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Banho de ética - enésimo episódio

por Diogo Noivo, em 17.01.19

Carlos Eduardo Reis anunciou hoje ao país que votará favoravelmente a moção de confiança que Rui Rio apresentará ao Conselho Nacional do PSD. Reis lidera a segunda lista mais representada no referido Conselho, composta por 13 pessoas. É um apoio de grande importância para Rio. Pode mesmo ser decisivo.

Além de escrever artigos pouco ponderados e quase ininteligíveis, Reis é um dos principais suspeitos na Operação Tutti Frutti, a investigação policial que, entre outras coisas, contempla uma alegada rede de favorecimento das empresas de Reis por parte de autarquias lideradas pelo PSD.

Carlos Eduardo Reis é, evidentemente, inocente até prova em contrário. Não pode nem deve ser de outra forma. Acontece, porém, que estamos a falar de política e da ambição de gerir a coisa pública. Como explicou de forma exemplar Miguel Macedo em 2014, o exercício de cargos públicos – e a intenção de os ocupar, acrescento eu – requer autoridade e exige respeito pelas instituições. Reis não o deve compreender, mas Rio está obrigado a isso. O banho de ética, até ao momento adiado, pode aproveitar este Conselho Nacional para dar sinais de vida.

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Da inutilidade dos esforços

por Pedro Correia, em 15.01.19

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Foto Filipe Amorim / Global Imagens

 

Um dos pormenores mais relevantes que tornam Os Maias uma perene obra-prima da literatura portuguesa é o seu final em aberto, rompendo os cânones da época. Nunca saberemos se os dois amigos, Carlos da Maia e João da Ega, conseguirão apanhar aquele veículo de tracção animal mesmo correndo desenfreadamente, rampa de Santos abaixo, momentos após terem concluído da inutilidade de todos os esforços.

Imagino os protagonistas do romance novecentista, transportados para a política portuguesa do século XXI, proclamando como Carlos: «Não vale a pena fazer um esforço, correr para coisa alguma.» E mesmo assim correndo, como se o dedo do destino lhes tivesse lançado uma praga digna de Sísifo. António Costa acelerando o passo, numa tentativa inglória de demonstrar ao País a competência do ministro da Educação que alguém lhe recomendou em momento nada inspirado. Assunção Cristas em desesperada corrida contra as sondagens que teimam em congelar as perspectivas eleitorais do seu partido. Catarina Martins, afogueada na rota descendente, procurando incutir aos militantes do Bloco a ilusória garantia de que o chamado “caso Robles” lhe manteve intactas as expectativas de voto. Jerónimo de Sousa ainda capaz de enumerar os méritos da sua rendição ao PS perante os militantes que viram os socialistas, à boleia da “geringonça”, arrombar praças-fortes vermelhas como Almada, Barreiro e Beja.

Mas talvez a figura mais romanesca, do actual elenco de dirigentes políticos portugueses, seja o presidente do PSD – capaz de tiradas dignas de suscitar inveja a um Eça de Queiroz. Como a que proferiu em recente reunião do Conselho Nacional do seu partido, ainda o maior da oposição. Para empolgar e motivar os companheiros? Não, para lhes transmitir uma confissão antecipada de derrota: «Podemos perder à primeira, à segunda, à terceira, à quarta, à quinta… Mas virá o dia em que perceberão a diferença.»

É fácil imaginá-lo à desfilada, ladeira abaixo, procurando apanhar a tempo o “americano” sem macular um vinco do paletó, mão agarrada à aba da cartola. O político ideal, nesta óptica, é aquele que melhor sabe assimilar uma consistente soma de derrotas. Elas anunciam-se para o PSD em 2019: nas europeias, nas legislativas, até nas regionais da Madeira. Vale a pena prosseguir? Rio da Ega dir-vos-á sempre que sim, lançando o passo, largamente, rumo àquilo a que os filósofos da bola costumam chamar vitória moral: a do perdedor que não desiste.

