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Solidariedade

por Helena Sacadura Cabral, em 29.10.17

ricardo-a-p1.jpg

 

Ricardo Araújo Pereira começou esta semana, sozinho e por iniciativa própria, uma série de espetáculos solidários de apoio às vítimas dos incêndios. Vai no seu carro, sem qualquer espécie de acompanhamento e percorrerá as zonas mais sinistradas, para lhes trazer o conforto do humor, de que tanto devem carecer. Humor esse que que se irá transformar em dinheiro, integralmente destinado a minorar o sofrimento dessas gentes.

Confesso que sempre me impressionou quem mete mãos à obra, sozinho, usando e oferecendo aquilo que tem. No caso de Ricardo Araújo Pereira, a decisão que tomou merece, da minha parte, os maiores elogios, porque não sei se haveria muita gente capaz de fazer o mesmo. Para mim, ele ganhou um lugar muito especial no campo da solidariedade, porque não só contribui, mas também se envolve diretamente na acção.  

Eu que até não simpatizava muito com ele em determinada altura da minha e da sua vida, dou a mão à palmatória. Trata-se, de facto, de uma pessoa que merece a minha admiração, num campo em que sou sempre muito cautelosa. Aqui fica, portanto, o meu testemunho!

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Exemplos de Vida

por Francisca Prieto, em 20.04.16

Hoje a minha sobrinha Matilde foi ao programa do Medina Carreira prestar o seu testemunho enquanto voluntária num campo de refugiados na Grécia. Desde que chegou que tem tido vários convites e eu sigo sempre tudo, muito atenta, de olhos colados ao ecrã. Porque tenho um imenso orgulho na forma como estabeleceu prioridades na sua vida, mas também porque tenho um raio de um defeito de profissão que me faz analisar a pertinência das perguntas e o peso de cada palavra no resultado da comunicação.

Gosto da forma como ela resiste em cair em histórias sensacionalistas, mesmo quando há insistência da parte do entrevistador. E gosto da forma como se ri e oferece uma resposta curta quando quer escapar a um tema sobre o qual prefere não falar.

Gosto desta ética. Da forma como não assume que os episódios hediondos que lhe passarem pela frente são sua propriedade. Que o sofrimento extremo de terceiros, mais do que uma boa história para contar, é matéria para respeitar.

No outro dia perguntavam-lhe em tom afirmativo se após esta experiência se tinha tornado uma pessoa diferente. É preciso não conhecer a Matilde para não perceber que ter estado num campo de refugiados, em situações limite, é apenas mais um degrau no caminho de vida que tem construído na ajuda ao próximo.

Não acontece a uma miúda qualquer acordar um dia e debandar para um campo de refugiados. Há um percurso que já se fez, há uma cabeça que já estabeleceu prioridades, há um coração que cresceu até ficar maduro.

Só está preparado para uma missão destas quem já lidou de perto com a morte, com cenários de pobreza extrema e com pessoas em registo de sobrevivência. Só sabe fazer isto quem desenvolveu o instinto de agir antes de olhar a juízos de valor. Quem aprendeu a ler o sofrimento alheio e a perceber que ferramentas tem para o poder minimizar.

E quem conhece a Matilde sabe que ela já tinha aprendido tudo isto antes de embarcar para a Grécia. É por isso que a experiência, ainda que brutal, não representa mais do que um dos muitos degraus que tem vindo a escalar.

É por isso que ouvi-la falar é comoventemente inspirador.

 

Matilde.jpg

 

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Da Valentia do Trabalho Anónimo

por Francisca Prieto, em 10.02.16

Quando o pai da Matilde, que era amigo cá de casa, foi para o céu, a Matilde tinha catorze anos. Quis o destino, ou a sua própria vontade, que a ela se fosse gradualmente aproximando da nossa família, ao ponto de hoje ter um lugar no nosso coração tão grande como qualquer um dos nossos sobrinhos, e uma intimidade muitas vezes superior.

