Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



 

17 de Outubro de 2017

Rui Rio em campanha para a presidência do PSD: «A política precisa de um banho de ética.»

 

13 de Janeiro de 2018

Rui Rio eleito líder do PSD.

 

25 de Janeiro

Salvador Malheiro, director de campanha de Rui Rio, alvo de uma investigação do Ministério Público por suspeitas de favorecimento a uma empresa do líder da concelhia do PSD de Ovar, seu vereador na câmara municipal a que preside.

 

19 de Fevereiro

Elina Fraga, vice-presidente de Rio, investigada por supostas irregularidades na contratação de serviços jurídicos quando era bastonária da Ordem dos Advogados.

 

18 de Março

Feliciano Barreiras Duarte, primeiro secretário-geral escolhido por Rio, demite-se após várias polémicas relativas às sua carreira académica e a ajudas de custo que terá recebido como deputado.

 

3 de Novembro

É noticiado que José Silvano, segundo secretário-geral escolhido por Rio, recebeu senhas de presença (no valor de quase 70 euros cada) por alegada participação em reuniões parlamentares a que não compareceu, a 18 e 20 de Outubro.

 

7 de Novembro

Silvano assina presença numa reunião parlamentar da Comissão de Transparência a que não chegou a assistir, sem ter apresentado qualquer justificação.

 

8 de Novembro

Questionado pelos jornalistas sobre Silvano, Rui Rio responde em alemão: «Ich weiss nicht, was sie sagen.»

 

9 de Novembro

Deputada Emília Cerqueira assume ter «inadvertidamente» registado as presenças de Silvano ao aceder ao computador registado em nome dele na Assembleia da República.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Jornalismo de referência: o estado da arte

por Teresa Ribeiro, em 19.10.18

Expresso. Edição em papel de 13 de outubro. O título "A reforma que Rio quer fazer em Segredo", desperta-me a curiosidade. Começo a ler. O texto do artigo revela que o PSD entregou aos partidos com assento na AR uma proposta para um pacto de reforma da Justiça. No segundo parágrafo afirma-se que esta iniciativa de Rui Rio "foi considerada estranha por diversos responsáveis  dos partidos" abordados pelo Expresso, "sob condição de anonimato". O jornalista que assina a peça escreve a seguir que "ninguém quis fazer a desfeita de recusar à partida a iniciativa, mas tudo é considerado "insólito", entre outras razões por "partir do pressuposto de que os partidos devessem chegar a acordo sobre a reforma da Justiça".

 

Enquanto leio vem-me à lembrança a quantidade de vezes que ouvi figuras de vários quadrantes políticos defenderem pactos de regime que viabilizassem as reformas estruturais de que o país carece em áreas sensíveis, uma delas a da justiça. Por isso não percebi o que pode ter de insólito uma iniciativa deste tipo. Continuo a ler, já com a percepção clara de que ao texto pretensamente jornalístico subjaz a opinião de quem o assina.

Segue-se um subtítulo que é, em si mesmo, uma opinião: "ideias concretas e princípios vagos". E o jornalista prossegue exprimindo de facto a sua opinião sobre o documento que diz que consultou: "Mistura ideias concretas, algumas originais, com princípios vagos e propostas de temas a debater em que o PSD não revela a sua posição". Diz isto a primeira vez, no final do terceiro parágrafo; a segunda vez , no quinto parágrafo ("a par de ideias concretas também as há bastante vagas - enunciação de princípios ou objectivos sem explicação de como fazê-lo"). Chegada a este ponto pergunto-me: Mas numa proposta para debate de vários itens não basta enunciá-los, ou é preciso detalhar opiniões prévias?

Continuo a ler. No sétimo parágrafo o jornalista repete a crítica: "Há outras questões que o documento do PSD levanta, mas sem definir uma posição". No oitavo parágrafo, lê-se: "...Parece ser uma ideia que o PSD apadrinha, mas não fica claro no documento". Seis linhas depois, o jornalista volta a afirmar que o documento do PSD "não explica". Cinco linhas depois, insiste: "O documento não avança com qualquer análise". E vão seis!

