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Terrorismo

por Maria Dulce Fernandes, em 02.06.20

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Li hoje na imprensa internacional disponibilizada online que as pessoas aproveitam qualquer pretexto para se amotinar, saquear e pilhar, normalmente em nome da igualdade e da justiça.

A morte de um ser humano às mãos de um seu semelhante nunca é um “qualquer pretexto". É um acto de extrema barbárie, independentemente do contexto. Não tem desculpa nem justificação. É algo deontologicamente desprezível e totalmente inaceitável na cultura ocidental.

Dito isto, pergunto-me se amotinar-se, saquear e pilhar se justificam pelo sentimento de revolta, genuíno e esmagador, em crescendo contínuo na sequência da morte violenta e sem sentido de mais um ser humano às mãos de quem o devia ajudar e proteger. Mortes, violência sem justificação nem sentido acontecem infelizmente todos os dias e a todas as horas, por esse mundo fora, e a grande maioria nunca chega ao nosso conhecimento.

O que é que esta morte por brutalidade policial tem de diferente de todas as outras? Nada. Não tem nada de diferente. É mais um crime contra a humanidade, como tantos milhares de outros crimes. Apenas o mediatismo é extrapolado: apela à revolta, à instabilidade e ao terrorismo. Apela ao medo e à justiça sumária. Apela à selvajaria. Apela ao crime.

Não é possível apagar um crime hediondo praticando milhares de outros que tais, igualmente injustificáveis e desprezíveis.

Se moralmente poderão estes levantamentos populares na sua essência,  serem considerados actos de terrorismo? Podem, sim. Este "fim" não justifica os meios. De modo nenhum.


112 comentários

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De Bernardo Hourmat a 02.06.2020 às 12:18

"O que é que esta morte por brutalidade policial tem de diferente de todas as outras? Nada. Não tem nada de diferente."

Mas não será esse um dos problemas, especialmente do ponto de vista da comunidade afro-americana? Vendo estas mortes a acontecer regularmente, sem que pouco seja feito para abordar o que poderão ser as raízes sistémicas do problema?

Qual será a reacão “aceitável” então? Os motins e pilhagens são terríveis, de facto, embora também temos visto manifestantes a proteger comerciantes, policias, etc tentando, apesar de tudo, apelar à necessidade de que alguma coisa tem que mudar naquela sociedade, bem como a denunciar o aproveitamento que outros têm feito (não só de movimentos ligados à extrema esquerda, diga-se...) daquilo que são problemas sérios que ninguém parece ter vontade de resolver, muito menos o actual inquilino da Casa Branca...
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De Maria Dulce Fernandes a 02.06.2020 às 12:50

"apelar à necessidade de que alguma coisa tem que mudar naquela sociedade"

O sentimento de revolta e inimpunidade não tem forçosamente, melhor, não pode sequer levar à pilhagem ou à destruição.
A razão sobre a qual a revolta assenta, perde toda a razão.
Lembrem-se disso em 3 de Novembro. Há muitos modos de dizer não.
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De Bernardo Hourmat a 02.06.2020 às 13:17

“O sentimento de revolta e inimpunidade não tem forçosamente, melhor, não pode sequer levar à pilhagem ou à destruição.”

De acordo. Daí que, a par dos mesmos motins, têm havido continuadamente manifestações e marchas um pouco por todo o país. Aliás, temos visto mesmo elementos das forças policiais a juntarem-se a algumas delas.

“Há muitos modos de dizer não.”
Sem dúvida. Parece é que, para certas comunidades, nunca há uma forma “correcta” de protestar.

É também fascinante a comparação com aquilo que aconteceu há umas semanas, quando assistimos a grupos armados a ocuparem parte das representações estatais por bem menos do que isto. Na altura, a polícia, mesmo sob chuvas de insultos, empurrões e violência pareceu bastante capaz de lidar com a situação sem sufocar ninguém...
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De Maria Dulce Fernandes a 02.06.2020 às 14:54

E nessa altura, semanas atrás tresloucaram ? Queimaram, partiram, destruiram, roubaram? Não, pois não?
Não é com violência que se acaba com a violência e mudam mentalidades. É nas urnas.
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De Bernardo Hourmat a 02.06.2020 às 15:17

Não, não chegou a esse ponto. Espantosamente, não obstante o rídiculo de indíviduos se pavonearem com armas automáticas/semi-automáticas, a berrarem porque não cortam o cabelo há umas semanas não despoleta o mesmo nível de insegurança... Um acaso feliz.

Mesmo assim, acho que mentalidades também se mudam para lá das urnas ou não? Só podemos manifestar desagrado por injustiças de X em X anos?

Acho que conseguimos todos demonstrar repúdio por violência/pilhagens etc e, ao mesmo tempo, reconhecer que existem profundas clivagens entre a comunidade afro-americana e as forças de segurança que duram há tempo suficiente e que se repetem com demasiada frequência independentemente do que tem ocurrido nas urnas...
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De Maria Dulce Fernandes a 02.06.2020 às 15:24

Absolutamente. Não há machado que corte, e tal...
Mas depois, na hora da verdade, vamos a votos e elegemos figuras de estilo, the whole package!
Num país de morons, dementes com o pavio curto, nada melhor do que um egocêntrico pavão! Afinal sempre há aquele velho ditado que diz que em terra de cego...
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De Chuck Norris a 02.06.2020 às 17:55

Antes demais as minhas desculpas, no caso de ofender alguém com o meu comentário, mas acho que se está a exagerar demasiado, sobre o facto de a vítima ser afro-americana e o polícia ser branco.

O foco não pode estar aí, o foco deve estar no facto de uma pessoa ter falecido, sob ação da polícia.

Até 31 de março foram atingidas a tiro 228 pessoas nos EUA pela polícia, dessas apenas 31 eram negras.

Em fevereiro, um polícia negro atirou a matar contra um civil branco, numa situação supostamente questionável e não se viu ninguém manifestar.

Quero com isto dizer que o que estamos a ver é um aproveitamento de delinquentes, que sob a desculpa das manifestações contra o racismo, se dedicam à pilhagem e ao roubo a pessoas inocentes.

O problema é que não se vêem atores, famosos, políticos ou outros, a denunciarem isto.

Arriscam-se a que um polícia se sinta condicionado no cumprimento do dever, caso se depare com uma situação que envolva um negro e isso não pode acontecer.

Conforme não se pode generalizar sobre todos os negros serem criminosos, também não se pode generalizar sobre todos os polícias serem racistas.

Em 2017 morreram 110 polícias no cumprimento do dever... por isso, os EUA não são um país como o nosso, logo condicionar os agentes da lei, com toda esta pressão é um perigo.

Desculpabilizar nunca, mas estereotipar nem pensar.
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De Vorph "Girevoy" Valknut a 02.06.2020 às 18:39

"Até 31 de março foram atingidas a tiro 228 pessoas nos EUA pela polícia, dessas apenas 31 eram negras."

