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Ter ou não ter filhos

por Teresa Ribeiro, em 13.11.19

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Verifico que anda por aí muita gente indignada com os jovens, por não quererem ter filhos. Acusam-nos de egoísmo, como se a decisão de procriar fosse um acto cívico e não algo de profundamente pessoal. Quando se atribui a nossa preocupante baixa natalidade à falta de condições de vida, logo se levantam vozes indignadas a clamar que antigamente as pessoas viviam muito pior e tinham mais filhos.

É verdade. Antigamente as grandes proles encontravam-se, sobretudo, nos dois extremos da sociedade, ou entre os ricos, ou em meios muito pobres. Mas neste último caso a vinda de cada filho ao mundo era encarada de uma forma bem diferente da que temos hoje como lógica e natural. Já contei aqui esta história, mas por ser verdadeira, vale a pena recordar: nos anos 40, a minha mãe, então pouco mais do que uma criança, ouviu chocada um camponês confessar que preferia que lhe morresse um filho, do que uma vaca, "porque os filhos arranjam-se de borla, enquanto que as vacas custam muito dinheiro".

É deste portugalinho miserável que os críticos da juventude de agora têm saudades? Sim, antigamente o povinho multiplicava-se bastante, mas não era porque estivesse preocupado em contribuir activamente para a sustentabilidade da segurança social. Tinha muitos filhos porque não os planeava e não os planeava por ignorância, por inércia e porque não tinha perspectivas nem a ambição  de conquistar uma vida melhor para si e para os seus. O que tem isto a ver com generosidade?

Curiosamente, muitos dos que culpam os jovens pela baixa taxa de natalidade são os mesmos que desprezam os "chorões" que se queixam da vida. Os fãs do modelo de sociedade liberal que entretanto se instituiu continuam a subescrever o discurso passista "se não estão bem, mudem de país" (esquecendo que, nesse caso, os filhos que possam ter, vão nascer no estrangeiro). Recordo que um dos seus postulados é, como proclamava Thatcher, "there´s no such thing as society, there are individuals". Quem acredita nisto não tem sequer moral para acusar seja quem for de egoísmo.

Se os nossos jovens tendem a cuidar dos seus interesses imediatos, até porque na sua esmagadora maioria não têm rendimentos suficientes para fazer planos a longo prazo, estão apenas a ser sensatos. Escolher não ter filhos, quando não recebem o suficiente para sair de casa dos pais, mais do que sensato é uma opção responsável.

Querem mais gente a nascer? Dêem condições a estes miúdos. É que hoje, felizmente, as pessoas já não procriam como bichos, pois cada filho que decidem ter é valorizado, como qualquer ser humano merece.

 


67 comentários

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De Luís Lavoura a 12.11.2019 às 15:58

Não se trata, sequer, de "interesses imediatos", como a Teresa refere neste post. Trata-se também de interesses a longo prazo.
Numa sociedade pobre, os filhos são, a longo prazo, valiosos para os seus pais: aumentam a força de trabalho e, portanto, o dinheiro ganho pela família. Numa sociedade pobre, uma criança trabalha entre os 6 anos de idade e os 20 anos de idade para a sua família.
Numa sociedade rica, a longo prazo os filhos só fazem os seus pais perderem dinheiro. Numa sociedade rica, as crianças e jovens permanecem em casa dos pais sem trabalhar até aos 25 anos de idade, com os pais a pagar-lhes a existência.
É por isso que, quem quer que saiba fazer contas, não tem filhos numa sociedade rica, mas tem-nos numa pobre.
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De Teresa Ribeiro a 13.11.2019 às 10:56

A nossa sociedade não é propriamente rica, embora siga os padrões das sociedades ricas. E, nesse sentido, tem toda a razão.
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De Luís Lavoura a 13.11.2019 às 11:29

(É claro que os portugueses não se consideram ricos, mas o facto é que Portugal é para aí o 25% país mais rico do mundo.)
O que interessa são os padrões. Numa sociedade pobre o trabalho infantil é permitido (enfim, pelo menos a partir dos 12 anos); em Portugal é proibido trabalhar antes dos 18 anos de idade. Numa sociedade pobre não é obrigatório ir à escola, o que poupa aos pais uma data de despesa; em Portugal é obrigatório ir à escola até ao 12º, o que dá despesa.
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De Anónimo a 15.11.2019 às 15:37

