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Verão?

por João Sousa, em 23.06.19

Ouço a força da chuva a bater nas janelas e fico a pensar se o governo, no seu zelo, também nos terá cativado o Verão...

Notas de um Verão a Norte - o regresso a Paredes de Coura

por João Pedro Pimenta, em 23.08.18

Os jornalistas musicais portugueses costumam dividir a humanidade em dois grandes grupos: os que estiveram no concerto dos Arcade Fire no festival de Paredes de Coura de 2005 e os que não estiveram. Eu insiro-me numa terceira via: os que estiveram lá nesse mesmo dia e não viram os Arcade Fire.

 

Sim. Em 2005, por uma hora, dadas as recusas de última hora de dilectos amigos meus em seguir comigo, que já tinha bilhete, perdi o concerto dos estreantes Arcade Fire, que ao que asseguram os assistentes, ficou para a história como uma "epifania", o "espectáculo da década" que "catapultou o festival", etc. À época conhecia o grupo e já tinha ouvido algumas canções de Funeral, o álbum inicial, e ainda hoje Rebellion (Lies) continua a ser a minha faixa favorita dos canadianos. Mas como a minha ideia era ver os Pixies, precedidos dos Queens of the Stone Age, não liguei muito, mas ficou um travo de pena. Vi depois os Arcade Fire em Lisboa, num espectáculo memorável ao lado da ponte Vasco da Gama. Mas ainda havia uma lacuna por cicatrizar. Este sábado, finalmente, encontrei os canadianos em Paredes de Coura, treze anos depois de eles se terem ido embora antes de eu chegar. Com mais discografia em cima, e a entrega e a emoção de sempre. Talvez as expectativas que estavam muito lá em cima ficassem ligeiramente goradas, até por não ser a primeira vez que os via. E o último álbum, em destaque, é o mal amado da discografia dos Arcade. Mas começaram logo com ele, com uma bem disposta Everything Now (o vídeo atrás traduzia como "tudo agora"), seguida dos hinos do costume - Rebbelion, pois claro, e ainda faixas de Neon Bible, The Suburbs e Reflektor, tudo a acabar num muito celebrado Wake Up, com a plateia literalmente iluminada. No dia com mais público de sempre do festival, os Arcade Fire regressaram a terras do Alto Minho. 2005 está enfim vingado.

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Notas de um Verão a Norte

por João Pedro Pimenta, em 23.08.18

Durante muitos anos imaginei com seria uma série, um filme, ou qualquer coisa audiovisual passada em Moledo, farto que estava que as coisas só se passassem em Lisboa, por vezes no Porto, e que no Verão só o Algarve fosse devidamente filmado. Moledo só aparece por vezes em reportagens de jornais e revistas, para falar dos seus "notáveis", da nortada, do nevoeiro, e outros lugares comuns simplistas. Com os anos, esses pensamentos desvaneceram-se.


Mas eis que surgiu uma série passada aqui, de seu nome Verão M, inspirada no Verão Azul da nossa infância, em que um antigo casal de namorados se reencontra, e os respectivos filhos partem à descoberta destas paragens. Há alguns anacronismos (tapetes de flores do Corpo de Deus em Agosto?), alguns factos reais (a chaminé do barco afundado entre a Ínsua e a praia), muita imagem bonita de drones (fieis à realidade da beleza da terra), e uma narrativa simples e sem grande criatividade, mas que entretém. Não falta sequer o velho marinheiro retirado, que se torna amigos das crianças, e que mora inverosimilmente no moinho ao lado do pinhal - que há bem poucos anos esteve em risco de derrocada com os ataques do mar.


Enfim, talvez não fosse o que tinha em tempos em mente para filmar Moledo, mas serve. Não há coisas que desapareceram, com a extensão das dunas, a bola Nívea da praia e o único bar da altura, o extinto Pica-Pau, aberto todo o ano, os torneios de futebol e as míticas idas à Indústria Agrícola, encarrapitada nos montes de Cerveira, em que se via o amanhecer sobre o estuário do Minho, ou outras que permanecem, como os passeios de bicicleta, os jantares em Espanha, já do outro lado, ou as festas com viras e cana verde. Mas naqueles rapazinhos e rapariguinhas que se tornam amigos e que descobrem a terra e a sua envolvente, e nos pais que recordam os melhores verões das suas vidas e que tentam fazer regressar os momentos em que foram felizes (no meu caso, mais nestes), há algo de autobiográfico, de familiar, de próximo que não se consegue negar. Só por isso, valeu a pena exibir o Verão M. Porque sem este M, para todos os que passámos por isto, não haveria Verão.

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A minha bebida deste Verão

por Pedro Correia, em 13.08.18

 

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Chá gelado. Verde, claro.

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Dão-se alvíssaras a quem puder esclarecer

por Rui Rocha, em 08.08.17

Tenho aproveitado o Verão para fazer caminhada e corrida mas não uso telemóvel preso no braço. Estou a violar alguma lei?

