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Os modelos "lá de fora"

por João Pedro Pimenta, em 15.05.20
 

Muito se tem discutido o "modelo sueco" de relaxamento face à pandemia, para mais depressa adquirir imunidade de grupo e manter parte da economia a funcionar. Não pondo em causa a legitimidade das autoridades científicas e políticas locais, tenho sérias dúvidas quanto a esse modelo, não só por sabermos pouco ainda sobre a imunidade a um vírus novo e porque as economias nunca têm grandes resultados se o resto do mundo está a meio gás, mas sobretudo porque até agora os números da letalidade têm sido pouco encorajadores. Com mais ou menos o mesmo número de contagiados oficiais que Portugal, a Suécia tem três vezes mais óbitos. Até agora, a experiência não parece ser de grande sucesso.

É verdade que os próprios admitem alguns erros. Mas mesmo que o modelo fosse usado noutros países (o que os seus vizinho nórdicos se recusam a fazer), é preciso tomar em devida conta as diferenças culturais nas diferentes sociedades, coisa que parece esquecida em prol da "economia", globalização, etc. E isso não significa necessariamente maior civismo ou "adiantamento" da parte dos suecos. Como as relações familiares e sociais, por exemplo.

Sei do episódio por conversas de família, embora já fosse nascido. Resumidamente, numa altura perto do Natal, uma parente da nossa saudosa prima Eivor (a prima sueca, de geração mais velha) veio a Portugal e ficou maravilhada com as reuniões familiares, os encontros, a preparação para a consoada, etc. Na Suécia, dizia, nada daquilo tinha lugar. Os laços familiares eram completamente diferentes e muito mais distantes. Claro que o Natal existe na Suécia, como em boa parte do Mundo, mas de uma forma mais distante, sem que a grande maioria tenha festas de família, num país já de si frio, o que pode justificar o elevado número de suicídios.

É por isso que importar um determinado modelo, já de si discutível no país de origem, pode não fazer qualquer sentido e trazer males maiores. A natureza humana pouco muda, o Mundo é global, a Europa é unida, mas as diferenças culturais, ainda que esbatidas, permanecem e acabam sempre por vir à superfície. É bom que quando olhamos para o que vem "lá de fora" não pensemos que é tudo melhor e que os nossos hábitos são necessariamente "incivilizados". Para isso já basta essa velha e perniciosa mania dos portugueses de dizerem constantemente mal do próprio país.


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A culpa terá sido do eucalipto?

por Pedro Correia, em 25.07.18

grecia-incendio[1].jpg

 

Violentíssimos incêndios na Grécia provocaram já 79 mortos confirmados, além de 180 feridos e um número indeterminado de desaparecidos.

Violentos fogos florestais na Suécia forçam o Governo de Estocolmo a fazer pedidos de socorro aos parceiros europeus, incluindo Portugal.

Quando os fogos fustigaram o nosso país, nas tragédias de Junho e Outubro do ano passado, logo irromperam os tudólogos cá do burgo atribuindo as culpas ao eucalipto. O que me levou a publicar aqui um texto intitulado o eucalipto e a luta de classes.

Os tais tudólogos devem estar a banhos: desta vez ainda não repetiram a ladainha a propósito dos fogos que devastam terras suecas e gregas.

Acontece que em nenhum destes países existe mancha florestal de eucalipto.

As árvores dominantes nas florestas suecas são o abeto (42%), o pinheiro (39%) e a bétula (12%).

As árvores dominantes nas zonas florestais gregas são o carvalho (29,8%), o pinheiro (24,4%), o abeto (13,1%) e a faia (8,7%).

Lá fica a narrativa sem efeito. O problema de muitas teorias é não resistirem ao confronto elementar com os factos.

É a vida

por Pedro Correia, em 05.12.14

lofven[1].jpg

 Stefan Lofven, o primeiro-ministro sueco

 

No discurso de encerramento do congresso do PS, domingo passado, António Costa iniciou a sua intervenção com uma referência especial a um parceiro ideológico: o primeiro-ministro da Suécia. "Quero agradecer as mensagens tão calorosas dos nossos camaradas socialistas europeus, a começar na mensagem do novo primeiro-ministro da Suécia, o mais recente socialista a dirigir um governo da União Europeia", declarou o secretário-geral do PS.

Três dias depois, a frágil coligação liderada pelo Partido Social-Democrata caía devido ao chumbo do orçamento para 2015, instalando-se o "caos político", segundo a definição do Guardian, ou a "pior crise política em décadas" em Estocolmo, de acordo com a versão do Financial Times. Foi o segundo governo mais curto na história da Suécia.

O cenário? Novas eleições já em Março. Este escrutínio poderá resultar na progressão eleitoral do partido populista Democratas Suecos, defensor de uma alteração radical da política de imigração no país, que tem uma das maiores percentagens de estrangeiros per capita na Europa entre os seus habitantes. Novas dores de cabeça para Stefan Lofven, o émulo sueco de António Costa.

É a vida, como costumava dizer um socialista muito habituado à ingrata, exigente e espinhosa arte de governar.

Tony Judt já cá não está...

por Sérgio de Almeida Correia, em 07.09.14

... Mas há gente suficientemente séria e habilitada, à direita e à esquerda, para explicar a razão do falhanço sueco numa linguagem que todos entendam.

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