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Delito de Opinião

Há sempre o risco da castração

Sérgio de Almeida Correia, 18.02.25

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(créditos: Jornal Económico/António Pedro Santos/LUSA)

Dir-se-ia que a quantidade de assuntos que o país tem para resolver, com um Executivo minoritário obrigado a negociar à esquerda e à direita para aprovar orçamentos e se manter em funções, e melhor ou pior tentar cumprir o seu programa de governo, quando a indefinição da situação internacional e do futuro da Europa a curto e médio prazo é deveras preocupante, retirariam tempo ao primeiro-ministro e aos membros da sua equipa para se afastarem das questões cruciais e se perderem em confusões de sacristia.

Não é isso que está a acontecer. Bem ao contrário do desejável, há quem no Governo, a começar por Luís Montenegro, sabe-se lá por que razão, tenha demasiado tempo livre e ainda lhe sobre para se enredar em situações que, sendo de mais do que duvidosa legalidade, o elementar bom senso e a integridade ética e política obrigariam a colocar ao largo.

Os sinais de alarme piscam todos no vermelho. Às sirenes não há pilha que lhes falte. E é importante que Luís Montenegro, o PSD e a sua muleta do Bar Cockpit sejam confrontados com o que se está a passar. O mínimo que lhes é hoje exigível é que tenham maneiras, arrepiem caminho e façam aquilo que 28,02% dos portugueses aprovaram. Os demais não votaram na Aliança Democrática, quereriam qualquer coisa de diferente do que aquela que lhes saiu no cardápio. Houvesse uma alternativa decente e estes moleques já estariam com os patins.

Esqueçamo-nos, brevemente, dos arremedos de prima donna de Rangel, dos problemas com Olivença, das urgências que se iriam manter abertas e continuam a fechar, do destrambelhamento com a direcção do SNS e as administrações hospitalares, das trapalhadas nas autarquias, dos casos de polícia com a sabor a tutti-frutti que envolvem deputados e autarcas do PSD, e tudo o mais que circula pelos esgotos da rede social X, para nos concentrarmos na actividade empresarial do primeiro-ministro.

Tal como sucedeu com o ex-secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, em relação ao qual não havia nada, e onde tudo era sinal de desprendimento antes de se revelar uma “imprudência” – há quem lhe chame estupidez –, soubemos, entretanto, que no curtíssimo período em que não esteve no parlamento o primeiro-ministro se tornou num empresário de sucesso. De muito sucesso.

As dúvidas sobre as obras na sua casa e os ajustes directos com as Câmaras de Espinho e de Vagos – o que mostra bem que mesmo fora do parlamento há empreendedores e “profissionais liberais” não vivem sem a mama das autarquias e as influências criadas à sombra da actividade política –, vieram dar lugar às dúvidas sobre a Spinumviva, a sociedade comercial fundada por Luís Montenegro, a sua mulher, educadora de infância e com formação em Ciências da Educação, e os filhos, um a estudar e outro recém-licenciado.

A Spinumviva foi registada em 22 de Janeiro de 2021, com um objecto social incorporando múltiplas actividades que vão da consultoria de gestão, à orientação e “assistência operacional às empresas ou a organismos (inclui públicos)” em matérias de planeamento estratégico, organização, controlo, informação e gestão, reorganização de empresas, gestão financeira, gestão de recursos humanos, segurança e higiene no trabalho, objectivos e políticas de marketing, organização de eventos, protecção de dados pessoais, comércio e a gestão de bens imóveis, próprios e de terceiros, incluindo a aquisição para revenda, arrendamento e outras formas de exploração económica dos mesmos, a que acresce a exploração agrícola, turística e empresarial, de recursos naturais e produção agrícola, predominantemente vitivinícola.

Neste pequeno lençol estranhei a ausência de outras actividades lucrativas, que certamente teriam cabimento, atenta a sua rede de contactos, como empreitadas de construção civil, fiscalização de obras e apoio às autarquias na organização de excursões para reformados e claques desportivas.   

Embora a inclusão no objecto social das actividades imobiliárias ocorresse só em 2 de Abril de 2024, a pequena empresa familiar tem um historial de sucesso na sua curta existência, mostrando que sem instalações próprias (a sede é em casa do primeiro-ministro), praticamente sem trabalhadores, pagando salários modestos e começando a operar ainda com situações de alerta da Covid-19, é possível apresentar em três anos, creio, uma facturação superior a 700.000 Euros.

As explicações dadas por Luís Montenegro foram tardias, confusas e pouco esclarecedoras. As do seu líder parlamentar, que parece saber mais dos negócios familiares do que ele, e que tem uma especial apetência por asneirar em directo, ainda mais.

Em 15 de Fevereiro p.p., o jornal Observador enfatizava, de acordo com as palavras do próprio primeiro-ministro, a vertente de exploração agrícola e turística da sociedade. Na sua criação, segundo Montenegro, terá estado a ideia de incorporar na sociedade o património herdado de seus pais, e “revitalizá-lo”, o que é perfeitamente legal e legítimo. E ao mesmo tempo esclareceu que a empresa não vai comprar nem vender nada, embora se apresse a dizer, sinal de que pensou no assunto, que mesmo que o fizesse não haveria qualquer conflito de interesses. Homessa!  

