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A perlenga

por Pedro Correia, em 19.05.18

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Duas horas de perlenga, atacando os jogadores e afagando as claques quatro dias após aquelas indescritíveis cenas em Alcochete: foi das coisas mais obscenas que tenho ouvido desde sempre no Sporting. Agravadas pelo cobarde ataque que fez à ex-mulher na sua "comunicação ao País" - o que demonstra como confunde já o clube, onde se imagina como Presidente-Sol, com a vida familiar. Com grosseiro e chocante despudor.

Esperei todo o tempo que ele dissesse qualquer coisa como isto: «Se vier a provar-se que membros da Juventude Leonina participaram nas agressões aos jogadores e na vandalização do nosso centro de estágio, vamos rever os apoios que concedemos a essa claque e tomar duras medidas punitivas contra os autores materiais e morais destes actos de lesa-desporto, em tudo contrários à ética leonina.»

Naturalmente, esperei em vão.

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Descubra as diferenças

por Pedro Correia, em 19.05.18

 

Moscovo, Agosto de 1991

 

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Lisboa, Maio de 2018

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Les beaux esprits... e tal e coisa

por João André, em 18.05.18

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 Os meus amigos sportinguistas (especialmente aqui no blogue) que me perdoem, mas é-me difícil resistir.

 

Espero no entanto que as coisas se resolvam depressa e com o mínimo de prejuízo para o Sporting. Zero prejuízo é já impossível.

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A orquestra do Titanic.

por Luís Menezes Leitão, em 18.05.18

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Ao ver esta “conferência de imprensa” do Conselho Directivo do Sporting só me fez lembrar a orquestra que continuou a tocar violino enquanto o Titanic se afundava.

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Num carro sem travões

por Pedro Correia, em 18.05.18

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Seis membros remunerados do Conselho Directivo do Sporting, contrariando todas as evidências e à revelia do mais elementar bom senso, insistem em agarrar-se com unhas e dentes ao umbral da porta. Quando até os mais exacerbados apoiantes de Bruno de Carvalho - Daniel Sampaio, Eduardo Barroso, José Eduardo, Fernando Mendes, Paulo Futre - apelam à saída do ainda presidente.

É um triste sinal da decadência deste consulado, que terminará os seus dias deixando um Sporting Clube de Portugal dividido como nunca, atingido com dolo na sua honra e no seu orgulho, e alvo de notícias em todo o mundo por motivos que não imaginávamos nos nossos piores pesadelos.

O patético sucessor de Godinho Lopes, rodeado dos últimos fiéis que lhe restam, pensa apenas em si próprio. Se pensasse nos superiores interesses do Sporting, ter-se-ia demitido ao fim da tarde de terça-feira. Assim faz questão de tornar ainda mais penosos estes últimos metros da recta final do seu mandato.

Há minutos, ouvi-o ler um papel onde constavam as expressões "sentido de responsabilidade", "coesão" e "união". Tudo o que este Sporting não tem. Tudo quanto Carvalho é incapaz de oferecer a esta centenária instituição gravemente ferida.

Apareceu sorridente e saiu sorridente, como se não tivesse a mais vaga noção do que sucedeu por estes dias. Veio dizer que continua a ter as mãos no volante, em alucinada fuga para a frente. Faltou-lhe acrescentar que guia um carro sem travões.

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Palavras para recordar (38)

por Pedro Correia, em 15.05.18

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BRUNO DE CARVALHO

Sol, 5 de Fevereiro de 2017

«O dia em que eu despedisse Jorge Jesus era o dia em que estava completamente louco.»

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Cinquenta vezes o pronome "eu"

por Pedro Correia, em 12.05.18

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Bruno de Carvalho em extensa entrevista ao Expresso de hoje. Curioso: há três meses pediu aos adeptos para deixarem de ler os jornais, mas continua disponível para receber a imprensa.

Leio a entrevista, desrespeitando o tal pedido. Ao longo de seis páginas, o presidente do Sporting pronuncia cinquenta vezes o pronome eu e apenas três vezes o pronome nós. Esquecendo a dimensão colectiva, componente fundamental de modalidades como o futebol.

É todo um programa. Todo um modo de encarar o desporto. Toda uma forma de estar na vida.

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Carvalho está firme e hirto

por Pedro Correia, em 11.04.18

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Última hora no canal púbico.

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O divórcio

por Pedro Correia, em 09.04.18

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O presidente do Sporting fez questão em sentar-se ontem no banco dos suplentes - num novo erro de estratégia comunicacional, somado a tantos outros que tem cometido a um ritmo alucinante.

Ficou assim evidente aos olhos de todos que está divorciado da massa adepta, que o insultou pela primeira vez e fez apelos públicos à sua demissão.

Ficou evidente que está divorciado da equipa - daí a sua atitude gélida em ambos os golos leoninos, como se não estivesse a torcer pela vitória do clube, algo inaudito.

Ficou ainda evidente que está divorciado da equipa técnica, exibindo uma crise de lombalgia no preciso instante em que Jorge Jesus mobilizava os jogadores para darem em conjunto a volta ao estádio, merecendo uma entusiástica ovação dos espectadores.

A comunicação vive de símbolos - e este foi desastroso para um dirigente que adora exibir-se na ribalta.

 

Mas o maior sintoma deste divórcio ocorreu depois, quando fez questão de se deslocar à sala de imprensa, sozinho, para falar durante quase meia hora do seu tema preferido: ele próprio. Misturando - como sempre faz - alusões à sua vida familiar com os problemas do clube. Como se não lhe bastasse o texto com mais de dez mil caracteres que publicara três horas antes do desafio de Alvalade na sua rede social favorita com críticas ferozes a jogadores muito acarinhados pela massa adepta leonina - desde logo os campeões europeus Rui Patrício e William Carvalho - e em que aludia a si como "o Presidente".

Falou imenso e não disse nem escreveu uma só palavra para unir, congregar ou mobilizar: só para dividir, incendiar e lançar novos anátemas, em círculos cada vez mais concêntricos. Visando desta vez os restantes membros dos órgãos sociais e os próprios adeptos, incluindo muitos daqueles que o elegeram duas vezes e perante os quais ele forçosamente responde.

 

Podia ter aprendido com Jorge Jesus, que logo a seguir - também na sala de imprensa - falou pouco mas disse o essencial. "A minha responsabilidade é defender os interesses do Sporting. Sei que o barómetro de qualquer clube são os jogadores. Os clubes crescem em função dos jogadores - depois há o treinador, há os presidentes... Jogadores e massa associativa são as duas pedras fundamentais, uns dentro do campo e outros fora do campo."

Quando Jesus dá lições de bom senso, realismo e humildade ao presidente, fica tudo dito sobre a perturbante derrapagem emocional de Bruno de Carvalho, que deixou de ser lesiva só para ele. Já se tornou também lesiva para o Sporting.

 

Publicado inicialmente aqui.

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Sporting foi a votos

por Pedro Correia, em 05.03.17

 

A tripla vitória de Bruno de Carvalho.

Teve o resultado que mereceu

 

 

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Decálogo eleitoral

por Pedro Correia, em 21.01.17

O Sporting inicia um novo processo eleitoral. Aqui recordo algumas regras básicas, que também podem servir noutras contendas.