Já não estamos apenas nos domínios de Eça: entrámos também no imaginário de Samuel Beckett, notória fonte inspiradora do líder laranja. É um ensinamento dele que parece dar-lhe a táctica: «O importante é tentar outra vez, falhar outra vez, falhar cada vez melhor.»

 

Publicado originalmente no jornal Dia 15

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Temos homem

por Pedro Correia, em 12.01.19

 

Após um ano sem fazer uma crítica a António Costa, Rui Rio emerge enfim como líder da oposição. Encabeçando a oposição à sua oposição interna.

Temos homem.

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A oposição

por Pedro Correia, em 07.12.18

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Reparem em quem causou maior mossa a António Costa no último mês. Terá sido alguém da oposição? Nem por sombras. Foi o líder parlamentar do PS ao promover um levantamento de rancho da sua bancada contra a ministra da Cultura, incondicional de Costa e protegida do primeiro-ministro. Carlos César não hesitou em partir praticamente ao meio o grupo parlamentar socialista para encostar às cordas a ministra a propósito da pseudo-superioridade civilizacional dos cidadãos urbanos que detestam touradas, forçando o Executivo a baixar para a taxa mínima do IVA os ingressos em espectáculos tauromáquicos.

Isto, repito, foi a maior contrariedade sofrida pelo chefe do Governo neste último mês, marcado pela discussão parlamentar do Orçamento para 2019. A oposição, encabeçada por Rui Rio, foi dócil e branda: aliás passou o tempo a lamber as feridas, pois afogou-se em trapalhadas devido ao escândalo dos deputados que marcaram presença nas sessões parlamentares mesmo quando estavam a centenas ou milhares de quilómetros de distância, só para empocharem a espórtula diária que a lei lhes confere.

Está nisto, a oposição: totalmente inane. Já repararam no sorriso de Costa, cada vez mais rasgado?

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Estão à espera de quê?

por Pedro Correia, em 20.11.18

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Vejo a mais recente sondagem publicada no Expresso, elaborada pela empresa Eurosondagem: a onze meses da próxima eleição legislativa, o PS sobe para 41,8% e o PSD cai para 26,8% nas intenções de voto. Quinze pontos percentuais separam agora os dois partidos.

Reparo na mais recente sondagem elaborada pela Aximage para as publicações do grupo Cofina, designadamente o Jornal de Negócios: o PS fica-se pelos 37,8% (mesmo assim, com mais 5,5 pontos percentuais do que os obtidos na eleição de 2011) enquanto o PSD se mostra incapaz de descolar dos 26%. Situando-se praticamente a doze pontos dos socialistas.

No PSD, já todos perceberam que se anuncia uma estrondosa derrota eleitoral em Outubro de 2019 - aliás duas, pois a eleição legislativa será antecedida do escrutínio para o Parlamento Europeu, previsto para Maio. Chegou, portanto, o momento de perguntar se não haverá ninguém neste partido capaz de se chegar à frente, rompendo mansidões e calculismos, e proclamar o óbvio: Rui Rio não faz parte da solução, faz parte do problema.

Estão à espera de quê?

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17 de Outubro de 2017

Rui Rio em campanha para a presidência do PSD: «A política precisa de um banho de ética.»

 

13 de Janeiro de 2018

Rui Rio eleito líder do PSD.

 

25 de Janeiro

Salvador Malheiro, director de campanha de Rui Rio, alvo de uma investigação do Ministério Público por suspeitas de favorecimento a uma empresa do líder da concelhia do PSD de Ovar, seu vereador na câmara municipal a que preside.

 

19 de Fevereiro

Elina Fraga, vice-presidente de Rio, investigada por supostas irregularidades na contratação de serviços jurídicos quando era bastonária da Ordem dos Advogados.

 

18 de Março

Feliciano Barreiras Duarte, primeiro secretário-geral escolhido por Rio, demite-se após várias polémicas relativas às sua carreira académica e a ajudas de custo que terá recebido como deputado.

 

3 de Novembro

É noticiado que José Silvano, segundo secretário-geral escolhido por Rio, recebeu senhas de presença (no valor de quase 70 euros cada) por alegada participação em reuniões parlamentares a que não compareceu, a 18 e 20 de Outubro.

