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Delito de Opinião

TUDO É TABU: ecos do meu livro

Pedro Correia, 11.06.25

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Ana Miguel dos Santos:

«Recomendo a leitura do novo livro do Pedro Correia, Tudo é Tabu. Num tempo de ideias rígidas e debates limitados, este livro provoca, questiona e faz pensar.»

Facebook, 12 de Março

 

António Bagão Félix:

«Um livro necessário e corajoso para aumentar a consciência das novas e sinuosas formas de ditadura do pensamento, com um método de exemplificação muito eficaz.»

24 de Setembro

 

António Costa Amaral:

«Contra todos os que reclamam "na dúvida proíba-se", com convicção resista-se. Contra o obscurantismo, a visibilidade. Contra o silenciamento, a partilha. Contra os tabus tribalistas, a civilização. Contra a mesquinhez, a integridade, coragem, humor, e inteligência. E o Pedro Correia está a fazer a sua parte, e que grande parte, com o "Tudo é Tabu".»

Linkedin, 5 de Julho

 

Fernando Alvim:

«[O livro vai] ao fundo buscar casos de censura, casos de cancelamento, muitos deles em Portugal. São muitos os casos aqui tratados, alguns deles nem eu conhecia.»

Prova Oral (Antena 3), 12 de Junho

 

Fernando Madaíl:

«Kant tinha uma "faceta misógina", Darwin era "racista", Gauguin "pedófilo", Voltaire "defendeu" a escravatura, Hemingway revelou "antissemitismo", a estátua que Miguel Ângelo fez de David é "pornográfica", a peça Romeu e Julieta, de Shakespeare, pode levar espectadores ao "suicídio". Os cem exemplos escolhidos por Pedro Correia para o livro "Tudo é Tabu" (ed. Guerra & Paz) sublinham alguns dos absurdos da actual tendência para condicionar a liberdade de expressão, com "patrulheiros" a "ditar dogmas" e a "decretar anátemas".» 

Correio da Manhã, 4 de Agosto

 

Francisco José Viegas:

«Hoje, a censura progressista espalhou-se pela universidade, pela imprensa e pelas artes. Para registar esses atropelos, Pedro Correia escreveu um livro precioso, Tudo é Tabu

Correio da Manhã, 28 de Junho

 

Francisco Seixas da Costa:

«O meu amigo Pedro Correia recentemente escreveu "Tudo é tabu - cem casos de novas censuras". O livro, muito bem escrito e muito polémico, é sobre isso mesmo. No texto, o autor sublinha o que entende serem os exageros desta onda avassaladora de pressão para a adoção de novas atitudes. Estou a lê-lo aos poucos. Há coisas com que estou de acordo, outras bastante menos. Mas recomendo francamente a leitura.»

Blogue Duas ou Três Coisas, 9 de Setembro

 

Henrique Raposo:

«A obsessão dos woke com o cancelamento de autores e livros - (vejam este resumo feito por Pedro Correia) – massacra autores ainda vivos.»

Expresso, 10 de Julho

 

Jaime Nogueira Pinto:

«É o absurdo entronizado como valor; a cega imposição e burocratização do dogma; a esterilização e a asfixia de toda a criatividade, de toda a ficção e até de todo o diálogo. O livro de Pedro Correia, de uma forma simples, dá 100 exemplos deste massacre. Vale a pena ler.»

Crítica XXI N.º 9, edição de Outubro-Dezembro

 

Joana Amaral Dias:

«Gostava de ter sido eu a escrever este livro.»

«Isto não só é jornalismo, mas é de facto serviço público.»

Jornal Nascer do Sol (videodcast "Córtex Frontal"), 29 de Julho

 

João Paulo Sacadura:

«Um trabalho jornalístico, de investigação, de pesquisa. (...) Uma boa maneira de celebrar estes 50 anos de democracia -- luta que continua todos os dias.»

Rádio Observador, 16 de Julho

 

José Pimentel Teixeira:

«Estou a ler o imprescindível "Tudo é Tabu" do Pedro Correia (Guerra e Paz Editores) , um rol de 100 casos de censura promovida pela vigente e descabelada ideologia "identitarista".»

Blogue Nenhures, 16 de Outubro

 

Luciana Leiderfarb:

«"Cem casos de novas censuras" é o subtítulo deste ensaio que documenta situações de limitação da liberdade de expressão em pleno primado do chamado "mundo livre" e das sociedades democráticas ocidentais.»

Expresso, 2 de Agosto

 

Luís Miguel Gomes:

«O quarto livro lido este ano foi este fantástico TUDO É TABU do Pedro Correia. Cerca de 100 casos de novas censuras, uma grande chamada de atenção para o inaceitável que tenta dominar a pauta social.»

Facebook, 8 de Abril 

 

Luís Pinheiro de Almeida:

«Mais um livro para a "estante de autores" dos Amigos do Snob e do Albino. Não, não sou o autor, é o Pedro Correia. (Tudo é Tabu, Pedro Correia, Guerra e Paz, 2024, 222 págs, 17 euros). Já agora, há referências a actos de censura aos Rolling Stones, Tintim, Poirot, Shakespeare, mas nada de Beatles!!!»

Facebook, 2 de Janeiro 

 

Rodrigo Saraiva:

«[Pedro Correia] acaba de publicar um novo livro: Tudo é Tabu, edição Guerra & Paz. É um livro sobre a Liberdade. Ou melhor, um livro sobre a Vida. Sem liberdade de falar ou escrever não há liberdade para pensar. O que significa que não há liberdade para criar. (...) Qualquer tentativa de censura, chamem-lhe bloqueio, mitigação, afinação, depuração ou profilaxia, acaba num desejo de ambiente único, de narrativa única. Ou seja, de uma ditadura.»

Expresso, 20 de Agosto

 

Rui Calafate:

«Um livro curioso sobre a actualidade.»

