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De profundis

por José Meireles Graça, em 04.09.19

Sócrates publicou há dias um artigo no Expresso (a que tive acesso por o ver transcrito em vários lugares; não contribuo voluntariamente para o sustento de um órgão oficioso do Poder, independente apenas na exacta medida necessária para gente inocente acreditar que o seja) em que casca vigorosamente no seu antigo número dois. O ex-PM pode dizer o que quiser, e tem aliás todo o tempo do mundo para o fazer: já se percebeu que será julgado pelos seus crimes sim – mais década menos década; e que não é impossível que os seus advogados venham, com razão, invocar a prescrição num tempo em que a opinião pública já mal se lembrará do que é que ao certo ele estava acusado.

Sucede que Sócrates, desta vez, está coberto de razão: lista os triunfos (falaciosos uns e imaginários outros, mas não é esse aqui o ponto) dos seus governos e queixa-se de a direção do PS “se manter apostada em desmerecê-la [a maioria absoluta do PS], juntando-se, assim, ao discurso de todos os outros partidos que têm óbvio interesse político em fazê-lo”.

É realmente o que Costa faz: para dizer que “os portugueses têm má memória das maiorias absolutas, quer as do PSD quer a do PS” seria preciso que em algum momento, durante a carreira ascensional de Sócrates, e mesmo depois de passar para a câmara de Lisboa (onde foi uma nódoa igual à dos antecessores, e do sucessor) e para a Quadratura do  Círculo, tivesse manifestado em algum momento a mais remota dúvida sobre os méritos dos governos PS, as excelsas qualidades do líder do seu partido e as fundas culpas no desastre a que o país foi conduzido em 2011.

Isto é tanto assim que se um canal de televisão se desse ao trabalho de pesquisar encontraria sem dificuldade, sempre que Costa ou o seu alter-ego para assuntos de aldrabices financeiras atroassem os ares com os méritos do equilíbrio orçamental, ou as cativações, ou o respeito pelos credores, declarações em que o próprio defendia precisamente o oposto. E, para isso, nem seria preciso remexer em mais do que a extinta Quadratura: Costa a pôr Sócrates, que Pacheco crucificava (quase sempre por más razões, que Nosso Senhor a Pacheco deu o gosto pela leitura e boa memória, mas discernimento nem por isso) nos cornos da lua, e a gabar até à vigésima quinta hora o descalabro perante as cordatas objurgatórias de Lobo Xavier, os dois persignados de grande respeito pelo “António”, como ainda hoje.

Seria essa obra, a de confrontar Costa hoje com o que consistentemente e anos a fio andou a fazer e defender, um serviço à democracia. Porque, a ser verdade o que dizem as sondagens, o eleitorado homologou uma maioria contranatura que não tinha sido aventada na campanha eleitoral; engoliu a patranha da reversão do brutal aumento de impostos, ao mesmo tempo que a receita fiscal cresceu mais do que o produto; e atribuiu ao governo o aumento das exportações, a diminuição do desemprego e um clima geral de alívio (ilusório decerto, o eleitorado suspeita, mas enquanto o pau vai e vem folgam as costas) como se o turismo tivesse explosivamente crescido por alguma política que o tivesse induzido, como se alguma empresa exportadora pequena ou média tivesse visto o seu quadro fiscal, declarativo e regulamentar, melhorado, e como se a mudança da ortodoxia do BCE (exigente e até insolente nos tempos da troica) para uma orgia de facilitação tivesse tido alguma coisa a ver com a gordurosa e parlapatona bonomia de Costa.