 

7 de Novembro

Silvano assina presença numa reunião parlamentar da Comissão de Transparência a que não chegou a assistir, sem ter apresentado qualquer justificação.

 

8 de Novembro

Questionado pelos jornalistas sobre Silvano, Rui Rio responde em alemão: «Ich weiss nicht, was sie sagen.»

 

9 de Novembro

Deputada Emília Cerqueira assume ter «inadvertidamente» registado as presenças de Silvano ao aceder ao computador registado em nome dele na Assembleia da República.

 

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Jornalismo de referência: o estado da arte

por Teresa Ribeiro, em 19.10.18

Expresso. Edição em papel de 13 de outubro. O título "A reforma que Rio quer fazer em Segredo", desperta-me a curiosidade. Começo a ler. O texto do artigo revela que o PSD entregou aos partidos com assento na AR uma proposta para um pacto de reforma da Justiça. No segundo parágrafo afirma-se que esta iniciativa de Rui Rio "foi considerada estranha por diversos responsáveis  dos partidos" abordados pelo Expresso, "sob condição de anonimato". O jornalista que assina a peça escreve a seguir que "ninguém quis fazer a desfeita de recusar à partida a iniciativa, mas tudo é considerado "insólito", entre outras razões por "partir do pressuposto de que os partidos devessem chegar a acordo sobre a reforma da Justiça".

 

Enquanto leio vem-me à lembrança a quantidade de vezes que ouvi figuras de vários quadrantes políticos defenderem pactos de regime que viabilizassem as reformas estruturais de que o país carece em áreas sensíveis, uma delas a da justiça. Por isso não percebi o que pode ter de insólito uma iniciativa deste tipo. Continuo a ler, já com a percepção clara de que ao texto pretensamente jornalístico subjaz a opinião de quem o assina.

Segue-se um subtítulo que é, em si mesmo, uma opinião: "ideias concretas e princípios vagos". E o jornalista prossegue exprimindo de facto a sua opinião sobre o documento que diz que consultou: "Mistura ideias concretas, algumas originais, com princípios vagos e propostas de temas a debater em que o PSD não revela a sua posição". Diz isto a primeira vez, no final do terceiro parágrafo; a segunda vez , no quinto parágrafo ("a par de ideias concretas também as há bastante vagas - enunciação de princípios ou objectivos sem explicação de como fazê-lo"). Chegada a este ponto pergunto-me: Mas numa proposta para debate de vários itens não basta enunciá-los, ou é preciso detalhar opiniões prévias?

Continuo a ler. No sétimo parágrafo o jornalista repete a crítica: "Há outras questões que o documento do PSD levanta, mas sem definir uma posição". No oitavo parágrafo, lê-se: "...Parece ser uma ideia que o PSD apadrinha, mas não fica claro no documento". Seis linhas depois, o jornalista volta a afirmar que o documento do PSD "não explica". Cinco linhas depois, insiste: "O documento não avança com qualquer análise". E vão seis!

Nessa mesma página, num segundo texto sobre o assunto, assinado pelo mesmo jornalista sublinha-se a mesma ideia: "... Que medidas em concreto? Que tipo de ponderação? O documento não esclarece" (3º parágrafo). No parágrafo seguinte escreve-se: "...o assunto é despachado em pouco mais de cinco linhas, sem qualquer proposta concreta". E no que se segue: "...mais uma vez sem mais pormenor sobre propostas concretas". 

Na secção Gente nesta mesma edição do jornal, das quatro alfinetadas que constam neste espaço, três são para Rui Rio. Finalmente uma nota no editorial faz-me saber que o líder do PSD enviou um email para militantes do partido a acusar o Expresso de publicar mentiras e bla, bla, bla. Fiquei esclarecida. Trata-se mesmo de jornalismo de trincheira. Mas eu que - juro - não sou apoiante de Rio e já agora nem dos passistas, nem dos centristas que também querem fritar o Rio, para ter acesso por 3.80€ a uma resenha das notícias da semana tenho que levar com isto?

