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Terceiro-mundismo aeroportuário

por Sérgio de Almeida Correia, em 11.07.18

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(créditos: O Jornal Económico) 

Como todos os anos entro e/ou saio mais de uma dezena de vezes de aeroportos em todo o mundo, sempre vou reparando no que vejo lá fora e no que encontro em Lisboa. No mês passado, no espaço de quinze dias, usei por quatro vezes o Aeroporto Humberto Delgado, antes chamado da Portela, mas que todos conhecem como de Lisboa. E embora já tivesse pensado aqui deixar umas linhas, vicissitudes várias roubaram-me o tempo e a disposição.

Há dias, um amigo queixou-se do mesmo que eu vira, e por que passei, e depois dele foram muitos mais. Pelo que aqui estou.

Trata-se de mais uma situação que não prima pela novidade mas que se tem vindo a agravar ano após ano, sendo que os momentos mais gritantes coincidem, mera coincidência, claro, com os meses estivais, mas que também é possível observar noutros períodos do ano (Natal, Páscoa, Carnaval, semanas de feriados e "pontes")

A privatização da ANA, à semelhança do que aconteceu com outras empresas em que a presença do Estado sempre se fizera sentir, serviu, entre outras coisas, umas úteis outras perfeitamente inúteis, e outras ainda entre a inutilidade e o crime, para o Governo de Passos Coelho e algumas das suas luminárias se arvorarem em estrelas, com os resultados que o correr dos meses e dos anos acabou por ir revelando. No caso da ANA, uma vez mais, foi-nos vendido gato por lebre, e disso a imprensa foi dando conta, como aconteceu com os tais 3.080 milhões de euros que Maria Luís Albuquerque ufana anunciou, mas que no final foram apenas cerca de um terço e que acabaram por ficar fora do défice de 2012 por ordem do Eurostat, comprometendo as flores que se anunciavam e que contribuíram para que Portugal falhasse a meta

Esse tempo já lá vai, o Governo mudou, sem que, todavia, se vejam melhorias notáveis no funcionamento da estrutura aeroportuária que serve Lisboa.

Se o espaço já por si era exíguo, mais limitado ficou depois das obras com o aparecimento de uma nova série de lojas, algumas mínimas e com corredores estreitos, sem que os preços praticados, ao nível dos comes e bebes, fossem compatíveis com o nível de vida do país e as tradicionais más condições de atendimento e serviço, e pior ficou com a quantidade de gente que demanda o aeroporto. 

Para ou de algumas portas de embarque o problema maior é o que se anda, tarefa sempre desagradável com bagagem de mão, a que se segue o tempo de espera nos balcões dos passaportes e nos tapetes da bagagem, para quem chega. Este é um problema antigo, embora ultimamente me pareça que desaparece menos bagagem e há menos furtos. Para quem parte a dificuldade maior está em fazer o check-in, caso não o tenha realizado online, e entrar na zona reservada, visto que aqui as filas para verificação da bagagem de mão são intermináveis, praticamente a todas as horas e, por vezes, com algum "fundamentalismo" à mistura (em Inglaterra, França ou na Alemanha acaba por ser pior), como a embirração com os recarregadores portáteis (power banks), a que se soma o calor. Dir-se-ia que a poupança de energia com o ar-condicionado é permanente, o que leva a que muitas vezes quem embarca quando chega ao avião esteja nas condições ideais para tomar um banho, o que não é seguramente o mais agradável quando se têm em perspectiva dois ou mais voos de longo curso, não se viaja na primeira classe do A380 e o período de trânsito entre voos não dá para tomar um duche a meio do percurso.

Tem, pois, toda a razão o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa quando se mostra preocupado com o estado em que se encontra o Aeroporto de Lisboa. Pena é que na actual situação a simples preocupação não seja suficiente para resolver este problema de terceiro-mundismo militante em que a ANA, privatizada ou não, e quem a privatizou, coisa que aos utentes pouco interessa, nos meteu em termos de serviço.

Importante seria que com o Governo e a Administração da concessionária fosse encontrada uma solução que não envergonhe o país e melhore as condições de acolhimento e circulação para quem chega e para os que partem. Falar do passado, só por si, não resolve, nunca resolveu, os problemas. É conveniente que alguma coisa se faça sob pena de quem está se limitar a gerir o que foi mal feito e o que ficou por fazer, dando emprego aos medíocres do costume, sem que nada de útil e actual seja concretizado num prazo razoável para benefício de todos.

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