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Futebol e terrorismo

por Diogo Noivo, em 14.01.19

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Serei o único português que não percebe nem gosta de futebol. Não sei o nome dos jogadores, não percebo as tácticas, e tenho uma reacção de convulsão visceral aos inúmeros e intermináveis programas de comentário desportivo.

Se não me falha a memória, a última vez que entrei num estádio teria uns oito ou nove anos. Foi no Restelo e pela mão do meu querido avô, antigo dirigente de modalidades amadoras no Belenenses, que sofreu até ao último dia pelo clube do seu coração. Recordo-o como um gentleman. Sereno e cortês, de uma amabilidade quase anacrónica. O aprumo era militar, com um bigode branco cuidado ao milímetro e a capacidade paranormal de chegar ao final do dia com a camisa impecavelmente engomada.

Talvez por guardar esta imagem dele tenho tanta aversão ao futebol. A psicanálise explicará. Para mim, o mundo do futebol era o meu avô e o meu avô era radicalmente diferente daquilo que se vê nos relvados, nas bancadas e nos estúdios de televisão onde a bola dá o mote para horas de conversa inenarrável.

Esta digressão ao passado vem a propósito de uma pergunta que me foi feita pelo Diário de Notícias no final da semana passada: o sucedido em Alcochete foi terrorismo? Analisei o sucedido, dissequei os factos, ponderei o que está demonstrado. Cheguei a duas conclusões. Primeiro, tenho razões para execrar o mundo da bola. Segundo, o sucedido dificilmente configura um caso de terrorismo – como é óbvio, apenas esta última conclusão consta da notícia publicada no DN. Defendo quatro argumentos:

 

1 - O terrorismo é, por definição, político. A violência, ou a ameaça do seu uso, destina-se a inocular o medo para, dessa forma, condicionar comportamentos sociais e políticos. Estará por demonstrar que a violência em Alcochete esteve ao serviço de um projecto de poder.

2 - Mais importante para o caso em apreço, os alvos directos do terrorismo nunca são os seus reais destinatários. As vítimas são um símbolo, uma representação daquilo que a organização terrorista entende ser o inimigo (i.e. um agente da polícia enquanto representante da autoridade do Estado, ou um cidadão europeu enquanto símbolo de uma sociedade alegadamente hedonista e "infiel"). Isto dificilmente se verificou em Alcochete, uma vez que os reais destinatários terão sido os jogadores.

3 - Uma das características que distinguem o terrorismo de outras formas de criminalidade organizada é o facto de este precisar de publicidade. Uma organização dedicada ao tráfico de armas não deseja atenção sobre a sua actividade, mas, pelo contrário, o terrorismo precisa de ampla divulgação da sua acção - sob pena de não disseminar o medo, que é o principal objectivo imediato de qualquer terrorismo. Está por demonstrar que os indivíduos envolvidos nas agressões em Alcochete desejassem a ampla divulgação do crime que cometeram.

4 - Por fim, o objectivo último das organizações terroristas não estatais é o Estado e as suas instituições, bem como a sociedade - ou pelo menos uma parte dela. Daí o terrorismo ser tão grave e insidioso. Também este critério dificilmente se verifica no caso de Alcochete.

 

Seja como for, os motivos para não regressar a um estádio permanecem intactos.

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ETA em Tancos

por Diogo Noivo, em 23.12.18

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Um dos suspeitos do assalto a Tancos terá dito aos procuradores do Departamento Central de Investigação e Acção Penal que o roubo de armas foi encomendado pela organização terrorista ETA. Sendo possível, é pouco plausível. Procuro explicar porquê numa entrevista conduzida pela jornalista Valentina Marcelino, uma conversa publicada no Diário de Notícias.

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Culturas de ódio

por Diogo Noivo, em 05.12.18

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Quinze encapuçados agrediram brutalmente um jovem na Universidade do País Basco. A razão? A vítima defende a unidade de Espanha. O rapaz agredido esteve cinco dias internado. O ataque tem todas as marcas do nacionalismo radical da ETA cuja dissolução oficial este ano não pôs fim à cultura de ódio e sectarismo que alimentou campanhas terroristas ao longo de 40 anos. Aliás, este ataque é apenas o último de vários que têm ocorrido em terras bascas.

Na Catalunha, as sedes dos partidos políticos constitucionalistas são atacadas, os deputados destes partidos são insultados e ameaçados de morte, os juízes são intimidados e as suas casas vandalizadas. Como o objectivo é o de inocular o terror, a violência não conhece os limites da decência: os pais de Albert Rivera, líder do partido Ciudadanos, viram a loja que exploram há anos vandalizada repetidamente. O nacionalismo catalão mais violento – e xenófobo – vai pouco a pouco ocupando as ruas (com apoios dentro e fora de Espanha).