Há muito tempo que não lia uma tão boa resposta acerca deste tema. Obrigada!
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De Luís Lavoura a 12.11.2019 às 16:55

Quando eu era novo, o meu pai fez umas obras numa casa de campo que possuía. Nessas obras trabalharam, conjuntamente com adultos, dois miúdos de 12 anos, que eram trabalhadores da empresa de construção civil. Carregavam baldes de cimento, etc. O dinheiro que esses miúdos ganhavam ia, evidentemente, para o bolso dos pais. Esses miúdos ganhavam mais dinheiro do que aquilo que os seus pais gastavam a alimentá-los. Eles eram, pois, um ganha-pão para as suas famílias.

Eu hoje tenho dois filhos, de 15 e 19 anos, que nunca, jamais, ganharam um tostão que fosse para a minha família. Eu tenho que lhes pagar aquilo que eles comem e vestem, e eles não me dão absolutamente dinheiro nenhum em troca. Só me fazem perder dinheiro e, presumivelmente, ainda continuarão a fazê-lo por muitos e bons anos.

É evidente que, no puro interesse material, a curto, médio e longo prazo, é completamente irracional e contra-producente ter filhos hoje em dia. Pelo contrário, numa sociedade pobre os filhos custam dinheiro a curto prazo (na primeira meia dúzia de anos), mas a médio e longo prazo são financeiramente bastante rentáveis.
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De Anónimo a 12.11.2019 às 17:17

Realmente o ter muitos filhos ou era uma alegria ou uma desgraça, conforme o pão que havia.
Lembramo-nos, e não foi há muito tempo, ter muitos filhos seria um problema. O mundo não aguentaria tanta gente. Na China começou com a campanha de filho único, de preferência um rapaz. No Japão também se fez o mesmo, agora com a agravante mania dos jovens não quererem acasalar e os velhos morrerem pra lá dos 100 anos.
Evidentemente, criar dois/três filhos nas cidades ou arredores com casas de duas/três assoalhadas não é a mesma coisa que numa casa de terreola de província. E, em anos atrasados com os homens a irem prá tropa/guerra, as mulheres começarem a trabalhar fora de casa complicou a vontade de ter vários filhos.
Com certeza que antigamente as casas pobres da província e incluindo as dos bairros pobres lisboetas também eram muito pequenas para haver muitos filhos, mas normalmente os filhos conforme iam casando saiam de casa dos pais.
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De Teresa Ribeiro a 13.11.2019 às 10:57

Tudo verdade!
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De Anónimo a 12.11.2019 às 17:22

"Ter ou não ter filhos"
Não vejo porque não querer ter filhos obriga ou legítima a permanência em casa dos Pais.
"Dêem condições a estes miúdos" Onde estão... onde estão? Os ditos miúdos vivem e bem à "pala" sem compromissos efectivos, chamar a isto. "sensato é uma opção responsável."
Vou rezar pelos miúdos sempre que os encontrar em festivais e afins.

Maria Helena






Se os nossos jovens tendem a cuidar dos seus interesses imediatos, até porque na sua esmagadora maioria não têm rendimentos suficientes para fazer planos a longo prazo, estão apenas a ser sensatos. Escolher não ter filhos, quando não recebem o suficiente para sair de casa dos pais, mais do que sensato é uma opção responsável.

Querem mais gente a nascer? Dêem condições a estes miúdos. É que hoje, felizmente, as pessoas já não procriam como bichos, pois cada filho que decidem ter é valorizado, como qualquer ser humano merece.


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De Teresa Ribeiro a 13.11.2019 às 11:03

Claro que não querer ter filhos nem obriga, nem legitima a permanência em casa dos pais. Onde é que leu estas afirmações no texto?
Cada qual é livre de tirar as ilações que entender deste post, mas convém impor limites à distorção, sob pena de se começar uma conversa de surdos.
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De Anonimus a 12.11.2019 às 17:54

Faziam-se (salvo seja) filhos entre os mais pobres porque
a) a mortalidade era elevada
b) eram uma força de trabalho

Os putos não davam despesa, não tinham de ir à escola, podiam andar rotos e cagados que ninguém ligava.