Aqui surgem-me as primeiras dúvidas. As contradições são patentes: a empresa foi criada para exploração agrícola e turística e gerir o património herdado, mas até hoje, passados quatro anos, nenhum lhe foi incorporado. 

Passou, isso sim, e rapidamente a diversificar, dedicando-se, sublinha-o o Página Um, à consultadoria “altamente especializada” no âmbito da “protecção de dados pessoais (o primeiro-ministro tem uma pós-graduação em protecção de dados pessoais), onde surge como sua cliente, “por ironia do destino”, a empresa que detém o Correio da Manhã. Em vez de incorporar o património herdado e “revitalizá-lo”, a empresa dedicou-se a uma actividade muito mais rentável e com muito menor carga burocrática.

Valeu o objecto social ser tão amplo, pois sem isso não vingaria tão depressa. Não sei quem teve a ideia de aumentar o leque de actividades, acrescentando a compra e revenda de imóveis, seu arrendamento e gestão, quando as coisas já estavam a correr tão bem. Suspeito que surgiu quando a família se apercebeu do sucesso do Robles, aquele dinâmico empresário que lutava contra a especulação imobiliária e foi corrido do Bloco de Esquerda. Mas nessa altura ainda não se sabia que os empreendedores do BE também eram bons na gestão patronal de assuntos laborais, rentabilizavam a exploração da sua sede com uns negócios paralelos e já estávamos em cima da data da tomada de posse de Luís Montenegro. Há mais gente com olho para o negócio e não se podia perder tempo, não fosse alguém lembrar-se, imagine-se, de mudar a Lei dos Solos.

Se como disse Luís Montenegro a empresa “não comprou ou vendeu, nem vai comprar nem vender nada”, então qual foi o interesse na alteração do objecto social, sendo ele casado “em comunhão de bens” – geral ou de adquiridos é irrelevante para o caso – e “promovendo” essa mudança societária numa altura em que já estava a exercer funções na chefia do XXIV Governo? Isso foi uma “imprudência” da senhora educadora de infância, sua mulher, ou saiu do génio da juventude lá de casa numa noitada em redor de um tabuleiro de Monopólio?

Sabendo-se que é o seu Governo que apadrinha e aprova a alteração à Lei dos Solos (Decreto-Lei n.º 117/2024), em que medida os seus 49 prédios rústicos que não foram atempadamente incorporados na Spinumviva irão ser valorizados?

E porque será que se insiste tanto para que que os solos rústicos possam ser reclassificados em urbanos sem que primeiro se apure a inexistência de áreas urbanas disponíveis? Ou será que o primeiro-ministro desconhecia o alcance das alterações legislativas que o seu Governo aprovou? 

O senhor primeiro-ministro não se sente incomodado com nada disto, acha que é tudo normal, que é tudo coincidência? 

Também conviria esclarecer como é que no ano de maior facturação a empresa apresenta um único trabalhador a tempo inteiro e um outro em tempo parcial ao seu serviço. Quem foram esses trabalhadores, que competências possuem? Houve subcontratação de terceiros ou foi ele, Luís Montenegro, quem fez os estudos que justificaram tão elevada facturação? Se não foi ele, quem foi que fez? E quanto lhes foi pago?

O panorama é cada vez menos lustroso.

O JN titulava ontem que “Cargos políticos disparam com Costa e batem recorde com Montenegro”, aumentando quase 50% após a saída da Troika, para atingir hoje quase 26.500 pessoas no terceiro trimestre de 2024. Lá dentro vem o desenvolvimento da manchete tendo por base um estudo do Instituto Mais Liberdade. Nos seus órgãos sociais aparecem os nomes gente tão respeitável e à direita como Guimarães Pinto, Alexandre Relvas, João Miguel Tavares, Cecília Meireles, Adolfo Mesquita Nunes ou Fernando Alexandre, o seu responsável pela pasta da Educação. Estaremos perante mais uma cabala?

A avaliar pelo que Luís Montenegro disse da actuação de Hernâni Dias, tudo isto revela “o desprendimento subjacente” à decisão de alterar o objecto social da empresa familiar que constituiu e que não passará de mais uma “imprudência”.

Inaceitável, é claro, e ética e politicamente censurável.

Em especial para quem ainda não está em funções sequer há um ano e substituiu um primeiro-ministro que viu o mandato encurtado porque o número um do seu gabinete, sem que aquele soubesse, imprudentemente guardava num cofre da residência oficial de S. Bento mais de 75 mil euros em dinheiro vivo de umas contas anteriores que acertara em Angola. E Montenegro não desconhece, por outra banda, que há um outro ex-primeiro-ministro a aguardar julgamento, acusado por múltiplos crimes, e dezenas ou centenas de autarcas, ex-membros do governo e deputados do seu partido que são alvo de investigações e processos judiciais.

Tudo aquilo que os portugueses menos precisavam nesta altura era ver de novo o seu primeiro-ministro e os seus colaboradores enredados em confusões, umas vezes fugindo às explicações e de outras dando respostas atabalhoadas e pouco credíveis de cada vez que surgem potenciais focos de incêndio.