Perante estes factos, que circulam pelo país via jornais, rádios e televisões, há em Portugal quem se espante com o apoio eleitoral recebido pelo nacionalismo espanhol bafiento proposto pelo Vox, o partido de ultraderecha que elegeu pela primeira vez deputados nas eleições andaluzas do passado Domingo.

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 Última edição da revista Beituki, páginas 10 e 11, com conselhos matrimoniais

 

 

Sempre preocupada com o bem-estar do lar, a revista feminina Beituki ("A Tua Casa"), editada pela al-Qaeda, sugere às mulheres 17 maneiras de evitar o divórcio. É díficil escolher dois exemplos no meio de tantas pérolas, mas optei por estes:   

 

- Não invejar as restantes esposas;

- Se não engravidar por culpa do marido, aceite a situação e console-o.

 

Sim, há secção de correio sentimental. E não, não é piada.

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“Não é só por via da violência que o terrorismo condiciona a sociedade. É também através da cultura. O terrorismo, em particular o de cariz nacionalista, actua em nome de uma comunidade alegadamente forjada por laços históricos, por vezes até genéticos, uma coletividade feita de valores e de traços culturais tidos como singulares. Por isso, a literatura especializada em violência política, apesar dos inúmeros debates que alimenta, é consensual sobre a necessidade que as organizações terroristas têm de apoio popular, pelo menos de um sector da sociedade que dizem representar. Esta adesão social não tem de se materializar em participação activa em acções violentas; basta que se resuma à aceitação do quadro de valores e ideias que a organização defende. Se assim não for, todo o ideário do terror é insustentável e, consequentemente, a vida da organização curta. Logo, parte importante da estratégia de um grupo terrorista – e de estruturas associativas que porventura tenha como satélites – é dedicada à criação e difusão de símbolos maniqueístas de vitimização, de memórias históricas e de preceitos culturais com o objectivo de tornar a sua identidade mais saliente e distinta. (...)

Por tudo isto, combater as subculturas do terrorismo, as que o fomentam e as que dele resultam, é tão importante para a reposição da liberdade e para a recuperação da convivência em sociedade como o combate à violência nos planos jurídico e policial. Esta conclusão levou o escritor Fernando Aramburo, em entrevista ao El País em Setembro de 2016, a alertar para o facto de que a derrota literária da ETA continua pendente. A entrevista teve como mote a publicação de Patria, o seu mais recente romance, o terceiro livro que o autor dedica aos efeitos da violência etarra no País Basco. (...)

Sem relativizar ou equiparar atitudes que exigem apreciações morais e políticas diferenciadas, Fernando Aramburo reúne as duas faces da sociedade para demonstrar como o terrorismo e o ideário que o sustenta a dilaceraram.”

 

Excertos do ensaio que escrevi sobre o papel da cultura no combate ao terrorismo, tendo como base a ETA e o romance "Pátria", de Fernando Aramburu. Na revista LER, edição Primavera 2018.

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Fin

por Diogo Noivo, em 03.05.18

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Seria “algures no Verão de 2018”. Passou depois para a “primeira quinzena de Junho”. Semanas mais tarde, seria “entre o final de Maio e o princípio de Junho”. Mais recentemente, foi dito que o dia 6 de Maio seria o definitivo. Dias depois, afinal era a 5. No entanto, o anúncio oficial de dissolução da ETA chegou hoje, dia 3 de Maio de 2018.

A sucessiva antecipação de datas é reveladora da inexistência de entraves por parte da militância etarra à dissolução da organização, o que significa que ninguém encontrou uma forma de perpetuar o lastro de violência. A ETA capitulou. Chega ao fim sem conseguir a independência do País Basco, sem edificar a “sociedade socialista” e sem terminar com a dispersão de presos. Acaba sem ser capaz de disfarçar a sua debilidade, antecipando a data de dissolução como quem pretende terminar com uma agonia insuportável.