Jornal Económico (podcast "Maquiavel para Principiantes", minuto 28), 1 de Julho

 

Rui Daniel Rosário:

«O Pedro Correia, amigo de longa data, lançou hoje mais um livro sobre o que ele designa dos novos polícias do pensamento, no qual reúne 100 exemplos de uma espécie de nova censura, da literatura ao cinema, a que nem as séries de culto escapam. Sempre mantive com o Pedro uma saudável discordância na política, mas não deixo de o considerar um pensador livre e um excelente escritor e jornalista, talvez o mais talentoso blogueiro nacional que resiste no seu Delito de Opinião.»

Facebook, 2 de Julho

 

Rui Zink:

«Hoje, o OFF (Ofendidismo Foleiro-Fanático) alastrou a todas as camadas da sociedade. No meu tempo, eram os mais velhos que se indignavam comigo, agora são os mais jovens. É chato viver com tabus, encurtam-nos as vistas e, ao encurtar-nos as vistas, encurtam-nos a vida. "Tudo é Tabu" é um livro de Pedro Correia, que em entradas breves faz um educativo catálogo de 100 casos recentes de OFF. Podiam ser mais.»

Correio da Manhã, 22 de Setembro

 

Sofia Marques Faia:

«Mais um livro para a "estante de autores": "Tudo É Tabu", Pedro Correia.»

Instagram, 3 de Janeiro

 

«Neste livro fala-se do wokismo e dos impactos que este tem vindo a ter, primeiro nos estabelecimentos escolares e cenáculos intelectuais, e agora na sociedade, através de 100 casos de censura atual e que vão desde a "purificação" de Mark Twain à "fúria castanha contra a Disney", do "mamilo incómodo" de Almodóvar ao "chocolate amargo" de Bernardo Silva, do "risco do riso" de Dave Chappelle ao "silêncio forçado" de Patti Smith.»

Revista Líder, 18 de Outubro

 

................................................

 

Agradeço também as referências ao livro feitas por Anabela Risso, André Azevedo AlvesAndré Rubim RangelAntónio Oliveira MartinsDiogo Noivo, Fátima Linhares, João Eduardo SeverinoJosé António de Sousa, Manuel CamposPaulo MoutaPedro Oliveira.

Também na newsletter Cardápio e no espaço digital do Centro Nacional de Cultura.

 

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TUDO É TABU pode ser adquirido via Almedina, Apple BooksAmazon, Barnes & NobleBertrand, Boa Leitura LivrariaBooksmarket, El Corte InglésFNAC, GomesBooks, IndigoJBNetMercado Livre, RepsolWook. Também por encomenda à Guerra & Paz.

E agora, claro, também na Feira do Livro de Lisboa.

"Cancelamentos culturais" na América (10)

Pedro Correia, 23.12.24

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«Ernest Hemingway costumava elogiar Mark Twain (1835-1910) alegando que este romancista, humorista e repórter ensinara os compatriotas a escrever. William Faulkner chamou-lhe "o pai da literatura norte-americana".

Mas o autor de obras que deram projecção universal ao seu estado de origem, o Missouri, perdeu a aura de prestígio granjeada durante várias gerações. Agora, acusam-no de usar vocabulário racista nos seus livros, que reflectem um mundo anterior à Guerra da Secessão nos EUA. E querem proibi-los, por linguagem indecente. Ou, em alternativa, reescrevê-los, expurgando-os de vocabulário considerado ofensivo.

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A censura mais descarada, sem disfarce, ocorreu em Janeiro de 2011: o académico Alan Gribben - professor da Universidade de Montgomery, no Alabama, e especializado na obra de Twain - anunciou a publicação iminente de edições "purificadas" dos clássicos Tom Sawyer (1876) e As Aventuras de Huckleberry Finn (1884). Só neste último, o termo nigger (equivalente semântico a "preto"), utilizado 219 vezes no romance, deu lugar a slave (escravo). Como se fossem sinónimos. A palavra "índios" foi expurgada, entre outras.»

 

Do meu livro TUDO É TABU (Guerra & Paz, 2024), p. 19

"Cancelamentos culturais" na América (9)

Pedro Correia, 20.12.24

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«Tudo começou com uma vulgaríssima festa de aniversário em ambiente escolar. No selecto Bowdoin College, estabelecimento universitário no Maine (EUA) com cerca de 1800 alunos. A convocatória, por correio electrónico, dizia: "O tema é tequila, portanto faz o que puderes com isto. Não dizemos que é uma fiesta, mas também não dizemos que não é :)" Nada surpreendente: vários jovens apareceram com pequenos sombreros. Em alusão ao México, pátria da tequila. 

Isto passou-se a 20 de Fevereiro de 2016. Duas semanas depois, todos os participantes na sessão festiva receberam advertências formais da reitoria. Alguns foram impedidos de participar em todos os eventos sociais desse ano lectivo e os dois organizadores sofreram severas sanções disciplinares: foram expulsos das instalações que ocupavam no campus escolar.

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Um comunicado da Associação de Estudantes, votado por unanimidade, exprimiu "solidariedade a todos quantos se sentiram injuriados e afectados pelo incidente", que "criou atmosfera de insegurança para os estudantes de cor, especialmente mexicanos". Intitulando-se "latina", a vice-presidente Michelle Kruk bradou contra a "insensibilidade cultural" dos colegas. E o responsável máximo pela administração da universidade, Clayton Rose, garantiu que aqueles chapéus haviam lesado gravemente o "código de conduta" da instituição.»

 

Do meu livro TUDO É TABU (Guerra & Paz, 2024), pp. 46-47

"Cancelamentos culturais" na América (8)

Pedro Correia, 14.12.24

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Aconteceu em Setembro de 2016, quando se anunciava a estreia de Moana  - 56.ª longa-metragem com marca Disney e nona produção desse estúdio norte-americano feita com recurso exclusivo a tecnologia digital. Narrando a história de uma jovem numa ilha imaginária do Pacífico Sul onde encontra Maui, figura mitológica daquela região do globo que deu nome a uma das ilhas do Havai. Semideus venerado por muitos polinésios, Maui conduz Moana numa fantástica digressão oceânica.

