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Tenho dois cães. Não vão a restaurantes.

por Patrícia Reis, em 22.02.18

Gosto muito de animais, sempre gostei. Já tive gatos, agora tenho cães. Em tempos que vão, tive uma égua. Esforço-me muito por não impor os meus animais a terceiros. Não vou de elevador com eles à rua, vou de escadas. Se alguém vai jantar lá a casa, pois faço por não os ter em casa, vão ali passar umas horas com alguém que os trate bem. Apanho dejectos na rua e não os solto nunca. Esforço-me para os educar e nunca, nunca mesmo, vou dizer a uma criança (ou adulto) com medo de cães: não sejas parvo, ele não morde. Respeito o medo dos outros.

Não vou levar os meus bichos para os restaurantes, da mesmo forma que não os levo para a praia, para o bar, para a piscina, para os jardins cheios de crianças. Não gosto menos dos meus bichos por causa disto. É uma forma de estar. Sei que muitas pessoas considerarão que a nova lei é uma boa coisa. Ficará ao critério de cada um, já se sabe, e também dos donos de restaurantes.

Há, contudo, um aspecto crucial que creio não ser de somenos: os animais sofrem em espaços nos quais não se podem movimentar e sofrem mais ainda com cheiro de comidas que lhes estão interditas. Este é, como dito de início, o meu entendimento e ajo de acordo com esta ideia. Da mesma forma que, pese o amor que lhes tenho, reconheço-lhes a origem, logo não os visto, não lhes meto ganchos ou roupinhas e lenços à Xutos & Pontapés. São animais. São bons animais e excelente companhia, mas não são comparáveis com seres humanos. É que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

Dirão que há animais que são tão importantes – ou mais – que muitos familiares. De acordo. Mas há mínimos olímpicos de higiene que me afligem nas idas aos restaurantes e afins. A minha cadela larga mais pelo quando se deita do que aquele que a cabeleireira atira para o chão sempre que me corta o cabelo. Os cães largam pelo. É um facto. Então, caso encontre um restaurante que o permita, com tanta fiscalização e afins, vou levar o meu animal e conspurcar o sítio? Ou vamos pensar que os donos de restaurantes têm de estar preparados para tal? E, já agora, para necessidades fisiológicas inesperadas?

Enfim, sei que para muitas pessoas esta questão é sensível e, decerto, alguém se encarregará de me colocar na ordem. Eu sou teimosa e vou manter os meus cães em lugares onde possam ser felizes e farei por ser o mais civilizada possível, apanhando dejectos da rua com um saco para o efeito, afastando os cães de crianças e idosos, de sítios que possam ser perigosos (cuidado com os vidrões, por perto estão inexplicavelmente vidros mínimos que se enfiam nas patas) e nunca os deixando andar a vaguear livremente. Não sei o que pode acontecer, creio que tudo pode acontecer e é para isso que existem trelas e, por outro lado, espaços específicos para cães correrem.


23 comentários

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De Luís Lavoura a 22.02.2018 às 12:44

Muito bem, Patrícia. Apoiado. Você é uma pessoa civilizada.
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De António a 22.02.2018 às 13:14

Também já tive cães e nunca os quis na cozinha. Não é higiénico. Acho estranho combinar uma lei destas com as exigências da ASAE, parecem incompatíveis.
Depois da falta de senso do legislador resta esperar pelo bom-senso dos donos dos cães. Não espero muito desse lado, onde moro há quem passeie cães muito perigosos sem trela nem açaime. Chamadas de atenção tiveram respostas tão arrogantes que tive vontade de açaimar os donos. E palpita-me que serão esses donos quem levará os cães para o restaurante.
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De Anónimo a 24.02.2018 às 11:00

Subscrevo.
Comigo já se passou o mesmo.
Passeiam os cães sem trela com arrogância e vaidade, e se nos intimidamos saem-se com costumeira frase.
- " Não tenha medo eles não mordem" . Na cidade onde moro pela manhã sinto-me um salta-pocinhas para não correr o risco de ter que ir descalça a para casa de sapato na mão com um presente mal cheiroso.
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De Tiro ao Alvo a 22.02.2018 às 13:15

A sua posição é de uma pessoa com bom senso e educada. Quem defende a entrada livre de animais de "companhia" nos cafés e restaurantes demonstra ter pouco respeito pelos outros - eles podem ser boa companhia para os donos, mas muito má companhia para os outros.
Algumas dúvidas me têm assaltado: há seguros contra as mal-feitorias de todos os animais de "companhia"? E, se há,são obrigatórios? E, se são, quem controla?
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De Sarin a 22.02.2018 às 14:17

Quase subscrevo, Patrícia. Quase.