Com tudo o que prometeu e garantiu aos portugueses que iria de fazer diferente em relação aos seus antecessores, quer-me parecer que Montenegro se esqueceu rapidamente do que disse e dificilmente, se lá chegar, conseguirá fazer passar o Orçamento de 2026.

A gente sabe que o acompanhamento de jogos da Selecção Nacional de futebol a convite da GALP ou de outras empresas só passou a ser mau quando se descobriu que (também) havia uns governantes socialistas entre os contemplados; mas para quem disse em 16 de Janeiro de 2023 que "[é] importante para Portugal, para a democracia portuguesa, para a credibilidade da acção política das instituições, que se possam dissipar todas estas dúvidas, estas nuvens que hoje pairam sobre tantos políticos e que, efectivamente, não são geradores de confiança por parte dos cidadãos", Luís Montenegro, o seu PSD e as pessoas da sua confiança estão a dar uma mão cheia de maus exemplos.

Todos menos os que os portugueses esperavam receber do XXIV Governo Constitucional para conseguirem um pouco de sossego, perspectivarem a resolução dos problemas que mais os afligem, aumentarem a sua confiança nos actores políticos e nas instituições, e poderem esquecer as espertezas e golpadas de outros chicos que passaram por anteriores executivos e que, com toda a razão, foram severamente vergastados no espaço público e nas urnas.

Há quem diga, não será o meu caso, que o país está a ser governado por alguns estadistas com perfil de matumbos, ou com laivos de ruralismo, como reafirmaria o Presidente da República ao olhar para esta questão dos prédios rústicos, se pudesse e não tivesse sido antes tão criticado. Não irei tão longe.

Compreendo que qualquer pessoa mais distraída possa cometer uma imprudência. Passar um sinal vermelho e acelerar não é uma imprudência. É uma irresponsabilidade que desqualifica qualquer condutor. E pode causar danos irreparáveis a terceiros.

Por agora, escreve-se no Público desta manhã, o “preço dos solos rústicos está a subir”. Uma imobiliária “dá conta da subida de 71% dos preços médios dos terrenos rústicos, desde o início deste ano”.

Se Luís Montenegro quer dedicar-se aos negócios imobiliários pode sempre abrir uma empresa com Hêrnani Dias. Não há mal nisso. Se quer ser primeiro-ministro e líder do maior partido, então vai ter de optar. Ou dar rapidamente lugar a outro que não esteja com um olho no burro e outro no negócio quando está a tratar de assuntos de Estado.

E obviar a que o senhor Ventura se apodere do megafone.

Distraí-lo, numa altura em que o vemos assoberbado com os problemas que arranjou com aquela mão cheia de trogloditas que lhe entraram pela horta e estão a dar-lhe cabo da sementeira, seria um crime.

E pode dar, aos olhos de muitos portugueses, que cada vez têm menos paciência, castração política e empresarial. Definitiva. Depois não há transplante que o salve. Acabam-se os comícios e os ajustes directos. Para todo o sempre. Ninguém lhe perdoará. Nem os presidentes de junta. Pense nisso.

Recordar Seguro

João Sousa, 07.11.23

É bom, nestes tempos interessantes que vivemos, recordar António José Seguro. Em 2014, dizia ele numa entrevista: "O PS associado aos negócios e interesses é apoiante de António Costa". A isto, o nada augusto César dos Açores, mandatário de Costa, respondeu com a sua habitual elegância ser "uma entrevista de uma pessoa que acha que adquire milagrosamente autoridade e crédito na proporção apenas da insinuação difamatória e do efeito de ruído que produz". E quem foi que acusou Seguro de fazer declarações que tinham "como único objectivo emporcalhar o espaço público"? Espantemo-nos: Galamba.

Disparar com excesso de rapidez

Pedro Correia, 12.07.23

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1

O ministro da Cultura, que terá recebido instruções de António Costa para sair do doce recato em que permanecia há 15 meses, deu enfim prova de vida política. Mas não da melhor maneira. Em dois dias seguidos, colidiu com os deputados da comissão parlamentar de inquérito à TAP e com o seu colega da Administração Interna.

Num caso esteve quase bem, noutro esteve muito mal. Sem perceber, de qualquer modo, que se contradizia por completo nas duas intervenções públicas.

 

2

Esteve quase bem quando saiu em defesa da liberdade de expressão a propósito do controverso ataque em forma de desenho satírico aos agentes da polícia, apontados como potenciais homicidas racistas na televisão do Estado.

A liberdade editorial dos cartunistas deve ser irrestrita: sempre pensei assim e continuo a pensar. Mesmo quando a sátira ofende, é de mau gosto e estigmatiza um sector socio-profissional, como as forças de segurança. Adão estaria bem, sem o advérbio quase, se não entrasse em polémica pública com José Luís Carneiro: nem parece que se sentam ambos no Conselho de Ministros.

Outra trapalhada absolutamente desnecessária. Esta, certamente Costa não lhe agradeceu.