Nessa mesma página, num segundo texto sobre o assunto, assinado pelo mesmo jornalista sublinha-se a mesma ideia: "... Que medidas em concreto? Que tipo de ponderação? O documento não esclarece" (3º parágrafo). No parágrafo seguinte escreve-se: "...o assunto é despachado em pouco mais de cinco linhas, sem qualquer proposta concreta". E no que se segue: "...mais uma vez sem mais pormenor sobre propostas concretas". 

Na secção Gente nesta mesma edição do jornal, das quatro alfinetadas que constam neste espaço, três são para Rui Rio. Finalmente uma nota no editorial faz-me saber que o líder do PSD enviou um email para militantes do partido a acusar o Expresso de publicar mentiras e bla, bla, bla. Fiquei esclarecida. Trata-se mesmo de jornalismo de trincheira. Mas eu que - juro - não sou apoiante de Rio e já agora nem dos passistas, nem dos centristas que também querem fritar o Rio, para ter acesso por 3.80€ a uma resenha das notícias da semana tenho que levar com isto?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Rio sem regresso.

por Luís Menezes Leitão, em 13.09.18

2646.jpg

Apoiei Rui Rio nas últimas eleições internas do PSD porque a alternativa era Santana Lopes e deste já se conheciam os resultados que teve quando foi líder do PSD, entregando a maioria absoluta a Sócrates. Mas o que aqui se refere demonstra que Rio está a colocar o PSD num estado comatoso. Agora, depois de toda a gente ter arrasado a taxa Robles, vai o PSD propô-la em absoluto delírio político. Rio está tão obcecado em ter votos à esquerda, que não percebe que está a alienar todo o eleitorado natural do PSD.
 
Esta estratégia de Rui Rio já foi tentada uma vez por Freitas do Amaral que quis deslocar o CDS para a esquerda, com a sua tese da equidistância entre o PS e o PSD. O resultado foi desastroso em termos eleitorais, uma vez que, se Freitas do Amaral tinha deixado de gostar do seu eleitorado tradicional, este também deixava de gostar dele. Quanto à esquerda, embora tivesse achado que Freitas do Amaral era uma agradável surpresa, obviamente nunca votou nele. E assim se afundou o CDS, o que não impediu Freitas do Amaral de passar a apoiar o PS, indo depois para ministro de Sócrates.
 
Rui Rio aparece agora a abraçar as propostas do Bloco de Esquerda, contra o que o PSD sempre pensou sobre este assunto, e em vez de combater a geringonça, prefere atacar os seus críticos internos. Com este tipo de estratégia, Rui Rio pode aspirar a ser ministro da geringonça, ou até líder do Bloco, procurando melhorar as propostas absurdas que este faz. Mas para líder do PSD não parece manifestamente talhado. Quando um líder de um partido não se revê nos militantes do seu partido, há um manifesto equívoco que é preciso resolver. Ou o líder muda de partido ou o partido muda de líder. E isto tem que ser resolvido rapidamente, sob pena de entrarmos num rio sem regresso.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Porreiro, pá

por Pedro Correia, em 09.09.18

Rui Rio foi hoje à "Universidade de Verão" do PSD. Num discurso em que preferiu virar baterias contra o Ministério Público, logo contra a Procuradora-Geral da República. E que mais? Desancar nos jornalistas. Arrasar os comentadores. Disparar contra os críticos internos. Alertar o Banco de Portugal contra o endividamento das famílias. 

Ao fim de meia hora desta alocução que teve 53 minutos, esquecera-se de fazer uma só crítica ao Governo. Lá corrigiu o tiro, com duas ou três farpas, mas poupando sempre o amigo António Costa, não fosse ele melindrar-se. Porreiro, pá - como dizia o outro.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

O idílio entre Rio e Costa

por Pedro Correia, em 14.08.18

img_818x455$2017_10_11_14_07_05_675918[1].jpg

 

Monchique ardeu. A maior mancha vegetal do Algarve - com as actividades económicas que lhe estavam associadas, da criação do porco preto à apicultura, passando pelo cultivo do medronho - ficou em larga escala reduzida a cinzas durante oito dias dramáticos: foi até agora o maior incêndio florestal do ano em toda a Europa.

