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A partir do início dos anos 90, Seatlle passou a ser o símbolo de uma tendência social e cultural que influenciou e inspirou parte de uma geração, na altura ainda na sua adolescência. É certo que a cidade já tinha visto nascer Jimi Hendrix e que, antes, já tinha experimentado um fervilhar musical, sobretudo ligado ao jazz. Mas, é no final dos anos 80 e início da década de 90, quando uma parte dos adolescentes se encontram musicalmente órfãos e as “trends” da altura pouco lhes diziam, que Seattle emerge como um centro de sub-cultura que vem rasgar por completo com as tendências instituídas.
Este movimento “independente”, que mais tarde viria ser chamado de “grunge”, resulta da combinação espontânea de talento, juventude e irreverência (e, já agora, de alguma droga à mistura). O que alimentou esse movimento foi a música, um determinado estilo de música, à volta da qual se criaram tendências culturais e sociais, um certo estilo de vida, e que se prolongaram durante muitos anos. O expoente máximo desse fenómeno criativo não terá durado mais do que cinco anos, talvez entre 1989 e 94, mas foi o suficiente para criar colossos como os Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden, Alice in Chains ou Stone Temple Pilots. Mas estas bandas, provavelmente, não teriam existido se não fossem os Mother Love Bone, grupo criado em 1988, considerado como o percursor do movimento “grunge” e que durou até 1990, tempo suficiente para fazer um espectacular EP, chamado Apple, já lançado depois da morte por ovedrose do seu vocalista, Andrew Wood.
E a história começa a partir daqui. Daquela banda, faziam parte Jeff Ament, baixista, e Stone Gossard, guitarrista, músicos que viriam a fundar os Pearl Jam. E como? Porque, Chris Cornell, amigo de Andrew Wood e que dispensa qualquer apresentação, foi ter com Ament e Gossard para fazerem um álbum de homenagem ao antigo vocalista dos Mother Love Bone. Esse álbum viria a ser feito com a colaboração de Eddie Vedder que, juntamente com Cornell, gravaria o espectacular dueto, Hunger Strike.
O álbum chamou-se Temple of the Dog, nome também desta banda improvisada, e foi das melhores coisas feitas no último quarto de século em termos musicais no estilo rock/alternativo. É muitas vezes esquecido pelo público mais “mainstream”, mas quem gosta de música e esteve atento ao fenómeno “grunge”, reconhece a importância e a qualidade daquele álbum na influência que teve em tudo o que se lhe seguiu. Foi um trabalho único e, entretanto, cada músico seguiu a sua vida com o sucesso que se conhece.
Hoje, dia 30 de Setembro, 25 anos depois, vai ser lançada uma reedição de aniversário de Temple of the Dog, e com o anúncio de que essa super-banda se vai reunir em Novembro para dar uns concertos nos Estados Unidos. Em tempos de alguma desertificação no panorama rock actual, é sempre inspirador recuperar o que de muito bom se fez.