Tem razão. Os outros eram hispânicos
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De Costa a 02.06.2020 às 20:17

Vorph, tu que és tão prolixo em "links" quererás talvez demonstrar isso que afirmas? Pergunto-o com genuína vontade de me documentar sobre o tema.

A sério? Todos hispânicos? Nem um asiático?

"Branco", escuso de te perguntar.

Costa
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De Chuck Norris a 02.06.2020 às 22:25

Está redondamente enganado. A maioria, quase tanto como as outras raças todas juntas, são brancos.
Sim, eu sei que não é possível acreditar com todo este histerismo, mas é verdade e está apenas à distância de um click no Google.

A grande maioria de pessoas mortas, ou atingidas por armas de fogo pela polícia, são caucasianos. Mas ai de quem diga alguma coisa.
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De Anónimo a 03.06.2020 às 02:58

Tem que consultar o dicionário para saber a definição de raça.
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De Anónimo a 02.06.2020 às 18:50

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De José a 03.06.2020 às 12:02

"A razão sobre a qual a revolta assenta, perde toda a razão."
Duvido muito desta afirmação. Em 1961/62 era o que se dizia dos movimentos guerrilheiros (normalmente chamados terroristas) nas então colónias portuguesas. Mas acabaram por vencer e duvido que tenham, perdido a razão.
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De Maria Dulce Fernandes a 03.06.2020 às 12:12

"Movimentos guerrilheiros" aqui? Onde?
Matar , pilhar, roubar , destruir... levar uma data de X-Box, aparelhos de som, TV, grades de cerveja, caixas de Whisky, para casa é a génese do " movimento guerrilheiro"?
E sabe que mais? Não vão vencer coisa alguma.
O que fica para a posteridade é um assassínio barbárico que a justiça castigou, e uma série de motins com pilhagem, destruição e morte. Porque há mortos, a não ser que não tenham perdido a razão e os mortos sejam apenas danos coleterais e não contem.
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De José a 03.06.2020 às 15:02

"E sabe que mais? Não vão vencer coisa alguma."
Infelizmente eu não consigo adivinhar o que vai acontecer.
"O que fica para a posteridade é um assassínio barbárico que a justiça castigou, e uma série de motins com pilhagem, destruição e morte."
É bem sabido que, com muita frequência, não é assim.
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De José a 03.06.2020 às 12:04

"A razão sobre a qual a revolta assenta, perde toda a razão."
Mais um ponto: eu não poria a vírgula depois da palavra assenta.
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De Maria Dulce Fernandes a 03.06.2020 às 12:20

Funciona de ambas as formas, mas agradeço o reparo.
Tudo o que me chegar com boa intenção e educação é bem vindo.
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De José a 03.06.2020 às 17:55

"Tudo o que me chegar com boa intenção e educação é bem vindo." De facto eu sou muito menos restritivo. A intenção desconheço (quase) sempre e a educação acho menos importante do que o argumento. Mas isso são feitios.
Quanto à parte restante da sua argumentação (mais acima), no plano do que "deveria ser" concordo consigo. Mas no plano do que é parece-me que a sua maneira de ver está muito distante da realidade (infelizmente).
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De Maria Dulce Fernandes a 03.06.2020 às 18:01

É por isso que as opiniões são como diz o outro e cada um tem a que tem.
A minha está aí . A sua também.
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De José a 03.06.2020 às 19:30

"A minha está aí . A sua também." Finalmente chegámos a acordo. E nem foi difícil!
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De Anónimo a 03.06.2020 às 10:55

"Mas não será esse um dos problemas, especialmente do ponto de vista da comunidade afro-americana?"

Morrem mais brancos ou pretos nos EUA devido à violência policial - que pode ser justificada ou não - ?

Se vai ter de procurar a resposta a esta pergunta, já deu a sua resposta.


É o presente inclino das Casa Branca que tem feito mais para resolver o problema da prisão por causas menores como ter haxixe no bolso e outras violações de regras e leis que não incluam violência.


lucklucky

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De António a 02.06.2020 às 12:30

Quem assalta uma loja é ladrão. Protestar não é levar uma tv para casa. E também não é incendiar carros. Quem faz isso, seja em LA, Londres ou Paris, mostra o que é.
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De Maria Dulce Fernandes a 02.06.2020 às 12:51

Verdade, António.
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De Vorph "Girevoy" Valknut a 02.06.2020 às 12:43

Pena não ter ainda lido, por aqui, qualquer nota, nem de rodapé, sobre a actuação "normalizada" , abjecta, da polícia americana. Onde e em que país, do chamado mundo ocidental, se assistem a práticas horrendas tornadas hábito - já depois do assassinato, vimos como uns energúmenos da LAPD atropelaram dezenas de manifestantes (decerto perigosos comunistas)? Há poucos anos tivemos outro caso semelhante a este "I can't breath", e também não há muito tempo vimos, em directo, o assassínio de um jovem americano, desarmado, por essa infame força americana. Já para não falar no assassinato de Marther Luther King, Malcom X, o Presidente Kennedy, e a quantidade desproporcionada de pretos que são alistados no exército americano para irem dar o coiro em guerras de "branquelas" (conferir Guerra do Vietname) . Há falta de razões , usa-se um estafado e preguiçoso argumento, de serem os manifestantes, comunistas, anarquistas, etc... e o vírus Sars covid 2, um vírus socialista. E depois vem a lenga lenga do costume. Declaram-se, ditos grupos, terroristas e todo o protesto ilegal, toda a oposição ao serviço de forças estrangeiras (como na Venezuela). Recordo os 60, com os grupos pacifistas anti-Vietname. Uma cambada de assalariados da URSS, dizia-se então. Quanto aos excessos, são normais, após séculos de discriminação racial - sim, já sei que tiveram um PR negro, mas também sei que são o país com mais milícias armadas de Extrema Direita do mundo. Sei também que foram o último país ocidental a acabar com a escravatura e a terem uma guerra civil em nome da sua abolição. O país do mundo pós IIGG que participou em mais guerras e que mais tem contribuído para a instabilidade mundial - chamam-lhe, eufemisticamente, guerras de libertação, e aos mortos civis, danos colaterais.

Quanto aos excessos, da turba, recordo o tunisino que se imolou, por causa de mais um banal e diário acto de corrupção. Mas isto é como os montes de areia. Há um momento em que o acrescento de apenas um grãozinho o faz desmoronar, todo, caoticamente.

