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Delito de Opinião

Tugal

Pedro Correia, 11.12.25

 

Mais de 60% dos portugueses, segundo o Expresso, exprimem apoio à greve que hoje promete paralisar transportes aéreos, ferroviários, rodoviários, marítimos e fluviais, além de escolas, creches, hospitais, centros de saúde, lares para idosos, centros de dia, tribunais, protecção civil, serviços de higiene e limpeza, universidades, museus, arquivos e bibliotecas. Tal apoio abrange até metade dos eleitores da AD. Isto num país onde só 7,2% dos trabalhadores estão sindicalizados, como revela o Público. Em 1977, a taxa de sindicalização subia aos 77%.

Apoio abstracto às centrais sindicais que decretaram a primeira greve geral conjunta em 12 anos, indiferença total quando chega o momento do apoio concreto - começando pelo pagamento de quotas, situado em metade da média dos países da OCDE

Mais palavras para quê? Tugal no seu melhor.

Nove anos depois do Europeu

Pedro Correia, 10.07.25

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A 10 de Julho de 2016 - há nove anos exactos - a selecção nacional de futebol sagrava-se campeã da Europa. Derrotando na final a equipa anfitriã, a de França.

Selecção formada por portugueses, treinada por um português, tendo por capitão um português cinco vezes eleito o melhor futebolista do mundo. Elogiada por numerosos estrangeiros. Mas depreciada em Portugal desde o primeiro dia. Depreciação que se prolongou mesmo após a conquista do cobiçado troféu, nunca antes ganho por uma equipa portuguesa. Que não houve mérito, que só foi possível por sorte, que melhores eram as outras, etc.

 

Faz parte do nosso inconsciente colectivo. Talvez seja até componente da nossa identidade nacional.

Uns edificam, constroem, distinguem-se, galgam fronteiras, alcançam proezas, superam obstáculos, dobram cabos das tormentas. Outros permanecem no sofá doméstico a ruminar críticas ao sucesso alheio.

 

Faz parte de uma "certa maneira de ser português".

E não é de agora. É de sempre.

Polémica tuga sobre o luto pelo Papa

Pedro Correia, 26.04.25

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Medra uma acesa polémica nas redes digitais em torno dos três dias de luto nacional concedidos pelo Governo para assinalar o falecimento do Papa Francisco, esta manhã sepultado em Roma.

Porquê? Porque Portugal "é um Estado laico". 

Uma daquelas polémicas tipo bolhas de sabão, tão férteis no caldeirão das redes, como a dos jacarandás de uma avenida lisboeta que há um par de semanas sobressaltava outras almas - ou talvez as mesmas. 

 

Acontece que o luto nacional por um líder religioso em nada fere a laicidade do Estado. Muito débil andaria a dita laicidade se assim fosse. Muito menos de uma confissão religiosa claramente maioritária no País (80,2% dos portugueses declaram-se católicos) e que aliás precede a própria fundação da nacionalidade. Ou seja, antes de haver Estado neste território que hoje chamamos Portugal, já existia religião cristã. 

Acresce que a declaração de três dias de luto nacional é prática reiterada, não nasceu agora. Aconteceu há 20 anos, quando faleceu o Papa João Paulo II e o Chefe do Estado português era Jorge Sampaio, que aliás compareceu às exéquias solenes do Pontífice no Vaticano. À data, José Sócrates chefiava o Governo.

Falta sublinhar que, à luz do direito internacional, Francisco era também chefe de um Estado - a Santa Sé. Figura política, não apenas religiosa. 

 

Três dias de luto nacional decretados pelo Estado português mereceram antes, por exemplo, o presidente egípcio Anwar Sadat (1981), Samora Machel (1986), o imperador japonês Hirohito (1989), Nelson Mandela (2013) e a Rainha Isabel II (2022), aliás também chefe da Igreja Anglicana. 

