De André Miguel a 19.07.2019 às 13:37
Se eu não andasse há 12 anos por África diria que o texto de Bonifácio é racista e supremacista, mas passado tanto tempo as coisas ficam mais cinzentas, pelo que adjectivo-o, apenas e tão só, de politicamente incorrecto, ainda que, certamente, com alguns excessos e equívocos completamente desnecessários.
Não há dúvida que somos todos iguais, mas tão diferentes que só quem vive este dia-a-dia compreende esta enorme complexidade.
Fala em culturas inferiores e superiores... E daí? É mentira? Não é politicamente correcto dizer isto, mas como apelidar culturas que defendem a mutilação genital feminina, a lapidação de mulheres adulteras (o homem pode ser infiel) e homossexuais, a escravidão, bem como a morte aos infiéis de outra religião? Como apelidar a cultura de países riquíssimos em recursos naturais, mas cujo povo morre à fome em bairros de lata, com milhões de almas sem agua ou saneamento, enquanto os seus líderes ostentam uma riqueza pornográfica e o mesmo povo culpa sempre o mesmo (o malvado homem branco ainda que lá investe, cria emprego e envia ajuda humanitária)?
"Não é politicamente correcto dizer isto, mas como apelidar culturas que defendem a mutilação genital feminina, a lapidação de mulheres adulteras (o homem pode ser infiel) e homossexuais, a escravidão, bem como a morte aos infiéis de outra religião?"
Culturas, ou pessoas, que em nome da cultura, da interpretação e manipulação da cultura, justificam comportamentos imorais ?- na Al Corão, tal como na Biblia encontra tudo e o seu oposto ( encontra suras e versiculos que defendem os inocentes, a paz , e outros que legitimam o seu contrário):
"Deus ordena que tudo quanto na cidade havia fosse destruido totalmente a fio de espada, tanto homens como mulheres, tanto meninos, como velhos, também bois, ovelhas e jumentos” (Josué 6:21).
“Estabelecer a paz e amizade é melhor que um ano de oração.” Maomé.
Quanto à mutilacão genital ela não é especifica do islamismo.
Pergunto, os germânicos ( de olhos azuis e loiros) , com o seu crescimento económico, são superiores aos latinos? O André é moreno?
Quanto a homossexuais:
https://www.google.com/amp/s/observatoriog.bol.uol.com.br/noticias/2017/06/vladimir-putin-afirmar-ser-o-seu-dever-impedir-casamento-gay%3fampManif anti-gay, em Portugal, do PNR,
https://youtu.be/-hkoZFTyUPgQuanto ao Fundamentalismo:
https://www.google.com/amp/s/www.aljazeera.com/amp/news/2019/02/hungary-orban-vows-defence-christian-europe-190210195421238.htmlQuanto aos milhões roubados aos africanos:
Discussion has so far centred on how this money might be returned to the countries it came from to benefit ordinary people and promote economic development. But the real question is, what was the money doing in banks in France and Switzerland in the first place? If there is enough evidence of corruption to freeze Mr Mubarak’s or Mr Ben Ali’s funds now that they have been forced from office, why was it not sufficiently obvious at the point when they were accepted?
https://www.google.com/amp/s/amp.ft.com/content/e23b6baa-3f91-11e0-a1ba-00144feabdc0
De André Miguel a 19.07.2019 às 15:42
Creio que não percebeu o que escrevi e enfiou logo o barrete do Islão alegando que a Bíblia também incita à violência.
Pergunta se os germânicos são superiores aos latinos? É provável. Talvez. Diferentes são certamente.
Sobre supostas superioridades lanço-lhe um desafio, faça um exercício.
Olhe à sua volta, conte as utilidades e comodidades que usufrui no conforto no seu dia a dia: energia, automóvel, medicamentos, TV, telemóvel, computadores, gadgets, aplicações, software, electrodomésticos, aviões, comboios, etc. Onde foram criados? Não pergunto onde são fabricados, mas onde foram e são criados. Em que cultura?
Está a ver como a coisa é complexa?
De Anónimo a 19.07.2019 às 16:44
"Pergunta se os germânicos são superiores aos latinos? É provável." Provável? Claro que são, então não criaram o nazismo?
De André Miguel a 19.07.2019 às 16:55
Já cá faltava. Não falha. Quer falar de genocídios ao longo da História muito antes dos Nazis? Olhe que nós exterminámos índios e traficámos escravos.
Ninguém aqui está a defender a suposta superioridade seja de quem for, estamos apenas a discutir, de modo provocatório é certo, pois só assim atingimos o conhecimento: desafiando convicções e convenções.
De Anónimo a 19.07.2019 às 17:29
"Já cá faltava. Não falha" Eu sei que não devia falar nisto, mas ...
Desculpe se atrapalhei.
De Anónimo a 19.07.2019 às 17:34
"nós exterminámos índios e traficámos escravos" Nós não, os nossos gloriosos e valentes guerreiros.
Uma pequena grande diferença. O Holocausto foi anterior em, aproxidamente, 20 anos à chegada do homem à Lua.
Pois, mas seria importante saber como, e à custa de quem, são/ foram fabricados os "gadgets", pois talvez aí resida parte da explicação do problema (se a opinião pública fosse devidamente informada como operam as fábricas téxteis no Bangladesh, ou como é retirado o Tântalo, no Congo, ou como alguns países europeus e alguma da Banca Internacional colabora com os ditadores sanguinários, expoliadores, as coisas paulatinamente fossem melhorando (olhe, podiamos, por exemplo, começar por cá, impedido que o dinheiro sujo de Angola, ou da China fosse branqueado, pela compra de valores mobiários e imobiliários).