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Marca leonina

por Pedro Correia, em 27.08.16

Nove jogadores formados pela Academia leonina na primeira convocatória para o apuramento do Mundial 2018.

Nada que surpreenda seja quem for.

O Sporting sempre a contribuir para o prestígio do futebol português.

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 Mário Moniz Pereira com Carlos Lopes em Janeiro de 1976: seis meses depois, o segundo conquistaria a primeira medalha olímpica de atletismo para Portugal

 

Mário Moniz Pereira foi um dos raros portugueses de excepção que tiveram o privilégio de ser homenageados várias vezes em vida: Medalha de Mérito Desportivo, Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, Comenda da Ordem da Instrução Pública, Medalha de Mérito em Ouro, Ordem Olímpica, Leão de Ouro com Palma, Grande Oficial da Ordem do Infante

Ao contrário do que é costume nas sociedades latinas em geral e na portuguesa em particular, mais dadas à veneração dos mortos.

 

Foi também o melhor representante da cultura leonina, pelo ecletismo de que sempre deu provas no seu  percurso pessoal enquanto praticante de ginástica, futebol, andebol, basquetebol, ténis, ténis de mesa, hóquei em patins, natação, tiro, equitação e esgrima.

Onde mais se distinguiu foi no voleibol, tendo sido duas vezes campeão nacional (1953/54 e 1955/56), a última também como treinador. E acima de tudo no atletismo, começando pelo título de campeão universitário de Portugal no triplo salto: aqui, como treinador e dirigente com o pelouro das modalidades, conquistou tudo quanto havia para conquistar: provas e campeonatos no plano nacional, europeu, mundial e olímpico. Com destaque para a primeira medalha de ouro portuguesa em Olimpíadas, obtida por Carlos Lopes em Los Angeles, na inesquecível madrugada de 13 de Agosto de 1984, quando nenhum português conseguiu dormir.

 

Mas na hora da despedida do Senhor Atletismo, ilustre sócio n.º 2 do Sporting Clube de Portugal, conclui-se com tristeza que faltou a homenagem que ele mais desejaria: o regresso da pista de atletismo ao estádio do clube.

Pista que o pioneiro Estádio José Alvalade orgulhosamente possuía e foi utilizada por milhares de atletas - em benefício da instituição leonina e do desporto português. Pista que a partir de 1979 passou a ser de tartan, por insistente reivindicação de Moniz Pereira, no rescaldo da medalha de prata obtida na prova dos 10.000 metros dos Jogos Olímpicos de Montreal por Carlos Lopes, o mais brilhante dos seus pupilos. Pista que se perdeu em 2003: o projecto encomendado a Tomás Taveira - só virado para o futebol, esquecendo o ecletismo que é marca distintiva do Sporting - não a contemplava. Nem foi possível reparar o erro, apesar de o custo final do novo estádio ter excedido em 75% o montante inicialmente estipulado.

De todas as homenagens, esta teria sido a que ele preferiria. Foi a única que ficou por concretizar.

Publicado originalmente aqui

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Deus nem sempre é nosso amigo

por Rui Rocha, em 06.11.15

Aqui a pensar que a derrota na Albânia pode muito bem ter sido um Act of God.

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Tiramos daqui as devidas conclusões ou precisamos da Isabel Moreira para esclarecer isto?

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Calma, lampionagem.

por Rui Rocha, em 25.10.15

O Costa estava sentado ao lado do Vieira no estádio. Ainda vai arranjar maneira de vos dar os 3 pontos.

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Uma perguntinha:

por Rui Rocha, em 17.09.15

Jorge Jesus usou o fato oficial do clube? É para um amigo...

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Está tudo dito

por Rui Rocha, em 09.08.15

Benfica teve medo do Sporting.

Jorge Jesus na flash interview

 

Entrámos receosos.

Rui Vitória na flash interview

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Frases de 2015 (21)

por Pedro Correia, em 07.06.15

«Para mim o presidente do Sporting ia para um manicómio.»

Dias da Cunha, ex-presidente do Sporting

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Frases de 2015 (20)

por Pedro Correia, em 23.05.15

«Ronaldo e Messi seriam bem-vindos em Alvalade.»

Bruno de Carvalho

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Não é só no futebol

por Pedro Correia, em 04.02.15

Às vezes os maiores inimigos de certos clubes são os próprios adeptos desses clubes.

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"Serviço público"

por Pedro Correia, em 26.12.14

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RTP Informação, hoje, 19.29: «Marco Silva está nesta altura por um fio. O anúncio da saída do técnico do Sporting deverá acontecer a qualquer momento.»

RTP Informação, hoje, 19.32: «A verdade é que, ao que tudo indica, Marco Silva vai mesmo ficar no Sporting. Acaba de falar na Sporting TV Bruno de Carvalho, garantindo a continuidade do técnico.»

 

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Quando a primeira "notícia" foi para o ar no serviço público de televisão - sem estar confirmada junto de fontes credíveis, como mandam as boas regras jornalísticas - Bruno de Carvalho já tinha publicamente deixado claro, em declarações emitidas às 19.06 na Sporting TV, que o treinador do Sporting continua em funções. A CMTV, apercebendo-se disso, reproduziu essas declarações no seu serviço noticioso logo a partir das 19.08.

Lamentavelmente, a RTP foi a última a perceber. Entre a notícia e o boato, preferiu o boato.

 

ADENDA: Às 20 horas, como comprova a foto aqui em baixo, o Telejornal da RTP insistia ainda, nas legendas em rodapé, que «Marco Silva deverá abandonar o comando técnico do Sporting».

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Expectativas em alta

por Rui Rocha, em 13.08.14

Tudo indica que o Sporting terá em breve dois jogadores sob alçada disciplinar para cada posição.

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Houston, we have a problem

por Rui Rocha, em 05.08.14

Hélder Postiga colocado na órbita do Sporting.

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Resistência activa ao aborto ortográfico (106)

por Pedro Correia, em 23.07.14

 

Sporting TV

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Profetas da nossa terra (33)

por Pedro Correia, em 04.06.14

«Posso dizer já aqui que o jogador [Oriol Rosell] não quis vir para o Sporting.»

Rui Santos, 20 de Maio de 2014

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Profetas da nossa terra (31)

por Pedro Correia, em 30.05.14

«Prometo uma liderança clara e inequívoca e que durante o [meu] mandato seremos campeões.»

Godinho Lopes, 28 de Fevereiro de 2011

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 16.05.14

 

 

Bruno de Carvalho - o Presidente sem Medo, de Bruno Roseiro

Prefácio de Daniel Sampaio

Biografia

(edição Matéria-Prima, 2014)

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Profetas da nossa terra (6)

por Pedro Correia, em 22.04.14

«No meu entender, o Sporting não será capaz de se intrometer na discussão com o Benfica e o FC Porto mas poderá esbracejar com o Braga na luta pelo terceiro lugar.»

Joaquim Rita, 17 de Agosto de 2013

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Profetas da nossa terra (3)

por Pedro Correia, em 15.04.14

«Antevejo um mandato curto para Bruno de Carvalho. Ele não vai conseguir cumprir as promessas, o que levará o Sporting a eleições dentro de um ou dois meses.»