Já o Estado brasileiro, igualmente laico, não fez a coisa por menos: Lula da Silva decretou sete dias de luto nacional pela morte do Papa. E dirigiu-se aos cidadãos do seu país enaltecendo a figura de Francisco em palavras comovidas, além de ter comparecido não apenas no funeral mas no próprio velório do Santo Padre, que contou com a presença de 60 chefes de Estado - 51 presidentes e nove monarcas - e 18 primeiros-ministros. 

O que talvez cale alguns dos críticos cá na terra, muitos deles admiradores incondicionais do socialista Lula. Ou, se calhar, não. As redes equivalem às fornalhas: precisam de ser alimentadas com incessante combustível. Quando não há polémica, qualquer pretexto serve para parir mais uma.

Da idolatria

Pedro Correia, 28.02.25

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Os comentadores da direita extremista - como se verifica nas caixas de comentários do DELITO - expressam um ódio à Europa liberal em tudo idêntico ao da esquerda mais extremista.

Ódio que tem hoje farol e guia: Donald Trump, cem por cento descendente de europeus, filho de imigrantes de segunda geração e neto de quatro avós que não tiveram o inglês como língua materna. *

 

Este ódio visceral está expresso numa frase debitada anteontem pelo novo-velho inquilino da Casa Branca, com a elegância que o caracteriza e a arrepiante ignorância histórica de que dá mostras quotidianas: «A UE foi criada para lixar os EUA.»

Mas este assumido anti-europeu e "pacifista" belicoso que acaba de declarar guerra comercial à União Europeia impondo taxas draconianas à importação de produtos aqui produzidos (prejudicando também Portugal), num ataque despudorado aos princípios liberais, vive no lado de lá do oceano.

Pode dar-se ao luxo de tratar inimigos como aliados e aliados como inimigos. É, aliás, o que tem feito desde o primeiro dia do seu novo mandato.

 

Os fanáticos apoiantes dele cá do burgo beneficiam da democracia liberal europeia (o sistema político mais invejado do mundo), mas escrevem como se odiassem Portugal. E como se desejassem viver na terra do Tio Sam.

Azar deles: o falso pacifista, filho e neto de imigrantes, declarou guerra também à imigração. Nenhum destes membros tugas do seu clube de fãs seria hoje admitido como residente nos EUA. Para não contaminarem a "Terra Prometida".

Terão de aplaudir o Bonaparte de Mar-a-Lago à distância.

Coitados, deve ser penoso. Idolatram quem os rejeita - a eles, ao país onde nasceram, ao continente onde residem.

 

* Trump assinou hoje um decreto impondo o inglês como idioma oficial dos EUA, facto inédito na história do país, independente há quase 250 anos. Freud talvez explique.

Da doentia exibição da inveja

Pedro Correia, 18.12.24

Poucas coisas me chocam tanto como a exibição - tão tristemente portuguesa - da inveja e do despeito perante todos aqueles que se distinguem, se valorizam, se superam a si próprios, conseguindo ultrapassar a estreiteza de horizontes a que poderiam estar condenados, contrariando todas as sinas e todos os fados para singrar na vida.

Se esse sucesso ocorrer num palco internacional, suscitando aplausos além-fronteiras, a inveja aumenta em proporção geométrica. E atinge delírios irracionais.

De todos os sintomas de menoridade que nos caracterizam, este é um dos mais notórios. E um dos mais entranhados. Como se fizesse parte do nosso inconsciente colectivo. E talvez faça mesmo, o que explica muito do que se lê e escuta por aí.

Mali, Senegal ou Congo: é só escolher

Pedro Correia, 18.01.24

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Reparo no logótipo eleitoral 2024, que vi aqui pela primeira vez.

Passámos mesmo então a ter oficialmente três cores listadas: verde, amarelo e vermelho. Como o Mali, o Senegal, a Etiópia, a Guiné, o Congo, Benim, Gana ou os Camarões. Por vontade do Executivo com maioria absoluta de menor duração da nossa história democrática.

Enfim, um governo absolutamente incapaz de fazer reformas ao fim de oito anos de mandato ininterrupto encontrou aqui um desígnio reformista: transformar a bicolor bandeira portuguesa em tri - talvez como símbolo da "interseccionalidade", ou lá como chamam a essa treta.

