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Walking by flashlight

at six in the morning,

my circle of light on the gravel

swinging side to side,

coyote, raccoon, field mouse, sparrow,

each watching from darkness

this man with the moon on a leash.

Ted Kooser, Winter Morning Lights: 100 Postcards to Jim Harrison.

 

And now, para terminar e como diziam os gloriosos malucos do circo voador, for something completely different. Maria Schneider é compositora de jazz. Tem a sua própria banda, já passou por Portugal e em 2011 até dirigiu a Orquestra de Jazz de Matosinhos na Casa da Música. Dawn Upshaw é soprano. Nasceu em Nashville mas fez carreira cantando Handel, Mozart e compositores contemporâneos como John Adams. Schneider e Upshaw juntaram-se para musicar nove poemas de Winter Morning Walks: 100 Postcards to Jim Harrison, de Ted Kooser, e quatro poemas de Carlos Drummond de Andrade (nas suas versões em inglês). Pendendo mais para o universo da música clássica que para o do jazz, o resultado é belíssimo. Pormenor curioso: foi realizado através do ArtistShare, um site que possibilita a artistas arranjarem financiadores para trabalhos que pretendem desenvolver, em troca de informação sobre o processo criativo, referência no booklet do álbum e acesso privilegiado a espectáculos. É também lá que podem ser compradas versões em CD ou (mais fácil para europeus, estando a ArtistShare sediada em Nova Iorque) MP3 de Winter Morning Walks – que, como Maria Schneider fez o favor de me informar através de correio electrónico (e eu só comprei a versão em MP3), acabou de vencer três grammys na categoria de música clássica.

 

How important it must be

to someone

that I am alive, and walking,

and that I have written

these poems.

This morning the sun stood

right at the end of the road

and waited for me.

Ted Kooser, Winter Morning Lights: 100 Postcards to Jim Harrison.

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Primeiro em busca de uma imagem cool, depois mais ou menos forçadas umas pelas outras (a concorrência é coisa boa), as operadoras móveis de telecomunicações vêm desempenhando um papel importante na divulgação da música pop/rock nacional, seja através do apoio a festivais de Verão, seja através de projectos menos óbvios, de onde se destacam estações de rádio (Vodafone e Meo Sudoeste) e o apoio directo à produção e distribuição de álbuns (Optimus Discos). O último caso será o mais interessante, tendo dado origem a quase noventa álbuns desde 2009. We Will Destroy Each Other foi lançado em Março de 2013. É o primeiro trabalho de John Almeida, um inglês de quarenta anos (convenhamos: o título ligeirissimamente pessimista deixava entender que ele já abandonara a adolescência há uns tempos) descendente de portugueses, hoje a residir no Porto. Pode ser descarregado legal e gratuitamente no site da Optimus Discos. Enquanto lá estão, aproveitem para ouvir (e fazer dowload de) outros trabalhos. Depois voltem aqui que entretanto já deve haver posts novos.

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Apesar de Laura Mvula ser praticamente desconhecida, o álbum era aguardado com alguma expectativa, circunstância que, no mundo actual de consumo rápido e opiniões ainda mais rápidas e definitivas, constituía tanto uma vantagem como uma ameaça. Sing to the Moon não desilude. Arrasta-se ligeiramente num par de ocasiões, como se, ao primeiro trabalho de longa duração, Mvula ainda não tivesse conseguido separar totalmente o acessório do essencial, os pontos em que já é forte (quando transmite ritmo e energia positiva) daqueles em que deve melhorar (quando aponta a canções intimistas, mais afastadas dos hinos gospel executados pelos coros em que participou), mas nem por isso deixa de merecer destaque entre os lançamentos de 2013. Este tema, Green Garden, é talvez o mais infecciosamente optimista que ouvi no ano passado.