Carlos Barbosa, 10 de Abril de 2013

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Do tiki-taka à willi-tá-tika

por Rui Rocha, em 02.03.14

O tiki-taka, sabemo-lo, assenta em transições prolongadas, passes curtos e posse constante de bola. No fundo, trata-se de lateralizar aqui, triangular acolá, adiantar linhas, até o rival se aborrecer de andar atrás da bola e desistir dela. Se for bem feito, esse momento de desistência ocorre já dentro da grande-área, circunstância em que qualquer um pode marcar sem se despentear. O tiki-taka é, como se sabe, uma filosofia futebolística que promove a desigualdade. A bola é um bem escasso numa partida de futebol. E o tiki-taka assenta em percentagens de posse de bola absolutamente especulativas. Sessenta, setenta, setenta e cinco por cento para um lado e o resto, quase nada, para o outro. Acumulação desmesurada para uns, pobreza para os demais. Pois bem. O sistema de jogo do Sporting representa a democratização do tiki-taka. Baseia-se, também ele, numa sucessão de passes. Mas, ao contrário do tiki-taka, em que o segredo consiste em excluir o adversário da posse de bola, no sistema do Sporting este é chamado a participar. O princípio de jogo estruturante é o passe errado. O jogador do Sporting, quando ultrapassa o meio-campo, lateraliza ou ensaia a triangulação mas, se tudo correr bem, perde a bola. A equipa contrária, por sua vez, tenta pôr em prática o seu plano de jogo, qualquer que ele seja. Mas, tarde ou cedo, chega perto de William Carvalho que fica com a bola. A progressão no terreno do Sporting faz-se assim de forma lenta mas consistente, iniciando-se invariavelmente numa perda de bola de Carrillo ou num passe errado de André Martins e na recuperação subsequente de William Carvalho. Com este eterno retorno da bola ao médio sportinguista, a equipa adversária vai desmoralizando. No mundo ideal, ao lado de André Martins e de Carrillo deve alinhar Gerson Magrão. O entusiasmo de matar uma jogada de Magrão, uma probabilidade estatística incontornável, esmorece sistematicamente com o embate posterior na muralha de William Carvalho. Esta sucessão de estados de entusiasmo e frustração rebenta completamente com a condição anímica e física do opositor. Ao fim de vinte a trinta minutos de perdas de bola e transições falhadas pelo Sporting, tentativas de lançar o ataque pelo adversário e recuperações de bola por William Carvalho, o jogo está, sem se dar por isso, nas imediações da área do opositor, com todas as condições para que que alguém possa fazer golo. Esta verdadeira guerra psicológica é mais eficaz se for permitido ao adversário adiantar-se no marcador. Os seus níveis de confiança subirão, o que tornará a queda mais dolorosa e a prostração subsequente irremediável. Ali onde o Barcelona é uma equipa especialista em açambarcar posse de bola, o Sporting leva a níveis nunca vistos a sua partilha com a equipa contrária. Entrega-a para logo de seguida a recuperar. O Barcelona pratica o monólogo, o Sporting aposta na progressão dialéctica. No Barcelona, a circulação de bola é continuada. No Sporting, o fim último da circulação é esta ser interrompida. Ali, temos o tiki-taka. Aqui, uma filosofia de jogo inovadora, democrática e inclusiva a que, à falta de melhor, chamaremos willi-tá-tika.

 

* publicado também aqui.

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Com inteira justiça

por Rui Rocha, em 12.02.14

Fomos por lã e viemos tosquiados.

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Futebol é isto

por Sérgio de Almeida Correia, em 12.02.14

São jogadas e golos como este que fazem as delícias de quem aprecia futebol. Mas é sobretudo a correcção do público, o fair play dos jogadores e dos dirigentes e uma arbitragem à altura, aliás reconhecida por Bruno de Carvalho, que nos arrastam para outra dimensão do espectáculo. Estão de parabéns os que sobre o relvado deram uma lição de empenho e de bem jogar. Sem espinhas, sem tricas, sem declarações inflamadas nem golpes baixos. O futebol é isto.  

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Bruno de Carvalho devolveu a esperança aos sportinguistas. Há que dizê-lo, com a naturalidade de quem se limita a reconhecer uma evidência. De tal maneira que -- vejam bem a diferença -- há um ano afundávamo-nos sem remissão na tabela classificativa, caindo para o décimo lugar, e agora damo-nos ao luxo de discutir qual o modelo mais eficaz para pôr a nossa equipa a marcar ainda mais golos.

Há um ano tínhamos nas nossas fileiras um só ponta-de-lança, apesar de se tratar do plantel mais caro de sempre na história do clube: bastaria uma lesão para se acenderem todos os sinais de emergência na equipa; hoje discutimos quantos homens-golo o treinador deve fazer alinhar no onze inicial.

Há um ano, descobríamos alguns jovens da nossa formação, promovendo-os em desespero de causa à equipa principal para colmatar as lacunas das pseudo-vedetas pagas a peso de ouro para se arrastarem em campo, com salários chorudos e exibições paupérrimas; hoje os jovens oriundos da nossa academia constituem a espinha dorsal da equipa por opção deliberada dos responsáveis técnicos, algo já com reflexos ao nível da selecção nacional (basta reparar na recente entrada de William Carvalho no decisivo jogo Suécia-Portugal que nos qualificou para o Campeonato do Mundo).

Há um ano, discutia-se por toda a parte a intromissão do Braga no grupo dos chamados "três grandes" e não faltava quem condenasse o Sporting a discutir com os bracarenses a terceira posição desse pódio simbólico; hoje, com o Braga a 14 pontos e nove lugares atrás de nós no campeonato, esse debate parece quase surreal.

 

À cultura da tolerância perante um Sporting coitadinho que se arrastava penosamente nos relvados nacionais sucedeu-se a cultura da exigência perante um Sporting que todos já apontam como candidato ao título. E, curiosamente, alguns dos que agora mais falam nisso, entre os sportinguistas, são precisamente os mesmos que num passado recente suplicavam que a equipa não fosse sequer pressionada para objectivos menos ambiciosos, como um lugar de acesso à Liga dos Campeões.

Não pode haver maior contraste entre o que o Sporting era e o que este Sporting de Bruno de Carvalho é. Este Sporting da cultura da exigência em boa hora regressada ao nosso clube.

 

Sim, há que assumir tudo: temos uma das equipas mais fortes do campeonato.

Sim, somos candidatos a qualquer título nas competições que disputamos.

Sim, o Sporting jamais deixará de ser um dos grandes, por mais candidatos que uns tantos imbecis procurem inventar para o lugar que nos cabe por mérito próprio no desporto nacional e como traço de união entre milhões de portugueses.

 

Este Sporting que sempre conhecemos. Um grande Sporting. O nosso Sporting.

Já publicado aqui

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Isto para sermos contidos

por Rui Rocha, em 08.12.13

No futebol, filosofia é dialética. A tese foi enunciada por Parménides: o que é, é. A antítese devêmo-la a Jorge Jesus e aos seus percursores: futebol é futebol. A síntese tem duplo sentido. O ser é esférico e a verdade é redonda. A partir daqui é possível passar à conclusão sem mais premissas: estamos à frente, Carvalho!

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Frases de 2013 (27)

por Pedro Correia, em 03.11.13

«O Sporting é nosso outra vez.»

