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Delito de Opinião

Um ano com D. Dinis (54)

O Fim dos Templários

Cristina Torrão, 14.09.25
 

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A 14 de Setembro de 1307, partiram da chancelaria do rei francês Filipe IV cartas lacradas, de conteúdo secreto, para vários pontos do reino, com a ordem de serem abertas apenas a 13 de Outubro. Tratava-se da ordem de prisão de todos os Templários franceses, que assim os apanhou de surpresa.

Entre os dias 24 e 25 de Outubro, o Mestre da Ordem Jacques de Molay confessou, sob tortura, os crimes de que era acusado, confissão que aliás desmentiu a 24 de Dezembro, mas que não o livrou de ser queimado em Paris, a 18 de Março de 1314

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Através da bula Pastoralis praeeminentiae, o Papa Clemente V recomendou a todos os príncipes da Cristandade a prisão dos Templários e a confiscação dos seus bens. Por toda a Europa, os freires são presos, torturados e queimados. A Ordem do Templo só viria a ser definitivamente extinta a 22 de Março de 1312, através da bula Vox in excelso.

A Península Ibérica constituiu uma excepção. D. Dinis suprimiu a Ordem, mas manteve os seus membros na clandestinidade. Sabedor da situação, o Papa Clemente V enviou-lhe, a 30 de Dezembro de 1308, a bula Callidi serpentis vigil, recomendando-lhe a prisão definitiva dos Templários. Alguns eclesiásticos portugueses, como os Cónegos Regrantes de Santa Cruz e o bispo da Guarda, insistiram em que se cumprisse a bula papal. No fundo, pretendiam apoderar-se dos bens dos freires e D. Dinis iniciou um processo, a fim de incorporar esses bens na Coroa.

A 12 de Maio de 1310, depois de o Concílio de Salamanca declarar a inocência dos Templários hispânicos, D. Dinis e D. Fernando IV de Castela estabeleceram um pacto de defesa e conservação dos bens dos freires contra qualquer decisão em contrário, mesmo vinda do Papa. D. Jaime II de Aragão associou-se em 1311 a este acordo.

 

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À semelhança do cunhado aragonês, D. Dinis acabou por criar uma nova Ordem, a Ordem de Cavalaria de Nosso Senhor Jesus Cristo, autorizada pelo Papa João XXII através da bula Ad ea ex quibus, de 14 de Março de 1319, em que instava os freires a manterem a cruzada religiosa contra os sarracenos. Os bens que haviam pertencido aos Templários portugueses foram transferidos para a Ordem de Cristo a 24 Junho de 1319. Os primeiros estatutos da Ordem foram aprovados a 11 de Junho de 1321.

 

Nota: o link que utilizei, há nove anos, para identificar as imagens que ilustram este postal, já não existe. Fiquei assim sem qualquer tipo de referência, pelo que peço a compreensão dos visados.

Um ano com D. Dinis (38)

Bens dos Templários

Cristina Torrão, 24.06.25
 

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A 24 de Junho de 1319, D. Dinis entregou à Ordem de Cavalaria de Nosso Senhor Jesus Cristo os bens que tinham pertencido aos Templários. O primeiro Mestre da Ordem de Cristo foi D. Frei Gil Martins, anteriormente Mestre da Ordem de Avis.

Nota: o link da imagem copiada nove anos atrás deixou de funcionar. Fiquei assim sem referência, pelo que peço compreensão aos visados.

Um ano com D. Dinis (14)

O fim dos Templários

Cristina Torrão, 18.03.25
 

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A 18 de Março de 1314, Jacques de Molay, Mestre dos Templários franceses, assim como outros grandes dignitários da Ordem, foram queimados em Paris, por ordem de Filipe IV. Foi o culminar da grande campanha de difamação, levada a cabo pelo monarca francês.

Ao ser queimado, Jacques de Molay fez uma profecia: ainda antes do fim desse ano de 1314, os dois maiores responsáveis pela destruição dos Templários morreriam.