O Governo voltou a revelar a inabilidade que o caracteriza nestes assuntos. No início de Junho, o primeiro-ministro escolhera precisamente a Serra de Monchique para garantir ao País que todos os meios operacionais estavam a postos para salvaguardar novos desastres ambientais, gabando o «trabalho extraordinário» que ali estaria a ser feito.

No final de Junho, falando cedo de mais na sequência da mais fresca Primavera registada em Portugal neste século, o ministro da Administração Interna não resistiu a proclamar que havia menos 71% de área ardida este ano - «graças a Deus, à meteorologia, a Protecção Civil, às câmaras e às entidades de segurança», não necessariamente por esta ordem.

Já com Monchique calcinada, o chefe do Governo voltou a pronunciar-se em termos inaceitáveis, utilizando a palavra  «sucesso», que nem o mais desbragado propagandista de turno à geringonça teve a ousadia de aplicar perante as dolorosas imagens que nos iam chegando nesses dias.

Sabe-se hoje que no preciso local onde começou o incêndio de Monchique não havia plano de intervenção florestal: este projecto estruturante aguardava luz verde por questões burocráticas. O que tornou tudo ainda mais chocante.

 

Matéria mais que suficiente para a intervenção do maior partido da oposição? Claro que sim. Mas onde andou Rui Rio? Ninguém sabe.

O presidente do PSD não se dignou comparecer no Algarve envelhecido, pobre e esquecido, no Algarve do interior rural e serrano de que Monchique é por estes dias um pungente símbolo.

Nem uma palavra de conforto, nem um gesto de solidariedade e amparo às populações flageladas pelo fogo: não lhe ouvimos o mais vago sussurro. Nem um leve reparo nem sequer um tímido franzir de sobrolho perante a desastrada actuação do Executivo, reincidente na insensibilidade perante as desprotegidas populações do interior.

É uma estranha forma de "liderar" a oposição, enquanto o primeiro-ministro - certamente não por acaso - escolhe esta mesma ocasião para demonstrar uma calorosa palavra de apreço ao PSD.

O idílio entre Rio e Costa está no ar. A tal ponto que apetece perguntar se existe neste momento oposição ao Governo em Portugal.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Por este Rio abaixo

por Pedro Correia, em 04.08.18

 

Santana Lopes sai do PSD e prepara-se para formar um novo partido liberal.

 

Pedro Duarte pede saída imediata de Rui Rio e diz-se preparado para liderar PSD.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Uma oportunidade perdida?

por Luís Menezes Leitão, em 26.07.18

Esta é uma excelente análise, sendo manifesto que as coisas não estão a correr bem a Rui Rio. Só que a política é uma realidade dinâmica e as coisas podem mudar a qualquer momento. Durão Barroso teve um início complicado como líder da oposição e Guterres vaticinou que não havia uma segunda oportunidade para criar uma primeira impressão. Mas bastou a Durão Barroso ganhar as autárquicas para Guterres sair com estrondo. Se as tivesse perdido teria de ser Durão Barroso a sair de líder do PSD. O futuro político de Rui Rio não se joga agora mas em 2019. Que se desenganem aqueles que já andam por aí a vender a pele do urso.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Frases de 2018 (31)

por Pedro Correia, em 12.07.18

«Fazer oposição não é só dizer mal do Governo.»

Rui Rio, esta tarde

Autoria e outros dados (tags, etc)

O novo PSD.

por Luís Menezes Leitão, em 19.06.18

image[1].jpg

 

Este novo PSD "colaborante" e "acutilante", que apresenta propostas que servem o país, mesmo no caso de perder as eleições, pode ser muito simpático, mas está condenado à derrota. Rio não segue Passos Coelho, mas imita-o na atitude do "que se lixem as eleições". Não deu bom resultado na altura e não vai dar agora.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quem deu a táctica ao PSD

por Pedro Correia, em 30.05.18

«Como cidadão, sem responsabilidades políticas, o que posso fazer para manifestar a minha discordância é fazer uso do meu direito ao voto contra aquelas que votarem a favor da eutanásia. Nas eleições legislativas de 2019 não votar nos partidos que apoiarem a legalização da eutanásia e procurar explicar àqueles que me são próximos para fazer a mesma coisa.»