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Ainda 2013 nuns quantos discos. 22: Woman, de Rhye.

por José António Abreu, em 29.01.14

Portanto o álbum chama-se Woman. Escutem um pouco, antes de prosseguirem a leitura. Já está? Não façam batota, cliquem no triangulozinho e aguardem – com o som ligado – cerca de um minuto antes de continuarem a ler. 1, 2, 3, ..., 30, ...,59, 60. OK, vamos lá. Não, não é a Sade. É – aqui vai – um gajo. Pois, já estavam à espera, depois de tanto suspense de má qualidade. Ah, já conheciam. Cambada de... pessoas bem informadas. Então para os três distraídos que passam pelo Delito nos dias em que não se esquecem de o fazer: os Rhye são um duo baseado em Los Angeles composto por um canadiano (o vocalista) e um dinamarquês. (Quem disse que a globalização não é uma coisa bonita?) Woman é o álbum de estreia e inclui algumas canções que soam um bocadinho menos a Sade do que esta. Numa ou noutra até se nota que o vocalista é um homem. Especialmente depois de já se saber.

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Como se diz que não há duas sem três e, pelo menos um par de vezes por ano, gosto de dar uso às velhas pérolas de sabedoria popular, vou começar este texto da mesma forma que comecei os dois anteriores: com um desabafo. Detesto o nome artístico desta rapariga. Tentar fazer carreira com base no nome próprio é de cantor pimba – ou da Beyoncé mas essa é um caso à parte e, de resto, toda a gente lhe conhece o apelido enquanto eu tive que pesquisar imenso para descobrir o de Márcia (Santos). Tem isto importância? Não. Sim. Não. Depende. Não devia ter. Se calhar não tem. Mas pronto. Rant over.

O melhor termo para descrever o segundo álbum de Márcia Santos – a partir de agora vou tratá-la assim – é «depurado». Tanto que, por vezes, tão habituados estamos a música pop demasiado produzida, parece faltar algo. Não falta. É «apenas» delicado (título de uma das canções), preciso, quase nada – passe o trocadilho básico – marcial. O tema deste vídeo conta com a participação de Samuel Úria, cujo álbum do ano passado não surgirá nesta série apenas porque recuso voltar a aumentar o número de entradas (tem o sublime título O Grande Medo do Pequeno Mundo e – amor com amor se paga e, eureka, ainda estamos em Janeiro e já despachei a quota de pérolas de sabedoria popular – inclui um dueto com Márcia Santos que, em primeira audição descuidada, cheguei a pensar basear-se na vida de António José Seguro). Informação acessória: Márcia Santos estará no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, no dia 7 de Fevereiro, e na Casa da Música, no Porto, no dia 14 do mesmo mês.

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Actores que decidem começar a cantar profissionalmente são uma das coisas mais irritantes que há. Sendo que o inverso é igualmente mau. (For the record, a lista de coisas que me irritam é apenas um tudo-nada mais curta que a lista de promessas quebradas pelos políticos portugueses desde a época em que Dom Afonso Henriques ainda levava palmadas da mãe.) A minha convicção a este respeito é tão forte que não vale a pena mencionarem exemplos que imaginam provar o contrário: obrigar-me-iam a escarnecer da maioria e a ignorar os restantes. Excepções são excepções e fiquemos por aí.

Clarificado este ponto, devo dizer que gosto de Hugh Laurie, até mesmo quando canta. Já gostava quando ele se limitava a temas de candente humor cínico vindos da época do programa Fry & Laurie e gosto agora, que decidiu dedicar-se aos blues. Gosto porque se nota que é um fã genuíno e porque mantém uma faceta de auto-derisão (repare-se no início do vídeo – e atenção à ortografia) que torna difícil acusá-lo de inconsciência ou pretensiosismo, mesmo sabendo-se que nasceu em Oxford, Reino Unido, um sítio tão ligado à comunidade negra do Sul dos Estados Unidos como eu estou ligado à Charlize Theron. Que é como quem diz: fisicamente nenhuma relação, espiritualmente tudo é possível.

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Na última década, alimentada por trintões e quarentões saudosistas, a música dos anos oitenta tornou-se uma praga. Agora, alimentada por miúdos que mal a conhecem, faz nascer uma catrefada de bandas para quem os sintetizadores são um universo de inovação. Hesitei entre incluir nesta série os escoceses Chvrches, as manas californianas Haim e a (parece que) luso-descendente e também californiana Sky Ferreira. Escolhi a última não por ser gira (as Haim e a vocalista dos Chvrches também são) nem por ter genes lusos (bom, talvez isso tenha pesado um pouco) mas por, sendo esta série de posts acerca de álbuns, as Haim me parecerem melhores ao vivo (ver actuação no link anterior) e Lauren Mayberry, dos Chvrches, ter uma voz que tão depressa me parece adorável como extremamente irritante. Ah, e ainda porque, escolhendo Sky Ferreira, posso apresentar-vos Toby. Surge no vídeo abaixo, realizado para o tema Red Lips, pertencente ao EP Ghost, de 2012. Num indício de que Sky ainda buscava (e provavelmente busca) um registo próprio, soa (sem grande surpresa, atendendo a que foi co-escrito por Shirley Manson, dos Garbage) mais a bandas de riot girls como as Hole ou as L7 do que a electropop. Começar a ver e desistir a meio será considerado batota e fará perder o acesso ao blogue.