São mais de 40 anos de violência e de acosso que formalmente terminam. O dia é histórico. Há agora condições para estreitar os abismos sociais e políticos criados pelo terrorismo, o que só acontecerá respeitando as vítimas, cumprindo a lei e zelando pela memória colectiva. Por cá, deste lado da fronteira, talvez tenha chegado o momento de desfazer equívocos. Por exemplo, de deixar claro que a imensa maioria dos homicídios cometidos pela ETA tiveram lugar após o ocaso do Franquismo. Ou, por dar outro exemplo, de reconhecer que a maioria das vítimas mortais foram civis, e não militares ou polícias. Talvez o fim da violência sirva para que, a um só tempo, e finalmente, alguns reexaminem a sua conivência e outros criem um futuro livre de ódio.

 

Adenda: passado e futuro resumidos em 1700 caracteres na forma de artigo de opinião publicado no Diário de Notícias (21.4.18).

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O fim da ETA

por Diogo Noivo, em 20.04.18

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Parte da longevidade da organização terrorista ETA deve-se ao êxito de uma estratégia tripartida que Gaizka Fernández Soldevilla e Raúl López Romo sintetizaram de forma certeira na frase “sangre, votos, manifestaciones”. À estrutura terrorista a ETA juntou uma constelação de partidos, organizações e associações que, entre outros objectivos, tinham como missão a ocupação efectiva do espaço público basco. A viabilidade da “causa nacionalista” e da organização que dizia protegê-la dependiam da disseminação do ideário radical que, por sua vez, exigia acosso sobre quem pensava de forma diferente. Com manifestações de rua e grafitis, com propaganda partidária, e com atentados e assassinatos selectivos, o cerco a quem não subscrevia o radicalismo basco era total. Nem as campas das vítimas se livraram de vandalismo.

Mesmo após o anúncio do cese definitivo por parte da ETA em 2011, a cultura sectária perdurou, sendo visível em casos como o da agressão a dois militares da Guardia Civil em 2016. A namorada de um destes militares, também agredida, descreveu o clima de opressão que ainda paira no País Basco ao relatar o isolamento a que foi votada e as represálias que sofreu pelo simples facto de ter uma relação pessoal com um membro da Guardia Civil. Não foi, evidentemente, um atentado terrorista, mas sim a continuação de uma prática de acosso com décadas de existência e com origem no aparelho político da ETA. Ser polícia no País Basco ainda é um crime. Não ser basco em terras da Euskal Herria é estar a mais. Ser basco e não perfilhar as teses radicais é traição.

O anúncio da dissolução da organização terrorista basca, previsto para o primeiro fim-de-semana de Maio, é a etapa que falta para finalmente se decretar o óbito da ETA. Porém, nem todos na esquerda abertzale estão convencidos dos méritos do fim da violência. Mais grave, muitos querem aproveitar os anseios de paz para, a um só tempo, indultar o passado e legitimar os argumentos que sustentaram o terror. A decadência da ETA iniciou a luta pela memória, pelo relato de um passado dolente, uma batalha travada com brilhantismo por Fernando Aramburo em Patria. A batalha pelo passado é porventura a chave da pacificação do País Basco. Por isso, a declaração de hoje, onde a ETA pede “perdão pelo dano causado”, pelo “sofrimento desmedido” no qual tem “responsabilidade directa”, é tão ou mais importante do que o anúncio de dissolução para iniciar a recuperação da convivência social e a normalização política da Euskal Herria.

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"Combatentes"

por Pedro Correia, em 23.03.18

Oiço chamar “combatentes” a terroristas em noticiários televisivos e questiono-me se só eu acharei repugnante esta designação.

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Watu Wote

por Diogo Noivo, em 01.02.18

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A furgoneta viajava de Nairobi para Mandera, uma cidade queniana junto à fronteira com a Somália. Já próxima do destino, é atacada por um pequeno grupo da organização terrorista al-Shabab. Se dúvidas houvesse, a abordagem inicial dos jihadistas clarificou o propósito da ofensiva: após metralharem a furgoneta, entraram no veículo e exigiram aos passageiros muçulmanos que sinalizassem os cristãos a bordo. Foi em Dezembro de 2015. No ano anterior, em Novembro, a organização terrorista perpetrara um atentado em tudo semelhante na mesma região e no qual foram executados 28 não-muçulmanos.

Contudo, desta feita o desfecho foi menos trágico. Ainda antes dos jihadistas entrarem a bordo, os muçulmanos ofereceram vestes islâmicas aos cristãos e, já perante os terroristas, negaram-se a delatar os seus “irmãos e irmãs”. Temendo a chegada da polícia – estas viagens são normalmente escoltadas pelas forças de segurança locais – e surpreendidos pela resistência dos passageiros, a célula do al-Shabab abandonou o local (não sem antes, lamentavelmente, matar duas pessoas e ferir seis).