Há quem se entretenha, agora, a escrevinhar, tentando tapar o que realmente importa. O racismo endémico americano ( que não se esgota nos pretos. Conferir a política abjecta estatal sobre os índios americanos)
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De Maria Dulce Fernandes a 02.06.2020 às 13:01

Tem razão em alguns pontos, Pedro.
Os americanos são recistas. São sim. Pretos, brancos, azuis, amarelos, encarnados, etc. É-lhes social e culturalmente intrínseco.
Que as forças policiais ainda têm mentalidade segregacionista? Sem dúvida! Esta administração voltou a aprofundar um abismo que esteve sempre presente.
Que há corrupção? Seria talvez mais fácil escrever aqui onde no mundo não há corrupção.
Que os "excessos da turba" são por tudo isso e mais alguma coisa justificáveis? Não são não. São actos de destruição, pilhagem e terrorismo e do mais reles.
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De El Profesor a 02.06.2020 às 18:12

Antes de escrever as suas teorias, suas, sobre a polícia americana, deveria antes informar-se sobre a realidade americana.

A polícia americana é a polícia mais profissional do mundo e a mais escrutinada. A começar logo pelos direitos do cidadão em observar e escrutinar os procedimentos policiais. A lei americana permite que qualquer cidadão aceda às comunicações policiais. Estas não são privadas, daí a utilização de códigos. A lei americana dá o direito ao cidadão de filmar e assistir à ação policial. A polícia americana tem um departamento de assuntos internos, inexistente em qualquer outra polícia, excepto na polícia metropolitana de Londres.
O senhor não pode afirmar que a polícia americana é violenta, com exemplos de casos isolados. Há polícias violentos, com certeza, mas não são todos.

Existem grupos extremistas armados na América, sim.
Mas apenas porque a lei determina que o cidadão se possa armar e organizar, caso o estado se torne violento, repressivo, ou ditador.
Que me lembre, é o único país que permite ao cidadão revoltar-se legalmente contra o estado, caso o estado se torne repressivo.

Mas na América não existem apenas supremassistas brancos. Existem milhares de gangs de negros, latinos, chineses.

Existiram os black panthers, que eram uma organização terrorista afro americana.

Mas estes últimos são hoje muito aplaudidos. Até se fazem bds e filmes utilizando os seus nomes.

A vitimização do negro está para ficar. Não que não seja pertinente a questão, mas sem exageros e com os pés assentes na terra e fundamentalmente, com frontalidade para falar a sério. Para apontar os erros de uns e outros, brancos e negros.
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De Vorph "Girevoy" Valknut a 02.06.2020 às 20:06

El, e eu que pensava que a melhor polícia do mundo e a mais escrutinada era a nossa
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De Anonimus a 02.06.2020 às 14:00

É um país com cultura de violência. De ter medo de alguém, e de impor medo a alguém.
Tem um boneco na presidência, e um senado/congresso vendido a tudo, excepto às pessoas.
Mas no fundo eles são felizes.
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De Maria Dulce Fernandes a 02.06.2020 às 14:50

Nós, portugueses também o éramos, dizia-se , há 50 anos atrás. Incultos e desinformados. A diferença é que trabalháva-mos de sol a sol , não era-mos obesamente mórbidos nem vivíamos de subsídios.
Ah, e não víamos o Tiger King, que (quase) toda a gente que conheço viu na Netflix, e se tornou um blockbuster overnight. Coisa mais degradante, caramba! E nem vi o primeiro episódio completo.
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De Maria Dulce Fernandes a 02.06.2020 às 15:40

Ressalvo a palavra Éramos ( que saudades de escrever isto)
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De Maria Dulce Fernandes a 02.06.2020 às 16:38

Mas isto dos verbos com hifen, tem vontade própria?
Ressalvo : trabalhávamos.
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De Maria Dulce Fernandes a 02.06.2020 às 14:44

Isto é para rir, ou para ir vomitar ali atrás?
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De Vorph "Girevoy" Valknut a 02.06.2020 às 14:54

Não, Maria Dulce. É para os luckyluck's desta vida. O vídeo será, para alguns que aqui pululam, umas mil delícias. Confie em mim. É só dar tempo e umas horitas. Eles aparecerão.
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De Anónimo a 02.06.2020 às 14:44

Adoro esta Europa demente e caduca que esconde e esquece o que tem dentro de portas e se indigna com o que se passa no quintal dos outros.

Há para aí algum movimento contra a brutalidade praticada no México ou no farol modelo da democracia ocidental, a Venezuela?


Smoreira

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De Vorph "Girevoy" Valknut a 02.06.2020 às 14:57

Pronto, já cá faltava. Fala-se em George Floyd e há logo quem venha falar ter sido um americano a descobrir a vacina da polio. Argumento do Homem de Palha.
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De Diogo Moreira a 02.06.2020 às 14:48

Esta história pode sempre ser enquadrada de muitas maneiras diferentes e, daí, serem retiradas ilações também elas diferentes.

O caso em particular: os funcionários de uma loja de conveniência confrontaram o sr. George Floyd acerca dele ter pago com uma nota de $20 USD falsa. O senhor manteve-se no carro e os funcionários chamaram a polícia. Sem nunca oferecer resistência, esteve mais de 8 minutos no chão, com um joelho no pescoço de um polícia, a suplicar para o deixarem respirar. Vinte dólares.

Este caso vem na sequência de muitos outros, dos quais o mais recente foi um desportista, Ahmaud Arbery, que treinava a sua corrida e foi interceptado por populares e foi morto a tiro, convencidos que se tratava de um ladrão cujo alerta tinha sido dado recentemente.

Ou ainda o caso de um observador de pássaros, Christian Cooper, que foi ameaçado com a polícia por uma sujeita que não quis cumprir as regras do parque e colocar a trela no seu cão - por sorte, esse senhor ainda está vivo.

Como o Vorph diz acima, os Estados Unidos da América têm um sério problema racial no seu seio. Muitos negros receiam hoje viver lá, porque isso é mau para a sua saúde e há já relatos de quem emigrou para evitar esse risco.

Podemos virar a objectiva para o outro lado e vemos como certos indivíduos não sabem respeitar a propriedade alheia. Para além das carências económicas provocadas pelo COVID-19, vários negócios têm agora que se confrontar com perdas de equipamento ou instalações, por causa de um sentimento transviado de justicialismo.

Temos também os casos de polícias que desfilam pacificamente com manifestantes e outros que dão porrada a torto-e-a-direito, mesmo em membros acreditados e identificados da imprensa.

Finalmente (para este comentário, não em relação à multi-facitude deste caso), temos um presidente que divide para reinar, que faz ecos de políticas segregacionistas e que se recusa a trabalhar com os seus antecessores em tempo de crise (ao contrário dos seus antecessores). Um sujeito mesquinho que agita os papões dos media mentirosos (quando publicam notícias que não lhe agradam), dos terroristas de um grupo sem qualquer organização (e ao arrepio do que são as regras para determinar as organizações terroristas), numa clara e simbólica demonstração do que é "atirar gasolina para a fogueira".

As pilhagens são más? Sem dúvida.