Cavaco Silva, à Rádio Renascença (25 de Maio)

 

«Não é difícil concluir que nem a eutanásia se pode confundir com o suicídio assistido, nem a elevação deste à categoria de instrumento legal, admitido socialmente para lidar com a dor, em qualquer dos seus superlativos, pudesse ser tomado como “natural” e razoável. Vai uma distância grande entre constatar a existência do suicídio como resultado de uma escolha sempre problemática, e que nos choca, e a sua celebração legal como forma razoável de lidar com as situações difíceis da vida.»

Pedro Passos Coelho, ao Observador (26 de Maio)

 

«O não faz sentido nenhum, neste momento, aprovar mais uma medida legislativa das chamadas questões fracturantes, depois de várias outras que a Assembleia da República já decidiu nesta legislatura e com esta maioria parlamentar, sem que os eleitores tivessem sido avisados para o efeito. Não tem nexo que seja o PSD, por causa da liberdade de voto, a viabilizar o cumprimento de mais um ponto do acordo entre o PS e o Bloco de Esquerda.»

Pedro Santana Lopes, ao Expresso (26 de Maio)

 

«Lamento um pouco notar que, relativamente aos movimentos e às pessoas que defendem o não, há um excesso na pressão sobre os do sim.»

Rui Rio, aos jornalistas, citado pela Lusa (25 de Maio)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Voto secreto e consciência livre

por Pedro Correia, em 28.05.18

3ce103687d963fbb71dd58ee15f8e91a[1].jpg

 

Não sei quem faz assessoria de comunicação a Rui Rio, mas não está a resultar. Alguém lhe soprou ao ouvido que é necessário "aparecer", para dizer não importa o quê. É um péssimo conselho.

Há uns dias, o líder do PSD insurgiu-se contra o facto de o policiamento dos estádios ser pago com "os impostos dos portugueses". Estava mal informado pelo tais que lhe sopram ao ouvido. Esse policiamento é assegurado pela Federação Portuguesa de Futebol, entidade autónoma do Estado, financiada em larguíssima medida pela UEFA.

Hoje voltou a errar o alvo. Mas com maior gravidade. Ao defender o "voto secreto" no hemiciclo na apreciação dos quatro diplomas sobre a legalização da eutanásia que amanhã estarão em debate no Parlamento. Para Rui Rio, os deputados devem "agir em função da sua consciência" e, para o efeito, terão de sentir-se "completamente livres" neste processo de decisão - algo que, no seu entender, apenas o voto secreto assegura.

Extraordinário raciocínio, nada lisonjeiro para os 89 parlamentares do PSD. Rio, que não tem assento na Assembleia da República, entende que um deputado só se sente "completamente livre" quando decide por voto secreto, sem se submeter ao escrutínio da opinião pública em geral e dos seus eleitores em particular, passando incólume pelos pingos da chuva.

Eis uma amostra do tal "banho de ética" que o sucessor de Passos Coelho prometeu trazer à política portuguesa. Banho, sim. Mas apenas no sentido de meter água.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Rio deixa marca na testa do PSD

por Pedro Correia, em 12.05.18

António Costa e Rui Rio

 

Rui Rio, suposto "líder da oposição", continua a tratar o Governo liderado pelo seu amigo António Costa com a delicadeza de um nenúfar. Acentuando, de caminho, o estendal de trapalhadas em que vem enredando o partido desde que iniciou o trajecto regular Porto-Lisboa, vai para três meses.

 

A mais recente surgiu agora, quando desautorizou Ricardo Baptista Leite, coordenador da bancada social-democrata para as questões da saúde. O deputado visou numa intervenção muito crítica o ministro Adalberto Campos Fernandes, culminando no pedido de demissão do titular da pasta da Saúde. Motivo: este responsável - confrontado com uma onda de greves no sector e o escândalo da ala de oncologia pediátrica do hospital de São João - transformou o Serviço Nacional de Saúde no "Serviço Nacional da Doença" .

O ministro não gostou, claro. Embora já deva estar habituado a isto, na medida em que a sua demissão tem vindo a ser sugerida por vários profissionais da saúde. E logo Rio saiu em defesa de Campos Fernandes, lembrando que compete ao chefe do Governo ponderar sobre o destino dos ministros. "Não é o meu estilo", acrescentou, demarcando-se da intervenção do seu deputado.