Bruno de Carvalho

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Rui Moreira

por jpt, em 26.10.13

(imagem retirada daqui)

 

Há alguns anos fez-se uma sessão do "Trio de Ataque" aqui em Maputo. Não gosto deste tipo de comentário futebolístico, mais que não seja porque cristaliza a ideia anti-concorrencial de que há três clubes (com destinos escrutinados) e o resto é paisagem. Mas a vinda das figuras público-desportivas animou as hostes da bola. Na véspera do programa fez-se um concorrido jantar no restaurante KaMpfumo, à estação dos CFM, na qual depois se veio a realizar o programa. Acorri ao repasto da bola (e até vim a blogar sobre isso). Na época o representante do pérfido Benfica era António Pedro Vasconcelos, que em dia anterior ali mesmo pontificou numa agradabilíssima tertúlia sobre cinema, organizada pela gerência. Uma simpatia, um agrado de pessoa, e com aquela cultura verdadeira que não precisa de se desfraldar. Pelo Sporting, o tal clube da elite (diz-se) vinha Rui Oliveira e Costa que, enfim ..., se mostrou tudo menos digno desse estereótipo, para não dizer mais. E pelo malvado Porto chegou Rui Moreira. Um senhor, e basta isso. Que inveja, resmungou este sportinguista, acabrunhado com a "representação" que ali lhe cabia.

 

Foi o único, e breve, contacto que tive com o agora presidente da câmara do Porto (essa cidade que dista menos de Lisboa do que Quissico de Maputo mas que há muitos que continuam a dizê-las basto apartadas, muitos mas de pouco mundo como assim se torna óbvio). Tanto pela boa imagem que então criei de Rui Moreira como pela desejada lufada de ar fresco no claudicante sistema partidário português, torci de longe pela sua vitória. E, também, para que Menezes (ainda que sportinguista) não ganhasse, o que seria um total paradoxo face ao estado do país, um contra-ciclo para o que é necessário - sendo que o simples facto do "edil" (como aqui se diz) de Gaia ter agora sido candidato do PSD ao Porto demonstra que em relação a este partido não há nada a fazer nem esperar. Se fosse coisa, o tal partido, era para o lixo. Como é gente, é aguentá-lo e acantoná-lo, se possível. Pois cheinho de más reses, como o episódio gritou.

 

Ok, Moreira ganhou e gostei. Vai daí e continua a "bolar" sobre a bola. Agora vem com isto, invectivar o presidente do Sporting. Está já a espalhar-se ou ainda não saíu da câmara de descompressão? Não é este o papel, nem o registo, de um presidente da câmara. Ainda para mais de uma cidade como o Porto. E ainda mais de quem acaba de chegar como ele chegou, um pouco por cima do rame-rame que vem minando o país. Bruno de Carvalho já lhe respondeu, de modo rude. Apropriado, pois quem anda à chuva molha-se. Entenda-se, populista é um presidente da câmara a surfar as paixões da bola. Está Moreira a espalhar-se? Está. A ver vamos se ele não é apenas isto. Mas, se calhar, é mesmo só isto. Com alguma "patine" de bom berço. Espero que não.

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Isto não é apenas sobre futebol

por Pedro Correia, em 24.10.13

Fredy Montero é uma das melhores aquisições do futebol português nos últimos anos. Natural da Colômbia, jogava nos Estados Unidos e foi descoberto em boa hora pelos olheiros de Alvalade. No Sporting, em oito jogos disputados esta época, fez 12 golos -- a melhor marca do género registada por algum jogador do clube pelo menos neste século, contribuindo em larga medida para que a equipa leonina seja de momento a que tem maior índice ofensivo a nível europeu, acima do Real Madrid, do Manchester City e do Barcelona. "O ataque mais mortífero da Europa", como titulou o Record, recorrendo à típica terminologia da imprensa portuguesa especializada em futebol.

Com ele em campo, ao contrário de quase todos os restantes jogadores do nosso campeonato, a notícia não é quando marca: é quando não marca.

 

 

Dir-se-á, para quem veja de fora: os adeptos sportinguistas devem andar eufóricos. A resposta só pode ser afirmativa.

Mas nem sempre foi assim. Recuemos três meses.

Montero acabara de chegar a Lisboa, tendo sido apresentado aos sócios no estádio José Alvalade. Tiraram-se as primeiras fotografias, já com o colombiano vestido de verde e branco, ao lado do presidente do clube, Bruno de Carvalho.

A esmagadora maioria dos sportinguistas nunca o vira jogar. Aguardou, portanto, com genuína expectativa, para o avaliar em campo.

Mas não faltou também quem desde logo começasse a dizer mal da escolha, ruminando argumentos contra o atleta colombiano e a escolha feita pela direcção sportinguista, duramente criticada em blogues que dizem ser leoninos e cujas caixas de comentários reflectem o desvario que por vezes se apodera de certos adeptos da bola, sejam ou não do Sporting.

Mantenho o meu arquivo sempre actualizado. E do arquivo desenterro frases como estas, então publicadas nesses blogues:

«O Ghilas [avançado entretanto contratado pelo FC Porto, onde não tem passado do banco de suplentes] é dez vezes superior a este Montero. Mas este dá uma comissão maior.»
«Parece um jogador mediano, penso que será mais para fazer número.»

«Ao contrário do que diziam, ele não é craque, longe disso.»
«Dado que Montero não é um jogador de área, temos aqui alguns problemas.»
«Para mim não é um verdadeiro goleador e tenho dúvidas que faça 15/20 golos numa época.»
«Troco Montero pelo Bruma [ex-jogador sportinguista entretanto transferido para um clube turco], esse é craque, é o único que me vai levar a ir a Alvalade.»
«Montero não mostrou instinto goleador.»

«Não vale a pena andar a contratar por contratar, sem dinheiro muito dificilmente se consegue qualquer acréscimo de qualidade.»

«No dia em que o Bruno [de Carvalho] contratasse mesmo um jogador a sério punha o Sporting nas primeiras páginas de toda a imprensa internacional.»

Gostaria de saber o que os ressabiados que escreveram tudo isto pensarão de Montero agora. Imagino que festejam  com a mesma satisfação que eu os golos marcados pelo avançado que tanto denegriram. E são até capazes de garantir nas conversas de café, muito à portuguesa, que anteviam desde o início que seria um excelente reforço. No momento em que a Europa do futebol já tem os olhos postos em Alvalade, à espreita das próximas prestações em campo do jovem colombiano.

O problema é que isto não sucede só no futebol.

A ignorância é muito atrevida. As palmas de aprovação e os polegares ao alto nas redes sociais são sempre mais prováveis quando se utilizam palavras contundentes. E dizer mal do que não se conhece -- sem conceder sequer o benefício da dúvida ao destinatário das críticas, por mais gratuitas que sejam -- é um verdadeiro desporto nacional.

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O ataque do Porto ao Sporting

por jpt, em 19.09.13

 

Há dois meses, a propósito da novela Bruma, aqui ecoei as minhas suspeitas de que o jovem jogador iria para o Porto, o que mostraria o intento portista de praticar o clubecídio. Pois tão arruinado foi o Sporting pelas suas últimas direcções que recrutar-lhe agora, gratuitamente, os jovens jogadores só pode denotar uma vertigem assassina, a vontade de exterminar o clube enquanto grande instituição desportiva nacional. Como é sabido tal acabou por não acontecer, Bruma partiu para a Turquia e os interesses do Sporting, enquanto clube formador, foram defendidos.  Mas a trapalhada não tinha terminado. Nesse conflito o "inefável" apoderado de Bruma tinha também retirado dois outros jovens prometedores jogadores do clube, Cassamá e Sambú. Assinaram agora pelo F.C. Porto. O que mostra algum fundamento da minha suspeita: o andradismo manobrava na sombra, ambiciona o clubecídio, e nisso terá também namorado o outro membro do trio.