Porque sem por ela ter passado, compreendo a mágoa daqueles que não podem viajar, programar fugas à rotina porque não têm com quem deixar os animais.

Porque as vidas sofrem soluções de continuidade, e uma moradia é substituída por um apartamento, a família por um animal de estimação, advêm o longe e a idade e uma série de factores que agora nem me ocorrem, e nem sempre o "melhor interesse dos animais" coincide com as reais disponibilidades do seu detentor - quando o real interesse é, afinal, o elo que se cria entre detentor e animal e o bem-estar de ambos.

Confesso que me intriga a, e nem consigo imaginar que, ligação se criará com uma iguana ou com um peixe-palhaço, mas o eu não perceber não significa que seja menos real. Ou talvez seja moda, e ainda assim é provável que haja um qualquer elo. Talvez. Espero eu sob pena de achar que mereciam todos era um bom par de fins-de-semana nos canis e gatis municipais, ou pelas serras a inventariar espécies em vias de desaparecimento. Adiante!

Será talvez o vizinho a usar o restaurante, pelo menos numa fase inicial de exibicionismo ou defesa de posição ou exultação pela novidade.

Mas esta lei, este restaurante, permite que quem não tem onde ou como deixar o seu cão ou gato possa fazer fins-de-semana cá dentro sem ser portas adentro de sua casa. Porque fins-de-semana lá fora já pode há algum tempo - e sai mais alegre e barato que deixar o animal num cuidador pago enquanto se viaja.

Claro que é novidade e as regras estão ainda por definir, seja pela ponderação seja pela experimentação. Mas não acredito que o pêlo do cão se vá misturar no prato da salada e que os restaurantes coloquem almofadas sob as mesas para conforto dos quatro-patinhas. Salas, espaços à parte onde os animais possam estar enquanto os donos também eles se repastam entre os seus - penso que será este o caminho, até por uma questão de selecção natural. Dos clientes trip-duas-patinhas-advisor, claro :)
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De The Daily Miacis a 22.02.2018 às 14:20

Ainda no outro dia comentava exatamente isso. É que para mim nem é uma questão de ética ou afins, é mesmo uma questão de saúde pública, e uma questão com várias vertentes.

Muitos donos de animais e vou falar aqui só de cães e gatos porque são a realidade que estou mais próxima, muitos donos não vacinam como deve ser nem fazem a desparasitação interna e externa com as datas que devem ser feitas para um animal que sai à rua. E mesmo um animal desparasitado pode sair à rua e apanhar uma pulga acontece, é normal. Mas e essa pulga depois vai ser transportada para o restaurante. Como vai ser transportado o pelo ou outras doenças que não são tão vistas a olho nú mas que podem ser passadas facilmente.
É uma realidade que muitas pessoas pouco falam porque provavelmente não sabem mas com a crise houve uma descida da vacinação em animais e começaram a haver por exemplo casos de esgana que já não se via há muito tempo.

E já para não falar de donos que gostam muito do animal mas não o sabem controlar. Eu tive um cão que adorava sair com ele mas sabia que não podia ir para locais com muita gente ou que ia estar muito tempo parada porque não o ia conseguir controlar. Mas muitos não têm essa noção.
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De Anónimo a 22.02.2018 às 15:47