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Rio sem regresso.

por Luís Menezes Leitão, em 13.09.18

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Apoiei Rui Rio nas últimas eleições internas do PSD porque a alternativa era Santana Lopes e deste já se conheciam os resultados que teve quando foi líder do PSD, entregando a maioria absoluta a Sócrates. Mas o que aqui se refere demonstra que Rio está a colocar o PSD num estado comatoso. Agora, depois de toda a gente ter arrasado a taxa Robles, vai o PSD propô-la em absoluto delírio político. Rio está tão obcecado em ter votos à esquerda, que não percebe que está a alienar todo o eleitorado natural do PSD.
 
Esta estratégia de Rui Rio já foi tentada uma vez por Freitas do Amaral que quis deslocar o CDS para a esquerda, com a sua tese da equidistância entre o PS e o PSD. O resultado foi desastroso em termos eleitorais, uma vez que, se Freitas do Amaral tinha deixado de gostar do seu eleitorado tradicional, este também deixava de gostar dele. Quanto à esquerda, embora tivesse achado que Freitas do Amaral era uma agradável surpresa, obviamente nunca votou nele. E assim se afundou o CDS, o que não impediu Freitas do Amaral de passar a apoiar o PS, indo depois para ministro de Sócrates.
 
Rui Rio aparece agora a abraçar as propostas do Bloco de Esquerda, contra o que o PSD sempre pensou sobre este assunto, e em vez de combater a geringonça, prefere atacar os seus críticos internos. Com este tipo de estratégia, Rui Rio pode aspirar a ser ministro da geringonça, ou até líder do Bloco, procurando melhorar as propostas absurdas que este faz. Mas para líder do PSD não parece manifestamente talhado. Quando um líder de um partido não se revê nos militantes do seu partido, há um manifesto equívoco que é preciso resolver. Ou o líder muda de partido ou o partido muda de líder. E isto tem que ser resolvido rapidamente, sob pena de entrarmos num rio sem regresso.

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Porreiro, pá

por Pedro Correia, em 09.09.18

Rui Rio foi hoje à "Universidade de Verão" do PSD. Num discurso em que preferiu virar baterias contra o Ministério Público, logo contra a Procuradora-Geral da República. E que mais? Desancar nos jornalistas. Arrasar os comentadores. Disparar contra os críticos internos. Alertar o Banco de Portugal contra o endividamento das famílias. 

Ao fim de meia hora desta alocução que teve 53 minutos, esquecera-se de fazer uma só crítica ao Governo. Lá corrigiu o tiro, com duas ou três farpas, mas poupando sempre o amigo António Costa, não fosse ele melindrar-se. Porreiro, pá - como dizia o outro.

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O idílio entre Rio e Costa

por Pedro Correia, em 14.08.18

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Monchique ardeu. A maior mancha vegetal do Algarve - com as actividades económicas que lhe estavam associadas, da criação do porco preto à apicultura, passando pelo cultivo do medronho - ficou em larga escala reduzida a cinzas durante oito dias dramáticos: foi até agora o maior incêndio florestal do ano em toda a Europa.

O Governo voltou a revelar a inabilidade que o caracteriza nestes assuntos. No início de Junho, o primeiro-ministro escolhera precisamente a Serra de Monchique para garantir ao País que todos os meios operacionais estavam a postos para salvaguardar novos desastres ambientais, gabando o «trabalho extraordinário» que ali estaria a ser feito.

No final de Junho, falando cedo de mais na sequência da mais fresca Primavera registada em Portugal neste século, o ministro da Administração Interna não resistiu a proclamar que havia menos 71% de área ardida este ano - «graças a Deus, à meteorologia, a Protecção Civil, às câmaras e às entidades de segurança», não necessariamente por esta ordem.

Já com Monchique calcinada, o chefe do Governo voltou a pronunciar-se em termos inaceitáveis, utilizando a palavra  «sucesso», que nem o mais desbragado propagandista de turno à geringonça teve a ousadia de aplicar perante as dolorosas imagens que nos iam chegando nesses dias.