O homem tem sorte, mas a sorte dele é o nosso azar. Porque, à cautela, já vai admitindo que não é impossível uma crise internacional, o tal diabo cuja chegada Passos Coelho previu. E, ao contrário do que diz, não estamos “melhor preparados” nem “temos mais instrumentos para resistir”: em 2015 a dívida pública bruta por cabeça, que era de 22.300 Euros, passa agora alegremente os 23.800. E como o sector privado está exausto, investimento que se veja não há, e se houver será sobretudo público (o que quer dizer elefantes brancos), a banca está ligada à máquina do BCE, o turismo não pode crescer muito mais porque não há muito mais para descobrir ou inventar, e o número de funcionários públicos cresceu em todos os anos do governo PS e são já 700.000, os tais instrumentos consistem na prática na boa-vontade dos nossos “parceiros” europeus.

Não é nada mal vista, a chantagem: convém que nos sustentem porque a União é um sucesso. E vejam lá se mantêm indefinidamente aquela coisa dos juros negativos: se trocar dívida velha por nova dá lucro a máquina do movimento perpétuo, afinal, existe.

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O socratismo e o Guronsan

por jpt, em 28.05.19

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Um administrador das prestigiadas empresas EDP, Jerónimo Martins e Mota e Engil goza os seus consumidores e potenciais contraentes. Mesmo na impunidade do prebendismo socratista é um bocado ... intoxicante. 

Venha de lá um Guronsan, que isto assim até dá ressaca.

gr.jpg

 

 

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De Sócrates ao futuro

por José António Abreu, em 12.10.17

1. Há o processo criminal. Esse fica para a Justiça.

2. Há o conluio entre o Estado e grupos privados, quase inevitável num país em que os políticos fazem questão de garantir que o primeiro é indispensável para tudo. As tímidas tentativas de Passos Coelho (que não do PSD) para mudar a situação estão hoje anuladas. Tal como o próprio Passos.

3. Há a cegueira dos compagnons de route, entretanto de regresso ao poder. Ou - acreditando eu não estarmos perante almas ingénuas - os interesses próprios que os levaram a fechar os olhos a todos os indícios. Os mesmos interesses, de resto, que se sobrepuseram aos do país após as eleições de 2015 e levaram à constituição da Geringonça.

4. Há os tiques intervencionistas e autoritários, que António Costa, Augusto Santos Silva, Carlos César, Eduardo Ferro Rodrigues, João Galamba et al - de Catarina Martins, das manas Mortágua ou de Jerónimo de Sousa outra coisa não seria de esperar - mantêm vivos e nem tentam esconder.

Pouco importa; a acreditar nas sondagens, os portugueses apreciam gente oportunista e autoritária. Têm-na tido - e continuarão a tê-la - em abundância. Considerando os resultados de Narciso Miranda, Valentim Loureiro e Isaltino Morais nas últimas eleições autárquicas (16,2%, 19,9% e 41,7%, respectivamente), e a insignificância comparativa dos desvios em que estiveram ou poderão ter estado envolvidos, arrisco-me a extrapolar que o próprio Sócrates ainda poderá ser eleito Presidente da República. Em 2026, talvez. Ou, no máximo, em 2031.

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Não sei, tenho as minhas suspeitas

por Rui Rocha, em 26.12.15

carlos santos silva.png

Escrevi a cartinha ao Carlos Santos Silva e até agora prendas nada. Népias. Nicles. Chamem-me desconfiado, mas começo a perguntar-me se aquela coisa dos empréstimos do Sócrates não será tudo invenção.

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Procuro

por Rui Rocha, em 17.11.15

Amigo disponível para emprestar-me 25 euros para eu participar no almoço do Sócrates.

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Mordaças

por Rui Rocha, em 30.10.15

Há aqui uma coisa que é especialmente repugnante: um individuozinho que passa a vida a ostentar grande indignação contra a Justiça por uma violação pretensamente abusiva do seu direito à liberdade, decide promover uma providência cautelar com o objectivo de impedir um jornal de realizar o seu direito à liberdade de informar. Isto é, os direitos, liberdades e garantias são objecto para grandes proclamações inflamadas apenas e só em proveito próprio e nunca se o seu exercício por terceiros provocar um qualquer inconveniente.

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socrates.jpg

 José Sócrates, alias Lunátyco Beirão, e outros activistas.