Será esse o ponto de vista mais importante para se chamar a atenção? Para mim, é uma nota: vinte dólares - a gota que fez transbordar o copo e que fez com que a revolta superasse o medo das multidões e do COVID.
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De Maria Dulce Fernandes a 02.06.2020 às 15:51

Como já tive a oportunidade de referir, a falta de respeito pelo próximo acaba sempre por trazer dissabores.
A falta de humanidade e a falta de respeito complementam-se mas não são forçosamente complementares e podem dissociar-se e não chegar a extremos.
Nos motins, a destruição e o roubo, não aconteceram em obediência a um profundo sentimento reprimido de justiça, mas sim ao abrigo de algum desavergonhado sentido de oportunismo, mascarado de revolta.
É assim que os justos e meritórios protestos deixaram de se ouvir, ensurdecidos pelas imagens de saque e destruição gratuita e injustificada.
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De Diogo Moreira a 02.06.2020 às 16:47

O único problema dessa argumentação é que coloca o respeito pela vida humana no mesmo patamar da preservação da propriedade privada - a escala é completamente diferente e a proliferação do crime contra a propriedade nunca apagará os excessos cometidos contra as vidas de pessoas. Quem comete delitos e crimes deverá ter a sua reprimenda, a qual se pretende que seja proporcional aos danos provocados e que, preferencialmente, restitua o que é de direito a quem foi lesado. Mas como se restitui a vida a quem dela ficou privado?

Um segundo reparo na argumentação é tomar a parte pelo todo. Sim, há saques e pilhagens. Não, não são na maioria das manifestações que estão a ocorrer nos Estados Unidos. Tal como alguns polícias não têm capacidade para o serem, mas a maioria dos polícias são gente de bem ao serviço do bem comum.
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De Maria Dulce Fernandes a 02.06.2020 às 17:13

O Diogo interpretará como lhe aprouver, mas na realidade nada disso sobressai no que anteriormente escrevi.
Opiniões são como aquilo que se sabe e cada um terá a sua, fundamentada pelas contas do seu rosário.
Agradeço sempre o seu ponto de vista.
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De Diogo Moreira a 02.06.2020 às 17:28

A Maria Dulce conseguirá verificar que não estamos em desacordo quanto ao substantivo, mas apenas quanto ao foco dado.

Não consigo encolher os ombros e aceitar a forma acéfala como uns quantos sujeitos vestidos de azul responderam a uma situação relativa a $20 USD. Tragédias há muitas e a acontecer em todo o lado - verdade. Mas isso não implica que a notícia passou a ser a existência de manifestações violentas, pilhagens e saques, dado que a eliminação de vidas humanas se tornou "banal".

Ou, se preferir, eu discordo da forma como apresentou o texto original. A destruição de propriedade privada não elimina a razão de ser dos protestos. Apenas a diminui.
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De Maria Dulce Fernandes a 02.06.2020 às 17:44

Não diminui, Diogo, apaga praticamente. Hoje o foco noticioso assentou no lado destrutivo dos protestos: foi general e sistemático.
Não mostram a procura de justiça, mostram a devastação e o lado animalesco das pessoas, nada mais.
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De Diogo Moreira a 02.06.2020 às 17:58

Neste pormenor, discordamos. A delinquência e o comportamento animalesco não estão ao mesmo nível do homicídio (ainda que em 3º grau).
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De Maria Dulce Fernandes a 02.06.2020 às 19:24

Pois não estão, e por isso não se deveria misturar alhos com bugalhos. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Separe as águas.
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De Vorph "Girevoy" Valknut a 02.06.2020 às 22:09

Sim, isto é tudo uma questão de respeito. Melhor, de respeitinho. Não tenho pachorra para este tipo de figurino reaccionário de merda. Um grande caralho, delicado, para si e para os demais
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De Maria Dulce Fernandes a 03.06.2020 às 10:23

Nem tinha reparado neste seu comentário. Vantagens da isenção de controle.
Nem respeito, nem vergonha , Pedro. E olhe que a vergonha alheia é bem triste.
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De o cunhado do acutilante a 02.06.2020 às 15:07

No fundo está-lhes no sangue. Não mudam nem pretendem mudar.
Western no seu melhor, orgulho de uma nação sempre alerta para espoletar, assim surja um pretexto que o justifique,
E se não se justificar, diz-se que sim e arruma-se a questão.
Ou não se diz nada e age-se. Saca o pistoleiro que o mundo não é dos fracos.
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De Maria Dulce Fernandes a 02.06.2020 às 15:34

A desumanidade da polícia - que sim, que são homens, sob pressão , em circunstâncias extremas... que não, que têm formação específica e tem obrigação de estar preparados para tudo - tem sido sempre o rastilho para este tipo de manifestações. Façam barulho, exijam, obriguem... não estraguem, destruam ou desgracem outrem em nome de uma justiça que obviamente desconhecem e num ápice vilipendiam.
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De Anónimo a 02.06.2020 às 16:16

"O" polaco tinha razão (idos de 70, se a memória não falha) : toda a população mundial deveria votar nas eleições americanas...
As voltas, e reviravoltas, que o mundo dá : hoje em dia seria nas chinesas - se lá houvesse eleições...

JSP
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De Costa a 02.06.2020 às 16:34

Sobre a actuação daquele agente policial? Inqualificável. Inqualificável fosse o detido branco, preto, ou o que se quisesse.

Tivesse sido branco, o assunto tê-lo-ia sido muito brevemente. E provavelmente não teria sido notícia a nível internacional. Ou teria tal destaque algures no meio de um noticiário, a hora obscura da madrugada. Seguramente as coisas, se alguma vez se excitassem (coisa altamente improvável), teriam regressado à calma e à civilizada certeza de que o "due process of law" seguiria os seus termos. Isto se alguém, para lá dos próximos da vítima e do agressor, sequer se preocupasse a sério com o caso, depois de se aliviar das considerações da praxe. Pois, afinal, para se preocupar com isso existe a Justiça que todos pagam, que diabo.

A vítima foi um preto. Vale tudo e tudo se justifica, até a pilhagem mais desavergonhada. Destruição e roubo puros e simples e em massa, e afinal porque sim. E sem fim à vista. Porque se é negro e isso, parece, tudo justifica. Gostava de saber se alguns comentadores por aqui (pensei pôr a coisa no singular, mas o simplismo do dogmático ódio anti-americano, a tudo o que "cheirar" a americano, muito mais velho do que o Trump e que por cá estará muito depois dele, não mo permitiu), presumivelmente não Wasps mas em todo o caso brancos, latinos e católicos, ainda que professando o mais beato laicismo, reagiriam com similar atitude se algures no Douro ou no Gerês, por exemplo, alguém, irritado com outro alguém - e admita-se com toda a razão - lhes destruisse o carro, a casa, a loja, o consultório, veterinário ou não. Para se não ir mais longe.

E em absoluta impunidade e massiva solidariedade.

Costa
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De Maria Dulce Fernandes a 02.06.2020 às 17:35

As notícias de abuso de autoridade e violência policial têm um público-alvo e "vendem" bem.
Alguém que faz a outro ser humano o que aquele polícia fez a um homem manietado, é iqualificável. Merece o castigo máximo que lhe possa ser atribuído segundo as leis do estado do Minnesota.