Tudo cor-de-rosa, ao estilo Disney? Nem por isso. A cor dominante foi o castanho, o que inflamou opiniões. Não faltaram protestos contra o estúdio por ter ousado representar personagens e adereços oriundos da Polinésia. (...) As [acusações] mais indignadas visaram não tanto o filme, mas os produtos para crianças a ele associados.

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Rebentou a tempestade. A deputada Marama Fox, co-líder do Partido Mãori, representativo da população indígena da Nova Zelândia, clamou contra a empresa cinematográfica, acusando-a de "apropriação da propriedade intelectual" daqueles povos. E mostrou-se indignada por Maui ser representado por um boneco obeso. (...) Os artigos apressadamente desaparecidos do mercado passaram a valer mais no circuito paralelo: eis um dos paradoxos deste caso.»

 

Do meu livro TUDO É TABU (Guerra & Paz, 2024), pp. 46-47

"Cancelamentos culturais" na América (7)

Pedro Correia, 09.12.24

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«Uma pintora "de pele branca" não está autorizada a mostrar alguém "não branco" nas suas telas. A exigência não saiu de um autocrata demencial nem de uma polícia com pendor totalitário: veio de outra pintora, em carta aberta subscrita por dezenas de signatários com pergaminhos intelectuais. Em Nova Iorque, que tem como símbolo a Estátua da Liberdade.

Foi em Março de 2017, durante a Bienal do Museu Whitney de Arte Americana. Acolhendo trabalhos de 63 artistas e colectivos artísticos - metade dos quais "racializados", segundo o novo esperanto politicamente correcto. Não era o caso de Dana Schutz, então com 40 anos: em 2016, esta pintora do Michigan concluíra um quadro a que chamou Caixão Aberto (Open Casket, no original). Versão abstracta de uma fotografia tristemente célebre - a do jovem negro Emmett Till, linchado em 1955, no Mississípi, aos 14 anos. No velório, a mãe do rapaz pediu que o esquife se mantivesse aberto e autorizou que fosse fotografado. "Para todos verem o que lhe fizeram", justificou.

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Nada serviu de atenuante: ouviram-se apelos ao boicote da Bienal. "Ela não tem nada a dizer sobre a comunidade negra nem sobre os traumas dos negros", reagiu o pintor afro-americano Parker Bright. A artista britânica Hannah Black, negra também, foi mais longe: apelou sem reservas à "destruição da tela". (...) A carta teve 34 signatários - incluindo as pintoras Juliana Huxtable e Addie Wagenknecht, o crítico Mostafa Heddaya, a "influenciadora de arte" Kimberly Drew e a académica Christina Sharpe. Reivindicando a "remoção do quadro com a urgente sugestão de que seja destruído".»

 

Do meu livro TUDO É TABU (Guerra & Paz, 2024), pp. 55-56

TUDO É TABU: ecos do meu livro

Pedro Correia, 08.12.24

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António Bagão Félix:

«Um livro necessário e corajoso para aumentar a consciência das novas e sinuosas formas de ditadura do pensamento, com um método de exemplificação muito eficaz.»

24 de Setembro

 

António Costa Amaral:

«Contra todos os que reclamam "na dúvida proíba-se", com convicção resista-se. Contra o obscurantismo, a visibilidade. Contra o silenciamento, a partilha. Contra os tabus tribalistas, a civilização. Contra a mesquinhez, a integridade, coragem, humor, e inteligência. E o Pedro Correia está a fazer a sua parte, e que grande parte, com o "Tudo é Tabu".»

Linkedin, 5 de Julho

 

Fernando Alvim:

«[O livro vai] ao fundo buscar casos de censura, casos de cancelamento, muitos deles em Portugal. São muitos os casos aqui tratados, alguns deles nem eu conhecia.»

Prova Oral (Antena 3), 12 de Junho

 

Fernando Madaíl:

«Kant tinha uma "faceta misógina", Darwin era "racista", Gauguin "pedófilo", Voltaire "defendeu" a escravatura, Hemingway revelou "antissemitismo", a estátua que Miguel Ângelo fez de David é "pornográfica", a peça Romeu e Julieta, de Shakespeare, pode levar espectadores ao "suicídio". Os cem exemplos escolhidos por Pedro Correia para o livro "Tudo é Tabu" (ed. Guerra & Paz) sublinham alguns dos absurdos da actual tendência para condicionar a liberdade de expressão, com "patrulheiros" a "ditar dogmas" e a "decretar anátemas".» 

Correio da Manhã, 4 de Agosto

 

Francisco José Viegas:

«Hoje, a censura progressista espalhou-se pela universidade, pela imprensa e pelas artes. Para registar esses atropelos, Pedro Correia escreveu um livro precioso, Tudo é Tabu

Correio da Manhã, 28 de Junho

 

Francisco Seixas da Costa:

«O meu amigo Pedro Correia recentemente escreveu "Tudo é tabu - cem casos de novas censuras". O livro, muito bem escrito e muito polémico, é sobre isso mesmo. No texto, o autor sublinha o que entende serem os exageros desta onda avassaladora de pressão para a adoção de novas atitudes. Estou a lê-lo aos poucos. Há coisas com que estou de acordo, outras bastante menos. Mas recomendo francamente a leitura.»

Blogue Duas ou Três Coisas, 9 de Setembro

 

Henrique Raposo:

«A obsessão dos woke com o cancelamento de autores e livros - (vejam este resumo feito por Pedro Correia) – massacra autores ainda vivos.»

Expresso , 10 de Julho

 

Joana Amaral Dias:

«Gostava de ter sido eu a escrever este livro.»

«Isto não só é jornalismo, mas é de facto serviço público.»