A história deste atentado tem agora adaptação cinematográfica com Watu Wote (Todos Nós), uma produção de quenianos e alemães dirigida pela realizadora Katja Benrath, um filme nomeado para Melhor Curta-Metragem na edição dos Óscares deste ano.  Mais do que uma história de solidariedade e bravura, o atentado e o filme que o retrata são um tratado sobre identidade comunitária. Em Identidade e Violência, Amartya Sen defende que a violência política hodierna é sustentada pela ideia de que as pessoas se definem mediante uma identidade única, segregadora e frequentemente beligerante. De acordo com Sen, a arrumação do mundo em civilizações tende a obscurecer a pluralidade de identidades de cada ser humano, subjugando-os a traços singulares, em regra étnicos ou religiosos. Esta é a lógica do jihadismo, que pretende impor uma só forma de Islão, totalitário, incompatível com identidades nacionais, com identidades locais, com lealdades familiares, com preferências culturais. Em tom humorístico, escreve Amartya Sen que a “mesma pessoa pode ser, sem qualquer contradição, um cidadão americano de origem caraibense, com antepassados africanos, um liberal, uma mulher, um vegetariano, um maratonista, um historiador, um professor, um romancista, um feminista, um heterossexual, um defensor dos direitos dos homossexuais, um amante de teatro, um activista ambiental, um entusiasta do ténis, um músico de jazz e alguém profundamente convicto de que existem seres inteligentes no espaço”. Todos temos um conjunto de identidades, que coexistem. Pertencemos simultaneamente a várias comunidades e compete-nos decidir a cada momento qual a mais importante. São muitos os muçulmanos que percebem isto – a maioria, na verdade. Felizmente, alguns viajavam de Nairobi para Mandera em Dezembro de 2015.

 

O trailer pode ser visto aqui.

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Mais inseguros e menos livres

por Pedro Correia, em 11.09.17

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Dezasseis anos depois, a tragédia continua.

Pelo menos mil pessoas já morreram por efeitos secundários dos atentados, nomeadamente a inalação de poeiras e cinzas tóxicas. Outras duas mil terão provavelmente idêntico destino num prazo máximo de cinco anos. E só 1641 despojos mortais das 2753 pessoas assassinadas a 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque foram devidamente identificados: cerca de 40% dos cadáveres nunca foram resgatados.

 

Foi um dia concreto, não uma data abstracta. Por isso quantos o vivemos nos lembramos bem onde estávamos e o que sentimos quanto tudo aconteceu.

Falo por mim: nunca mais conseguirei esquecê-lo. As vidas de muitos de nós mudaram naquela terça-feira. Todos recordamos as emoções que nos assaltaram, a profunda angústia ao observar aquelas imagens terríficas, a impotência perante o terror.

Os atentados quase simultâneos nas Torres Gémeas, no Pentágono e no voo 93 que se despenhou na Pensilvânia tiveram o impacto de uma revolução. Algo de nós ficou ali para sempre, fixado nas imagens daqueles condenados sem remissão.

Cada um deles podia ser qualquer de nós.

 

Depois do 11 de Setembro nada voltou a ser como dantes. É uma data que traça uma linha fronteiriça na história universal: o terror inscrito nos mais banais gestos do nosso quotidiano. Com alguns direitos fundamentais a cederem contínuo terreno de então para cá.

Entre a liberdade e a segurança, a esmagadora maioria das pessoas prefere hoje a segurança. Compreende-se, de algum modo: é o instinto de preservação da espécie a funcionar.

Mas ficámos com o pior de dois mundos: nos últimos dezasseis anos tornámo-nos muito mais inseguros e muito menos livres.

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A ler

por Sérgio de Almeida Correia, em 22.08.17

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"El terrorismo islamista es hoy día el peor enemigo de la civilización. Está detrás de los peores crímenes de los últimos años en Europa, esos que se cometen a ciegas, sin blancos específicos, a bulto, en los que se trata de herir y matar no a personas concretas sino al mayor número de gentes anónimas, pues, para aquella obnubilada y perversa mentalidad, todos los que no son los míos – esa pequeña tribu en la que me siento seguro y solidario – son culpables y deben ser aniquilados."

 

Para quem ainda não leu, um texto imperdível de Mario Vargas Llosa, no El Pais.

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Não acertam uma (actualizado)

por Pedro Correia, em 19.08.17

 

17 de Agosto:

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luis Carneiro, disse hoje à Lusa que não há portugueses entre as vítimas do atentado de Barcelona.