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Mas se o amarelo da esfera armilar tem pujança suficiente para ser promovido a faixa cromática autónoma, emparceirando com o verde e o vermelho, por que raio discriminar o azul e o branco, que também pigmentam o escudo nacional?

Eis outra sugestão "reformista", agora já só possível de aplicar na próxima legislatura. Uma bandeira pentacolor. À atenção de quem se prepara para congeminar o programa eleitoral do P(Nuno)S.

Entretanto, deixo aqui três cromos. Com as bandeiras de alguns dos países africanos a que estes génios da desgovernação nos querem equiparar. Façam o favor de escolher qual é a da vossa preferência.

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Bandeira do Mali

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Bandeira do Senegal

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Bandeira do Congo

O país das quatro mil taxas

Pedro Correia, 29.03.23

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É um número impressionante: há mais de quatro mil taxas em Portugal. Serão cerca de 4300, em números redondos - cerca de 2900 cobradas pela Administração Central.

Tantas, ao ponto de ninguém conseguir uma lista exaustiva, rigorosa e actualizada de tudo isto. Que serve para confirmar como é demencial o esbulho tributário neste país, o sétimo pior em distribuição de riqueza per capita na União Europeia.

Alguns, geralmente da esquerda mais radical, dizem que «ainda falta fazer a revolução». Dou desde já o meu contributo: acabar com estas taxas. Revolução digna de aplauso. Mãos à obra, camaradas.

Um país esquizofrénico

Pedro Correia, 06.12.22

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A primeira página do Expresso da semana passada propicia-nos a imagem de um país esquizofrénico. Este, o nosso. Em que o «preço das casas tira 76 mil pessoas de Lisboa e Porto», em que «só 7% das empresas sobem salários ao nível da inflação», em que o «cabaz de alimentos nunca esteve tão caro» e em que até o presidente do grupo Jerónimo Martins reconhece que «muitos já não têm com que comprar» nesta doce nação agora no oitavo ano consecutivo sob a batuta de António Costa.

Isto por um lado. Por outro, com títulos colados a estes, celebra-se o «turismo em alta no Natal e no Ano Novo» e divulgam-se «126 ideias de sugestões e prendas». Uma dessas sugestões do Expresso pode adquirir-se pela módica quantia de 1420 euros - muito acima do salário médio de um português. É um elegante "cadeirão Harold", com «estofo aveludado em verde, com pés em nogueira e acabamento em mate». A perfeita prenda natalícia.

País esquizofrénico. Imprensa esquizofrénica também.

Sede interminável

Pedro Correia, 13.07.22

- E para beber, o que deseja?

- Uma cola.

- Não temos. Só Pepsi. Pode ser?

- Pode. Pepsi também é cola.

- Como disse?

- Nada...

- E deseja a Pepsi fresca?

- Claro.

- Gelo e limão?

- Limão, não. Só gelo.

- Não deseja limão?

- Não. Só gelo.

- E quantas pedras?

- Duas ou três.

- Uma palhinha?

- Não é preciso. Detesto palhinhas.

- Como disse?

- Nada...

Inquéritos à portuguesa

Pedro Correia, 01.06.21

Três semanas depois do "rigoroso inquérito" mandado instaurar pelo ministro da Administração Interna aos distúrbios ocorridos no dia em que o Sporting se sagrou campeão nacional de futebol, alguém faz a mais remota ideia acerca disto? Qual o ponto da situação? Ainda não apuraram nada? Estão à espera que passe mais quanto tempo?

E o ministro, o que tem a dizer a isto? Terá mesmo alguma coisa a dizer?

Australopiteco

Pedro Correia, 04.05.21

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De repente, assistimos ao milagre da multiplicação de "empresários" neste país. As revistas cor-de-rosa e a imprensa desportiva estão infestadas de gente que assim se intitula. Sem possuir qualquer empresa, sem ter gerado um só posto de trabalho, sem nada contribuir para a criação de riqueza - excepto, e nem sempre, a que consta das respectivas contas bancárias.