A profecia cumpriu-se. O papa Clemente V morreu passado cerca de um mês, a 20 de Abril, com cinquenta anos. E o rei francês Filipe IV acabaria por sucumbir a um acidente de caça, a 29 de Novembro, com apenas quarenta e seis.

 

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Nota: os links das imagens, que copiei nove anos atrás, deixaram de funcionar. Fiquei assim sem referência, pelo que peço compreensão aos visados.

Um ano com D. Dinis (13)

Ordem de Cristo

Cristina Torrão, 14.03.25

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Faz hoje 706 anos que foi instituída, no reino de Portugal, a Ordem de Cavalaria de Nosso Senhor Jesus Cristo, através da bula Ad ea ex quibus de João XXII. O papa determinava que a nova Ordem se destinava a manter a cruzada religiosa contra os sarracenos. Atribuiu-lhe a regra de Calatrava, sujeitou-a à jurisdição do abade de Alcobaça e colocou a sua sede em Castro Marim.

A Ordem de Cristo veio substituir a dos Templários, suprimida pelo papa Clemente V, influenciado pelo rei francês, Filipe IV, que tudo fez para difamar os cavaleiros do Templo.

Na Península Ibérica, porém, a campanha de difamação não encontrou grande eco, devido à fama dos Templários, criada nas lutas da Reconquista. À semelhança dos outros reis hispânicos, D. Dinis protegeu a Ordem e promoveu diligências para que uma outra fosse criada, entregando à Ordem de Cristo todos os bens que tinham pertencido aos Templários. Teve, no entanto, de enfrentar alguma oposição interna:

Em Março, quando se deu início à construção de um claustro no mosteiro de Alcobaça, Dinis recebeu notícias da Santa Sé confirmando os receios do Mestre. Numa bula de 22 de Novembro, intitulada Pastoralis praeeminentiae, Clemente V recomendava a todos os príncipes da Cristandade a prisão dos Templários e a confiscação dos seus bens. Dinis entrou em contacto com o genro Fernando IV e o cunhado Jaime II e resolveu-se não se tomarem medidas, enquanto se aguardava pelo resultado do inquérito do clero hispânico.

Em Abril, quando Dinis chegou à Beira, constatou tal resolução estar longe de agradar a toda a gente. O bispo da Guarda D. Vasco Martins de Alvelos advogava o cumprimento das recomendações do pontífice:

- Ignorais uma bula papal? E olvidais que Jacques de Molay confessou os pecados mais terríveis? Heresia, usura, sodomia! Se os franceses se davam a essas práticas repugnantes, os hispânicos não serão mui diferentes…

- Credes realmente que os freires do Templo fomentavam tais costumes? - contrapôs Dinis. - Sob tortura, qualquer um é levado a confessar, principalmente, o que não fez. Além disso, o Mestre francês desmentiu a sua confissão dois meses mais tarde.

- O que prova a sua falta de carácter.

- Ou constatar o não cumprimento de certas promessas?

O bispo olhou o seu monarca desconfiado:

- Que quereis dizer?

- Frei Vasco Fernandes é de opinião que Jacques de Molay terá confessado os crimes, acima de tudo, perante a promessa de que, se o fizesse, os restantes irmãos seriam poupados aos suplícios por ele próprio já experimentados. Mais tarde, ao verificar tal não passar de um artifício, desmentiu a sua confissão.

- Ora, Alteza, é claro que eles se protegem uns aos outros. A opinião de Frei Vasco Fernandes, neste caso, é mais do que suspeita.

- Tenho Frei Vasco Fernandes em grande estima e confio no seu juízo. Como aliás em todos os membros portugueses da Ordem. Bem sabeis como eles sempre lutaram com bravura contra a ameaça sarracena e como a sua presença é preciosa em muitos pontos da fronteira, garantindo a defesa e o povoamento.

In "Dom Dinis - a quem chamaram o Lavrador"

 

Nota: o link que utilizei, há nove anos, para identificar a imagem que ilustra este postal, já não existe. Fiquei assim sem qualquer tipo de referência, pelo que peço a compreensão dos visados.