 

3

Esteve muito mal ao esgrimir contra os deputados, esquecendo-se de um princípio fundamental do Estado de Direito: o Governo é responsável perante a Assembleia da República, devendo-lhe respeito institucional. Além disso, sendo membro do Executivo, viola o sagrado princípio da separação de poderes - outro pilar das democracias liberais - ao ter dito o que disse.

«Os deputados são uma espécie de procuradores do cinema americano de série B da década de 80. Isto contribui para a degradação da imagem da democracia», declarou Adão e Silva em entrevista à TSF, talvez nostálgico dos dias em que ganhava a vida como tudólogo do comentário bem remunerado na televisão, na rádio e nos jornais. Agora em dura crítica aos parlamentares que se atreveram a fazer perguntas incómodas na sede própria, agindo como representantes dos eleitores.

Ironicamente, o mesmo ministro que sai em defesa da liberdade de expressão para os cartunistas ataca o exercício dessa mesma liberdade pelos deputados. Uma coisa não cola com a outra. Acontece a quem dispara mais rápido do que a própria sombra após longa hibernação mediática.

Faz lembrar o que cantava Sérgio Godinho nos idos de setenta: «Só quer a vida cheia quem teve a vida parada.» 

 

4

Quem esteve muito bem - este sim - foi o deputado socialista António Lacerda Sales, ex-secretário adjunto da Saúde e presidente da comissão parlamentar de inquérito à TAP. Reagindo às farpas lançadas pelo titular da Cultura.

Em dois momentos.

Primeiro, afirmando isto à Lusa: «Parece-me uma falta de respeito pelo trabalho dos senhores deputados, da comissão e do próprio parlamento. Relembro que o Governo responde ao parlamento. Nenhum político está isento de respeitar as instituições, por maioria de razão o parlamento, especialmente os ministros.»

Depois, acentuando isto à Antena 1: «Os membros do Governo, mesmo quando se sentam à mesa do café ou em esplanadas, nunca se devem esquecer que são membros do Governo.»

Parafraseando aqui o que disse António Costa em Abril de 2016, quando afastou do Governo, por delito de opinião, João Soares - um dos antecessores de Adão e Silva. O primeiro-ministro é mesmo assim: molda os princípios às conveniências da sua geometria política, sempre muito variável.

 

5

Lacerda Sales merece aplauso. Defendeu a instituição parlamentar e deu uma bofetada metafórica ao ministro impertinente.

De luva branca, claro. São sempre as que doem mais.

E vão catorze

Pedro Correia, 07.07.23

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Mais um, a sair pela porta dos fundos. Desta vez um Capitão - só no nome. A auferir mordomias do Governo, foi general: embolsou 61 mil euros em apenas cinco dias úteis numa assessoria que recebeu de mão beijada. Em contrato com a Direção-Geral de Recursos da Defesa Nacional, selado a 25 de Março de 2019 para «acompanhamento da equipa» que negociava contratos de manutenção dos helicópteros utilizados em operações de busca e salvamento e evacuações médicas. Tinha um prazo de dois meses para o efeito, mas no dia 29 o assunto já estava despachado. 

Quem celebrou contrato com ele foi o ex-director-geral Alberto Coelho, entretanto detido por suspeitas de corrupção em ajustes directos a empresas que não terão cumprido as regras da contratação pública na empreitada do antigo hospital militar de Belém - em que os custos triplicaram. Sempre no Ministério da Defesa.

Por espantosa coincidência, apenas um mês após ter concluído a "turbo-asessoria" de 12.500 euros diários principescamente paga pelos cofres da República, Marco Capitão Ferreira tornou-se presidente da comissão liquidatária da empresa Empordefholding do Estado para as indústrias de Defesa, ficando abrangido pelo estatuto do gestor público. Que impede acumulação da prestação de serviços com o exercício de funções em empresas públicas. 

Como se tantas trapalhadas não bastassem, soube-se agora que contratou um assessor-fantasma quando liderou a idD Portugal Defence, holding das indústrias de Defesa. O referido assessor, ex-administrador do Arsenal do Alfeite, não terá participado num estudo sobre Economia da Defesa que traz o seu nome.

Mesmo assim, em Março de 2022, este homem que parece atrair as mais desvairadas polémicas foi nomeado secretário de Estado da Defesa pela ministra Helena Carreiras. Mandava a elementar prudência que tal nomeação nunca tivesse acontecido. Mas os tiques de maioria absoluta tornam este governo cego e surdo a toda a precaução e a todas as advertências.

Eis o resultado: Marco Capitão Ferreira foi hoje obrigado a cessar funções. E vão catorze. Tudo começou (quem diria?) com umas bengaladas metafóricas prometidas a dois comentadores pelo antigo ministro da Cultura João Soares. «Nem à mesa do café podem deixar de se lembrar que são membros do Governo», avisou na altura António Costa. Onde é que isto já vai...

 

ADENDA: Ministério Público e Judiciária fazem buscas no Ministério da Defesa.

ADENDA 2: Marco Capitão Ferreira constituído arguido.