A Matilde tem um percurso francamente diferente do da maior parte das raparigas da sua idade porque contrabalança na perfeição o seu tom cor de rosa betinho, com uma desarmante capacidade de compaixão para com o próximo.

A Matilde realiza-se no exercício do consolo e, por isso, nos últimos anos tem procurado, por iniciativa própria, diferentes formas de dar colo a quem desespera por um gesto de ternura.

Durante uns anos, integrou-se numa organização de distribuição de alimentos aos sem-abrigo. O que quer dizer que, quando calhava ir com ela jantar para as bandas da avenida da Liberdade, tínhamos sempre de abrandar o passo enquanto ela cumprimentava uma data de gente enfiada em sacos-cama pelas ombreiras das portas, avenida acima. Se íamos para fora e a levávamos connosco, já sabíamos que tínhamos de guardar as embalagens de champô dos hotéis porque ela era perita em convencer os sem-abrigo a irem tomar duche aos banhos públicos. Para confirmar que a operação se realizava, e que não havia margem para desculpas, apresentava-se à hora combinada, em cima da sua Vespa cor de rosa, frente ao edifício dos duches, com o frasco do champô e a imprescindível moeda de cinquenta cêntimos.

Depois, por alturas das férias da Páscoa, começou a ir em missões para o interior do país, oferecer os seus préstimos a lares de terceira idade. Vieram também as procissões e os campos de férias onde, no seu papel de monitora, conseguia enturmar na perfeição miúdos de famílias estruturadas com crianças problemáticas de instituições.

No meio disto tudo, chegou a altura da faculdade. Optou por enfermagem e está algures a meio do curso.

Um dia destes disse-me que queria ir para um campo de refugiados, que não podia olhar para o que se estava a passar e ficar de braços cruzados. Mas que tinha estado a investigar e que os voluntários tinham de pagar a viagem e a estadia do seu próprio bolso. Pediu-me ajuda para arranjar dinheiro, de maneira que coloquei a minha velha expertise pedinchona de angariação de fundos em acção e após uns posts no facebook e uns emails a amigos mais próximos, conseguiu-se em 24 horas ultrapassar a quantia necessária.

Lá embarcou a Matilde para a ilha de Lesbos, na Grécia, onde ficou durante os cerca de vinte dias que as suas férias da faculdade permitiam.

Voltou com as histórias com que tinha de voltar. Com o olhar de quem assistiu ao sofrimento humano na sua forma mais crua.

Perguntámos-lhe o que fazia no campo. Respondeu prontamente que tratava das “pontas soltas”. Isto, para quem a conhece, sabe que quer dizer que andou à procura dos aflitos mais aflitos para consolar. Que fez inúmeras visitas às lojas do chinês da cidade para, com o dinheiro que lhe sobrava, comprar gorros e sapatos para as crianças que se apresentavam de chinelos num lugar onde as temperaturas chegavam abaixo de zero. Que deslindou, das cinco mil pessoas que a rodeavam, quem precisava das luvas que ela própria tinha calçadas, ou quem tinha de seguir imediatamente para o hospital.

E que, apesar de se ocupar prioritariamente das crianças, eram os homens quem lhe fazia mais pena. “Porque para os homens nunca chegava nada. Era quem dormia ao relento quando já não havia espaço, era quem ficava sem comer quando não chegava para todos, era quem ficava sem cobertor quando a pilha acabava”.

E eu ouvi isto calada, primeiro porque não consigo imaginar o que é gerir uma enormidade destas, mas sobretudo porque de alguma maneira tudo parece menos cruel na doce voz da Matilde.

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Raisparta ao Diabo

por Francisca Prieto, em 08.01.16

Imagine que se voluntaria para abrir um negócio solidário. Reúne 50 voluntários, arranja maneira de conseguir doações permanentes de bens e até arranja um parceiro que lhe oferece o espaço. Tudo para que 100% dos lucros revertam para uma instituição.