(O estilo anos oitenta de Sky nota-se mais no primeiro single mas eu prefiro o tema do vídeo acima.)

 

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Tal como os Peixe:Avião (com quem partilham o baterista), nasceram em Braga. No site deles, na zona da biografia, encontra-se o seguinte: They were inspired by the 1976 short-film “Dear Phone” by Peter Greenaway, to express their will to decant soap operas and cheesy pocket paperback dramas through hard, frugal, minimalist compositions. Concordo com a parte das composições minimalistas (num registo de pop electrónica) e talvez concordasse com a decantação de telenovelas e livros de bolso pirosos se eles não tivessem incluído no álbum uma versão electrónica do ainda bastante recente mas já clássico e nada piroso The Revelator, de Gillian Welch. Ponto digno de menção: conseguem que um fã do original não se torça de desagrado ao ouvi-la. E, sim, no que me diz respeito isto é um grande elogio.

P.S.: Fica a informação de que, ao ouvir as primeiras quatro palavras do tema apresentado no vídeo, sinto-me invariavelmente obrigado a devolvê-las à vocalista (chama-se Graciela, o que a torna uma espécie em vias de extinção e, por conseguinte, digna de todos os cuidados) enquanto, com um suspiro mental, penso: «Mentirosa».

P.P.S.: Uma vez pareceu-me que também havia um gajo a cantar mas a alucinação passou-me depressa.

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Para que não restem dúvidas, estamparam o manifesto na capa do álbum e debitam-no no início deste vídeo. As Savages (três britânicas, uma francesa – a vocalista) recusam perder tempo com frivolidades. Acham que o mundo tem demasiado ruído. Que as pessoas andam distraídas e, com ajuda da tecnologia e das redes sociais, num frenesi de comunicação irrelevante. É também por isso que espalham cartazes pelas salas onde se apresentam ao vivo proibindo a utilização de telemóveis. Por desejarem que os espectadores estejam verdadeiramente ali, verdadeiramente naquele instante. Por isso e por não gostarem de actuar para uma plateia de aparelhos digitais. Evidentemente, com a pitada de ironia que se vai tornando inevitável, a posição delas (que parece genuína) gerou bastante discussão nas redes sociais, servindo como excelente instrumento de marketing (a internet é actualmente um dos expoentes da sociedade consumista: assimila e aproveita tudo, até mesmo as críticas). Quanto à música, trata-se de um post-punk à Joy Division ou Siouxsie and the Banshees, dificilmente original (o que é original, hoje em dia?) mas debitado com uma convicção digna de registo.

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Ainda 2013 nuns quantos discos. 16: Roma, de JP Simões.

por José António Abreu, em 23.01.14

De forma similar a muitos brasileiros (não por acaso lhes vai buscar os ritmos em vários temas) ou a génios do calibre de Sérgio Godinho, JP Simões é capaz de usar a língua portuguesa como se fosse plasticina, esticando-a de modo a adquirir sentidos inesperados, torcendo-a em trocadilhos fonéticos, encaixando-a na música como se a velha história de ela não se prestar a ser cantada fosse um refúgio para pessoas sem talento. Mais: como Godinho, é capaz de fazer música com conteúdo político mantendo uma ironia e uma leveza dignas de registo.

