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Talvez seja o provincianismo e o atraso

por Luís Naves, em 30.10.18

Por todo o lado, sobre os assuntos mais corriqueiros, é possível observar a tendência para o pensamento mágico e para a reflexão de sacristia. Repetem-se ideias feitas e recitam-se argumentos moles. Nas redes sociais, ninguém quer destoar das boas intenções, o que não teria mal algum, se não fosse a imposição de uma mentalidade dogmática, quase feroz, que não tolera o mínimo desvio da ortodoxia. Se calhar, Portugal nunca deixou de ter uma sociedade incapaz de suportar a dissidência, o espírito inconformado e a percepção inquieta, tal como é visível nos velhos romances de Camilo, onde as personagens muitas vezes esbarram com hipócritas, pregadores de banalidades ou estreitas visões fradescas. Não tenho boas explicações para a intolerância intelectual portuguesa: talvez seja o nosso provincianismo, o atraso, o pouco hábito que temos de pensar pela nossa cabeça, ou antes, o desincentivo que existe para que cada um pense pela sua cabeça, pois que a independência é sempre olhada com desconfiança, quando não é recebida com hostilidade.


20 comentários

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De Justiniano a 30.10.2018 às 13:28

Sobretudo, pregadores de banalidades! Não aprendem nem esquecem nada!
Um bem haja,
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De Pedro a 30.10.2018 às 14:24

Luís, a Moral é relativa, ou absoluta? O Mal deve ser tolerado, ou combatido? As ideias políticas que historicamente cheiram a cadáver e pólvora devem ser aceites, a bem de um relativismo cobarde, ou combatidas?

Acredito que é este relativismo moral, nascido da ignorância histórica, que defende ser tudo aceitável, que tudo é opinião, que nos tem trazido até aqui. Quando a democracia, nos valores humanistas da igualdade e dignidade humanas , está em perigo urge sair de casa.

Penso radicalmente diferente de si. E a razão estará num dos dois. O Luís conhece guerras armadas , eu outras. E uma cousa lhe digo. Os nacionalismos conduzem à intolerância e por fim ao conflito. A globalização conduz à interdependência e por isso à coabitação pacífica. Claro que esta necessita de aperfeiçoamento, mas esse aperfeiçoamento não reside no seu abandono. Na sua substituição por ideais medievas , românticas de terra e sangue.

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De Sarin a 30.10.2018 às 16:50

Concordo absolutamente contigo; e no entanto fiz outra leitura do texto - uma que sai da leitura dos factos recentes do Brasil e que se aplica ao estado acrítico das massas e dos fazedores de opinião, eles mesmo com as opiniões já feitas antes, ou ao invés, de as pensarem.
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De lucklucky a 30.10.2018 às 22:21

Já a independência de Timor Leste foi boa. Ou essa narrativa já mudou no Marxismo?

Será que Timor Leste deve abrir a porta aos Indonésios?
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De Pedro a 30.10.2018 às 23:45

Luck, não prestas…..e de mim tens toda a liberdade de pensar o mesmo

https://www.youtube.com/watch?v=RkPVbhScpPM
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De Anónimo a 31.10.2018 às 00:34

A paranóia de lucklucky com o marxismo é tão grande que ele chega a defender o ditador indonésio Suharto.
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De Rão Arques a 30.10.2018 às 14:40

Quero destoar e faço questão:
SUSPEITÓRIO
Tenha paciência Senhor Presidente. Com tanta indecisão e hesitação que propala, para mim o senhor também é um suspeito nada desprezível.
Ser geringonça é uma arte.
Conseguem parir um ministro Azeredo que não sabe ler, nem escrever, nem ouvir, nem contar.
Ao leme um parteiro Costa criador, superiormente amparado, que ainda assim continua a defender a sua deformada criação.
Com tanta água no bico não dão despacho de fecho a tantas torneiras a pingar.
Por este andar, Azeredo numa exemplar demonstração de estatura de estadista vai deixar-se torrar vivo em cuecas, para fielmente salvar a pele dos seus apalhaçados títeres.
Ou então, Azeredo não sabe ler, nem escrever, nem ouvir, nem contar.
Joana Marques Vidal disponível para testemunhar no local próprio
Uma grande lição para a espécie de presidente Marcelo.
Vejo uma jornalista perguntar-lhe se teve conhecimento do telefonema da PGR para o ministro Azeredo, obtendo esta uma resposta tão torcida como a estatura revelada;
“Não telefonei nem recebi telefonema”.
No topo do Estado um personagem acomodado nos baixos da edificação.
Ele e Costa com o cu apertado.
Não insistam no memorando porque para além dele existem outras formas de terem tomado conhecimento, como inscrição em guardanapo de papel ou mensagem por pombo-correio bem anilhado.
Não nos queiram meter a peta que Azeredo não informou do telefonema da PGR que estava em exercício.
Vão enganar o Tanas.
Se existe um cargo de quem em primeira linha se exige fidelidade aos portugueses é o de Presidente da Republica.
Que o seu titular salte para a televisão de que tanto gosta, e na vertente política diga de sua magistratura o que sabe ou sabe que não lhe disseram, seja de que modo ou forma lá chegou ou lhe fizeram chegar.
Está esgotado o tempo de fazerem de nós parvos e atingido o limite de se fazerem.
Marcelo em labirinto
Desqualificado para o cargo que ocupa ao ter o desplante de passado todo este tempo nos vir dizer que de nada sabia ou sabe.
Uma vacuidade, entorpecimento e passividade desta grandeza seria muito mais grave do que nos ter andado a mentir a sete fôlegos.
Azeredo Lopes, com alguma condescendência e relativa graduação podia considerar-se que um razoável valor de fidelidade ao chefe o mantivesse encarcerado nessa condição.
Agora que o senhor foi chutado com a mesma determinação com que tinha sido segurado até segundos antes, é chegada a hora de meter a boca no trombone em nome do superior interesse da Nação.
António Costa esqueceu-se de dizer que fundamentalmente, tal como tinha feito na manutenção, aceitou a demissão de Azeredo Lopes apenas e só para proteção do próprio costado político.
"Por respeito à honra, dignidade e bom nome", porque é que Costa não se demite?
As perguntas podem ser renovadas, e em vez de se procurar quem sabe ou soube, questionar quem é que de nada sabia principalmente lá no topo e intermédios das hierarquias.
Se Costa não sair também e depressa, segue daqui um elogio ao retrato do seu descaramento mas a culpa não é dele, mas de quem lhe dá lastro de vida.
Não me falta muito para suspeitar que Marcelo também não estava tanto assim a leste da prancheta do desenho.
Se a indignação é ou já foi legítima, a suspeita não se obriga a ter prazo.
Sugerem os meus pirolitos que além do ministro que foi à vida, Costa também sabia, e não faz nenhum sentido que o PR e comandante supremo das Forças Armadas tenha estado de tudo tão ignorante arrumado a um canto.
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De Anónimo a 30.10.2018 às 15:40