 

18 de Agosto:

Portuguesa de 74 anos entre os mortos em Barcelona, havendo outra desaparecida, informa o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.

 

19 de Agosto:

Morreram duas portuguesas no atentado das Ramblas, em Barcelona. A segunda vítima agora identificada é uma mulher de 20 anos que estava dada como desaparecida. A notícia foi confirmada este sábado pelo primeiro-ministro, que tem estado em contacto com o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas,

 

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A ler

por Diogo Noivo, em 18.08.17

 

Vamos ganando, de Jorge Galindo, na Jot Down.

 

 

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O primeiro atentado

por Diogo Noivo, em 18.08.17

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Era mais um dia normal de serviço no restaurante. Mas em poucos segundos tudo mudou: um engenho explosivo colocado junto ao balcão foi detonado matando 18 pessoas e destruindo uma parte importante do restaurante "El Descanso", situado no quilómetro 14 da estrada Madrid-Barcelona. Foi no dia 12 de Abril de 1985. Cerca de 16 anos antes dos atentados de 11 de Setembro, nos Estados Unidos da América, Espanha sofria o seu primeiro ataque jihadista. Esta acção terrorista foi reivindicada por uma organização intitulada Jihad Islâmica, embora os detalhes da operação - autores materiais e morais, propósito, perfil da organização, etc - ainda hoje estejam por esclarecer.
O atentado de ontem em Barcelona é mais um episódio repugnante e condenável de uma longa e tortuosa história. Em Espanha, a Catalunha é a região com maior incidência de actividade jihadista desde há bastantes anos. De resto, como refere Ignacio Cembrero no livro La España de Alá, 50 das 98 mesquitas e oratórios salafistas sinalizados pelo Ministério do Interior estão na Catalunha. Por lá passaram organizações terroristas de diferentes países, da Argélia ao Paquistão. O problema é grave, mas não é novo. Em suma, e enquanto a poeira não assenta, importa evitar análises apocalípticas e especialistas de ocasião.

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Leitura recomendada

por Pedro Correia, em 18.08.17

 

La tarde en que vimos el suelo de Las Ramblas. De Juan Soto Ivars, no El Confidencial.

Las tres duras lecciones que deja el atentado de Las Ramblas. De Jason Burke, no El Diario.es

Llorar no es suficiente. De Rosa Díez, no El Español.

 

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“Enough is enough”, disse May. Mas só agora?

por Alexandre Guerra, em 05.06.17

Na ressaca de mais um atentado terrorista em Londres, Theresa May, confrontada com aquilo que de pior pode acontecer a um líder político – que é o de não conseguir garantir a segurança dos seus concidadãos –, disse uma coisa extraordinária e reveladora da impotência da chefe de Governo na luta antiterrorista que, como se sabe, é sobretudo feita ao nível da prevenção. “Enough is enough”, disse May à porta do Nº 10 de Downing Street, palavras que só podem causar estranheza pelo timing em que foram proferidas, se atendermos ao histórico sangrento do Reino Unido em matéria de terrorismo. A ideia que transparece é que só agora May chegou à conclusão de que “já é de mais” toda esta violência, que havia uma linha vermelha que só agora foi cruzada pelos terroristas islâmicos. Só agora? Um desastre completo em matéria de “public relations”, já para não falar nas acusações disparatadas às grandes empresas tecnológicas, por, supostamente, permitirem “safe space” para os terroristas difundirem a sua propaganda ideológica através das várias plataformas da Internet.

A questão é que, provavelmente, gigantes como a Google ou a Facebook têm feito muito mais dentro das suas competências e possibilidades do que o Governo liderado por May em matéria de contra-terrorismo. "Blaming social media platforms is politically convenient but intellectually lazy", dizia à BBC News a este propósito, Peter Neumann, director do International Centre for the Study of Radicalisation (ICSR) no King's College de Londres. É claro que muito mais pode ser feito por estas empresas na restrição do acesso por parte dos terroristas às suas plataformas, mas a questão que deve ser ponderada pelas agências anti-terroristas e forças de segurança britânicas é se a estratégia que está a ser seguida é a mais indicada. Existem muitas dúvidas em relação a essa matéria e, apesar de Theresa May já ter anunciado que vai rever a estratégia global contra-terrorista, neste momento, não parece estar à altura dos acontecimentos e vamos ver até que ponto isso não se irá reflectir nos resultados das legislativas de Quinta-feira.