 

Mas mais do que o interesse por prometedores futebolistas o ocorrido, isto do Porto ir contratar dois miúdos de 15 e 16 anos em conflito com o seu clube formador (apesar de todos aqueles pactos inter-clubes, de que se lê nos jornais), não passa de uma demonstração de força, um marcar de terreno. E faz-me lembrar um velho episódio, tão parecido é ele.

 

Em princípios da década o charmosista Julio Iglesias atacou o mercado americano anglófono, desembarcando em força. O velho elefante ripostou. Poderoso ainda, e tanto que já sem precisar de encomendar aquelas antigas "propostas irrecusáveis", mas já no ocaso (pois isso manda a lei da vida), Sinatra decidiu marcar o território, a demonstrar que a "voz", o "charme", o "Papa" era ainda ele, e aquele o seu reino. E fez a sua demonstração de força, chamou o grande treinador Quincy Jones, um "special one", convocou as figuras menores do panteão, assim reduzido a sua corte de figurantes. E fez isto, o seu último trabalho a solo, que mais explícito não podia ser:

 

 

Depois continuou. Naquela obrigatória decadência da idade que só os admiradores (eu um deles) não queriam notar, preferindo olhar (ouvir) para trás. Pois a força, essa, enorme, vencedora, já tinha estado. 

 

 

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Vítor Damas

por jpt, em 13.09.13

 

Faz parte da meninice, do crescer, isso de ter ídolos. Depois, com a idade, que acompanha consciência e desencanto, eles esfumam-se, uns tornado meros humanos outros até apenas nada. Eu tive alguns. O cume da minha idolatria foi com Vítor Damas, o maravilhoso guarda-redes do Sporting. Vibrei com ele na baliza (abaixo uma defesa contra a Inglaterra que me lembro de ver em directo, há 35 anos, tamanha a comoção sentida). Sofri quando partiu para Espanha. Resmunguei quando voltou a Portugal sem que o clube o tivesse contratado. E adorei, então eu já homem feito, quando voltou ao nosso clube. Damas era e continuou a ser o maior. Como meu ídolo nunca empalideceu. Faz hoje dez anos que morreu. O meu ídolo quando miúdo. O meu ídolo depois disso. 

 

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Só para sportinguistas

por Pedro Correia, em 12.09.13

A minha série Os Jarretas. No És a nossa Fé.

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Bruma

por jpt, em 24.08.13

 

Nunca vi Bruma a jogar ao vivo. E acho que nunca lhe vi um jogo completo na TV. Assim nem sei opinar sobre a sua qualidade, mais um da longa lista de extremos que o Sporting vem apresentando: extraordinário, como Futre ou Cristiano ou (vá lá, que jogava nas alas) Figo? Excelente como Simão ou Nani ou Quaresma? Ou será mais comum, a expectativa muito aumentada pelo entusiasmo dos meus co-sportinguistas e pela retórica dos "jornalistas" desportivos?

 

Assim sendo, da qualidade dele não sei dizer. Mas o processo em que foi metido é interessante. Mostra como as coisas do futebol nos colocam parêntesis na forma como vemos o resto. Os adeptos, quantos deles empregados, prontos à greve ou ao protesto (ou à maledicência), torcem nestes casos incondicionalmente pelo patronato. Os contra-adeptos, quantos deles empregados ou patrões ou liberais, prontos à concertação social, à concórdia, ao contratualismo, nestes casos torcem incondicionalmente pelos "direitos dos trabalhadores" (desde que tal prejudique o clube adversário).

 

A história da Bruma é triste. Não que o (meu) Sporting seja realmente exemplar na forma como trata os seus profissionais - falo da história recente, não desta direcção que, até agora, me parece muito empenhada. E que, como tantos clubes-patrões, não mereça ser confrontado por gente que defenda os interesses dos jogadores, miúdos, relativamente ignorantes dos meandros jurídicos, fiscais, contratuais, e potencialmente explorados pelos clubes. Mas mesmo assim o caso tem contornos muito próprios, tudo parece um daqueles filmes americanos sobre o mundo do boxe, com jovens fortes e ágeis, sobre-empenhados no jogo, e totalmente sugados pela "entourage" canibal. Conhecemos o "the end".

 

Nem fui lendo tudo aquilo que a "gente" de Bruma (agente, advogado, sei lá mais quem) vem dizendo aos jornais. Mas algumas "gordas" ficaram-me. Uma das quais foi o agente dizendo que o Sporting o tinha enganado, queria ele a renovação de um conjunto de jogadores ("seus", como diz, desnudando-se pela semântica da sintaxe) e como o clube não o quis impediu a renovação de Bruma e levantou este processo. Ou seja, quer mecanismos de "contratação colectiva" nesta actividade. E como lhe são recusados usa o destino de um jogador como pressão ou mero revanchismo. Enfim, por mais que os jogadores (em particular os putos) mereçam ser defendidos nesse mundo-cão que é o da bola, parece-me que não é este o caminho. Nem deve ser esta a gente.

 

E um outro comentário, lateral. Estamos (saudavelmente) habituados a defender as minorias, identitárias. Como imigrante (e não só) sou particularmente sensível a isso. Este caso é ilustrativo. Pois estes meus patrícios, oriundos de África, são a mostra de algo interessante. É que se os direitos colectivos (e individuais) das minorias são importantíssimos é necessário perceber que nestas habitam muitos gabirús. Parece-me ser o caso.

 

Jogando no Sporting ou alhures, que o puto não acabe mal. Sugado e desiludido. Ainda vai a tempo.

 

(postal também colocado no ma-schamba)

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Eles não sabem nem sonham

por Pedro Correia, em 19.08.13

 

Alguns blogues que usam e abusam do nome do Sporting parecem feitos por pessoas que nunca vão à bola. Pessoas que não assistem a um só desafio ao vivo, que são incapazes de vibrar com a contagiante euforia das bancadas em dia de jogo, que não explodem de alegria cada vez que o nosso clube marca um golo e todo o estádio é percorrido por uma imensa onda de emoção.

Há quem seja capaz de escrever sobre futebol espraiando-se com aparente sapiência sobre sistemas tácticos, opções técnicas, dinâmicas de jogo. Há quem se aventure vezes sem conta pelos mistérios dos mercados de transferências e quem debite na ponta da língua as linhas completas das equipas dominantes em vários países da Europa e das Américas e saiba de cor os nomes dos respectivos treinadores, mas seja incapaz de escrever uma só linha sobre as emoções do futebol ao vivo quando as bancadas se pintam de verde e branco.

E no entanto nada há tão importante para entender este fenómeno sem par que é o futebol. Foi o que senti uma vez mais, na tarde de ontem, ao ver a saborosíssima goleada do Sporting ao Arouca no local próprio: o nosso estádio. O ser humano tem um apego inato a rituais - e o futebol é inseparável deles. Dos cânticos, das cores, da estética tão própria deste desporto que apaixona o mundo.