Jornal Nascer do Sol (videodcast "Córtex Frontal"), 29 de Julho

 

João Paulo Sacadura:

«Um trabalho jornalístico, de investigação, de pesquisa. (...) Uma boa maneira de celebrar estes 50 anos de democracia -- luta que continua todos os dias.»

Rádio Observador, 16 de Julho

 

José Pimentel Teixeira:

«Estou a ler o imprescindível "Tudo é Tabu" do Pedro Correia (Guerra e Paz Editores) , um rol de 100 casos de censura promovida pela vigente e descabelada ideologia "identitarista".»

Blogue Nenhures, 16 de Outubro

 

Luciana Leiderfarb:

«"Cem casos de novas censuras" é o subtítulo deste ensaio que documenta situações de limitação da liberdade de expressão em pleno primado do chamado "mundo livre" e das sociedades democráticas ocidentais.»

Expresso, 2 de Agosto

 

Rodrigo Saraiva:

«[Pedro Correia] acaba de publicar um novo livro: Tudo é Tabu, edição Guerra & Paz. É um livro sobre a Liberdade. Ou melhor, um livro sobre a Vida. Sem liberdade de falar ou escrever não há liberdade para pensar. O que significa que não há liberdade para criar. (...) Qualquer tentativa de censura, chamem-lhe bloqueio, mitigação, afinação, depuração ou profilaxia, acaba num desejo de ambiente único, de narrativa única. Ou seja, de uma ditadura.»

Expresso, 20 de Agosto

 

Rui Calafate:

«Um livro curioso sobre a actualidade.»

Jornal Económico (podcast "Maquiavel para Principiantes", minuto 28), 1 de Julho

 

Rui Daniel Rosário:

«O Pedro Correia, amigo de longa data, lançou hoje mais um livro sobre o que ele designa dos novos polícias do pensamento, no qual reúne 100 exemplos de uma espécie de nova censura, da literatura ao cinema, a que nem as séries de culto escapam. Sempre mantive com o Pedro uma saudável discordância na política, mas não deixo de o considerar um pensador livre e um excelente escritor e jornalista, talvez o mais talentoso blogueiro nacional que resiste no seu Delito de Opinião.»

Facebook, 2 de Julho

 

Rui Zink:

«Hoje, o OFF (Ofendidismo Foleiro-Fanático) alastrou a todas as camadas da sociedade. No meu tempo, eram os mais velhos que se indignavam comigo, agora são os mais jovens. É chato viver com tabus, encurtam-nos as vistas e, ao encurtar-nos as vistas, encurtam-nos a vida. "Tudo é Tabu" é um livro de Pedro Correia, que em entradas breves faz um educativo catálogo de 100 casos recentes de OFF. Podiam ser mais.»

Correio da Manhã, 22 de Setembro

 

«Neste livro fala-se do wokismo e dos impactos que este tem vindo a ter, primeiro nos estabelecimentos escolares e cenáculos intelectuais, e agora na sociedade, através de 100 casos de censura atual e que vão desde a "purificação" de Mark Twain à "fúria castanha contra a Disney", do "mamilo incómodo" de Almodóvar ao "chocolate amargo" de Bernardo Silva, do "risco do riso" de Dave Chappelle ao "silêncio forçado" de Patti Smith.»

Revista Líder, 18 de Outubro

 

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Agradeço também as referências ao livro feitas por Anabela Risso, André Azevedo AlvesAndré Rubim RangelAntónio Oliveira MartinsDiogo Noivo, Fátima Linhares, João Eduardo SeverinoJosé António de Sousa, Manuel CamposPaulo MoutaPedro Oliveira.

Também na newsletter Cardápio e no espaço digital do Centro Nacional de Cultura.

 

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Na livraria do piso -1 do edifício El Corte Inglés (Lisboa)

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Na livraria Barata, agora FNAC, da Avenida de Roma (Lisboa)

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Na histórica livraria Bertrand do Chiado (Lisboa)

 

TUDO É TABU pode ser adquirido via Almedina, AmazonBertrand, Boa Leitura LivrariaBooksmarket, El Corte InglésFNAC, GomesBooks, Mercado LivreWook. E também, claro, por encomenda à Guerra & Paz.

"Cancelamentos culturais" na América (6)

Pedro Correia, 04.12.24

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«Acabou-se o estado de graça para Quentin Tarantino em Hollywood. O realizador antes celebrado pela sua criatividade iconoclasta passou a integrar o vasto leque de suspeitos  - logo, culpados - de transgressão das boas normas. E até já se apela ao "cancelamento" (sem eufemismos, à anulação) do seu trabalho na indústria cinematográfica.

O mote foi dado em Julho de 2019 num artigo do The Guardian, sob um título bem expressivo: "O fim da relação: chegou a hora de cancelar Quentin Tarantino". O texto de abertura não deixava lugar a dúvidas: o realizador trata com "extrema violência as personagens femininas" de filme para filme. "Isto tem de acabar" - eis o veredicto.

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Em Agosto de 2019 a revista Time deu-se ao incómodo de contabilizar as falas de todas as películas que ele realizou. Para concluir: "Os dados indicam claramente que os homens preenchem a maioria dos diálogos na obra de Tarantino. (...) Mesmo os filmes protagonizados por mulheres e com mais personagens femininas atribuem tendencialmente mais diálogos a homens: em Kill Bill Volume 2, por exemplo, os homens têm mais 17,5%; em Jackie Brown, sobe a uns espantosos 39,8%.»

 

Do meu livro TUDO É TABU (Guerra & Paz, 2024), pp. 91-92

"Cancelamentos culturais" na América (5)

Pedro Correia, 29.11.24

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«Gary Garrels era considerado um dos mais qualificados curadores de museus dos EUA. Era, mas já não é. Saiu de cena, vítima de um linchamento moral. Sem presunção de inocência. Vítima de uma onda de histeria que tem feito rolar várias cabeças.