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Sócrates Beirão

por Rui Rocha, em 24.10.15

Pelo que se ouviu hoje em Vila Velha de Ródão, Sócrates deixou de sentir-se o Mandela lusitano e passou a considerar-se como Luaty. É um gesto de humildade, sobretudo se tivermos em conta que Sócrates sofreu muito mais. Então a partir do momento em que recusou ser libertado com pulseira electrónica, nem se fala. De resto, as coincidências entre os dois casos são surpreendentes. Para não ir mais longe, Sócrates tem, ele próprio, uma costela de beirão.

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Sócrates revela-se um serzinho rancoroso

por Rui Rocha, em 17.10.15

Agora vai vingar-se de todas as visitas de Soares que teve de gramar.

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A carta

por Sérgio de Almeida Correia, em 16.09.15

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(Fonte: Público

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Ponto de honra

por José António Abreu, em 13.09.15

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O mistério do Mona Lisa

por Rui Rocha, em 12.09.15

mona lisa.jpg.png

Pois, pois. Mas há uma coisa que nem mesmo o fabuloso trabalho de investigação dos dois er... jornalistas do Observador conseguiu revelar: seja qual for o ângulo de visão da imagem, Paulo Campos está sempre a rir-se de nós. É aquilo a que os especialistas chamam o mistério do Mona Lisa.

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O elo perdido das epístolas socráticas

por Rui Rocha, em 20.08.15

Com tanta carta, artigo, entrevista escrita e depoimento, já houve mais do que oportunidade para informar quanto é que o amigão emprestou. Seiscentos mil? Um milhão? Dez milhões? Vinte? É mesmo uma pena, para não dizer que tem um óbvio significado sobre a consistência da linha de defesa que adoptou, que no intervalo dos protestos de inocência, dos ataques à investigação e da prosápia sobre a intenção política do processo, Sócrates ainda não tenha encontrado duas linhas para esclarecer isto. 

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socraticos.jpg

 

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Depois vai tudo de férias

por Rui Rocha, em 20.07.15

Com o esfriar do assunto Grécia e o mercado de transferências da bola em velocidade de cruzeiro, digo que está a por-se uma semana muito jeitosa para termos uma carta ou uma entrevista do Sócrates.

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Não é bem assim, menina nandinha

por Rui Rocha, em 28.06.15

CANCIO.jpgPor exemplos, os que já há uns tempos tinham perdido a confiança no sistema bancário não vão precisar de levantar nada.

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Uma coisa é certa

por Rui Rocha, em 07.06.15

Eu, se tivesse que aturar a Fava, também preferia continuar na prisão.

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A mulher de Sócrates

por Rui Rocha, em 13.05.15

Não é surpresa para ninguém. A mulher de Sócrates sempre foi conhecida pela sua natureza verborreica, irascível, desabrida e despeitada. Conta-se que, em determinada ocasião, o casal terá mantido mais uma violenta discussão.  Sócrates, cansado, terá decidido sentar-se nos degraus exteriores da casa que partilhavam. Logo de seguida, a sua consorte, que ainda não desabafara tudo, despejou-lhe em cima uma bacia de água suja perante o espanto da vizinhança e dos transeuntes. Perante tal ofensa, Sócrates manteve, todavia, uma calma surpreendente e terá comentado: depois de tanta trovoada, é natural que chova. Convém aqui esclarecer, não vá provocar-se algum mal-entendido, que este episódio conjugal diz respeito ao casal constituído por Sócrates e Xantipa e ocorreu na Grécia há milhares de anos. Que a ex-mulher de outro Sócrates revele por estes dias idêntico mau feitio só prova que Marx estava certo: a história repete-se como farsa. E o acto de contrição desta Xantipa lusitana só vem reforçar a linha de fina ironia de toda a situação. Ela penitencia-se. Ele mantém-se penitenciário.

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Seguir-se-á o Rabo de Palha?

por Rui Rocha, em 01.05.15

Depois do Perna, o Mão de Ferro.

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