Cumpri com todo o gosto este ritual. Que começa muito antes do jogo e se prolonga depois dele, na zona das rulotes, enquanto se mastiga uma bifana e as imperiais - da marca certa, não da outra que nos promete a Luz - circulam à velocidade da sede enquanto se digere o jogo. Lá encontrei amigos e colegas de blogue - os primeiros com quem partilhei as emoções deste encontro inaugural do campeonato. O João Távora, o Francisco Almeida Leite, o José Navarro de Andrade, o Duarte Calvão, o Eduardo Hilário. Vários de nós ainda sem cachecóis, pois o calor aconselha a deixar este adereço em repouso. Mas todos com a paixão sportinguista renovada. De ano em ano, de época em época.

Os outros não sabem nem sonham que de tudo isto também é feito o futebol.

Foto minha. Texto publicado também aqui

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Poachers

por jpt, em 06.05.13

 

(Reprodução de um postal colocado no ma-schamba, mesmo sabendo que o DO não é um blog muito dado a futebóis. Pois este texto não é, exactamente, sobre futebol.)

 

Ao longo dos anos de bloguismo várias vezes me insurgi face às direcções do Sporting. O estado calamitoso do clube advém das práticas que estas assumiram ao longo de quase duas décadas. Sufragadas por sucessivas eleições. Pois, tal com em tantos outros contextos, manteve-se na massa associativa a crença que as elites sociais e financeiras têm alguma ligação (afectiva, ética) com o "bem comum" das comunidades a que aderem ou pertencem. Tudo isso sublinhado, potenciado, pelo "poder simbólico" que ser da "elite" possibilita. E, tal como em tantos outros contextos, torna-se agora certo que essa ralé elitista é uma corporação criminosa. E, pior, traidora de tudo o que pode trair.

 

Dito isto, quanto ao Sporting, muito há mais do que isso. Este ano é exemplo. Uma enorme trapalhada vinda de uma direcção carregada de problemas criminais (o presidente, com mácula de cidadania; Luis Duque com as trapalhadas municipais; o pérfido Ricciardi, acho que autor de processo contra o "Correio da Manhã" por este jornal o ter noticiado como arguido; o até novelesco polícia "vigilante". Enfim, uma catástrofe de gente). Ene treinadores. Uma "remodelação" de plantel no Natal. A sombra da descida de divisão. Depois Jesualdo forma uma equipa, jovem, limitada, e vem ao de cima. Tentando levar o clube até às competições europeias de futebol, um pequeno balão de oxigénio diante de um horizonte tétrico. Pois num cenário de clube arruinado, com "500 milhões de euros de défice", como disse esta semana o presidente Bruno de Carvalho.

 

Depois disto, na ascensão com a pax jesualda, apenas dois insucessos: a) contra o Benfica: o árbitro João Capela trucida as leis. Dois penalties por marcar, para além de tanta outra coisa (livres não marcados; aquelas entradas a matar sem serem vistas nem expulsões acontecidas). Como alguém disse "errar sempre para o mesmo lado não é humano"; b) hoje, contra o simpático Paços de Ferreira, não assinalado um penalti para aos 60 minutos poder passar para a frente. Como pode um juiz-de-linha, aka "árbitro assistente" não ver aquilo? Como pode o "melhor árbitro do mundo" não entender assim? Só não querendo.

 

Sem mais, o Sporting, ainda por cima nesta situação económica-financeira, está a ser abatido. Estes árbitros não são "limpinhos" como se diz. São poachers. Assassinos da instituição. Haverá um feixe de causas para estas acções. Nenhuma "limpa".

 

Tão maus como eles seguem os "intelectuais" portugueses, tantos deles vozes públicas assalariadas ou ajornadas, que olham para isto com a flatulência mental do apenas clubismo, reduzindo esta minha mágoa à azia do adepto de sofá. Acredito, firmemente, que quem gosta desta aldrabice, gosta dela em tudo o resto. É gente sem princípios. Por isso mesmo o país está como está. Com estes "intelectuais" no "arco da governação". Meros receptores deste tráfico criminal de sensações futebolísticas, de proto-orgasmos esfuziantes. Disponíveis, com tal, para todo outro tipo de mercadoria roubada, ilegítima ou anti-ética.

 

A pele acima será a do clube. Cada vez mais me parece que assim será o seu futuro, e por isso preparo o luto. Mas não me parece que seja só o dele, clube. Há muito mais a extinguir. E esta gente não sossegará enquanto não o conseguir. É omnívora. E voraz.

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Reestruturação da dívida

por José António Abreu, em 10.04.13

António José Seguro aplaude e toma notas.

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Asneira em dose dupla

por Pedro Correia, em 24.03.13

   

  

É uma questão de conflito de interesses mal resolvida. Ser administrador de uma empresa que elabora sondagens eleitorais e ao mesmo tempo apoiante declarado de uma candidatura a esse mesmo escrutínio são condimentos certos para dar asneira. Cumprindo os preceitos da Lei de Murphy, neste caso a asneira aconteceu mesmo. E em dose dupla. José Couceiro, derrotado nas eleições do Sporting, só conseguiu sagrar-se "vencedor" nas sondagens da empresa desse seu apoiante, numa afirmação viva do antigo preceito "não basta querer - é preciso poder".

As sondagens falharam redondamente. Nada que não tivesse ocorrido noutras eleições, nada que não se adivinhasse nestas também. Admira-me é haver quem persista em encomendar estudos de opinião a quem é recorrente no erro, talvez confundindo desejos com realidades. Se não é, parece. E no futebol, como na política, o que parece é.

Na altura, entre as hostes de Couceiro, houve quem tivesse embandeirado em arco. Sem motivo, como agora se vê. As referidas sondagens só iludiram quem gosta de ser tomado por parvo. Vistas à distância, têm apenas a vantagem de nos fazer rir. Num clube onde o riso escasseia, valha-nos ao menos isso.

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Novo ciclo no Sporting

por Pedro Correia, em 24.03.13

 

"A partir de agora mandamos nós. O Sporting é nosso outra vez!"

Primeiras palavras do presidente recém-eleito. O presidente de todos quantos se orgulham de ser sportinguistas.

Os sócios falaram, como há muito se impunha, nas terceiras eleições mais concorridas de sempre no Sporting. Contra todas as campanhas de ódio, contra o situacionismo militante, contra as providências cautelares do baronato, contra todas as manobras que tentaram silenciar um clube que se preza de ser livre.

Os sócios falaram pelo meio adequado: o voto democrático. Em números expressivos.

Bruno de Carvalho é o novo presidente do Sporting - o meu presidente também. Um clube que é dos sócios e não de nenhuma clique.

Cumprimentado de imediato com fair play pelos candidatos derrotados, Bruno de Carvalho personifica um novo ciclo que arranca sem demora. Agora há que começar a edificar o futuro em Alvalade.

Unidos como nunca. E sem olhar para trás.