Já tive cães. Agora tenho gatos, igualmente dóceis e amestráveis, e que têm a vantagem de não precisar de ir à rua.
Compreendo quem não pode fazer planos com animais, mas sei que no momento existem inúmeras soluções. Há muito tempo que no Algarve, por exemplo, existem hotéis que aceitam animais de estimação e não aceitam crianças... e o Algarve é apenas um exemplo. A alteração à lei, apenas deixa tudo como estava antes da proibição. Se tiver o dístico na entrada , o estabelecimento não aceita animais de companhia, se não tiver aceita.
Creio que tem toda a lógica usar de bem senso neste particular. Quem reserva um jantar romântico com vista panorâmica não estará seguramente a pensar fazer-se acompanhar do pastor alemão...
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De Luís Lavoura a 22.02.2018 às 15:50

Eu por mim é simples: restaurante onde seja permitido fumar ou ter animais de companhia, não ponho lá os pés. Agora os proprietários de restaurantes só têm que escolher entre por quem optar.
E acho a lei aprovada na Assembleia da República muito má. Porque em todas as sociedades tem que haver regras de civilidade, de vida em comum, de respeito mútuo. E essas regras implicam não levar animais para os restaurantes, tal como implicam não fumar em restaurantes.
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De Maria Dulce Fernandes a 22.02.2018 às 15:57

Já tive cães. Agora tenho gatos, igualmente dóceis e amestráveis, e que têm a vantagem de não precisar de ir à rua.
Compreendo quem não pode fazer planos com animais, mas sei que no momento existem inúmeras soluções. para alé dos familiares, hotéis para animais, etc.,há muito tempo que no Algarve, por exemplo, existem unidades hoteleiras que aceitam animais de estimação e não aceitam crianças... e o Algarve é apenas um exemplo. A alteração à lei, apenas deixa tudo como estava antes da proibição. Se tiver o dístico de proibição na entrada , o estabelecimento não aceita animais de companhia, se não tiver esse ou tiver o que diz que somos amigos dos animais ( e somos, claro, de todos !) aceita animais de companhia.
Creio que tem toda a lógica usar de bem senso neste particular. Quem reserva um jantar romântico com vista panorâmica não estará seguramente a pensar fazer-se acompanhar do pastor alemão ou do grand danois ...

Peço desculpa mas tenho enviado muitos comentários anónimos sem perceber bem porquê
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De xico a 22.02.2018 às 17:04

Quem quer os animais dentro dos restaurantes não são os amigos dos animais. Não conheço animais que queiram entrar em restaurantes para além das moscas, baratas e ratos. Os meus gatos morreriam de susto se os levasse ao restaurante. São os donos dos animais que os querem lá para sossego das suas consciências como forma de calar o sentimento de culpa de os deixar em casa. É o egoísmo dos donos dos animais que está na raiz desta lei, e não o amor aos mesmos animais. Levar animais ao restaurante, é uma forma de antropomorfismo tão condenável como obrigar um urso a andar de bicicleta no circo.
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De Anónimo a 24.02.2018 às 11:02

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De Anónimo a 22.02.2018 às 17:08


Cobras e lagartos

Tenho duas cabras dois cabritos, uma ovelha, um cavalo, um burro, dois bois, uns ratos, os gatos dos vizinhos (que eu adoro) e uns tantos cães a passarem na rua onde eu vivo e a emporcalhar os nossos passeios e jardins. Só não tenho camelos e ursos...Quero salientar que muitos destes animais,a que eu me refiro estão numa zona protegida, onde são bem tratados, estimados e acarinhados pelos meus familiares e amigos.

Em tempos escrevi um artigo sobre a lei apresentada na Assembleia da República pelo PAN, e aprovada pelos “amigos dos animais”!!! Diriam alguns, que já não liam os meus comentários. "Este gajo não para de dizer cobras e lagartos sobre os nossos amigos e queridos deputados, eleitos pelo povo"! (se não me engano 50% dos votantes! Porque os outros 20% são militantes, simpatizantes e familiares, dos partidos que se passeiam na Assembleia da Republica, ficamos por aqui e vamos ler o artigo que tem como titulo: "Tenho dois cães.Não vão a restaurante.

Nota: Quero realçar, que alguns (vizinhos) donos dos seus cães, têm o cuidado de apanharem do passeio/jardins as fezes para um saco plástico, pagos com os nossos impostos, e cedidos pelos serviços da Câmara Municipal



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