"Ameaça ao Estado de Direito com pernas"

Pedro Correia, 20.05.23

 

«Uma das primeiras responsabilidades de um ministro é defender o Estado. O ministro é um servidor de topo do Estado: a sua primeira obrigação é não lesar a imagem do Estado. Segunda obrigação: ser leal com o seu primeiro-ministro. Terceira obrigação: lealdade para com os seus colegas.»

 

«Temos de reconhecer que as cenas que chegaram ao público ocorreram no Ministério das Infraestruturas, não noutros ministérios. São trapalhadas que têm o seu epicentro naquele ministério. O ministro tem de ter o sentido da realidade e perceber que a sua obrigação é poupar os seus colegas às consequências deste episódio político lamentável.»

 

«A novela do Ministério das Infraestruturas é toda ela do Governo. Quem é o guionista? O Governo. Quem é o elenco? O Governo. De quem é a produção? Governo. Efeitos especiais? Governo. É tudo do Governo. Alguém tem de ter mão no Governo. Alguém tem de ter mão, em especial, no Ministério das Infraestruturas, que está praticamente em estado de sítio.»

 

«Tudo é mais ou menos inverosímil. As versões variam o suficiente para resolver pontas soltas. A última foi esta das fotocópias nocturnas - uma coisa absolutamente extraordinária. Só falta dizer que as adjuntas são todas testemunhas de que ele tem um isqueiro e uma máquina fotográfica.»

 

«Quando se lembraram de classificar os documentos? Quando perceberam que tinham de enviá-los para os deputados. É nesse momento que é feita a classificação, aliás por sugestão do próprio Frederico Pinheiro. Agora veja-se o racional disto: os documentos foram classificados por irem parar àquele órgão irresponsável e perigoso que é a Assembleia da República, feita com todas as potências externas, incluindo Lufthansa e British Airways. "Querem ver que os documentos classificados ainda chegam às mãos dos deputados? Não! Vamos já contactar o SIS, perante este risco iminente..." História absolutamente caricata.»

 

«Ainda ninguém conseguiu perceber porque é que as adjuntas consideraram necessário puxar a mochila de Frederico Pinheiro, em acção directa: "Este não sai daqui com a mochila!" Sem lhe tocarem - foi uma operação feita com pinças.»

 

«Esta história foi protagonizada por um bando de irresponsáveis que num determinado momento entraram num processo de histeria, perderam a noção do que estavam a fazer, tomaram más decisões - e não há nada a apurar. Isto é apenas um triste espectáculo.»

 

«Então este "perigoso gatuno" é que decidia? Isto cabe na cabeça de alguém? Quando o adjunto que era o único que [ali] verdadeiramente conhecia esta matéria, tendo a competência de acompanhar o dossiê TAP, era a pessoa que mais sabia do assunto, era o especialista do assunto, ao fim de meses, levar o computador justifica "roubo, roubo!" - com a Polícia Judiciária; "risco de segredos nacionais" que ainda vão parar à Assembleia da República - vai o SIS. Senhoras a puxar mochilas. Edifício bloqueado. Uma chefe de gabinete que diz que o telemóvel é dela, que ela é que o paga, que tem acesso às listas das chamadas. Isto é possível? Esta chefe de gabinete é uma ameaça ao Estado de Direito com pernas!»

 

«O Estado de Direito não foi criado para proteger o Estado dos Fredericos Pinheiros. O Estado de Direito foi criado para proteger os Fredericos Pinheiros do Estado.»

 

Sérgio Sousa Pinto (deputado do PS), ontem, na CNN Portugal

 

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Galamba até parece ser o adjunto dela

Pedro Correia, 20.05.23

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«Tenho uma grande jurista. A minha chefe de gabinete é uma extraordinária jurista.»

«Eu remetia para as declarações da chefe do meu gabinete.»

«A justificação dada ontem pela chefe do meu gabinete parece-me bastante razoável.»

«Como já foi dito, e foi ontem dito pela chefe do meu gabinete e repito...»

«O que eu posso dizer é o mesmo que disse ontem a minha chefe de gabinete.»

«Toda essa matéria foi ontem amplamente descrita e eu subscrevo tudo o que disse ontem a chefe do meu gabinete.»

«Telefonema da minha chefe de gabinete... mensagem da minha chefe de gabinete... todo este fio de tempo que foi ontem amplamente descrito pela minha chefe de gabinete...»

 

Declarações do ainda ministro João Galamba, anteontem e ontem, à comissão parlamentar de inquérito

 

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Nave de loucos

Pedro Correia, 19.05.23

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Foto: Reinaldo Rodrigues / Global Imagens

 

Admitiu não ter lido na íntegra o plano de reestruturação da TAP. Mostrou ignorar o protocolo de segurança no Ministério das Infraestruturas para casos de emergência e não fazer a menor ideia de como se classifica um documento oficial. Apontou, entre os motivos que o levaram a exonerar Frederico Pinheiro por telefone, o facto de este «tirar fotocópias a horas impróprias». Reconheceu que toda a documentação mais relevante - incluindo dez documentos classificados como confidenciais! - estava no computador deste adjunto, que trabalhou desde 2017 em gabinetes de três governos socialistas. Confiava nele ao ponto de o ter reconduzido como elemento de ligação entre o ministério e a administração da TAP e de não contar com mais ninguém, no seu gabinete, que percebesse a fundo deste tema - por sinal o mais importante de quantos tem para gerir. Espantosamente, três semanas depois, ainda não substituiu o adjunto exonerado. 