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Aconteceu em Julho de 2020, quando exercia funções de curador de pintura e escultura no Museu de Arte Moderna de São Francisco (SFMOMA). Eram os duros tempos da pandemia, que provocaram um rombo na instituição: cerca de um terço dos trabalhadores ficaram em lay-off ou com horário reduzido. Numa reunião geral com os funcionários por teleconferência para definir os protocolos sanitários, Garrels inflamou as teses anti-racistas mais radicais ao concluir a sua intervenção com esta frase: "Não deixaremos de angariar obras de arte de homens brancos." O contrário, sustentou, seria cair numa "discriminação inversa".

Bastou para acender o rastilho. Emergiu uma petição, com 304 assinaturas, a exigir que fosse exonerado. Por ter usado "linguagem racista" própria de "supremacista branco", o que o tornava "claramente inadequado para desenvolver a agenda de inclusão e equidade" delineada para o SFMOMA.»

 

Do meu livro TUDO É TABU (Guerra & Paz, 2024), p. 108

"Cancelamentos culturais" na América (4)

Pedro Correia, 24.11.24

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«Foi sucesso de bilheteira: o maior da Disney na década de 40. E recebeu aplausos da crítica - além de um Óscar pela melhor partitura. "O fascínio de Dumbo é trazer de novo à tona aquele reino animal quase humano onde Walter Elias Disney é o rei de todos eles", escreveu a revista Time. Em 2017, ficou registado na lista oficial do património cinematográfico dos EUA pelo seu "significado cultural, histórico e estético".

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A mudança foi rápida. E drástica. Em Outubro de 2020, a multinacional do espectáculo tomou a iniciativa de acompanhar a exibição do filme, na sua plataforma Disney+, de uma solene advertência aos espectadores: "Este programa inclui representações culturais obsoletas. Estes estereótipos estavam errados naquela época e continuam errados hoje."

O espectro do racismo, como subtexto real ou imaginário, passou a contaminar Dumbo. Devido à aparição de um bando de corvos cantores, em hipotética associação aos americanos de origem africana. Mas não só: o aviso da Disney+, inserido no início do filme, abrangeu outras longas-metragens do seu vasto espólio, como Peter Pan (1953), A Família Robinson (1960) e Os Aristogatos (1970).»

 

Do meu livro TUDO É TABU (Guerra & Paz, 2024), p. 126

"Cancelamentos culturais" na América (3)

Pedro Correia, 19.11.24

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«Dave Chappelle já vinha sendo visado por ter língua demasiado solta. Mas os apelos ao seu linchamento moral apenas surgiram em 2021 quando ousou fazer piadas sobre os órgãos sexuais de transgéneros na sua sexta série anual de espectáculos para a Netflix, intitulada The Closer.

"Todos os seres humanos nesta sala, todos os os seres humanos da Terra, tiveram de passar pelas pernas de uma mulher para virem ao mundo. Não estou a dizer que as mulheres trans não são mulheres. Estou apenas a dizer que aquelas vaginas... Entendem-me?"

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Em Maio de 2022, em Hollywood, foi atacado por um indivíduo que saltou da plateia para o agredir - na sequência imediata de uma piada. No mês seguinte, nova punição, bastante menos arriscada, mas talvez mais humilhante: ao contrário do que fora anunciado, o teatro da Escola Artística Duke Ellington em Georgetown (Washington), onde Chappelle estudou e concluiu o ensino secundário em 1991, não levaria o seu nome.»

 

Do meu livro TUDO É TABU (Guerra & Paz, 2024), pp. 169-170

"Cancelamentos culturais" na América (2)

Pedro Correia, 14.11.24

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«O terceiro disco que Patti Smith lançou (Easter, 1978) levou-a à fama, com temas como "Because the Night". Mas incluía outro que causou estranheza, logo pelo título: "Rock n'Roll Nigger". Por incluir uma palavra depreciativa ou até ultrajante, associada ao calão racista. A cantautora justificou esta opção por alargar o campo semântico de "nigger", equiparando-o a excluídos ou desfavorecidos de qualquer espécie. Ou a rebeldes com causa, vistos com desconfiança pela sociedade.

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Em Outubro de 2022 "Rock n'Roll Nigger" desapareceu das plataformas musicais: eclipsou-se em simultâneo do Spotify, do Tidal, da Apple Music e da Amazon Music. Iam longe os tempos em que Patti Smith era enaltecida como "poetisa do punk", com aura revolucionária. E em que cantou para o Papa Francisco no Vaticano, mesmo sem ser católica. A questão não estava só no vocabulário. Seria um problema de "apropriação branca": um marginal de pele mais clara não pode identificar-se com características identitárias de grupos a que é alheio.»

 

Do meu livro TUDO É TABU (Guerra & Paz, 2024), pp. 171-172

"Cancelamentos culturais" na América (1)

Pedro Correia, 09.11.24

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«A retirada do nome de Lincoln de uma escola secundária do distrito de São Francisco, na Califórnia, foi anunciada em Janeiro de 2021 por um Conselho da Educação que, com chancela oficial, desde 2018 examinava as designações de todos os estabelecimentos de ensino dessa zona. Decidiu mudar 44 - cerca de um terço do total. Pelos motivos mais diversos.

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A lista original de expurgados incluía seis outros antigos presidentes norte-americanos: George Washington, Thomas Jefferson, James Monroe, William McKinley, Theodore Roosevelt e Herbert Hoover. Além do escritor escocês Robert Louis Stevenson, autor de A Ilha do Tesouro. Também Paul Revere, herói da independência dos EUA, o músico Francis Scott Key (que compôs o hino patriótico "The Star Spangled-Banner"). E ainda o poeta abolicionista James Russell Lowell.»

 

Do meu livro TUDO É TABU (Guerra & Paz, 2024), p. 128

People have the power

jpt, 16.10.24

[People have the power (Patti Smith sings "People Have The Power" with a choir made up of 250 volunteer singers at NYC's Public Theater. This was done in 2019. Daveed Goldman on guitar and Stewart Copeland playing the frying pan.)]

