de San Diego costumavam ter uns quantos.)
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De Beatriz Santos a 05.02.2018 às 22:18

The post é um filme que se vê bem, mas o argumento não tem a grandeza de "Os homens do presidente". Não sei ajuizar porquê. Talvez por ser mesmo assim, ou por outros motivos. Streep é sempre boa na interpretação de um personagem, mas neste filme nenhum papel me parece digno de um óscar. Concordo, a senhora de "três cartazes à beira da estrada" tem um desempenho notável; mas é verdade que também julgo esse filme, em muitos os aspectos, melhor que the post. É uma opinião, vale o que vale.
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De Diogo Noivo a 06.02.2018 às 10:52

De acordo, Beatriz. A falta de grandeza que refere está, a meu ver, na falta de plausibilidade da história e nos truques primários - por exemplo, a luz divina que ilumina Meryl Streep na descida da escadaria do tribunal é tão básica que quase insulta.
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De Maria Dulce Fernandes a 06.02.2018 às 12:18

Entendi o filme como uma prequela fraca de All The President’s Men, mas até se vê bem apesar do sentimento de happily ever after. Concordo plenamente que a Frances McDormand seja a favorita para o Oscar.
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De Anónimo a 06.02.2018 às 14:34

Talvez por ter as expectativas demasiado altas este filme foi uma grande desilusão. Chega a ser chato e sem conteúdo Depois de ver o Spotlight ninguém consegue ver este com entusiasmo.
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De Alexandre Policarpo a 06.02.2018 às 15:11

Vi o filme no sábado que passou e confesso que apesar dos sempre soberbos Merryl Streep e Tom Hanks, me soube a pouco.
Por cá andam umas vestais aflitas com as violações do "segredo de justiça", ali o que estava em causa, é o dever, garantido pelo Supremo Tribunal, dos media em publicarem assuntos que tenham interesse publico, mesmo que os poderes politicos da época jurassem que eram "segredos de estado" e que a sua publicação punha em causa a "segurança nacional".
Também ficou bem demonstrado que sucessivos governos, republicanos e democratas, andaram 20 e tal anos a mentir aos americanos, embora tivesse sido o ícon da esquerda americana e europeia, Jack kennedy e o seu sucessor Lyndon Johnsson que meteram em força os americanos no pântano do VietNam, uma guerra que eles sabiam que à partida nunca poderiam ganhar, provocando 60 mil mortos e mais de 300 mil feridos entre a juventude americana dos anos 60/70.

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