VPV é menos caridoso : "Biblicamente estúpidos"


JSP
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De Sarin a 30.10.2018 às 15:48

Acrescento o pendor ordeiro, a necessidade de catalogar toda e qualquer atitude ou opinião - como se nenhuma ideia seja digna de atenção ou reflexão se não for tipificada, etiquetada, alinhada. Nem tem de ser inovadora, basta surgir inesperada. Da mesma maneira, quem assim tipifica não ouve o que outros dizem senão o que espera ouvir. Como nos haveremos de entender no meio de tanto ruído?
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De Rui Henrique Levira a 30.10.2018 às 16:53

Já alguém disse: "Neste país em diminutivo, juizinho é que é preciso". Para quê esturrar os neurónios quando, depois de um opíparo repasto (bem regado, claro), nos podemos deitar ao sol, ouvir o fadinho choroso das ondas do mar e dormir na aconchegante certeza de que somos queridos e verdadeiramente amados - por sermos portugueses e só por isso - no mais recôndito cantinho deste nosso planeta?
Quando a troca de argumentos chega a determinado ponto, lá vêm as incontornáveis acusações de intelectualismo, de academismo, de (pasme-se)... excesso de racionalidade. Num país e no meio de gente que fica sempre a meio caminho entre o semi-dito e o interdito, expressar uma opinião inteira é meia jornada feita até ao patíbulo onde os polidores das acéfalas e videirinhas ideias da moda nos farão rolar a cabeça. No país dos três pastorinhos, há que seguir o rebanho até ao acolhedor redil do quietismo e da ignorância partilhada que faz as vezes de um devir comum. E se pensar incomoda como andar à chuva, há a quem o maturado e sincero pensamento alheio cause o mesmo incómodo que passear sob uma carga de granizo.
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De jo a 30.10.2018 às 17:07

É, esta sensação de estar encurralado com a razão do seu lado é muito típico das mentes tacanhas.
Sei isso porque ninguém me dá razão.
Lembra a velha anedota dos pais babados no juramento de bandeira:
"Vê lá Maria, tantos soldados a marchar e o nosso é o único que tem o passo certo"
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De WW a 31.10.2018 às 08:37

Os xuxas não juram a Bandeira, os xuxas pisam-na.
O Luís Naves tem toda a razão, as pessoas estão fartas de liberais que se vendem e as vendem.
O grande educador das massas é que tem razão, isto é tudo um p....

WW
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De Pedro a 30.10.2018 às 17:20

Adenda:

Sintomático dar como exemplo Camilo Castelo Branco na defesa da pluralidade e liberdade de ideias. Camilo, um miguelista que fez guerra ao liberalismo português.
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De Luís Naves a 30.10.2018 às 22:30

O Camilo é um enorme escritor e em muitos dos seus romances o conflito central inclui personagens mesquinhas, com pensamento intolerante e afunilado. Alguns exemplos: O Bem e o Mal, Carlota Ângela, A Doida do Candal, A Bruxa de Monte Córdova, O Sangue, O Demónio do Ouro, Luta de Gigantes, Estrelas Funestas, e podia citar outras obras. Basta ler a correspondência para se entender a frase.
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De Pedro a 30.10.2018 às 23:50

Sucede o mesmo em Eça...aliás Camilo poderia ser um dos seus personagens….um tipo tradicionalista, no pensamento, e um "progressista" na acção (Ana Plácido)

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De V. a 30.10.2018 às 19:45

Basta defender a Escola Pública e um ministério controleiro (agora ajudado pelos sabujos das câmaras municipais) para que o que está a descrever aconteça e se cristalize rapidamente — como um cagalhão de cão.

Acrescento a imagem no fim porque acho que ajuda os mais saloios a ver.
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De Zé Gato a 30.10.2018 às 21:09

Infelizmente concordo em pleno. Somos provincianos... quer queiramos ou não, acabamos por ser o velho e bafiento Portugal dos três F's: Fátima, Futebol e Fado...

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