Convém, aliás, não esquecer que May foi Secretária da Administração Interna entre 2010 e 2016, tendo Jeremy Corbyn, líder do Labour, acusado-a de nesses anos ter cortado no financiamento às polícias. A Sky News mostrava esta Segunda-feira de manhã um gráfico arrasador para May, em que mostrava um decréscimo anual do número de polícias durante os anos em que tutelou a Administração Interna. O mesmo Corbyn, juntamente com o líder dos Democratas Liberais, Tim Farron, pressionaram ontem à noite a primeira-ministra para divulgar um relatório sobre os supostos financiamentos aos movimentos jihadistas que operam no Reino Unido. Um documento que devia ter sido apresentado na Primavera do ano passado, mas que até ao momento não saiu da gaveta, tendo, entretanto, o Governo informado que ainda não está pronto para ser divulgado. O problema é que esse relatório incide sobre a Arábia Saudita, um país a quem o Reino Unido vendeu nos últimos dois anos cerca de 3,3 mil milhões de libras em armamento.

Numa altura em que o Reino Unido precisa de um líder forte para enfrentar um dos períodos mais difíceis da sua história moderna, May está demasiado frágil para levar por diante essa combate que é preciso travar. E se na Quinta-feira não conseguir obter, pelo menos, uma maioria com 12 deputados de diferença – que é aquela que existe actualmente, herdada de David Cameron –, a sua força política ficará comprometida e os terroristas verão nisso uma oportunidade para espalhar ainda mais terror.

 

Texto publicado originalmente no Diplomata.

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Os pregadores do modo de vida

por Inês Pedrosa, em 25.05.17

Em contraponto aos hábitos do islamismo radical, é comum ouvirmos a expressão “o nosso modo de vida”. Ora uma das alegrias fundadoras das sociedades democráticas e laicas é a de, ao contrário das ditaduras (de esquerda ou de direita, se é que esta distinção faz algum sentido prático para alguém), não definirem nenhum “modo de vida” – nem sequer, para raiva dos invejosos de serviço, “estilos de vida”. O estreitamento da democracia que temos vindo a sofrer nas últimas décadas, alegadamente por causa da crise financeira internacional, tem feito o seu caminho nos corredores mentais das pessoas, afunilando-os também. A ideia, milhões de vezes repetida, de que não há alternativa à austeridade, acabou por diminuir os sonhos e as expectativas de populações inteiras, empurrando-as para os caminhos da desistência – esse monstro que nos impede de criar verdadeiras alternativas.

 As ciências e as artes têm demonstrado, desde o início do mundo, que a vida é um mar de possibilidades. Da invenção da agricultura à luz eléctrica, da anestesia às viagens a Marte, a humanidade não parou de encontrar outros “modos de vida” diferentes dos estabelecidos. Há um problema de base quando quase metade da riqueza mundial está nas mãos de 1% dos seres humanos – e um estudo recente da Oxfam prevê o agravamento deste descalabro nos próximos dois. Garantir um equilíbrio mundial que passa por uma redistribuição da riqueza não é uma questão de “modo de vida”, mas de civilização. À medida que o conceito de “competição” se foi tornando central e obrigatório na cartilha económica e ética dos tempos modernos, descartou-se o termo “civilização” para abolir a ideia, tida por primária, de comparação. Interessante paradoxo, que entretanto faz muito mal a muita gente.

 Na sequência do massacre à redacção do Charlie Hebdo, esgotada a união inicial em torno do choque, entrou-se no tempo do “mas” com o seu cortejo de elucubrações filosóficas escapistas – incluindo aquela, aventada por boas e cultas almas, de que a “nossa liberdade de expressão”, descendente de Lutero e de especificidades europeias, deve parar à porta da não-liberdade dos outros, que não têm a mesma genealogia. É o esplendor do paternalismo condescendente (e cobardolas, pormenor pouco filosófico mas pertinente). Recordo que hoje mesmo (se nada mudar entre a terça-feira em que escrevo e a sexta em que este texto é publicado) será de novo chicoteado em praça pública, na Arábia Saudita, um homem que entendeu, apesar de árabe, ter direito a pensar pela sua própria cabeça. E que milhões de seres humanos são torturados e mortos apenas por quererem pensar e viver livremente. A liberdade não admite “mas” – e, sobretudo, não pode continuar a ter filhos e enteados, consoante as culturas. O terrorismo de Estado é tão terrorista quanto aquele que não tem sede nem nação.