Sabe-se hoje que no preciso local onde começou o incêndio de Monchique não havia plano de intervenção florestal: este projecto estruturante aguardava luz verde por questões burocráticas. O que tornou tudo ainda mais chocante.

 

Matéria mais que suficiente para a intervenção do maior partido da oposição? Claro que sim. Mas onde andou Rui Rio? Ninguém sabe.

O presidente do PSD não se dignou comparecer no Algarve envelhecido, pobre e esquecido, no Algarve do interior rural e serrano de que Monchique é por estes dias um pungente símbolo.

Nem uma palavra de conforto, nem um gesto de solidariedade e amparo às populações flageladas pelo fogo: não lhe ouvimos o mais vago sussurro. Nem um leve reparo nem sequer um tímido franzir de sobrolho perante a desastrada actuação do Executivo, reincidente na insensibilidade perante as desprotegidas populações do interior.

É uma estranha forma de "liderar" a oposição, enquanto o primeiro-ministro - certamente não por acaso - escolhe esta mesma ocasião para demonstrar uma calorosa palavra de apreço ao PSD.

O idílio entre Rio e Costa está no ar. A tal ponto que apetece perguntar se existe neste momento oposição ao Governo em Portugal.

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Por este Rio abaixo

por Pedro Correia, em 04.08.18

 

Santana Lopes sai do PSD e prepara-se para formar um novo partido liberal.

 

Pedro Duarte pede saída imediata de Rui Rio e diz-se preparado para liderar PSD.

 

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Uma oportunidade perdida?

por Luís Menezes Leitão, em 26.07.18

Esta é uma excelente análise, sendo manifesto que as coisas não estão a correr bem a Rui Rio. Só que a política é uma realidade dinâmica e as coisas podem mudar a qualquer momento. Durão Barroso teve um início complicado como líder da oposição e Guterres vaticinou que não havia uma segunda oportunidade para criar uma primeira impressão. Mas bastou a Durão Barroso ganhar as autárquicas para Guterres sair com estrondo. Se as tivesse perdido teria de ser Durão Barroso a sair de líder do PSD. O futuro político de Rui Rio não se joga agora mas em 2019. Que se desenganem aqueles que já andam por aí a vender a pele do urso.

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Frases de 2018 (31)

por Pedro Correia, em 12.07.18

«Fazer oposição não é só dizer mal do Governo.»

Rui Rio, esta tarde

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O novo PSD.

por Luís Menezes Leitão, em 19.06.18

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Este novo PSD "colaborante" e "acutilante", que apresenta propostas que servem o país, mesmo no caso de perder as eleições, pode ser muito simpático, mas está condenado à derrota. Rio não segue Passos Coelho, mas imita-o na atitude do "que se lixem as eleições". Não deu bom resultado na altura e não vai dar agora.

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Quem deu a táctica ao PSD

por Pedro Correia, em 30.05.18

«Como cidadão, sem responsabilidades políticas, o que posso fazer para manifestar a minha discordância é fazer uso do meu direito ao voto contra aquelas que votarem a favor da eutanásia. Nas eleições legislativas de 2019 não votar nos partidos que apoiarem a legalização da eutanásia e procurar explicar àqueles que me são próximos para fazer a mesma coisa.»

Cavaco Silva, à Rádio Renascença (25 de Maio)

 

«Não é difícil concluir que nem a eutanásia se pode confundir com o suicídio assistido, nem a elevação deste à categoria de instrumento legal, admitido socialmente para lidar com a dor, em qualquer dos seus superlativos, pudesse ser tomado como “natural” e razoável. Vai uma distância grande entre constatar a existência do suicídio como resultado de uma escolha sempre problemática, e que nos choca, e a sua celebração legal como forma razoável de lidar com as situações difíceis da vida.»

Pedro Passos Coelho, ao Observador (26 de Maio)

 

«O não faz sentido nenhum, neste momento, aprovar mais uma medida legislativa das chamadas questões fracturantes, depois de várias outras que a Assembleia da República já decidiu nesta legislatura e com esta maioria parlamentar, sem que os eleitores tivessem sido avisados para o efeito. Não tem nexo que seja o PSD, por causa da liberdade de voto, a viabilizar o cumprimento de mais um ponto do acordo entre o PS e o Bloco de Esquerda.»

