Lápis L-Azuli

Hoje lemos Emilio Salgari : "Os Tigres de Mompracem"
Passagem a L' Azular: "Este homem, mais conhecido por Tigre da Malásia, que ensanguentava as costas do Mar Malaio há dez anos, tinha talvez trinta e dois ou trinta e quatro anos.
Era alto, bem constituído, com músculos tão fortes como se fossem feitos de aço, com feições enérgicas, uma alma imune a qualquer medo, ágil como um macaco, feroz como o tigre da selva malaia, generoso e corajoso como o leão dos desertos africanos.
Tinha um rosto ligeiramente bronzeado, de uma beleza incomparável, tornado sombrio por uma barba negra, com uma testa larga, emoldurada por cabelos crespos e fuliginosos que lhe caíam em pitoresca desordem sobre os seus ombros robustos. Dois olhos de brilho incomparável, que magnetizavam, atraíam, que ora se tornavam melancólicos como os de uma menina, ora faiscavam e disparavam como chamas. Dois lábios finos, característicos de homens enérgicos, dos quais, em momentos de batalha, saía uma voz estridente e metálica que se elevava acima do rugido dos canhões e que por vezes se curvava num sorriso melancólico, que gradualmente se transformou num sorriso trocista até se assemelhar ao sorriso do Tigre da Malásia, como se estivesse a saborear sangue humano.
De onde viera aquele homem terrível que, à frente de duas centenas de crias de tigre, não menos intrépidas do que ele, conseguira em tão pouco tempo ganhar uma reputação tão desastrosa? Ninguém saberia dizer. Nem mesmo os seus próprios homens fiéis o sabiam, pois não sabiam quem ele era."
Com o advento de muitos remakes de antigos exitos do cinema e televisão, chega a vez de um ícone de uma geração, que juntava famílias inteiras à volta da luminosa caixa mágica, aguardando ansiosamente mais um episódio d' As Aventuras de Sandokan. O Tigre da Malásia não era apenas um justiceiro que lutava contra os malvados, ingleses e holandeses, invasores e dominadores que pilhavam e escravizavam populações inteiras, ele era um Zorro, um Robin Hood da Malásia, um pirata e um homem muito bonito. Assim o diz o autor, e assim o vimos e sonhámos na nossa mocidade.
Dizem que o actor escolhido para encarnar o personagem que habita o nosso imaginário com a figura de Kabir Bedi não será malaio, tampouco indiano como o seu antecessor. Ao que parece, no casting o turco Can Yaman deu cartas, ou não tivessem os turcos, já há algum tempo, invadido os canais de TV de muitos países.
Mas não podemos esquecer o lugar-tenente do valoroso pirata, que era português. Para o papel de Yanez de Gomera... também não escolheram um actor português. Que novidade...
Será que se pode dizer que estas injustiças são roubo de identidade cultural?


















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