E que mais? Na noite de 26 de Abril, a sua chefe de gabinete ligou por iniciativa própria aos serviços de informações, accionando a intervenção do SIS - à margem das normas legais - para recuperar um portátil, na via pública, perto da meia-noite. Comunicou aos deputados que naquele serão alucinante falou em poucas horas, sobre o mesmo assunto, com o ministro da Administração Interna, com o secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, com a ministra da Justiça e (já de madrugada) com o primeiro-ministro. Mobilizando a PSP e a Polícia Judiciária, além do "James Bond tuga".

Quase meio governo em estado de alerta máximo por causa dum computador portátil. E António Costa apanhado a mentir. Sabe-se agora que o titular das Infraestruturas lhe deu nota sobre a intervenção da "secreta", quando a 1 de Maio o primeiro-ministro havia garantido aos portugueses: «Ninguém no Governo deu ordens ao SIS.»

Eis o resumo do longo depoimento - mais de sete horas - de João Galamba, iniciado às 18 horas de ontem, na comissão parlamentar de inquérito à TAP, e terminado já nesta madrugada. Penosa sessão, que torna ainda mais deplorável a presença no Governo deste ministro a quem o Presidente da República já tirou o tapete mas que António Costa tem insistido em segurar, num incompreensível assomo de insanidade política.

Porque a impreparação, a imaturidade e a irresponsabilidade do ainda ministro transformaram este governo numa nave de loucos.

"Opera buffa"

Pedro Correia, 18.05.23

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Como jornalista, acompanhei centenas de sessões parlamentares. Nunca vi nada como aquilo que aconteceu ontem.

Um ex-adjunto do Governo, que durante quatro anos desempenhou funções de inegável responsabilidade no Ministério das Infraestruturas, descreveu várias cenas ali ocorridas no dia 26 de Abril. Todas dignas de um filme de série B. Foi exonerado por chamada telefónica pelo ministro, que berrou com ele e o insultou em termos grosseiros («Demito-te para não te dar dois murros», terá dito), viu-se sequestrado pela chefe de gabinete e três assessoras, trancaram-no na garagem onde tinha a bicicleta, teve de ser ele próprio a chamar a PSP para conseguir sair do edíficio.

Mais: quase à meia-noite, um suposto agente do SIS contactou-o para ele devolver o computador portátil de serviço que levara do gabinete para dele extrair ficheiros pessoais. O tal sujeito ameaçou-o dizendo que ele próprio (007 Tuga) estaria a ser «muito pressionado» para reaver tão precioso objecto. E - conforme ficou lavrado em acta na comissão parlamentar de inquérito à TAP - terá dito, ao jeito de intimidação pidesca de outros tempos: «É melhor resolvermos isto a bem, senão pode complicar-se...»

Perto da meia-noite, à porta da residência do visado.

 

Nada tão grave, em toda esta série de rocambolescos episódios que têm como protagonista o inimitável João Galamba, como confirmar que os serviços de informações da República Portuguesa agem como guarda pretoriana do Governo.

Podia ser apenas uma questão de abuso do poder socialista, mas é mais do que isso: tornou-se uma questão de regime. De irregular funcionamento das instituições.

Isto já não é um governo: é uma opera buffa. Com final anunciado.

 

SUGESTÕES DE LEITURA:

Galamba não deu dois socos em Frederico, mas esmurra Costa até ao KO. Da Ana Sá Lopes, no Público.

João "dois socos" Galamba e um gabinete em roda livre. Do João Miguel Tavares, no Público.

Difamação

Pedro Correia, 15.05.23

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António Costa chamou ladrão, em duas ocasiões diferentes, ao ex-adjunto do gabinete ministerial de João Galamba. O próprio titular das Infraestruturas fez o mesmo, visando Frederico Pinheiro, que há sete anos exercia funções no Governo e nele confiavam ao ponto de ter no seu computador portátil de serviço os planos "secretos" de privatização da TAP que o Executivo socialista persiste sem revelar aos portugueses.

Chamaram-lhe ladrão por ter sido autor de um "furto" (sem violência) ou de um "roubo" (furto violento) - com notória falta de rigor, acusando-o de reter indevidamente "propriedade do Estado". Afinal não terá havido nada disso. O computador não foi furtado nem roubado: foi devolvido pelo ex-adjunto a alguém que se fez passar na via pública por funcionário do SIS - em aparente violação da lei, pois um elemento do SIS não deve identificar-se como tal nem sequer junto dos familiares mais próximos.

Na Assembleia da República, o próprio director do SIS confirma a inexistência de crime. Terá sido ele a tomar a iniciativa de recuperar o computador portátil, algo impossível - também face à lei vigente - se estivesse em causa um furto ou um roubo, pois o SIS não tem poderes de investigação criminal, ao contrário do que sucede com a Polícia Judiciária, a PSP e a GNR.