 

Especializando-se na oposição à oposição, o sucessor de Passos Coelho na presidência do PSD vai deixando assim uma marca inconfundível na testa do partido a que aspírava liderar há pelo menos uma década. Eis o resultado: na semana em que o PS, desgastado pelos casos Sócrates e Pinho, cai na sondagem do Expressoo PSD cai na mesma proporção em vez de subir.

Até nisto Costa e Rio andam irmanados. Unidos na doença e na saúde: só a sorte pode separá-los.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fazem oposição... a si próprios

por Pedro Correia, em 19.04.18

Fernando Negrão e Rui Rio com posições divergentes sobre o anunciado fim aos cortes salariais de 5% nos gabinetes dos políticos.

O presidente do PSD concorda, o líder parlamentar do PSD discorda. Com tanto "pacto" com o Governo, devem andar sem tempo para conversar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um sorridente acto de vassalagem

por Pedro Correia, em 19.04.18

img_3054_770x433_acf_cropped[1].jpg

 Foto: João Porfírio/Observador

 

«Para mim, pessoalmente, no dia em que faz dois meses em que tomei posse como presidente do PSD, posso fazer um balanço positivo por, ao fim de 60 dias, ter já estes dois acordos assinados com o Governo.»

Palavras de um sorridente Rui Rio, parecendo viver ontem o mais feliz dia do seu curto mandato como "líder da oposição", que tem passado a cortejar António Costa e a prestar bons serviços ao Governo.

 

Nesta quarta-feira prestou mais três: ao assinar dois "pactos de regime", sobre descentralização e gestão dos fundos europeus, com o primeiro-ministro na residência oficial de São Bento e ao ter aceitado agendar este acto de vassalagem a meio da semana previamente designada pelo seu partido para fazer o diagnóstico do sector da saúde em Portugal e no próprio dia em que a bancada social-democrata no Parlamento interpelava o Governo sobre o mesmo tema, que tanto preocupa os portugueses.

Como seria de supor, estas iniciativas foram totalmente ofuscadas pela operação de marketing conduzida por Costa, com a risonha anuência daquele que só por ironia ainda pode ser chamado "líder da oposição".

 

Em política, os símbolos contam muito. O facto de os acordos subscritos por Rio terem sido celebrados na sede do Governo e não no Parlamento, certamente por amável indicação do primeiro-ministro, demonstra bem quem dita as regras. Entretanto, durante a inútil abordagem às questões da saúde na sala das sessões da Assembleia da República, o líder parlamentar social-democrata geria mal o tempo da sua intervenção e mendigava "trinta segundos" suplementares à própria bancada do Governo.

Em suma: um dia memorável para Costa. Já com a esquerda extrema no bolso, demorou apenas dois meses a dobrar o "novo" PSD e vê a oposição circunscrita ao CDS. Governa, na prática, com a mais alargada maioria de sempre na democracia portuguesa.

Autoria e outros dados (tags, etc)

De mãos dadas, cantando e rindo

por Pedro Correia, em 12.04.18

imagem_imagem_1_ok_9[1].png

 

«Um partido da oposição e um líder da oposição está disponível para colocar em primeiro lugar o interesse de Portugal e só depois colocar o interesse partidário. E colocar o interesse de Portugal à frente é estar disponível para fazer com os outros aquilo que só com os outros consegue ser feito.»

Frase de António Costa, num remoque à cada vez mais cordata oposição ao Executivo socialista? Não. A declaração é do próprio "líder da oposição", o social-democrata Rui Rio. Que a cada intervenção que faz procura mostrar ao primeiro-ministro que é muito mais bem comportado do que os parceiros da geringonça parlamentar. Como bem demonstrou na sua recente deslocação a Bruxelas: "Temos de estar unidos ao próprio Governo português."

 

Perante este caso digno de um país do terceiro mundo que dominou o dia mediático de ontem, e levou o ministro das Finanças a sacudir a água do capote como um recém-chegado e não estivesse há dois anos e meio em funções, o que disse o presidente do PSD? Nem uma palavrinha sobre os estrangulamentos no sector da saúde que pudesse perturbar o sossego governamental: limitou-se a mandar dizer que na próxima semana irá "visitar hospitais".