Mas quer fazer tudo como manda a lei, que se é para ser voluntário não quer chatices com as finanças. De maneira que funda uma Associação, tão transparente como um copo de água, compra um software de facturação homologado, vê-se às aranhas para perceber como é que a geringonça funciona, mas lá regista todas as vendas, que é para ficar tudo certinho, certinho.

No primeiro ano a actividade corre sobre rodas. De maneira que é para continuar. Só que, para continuar, agora é preciso pagar IVA.

Ou seja, 50 pessoas trabalham de graça, gastam tempo, gasolina e estacionamento do seu bolso. Centenas de pessoas oferecem bens vendáveis. Uma entidade oferece espaço. Tudo para que seja possível reverter 100% da angariação para uma causa.

E, depois de um ano de benevolência por parte do Estado, agora só vai ser possível reverter 94% desse valor; há 6% que vão direitinhos para os cofres das finanças.

Da minha parte, fico com uma tremenda sensação de injustiça. Estão a obrigar-me a oferecer 6% do meu tempo e do meu esforço para o estado (reforço que ganho 0 euros e que trabalho praticamente a tempo inteiro para a Associação). Também deduzo que as pessoas que doam os bens com a intenção de que sejam convertidos em fundos de caridade, não achem piada nenhuma que uma percentagem siga para uma entidade que não a instituição que pretendem privilegiar.

Mas é assim que teremos de funcionar. Raismapartam.

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Déjà Lu

por Joana Nave, em 24.02.15

A Livraria Solidária Déjà Lu abre portas ao público no próximo dia 28 de Fevereiro. Situa-se na Cidadela de Cascais e é um projecto da nossa querida Francisca Prieto.

As receitas da venda dos livros revertem na totalidade para a Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21. No caso desta Associação, importa ainda referir que este projecto pretende apoiar a profissionalização dos jovens portadores de Trissomia 21 uma vez que, após a grande conquista da inserção no ensino regular, é agora importante orientar estes jovens para o futuro.

Esta livraria já existia de certa forma através do blog Déjà Lu, que leiloava livros “já lidos”. O espaço virtual ganhou forma e conta com o apoio de todos os que queiram dar a mão a esta causa.

deja lu.png

 

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As Singularidades do Coração Amarelo

por Helena Sacadura Cabral, em 12.11.13
A Ana Vidal, poeta, tem um coração de ouro. Quanto mais coisas sei dela, mais a aprecio. Há uns dois meses, com aquela discrição que a caracteriza, pediu-me uma frase sobre a velhice para um projecto do Coração Amarelo. Enviei.
Hoje, ao chegar a casa de mais uma entrevista, tinha no correio uma pequena preciosidade: um livro lindíssimo com fotos de mulheres e homens de cabelos brancos. Cada retrato tem uma frase a fazer-lhe companhia. Lá estava a minha entre tantas outras de gente mais sólida do que eu e dos universos mais variados. 
A obra chama-se "Singularidades" e as escolhas não podiam ter sido melhores. Ao folheá-lo confirmei como o olhar dos velhos é tão transparente!
A Associação Coração Amarelo, uma IPSS - Instituição Particular de Solidariedade Social, foi fundada em 2000 por um grupo de sete amigas – Rosa Maria Araújo, Maria Manuela Marques Alves, Elvira Rojão, Helena Cadete Bernado, Lisete Oliveira, Lucília Fernandes de Campos, Ana Pires Marques - sensíveis aos problemas sociais, que viriam a centrar a sua atenção no combate à solidão dos mais idosos.
Desenvolve a sua actividade em parceria, em estreita colaboração ou com o apoio de entidades como a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e Cruz Vermelha Portuguesa (Projecto “Mais solidariedade menos solidão”), Segurança Social, Câmaras Municipais de Lisboa, Cascais, Sintra, Porto, Oeiras e Porto de Mós, Montepio, Fundação Calouste Gulbenkian, Plataforma Saúde em Diálogo, SIC Esperança e Delta Cafés através do Projecto “Tempo para dar”, BES através da iniciativa “Mealheiro da Avózinha”, com os “Voluntários com Asas” dos colaboradores da TAP (desenvolvendo o projecto ”Seja tripulante por um dia”), Grupo José de Mello Saúde e outras, dedicando-se, em regime de total voluntariado, a minimizar a grande solidão em que muitos idosos vivem em Portugal, fazendo-lhes companhia e ajudando-os em pequenas tarefas caseiras ou no exterior, levando-lhes o afecto e a atenção que lhes falta no fim das suas vidas.
Vive exclusivamente de subsídios diversos, das quotas dos seus associados, de donativos, de receitas de eventos que regularmente organiza, salientando-se as “Colectivas de Arte”, o lançamento simultâneo de uma serigrafia da escultora Maria Morais e a edição de dois livros “Solidão” e “Menos Solidão””, dos quais constam textos alusivos à solidão e à solidariedade da autoria de personalidades da vida nacional e imagens de todas as obras expostas nas referidas Colectivas e fotografias de bons fotógrafos portugueses.
Vale a pena comprar este livro e ajudar aqueles que nesta época do ano ainda se sentem mais sós. E, se não conhecem este Coração, aconselho-vos a cuidarem bem dele e a visitarem o site da casa em www.coracaoamarelo.pt
 