Dito isto, os protestos seriam inevitáveis, mesmo pressupondo que o polícia ( que é uma besta) se o prevaricador algemado fosse branco, amarelo, azul ou vermelho, ou seja, de outro tom de pele que não o castanho teria feito a mesmíssima coisa.
A diferença aqui é que provavelmente os manifestantes seriam de outro calibre, para aí de 44 para cima.

De qualquer modo e como já referi, as pilhagens, os saques e a destruição gratuita de tudo o que não é passivel de roubar obedecem a um forte sentido de oportunismo mascarado de luta anti-racista.
Talvez todo este adubo para ideias leve os americanos a pensar em mudança e em Novembro, daqui a pouco mais de 4 meses.
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De Diogo Moreira a 02.06.2020 às 17:38

Não é equiparável a situação de ser um branco ou um preto. Basta estar atento às notícias dos Estados Unidos, em que polícias matam impunemente pretos - sempre com a justificação de que se sentiram ameaçados, mesmo quando são 4 polícias armados para um preto desarmado. Nos raros casos em que houve alguma penalidade para os polícias, essa foi a perda do emprego na sua esmagadora maioria.

Se a vítima fosse um branco, estariam todos os polícias desta história presos preventivamente.

De resto, não vejo ninguém a apelar à destruição da propriedade alheia aqui nos comentários. Nem seque a justificá-la.
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De Costa a 02.06.2020 às 18:23

Não, não se apela. Mas, tirando autora do post, ninguém sequer murmura uma palavra que a conteste. Como somos todos Homens, seja lá qual for a cor da pele, acho-o, digamos, triste.

Como se sentiria você se visse bens seus desfeitos, porque, num episódio que nada tivesse a ver consigo, outros entrassem numa fúria destruidora? Dava-lhes a outra face, os bens que sobrassem? E já agora uma bebida que os reconfortasse... Não confundamos as coisas: o direito mais do que legítimo a mostrar o repúdio mais do que legítimo perante actuações evidentemente repugnantes, não justifica tudo.

Costa

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De Maria Dulce Fernandes a 02.06.2020 às 19:26

É isso mesmo, Costa.
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De o cunhado do acutilante a 02.06.2020 às 19:44

Olhe, caro Costa:
O que seguramente não justifica, nem por leis humanas nem divinas, isto se hipoteticamente o assunto subir ao céu porque acho que devemos considerar todas as probabilidades; o que não justifica, dizia, é que por uma nota de vinte euros falsa se estrangule um homem até à morte.
O resto brancos, negros, amarelos, vermelhos são tudo homens e pilhagem é comum a todos.
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De Maria Dulce Fernandes a 02.06.2020 às 20:04

Pois não , Cunhado, tem razão. Mas para isso existem as leis e os tribunais.
As manifestações são importantes. Demonstram a vontade popular e podem ter peso em muitas decisões.
Os movimentos de revolta são importantes. Escreveram muitas páginas da história dos US e do mundo.
A destruição, os saques, as pilhagens, as agressões são a antítese de tudo o que os manifestantes pretendem alcançar.
Quando as imagens de violência se tornarem inaceitáveis, as cargas policiais tornar-se-ão aceitáveis num estalar de dedos.
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De Costa a 02.06.2020 às 20:05

Parece que, por aqui pelo menos, uns podem praticá-la com, digamos, bem mais tolerância. A pilhagem, entenda-se.

Quanto à essência da coisa: o que se fez a um homem a pretexto de uma nota falsa (e quando já estava fisicamente dominado), trata-se de uma aberração para lá do que as palavras podem significar. E, diga-me, onde é que eu, do que escrevo, o questiono?

Costa
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De o cunhado do acutilante a 02.06.2020 às 21:06

Costa a 02.06.2020 às 20:05

Não questiona, agora sei porque o diz.
Porque da maneira que o Costa apresentou a interrogação aos leitores do que fariam se vissem as suas propriedades serem vandalizadas e bens roubados, por mim e por entendimento meu, unicamente, presta-se a dúbias interpretações.
No contexto discutido, carga policial violenta e morte de alguém, a interpretação pode, - podia porque o Costa já esclareceu que não é, - podia, portanto, ser a seguinte:
Se fossem vocês os prejudicados se calhar não condenavam tanto a polícia e ainda louvavam quem vos protegeu a propriedade.
Mas estava enganado e interpretei pelo lado pior.
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De Diogo Moreira a 02.06.2020 às 19:45

Sentir-me-ia lixado, com F maiúsculo. E não, não daria a outra face.

Mas veja bem o que eu escrevi. E aponte qual é o minha opinião sobre a vandalização da propriedade alheia.

Mas agora uma pergunta para o Costa: se um larápio lhe desse a escolher entre o Costa entregar todos os seus bens materiais (desde a casa até ao corta-unhas mais insignificante que possui) ou a sua própria vida, o que escolheria?
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De Costa a 02.06.2020 às 20:09

"Mas agora uma pergunta para o Costa: se um larápio lhe desse a escolher entre o Costa entregar todos os seus bens materiais (desde a casa até ao corta-unhas mais insignificante que possui) ou a sua própria vida, o que escolheria?"

Mas isto que escreve vem aqui a propósito do quê? Onde quer chegar?

Falta minha, decerto, mas não alcanço.

Costa
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De Diogo Moreira a 02.06.2020 às 20:46

É uma tangente à história, tal como a sua pergunta que me dirigiu e à qual eu não me coibi de responder. Gostaria que fizesse o mesmo e me honrasse com a sua resposta.
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De Costa a 02.06.2020 às 21:10

Uma tangente à história, diz você. A esta história, suponho, pois que com "h". Curiosa fundamentação, a sua, que nos deixa, quanto a ela, na mesma. Mas seja, respondo-lhe: não sei. Não sei mesmo. Haverá que passar por isso, coisa a que espero ser poupado. Gosto muito pouco de ser humilhado e, sentindo-me assim, tendo a responder à humilhação. Até hoje, felizmente, sem situações desse calibre.

O mais grave foi um "vulgar assalto", ter que entregar o dinheiro para o almoço na cantina, há muitos anos, e mesmo à porta do liceu; em todo o caso nada a ver com o dilema máximo que aqui coloca, não sei se por ociosidade intelectual; nem relógio me levaram, felizmente.

Não me tome, peço-lhe, por fanfarrão ou louco. Não sei mesmo. E espero não vir a saber.

Satisfeito?

Costa
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De Diogo Moreira a 02.06.2020 às 22:10

Ao contrário do Costa, que não sabe escolher entre o materialismo presente na sua vida e a sua própria vida, o comum dos mortais seria rápido a escolher a vida e a deitar no colo do larápio todos as suas possessões físicas.

