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A Cidade do Cabo seca

por João André, em 07.02.18

20171127_171154.jpg

Imagem da albufeira da barragem de Theewaterskloof (zona da Cidade do Cabo) a 27 de Novembro de 2017.

google street view theewaterskloof 2010.JPG

 Imagem aproximadamente do mesmo ponto em Março de 2010 (imagem Google Maps).

 

No final de Novembro do ano passado estive na África do Sul em trabalho. O propósito da minha visita era avaliar o problema da seca em algumas das localizações da empresa no país. O caso mais premente era (e é-o cada vez mais) o da Cidade do Cabo.

 

Ao aterrar, fomos logo informados pela tripulação que a região estava a passar por um período de seca e que deveríamos tentar poupar tanto quanto possível de água. O aeroporto estava cheio de avisos sobre o problema da seca e até os placards electrónicos na auto-estrada nos lembravam do problema. Os avisos repetiam-se um pouco por todo o lado. O hotel estava cheio desses avisos, a carta de boas-vindas do hotel lembrava-o, o restaurante onde jantei servia água engarrafada para evitar consumo local.

 

Na fábrica falavam já do dia zero, o dia em que deixará de haver abastecimento doméstico de água e toda a gente terá de recolher a sua dose diária em pontos específicos espalhados pela cidade. Neste momento o dia zero está planeado para 11 de Maio, mas poderá ser antecipado (quando lá estive falavam do início de Julho). Nessa altura toda a gente terá à sua disposição apenas 25 litros de água por pessoa. Se isso parece muito, considere-se que essa água é necessária para beber, tratar da higiene pessoal, cozinhar, limpar casa, roupa, etc. Além disso, para ter essa água será necessário passar provavelmente longos períodos em filas à espera de vez.

 

Isto sucede porque o nível das barragens que abastecem a Cidade do Cabo está a níveis baixíssimos. A maior barragem da região, de Theewaterskloof e que tem capacidade para mais de metade da água contida em barragens na zona, está neste momento a 12,3% da sua capacidade. A partir do momento em que chegue a 10%, poder-se-à considerar como seca, uma vez que é muito difícil extrair a água. Isso significa que a estimativa de 11 de Maio, que é baseada na tendência geral do total das barragens, poderá ser antecipada. Isto porque a partir do momento em que Theewaterskloof chegue aos 10%, a sua capacidade poderá ser corrigida para zero.

 

Quem quiser ver os valores actuais pode vir a esta página para se informar dos valores actuais. Se lerem o relatório diário com o nível de cada barragem, tenham em consideração que as barragens de Steebras Lower e Steenbras Upper são essencialmente reservatórios com capacidade reduzida para onde flui a água que chega dos recursos a montante.

 

Quando vi a barragem de Theewaterskloof fiquei, confesso, chocado. Sabia que iria ver volumes baixos, mas não imaginava o cenário de desolação. Quando preparei o meu relatório da visita coloquei imagens retiradas do Google Street View em 2010 para contrastar com as fotografias que fiz na altura (ambas as fotografias encimam este post). O contraste é brutal, até porque em Março os níveis históricos das barragens da região são mais baixos que em Novembro. Outra coisa que me chocou foram as nuvens de poeira em determinadas áreas, especialmente a forma como eram empurradas pelo vento para povoações nas imediações da barragem.

 

O objectivo da minha visita, além de avaliar a situação, era a de procurar soluções para tratar o efluente da fábrica de forma a produzir água potável que pudesse ser utilizada internamente e fornecida à população da cidade. Aquilo que me voltou a chocar foi o facto de a cidade não fazer o mesmo: o efluente municipal, depois de tratado, estava a ser despejado no mar. A água residual da população era tratada como um recurso não renovável.

 

O que me parece claro é que a situação na região do Cabo Ocidental está a ser essencialmente a de funcionar como o canário na mina de carvão em relação ao impacto das alterações climáticas na disponibilidade de água. Esta é uma situação de seca que será mitigada no futuro, quando as chuvas voltarem, mas tal como na Austrália na "Seca do Milénio", as condições não voltaram a ser as mesmas. O mundo tem que continuar a procurar soluções para mitigar o efeito das alterações climáticas, mas é necessário criar soluções técnicas para os desafios imediatos. A Cidade do Cabo está a começar a acordar para eles. Em Portugal pergunto-me quando isso será feito.

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Fazedor de chuva

por jpt, em 01.11.17

rainmaker.jpg

 

O cardeal de Lisboa, Manuel Clemente, anunciou que quer fazer chuva. Associo-me ao seu benéfico esforço partilhando imagem de um dos seus colegas, sito entre os Kxatla (na África do Sul), aqui rodeado dos seus paroquianos enquanto promovia chuvadas, cerca dos anos 1920s (eu suponho que a fotografia é do grande Isaac Schapera mas não consigo comprovar isso).

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