Hoje:
Acho graça ao desígnio nacional de fazer filhos. Como se o pai da família numerosa fosse mais cidadão que alguém que tem filho único. E como se não ter filhos não fosse uma opção de vida legítima.
Não venham com "e a natalidade", eu também não Condeno um tipo que gasta 2 salários para ir à Dominicana, quando podia ajudar à economia nacional.
Querem mais filhos? Comecem por reduzir a carga laboral. Ainda hoje foi conversa ao almoço. Trabalho, 8+1 horas, mais 2 de transporte. Ter filho para quê, para o ver ao jantar e pôr na cama? Faça-os o Costa, a bem da Nação.
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De Anónimo a 12.11.2019 às 18:23

Aqui não se trata do Costa, quero lá saber do Costa.
E ai dela que comece a dar sinais de grávida no seu emprego, lá se vai o lucro do patrão, que até pode contratar outra com um contrato a termo para a substituir. Calhando logo na admissão é sugerido 'nada de gravidez', ou quer trabalhar ou ter filhos.
E a grande chatice patronal é nascerem cada vez mais mulheres que homens. Vá que com a automatização fabril veio tirar esse 'peso' de preços mais competitivos por causa da assiduidade feminina de apoio aos filhos, senão era uma desgraça para a nossa economia.
(estou a caricaturar)
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De Manuel Pereira a 13.11.2019 às 19:47

Nem governar sabe ... só f* de os portugueses !
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De Anonimus a 12.11.2019 às 18:15

Suprema ironia

Dia de greve. Quem tem criançada, tira o dia de folga para ficar com os rebentos.
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De João Silva a 12.11.2019 às 18:18

Penso o seguinte. Se todos (ou, pelo menos, muitos) de reproduzissem assim (ou mesmo que fosse a um ritmo inferior) em breve seríamos sobre a Terra 20 biliões, 30, ...., 100 b biliões, etc. O crescimento é exponencial. O planeta Terra aguentaria? Ou teríamos de renunciar a tudo e não só à carne de vaca? E teríamos de renunciar aos carros a gasóleo em favor dos eléctricos (mas sem baterias de lítio)?
Creio que a fonte última de todos os problemas ambientais é o excesso de população.
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De Teresa Ribeiro a 13.11.2019 às 11:07

Isso é uma outra conversa.
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De João Silva a 13.11.2019 às 12:58

"Isso é uma outra conversa." É verdade, mas muito importante. Na Europa, em especial em Portugal, há quem clame constantemente pelo aumento da natalidade. Se os casais seguissem o conselho, seria uma desgraça inimaginável.
Repito, a origem de todos os problemas ambientais é o excesso de população.
A solução não consiste em construir carros eléctricos que, seguindo as pretensões dos ambientalistas, não teriam baterias nem lítio. E já imaginou que se houvesse milhões de carros eléctricos, haveria toneladas de baterias velhas para deitar onde?
Só há uma solução: voltar aos três biliões e picos de habitantes. E se não o fizermos por métodos decentes, acontecerá através de guerras, epidemias, fomes, catástrofes, etc.
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De Anónimo a 15.11.2019 às 13:55

Este comentário mostra a falta de conhecimento extrema sobre o assunto. Sim, é verdade que existe pessoas a mais na Terra, mas isso é porque os países subdesenvolvidos têm um crescimento exponencial muito elevado. Um país como portugal neste momento tem a sua pirâmide populacional invertida, e todos nós vamos ter consequência a longo prazo.

Apelar para que as pessoas não tenham filhos por causa do ambiente é só ridículo, têm é que se tomar medidas urgentes para que os países mais poluentes e com maior taxa de natalidade (exemplo Índia) alterem a sua mentalidade. Agora envelhecer ainda mais certos países com a desculpa do ambiente é estúpido.
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De Anónimo a 16.11.2019 às 09:49

Vá, desembacie lá os óculos que lhe estão a toldar a visão.
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De Anónimo a 12.11.2019 às 18:58

Deu uma bicadazinha a Passos. Eu ouvi as declarações e não mandou emigrar.