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Sociedade Civil Solidária

por Helena Sacadura Cabral, em 16.01.13

Não costumo fazer parte de "movimentos". Abro raríssimas excepções, desde que os mesmos partam da sociedade civil, não tenham qualquer conotação política e envolvam objectivos e pessoas confiáveis. Julgo que esta poderá ser uma das poucas vantagens de se ser conhecido: dar rosto por uma causa em que se acredita


O
 Movimento Sociedade Civil Solidária pretende lançar um apelo, a nível nacional, tendo em vista maior justiça social, respeito pela dignidade humana e pelo bem comum, e drástica redução das desigualdades e da pobreza.

Foi apresentado ao público no dia 30 de Maio, no Centro Cultural de Belém. Apesar de já contar com o apoio da Cruz Vermelha Portuguesa, acabou por não ter tido grande visibilidade. Daí ter-se chegado à conclusão de que se tornava urgente, agora, dinamizar várias iniciativas na comunicação social. O que se fez como um pequeno filme de 30 segundos e várias entrevistas, a explicar melhor como todos poderão participar e dar  o seu apoio. O qual será sempre a nível nacional, e em diferentes áreas nomeadamente, restaurantes e lojas solidárias, apoio a desempregados, famílias em situação difícil e outras situações de graves carências.

Todos os portugueses poderão participar, com pequenas ou grandes contribuições, através:

1. Do NIB 003603249910000923653 do Montepio Geral, atribuído a uma conta em nome de Sociedade Civil Solidária.
2. Do site: http://www.scsolidaria.org/ 
3. De chamadas de VA para o n.º 760 105 010

4. Ou visitar-nos no Facebook no:

https://www.facebook.com/MovimentoSociedadeCivilSolidaria onde poderá criar uma grande rede de amigos e pedir maior apoio. Por questões técnicas este é o actual endereço no Facebook.

 

Como foi referido no Manifesto, o que se pretende é colocar ao dispor de todos os portugueses um meio prático de expressarem a sua solidariedade.
Acreditamos, que este Movimento “Sociedade Civil Solidária” poderá constituir, com a generosidade e a participação de todos, um meio dessa sociedade civil se expressar de  uma forma activa, dinâmica, generosa e verdadeiramente solidária.

Contam, assim, aqueles que neste movimento se empenharam, com a ajuda de todos!

Eu sei que existirá sempre quem olhe este tipo de actuação como uma forma de caridadezinha desculpabilizadora dos vários responsáveis por este estado de coisas. Esses nada farão. Nós tentaremos, apesar disso, não ficarmos indiferentes às mais básicas carências daqueles que, nesta altura, só querem é poder ser ajudados. Venha essa ajuda de onde vier.