Isto tudo se liga, se articula... e contradiz! No seu  mural de Facebook o Henrique Pereira Dos Santos traz esta versão coral da "People Have The Power" da Patti Smith - a qual, vos garanto por empírico conhecimento, cruza gerações. Canção hino que tantas vezes cantámos, nas pistas ou por aí afora, às vezes exultantes como se gente, outras cantarolando em ira amesquinhada. 

Tudo se liga, tudo se contradiz!, digo eu. Estou a ler o imprescindível "Tudo é Tabu" do Pedro Correia (Guerra e Paz Editores) , um rol de 100 casos de censura promovida pela vigente e descabelada ideologia "identitarista", e ontem cruzei o 75º caso, exactamente o respeitante à Patti Smith, até ela alvo do cretino modo "cancel"!

Ao mesmo tempo vou, cá de longe, recebendo as novas sobre as eleições em Moçambique - país onde a "People Have The Power" se canta "Povo no Poder" -, mais um episódio da inenarrável e despudorada apropriação do voto popular, do "Power" do "People". Até quando?, a que custos?, como se chegará ali ao "Basta" ("Chega" é uma palavra agora politicamente poluída, entenda-se...)?

Mas tudo se liga, tudo se contradiz! Pois cantarolo a canção sentado no meio deste meu Povo pensionista, decrépito, cujo poder se restringe a votar nesta pobreza mental e moral, como se vê na gritaria socialista e fascista à volta do orçamento, no dia em que juristas forçam a arrastar um homem doentíssimo num tribunal apenas para justificarem o seu lacaio imobilismo, servis a este estado do Estado.

Tem o "people" o "power"? Tem, estive ontem a ver as sondagens americanas, Estado a Estado... É quase certo que Trump ganhará.

"...the people have the power / to redeem the work of fools"?

É mesmo melhor cada um tomar o combustível que lhe apetece (Vodka tónico para mim, sff) e ir para a pista, dançar e cantar. Sem esperança. Mas não desesperado.

TUDO É TABU: ecos do meu livro

Pedro Correia, 27.09.24

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12 de Junho

«[O livro vai] ao fundo buscar casos de censura, casos de cancelamento, muitos deles em Portugal. São muitos os casos aqui tratados, alguns deles nem eu conhecia.»

Fernando Alvim, Prova Oral (Antena 3)

 

28 de Junho

«Hoje, a censura progressista espalhou-se pela universidade, pela imprensa e pelas artes. Para registar esses atropelos, Pedro Correia escreveu um livro precioso, Tudo é Tabu

Francisco José Viegas, Correio da Manhã

 

1 de Julho

«Um livro curioso sobre a actualidade.»

Rui Calafate, Jornal Económico (podcast "Maquiavel para Principiantes", minuto 28)

 

2 de Julho

«O Pedro Correia, amigo de longa data, lançou hoje mais um livro sobre o que ele designa dos novos polícias do pensamento, no qual reúne 100 exemplos de uma espécie de nova censura, da literatura ao cinema, a que nem as séries de culto escapam. Sempre mantive com o Pedro uma saudável discordância na política, mas não deixo de o considerar um pensador livre e um excelente escritor e jornalista, talvez o mais talentoso blogueiro nacional que resiste no seu Delito de Opinião.»

Rui Daniel Rosário, Facebook

 

5 de Julho

«Contra todos os que reclamam "na dúvida proíba-se", com convicção resista-se. Contra o obscurantismo, a visibilidade. Contra o silenciamento, a partilha. Contra os tabus tribalistas, a civilização. Contra a mesquinhez, a integridade, coragem, humor, e inteligência. E o Pedro Correia está a fazer a sua parte, e que grande parte, com o "Tudo é Tabu".»

António Costa Amaral, Linkedin

 

16 de Julho

«Um trabalho jornalístico, de investigação, de pesquisa. (...) Uma boa maneira de celebrar estes 50 anos de democracia -- luta que continua todos os dias.»

João Paulo Sacadura, Rádio Observador

 

29 de Julho

«Gostava de ter sido eu a escrever este livro.»

«Isto não só é jornalismo, mas é de facto serviço público.»

Joana Amaral Dias, jornal Nascer do Sol (videodcast "Córtex Frontal")

 

2 de Agosto

«"Cem casos de novas censuras" é o subtítulo deste ensaio que documenta situações de limitação da liberdade de expressão em pleno primado do chamado "mundo livre" e das sociedades democráticas ocidentais.»

Luciana Leiderfarb, Expresso

 

4 de Agosto

«Kant tinha uma "faceta misógina", Darwin era "racista", Gauguin "pedófilo", Voltaire "defendeu" a escravatura, Hemingway revelou "antissemitismo", a estátua que Miguel Ângelo fez de David é "pornográfica", a peça Romeu e Julieta, de Shakespeare, pode levar espectadores ao "suicídio". Os cem exemplos escolhidos por Pedro Correia para o livro "Tudo é Tabu" (ed. Guerra & Paz) sublinham alguns dos absurdos da actual tendência para condicionar a liberdade de expressão, com "patrulheiros" a "ditar dogmas" e a "decretar anátemas".» 

Fernando Madaíl, Correio da Manhã

 

20 de Agosto

«[Pedro Correia] acaba de publicar um novo livro: Tudo é Tabu, edição Guerra & Paz. É um livro sobre a Liberdade. Ou melhor, um livro sobre a Vida. Sem liberdade de falar ou escrever não há liberdade para pensar. O que significa que não há liberdade para criar. (...) Qualquer tentativa de censura, chamem-lhe bloqueio, mitigação, afinação, depuração ou profilaxia, acaba num desejo de ambiente único, de narrativa única. Ou seja, de uma ditadura.»

