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Miguel Relvas: key words

por Laura Ramos, em 14.07.12

Há uma racionalidade própria no caso Miguel Relvas. Todos os sabemos.

A hipocrisia e os rabinhos de palha, também estes académicos e muito bem escondidos pelos opinion makers nacionais agigantam-se, à boa maneira dos cobardolas farisaicos que vivem destas coisas e não se eximem jamais da fácil tentação de vomitar sentenças. Santas profissões...
Exemplares e moralistas, zabumbam não no pecado, mas no inimigo. Não no caso, mas no sujeito dele. Não no valor ou desvalor de uma conduta, mas no perigo eminente que o objecto da sua indignação balofa - o decisor político - representa para os seus interesses, noutras contas e noutros domínios que jamais confessam.

As palavras chave não são as habilitações literárias, e a consequente abstracção desonesta do sistema de recorrências que os ministérios da educação foram fometando a partir de 1995, da forma que todos nós, os atentos, conhecemos.

A palavra chave não é sequer a  tentativa de criar um caso gémeo ao de certo do salteador do povo, quando a analogia é troca-tintas e perversa. E sobretudo quando a inacreditável colmeia de universidades, valendo, diferenciadamente, o que cada uma vale, poderá estar - mas de há muito, e não de agora -, afectada na sua dignidade académica. Umas mais, outras menos... é certo. Mas sempre fruto das regras economicistas que as tutelas criaram para condicionar a sua subsistência, não defendendo ao fim e ao cabo as melhores, mas as mais rentáveis e facilitadoras.

As palavras- chave são apenas duas.

    - Privatização da RTP

    - Reforma do poder local

E a coragem do ministro em prosseguir nas suas metas, com assinalável determinação.

Os privilegiados de agora - e espoliados a prazo - ululam e contorcem-se de raiva, é claro. Sonegando os motivos.

 

No entretanto, alguma opinião pública come palha.

Falsas verdades e mentiras verdadeiras (3)

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 22.07.09

E quando os estudos podem atrapalhar a economia, escondem-se:

 

"A Agência americana para a segurança rodoviária recusou publicar dados apurados há sete anos sobre o perigo de utilizar telemóvel durante a condução devido a pressões políticas, noticiou ontem o New York Times.
Um estudo de 2002 da Administração Nacional para a Segurança no Tráfego Rodoviário (NHTSA) mostra que falar ao telemóvel ou enviar mensagens escritas (SMS) ao volante esteve na origem de um quarto dos acidentes rodoviários esse ano. O estudo diz que 955 pessoas morreram em 240 mil acidentes causados pelo uso do telemóvel ao volante. O Centro de Auto-Segurança, de defesa dos consumidores e segurança rodoviária, obteve o relatório e tornou-o público, segundo o jornal americano.
Essas informações não foram publicadas na altura por receio da reacção do Congresso americano, declarou ao New York Times o antigo chefe da NHTSA, Jeffrey Runge. O jornal indica ainda a pressão do sector das comunicações móveis.
Runge afirmou que a sua organização perderia "milhões de dólares" de financiamento se aqueles dados levassem os estados a proibir a utilização do telemóvel nos automóveis.
Nos EUA, apenas a capital do país e sete estados têm hoje a proibição de utilizar telemóvel sem kit mãos livres e enviar SMS ao volante. Outros estados têm interdições parciais para menores de 18 anos e condutores de autocarros escolares. F.M."
( Público de hoje)

Falsas verdades e mentiras verdadeiras (2)

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 21.07.09

Na Suécia, os trabalhadores têm direito a 42 dias de descanso por ano. Na Alemanha têm 40, na Dinamarca 38. E por aí adiante.
Em Portugal os dias de férias oscilam entre os 22 e os 25 e com os feriados podem ir, num ano bom, aos 10 ou 11. Somados, os portugueses têm entre 32 e 36 dias de descanso por ano.
No entanto, apesar de haver horários de 45 horas semanais – que, com raras excepções, já não se praticam nos países civilizados- , são muitas as vozes que se levantam  a proclamar que somos dos países da Europa onde menos se trabalha. Que temos muitos feriados e muitos dias de férias, blá, blá, blá.
Enchem-se páginas de jornais a corroborar esta afirmação, difundindo “estudos” e  fazendo “investigações” com objectivo de demonstrar que somos calaceiros e trabalhamos pouco.
Como este aqui, que fui obrigado a desmontar com dados assentes não em estatísticas, mas na realidade