O nosso 1º Costa falhou duplamente, nem com a oferta de dinheiro os emigrantes retornaram. E antes pelo contrário, emigraram mais.
Costa pode haver centenas de mortes que a coisa corre. Quanto maior as falhas maior o perdão.
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De Teresa Ribeiro a 13.11.2019 às 11:12

O Passos não foi explícito, mas todos inferiram o mesmo das suas palavras, daí o seu impacto mediático.
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De Paulo Sousa a 12.11.2019 às 19:24

Um dos problemas de ter muitos ou mais filhos prende-se com as expectativas que os adultos, mais ou menos jovens, têm para a sua vida.
Nos tempos das altas natalidades o que é que se esperava da vida? Que ambições eram razoáveis? Trocar de carro e redecorar a casa de três em três anos? Trocar de telemóvel de dois em dois? Trocar de guarda-roupa em cada estação?
Nada disso.
E o que era razoável dar aos filhos nesses tempos? Roupa de marca para mostrar na escola? Telemóveis que não servem para telefonar? Frequentar festivais verão?
Nada disso também.
Ter filhos e criá-los é mais ou menos difícil, mais uma vez, de acordo com as expectativas que se tenham em relação aos bens com que eles tenham de estar rodeados, e aos bens e tempo livre que se exige para si próprio.
E como é que se pode então alterar as expectativas de modo a resolver a falta de natalidade? Essa é que será a questão de um milhão de dólares.
É um facto existir um excesso de natalidade em certas zonas do globo enquanto noutras há carência de nascimentos, mas ninguém está preparado para uma transferência directa destas pessoas. É um facto que as migrações estão ligadas a este desequilíbrio e isso será um fator de grande no futuro não muito longínquo.
Acho demasiado simplista clamar por melhores condições ao estado. Em primeiro lugar porque todas as medidas que lançam não resolvem a questão de fundo das expectativas dos potenciais pais, e em segundo lugar porque acabam por desperdiçar o nosso dinheiro em soluções “milagrosas” que nada resolvem.
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De Teresa Ribeiro a 13.11.2019 às 11:23

Sei bem que é difícil ou mesmo impossível descobrir uma fórmula que encoraje os jovens a ter filhos a curto prazo. Não é, certamente, com cheques-bebé que se resolvem as coisas. Quando escrevo "Dêem-lhes condições", nem sequer me estou a referir ao Estado, mas aos que os criticam, certamente muitos deles empregadores. A cultura de baixos salários que se instituiu no meio empresarial depois da crise é, a meu ver, a principal responsável por este estado de coisas. Nunca o dinheiro foi tão mal distribuído. A desigualdade de rendimentos persiste e é chocante. É isto que tem de mudar. Não é fácil, mas é possível. O governo está a fazer a sua parte, pressionando os empresários a alterar estas práticas através de penalização fiscal para as empresas em que a desigualdade salarial é mais acentuada.
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De Paulo Sousa a 13.11.2019 às 22:12

A questão financeira minimiza-se à medida inversa do crescimento económico. Só sendo capazes de atrair mais investimento poderemos almejar em aumentar o bolo. A distribuição equilibrada desse bolo é importante, claro, mas a jusante do crescimento económico. Quando maior o enfoque do país na redistribuição por via fiscal menor a nossa capacidade de crescer.
Nestas coisas e em tudo na vida o segredo passa por definir pontos de equilíbrio. No espaço público ouvimos demasiadas vozes que negam os pontos de equilíbrio e apenas aceitam cenários de derrota total de quem não os apoia. Eu defendo um ponto de equilíbrio com mais capacidade de crescimento, com mais capacidade de investimento e para isso seria importante termos menos regulação, menos impostos e menos estado. Quem quiser distorcer esta afirmação dirá que defendo o liberalismo selvagem, sem estado e sem humanismo, o que não é de todo verdade.
A outra questão das expectativas continua ser o ponto chave. Existe uma grande pressão/devoção por fazer férias em sítios paradisíacos, por ter um perímetro abdominal absolutamente fit, além de outros imensos apelos hedonistas que não deixam nenhum tempo para se dedicar a um filho com febre ou diarreia. Criar filhos é exigente e se for encarado com uma responsabilidade equilibrada pouco tempo sobrará para exibir o 'sucesso' no instangram. Tudo isto é uma questão cultural que não se resolvem com cheques-bébé.
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De Tiro ao Alvo a 14.11.2019 às 08:46

Temo que o João Sousa não esteja a ser entendido. Algumas pessoas habituaram-se a viver por conta dos rendimentos futuros, e até acham que esse é um direito que lhes assiste. Alguns até nem querem saber das dívidas que contraem, muito menos das dívidas do Estado. Neste capítulo, muitos estão-se nas tintas para as gerações vindouras, que vão ser quem tem que pagar a factura. Oxalá não surja por aí uma crise que faça esse tempo chegar num instante.
Vivemos na época do a mim a mim e os outros que se lixem.
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De Teresa Ribeiro a 14.11.2019 às 17:40