Entretanto, reafirmava pela enésima vez a sua disponibilidade para celebrar "acordos de regime" em áreas tão diversas como o sistema político, o sistema judicial, a segurança social, o desenvolvimento do interior, as políticas de natalidade e a educação.

Quase tudo. E a lista não é exaustiva, como os tempos mais próximos demonstrarão.

 

Admiro este espírito visionário de Rio. E a todo o momento espero dele um passo ainda mais à frente. Lançando a mais ousada de todas as propostas: a fusão definitiva entre governo e oposição que permitirá enfim a celebração sem mácula nem dissidência de mil pactos de regime.

Uma verdadeira união nacional. Todos irmanados em roda, de mãos dadas, cantando e rindo. A bem da nação.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Frases de 2018 (15)

por Pedro Correia, em 22.03.18

«O PSD, para defender os interesses dos portugueses, tem de reforçar na Europa a posição do Governo português. Não tenho sobre isso qualquer dúvida.»

Rui Rio, hoje, em Bruxelas, onde assistiu à cimeira do Partido Popular Europeu

Autoria e outros dados (tags, etc)

Só esteve um mês em funções

por Pedro Correia, em 18.03.18

 

Secretário-geral do PSD, escolhido por Rui Rio, acaba de apresentar a demissão.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

As coisas não estão a correr bem

por Pedro Correia, em 17.03.18

"As coisas não estão a correr bem." Declaração insuspeita de um vice-presidente do PSD, Manuel Castro Almeida. Aludindo, em entrevista hoje difundida pela Antena 1, à monumental sucessão de trapalhadas ocorridas no partido desde a entrada em funções de Rui Rio.

Trapalhadas encabeçadas nomeadamente por Elina Fraga e Salvador Malheiro, colegas de Castro Almeida no novo elenco de vice-presidentes sociais-democratas. Por Fernando Negrão, novo líder parlamentar do PSD, escolhido por Rio contra a vontade da maioria dos deputados. E por Feliciano Barreiras Duarte, novo secretário-geral do partido, igualmente escolhido por Rio - protagonista de uma cascata de notícias incómodas para o líder laranja, que até já terá prescindido dele na próxima deslocação a Bruxelas.

Até o mais devoto apoiante de Rio reconhecerá que são excessivas trapalhadas para tão pouco tempo em funções, o que talvez explique o facto de 71% dos portugueses preferirem manter Costa como primeiro-ministro do que substituí-lo pelo actual inquilino da Rua de São Caetano à Lapa. O atribulado sucessor de Passos Coelho, como sabemos, iniciou o mandato em data muito recente: o congresso que marcou esta nova etapa da vida do PSD teve a sessão de encerramento faz amanhã um mês.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

O título do ano.

por Luís Menezes Leitão, em 17.03.18

capa_jornal_sol_17_03_2018.jpg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

"Banho de ética" ameaça dilúvio

por Pedro Correia, em 15.03.18

 

301dbebb7e6a008da19affe81c8f8cb1[1].jpg

 

«Se há coisa de que Portugal hoje precisa é de um banho de ética»

Rui Rio, enquanto candidato à liderança do PSD, a 11 de Outubro

 

 

25 de Janeiro: Ministério Público investiga negócios da Câmara de Ovar, presidida por Salvador Malheiro, director da campanha de Rio entretanto designado vice-presidente do PSD.

 

19 de Fevereiro: DIAP de Lisboa investiga gestão de Elina Fraga enquanto bastonária da Ordem dos Advogados, na sequência de uma auditoria. Actual vice-presidente do PSD é suspeita de eventuais incumprimentos do Código da Contratação Pública e de violação dos estatutos da ordem.

 

13 de Março: Procuradoria-Geral da República manda abrir um inquérito ao caso da informação falsa no currículo de Feliciano Barreiras Duarte, novo secretário-geral do PSD.