Rodrigo Saraiva, Expresso

 

9 de Setembro

«O meu amigo Pedro Correia recentemente escreveu "Tudo é tabu - cem casos de novas censuras". O livro, muito bem escrito e muito polémico, é sobre isso mesmo. No texto, o autor sublinha o que entende serem os exageros desta onda avassaladora de pressão para a adoção de novas atitudes. Estou a lê-lo aos poucos. Há coisas com que estou de acordo, outras bastante menos. Mas recomendo francamente a leitura.»

Francisco Seixas da Costa, blogue Duas ou Três Coisas

 

22 de Setembro

«Hoje, o OFF (Ofendidismo Foleiro-Fanático) alastrou a todas as camadas da sociedade. No meu tempo, eram os mais velhos que se indignavam comigo, agora são os mais jovens. É chato viver com tabus, encurtam-nos as vistas e, ao encurtar-nos as vistas, encurtam-nos a vida. "Tudo é Tabu" é um livro de Pedro Correia, que em entradas breves faz um educativo catálogo de 100 casos recentes de OFF. Podiam ser mais.»

Rui Zink, Correio da Manhã

 

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Agradeço também as referências ao livro feitas por Diogo Noivo, José António de SousaJosé Pimentel TeixeiraPaulo MoutaPedro Oliveira e no espaço digital do Centro Nacional de Cultura.

 

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Na livraria Bertrand do Centro Cultural de Belém

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Na livraria Bertrand do Shopping UBBO (Amadora)

 

TUDO É TABU pode ser adquirido via Almedina, Bertrand, BooksmarketFNAC e Wook. E também, claro, por encomenda à Guerra & Paz.

TUDO É TABU nas livrarias

Pedro Correia, 06.08.24

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Bertrand, no Campo Pequeno (Lisboa)

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Barata, na Avenida de Roma (Lisboa)

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Bertrand, no bairro de Alvalade (Lisboa)

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Latina, na Rua de Santa Catarina (Porto)

 

Se algum leitor quiser enviar-me fotografia do livro noutros estabelecimentos do País, ficar-lhe-ei grato.

Entretanto, recordo a todos que TUDO É TABU também pode ser adquirido nestas plataformas:

Almedina

Bertrand

Boa Leitura

Booksmarket

FNAC

OLX Portugal

Wook

E, naturalmente, por intermédio da editora Guerra & Paz.

Contra todas as censuras, velhas e novas

Livros suprimidos, filmes mutilados, palavras interditadas

Pedro Correia, 20.07.24

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1

A ideia de escrever TUDO É TABU foi germinando a partir dos múltiplos casos de "cancelamento cultural" ocorridos no início desta década. Acentuaram-se nos meses iniciais de 2023, com notícias quase simultâneas de purgas a livros de Ian Fleming, Agatha Christie e Enid Blyton. Trechos inteiros das obras destes autores foram alvo da tesoura censória, por vezes de forma absurda. Os «adoráveis dentes brancos», num romance de Agatha Christie, tornaram-se «bonitos dentes». Um «rosto moreno», num dos livros dos Cinco, passou a «rosto bronzeado». O 007 deixou de visitar um clube de strip tease, o que poderia perturbar as almas mais sensíveis. Pouco faltará para vermos este célebre espião, mulherengo e copofónico, trocar o bife em sangue e o dry martini por um prato de tofu com água das Pedras.

Investiguei casos similares. Aprofundei o que havia. Fui indagando outros temas, noutras latitudes. Confirmei informações, seleccionei o que estava comprovado, pondo em prática a minha experiência de quatro décadas no jornalismo.

Pensei inicialmente reunir algumas dezenas de exemplos de novas censuras. Afinal foram mais de cem. Tenho uma pasta com muitos casos que sobraram: optei pelo número redondo, tão emblemático.

Múmia tornou-se palavra proibida no Museu Britânico: agora só há «pessoas mumificadas».

Proliferam apelos públicos ao «cancelamento de Gauguin», exigindo até a remoção de quadros nos museus franceses, porque o pintor terá praticado indecorosos actos sexuais quando vivia no Taiti, na década final do século XIX.

Lincoln é suspeito de racismo, daí o seu nome ter sido banido pela direcção de uma escola no distrito de São Francisco, na Califórnia. 

Num agrupamento escolar do Canadá dezenas de livros considerados «imorais» foram reduzidos a cinzas: o auto-de-fé, testemunhado por alunos e familiares, ficou registado em vídeo para putativos efeitos pedagógicos. Entre as obras incineradas incluíam-se álbuns de banda desenhada, como Astérix Conquista a América.

 

2

Vivemos num eterno presente: o passado começa no dia de anteontem, tudo quanto ficou para trás é um poço obscuro de trevas, dominado por práticas esclavagistas ao serviço do heteropatriarcado tóxico, de inevitável raça branca. Todo esse período deve ser revisto à luz da ideologia dominante nos nossos dias e convenientemente higienizado. Para «proteger o público», que deve ser mantido puro e casto. 

Surgem «gabinetes de sensibilidade» nas mais poderosas editoras do mundo ocidental. Com a missão exclusiva de expurgar livros inteiros ou segmentos de obras literárias de conteúdo pernicioso. Podem ser clássicos da ficção, como os romances de Mark Twain: todos são submetidos à guilhotina.

O mesmo se passa nos estúdios de Hollywood e nas grandes plataformas norte-americanas de produção de séries televisivas. Cada vez mais produzidas segundo os mesmos cânones e os mesmos moldes, sob o olhar vigilante de poderosas «assessorias» atentas ao menor indício de racismo, misoginia, homofobia. Qualquer pretexto serve para a mutilação. Voltamos ao tempo das «cenas eventualmente chocantes». Com a diferença de que estas eram exibidas, embora com bolinha vermelha no canto superior do ecrã. Hoje não chegam a ver a luz do dia.