Acresce que o cidadão difamado, Frederico Pinheiro, era à data dos acontecimentos membro de pleno direito do gabinete de Galamba. Mantinha acesso irrestrito ao computador e ao telemóvel de serviço, pois a sua exoneração só produziu efeitos a 10 de Maio,. Muito após os factos que lhe foram imputados pelo ainda ministro

Galamba imaginou-se por momentos na pele de Donald Trump no reality show televisivo The Apprentice, em que berrava no fim «You're fired!»

Acontece que em Portugal é diferente. Ninguém perde o vínculo laboral só porque um patrão berra «Estás despedido!». Muito menos no Governo. Muito menos num governo cheio de "sensibilidade social" que acaba de aprovar uma pomposa "agenda do trabalho digno".

Para todos, não só para os outros. O exemplo deve vir de cima.

Penosa agonia

Pedro Correia, 20.01.23

Quatro ministros na corda-bamba: a questão não é se vão cair, mas quando.

 

Fernando Medina, enredado na monumental questão das suspeitas sobre financiamento ilegal ao PS quando era presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

 

João Gomes Cravinho, agora desmascarado por ter faltado à verdade ao parlamento a propósito das embrulhadas relacionadas com o antigo Hospitalar Militar.

 

João Costa, cercado pela monumental vaga reivindicativa dos professores em luta, numa réplica do que aconteceu a Maria de Lurdes Rodrigues durante o consulado Sócrates.

 

Maria do Céu Antunes, irremediavelmente contaminada pelo caso da secretária de Estado que escolheu e se tornou célebre por só ter permanecido 25 horas em funções.

 

É penosa, a agonia deste governo empossado há menos de dez meses. António Costa deve sentir saudades do tempo em que não tinha maioria absoluta.

As trapalhadas do governo Costa

Executivo é o maior factor de instabilidade nacional

Pedro Correia, 29.12.22

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Dez ministros e secretários de Estado em fuga do governo desde que tomou posse, há nove meses. Uma autêntica debandada, que teve como mais recentes protagonistas, na noite de ontem, o secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Mendes, logo seguido do ministro dos Transportes, Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos.

À luz da doutrina constitucional estabelecida em 2004 por um dos antecessores de Marcelo Rebelo de Sousa, as trapalhadas do governo Costa pós-geringonça põem em causa o regular funcionamento das instituições.

Se o inquilino do Palácio de Belém, neste momento, se chamasse Sampaio em vez de Sousa, a legislatura estaria em vias de ser dissolvida pelo facto, raro mas não inédito, de o governo ser o principal factor de instabilidade nacional.

 

Um governo, paradoxalmente, em fim de ciclo quando as eleições legislativas foram apenas há onze meses. É aliás já num subtexto de fim de ciclo que decorre toda a infeliz entrevista concedida há dias pelo primeiro-ministro à revista Visão - posando para a capa como "Marquês de Pimbal", na mordaz definição de Ana Gomes.

A ex-eurodeputada inclui-se entre os socialistas (como Alexandra Leitão, Álvaro Beleza e Sérgio Sousa Pinto) que não escondem o desagrado nem silenciam críticas perante estes nove meses de errático desgoverno, incapaz de encontrar um rumo. Como se estivesse órfão dos dois partidos - PCP e BE - que durante os seis anos anteriores lhe serviram de muleta.

«Alguma coisa dá uma sensação de desconforto a quem lê», comentou o ex-ministro de Estado Pedro Siza Vieira, personalidade até há pouco muito próxima de Costa, reagindo também com evidente desconforto àquela entrevista em que o primeiro-ministro esbanjou insultos e falsidades.

 

Convém recordar que ao dissolver a Assembleia da República, em Dezembro de 2004, Jorge Sampaio pôs fim a um governo apoiado pela maioria dos deputados, empossado escassos quatro meses antes. As "trapalhadas" de Santana Lopes, como na altura foram designadas, são episódios menores comparados com a sucessão de escândalos do costismo pós-geringonça.

Entre estes escândalos, inclui-se a revogação em Junho, por decisão urgente do primeiro-ministro, de um despacho, oriundo 24 horas antes do gabinete ministerial de Pedro Nuno Santos, sobre a localização do futuro aeroporto de Lisboa - numa descoordenação sem precedentes em quase meio século de governos constitucionais.

Em Novembro, ocorreu a demissão forçada do próprio secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Miguel Alves, acusado pelo Ministério Público do crime de prevaricação quando exercia funções de presidente da Câmara Municipal de Caminha. Esta exoneração ocorreu apenas 55 dias após a chegada do ex-autarca ao governo.

 

Ontem, o ministro das Finanças decidiu exonerar a secretária de Estado do Tesouro após ter sido divulgada a notícia de que Alexandra Reis embolsara uma indemnização de meio milhão de euros como administradora da TAP, no início de 2022, quando ainda lhe faltavam cumprir dois anos nestas funções, tendo transitado de imediato para a presidência da empresa pública Navegação de Portugal. Empossada como secretária de Estado a 2 de Dezembro, passou pelo governo só durante 26 dias.