Ora, o exercício seguinte será para os restantes leitores, que se identificam com a premissa acima - imaginar o que vai na cabeça dum cidadão dum país, que paga os seus impostos e cumpre com os seus deveres cívicos (tanto quanto qualquer um de nós pode) e correr o risco de ser abordado por um polícia que lhe aponta uma arma, porque está numa zona onde aconteceu um qualquer delito, correndo sério risco de vida porque a sua pele tem uma determinada pigmentação.

É esse o mote das manifestações. A cor da pele dá carta branca a uns quanto energúmenos bem armados, os quais são respaldados pelos seus pares e pelos seus superiores quando se excedem na força utilizada. Como estes: https://www.jn.pt/mundo/videos/policias-usam-tasers-e-forca-excessiva-para-retirar-estudantes-universitarios-de-carros-12266963.html

Quanto à propriedade privada, condeno todos aqueles que a não respeitam. E desejo que os verdadeiros manifestantes se demarquem dos delinquentes, porque acredito que são dois grupos de pessoas diferentes.
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De Costa a 02.06.2020 às 23:30

Estando eu tão baixo na sua opinião (ou certeza) que para si falho clamorosamente em algo que seria um rápido - e de desfecho aprioristicamente certo - exercício para o comum dos mortais (o meu caro Diogo Moreira não padece da doença da modéstia, constata-se), fico desde logo por si excluído desse outro exercício que propõe acima.

Seja. Não me alongo então nele, sob pena de ser fulminado pelo brilho e infalíbilidade do seu raciocínio.

Mas isso não me inibe de constatar que você labora reiteradamente num erro; ou então não há sequer erro, mas sim uma deliberada, dolosa, intenção de distorcer o que penso do assunto: em lado algum do que aqui escrevi, nesta já longa troca de opiniões, se encontra minha apologia ou desculpa da acção policial desproporcionada. Menos ainda num caso em que ela se apresenta tão clara e absoluta quanto este. Nem isso, nem a defesa do racismo branco (esse ou qualquer outro): o que escrevo sobre a cobertura pública - e orientação dessa cobertura - quanto a actos praticados - ou vitimando - por brancos ou negros (e outras ditas minorias) é uma evidência que, receio, só a cegueira de uma fé política ideológica, permite negar.

Lamentando que não haja sua reciprocidade, como acima nos revela, acredito eu que o D. Moreira é dotado de uma escorreita capacidade de raciocínio. Como tal, ao apresentar o exercício que apresenta, no contexto em que o faz, temo que não labore num erro.

Resta a outra hipótese.

Costa
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De Anónimo a 03.06.2020 às 00:19

Eu coloquei em cima da sua mesa a oportunidade de escolher entre duas realidades extremas, entre a própria vida e as coisas materiais - dado que, grande parte do seu raciocínio foi a questão da destruição hipotética da propriedade algures no Douro ou no Gerês, numa situação análoga em que alguém não gosta de outro alguém.

O Costa recusou-se a escolher, esperando que nunca tal se verifique na sua vida. Ora, fechando aqui a tangente, um negro nos Estados Unidos nem sequer tem a possibilidade de escolha quando é abordado por um polícia (não na maioria dos polícias, mas para um suficiente número deles para se tornar "normal"). Primeiro, é considerado culpado; segundo, é considerado suficientemente ameaçador, a ponto de colocar a vida do polícia em perigo. Basta ler as inúmeras notícias de jornais americanos sobre o assunto.

Quanto ao que pensa sobre o que eu penso do que o Costa pensa, é algo que não é minimamente relevante para este assunto.
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De Costa a 03.06.2020 às 02:03

Continuamos no mesmo: das suas palavras parece decorrer que eu aplaudo os métodos inaceitáveis que você refere serem aqueles que boa parte da polícia norte-americana adopta para com os negros. E que firmo nisso o conteúdo do que aqui já comentei. Repito o meu pedido: onde, das minhas palavras, se pode legitimamente retirar tal conclusão?

Quanto à "tangente da história", tive apenas a honestidade de lhe responder com franqueza: não sei como faria. Talvez mantendo a calma, a frieza, fizesse aquilo que você tomará como a única atitude correcta, cedendo em toda a linha e em nome da preservação da minha vida; talvez, levado pelo orgulho, os nervos, o contexto, o que você quiser, opusesse resistência. O que, cumpre antever, com a minha "fraca figura" e a posição de desvantagem física e psicológica em que muito provavelmente estaria, certamente resultaria na minha perdição. Não sei como faria e não me acho nem diminuído, nem superior (lamento) com isso. Apenas humano.

Mas a minha escolha em tal hipótese puramente abstracta, por si colocada (e mal colocada, largamente ociosa e diletante - e pomposa desde logo no nome -, pois que errada no pretexto para a sua invocação: a possibilidade dos negros norte-americanos escolherem ou não a sua atitude quando abordados pela polícia; assunto que eu nunca suscitei ou comentei), em nada releva no que sempre visei abordar nos meus comentários aqui: a (i)legitimidade da destruição de bens - e já vidas, também, parece - de terceiros que nada tenham a ver com os factos que terão dado origem a essa decisão de destruir. Legitimidade em si mesma, em abstracto, e mais ainda quando mantida longamente depois da prática desses factos. Denunciando um planeamento, uma maturada vontade de destruir, de pilhar, perante o qual já nenhuma indignação ainda dominada pela emoção pode ser invocada sequer como atenuante.

E obviamente, reportando-me a ressalva sua em anterior comentário, não discuto o direito mais que legítimo de protestar, e bem!, num caso como este. Protestar é uma coisa, destruir a eito e roubar são outras.

Quanto ao resto, pareceu-lhe suficientemente importante colocar-me um enigmático, descontextualizado, cenário, para com base na minha resposta presumir uma minha posição sobre concreto assunto e fundamentar uma sua crítica (e uma desconsideração da minha dignidade, doravante, como interveniente no que se debatia). Uma crítica ao que eu presumidamente pensaria sobre algo que afinal nunca aqui suscitei ou contestei. É disparar toda a artilharia sobre um alvo inexistente. E bem vê, é mesmo "minimamente relevante para este assunto".

Tudo visto, não se preocupe, se acaso o queria fazer, em me dar a resposta que acima lhe peço. Nada de útil na verdade acrescentaria ao debate do tema do "post"; e você e eu manifestamente não estamos a discutir a mesma coisa. Corremos o risco de abusar da paciência da anfitriã. Melhor ficar por aqui

Costa
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De Diogo Moreira a 03.06.2020 às 12:26

Conte o número de palavras que empregou no seu primeiro comentário quanto aos dois pontos:
1- morte de um cidadão
2- destruição de propriedade privada.

Não faço juizos de valor acerca do Costa, nem sequer da Maria Dulce. Apenas ressalvo a importância presente nas palavras escolhidas por cada um. Se vir a linha de comentários acima desta, verificará que também não discordo de si, como não discordei da Maria Dulce, mas contesto a importância que se dá (em número de palavras escritas; ou foco da questão) a cada um dos casos.
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De Costa a 03.06.2020 às 12:48

Bom, então cá estou de novo. Também você a contar as palavras que escrevo... Na verdade, o outro contador dedicava-se ao número de linhas dos meis comentários. Meras apreciações quantitativas, então.