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Pensem em alguém que normalmente use penteados e roupa extravagantes. O grau de surpresa que causa nos outros vai diminuindo com a passagem do tempo. A partir de certa altura, surpreenderia mesmo mais adoptando um estilo conservador. É sensivelmente isto que se passa com a carreira de Eleanor Friedberger. Os Fiery Furnaces, de que constituiu (ou constitui, visto não estarem oficialmente extintos) cinquenta por cento, faziam canções que pareciam colagens de ideias para três ou quatro canções diferentes, cada uma delas num estilo musical distinto. Personal Record (título nada inocente), o segundo álbum que lança a solo, apresenta 12 temas que parecem mesmo 12 temas, todos num estilo que poderá enquadrar-se no pop/rock clássico. Mais normal? Sem dúvida, apesar da voz de Eleanor manter o lado ligeiramente offbeat que me deixa sempre (e suponho que a qualquer outro fã dos Fiery Furnaces) à espera do momento em que o tema guinará bruscamente, entrando em contramão na auto-estrada.

 

(Quem preferir evitar a entrevista pode saltar para os 12'25" após os primeiros dois temas.)

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Ainda 2013 nuns quantos discos. 14: Now, de Big Fox.

por José António Abreu, em 21.01.14

Os nórdicos parecem especialistas nos extremos: têm bandas de heavy aos pontapés (por vezes literalmente) mas também debitam paletes de intérpretes pop. A Big Fox sueca Charlotta Perers (ei, foi ela quem escolheu o nome) é mais um óptimo exemplo de pop elegante e despretensiosa.

 

Informação importante (ou talvez mesmo muito importante)

Como, a avaliar pelo número total de comentadores registado até ao momento (três, se descontarmos um pertencente à casa), esta série de posts está a suscitar um interesse fora do comum, decidi que terá vinte e cinco entradas em vez das vinte inicialmente previstas. Quaisquer reclamações devem ser enviadas para a gerência (i.e., Pedro Correia ou Ana Vidal) através de correio electrónico, sendo apenas consideradas as que incluírem nome, morada, número de telefone e duas fotos do(a) reclamante, uma das quais de corpo inteiro.

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Faz-me confusão que a revista Blitz tenha elegido Almost Visible Orchestra, de noiserv, como o segundo melhor álbum nacional de 2013. Não por razões musicais (o segundo lugar serve, como serviriam o primeiro, o terceiro ou o sétimo) mas porque a Almost Visible Orchestra faltam seis segundos para atingir os trinta minutos de duração. Serão vinte e nove minutos e cinquenta e quatro segundos de música suficientes para constituir um álbum? Nos tempos do vinil, a falta de espaço forçava-os a não irem além dos quarenta e poucos minutos. A capacidade do CD (quase 80 minutos) fez disparar as durações. Agora, com a transição para o mundo digital, os álbuns voltam a encolher, de tal forma que menos de 30 minutos de música já parecem suficientes para justificar a designação. A mim, que faço questão de os adquirir, parece-me pouco. Almost Visible Orchestra é, quando muito, um mini-álbum. Um almost visible album. De qualquer modo, Almost Visible Orchestra constitui inegavelmente um prazer, ainda que de curta duração. Ou até dois, se levarmos em conta a beleza e inteligência da embalagem (optem pela versão em CD). É verdade que, nos meus piores momentos, a música de David Santos me parece uma versão invertida da dos The Knife: enquanto a dos suecos ameaça com um futuro ominoso, a do português remete para um passado de inocência infantil – que o ouvinte (bom, pelo menos eu, nos tais maus momentos) sabe não apenas que não voltará como que provavelmente nunca existiu. Nos outros momentos, porém, este mini-álbum (não sou teimoso, sou coerente) com temas intitulados Today is the same as yesterday, but yesterday is not today, Life is like a fried egg, once perfect everyone wants to destroy it, I will try to stop thinking about a way to stop thinking, It’s useless to think about something bad without something good to compare e Don’t say hi if you don’t have time for a nice goodbye é pura filigrana.

 

 

P.S.: Mais uma vez, não resisto a deixar aqui dois vídeos. Se acharem mal, peçam fiscalização sucessiva ao TC.

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Voltemos ao minimalismo. Para fazer jus ao termo, pouco tenho a dizer sobre Loud City Song, o segundo álbum da californiana que mais do que fazer música povoa silêncios. Foi apenas uma das coisas mais fascinantes do ano que passou.