 Um conjunto de opinadores supostamente liberais aproveitou o massacre para dizer que ele resulta da atenção da Europa às chamadas “causas fracturantes” em vez de se preocupar com a segurança e a economia. Como se a atribuição de direitos a mulheres e homossexuais impedisse os restantes aspectos da governação. A mensagem implícita é a de que a manutenção de sociedades mais “tradicionais” não excitaria tanto os radicais islâmicos. A eterna mensagem do medinho e da resignação. Não, isso é que não é modo de vida.

      

Publicado no jornal Sol,23.5.2015

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 Paris, Novembro de 2015

(foto: Charles Platieu, Reuters)

 

1

O terrorismo jiadista combate-se como se combateu o terrorismo extremista na Itália e na Alemanha, na década de 70. Combate-se como se combateu o terrorismo da ETA, como se combateu o terrorismo do IRA.

Como?

Com serviços de informações competentes e organizados em rede, infiltrados nas organizações terroristas e dotados de meios efectivos para desarticulá-las. Quebrando-lhes as células dirigentes, os circuitos informáticos e as vias de abastecimento de armas e munições. E utilizando dissidentes e terroristas arrependidos nessas operações.

Não é preciso inventar a pólvora. A pólvora já foi inventada há milhares de anos.

 

2

Alguns tudólogos com lugar cativo no espaço mediático teimam em "perceber" o "porquê de o serem [assassinos], o que os levou a isso". Estes raciocínios sempre me conduzem àqueles judeus que tentaram "perceber" as motivações dos nazis entre 1933 e 1939. Alguns desses judeus contemporizaram com a barbárie, deixaram que lhes saqueassem lojas e confiscassem propriedades enquanto procuravam mostrar-se bons cidadãos alemães: muitos escutavam Wagner e exibiam orgulhosamente as condecorações obtidas em combate na I Guerra Mundial em defesa do império germânico.

Acabaram nos campos de extermínio e nas câmaras de gás tal como os outros, os que não tinham tentado "perceber" o que levava as hordas hitlerianas a comportarem-se como bestas sanguinárias.

 

3

Rejeito as teses deterministas. Acredito firmemente no livre arbítrio e na responsabilidade individual: ninguém é criminoso antes de praticar um crime.
Mas não recorro a eufemismos para qualificar actos criminosos.
Lamentavelmente, quando ocorre um atentado terrorista, logo surge gente a considerar que os assassinos são vítimas. Da economia, da crise, da sociedade, da discriminação, do capitalismo, do aquecimento global, do planeta Terra, do sistema solar.
Isto para mim é inaceitável.
Um crime é um crime. A barbárie é a barbárie - tenha a cor ideológica que tiver, idolatre os deuses que idolatrar. Ponto final.

 

4

A ladainha da "destruição do Iraque", invocada por sistema quando ocorrem atentados terroristas na Europa, equivale a dizer que as vítimas inocentes destes atentados "estavam mesmo a pedi-las".
Equivale também a considerar vítimas os assassinos. Coitados, argumentam os arautos de tal tese, eles estão apenas a vingar o que os malandros dos ocidentais fizeram ao Iraque.
Essa é a lógica hitleriana do olho por olho, dente por dente. Hitler conquistou metade da Europa, espezinhando-a e escravizando-a, para vingar as humilhações sofridas pela Alemanha no Tratado de Versalhes. Alegava ele. E muitos concordaram.
Quando começamos a chamar vítimas aos assassinos os nossos padrões éticos invertem-se. O passo seguinte, nesta rota descendente, será chamar criminosos às vítimas verdadeiras.

 

5

É um absurdo incorporar um homicida numa categoria étnica, religiosa ou cultural, fixando-o neste rótulo.
Há assassinos em todos os quadrantes, em todas as etnias, em todas as classes sociais.
Este princípio não é de via única. É tão absurdo dizer ou escrever que "os muçulmanos professam uma ideologia assassina" como fazer proclamações genéricas de sentido inverso: "os ocidentais são culpados de terem explorado populações noutros continentes e estão a pagar pelo que fizeram" ou "os americanos foram lançar bombas ao Iraque e agora recebem o troco".

 

6

A vida humana para mim tem valor absoluto em qualquer lado. Em Paris como na Síria. Em Bruxelas como no Paquistão. Sou incapaz de alimentar duas teses sobre o assunto em função das coordenadas geográficas.

A minha posição é clara: não quero "compreender" os terroristas. Que armam meninos na Libéria e os transformam em carne para canhão. Ou que usam meninas na Nigéria como bombas humanas. Ou que investem com demencial fúria apocalíptica contra crianças e adolescentes, como ainda há dois dias aconteceu em Manchester.
Nem conseguiria, mesmo que quisesse.