 

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Solidariedade...

por Helena Sacadura Cabral, em 06.08.12

O texto que se segue é, na sua maior parte, a transcrição de um comentário feito no blogue duas-ou-tres.blogspot.com.


Programa de luta contra a fome.
Nada é o que parece.
Ora vê:
Decorreu este fim de semana mais uma ação, louvável, do programa da luta contra a fome, mas....façam o vosso juízo!
Recolha em hipermercados, segundo os telejornais, 2.644 toneladas !
Ou seja 2.644.000 Kilos.
Se cada pessoa adquiriu no hipermercado 1 produto para doar e se esse produto custou, digamos, € 0.50 (cinquenta cêntimos), repara que:
2.644.000 kg x 0,50 € dá 1.322.000 € (1 milhão, tresentos e vinte e dois mil euros), total do que as pessoas pagaram nas caixas dos hipermercados.
Quanto ganham?
o Estado 304.000 €(23% iva)
o hipermercado 396.600 € (margem de lucro de cerca de 30%).
Nunca tinhas reparado, tal como eu, quem mais engorda com estas campanhas...
Devo dizer que não deixo de louvar a ação da recolha e o meu respeito pelos milhares de voluntários.
MAIS....
É triste, mas é bom saber...
-Porque é que os madeirenses receberam 2 milhões de Euros da solidariedade nacional, quando o que foi doado era de 2 milhões e 880 mil?
Querem saber para onde foi a "pequena" parcela de 880.000 € ?
A campanha a favor das vítimas do temporal na Madeira através de chamadas telefónicas é um insulto à boa-fé da gente generosa e um assalto à mão-armada.
Pelas televisões a promoção reza assim: Preço da chamada 0,60 + IVA. São 0,72 no total. O que por má-fé não se diz é que o donativo que deverá chegar (?) ao beneficiário madeirense é de apenas 0,50.
Assim oferecemos € 0,50 a quem carece, mas cobram-nos € 0,72, mais € 0,22 ou seja 30 %.
Quem ficou com esta diferença?
1º - a PT com € 0,10 (17 %) isto é a diferença dos 50 para os 60.
2º - o Estado € 0,12 (20 %) referente ao IVA sobre 0,60.
Numa campanha de solidariedade, a aplicação de uma margem de lucro pela PT e da incidência do IVA pelo Estado são o retrato da moral a que tudo isto chegou.
A RTP anunciou com imensa satisfação que o montante doado já atingiu os 2.000.000 de euros. Esqueceu-se de dizer que os generosos pagaram mais 44 % ou seja mais 880.000 euros divididos entre a PT (400.000 para a ajuda dos salários dos administradores) e o Estado (480.000 para ajuda ao reequilíbrio das contas públicas e aos trafulhas que por lá andam).
A PT cobra comissão de quase 20 % num acto de solidariedade!!!
O Estado faz incidir IVA sobre um produto da mais pura generosidade!!!


Confesso que este comentário me alertou para algo em que não tinha, ainda, pensado. E mesmo que as contas não sejam exactamente estas, o que está em causa é o lucro do intermediário entre quem dá e quem recebe.

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A azia das mesas fartas

por André Couto, em 20.04.12

São inenarráveis as críticas que li ao Zero Desperdício, projecto nascido da mais pura Sociedade Civil, pelas mãos de gente como o Comandante António Costa Pereira, a Patrícia Vasconcelos e a Paula Policarpo. A frase da polémica, presente no hino da iniciativa, "o que eu não aproveito ao almoço e ao jantar / a ti deve dar jeito / temos de nos encontrar", não é, de facto, feliz, e peca por crua. Deve no entanto analisar-se a fundo a ideia e ver que, para além dos seus méritos, a música foi escrita pelo Tim, sim, o vocalista dos Xutos & Pontapés, e interpretada por nomes como Sérgio Godinho, Jorge Palma, Ana Bacalhau (dos Deolinda) e Boss AC. Parece-lhes mesmo que toda esta gente é passível de ser adjectivada daquela forma? Parece-lhes mesmo que um projecto deste cariz, em que os promotores se limitam a fazer trabalho de diplomacia, através ligação entre privados e autarquias, sem qualquer retribuição ou circulação de dinheiro, merecem ver o seu projecto e nomes vilipendiados desta forma?