A higienização em curso não se limita aos títulos contemporâneos: ambiciona reconfigurar todo o passado. No limite, será reescrito até o Mein Kampf: o déspota que vomitava ódio anti-semita irá transfigurar-se em Miss Universo, divagando sobre a beleza das flores, o canto dos passarinhos e a venturosa paz universal.

 

3

Estou convicto de que havia muito mais liberdade entre 1970 e o ano 2000 do que existe nos nossos dias. Filmes que foram enormes sucessos de bilheteira na década de 80, como Atracção Fatal, Noites Escaldantes, Nove Semanas e MeiaO Carteiro Toca Sempre Duas Vezes nem chegariam hoje a estrear-se. Entre acusações de sexismo, patriarcado mórbido e sei lá que mais. A antiquada censura e as novíssimas censuras abraçam-se em nome da virtuosa abstinência sexual. 

«É proibido proibir», revolucionário lema dos estudantes parisienses em 1968, foi lançado ao caixote do lixo da História. Hoje não seriam possíveis séries satíricas produzidas nos anos 70 e 80 pela BBC, como Monty Python Yes, Minister. Hoje a carreira humorística de um Herman José seria muito abreviada, sujeita a um extenso cardápio de interdições. O próprio Gato Fedorento, bastante mais recente, ficaria sujeito ao crivo censório, amplificado pela berraria das redes sociais que insiste em sustentar: «A minha liberdade termina onde começa a tua.» Como se ambas fossem incompatíveis. 

Confirma-se: Maio de 68 ficou muito lá para trás.

 

4

Beckett é hoje cancelado nas universidades. Motivo: o seu À Espera de Godot só tem personagens do sexo masculino.

Brecht, fugido dos nazis e exilado na América, é alvo de censura na antiga pátria que lhe concedeu asilo. Motivo: a sua peça A Boa Alma de Sichuan, desenrolada na China, revela «insensibilidade social» e pode provocar «desconforto» no auditório feminino.

French Connection [Os Incorruptíveis Contra a Droga] filme que em 1972 recebeu vários Óscares, é exibido com menos 9 segundos de duração: o facto de ser película premiada nem foi levado em consideração. 

Qual a cena suprimida? Breve diálogo, à entrada de uma esquadra de Nova Iorque, entre dois agentes da autoridade - o "polícia bom", interpretado por Roy Scheider, e o "polícia mau", interpretado por Gene Hackman. Diz este para o parceiro: «Never trust a nigger» [«Nunca confies num preto»]

Há meio século, era assim que dois polícias brancos falavam em Nova Iorque. Hoje continuam a falar assim. Linguagem realista, reflexo do mundo autêntico. Mas imprópria para as patrulhas da correcção política: a tesoura entrou em cena. Nigger é vocábulo que ninguém ousa pronunciar, há que suprimir o seu rasto até aos confins dos tempos, para a frente e para trás.

Neste caso - louve-se a honestidade intelectual - originou um brado de revolta, em forma de editorial, na revista The Atlantic: «Não censurem o racismo do passado.»

Porque a palavra é mesmo essa: censura.

 

5

Não há censuras perniciosas e censuras virtuosas: todas são más.

Esta pesquisa de longos meses levou-me a concluir que estamos cada vez mais ameaçados: a liberdade de expressão prossegue em regressão acelerada. Perante o silêncio cúmplice de muitos de nós.

Remo na direcção oposta. Sou fiel ao lema angular do liberalismo clássico: «Tudo quanto não é expressamente proibido, é permitido.» Infelizmente, este saudável princípio anda a ser reconvertido no seu oposto: agora, tudo quanto não é expressamente autorizado torna-se interdito.

O problema maior é que isto não ocorre apenas em ditaduras. Acontece nas sociedades democráticas, como a nossa. Os exemplos são tantos que reuni já material para um livro equivalente a este. Péssimo indício.

Devemos rebelar-nos contra as mordaças que nos pretendem impor. Combater todas as censuras, velhas e novas, é um imperativo moral.

E é também um inadiável exercício de cidadania. Foi o que tentei fazer com este livro. É o que tenciono continuar a pôr em prática. Não me conformo, não me resigno. 

 

Reproduzo aqui o essencial da minha intervenção na sessão de lançamento de TUDO É TABU, a 2 de Julho, na Livraria Almedina (Atrium Saldanha, Lisboa).

TUDO É TABU: imagens do lançamento

Pedro Correia, 07.07.24

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São imagens da sessão de lançamento do meu livro Tudo é Tabu. Colhidas na livraria Almedina - no Átrio Saldanha, em Lisboa. Com intervenções, que me sensibilizaram, de dois excelentes amigos: o Manuel S. Fonseca (um dos mais competentes editores portugueses, como vem demonstrando há tantos anos à frente da Guerra & Paz) e o Rodrigo Saraiva, com quem comecei a partilhar causas cívicas muito antes de ele ter fundado a Iniciativa Liberal, partido de que é hoje deputado, tendo sido eleito em Março vice-presidente da Assembleia da República. Com todo o mérito.

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Enquanto dizia umas palavras sobre o livro, com o Rodrigo Saraiva e o Manuel Fonseca

 

Esse fim de tarde da passada terça-feira, dia 2, foi muito gratificante para mim. Por ver ali tantas pessoas de que gosto: família, amigos diversos, colegas mais antigos e mais recentes, gente da política, do jornalismo, da cultura, companheiros de 35 anos da minha vida profissional - incluindo a inesquecível década que passei em Macau. 

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Várias panorâmicas das dezenas de pessoas amigas que tive o imenso gosto de ver na livraria Almedina

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O José Meireles Graça (à esquerda...) não faltou, vindo de longe

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Muito cumprimentada, a Maria Inês Almeida também marcou presença

 

Partilho convosco algumas destas imagens. As fotografias são de outros bons amigos: o Júnior de Vecchi e a Marília Jacobson, a quem muito agradeço.

Recordações deste dia que nunca esquecerei.

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Um dos exemplares que assinei nesse dia. Felizmente foram muitos