Falsas verdades e mentiras verdadeiras (1)

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 20.07.09

Confesso que me encanita a forma leviana com que neste país se apregoam falsas verdades, rapidamente erigidas a mentiras verdadeiras.
Com inusitada frequência, essa tarefa é atribuída a uns colunistas escolhidos a dedo, que se prestam a servir de correia de transmissão de interesses partidários, cabendo-lhes o papel de levantar algumas questões laboriosamente urdidas nos gabinetes de estudos dos partidos do poder. Com o desenvolvimento da blogosfera, essas falsas verdades espalham-se como labaredas, cumprindo a premissa de Goebbels - transformam-se em mentiras verdadeiras. Muitas vezes, essas falsas verdades são difundidas com base em estudos e estatísticas, apresentados como âncoras inabaláveis e de validade incontestável.

 

 

Não vou dizer que não dou qualquer credibilidade aos estudos e estatísticas. Mas sei, por experiência própria, que um estudo ou um dado estatístico pode ser lido da maneira que mais convém a quem o invoca para defender a sua teoria. E sei, também, que na maioria dos casos existem estudos que demonstram a verdade e o seu contrário. Veja-se, por exemplo, o caso dos telemóveis. Cada vez que é divulgado um estudo confirmando os seus malefícios para a saúde, logo alguém dá a conhecer outro, demonstrando a falsidade das conclusões.
A muitos dos estudos subjaz também um interesse económico escondido. Muitos se lembrarão dos estudos que durante anos consideravam a dieta mediterrânica como um perigo para a saúde, sendo o azeite apontado como uma gordura insalubre e imprestável. Sardinhas em lata a nadar em azeite? Que horror!
Curiosamente, a dieta mediterrânica é considerada, hoje em dia, a mais saudável dieta natural, devido às propriedades de produtos como o azeite, que ajuda a reduzir o colestrol e diminui o risco de acidentes cardio-vasculares.
Em Portugal, quando se aproximam as eleições, é certo e sabido que se começam a multiplicar os artigos visando os privilégios dos funcionários públicos, os horários dos professores, as férias dos juízes e a falta de produtividade dos portugueses. São temas recorrentes que fizeram muito jeito a Manuela Ferreira Leite – e posteriormente a Sócrates - para congelar os salários dos funcionários públicos e lhes retirar algumas regalias. Claro que o povão exultou, porque uma das características peculiares do português é a inveja. Não cuidou de saber se as premissas em que assentavam as medidas eram verdadeiras, nem tentou exigir as mesmas pretensas regalias, porque ao português basta que tirem ao vizinho o que ele não tem, para se sentir feliz.
Outra das mentiras que obteve dividendos, foi a de que os professores trabalham poucas horas. Só quem nunca deu aulas é que pode dizer tamanha parvoíce! No entanto, a mentira tantas vezes difundida serviu de pretexto a Maria de Lurdes Rodrigues para obrigar os professores a ficarem na escola mais horas por dia. Sem proveito para alunos nem professores, mas para gáudio do tuga invejoso.

Outra das ideias macacas que se procura difundir é que Portugal é o país da Europa com mais feriados, o que na verdade não passa de uma falácia, como já demonstrei em tempos no “Expresso”.
No tempo do Dr. Cavaco primeiro-ministro, iniciou-se um ataque cerrado às “pontes” entre um feriado e o fim de semana, apontadas como peculiaridade do nosso país. Mentira! Em França e Espanha são frequentes as “pontes”. Mas elas também existem - embora mais esporádicas - na Holanda ou nos Estados Unidos .
Com o aproximar das eleições vamos assistir a um chorrilho de artigos de opinião com falsas verdades, que pretendem preparar medidas do futuro governo Basta saber a cor política do colunista, para percebermos que tipo de medidas irão ser tomadas, no caso desse partido vencer as eleições. Fácil, não é?


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