Autoria e outros dados (tags, etc)

pRIOridades

por Pedro Correia, em 09.03.18

 

19 de Fevereiro:

Marcelo recebe Rui Rio, um dia após a consagração do novo líder do PSD

 

19 de Fevereiro:

António Costa e Rui Rio encontram-se esta terça-feira

 

24 de Fevereiro:

António Costa e Rui Rio abrem porta a acordos até ao Verão

 

26 de Fevereiro:

Marcelo Rebelo de Sousa e Rui Rio voltam a reunir-se

 

1 de Março:

Rui Rio reúne-se hoje com Assunção Cristas

 

6 de Março:

Presidente do PSD recebeu presidente do MLSTP/PSD

 

7 de Março:

Rui Rio recebe embaixador da Alemanha

 

8 de Março:

Rui Rio reúne-se pela primeira vez com deputados do PSD

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Política de Mentira

por João Villalobos, em 09.03.18

Título da Newsletter do PSD emitida no dia 8 de Março de 2018:

Reunião com o Grupo Parlamentar: Rui Rio conta com os 89 deputados

Texto da 'notícia' associado ao referido título; "Continuo a contar com os 89 deputados, esclareceu Rui Rio à saída da reunião com o Grupo Parlamentar do PSD. Em declarações aos jornalistas, nesta quinta-feira, salientou que não demorará que estejam todos “completamente alinhados”. #AmericaFirst #PrimeiroPortugal. 

rui_rio_-lg.jpg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Rio de trapalhada em trapalhada

por Pedro Correia, em 26.02.18

23729491_770x433_acf_cropped[1].jpg

 Rui com Elina Fraga: cumprida a lei das quotas

 

Diziam que Santana Lopes é que era o homem das trapalhadas: não sei se continuarão a dizer o mesmo após a subida de Rui Rio à liderança do PSD.

É muito difícil alguém fazer mais asneiras em tão pouco tempo. E o sucessor de Passos Coelho promete não ficar por aqui. Aposto que vêm muitas outras a caminho.

 

Começou por indicar Elina Fraga, ex-bastonária dos Advogados que nunca ninguém tinha associado ao PSD, para vice-presidente da Comissão Política Nacional. A senhora assentou praça em general, ao que parece, para cumprimento da regra das quotas femininas: nem Rio nem ninguém por ele tiveram o cuidado de fazer o trabalho de casa prévio.

Se o tivessem feito, como mandaria o bom senso e ditaria o mais elementar profissionalismo político, verificariam que a ex-bastonária nunca poderia ser premiada com semelhante cargo na medida em que passara a legislatura anterior a combater o PSD enquanto Governo - ao ponto de ter apresentado queixas-crimes contra os membros desse Executivo, incluindo o primeiro-ministro e a ministra da Justiça.

"Os nomes ficaram fechados há bastante tempo, mas ainda era preciso arranjar mulheres, nos últimos dias", confessou um dirigente do partido à revista Sábado. Eis o primado da urgência a sobrepor-se ao primado da competência.

 

Depois, deu ordem de despejo ao líder parlamentar, que fora eleito em Julho por uma esmagadora maioria: 85,4% dos deputados sociais-democratas (76 votos favoráveis, 12 brancos e um nulo). Pôr em causa a autonomia da bancada ao designar sucessor para Hugo Soares: chamou uma pessoa estimável, Fernando Negrão, mas que nunca se evidenciou como deputado, apesar de estar no Parlamento desde 2002, nem parece ter as qualidades necessárias para mobilizar os seus pares.

A prova ficou à vista no próprio momento da votação: o indigitado líder parlamentar recolheu apenas 39,7% de votos favoráveis (35, contra 32 brancos e 21 nulos). Quase dois terços rejeitaram-no. Outro, no seu lugar, cessaria funções antes de começar, vergando-se ao veredicto dos boletins de voto. Mas ele persistiu e até brindou os colegas com uma pérola filosófica, salientando que na bancada que vai chefiar existe "um problema de natureza ética". Notável.

 

A seguir, Rio correu a conferenciar com António Costa, procurando confundir os comentadores que insistem em mencionar o PSD como partido da oposição.

Antes de falar com os deputados do seu partido ou de reunir a própria Comissão Política Nacional dos sociais-democratas, fechou-se na residência oficial de São Bento com o chefe do Governo, tendo ambos chegado a acordo sobre a necessidade de estabelecerem "pactos de regime", nomeadamente em áreas da governação ligadas às políticas de descentralização e à gestão dos fundos europeus.