Há dias o país assistiu, atónito, à agressão de que foi alvo um repórter de imagem da TVI por parte de um destes sujeitos que se intitulam "empresários" e se pavoneiam de bar em bar, copo na mão e sorriso no rosto, exibindo um verniz que mal oculta a grunhice sempre pronta a vir à tona. Logo se difundiu a notícia de que o agressor é "empresário". Fatal como o destino: são mais do que as pedras da calçada.

Vai-se a ver e o fulano afinal é mero angariador de jogadores de futebol para o FC Porto. Assim uma espécie de porta giratória: traz um, despacha outro, embolsa as mais-valias deste árduo esforço de intermediação. É quanto basta para o tornar personagem muito requisitada em festarolas fotografadas nas redes sociais.

Porém, mal a equipa dele empata noutro estádio nortenho, logo o dito "empresário" solta o australopiteco que transporta lá no fundo. Vai daí, arremete contra as ventas do parceiro mais à mão. Esvai-se o sorriso, fecha-se o punho, estala o verniz. Perde-se qualquer esboço de civilidade.

Só não se perde mais um "empresário" porque este afinal nunca existiu.

Conversa portuguesa, com certeza

Pedro Correia, 29.04.21

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- Como vai?

- Assim-assim.

- E a família?

- Mais ou menos.

- E lá no emprego?

- Uns dias melhor, noutros dias pior.

- Deixe andar, que as coisas melhoram.

- Talvez sim, talvez não. E você e os seus?

- Cá vamos andando, como Deus manda.

- Vou pôr-me a caminho. Desejo-lhe muita saúde, que é o que é preciso...

- Até um dia destes. Gostei de conversar consigo.

Uns lambões

Sérgio de Almeida Correia, 18.12.20

img_432x243$2020_12_15_22_58_43_998384.jpg(créditos: Rodrigo Antunes/Reuters)

Quando se está longe do rectângulo e são muitas as preocupações, creio que para quem está fora haverá a tendência para desvalorizar as lutas de pintos e carapaus em que o país regularmente se envolve.

Os motivos para que tal suceda são muitos. Os actores que temos ainda não têm a classe de alguns dos agentes dos livros de Le Carré, Greene ou Maugham. As histórias são muitas vezes requentadas. A informação que chega é normalmente má, pouco esclarecedora; não raro tendenciosa.

Acontece, todavia, que, por vezes, graças à televisão e à miríade de novas tecnologias ao alcance de qualquer um, se estabelece uma ligação directa entre tais personagens e os cidadãos em geral, qualquer que seja o ponto do globo onde se encontrem.

É por isso que um tipo poderá estar num lugar nos confins da Antárctida a fazer o seu trabalho, em sossego, e de repente surge um curto-circuito e vê os dias perturbados pelas armas que desapareceram e foram recuperadas sob o olhar seráfico das lunetas de um qualquer ministro da Defesa, que não sabia, não sabe e nunca soube de nada, ou pela voz tonitruante do senhor das Infra-estruturas e da Habitação.

Quando se pensa que as coisas poderão estar a acalmar, logo nos chegam boas novas dos pastéis de Belém, das traquinices do professor (a)Ventura, das lições de inglês do treinador do Benfica, das acolhedoras visitas do líder do CDS a empresários e chefes de cozinha em greve de fome, ou dos assentamentos de vigas em que de tempos a tempos se envolve a malta da Administração Interna. E, depois, como se não pudesse passar sem marcar o ponto, lá aparecem o Costa do entrudo e o gigantone de Boliqueime.

O traço comum a todas estas figuras é o modo como se fazem ouvir. À medida que perdem autoridade fixam o olhar e engrossam a voz. Segurem-se que vem aí o Carmo e a Trindade.