É com imenso orgulho que a Junta de Freguesia que os meus eleitores me confiaram, a de Campolide, é a primeira a participar neste projecto. Ao invés de encherem caixotes do lixo, alimentos que sobraram ontem do Hotel Ritz, do Vitaminas do Centro Comercial Amoreiras e do Pingo Doce de Campolide, cobrirão hoje a mesa de mais de uma dezena de famílias carenciadas que os vieram buscar durante o dia. Estas famílias terão uma feliz e tranquila digestão, que a azia dos outros não prejudicará.

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centro de refugiados

por Patrícia Reis, em 22.03.12

Alguns dados sobre os refugiados que estão atualmente no CPR:

- 20 crianças: uma de 1 mês, outra de 8 meses e 18 crianças dos 2 aos 17 anos

1 mulher grávida e 1 idosa.

- adultos, ambos os géneros: 105 pessoas

- necessidades, além dos referidos antes, também frescos, fruta e leguminosas, e cebolas, alhos, sal, açúcar, cenouras, óleo, manteiga.

Além de alimentos: produtos de higiene: sabonetes, pastas de dentes, champô.

 

Quem preferir, também pode fazer donativos em dinheiro: transferência para o NIB da conta bancária do CPR - 0019 0007 00200021478 20, indicando a referência "ALIMENTOS". O recibo pode ser deduzido no IRS. Para o receber, remeter por e-mail (geral@cpr.pt) os seguintes dados: Nome da pessoa / Entidade / Empresa (se possível um contacto); Morada para onde deve ser enviado o recibo; Número de Contribuinte.

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Reconhecer os sinais

por João Carvalho, em 06.06.10

Um pouco por toda a Terra, a Marcha Contra a Fome começou hoje na Austrália e está a angariar fundos destinados ao Programa Alimentar das Nações Unidas, a fim de minorar as carências dos povos mais pobres do mundo, onde todos os dias se morre por falta de alimentos. No Porto e em Lisboa, seis mil pessoas aderem à iniciativa.

Entre os seis mil portugueses que integram a campanha internacional de solidariedade, a falta mais notória é a de um conhecido adepto das corridas matinais à beira-mar e das maratonas nas travessias do Tejo. A ausência tem explicação: foi a Trancoso com um dos seus doze motoristas receber a medalha de ouro da cidade, atribuída pela autarquia social-democrata por ficar com uma autoestrada à porta.

Não sei se Trancoso fica com uma autoestrada para ver passar alguns carros ao largo, nem sei se teve, tem ou vai deixar de ter centro de saúde, maternidade, postos da PSP e da GNR, estação de correios, tribunal e uma escola com menos de vinte alunos, mas sei reconhecer os sinais dos tempos. Uns correm para recolher fundos pelos que têm fome, outros correm para recolher medalhas por obras que vão empurrando o país para a fome.

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Os novos Robin Hood

por Ana Vidal, em 21.05.09

 

Gostei de ler esta notícia. Em tempos de crise generalizada - inclusivamente de valores - e de um desalento qua vai avançando, imparável, minando todas as vontades e iniciativas, é bom saber que a consciência social ainda existe nos espíritos de quem pode, realmente, ser parte da solução dos problemas. Recuso o negativismo de ir à procura de um qualquer motivo escondido, de uma qualquer estratégia de aproveitamento pessoal, de um qualquer... sei lá. Prefiro pensar que vivemos tempos de profundas e dramáticas mudanças, e que é sempre nessas alturas que as consciências despertam para a solidariedade. Deixem-me acreditar nisto, está bem?

 

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