A Cultura, a Guerra entre Civilizações, é/foi sempre pretexto para que uns poucos, "sábios", montem a azeda miséria de muitos ( nas guerras os roubos são fáceis) e dela se deleitem em rios de mel e leite. Se a Cultura fosse intrinsecamente responsável não veríamos jornalistas, cientistas, muçulmanos, ou de outro credo qualquer estereotipado, de renome internacional. Ex: Mehdi Hasan (para mim um dos melhores jornalistas da actualidade), Ali Javan, Aziz Sancar (Nobel)...
Talvez a pobreza desses muitos nos permita, a nós brancos, vestirmos roupa de marca barata, comprar os tais telemóveis 7" Geração (?), e perante a possibilidade de sermos, por isso, responsabilizados, desviemos o nosso "pecado" , para o "outro" lado.
De André Miguel a 19.07.2019 às 19:22
Totalmente de acordo. Excelente comentário.
De Anónimo a 19.07.2019 às 22:13
"Porra!! O meu!!??"
Claro que não. Foi mas é o meu.
De Luís Lavoura a 19.07.2019 às 16:02
como apelidar culturas que defendem a mutilação genital feminina, a lapidação de mulheres adulteras (o homem pode ser infiel) e homossexuais, a escravidão, bem como a morte aos infiéis de outra religião?
Devemos apelidá-las da seguinte forma: "culturas que nós rejeitamos". Ou seja, não é que sejam inferiores à nossa, é somente que são opostas à nossa e, para nós, intoleráveis ou inaceitáveis.
De André Miguel a 19.07.2019 às 17:08
E são intoleráveis ou inaceitáveis porquê? Tais práticas agregam algum valor à vida? Contribuem para o bem estar? Alguém no seu perfeito juízo intolera algo que lhe seja benéfico? Claro que não, porque o considera superior àquilo que possui ou pratica actualmente.
Alguém se atira num barco de borracha ao Mediterrâneo, arriscando a sua vida, para ficar pior? Então devemos ou não considerar que há culturas superiores?
Perguntas complexas... isto dá pano para mangas e é uma discussão deveras interessante.
De Luís Lavoura a 19.07.2019 às 17:38
Alguém se atira num barco de borracha ao Mediterrâneo, arriscando a sua vida, para ficar pior? Então devemos ou não considerar que há culturas superiores?
Está a confundir cultura com civilização.
Civilização é riqueza; cultura são valores.
Ninguém tem qualquer dúvida de que a Europa é mais civilizada (= mais rica) do que a África. E é por isso que os africanos querem vir para a Europa - para serem ricos. É normal.
Já a cultura, é uma coisa diferente. São valores, uma moralidade, modos de vida, tradições.
O facto de todas as pessoas quererem ser ricas, não significa, nem necessita, que todas elas estejam dispostas a abdicar das suas tradições, dos seus valores, da sua religião, dos seus hábitos.
Oh Luis agora fiquei confuso... então não vivemos todos num mundo civilizado?! Ou há civilizações melhores que outras? E a cultura é fruto da civilização ou o inverso? Explique lá esse ponto de vista sff que a coisa é interessante.
De Luís Lavoura a 20.07.2019 às 17:16
Claro que vivemos todos num mundo civilizado, mas certas partes são mais civilizadas que outras. Ou seja, têm mais tecnologia, mais máquinas, maior sofisticação na forma como fazem as coisas.
A cultura é uma coisa diferente da civilização. Qualquer que seja o nível civilizacional, pode haver culturas diferentes. A religião, os hábitos alimentares, etc, fazem parte da cultura; e uma pessoa pode ter certos hábitos culturais, qualquer que seja o seu nível civilizacional.
A título de exemplo, na Índia há uma cultura muçulmana e uma cultura hindu (embora em grande parte elas se misturem e se influenciem mutuamente), mas o nível civilizacional é mais ou menos o mesmo (bastante baixo) tanto para hindus como para muçulmanos.
De Luís Lavoura a 19.07.2019 às 17:45
Tais práticas agregam algum valor à vida? Contribuem para o bem estar?
Todas as pessoas têm práticas culturais que chocam com as de outras pessoas.
Por exemplo, em Portugal antigamente era costume assobiar às mulheres que passavam, ou escarrar para o chão. Essas práticas estão hoje em desuso, são até mal vistas. Mas antigamente não o eram (ou, pelo menos, muitas pessoas achavam-nas adequadas).
Os judeus e muçulmanos têm por norma só comer carne de animais mortos através de corte do pescoço. Para muitas pessoas atualmente, essa forma de matar animais é cruel, bárbara e inaceitável. Para os judeus e muçulmanos, pelo contrário, ela é obrigatória. Que se há de fazer?
A lei muçulmana diz que um cadáver tem que ser enterrado antes de decorridas 24 horas sobre a morte; a lei portuguesa diz exatamente o oposto, que um cadáver somente pode ser enterrado decorridas mais de 24 horas sobre a morte. Há um choque frontal. Que se há de fazer?
Temos que ser tolerantes em certos casos. Noutros, não podemos tolerar.
Como lhe disse, para mim, a questão não é cultural, é politica. E concordo, é intetessante falar nestes temas
De Rui M. a 19.07.2019 às 17:32
Meu caro:
Para muita gente o que é diferente do que é nosso é inferior e é um mal. Que se deve extirpar.