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Mais um ataque sem resposta.

por Luís Menezes Leitão, em 24.05.17

Depois de mais uma cidade na Europa ter sido brutalmente atacada, a única coisa a que se assiste é aos habituais discursos contemporizadores com o terrorismo, muitas vezes com atribuição de culpas próprias aos países ocidentais, como se artistas e crianças inocentes a divertir-se num concerto tivessem alguma culpa do que quer que seja. Há muito tempo que acho que isto só vai acabar quando se fizer uma coligação internacional contra o Daesh, que o persiga no seu próprio território, e ponha ordem nesta confusão que se deixou criminosamente instalar na Síria e no Iraque. Porque a única culpa do Ocidente consiste em precisamente em não fazer nada contra isto, quando o deveria ter feito há muito tempo. Como disse Leonardo da Vinci, "chi non punisce il male, comanda che lo si faccia".

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Viver com medo é vegetar

por Inês Pedrosa, em 23.05.17

Nunca direi à minha filha de 19 anos, que estuda cinema em Londres, que não vá a um concerto ou a uma peça de teatro, que não vá filmar aqui ou ali, que não atravesse a ponte que atravessa todos os dias, que não saia de casa, que se proteja. Persistirei em protegê-la do medo, o maior inimigo da liberdade. Viver com medo é vegetar. 

Alyssa Elsman, uma jovem de 18 anos, foi mortalmente atropelada há um par de dias por um terrorista que lançou um automóvel sobre as pessoas que passeavam em Times Square, Nova Iorque. Podia ter acontecido à minha filha. Será cruel chamar-lhe terrorista: sim, ele disse que queria matar e ser morto, mas não era por nada; estava louco, dizem-me. Terrorista, no meu dicionário, é o que pratica o terror. Nunca há justificação para o terror. Setenta e não sei quantas virgens no céu, um artesão de barbas e voz grossa que teria feito o mundo, a vitória da pureza suprema contra a badalhoquice das mulheres, não são argumentos que me convençam, nem podem ser levados a sério por ninguém. Este, de Times Square, era só doente mental: tivessem-no tratado antes que ele matasse uma menina que tinha direito à vida. Não esquecerei Alyssa. Do assassino não quero lembrar-me. Muitos deles matam para ficar na História, numa página de jornal, Hamlets de sarjeta, míseros assassinos que se vingam por interposta pessoa.

Por isso tenho pedido e continuarei a pedir aos órgãos de comunicação social: não dêem eternidade aos biltres. Apaguem-lhes os nomes. Quando a extrema-direita clama pelo fechamento de fronteiras e expulsão de imigrantes, é útil revelar que estes assassinos, na maioria das vezes, não são imigrantes - parece ser esse o caso do de Manchester. Mas para dizer isso não é preciso dar glória e fama ao seu nome. Este silenciamento dos carniceiros desincentivará futuros criminosos. A juventude é influenciável, pois. Mas a conversa mole sobre a discriminação social como justificação derradeira do terrorismo também não me serve. Há tempos, umas criaturas, certamente acéfalas (ou muito distraídas) chamaram-me «racista» no twitter porque recordei que, se a discriminação social fosse o motor do terrorismo, os negros seriam os grandes terroristas do mundo - e não são, nem nunca foram. Caramba: houve povo mais mal-tratado na história da Humanidade que o de origem africana? Pois é.

De modo que, quer queiramos quer não, acabamos na violência religiosa - e na especialíssima violência contemporânea da religião islâmica. O islamismo radical está furioso com a liberdade de costumes do Ocidente, com os direitos das mulheres e dos homossexuais, com a alegria e a realização sexual. E o islamismo não-radical é - que me desculpem essas santas almas, se existirem - de um silêncio tão ruidoso que me faz mal à cabeça.    

Na Síria, no último ano, morreram centenas de meninas e meninos de todas as idades. Não nos afecta porque não nos imaginamos ali. Imaginamos pouco. Quando a minha filha chorava porque não queria ir para o infantário, eu dizia-lhe: «Estás a chorar porquê? Nasceste no Afeganistão?". Aos três anos de idade falava da vida do Afeganistão a quem a quisesse ouvir. Dizia: «Aquilo é só pedras, não há água. E, se houver, não dão a água às mulheres.»

Nunca disse à minha filha nada sobre a água do Afeganistão. Sucedeu apenas que ela começou a imaginar como seria ter nascido ali. Educação é empatia com o sofrimento humano, ou não é nada. Penso assim. Penso, logo existo, dizia Descartes - frase ainda hoje revolucionária.     

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