Tem agora a palavra o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa. Que, como comentador político, há 18 anos foi um dos mais ferozes críticos do primeiro-ministro Santana Lopes.

 

ADENDA: Com a saída de Marina Gonçalves, secretária de Estado da Habitação, sobe para onze o número de governantes que abandonaram o Executivo nestes nove meses.

De trapalhada em trapalhada

Pedro Correia, 07.07.22

Não me recordo de nenhum governo ter feito tantas trapalhadas em apenas três meses.

Do caos nas urgências hospitalares ao caos nos controlos fronteiriços, com cem mil alunos em risco de ficarem sem professores no ensino público já em Setembro e o aeroporto de Lisboa a ser designado o pior do mundo por estes dias.

Passando pelo inenarrável folhetim "Demite-te se és homem / Demite-me se tens coragem" protagonizado pelo primeiro-ministro e pelo seu putativo sucessor no partido que acaba de desautorizá-lo em toda a linha mas permanece em funções como titular das infraestruturas. 

O que espera o Presidente da República para correr com este executivo de Pedro Santana Lopes?

Alguém por aí sabe como se diz «banho de ética» em alemão?

Pedro Correia, 10.11.18

 

17 de Outubro de 2017

Rui Rio em campanha para a presidência do PSD: «A política precisa de um banho de ética.»

 

13 de Janeiro de 2018

Rui Rio eleito líder do PSD.

 

25 de Janeiro

Salvador Malheiro, director de campanha de Rui Rio, alvo de uma investigação do Ministério Público por suspeitas de favorecimento a uma empresa do líder da concelhia do PSD de Ovar, seu vereador na câmara municipal a que preside.

 

19 de Fevereiro

Elina Fraga, vice-presidente de Rio, investigada por supostas irregularidades na contratação de serviços jurídicos quando era bastonária da Ordem dos Advogados.

 

18 de Março

Feliciano Barreiras Duarte, primeiro secretário-geral escolhido por Rio, demite-se após várias polémicas relativas às sua carreira académica e a ajudas de custo que terá recebido como deputado.

 

3 de Novembro

É noticiado que José Silvano, segundo secretário-geral escolhido por Rio, recebeu senhas de presença (no valor de quase 70 euros cada) por alegada participação em reuniões parlamentares a que não compareceu, a 18 e 20 de Outubro.

 

7 de Novembro

Silvano assina presença numa reunião parlamentar da Comissão de Transparência a que não chegou a assistir, sem ter apresentado qualquer justificação.

 

8 de Novembro

Questionado pelos jornalistas sobre Silvano, Rui Rio responde em alemão: «Ich weiss nicht, was sie sagen.»

 

9 de Novembro

Deputada Emília Cerqueira assume ter «inadvertidamente» registado as presenças de Silvano ao aceder ao computador registado em nome dele na Assembleia da República.

 

Trapalhadas de 2018 (2)

Pedro Correia, 11.01.18

«Quantas unidades de saúde familiar o seu Governo abriu em 2017?»

Pergunta de Assunção Cristas a António Costa no debate parlamentar de anteontem

 

«O programa do Governo tem o objectivo de termos 100 novas unidades de saúde familiar criadas ao longo da legislatura. No primeiro ano criámos as 25 unidades. Durante o ano de 2017 não alcançámos este objectivo, mas é um objectivo que nos permitirá recuperar ao longo deste ano e durante o próximo, até ao final da legislatura, para cumprimos o objectivo que temos até ao final da legislatura. (...) Abrimos 23. Por isso, desde o início da legislatura já criámos 48, o que significa que até ao final da legislatura nos faltam criar 52. Estamos com duas de atraso.»

Resposta de António Costa

 

«Costa diz que em 2017 abriram 23 unidades de saúde familiar mas só foram cinco.»

Notícia da RTP, ontem

 

«Relativamente àquilo que o senhor primeiro-ministro aqui disse, ele foi mal informado por nós no momento da informação que prestou na resposta e referiu-se a 23. (...) O erro foi da informação que lhe foi transmitida.»

Adalberto Campos Fernandes, ministro da Saúde, no debate parlamentar de ontem

Trapalhadas de 2018 (1)

Pedro Correia, 09.01.18

«A Constituição prevê um mandato longo e um mandato único [para o procurador-geral da República]. Portanto, na perspectiva da análise jurídica que faço, há um mandato único e um mandato longo.»

Francisca Van Dunen, esta manhã, em entrevista à TSF, deixando implícito que o Governo não tenciona reconduzir Joana Marques Vidal no cargo de procuradora-geral da República a nove meses do fim do seu mandato

 

«A senhora ministra da Justiça, hoje, numa entrevista a uma rádio, quando foi questionada sobre a questão, deu a sua opinião – aliás esclarecendo que era a sua opinião jurídica. O Governo nunca apreciou a questão enquanto tal. (…) É absolutamente prematuro. Não vou assumir aqui, em nome do Governo, uma posição que o Governo não analisou.»

António Costa, esta tarde, falando sobre o mesmo tema no debate quinzenal na Assembleia da República, desautorizando a ministra da Justiça