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Ainda 2013 nuns quantos discos. 11: Matangi, de M.I.A.

por José António Abreu, em 18.01.14

Nutro por M. I. A. (Maya Arulpragasam, nascida em Londres, residente no Sri Lanka entre os seis meses e os dez anos de idade, pai activista Tamil), a mais pura relação de amor-ódio. O que é cinquenta por cento mais simpático do que ela sentiria por mim, se me conhecesse. Estranhamente (ou não), o álbum de M.I.A. que prefiro é aquele de que menos gente parece gostar: Maya, de 2010. Matangi, o mais recente, tem tudo o que seria de esperar: ritmos variados, exagero de auto-referências, letras simplistas. Mas também uma refrescante falta de consideração por opiniões alheias. Estando lá incluído, este tema surgiu há um par de anos, mais ou menos na época em que as dificuldades encontradas pelas mulheres sauditas para conduzirem veículos tiveram algum eco nos meios de comunicação. O vídeo é… não sei se há adjectivos adequados.

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A saída de Mónica Ferraz podia ter sido mortal e, de certo modo, foi. É inevitável: procura-se a sua voz enquanto se ouve Pés Que Sonham Ser Cabeças. E acaba por ser tão complicado parecer encontrá-la como detectar as diferenças. Não que Rita Reis cante mal. Pelo contrário. E a pop inteligente dos Mesa não desapareceu. Mas talvez esteja um bocadinho demasiado igual a si mesma para que a troca de vocalista passe sem causar desconforto no ouvinte. Coisas lixadas, a expectativa e o hábito. Talvez no próximo álbum fique mais fácil.

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Há quem os considere uma cópia dos XX. Talvez sejam. Ainda assim, a voz de Hannah Reid e a sonoridade escura fazem muito o meu género. Se o álbum tem algum defeito, é ser ligeiramente monocórdico. Mas o último dos XX também era.

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Há participações de Prince e de Erykah Badu e, numa época em que os álbuns regressaram aos trinta e tal minutos de duração (voltarei ao assunto), é composto por quase vinte temas e mais de uma hora de música. Juntando-lhe os vídeos e a pose geral, é como se as Supremes, vestindo fatos de cat woman, tivessem invadido o planeta Mongo (consultar Flash Gordon), entretanto redesenhado pelo espírito de Júlio Verne com uma ajudinha dos tipos que na Google projectam carros autónomos e vestuário com ligação à internet.

P.S.: Não resisto a incluir dois vídeos em vez de um. No primeiro, a frase repetida na folha da máquina de escrever é «We will create and destroy ten art movements in ten years».

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Os Peixe:Avião, nascidos na cidade dos Mão Morta e do Rui Rocha, são uma daquelas bandas que, desde o primeiro disco e no que pode muito bem constituir a situação ideal para uma banda de rock alternativo, parecem encontrar-se um par de centímetros fora da zona iluminada pelas luzes da ribalta. Têm sido acusados de se deixarem influenciar em excesso pelos Radiohead mas, existindo de facto angústia e sonoridades escuras e ambientais na sua música, tais acusações sempre me pareceram um bocadinho exageradas (seja como for, convenhamos que há piores influências). O álbum mais recente é o melhor dos três que já lançaram, apesar de, como os anteriores, não me convencer inteiramente. Talvez porque também o som deles me pareça sempre no limiar de algo ainda melhor. Mas vai-se a ver e é esta sensação de estar à beira de qualquer coisa verdadeiramente significativa (uma sensação reforçada pela voz frágil – no bom e no mau sentido do termo – do vocalista Ronaldo Fonseca) que torna a sua música tão fascinante.

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Houve outros breakup albums em 2013. About Farewell, de Alela Diane, e If You Leave, de Daughter, para mencionar apenas dois. Numa época em que a estabilidade das relações parece cada vez menos importante, talvez seja estranho terem sido tantos. Ou então, precisamente porque as relações são cada vez mais efémeras, será natural: separações frequentes significam desgostos frequentes e uma percepção acrescida de que a felicidade absoluta (um objectivo de sempre, transformado em quimera dos dias que correm) não existe. 2013 terá até gerado demasiados breakup albuns, considerando como alguns pareceram simples lamentos (um bom álbum de ruptura amorosa tem de passar da incompreensão a algo mais virado para o futuro, nem que seja através de uma demonstração de raiva). Tudo somado e revelando-se bastante mais do que isto, Once I Was an Eagle, de Laura Marling, foi, de entre os que ouvi, o melhor breakup album do ano passado.

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