Mas fará o favor de, a ir por esse critério (ou outro, entenda-se), me conceder o direito a escolher o aspecto, de um dado facto, que eu entenda como tema do que comente. Não o tenho que submeter ao seu crivo prévio, mas apenas ao do autor do "post", cujo direito de não publicar o que eu escreva é sempre soberano. Não me parece que o Diogo tenha legitimidade como polícia de costumes, director espiritual ou o seja. Muito que, parece, fosse sua ambição ter poderes de autoridade nessa matéria. São gostos e visões da sociedade, enfim.

Sendo que o facto de eu ter comentado sobretudo a questão da propriedade privada destruída ou pilhada (e já haverá vidas perdidas, além da vítima daquela concreta actuação policial; suponho que lhe mereçam a atenção de danos colaterais ou mortes justificadas), conforme o seu rigor de inventário demonstra em tom de paternal e de paciente admoestação, em nada - em nada! - o autoriza a presumir o que seja de pejorativo quanto ao respeito e pesar que essa morte me mereça. Outros e você, abundantemente rasgaram as vestes por ela - e dentro do bom senso, que nem sempre imperou por aqui - muito bem.

Eu ousei invocar os outros que, nada de tendo a ver com o caso, foram também dele vítimas. Isso e invocar o descarado aproveitamento político (e material) a que uma morte injustificável deu desenfreado pretexto. Deus, o que eu fui fazer...

Costa
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De Anónimo a 02.06.2020 às 21:24

E se o larápio apenas quisese apenas sexo com o Costa a troco de todos os bens materiais incluindo o cortar-unhas do próprio Costa. O que escolheria ?
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De Costa a 02.06.2020 às 22:16

"E se o larápio apenas quisese apenas sexo com o Costa a troco de todos os bens materiais incluindo o cortar-unhas do próprio Costa. O que escolheria ?"

Se escreve isso como hipótese plausível, recusaria. E se a simples desigualdade de forças me levasse vencido, lutaria dentro da lei e até ao limite das minhas capacidades para levar o autor às consequências apropriadas. Sendo que há coisas que sentença alguma repõe, ainda que a investigação policial e a justiça (e em bem remota hipótese, é de temer) operassem atempadamente.

Se o escreve por brincadeira de mau gosto, própria de um anónimo, considere-se enviado a certa parte. O tema em discussão aqui nada tem cómico ou propício a graçolas. Escolha outro local, pois decerto abundarão. Mas já agora devolvo-lhe a pergunta.

Mantenhamos a discussão, sugiro, e apesar de assaz viva, dentro dos limites da elementar decência.

Costa
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De Anónimo a 02.06.2020 às 23:11

Es um padreco
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De Costa a 02.06.2020 às 23:33

Não sou não. Calcula tu que eu o poderia ser se o quisesse. E tu, o que és, além de cobardolas?
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De Costa a 02.06.2020 às 23:39

"Calcula tu que eu o poderia ser se o quisesse". Desculpa lá, ó anónimo, faltou ali um "nem". Nem o poderia ser se o quisesse.

Costa
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De Anónimo a 03.06.2020 às 14:19

Com o arrufo que estás aí com o teu namorado deves ser um baitolas.
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De Costa a 03.06.2020 às 16:15

O teu estilo não é estranho. Parece-me que não és sempre anónimo por aqui.

Costa
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De Vorph "Girevoy" Valknut a 02.06.2020 às 19:56

https://youtu.be/YgGTrO0xc8U

https://youtu.be/OIqx3YIHntc

https://youtu.be/DliUnTGJ9UA

Só em cabeças desligadas se pode imaginar manifestações políticas e sociais ordeiras.

Ridículo.

Quanto à propriedade presumo que o seguro pague. O sistema norte americano é baseado na exploração dos mais vulneráveis, que acabam por ser sempre os mesmos. Que pena tenho eu da Apple, Burberys ou da Louis Vuitton.

Numa de adivinhação, os pequenos lojistas estavam também eles nas manif.

Não, Costa. Gostava que calçássemos um par de luvas e treinassemos uns jabs e uns hamerfist. Sou um tipo civilizado.
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De Costa a 02.06.2020 às 20:40

"Quanto à propriedade presumo que o seguro pague."

Presumes mal, Vorph (deve-se usar de muita cautela nas presunções). Quando tiveres tempo dá uma olhada nas tuas apólices de seguro: casa, carro, etc. É bem possível - a menos que te tenhas disposto a pagar um prémio agravado (e que a seguradora vá nisso, com ou sem agravamento) que as exclusões de cobertura prevejam actos como aqueles que tanto parecem agora enlevar-te. É que as companhias de seguro, mesmo com designações muito "emocionais", são frios e objectivos negócios: não se paga um cêntimo a menos que tenha mesmo que ser. É assim, é a vida.

Além de que o seguro não te repõe o bem perdido, como talvez saibas. Indemniza-te na melhor hipótese pelo valor de mercado do bem, à altura do sinistro (e não és tu, lamento informar-te, quem o determina). Por outro lado Vorph, uma coisa é aceitar o risco de perder um bem por causa acidental, risco que conscientemente se assume; outra perder o bem por acção premeditada, dolosa, criminosa, de terceiros.

Como reagirias se de repente uma turba em fúria te desfizesse o consultório? Quem sabe se com animais indefesos lá internados. Vinhas aplaudir sobre os escombros, era? Não tens um pingo de bom-senso?

Isso das luvas de que falas é boxe, não é? Nunca percebi o fascínio de dois homens a esmurrarem-se até à inconsciência. Tu pareces gostar. É contigo. Mas tu, Vorph, tão visceralmente anti-americano e a sugerir boxe... Com nomes técnicos e tudo.

Costa
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De Costa a 02.06.2020 às 22:49

Ui, coisa de bifes, então! Esses europeus renegados, lacaios dos americanos. Mas fico esclarecido e agradeço-o.

Em todo o caso, exaltadíssima no cinema americano.

O resto, delicado vernáculo, que escreveste acima, como noutros locais e em resposta a comentários meus, define-te. Suponho que te deixa orgulhoso. É contigo.

Costa
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De Vorph "Girevoy" Valknut a 02.06.2020 às 22:20

O boxe é das modalidades desportivas mais antigas. Desde os jogos de Olimpo. Requer destreza, inteligência, e uma boa preparação física.
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De Vorph "Girevoy" Valknut a 02.06.2020 às 20:05

Mas agora uma pergunta para o Costa: se um larápio lhe desse a escolher entre o Costa entregar todos os seus bens materiais (desde a casa até ao corta-unhas mais insignificante que possui) em nome da vida de Outro, o que escolheria?
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De Costa a 02.06.2020 às 20:46

Plagiador. É o que resta?