Pedro Santana Lopes, ao Expresso (26 de Maio)

 

«Lamento um pouco notar que, relativamente aos movimentos e às pessoas que defendem o não, há um excesso na pressão sobre os do sim.»

Rui Rio, aos jornalistas, citado pela Lusa (25 de Maio)

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Voto secreto e consciência livre

por Pedro Correia, em 28.05.18

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Não sei quem faz assessoria de comunicação a Rui Rio, mas não está a resultar. Alguém lhe soprou ao ouvido que é necessário "aparecer", para dizer não importa o quê. É um péssimo conselho.

Há uns dias, o líder do PSD insurgiu-se contra o facto de o policiamento dos estádios ser pago com "os impostos dos portugueses". Estava mal informado pelo tais que lhe sopram ao ouvido. Esse policiamento é assegurado pela Federação Portuguesa de Futebol, entidade autónoma do Estado, financiada em larguíssima medida pela UEFA.

Hoje voltou a errar o alvo. Mas com maior gravidade. Ao defender o "voto secreto" no hemiciclo na apreciação dos quatro diplomas sobre a legalização da eutanásia que amanhã estarão em debate no Parlamento. Para Rui Rio, os deputados devem "agir em função da sua consciência" e, para o efeito, terão de sentir-se "completamente livres" neste processo de decisão - algo que, no seu entender, apenas o voto secreto assegura.

Extraordinário raciocínio, nada lisonjeiro para os 89 parlamentares do PSD. Rio, que não tem assento na Assembleia da República, entende que um deputado só se sente "completamente livre" quando decide por voto secreto, sem se submeter ao escrutínio da opinião pública em geral e dos seus eleitores em particular, passando incólume pelos pingos da chuva.

Eis uma amostra do tal "banho de ética" que o sucessor de Passos Coelho prometeu trazer à política portuguesa. Banho, sim. Mas apenas no sentido de meter água.

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Rio deixa marca na testa do PSD

por Pedro Correia, em 12.05.18

António Costa e Rui Rio

 

Rui Rio, suposto "líder da oposição", continua a tratar o Governo liderado pelo seu amigo António Costa com a delicadeza de um nenúfar. Acentuando, de caminho, o estendal de trapalhadas em que vem enredando o partido desde que iniciou o trajecto regular Porto-Lisboa, vai para três meses.

 

A mais recente surgiu agora, quando desautorizou Ricardo Baptista Leite, coordenador da bancada social-democrata para as questões da saúde. O deputado visou numa intervenção muito crítica o ministro Adalberto Campos Fernandes, culminando no pedido de demissão do titular da pasta da Saúde. Motivo: este responsável - confrontado com uma onda de greves no sector e o escândalo da ala de oncologia pediátrica do hospital de São João - transformou o Serviço Nacional de Saúde no "Serviço Nacional da Doença" .

O ministro não gostou, claro. Embora já deva estar habituado a isto, na medida em que a sua demissão tem vindo a ser sugerida por vários profissionais da saúde. E logo Rio saiu em defesa de Campos Fernandes, lembrando que compete ao chefe do Governo ponderar sobre o destino dos ministros. "Não é o meu estilo", acrescentou, demarcando-se da intervenção do seu deputado.

 

Especializando-se na oposição à oposição, o sucessor de Passos Coelho na presidência do PSD vai deixando assim uma marca inconfundível na testa do partido a que aspírava liderar há pelo menos uma década. Eis o resultado: na semana em que o PS, desgastado pelos casos Sócrates e Pinho, cai na sondagem do Expressoo PSD cai na mesma proporção em vez de subir.

Até nisto Costa e Rio andam irmanados. Unidos na doença e na saúde: só a sorte pode separá-los.

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Fazem oposição... a si próprios

por Pedro Correia, em 19.04.18

Fernando Negrão e Rui Rio com posições divergentes sobre o anunciado fim aos cortes salariais de 5% nos gabinetes dos políticos.