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Como um longo e aborrecido Domingo

por Isabel Mouzinho, em 01.08.15

Agosto é o mês de que menos gosto. Associo-o sempre a suor e a calor em excesso, a moscas, a desleixo e a chungaria. O país vive a meio gás, semi-parado como num imenso intervalo, e tudo se centra no Algarve, que passa a ser o lugar a evitar nem que seja por sobrelotação, tal e qual  o metro à hora de ponta, ou perto disso.

Na verdade, tirando a nossa casa, quase todos os sítios são insuportáveis; até Lisboa, antigamente tranquila, preguiçosamente apetecível, muito mais silenciosa e quase vazia de gente e de trânsito é agora tão cosmopolita e turística que perdeu parte da graça e da sua habitual sonolência estival, o que pode fazer de um fim de tarde a olhar o Tejo um verdadeiro massacre, ou no mínimo a confusão garantida.

Tenho comigo esta espécie de desgosto que nem chega bem a sê-lo de, por força das circunstâncias, só poder estar de férias no mês que até para viajar é menos simpático que todos os outros. Nesta altura, nada como permanecer no sossego e na frescura do nosso espaço mais íntimo, ao sabor da vontade de cada momento. Há sempre o lado bom das longas manhãs de sono, de praia, ou de moleza, da chuva inesperada e do agradável cheiro da terra molhada que se lhe segue, das horas que parecem passar mais devagar e dar tempo para fazer tudo o que se quer.

Para mim, Agosto é acima de tudo tempo de arrumações, de balanços e de projectos, de descansar e de preparar a nova vida, que se anuncia para o final do Verão. E isto também são férias!

O sol está mais quente

por Marta Spínola, em 01.07.15

Pois está, e não são precisos estudos para o saber. A mim basta sair da praia e escaldar os pés todos no processo.
É um facto, nos últimos anos sinto a areia muito mais quente muito mais depressa que quando era pequena. Ou tinha pezinhos de amianto, ou não sei. Talvez haja estudos sobre os pés de crianças dos anos 80 e a areia da praia. 

Já nem é só a areia do fim da praia, nem é preciso ser um grande areal. O sol aquece e a areia ferve com ele. Se vou descalça queimo-me, se calço chinelos às vezes a areia mete-se entre eles e um dos dedos, um tormento até os poder tirar.
Sair da praia pode ser uma dor, o que podia ser poético mas não é. Não deixo de ir, naturalmente, mas dói.

É tudo uma questão de exposição

por João André, em 22.06.15

O Verão começou ontem, no solstício de Verão. Ao contrário do que ainda se vai pensando, não estamos mais próximos do Sol. É verdade que ao longo do ano nos vamos aproximando e afastando do Sol, mas não são 6 meses de aproximação (até ao Verão) e 6 meses de afastamento (até ao Inverno). Antes 3 meses de aproximação e 3 meses de afastamento que se repetem. A realidade é que nos equinócios de Outono e Primavera estamos mais próximos do Sol que nos solstícios de Verão e Inverno, os quais têm lugar quando a Terra está à mesma distância do Sol, apenas em pontos opostos. A lógica de o Verão ser equivalente a proximidade do Sol parece simples, mas é uma falácia: na mesma altura do ano, o outro hemisfério do planeta está no Inverno, isto apesar de estar tão próximo do Sol quanto aquele que se encontra no Verão. A diferença de temperaturas não é devida à proximidade, mas ao ângulo que o eixo da Terra apresenta. Este ângulo é o verdadeiro responsável pelas estações. Graças a ele, a Terra vai recebendo quantidades diferentes de radiação solar ao longo do seu processo de translacção. É esta variação das quantidades de sol que provocam o aquecimento (ou arrefecimento) de um hemisfério. Também ajudam a perceber porque razão não é o dia do solstício de Verão o mais quente nem o do solstício de Inverno o mais frio: a radiação solar demora tempo a ser absorvida pelos oceanos, pela atmosfera e pela biosfera, criando assim um atraso no efeito de temperatura. A única certeza que vamos tendo é que o dia de hoje será mais curto que o de ontem e o de amanhã mais curto que o de hoje. Isto numa progressão inexorável até que a Terra se encontre o ponto oposto da sua órbita em torno do Sol. Nessa altura teremos dias muito curtos mas que irão aumentando e duração até dentro de 364 dias, num ciclo que se repetirá ad aeternum até que o Sol um dia (possivelmente, não se sabe) engola a Terra. Nesse dia sim, o Sol estará perto o suficiente para se poder falar de Verão ligado à proximidade do Sol. Infelizmente já não haverá metereologistas para fazer previsões acertadíssimas. Felizmente a crise terá acabado.

Página de um diário

por Helena Sacadura Cabral, em 21.06.15

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Lisboa, 21 de Junho de 2015

 

Entrámos hoje no Verão. Não é uma estação que me seduza. Nem agora, nem antes. É um período excessivo de pormenores dos quais não gosto: muito sol, muita gente, muito suor, muito álcool.

Sou mais das quadras intermédias, como o Outono ou a Primavera, embora esta me cative menos do que a primeira, que também possui alguns excessos. Sobretudo de vida, que desponta por todo o lado.