Mas ao lado destes há outros, que não se sabe bem de que filme vieram, nem para que peça seguirão. Estes vêm normalmente dos assentos puídos das estruturas da administração pública, tendo ultimamente tendência para passarem longas horas a debitar conselhos diante de microfones e câmaras de televisão, que podem ir da melhor forma de ir à horta da vizinha apanhar umas couves até às mil e uma maneiras de se empacotar o Covid-19.

E quando todos esperavam que o dr. Macedo, da CGD, ou o dr. Mexia, ex-EDP, do alto da suas convicções patrióticas, se apresentassem ao serviço na TAP, para mostrarem aos sindicatos e aos portugueses como se podem fazer milhões com a prata da casa, sem se empurrarem os prejuízos para debaixo do tapete, nem se sobrecarregar o estado social com assalariados pequeno-burgueses, crentes e reformados depenados, assim aliviando as preocupações de Pedro Nuno Santos, eis que chega a proposta de um candidato a rei mago de se antecipar a celebração do Dia de Natal para a véspera.

Creio que a proposta é fascinante, maravilhosa mesmo, e capaz de gerar um movimento transversal à sociedade portuguesa, quem sabe se com repercussões internacionais, no sentido de se levar essa ideia mais longe, explorando todas as suas vertentes, como forma de antecipação do fim da pandemia.

Se foi possível adiar o Europeu de futebol e mudar os Jogos Olímpicos, é óbvio que faz todo o sentido mudar o Natal, e por essa via será possível mudar o mundo, dar a volta às previsões da OMS e ignorar todas as reticências que têm sido colocadas sobre o momento em que se regressará à normalidade.

Pessoalmente, não estou convencido de que haja qualquer vantagem em se regressar ao tempo anterior à pandemia porque isso nos colocará à mercê de nova pandemia. Um dia são as galinhas, no outro são os porcos, a seguir vêm os morcegos e os pangolins, e não se sai disto.

Daí que o ideal seja acolher a proposta daquele senhor, sugerindo eu que se tenha a visão suficiente de levar além da imaginação essa proposta de antecipação do Natal para 24 de Dezembro.

É que sendo neste momento poucas as hipóteses de se dar cabo do vírus, mesmo com vacinas, antes de meados de 2021, talvez seja possível queimar algumas etapas, antecipando desde já o Carnaval para o Dia de Ano Novo, celebrando a Páscoa na terça-feira de Carnaval e a Missa do Galo de 2021 em 24 de Abril, que seria a véspera do Natal “em liberdade”, que poderia voltar a ser celebrado num dia 25, com o que ganharíamos oito meses de uma assentada.

Tudo isto teria também correspondência nos calendários eleitorais e políticos, pois os mandatos do Presidente da República e do Primeiro-Ministro também passariam muito mais depressa, com os consequentes ganhos em termos orçamentais e a redução do período entre eleições. Poupava-se nos mandatos, nos discursos, nas comissões de inquérito, nas greves e até nas prescrições de uns quantos processos judiciais.

O mesmo se passaria com os mandatos dos líderes partidários, antecipando-se congressos e despachando-se desde já o dr. Rio, poupando-o a maiores sofrimentos, bem como ao Chicão a vexames culinários, e ao camarada Jerónimo à perda de mais um título para os lados da Luz. Já o Bloco poderia evaporar-se ainda mais depressa, dando sentido aos porfiados esforços que a sua direcção tem feito nesse sentido. 

Enfim, não quero ser demasiado optimista. Não digo que fossem só vantagens. Seria sempre muito difícil separar o par Pinto da Costa/Ana Gomes, por exemplo, como fazer o Sporting chegar mais depressa ao título com o VAR, ou ver a tal Cristina eliminar o cheiro a fritos dos canais por onde passa. Mas restaria sempre essa esperança do CR7 jogar mais duas ou três épocas.

Fundamental era mesmo que não se alambazassem com as compotas. Lá porque estão ao fundo das escadas e andam há anos a dar cabo do mel e das bolachas, não quer dizer que possam fazer tudo por antecipação. Ninguém gostaria de os ver rebolar porta fora, com o rebanho do PAN, antes da chegada das vacinas e de fazerem a digestão das broas e do bolo-rei.