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Em 1981, futebol ao vivo ou em directo e de qualidade tinha visto pouco. As memórias mais longínquas traziam um jogo do Lusitano, no Lobito, contra o Catumbela. Depois, já em Portugal, algumas escapadelas inesquecíveis, com o tio Zé e o André, sempre com a oposição da tia Mira, para ver grandes jogatanas do Vilanovense, no velho campo de Gaia. Mais a sério, meia dúzia de jogos em Espinho, a maior parte deles particulares de vida ou de morte, contra rivais como o Feirense ou o Fiães. Era então o tempo do Manuel José e do inigualável Malagueta. Do lado de lá, as vareiras. Na nossa bancada, mais abaixo, o primo Alberto que via os jogos com um periquito impassível no ombro. O periquito trouxera-o ele da Austrália, bem como a muitos outro. Tal como acontecera com a mulher Jaqueline que, presumo, não devia fazer a mínima ideia do que vinha cá encontrar. Depois dos jogos, ao fim da tarde de Domingo, levávamos uma grande panela de caldeirada de peixe do Zagalo ou do Marreta, duas tascas mesmo ali à beirinha do estádio, para casa da minha avó. A caldeirada era saborosa, mas cheirava ainda melhor. Quase tão bem como o frango de churrasco da Alcobaça, que ainda lá está. Pertinho da estação, do lado de cima da linha, embora tenha outro nome. Em Braga, onde vivíamos, a ida ao estádio estava proibida. O meu pai tinha um ódio de estimação ao sempre presente Mesquita Machado e tinha jurado que não seria cúmplice da promiscuidade entre o clube e a autarquia. Na televisão, escasseavam as transmissões em directo e os resumos de Domingo à noite ainda eram a preto e branco. O futebol a sério, o futebol do meu Sporting, era, sobretudo, o dos relatos da rádio. E era a ouvi-los, nos jogos mais complicados, que eu ia fazendo negócios com Deus, prometendo a troca de alguns dos meus tesouros, uma caderneta de cromos, uma espada, um barco de piratas, por um golo ou uma vitória. Para além disso tinha estado, claro, no jogo do célebre golo do Manaca. Esse que vi com estes que também viram o Manaca, no dia seguinte, em Braga, a sair do consultório do oftalmologista Mário Peres, mesmo ali por cima da loja do meu pai, com um olho vendado, resultado directo da incompreensão de um adepto vimaranense mais exaltado. No verão de 81, todavia, o início da época apanhou-nos em Lisboa. Recordo como um dos momentos mais felizes da minha vida aquele do fim de tarde em que o meu pai me anunciou que tinha comprado bilhetes para irmos ver o meu primeiro jogo do Sporting em Alvalade, perante a incredulidade racional da minha mãe que nunca compreendeu como é possível que o entusiasmo de alguém fosse levado atrás de uma bola. A noite caía em Lisboa quando entrámos no velho Alvalade. Enorme, cheio, vibrante, a transbordar de esperança na nova época. Longos minutos de espera, até ao início. Até à iniciação. Na minha cabeça, tantos nomes que uma e outra vez ouvira na rádio. Mas, sobre todos os outros, o de Meszaros. O novo guarda-redes. Na barbearia do Nosso Café, em Espinho, já tinha ouvido o meu pai falar da aquisição com o Sr. Marciano, benfiquista coitado, e com o Beto, portista sofredor como eram todos os portistas por aqueles dias em que as alegrias lhes escasseavam. Que tinha vindo da Hungria, tão distante, tão cheia de nevoeiro, tão comunista. Que tinha sido um cabo dos trabalhos para o conseguir trazer para o Sporting. E não sei mais que histórias de grandes talentos, feitos de magiares e de uma cidade dividida por um rio que tinha do lado de lá Buda e do lado de cá Pest. E a mesma conversa com outros entendidos com quem o meu pai trocava argumentos no Nosso Café enquanto o Leonardo, sempre de macacão azul, lhe engraxava os sapatos e eu comia um bolo-de-arroz. Finalmente, entraram as equipas. Com tanto deslumbramento, recordo pouco do jogo. Mas, nunca hei-de esquecer a camisola tão branca do Meszaros, tão branca como eu nunca tinha visto a de outro guarda-redes. E as suas saídas da grande área para pontapear a bola para mais longe: não é falta papá? Que não, que podia estar descansado. E os seus lançamentos da linha lateral que nunca tinha visto outro guarda-redes fazer, um deles, já no final do jogo, mesmo juntinho à linha do meio campo: não é falta, papá? Que não, que podia estar descansado. O Sporting empatou 2 a 2 com o Belenenses. Mas eu ganhei um ídolo. À saída do velho Alvalade, as opiniões dividiam-se entre a frustração e a esperança. Um adepto, com aspecto de ter visto jogar os cinco violinos, sobrepunha a voz para afirmar queos espanhóis também não gostam de ver bons princípios aos filhos. O tempo viria a dar-lhe razão a ele e ao provérbio espanhol. Uns meses mais tarde, já perto do final da época, o Sporting jogava em Guimarães uma das cartadas fundamentais para a conquista do título. A equipa alojou-se no Hotel Turismo de Braga. Anda daí, vamos dar um abraço ao Jordão, disse o meu pai, perante a incredulidade da minha mãe. Vesti o equipamento do Sporting que os empregados da loja do meu pai me tinham dado há uns meses, pelos anos, com as meias verdes bem puxadas até aos joelhos. Esse mesmo com que marcara um golo com um remate antes do meio campo no torneio da escola. No único jogo que fiz antes de o capitão da equipa, numa decisão justa mas inqualificável, me ter deixado de convocar por falta de jeito. Entrámos no hotel e vimos logo o Jordão. Rocha, pá, estás com bom aspecto, dá cá um abraço, tu também estás bem, pá, vê-se que tens ido aos treinos, este é o teu miúdo?, anda cá Rochita, dá cá um passoubem. A conversa continuou por caminhos de Benguela, que o Raul estava muito bem, a fazer sucesso com o Milo no Duo Ouro Negro, que não sei quantas saudades das histórias do Oliveira Maqueiro e de não sei quem que saía à rua em pijama. A certa altura, aproximou-se o Mister, my friend Rocha, mister. E o Allison, com um sorriso de orelha a orelha, Jordão friend is my friendRoca, I like roca, meu whiskey sempre on the rocas. Gargalhada antes de seguir em frente, em direcção ao bar, não sem antes me dar um calduço: nice boy. Entretanto, juntara-se o Fidalgo, velho conhecido de Braga, ele que era compadre do Pintinho que trabalhava então na Shop Jeans, ao lado do cinema Acil, do Ding Dong do Luís, benfiquista coitado, e do sogro Senhor Cruz, também benfiquista mas menos doente, coitado, da loja do Paulino fotógrafo e da tabacaria Francar. A conversa tinha seguido por outros caminhos, até os olhos do Jordão repararem em mim. Então, pá, Rochita, estás tristeNaEstás, pá, que eu estou a ver... não me digas que és do BenficaNão sou, não sou, eu queria era ver o Meszaros, sussurrei, com a cabeça baixa, enquanto fixava as minhas chuteiras. O Meszaros? Deixa lá ver onde é que o gajo anda... Deve estar no quarto a dormir. Vamos ali à recepção chamá-lo. Pá, Nogueira, diz a esse gajo que venha cá abaixo que está aqui o Rochita que quer conhecê-lo. Minutos depois, a porta do elevador abriu-se e o Meszaros, ensonado mas com um sorriso atrás do bigode, entrou no átrio. Cumprimentos, sorrisos. Prasser, senhorr Roca, darr um abrazo Rocita. Abraço, palavras de circunstância e um autógrafo na minha camisola do Sporting. Mais abraços, desejos de boa sorte, uma gargalhada longínqua do Allison e uma despedida: amanhã vamos ganhar. Na verdade, o Sporting ganhou logo nesse dia, no corredor de minha casa, onde sozinho joguei contra toda a equipa do Guimarães. Fiz de Jordão, que marcou dois golos de bandeira, de Oliveira, de Manuel Fernandes e de Meszaros, em nome de quem realizei três defesas impossíveis. Nessa noite, e em muitas que se seguiram, perante o olhar incrédulo da minha mãe, dormi com a minha camisola do Sporting. No dia seguinte, empatámos em Guimarães, mas acabámos por festejar o título com 7 a 1 ao Rio Ave. E a camisola assinada pelo Meszaros ainda anda lá por casa da minha mãe. Um dia, vou dá-la a um dos meus netos porque o Dinis não gosta de futebol. Se virmos bem, antes isso do que ser do Benfica.