É comum ouvir o argumento de que os rendimentos só podem subir se houver mais produtividade e investimento, mas estou convicta de que esse é fundamentalmente um alibi usado por quem não quer encarar uma realidade bem mais mesquinha: a de que a crise veio criar uma oportunidade para lançar os alicerces de um sistema económico baseado em baixos salários e que mesmo com crescimento económico e redução do desemprego não há sinais que revelem estarmos a caminhar para uma situação mais equilibrada.
A carga fiscal é outro argumento chamado a justificar os baixos salários, mas que não explica a crescente assimetria dos mesmos.
O liberalismo que defende só tem aumentado a desigualdade.
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De Paulo Sousa a 14.11.2019 às 20:54

Qual liberalismo? Somos governados por socialistas quase ininterruptamente há mais de 20 anos.
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De Teresa Ribeiro a 15.11.2019 às 12:45

O nome do partido que nos governa pode ser socialista, mas o sistema que vigora em toda a UE é de capitalismo liberal.
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De Anónimo a 12.11.2019 às 19:58

A típica táctica do jornalismo que eu li durante décadas, uma das razões para deixar de ler jornais, dá-se um único exemplo - "porque os filhos arranjam-se de borla, enquanto que as vacas custam muito dinheiro" - como se fosse o retrato fidedigno da sociedade.

O corolário do que a autora está a dizer é que os país no passado não amavam ou gostavam do filhos.

Depois mistura a comparação com as condições do passado como se uma comparação com o passado implicasse o desejo de lá regressar.
Como se fosse proibido indicar situações positivas no passado.

Segundo as justificação hoje para o aborto nem Mozart, nem Vivaldi nem Miguel Angelo ou Bernini teriam nascido.
Não "teriam condições" diria a autora.
Não seriam "valorizados".
Hoje diria-se ser um "crime" uma criança nascer naquelas condições...

"Dêem condições a estes miúdos."
Condições?! nunca a vida foi melhor ao cimo do planeta terra do que hoje.

lucklucky
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De Anónimo a 12.11.2019 às 21:47

" para deixar de ler jornais," Deixou de ler jornais e nota-se bem.
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De V. a 12.11.2019 às 22:02

Nota-se mesmo: está lúcido.
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De Joca a 13.11.2019 às 00:26

"está lúcido." Boa piada.
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De Anónimo a 13.11.2019 às 02:58

Epá. Dir-se-ia. Porra...

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De Joca a 13.11.2019 às 09:54

"Epá. Dir-se-ia. Porra..." Ele não lê jornais. Nem livros.
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De Tiro ao Alvo a 13.11.2019 às 08:52

Eu também penso que a Tereza hoje acordou mal-disposta e simplificou as coisas em demasia. Um casal não querer ter filhos, podendo tê-los, é uma aberração. Temos que um casal assim não possa ser feliz.
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De Anonimus a 13.11.2019 às 12:52

O que é "poder tê-los"?
Ter capacidade financeira? Um T3? Um carro de 5 lugares?
Eu "posso" ter um filho, mas depois não tenho tempo para estar com ele. Largo-o na escola para que esta o eduque. Deixo de investir na carreira. Ok, corro o risco de perder as tais "condições".
Também há aqueles que podem, mas não deviam poder. Porque são pessoas egoístas. Essas pessoas não têm nada de ter filhos.
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De Teresa Ribeiro a 15.11.2019 às 12:47

Muitos não o serão. A falta de condições financeiras para fundar, de forma responsável, a família que se deseja, é certamente fonte de infelicidade.
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De Teresa Ribeiro a 13.11.2019 às 11:30

São as pessoas que pensam assim as principais responsáveis por esta falência demográfica. Esperam sentadas que os miúdos que nascem em plena sociedade de consumo tenham as mesmas expectativas de vida que os camponeses que em meados do século xx criavam os filhos a broa e cebola rachada.
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De Teresa Ribeiro a 13.11.2019 às 11:32

O meu comentário acima era para o Lucky. De vez em quando não se consegue que os comentários saiam no sítio certo...
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De Joca a 13.11.2019 às 22:20

"O meu comentário acima era para o Lucky." Deixe-me rir.

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