Costa
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De Vorph "Girevoy" Valknut a 02.06.2020 às 17:59



Se fosse branco ninguém ligava? E sabes isso como? Lês bolas chinesas?

É inqualificável, dizes tu, a actuação da polícia, mas a tua indignação cabe em 2 linhas. As restantes 40 são uma apologia, uma desculpabilização, por via de um relativismo cretino contido num "se fosse branco" ....

Adenda :

O meu primeiro esboço era bem pior que este, mas por respeito à autora do texto e porque o queria /desejava publicado, tive que o elevar.




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De Costa a 02.06.2020 às 19:52

Ó Vorph, tu desculpa lá, foi minha distracção. Ainda não tinha respondido a esta tua eructação. Bem vês, quanto à magna questão que aqui suscitas, basta o dia-a-dia: estar atento ao que se passa à nossa volta, sem palas nos olhos ou dogmas ideológicos.

Pode custar, mas querendo mesmo a coisa faz-se. O resto é aritmética tua (quando a substância é com honestidade - uma dispensável maçada, bem sei - inatacável, ataca-se a forma; nada de novo) e, parece, um teu tremendo esforço para não te derramares na tua usual vulgaridade - e uso de eufemismo - de expressão. Mas já se sabe, instrução e educação não são sinónimos.

Já agora e a propósito do que escreves mais abaixo, vai ao noticiário de hoje, das 19:00, da SIC Notícias (absolutamente insuspeita de reaccionária incorrecção política, concederás) e escuta as palavras do irmão da vítima.

Costa
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De Vorph "Girevoy" Valknut a 02.06.2020 às 22:17

A minha vulgaridade reservo-a para filhos de puta como tu
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De Maria Dulce Fernandes a 02.06.2020 às 22:48

Quando comecei a escrever no Delito, decidi, em nome do meu conceito de liberdade, que nunca iria deixar um comentário por aprovar.
Não sei nem me interessa saber quais os seus diferendos com os outros comentadores. Respeito. Não bloqueio. Mas não gosto de o ver aqui, neste patamar, Pedro. Agradeço que modere o vernáculo.
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De Anónimo a 02.06.2020 às 23:07

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De José a 03.06.2020 às 19:32

"Agradeço que modere o vernáculo." Eu quero aplaudir. Apoiado, apoiado!!
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De Costa a 02.06.2020 às 22:51

E quanto à substância da coisa, nada.

Evidentemente.

Costa
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De Costa a 02.06.2020 às 18:28

Gostavas, gostavas, meu Werwolf frustrado. Mandasses tu e eu morria. Devagar e com muita dor, evidentemente. E a minha família acabava na miséria e em campos de extermínio. Lento, claro. E com dor. Muita.

Isto de outros pensarem de forma diferente é coisa que não se admite.

Costa
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De Vorph "Girevoy" Valknut a 02.06.2020 às 18:05

Olha quando é que botas aqui a tua tromba?
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De Costa a 02.06.2020 às 18:45

Falta-me literacia informática, como agora se diz, não o sei fazer... Mas escreve tu "Costa" numa folha A4, fixa-a numa parede e acerta-lhe com uns dardos. Em todo o caso sugiro que o faças antes de te deliciares com os teus tintos. É que de outra forma ainda arruínas a parede. E magoas alguém.

O resto, Vorph, é liberdade de opinião. E essa estúpida (para ti; sem dúvida membro de uma raça que se acha superior e que não hesita em berrar "cadafalso" com preocupante facilidade) mania de que o mal que me façam não me legitima sem mais a agredir terceiros. Muito menos em infindas loucuras de destruição que só podem ser fria e deliberadamente preparadas.

Costa
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De Vorph "Girevoy" Valknut a 02.06.2020 às 18:29

Quando a repressão, a dualidade de tratamento, a injustiça, clamorosa, é duradoura, é natural que explosões de raiva surjam de pavios muito curtos. Raras são as manifestações, deste género, que não acabem em excessos. Mas pronto, o postal, sem culpa da autora, teve o efeito perverso, imoral, de lançar o foco numa margem (pilhagem) que não constitui o fulcro das manifestações. (aposto que mais comentários, desta espécie, virão em que serão duas as linhas de indignação, quanto ao brutal assassinato, e 50 dedicadas a uma minorização desavergonhada, recorrendo a um "se fosse branco")

Movimentos, protestos, de ordem política e social , aqui e em todo o lado, provocaram/provocam sempre excessos e destruição de propriedade. É o que sucede quando as mudanças políticas tardam em fazer - se sentir, as urnas parecem furadas, e as forças políticas bacorejam indiferença. A massa humana sai à rua e para ser ouvida, ser tomada a sério grita, não fala, sendo conduzida pela raiva da indignação e não tomada por bons gestos ou palavras mansas.

"Protestem, mostrem a vossa indignação, mas com jeitinho" . Ridículo
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De Anónimo a 03.06.2020 às 11:21

Vorph és um mentiroso descarado montado nas tuas classes marxistas de onde és incapaz de saíres.

"a repressão, a dualidade de tratamento, a injustiça, clamorosa, é duradoura"

Na tua classe marxista dos afro-americanos de onde vem a maior injustiça, dualidade de tratamento ?

Quem comete mais violência sobre os afro americanos, quem comete mais injustiça.

Vou te dar uma classe de vítimas de que não falas nem queres falares: idosos afro americanos. Estás a ver aquela palavra : idosos, velhos.

Já não são uma classe que interessa. Não aparecem nas series de TV , no cinema , nos jornais.

Nada


lucklucky
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De Vorph "Girevoy" Valknut a 02.06.2020 às 22:15

Meu caro, se fosse alvo de um repetido destratamento, se visse, se sentisse pertencer a uma comunidade discriminada, abusada, vilipendiada, tenha a certeza que participaria nas manifestações. E destruiria todos os símbolos representativos de um sistema abusador, racista, explorador como o norte americano.

Adenda :

Quando falo em sistema norte americano refiro-me ao sistema político e não há população/sociedade civil americana de uma forma geral.

Não me admira que por aqui medrem muitos simpatizantes do Chega.
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De Costa a 02.06.2020 às 23:02

Deduzo que o caro sou eu (apenas porque fui alertado por e-mail para a resposta, como o sendo em relação ao meu comentário das 16:34). "Caro" agora, "filho da puta" ou "roto" , pouco antes (ou depois, não fui ver a hora em que assim fui mimoseado).

Dá uma ideia da tua estabilidade emocional, meu caro (entretanto passaste a tratar-me por tu). E não me ocupo sequer da educação.

Acalma-te, homem.

Costa

Ps: é verdade, fico a saber que os bens de um qualquer pacato cidadão são "símbolos representativos de um sistema abusador, racista, explorador como o norte americano." Em que madrassa estudaste (aluno exemplar foste sem dúvida!)?

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