O presidente do PSD concorda, o líder parlamentar do PSD discorda. Com tanto "pacto" com o Governo, devem andar sem tempo para conversar.

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Um sorridente acto de vassalagem

por Pedro Correia, em 19.04.18

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 Foto: João Porfírio/Observador

 

«Para mim, pessoalmente, no dia em que faz dois meses em que tomei posse como presidente do PSD, posso fazer um balanço positivo por, ao fim de 60 dias, ter já estes dois acordos assinados com o Governo.»

Palavras de um sorridente Rui Rio, parecendo viver ontem o mais feliz dia do seu curto mandato como "líder da oposição", que tem passado a cortejar António Costa e a prestar bons serviços ao Governo.

 

Nesta quarta-feira prestou mais três: ao assinar dois "pactos de regime", sobre descentralização e gestão dos fundos europeus, com o primeiro-ministro na residência oficial de São Bento e ao ter aceitado agendar este acto de vassalagem a meio da semana previamente designada pelo seu partido para fazer o diagnóstico do sector da saúde em Portugal e no próprio dia em que a bancada social-democrata no Parlamento interpelava o Governo sobre o mesmo tema, que tanto preocupa os portugueses.

Como seria de supor, estas iniciativas foram totalmente ofuscadas pela operação de marketing conduzida por Costa, com a risonha anuência daquele que só por ironia ainda pode ser chamado "líder da oposição".

 

Em política, os símbolos contam muito. O facto de os acordos subscritos por Rio terem sido celebrados na sede do Governo e não no Parlamento, certamente por amável indicação do primeiro-ministro, demonstra bem quem dita as regras. Entretanto, durante a inútil abordagem às questões da saúde na sala das sessões da Assembleia da República, o líder parlamentar social-democrata geria mal o tempo da sua intervenção e mendigava "trinta segundos" suplementares à própria bancada do Governo.

Em suma: um dia memorável para Costa. Já com a esquerda extrema no bolso, demorou apenas dois meses a dobrar o "novo" PSD e vê a oposição circunscrita ao CDS. Governa, na prática, com a mais alargada maioria de sempre na democracia portuguesa.

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De mãos dadas, cantando e rindo

por Pedro Correia, em 12.04.18

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«Um partido da oposição e um líder da oposição está disponível para colocar em primeiro lugar o interesse de Portugal e só depois colocar o interesse partidário. E colocar o interesse de Portugal à frente é estar disponível para fazer com os outros aquilo que só com os outros consegue ser feito.»

Frase de António Costa, num remoque à cada vez mais cordata oposição ao Executivo socialista? Não. A declaração é do próprio "líder da oposição", o social-democrata Rui Rio. Que a cada intervenção que faz procura mostrar ao primeiro-ministro que é muito mais bem comportado do que os parceiros da geringonça parlamentar. Como bem demonstrou na sua recente deslocação a Bruxelas: "Temos de estar unidos ao próprio Governo português."

 

Perante este caso digno de um país do terceiro mundo que dominou o dia mediático de ontem, e levou o ministro das Finanças a sacudir a água do capote como um recém-chegado e não estivesse há dois anos e meio em funções, o que disse o presidente do PSD? Nem uma palavrinha sobre os estrangulamentos no sector da saúde que pudesse perturbar o sossego governamental: limitou-se a mandar dizer que na próxima semana irá "visitar hospitais".

Entretanto, reafirmava pela enésima vez a sua disponibilidade para celebrar "acordos de regime" em áreas tão diversas como o sistema político, o sistema judicial, a segurança social, o desenvolvimento do interior, as políticas de natalidade e a educação.

Quase tudo. E a lista não é exaustiva, como os tempos mais próximos demonstrarão.

 

Admiro este espírito visionário de Rio. E a todo o momento espero dele um passo ainda mais à frente. Lançando a mais ousada de todas as propostas: a fusão definitiva entre governo e oposição que permitirá enfim a celebração sem mácula nem dissidência de mil pactos de regime.

Uma verdadeira união nacional. Todos irmanados em roda, de mãos dadas, cantando e rindo. A bem da nação.

 

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