* publicado originalmente aqui.

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As raízes do fracasso

por Pedro Correia, em 22.03.13

 

Verdes Anos, uma excelente reportagem exibida ontem pela RTP - com assinatura de Alexandre Santos, Tiago Passos e Pedro Pessoa - demonstra bem as raízes do fracasso no Sporting: Inácio, que acabara de conduzir a equipa ao título após 18 anos de jejum, foi corrido pela direcção leonina, sob pressão de meia-dúzia de energúmenos. A mesma direcção, insegura e timorata, que cedeu perante o berreiro de três ou quatro basbaques filmados em directo pelas televisões aos gritos "Mourinho nunca!" Segundo o mesmo documentário, aquele que muitos consideram o melhor treinador do mundo terá estado duas horas ao leme da equipa leonina - o que talvez mereça figurar num recorde do livro Guinness.

Despedido no mesmo dia em que foi recrutado para Alvalade, e rumando de imediato a outros destinos onde souberam reconhecer-lhe valor, também José Mourinho experimentou na pele o desgoverno errante da barca sportinguista. Não sei se escreva banca em vez de barca, mas o resultado é o mesmo: quase década e meia de pesadelo. Pela cupidez danosa de alguns, pela incompetente gestão de muitos e pela confrangedora mediocridade de quase todos quantos ascenderam ao poder no clube ao longo deste período negro. Mas também pela cegueira de tantos adeptos, pelo fanatismo inepto da chamada "voz da rua", bem simbolizada naqueles gritos estridentes "Mourinho nunca!"

Quem berrava assim naquela conferência de imprensa tristemente memorável, espumando de ódio contra o mérito alheio perante o embaraço frustre de Luís Duque, dizia afinal pretender um Sporting para sempre arredado dos títulos e das glórias passadas, condenando à presente irrelevância competitiva e ao descalabro financeiro o clube português que ainda mais triunfa no campeonato do ecletismo e da formação de atletas.

Verdes Anos é um retrato fidedigno da realidade leonina - e, por extrapolação, da própria realidade nacional, onde impera uma espécie de alergia ao sucesso que Mourinho personifica. Um retrato que todos os sportinguistas devem ver e rever. Para evitarmos repetir hoje os graves erros de ontem, tão bem documentados neste filme que funciona como um murro no estômago de qualquer de nós.

 

Também aqui

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Sporting: dez notas sobre o debate

por Pedro Correia, em 20.03.13

1. Foi um debate sereno, civilizado. Não houve nenhuma sessão de pugilato, como alguns gostariam. O Sporting ganhou com isso.

 

2. Muita convergência no diagnóstico e na terapia - maior também do que muitos supunham. Os três candidatos à presidência do Sporting estão de acordo na necessidade de reestruturação financeira do clube, na renegociação da dívida, na injecção de capitais, na formação enquanto elemento-base da equipa de futebol e na revitalização das modalidades.

 

3. Paulo Garcia, o moderador deste debate na SIC Notícias, cumpriu o seu papel ao interrogar repetidamente os candidatos. Mas em vão. Nenhum abriu o jogo relativamente aos investidores que têm em mira para a regeneração financeira do Sporting. Bruno de Carvalho diz ter esse capital assegurado, mas nada concretiza. José Couceiro apelou a um "ciclo virtuoso" no clube, também sem nada concretizar. Carlos Severino garantiu ter o apoio da banca nacional e até da banca estrangeira, mas jamais desceu aos pormenores. Ficámos na mesma.

 

4. Convergência também no balanço da herança recebida: Godinho Lopes ficou com as orelhas a arder. Bruno, recorrendo à conhecida metáfora camoniana, chamou-lhe - sem o nomear - um "fraco rei que faz fracas as fortes gentes". Couceiro sublinhou que o clube atravessa uma "situação crítica" devido à questão financeira que tem por causa principal a "má gestão desportiva". Severino foi mais longe ao salientar que neste momento até se ignora quais são os jogadores cujos passes o clube verdadeiramente detém.

 

5. A manutenção de Jesualdo Ferreira é, aparentemente, outro ponto que une as candidaturas de Bruno e Couceiro. Severino preferia ver Jorge Jesus à frente da equipa principal do Sporting. Faltou dizer como tencionaria pagar o salário àquele que é, de longe, o mais caro dos treinadores a trabalhar em Portugal.

 

6. O que mais separa os dois candidatos que as sondagens apontam como candidatos à vitória, Bruno de Carvalho e José Couceiro, é a questão da SAD. Com o primeiro a garantir, peremptório: "O Sporting não pode perder a maioria na SAD." E o segundo a admitir esse cenário, salvaguardando no entanto "um acordo para-social" que permita ao clube uma palavra decisiva em grandes decisões estratégicas.

 

7. Carlos Severino tem mais experiência de palcos mediáticos, até por ter sido jornalista durante vários anos. Estranhamente, era o mais nervoso neste debate. Isso deu-lhe uma imagem de insegurança que o levou a ser o pior dos três. A excessiva ligeireza de algumas das suas intervenções também não o valorizou. A certo ponto, as câmaras mostravam os adversários e até o próprio moderador a sorrirem enquanto o ex-director de comunicação do Sporting falava. Parecendo que nenhum deles o levava realmente a sério. Estes planos televisivos, mesmo sem necessidade de palavras, conseguem ser letais.

 

8. José Couceiro mostrou-se afável e cordato. Um gentleman, característica que lhe costuma estar associada. Fica, no entanto, a dúvida: como se comportaria, enquanto presidente do Sporting, num debate em que tivesse pela frente Jorge Nuno Pinto da Costa ou Luís Filipe Vieira?

 

9. Bruno de Carvalho surgiu nesta campanha apostado em desfazer a imagem de enfant terrible revelada na campanha anterior, em que viu a vitória fugir-lhe por uma unha negra. Faltou-lhe em 2011 o suplemento de respeitabilidade que evidenciou neste debate, o que poderá levá-lo a mobilizar alguns sócios ainda indecisos num escrutínio que se prevê muito concorrido.

 

10. Até na escolha das gravatas houve sintonia. Couceiro escolheu uma verde escura, Bruno ia de verde, Severino de verde e branco. E todos terminaram com expressivos "Viva o Sporting!" Sinal dos tempos: falou-se muito de questões financeiras, falou-se pouco de gestão desportiva. Daí talvez a sensação, ao fim de quase hora e meia, de que muito ficou por dizer. Amanhã há outro debate - talvez o decisivo. Na RTP informação.

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