Dir-me-ão que o Outono tem um lado triste, de fim que se aproxima. É verdade. Mas tem aquele amarelo laranja das folhas caídas das árvores que atapetam as ruas - e pessoalmente me tocam fundo -,  que dão ao campo e às cidades uma uniformidade que nas outras estações se não descortina. Aliás, essa "tristeza outonal", que tantos referem, é o bálsamo indispensável para compensar os cúmulos estivais.

Muitas vezes me tenho perguntado o porquê desta preferência, quando a minha alegria atávica pouco parece ter de comum com tal tristeza. Começo a acreditar que é o balanço psicológico que tal determina e que a sabedoria popular tão bem explica, quando afirma que os opostos se atraem. É um facto, comigo. E não só no campo meteorológico...

Noites de Verão

por Isabel Mouzinho, em 21.06.15

Daqui a algumas horas começa o Verão. Tempo de calor excessivo e de corpos suados, de desleixos, de moscas e de bichos, mas também de despreocupação e de abandono, do vagar  de ver a vida correr, de peles  a saber a sol e a mar, de noites quentes e quietas, de luas enormes e de cigarras a cantar, de desejos indomáveis, de amores breves,  beijos ardentes e molhados, palavras apaixonadas, sinceras  e inconsequentes.

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Teste Delitoratura - 15

por Teresa Ribeiro, em 17.08.14

Onde trabalhava Léah?

 

Solução da pergunta anterior: É assim que Patrick Suskind salva o seu perverso assassino em O Perfume.

Vencedor: o nosso leitor Pedro Almeida.

Teste Delitoratura - 14

por Teresa Ribeiro, em 15.08.14

Tinha sido condenado à morte, mas não se preocupou, pois sabia que para escapar-lhe só teria de se aspergir, no momento certo, com a fragrância que ele próprio criara, a sua obra-prima.

 

Solução da pergunta anterior: O Aleph (em O Aleph, de Jorge Luís Borges).

Vencedor: o nosso leitor Carlos Cunha.

Teste Delitoratura - 13

por Teresa Ribeiro, em 13.08.14

Podia ver-se numa cave escura, no 19º degrau de uma escada.

 

Solução da pergunta anterior: Um lagarto. Tal como consta em A Balada da Praia dos Cães, de José Cardoso Pires.

Vencedor: o nosso leitor Carlos Cunha.

Teste Delitoratura - 12

por Teresa Ribeiro, em 11.08.14

O inspector tinha um animal de estimação fora do comum. Qual era?

 

Solução da pergunta anterior: A Relíquia, de Eça de Queirós.

Vencedora: a nossa leitora Antonieta.

Teste Delitoratura - 11

por Teresa Ribeiro, em 09.08.14

Os embrulhos eram iguais, daí a troca. A tia, claro, não lhe perdoou. Consegue situar esta história?

 

Solução da pergunta anterior: ela é a visão que Marguerite Duras partilha em O Amante.

Vencedora: a nossa leitora Maria Dulce Fernandes.

Teste Delitoratura - 10

por Teresa Ribeiro, em 07.08.14

Nesse dia ela trazia um chapéu de homem, de feltro, mas naquele tempo nenhuma rapariga usava em Saigão um chapéu assim.

 

Solução da pergunta anterior: Refiro-me ao protagonista da novela Um Homem Não Chora, de Luís de Sttau Monteiro.

Vencedora: a nossa leitora Luísa Salema.

Teste Delitoratura - 9

por Teresa Ribeiro, em 05.08.14

Tinha um vício, o das passas de uva. Nas suas deambulações solitárias por Lisboa andava sempre com passas nos bolsos. Quem?

 

Solução da pergunta anterior: Ele era Florentino Ariza, protagonista de Amor nos Tempos de Cólera, de Gabriel Garcia Márquez.

Vencedora: a nossa leitora Antonieta.

Teste Delitoratura - 8

por Teresa Ribeiro, em 03.08.14

 

A ideia de ficar finalmente com ela, isolado do mundo e às voltas num barco, para sempre, era mais do que alguma vez podia ter sonhado. Recordo quem?

 

Solução para a pergunta anterior: A Festa do Chibo, de Mario Vargas Llosa. Vencedor: o nosso leitor João Pedro Lopes, o primeiro a responder sem dúvidas.

Teste Delitoratura - 7

por Teresa Ribeiro, em 01.08.14

 

A "festa" afinal era a dois. E marcou-a para a vida. Durante muitos anos não foi capaz de voltar à ilha do Caribe onde nasceu.

 

Solução para a pergunta anterior: O enredo é de Ulisses, de James Joyce. Vencedor: o nosso leitor Francisco.

Teste Delitoratura - 6

por Teresa Ribeiro, em 30.07.14

Saiu para comprar rins para o pequeno almoço da mulher. Regressou a casa cerca de 24 horas depois, na ressaca de uma bebedeira monumental, final apoteótico de um dia em que nada de extraordinário se passou, a não ser as coisas extraordinárias que se passam num dia normal. Consegue situar este enredo?

 

Solução da pergunta anterior: Quem assim cogitava era Charles Swann em Um Amor de Swann, incluída na obra Em Busca do Tempo Perdido de Marcel Proust. Vencedor: o nosso leitor Carlos Cunha.


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