 

W772R6QT.jpg

 Ameaças internas: ou apoiam o líder ou haverá purgas

 

Erros atrás de erros por parte do homem que quer mudar o funcionamento da justiça mas nada disse de concreto sobre o tema no recente congresso e já vê alguns dos seus apoiantes mais notórios apontarem a porta da rua aos críticos, o que diz muito sobre o espírito de "tolerância" da nova equipa dirigente, que parece confundir o PSD com o Partido Comunista.

Para compensar, prepara-se para acolher o regresso de António Capucho, ex-dirigente expulso por ter integrado candidaturas políticas alternativas à do partido e se distinguiu nas europeias de 2014 como fervoroso apoiante de António José Seguro e nas legislativas de 2015 como entusiástico votante de António Costa.

"O saldo é positivo, já que os principais índices que interessam aos eleitores são animadores. As pessoas estão contentes", diz agora Capucho em entrevista ao Sol. Apetece perguntar-lhe por que motivo quer voltar ao PSD se faz tão boa avaliação do exercício governativo do partido que apoiou em Outubro de 2015.

É já o espírito do bloco central a pairar na nova gerência da Rua de São Caetano à Lapa: se não podes vencer Costa, junta-te a ele. Não admira assim que por estes dias o primeiro-ministro exiba um sorriso cada vez mais beatífico e prazenteiro.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um pedido

por Diogo Noivo, em 23.02.18

Parece que no período em que foi bastonária Elina Fraga montou uns cambalachos na Ordem dos Advogados, práticas que, entre outras coisas, sugerem nepotismo e gestão ‘criativa’. Isabel Meireles, nomeada por Rui Rio para a Comissão Política Nacional do PSD e, portanto, colega de Elina Fraga, esteve na reunião da Ordem que votou por unanimidade uma auditoria ao consulado da anterior bastonária, um levantamento que destapou as tais práticas pouco edificantes de gestão. Entretanto, Rui Rio marca uma reunião da Comissão Política Nacional e não convoca o líder da bancada em funções que, meio atontado, toma conhecimento da reunião pela imprensa. E por falar em líder da bancada, Fernando Negrão candidatou-se à liderança dos parlamentares do PSD e obteve o pior resultado de sempre em eleições do género, havendo até deputados que estavam na lista dele (pelo menos dois) que decidiram não apoiar o candidato no boletim de voto. Abertas as urnas saiu de lá o faroeste: acusações de falta de legitimidade, insultos, birras, arengas e um rol de enfados épicos. Antes de tudo isto acontecer, o lugar-tenente de Rui Rio, Salvador Malheiro, terá andado a transportar militantes em carrinhas, pastoreando-os até ao momento em que votavam em Rio – militantes que, certamente para combater o frio, vivem aos 17 na mesma casa.

Não faço a mais pequena ideia do que se passa no PSD. Não sou nem nunca fui militante e, por isso, não conheço os meandros do partido. Mas gostava de perceber o que está em curso. Assim, solicito humildemente aos profissionais do comentário que andaram meses a fio a dizer que Pedro Passos Coelho era a raiz de todos os males do partido e que, consequentemente, a sua saída resolveria todos os problemas, que venham por favor a terreiro – sem rir – explicar o que está a acontecer. Grato pela atenção.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Faz falta ter generais com sorte

por Pedro Correia, em 20.02.18

EFRR[1].jpg

 Foto: Miguel Manso/Público

 

Napoleão costumava dar preferência, no seu estado-maior, aos generais com sorte. Tenho-me lembrado disto desde o fim de semana a propósito da pouco afortunada escolha pessoal assumida por Rui Rio para uma das vice-presidências do PSD: Elina Fraga, a recordista das vaias do recente congresso social-democrata.

 

O novo presidente do partido laranja, preocupado em insuflar "um banho de ética" na política portuguesa, terá andado mal informado. Se não andasse, saberia decerto que enquanto bastonária da Ordem dos Advogados a sua vice-presidente encabeçou os protestos contra a reforma judiciária do Executivo de Passos Coelho - que, convém recordar, era uma das medidas incluídas no memorando de entendimento negociado e assinado em 2011 por José Sócrates com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional em troca do pacote financeiro de emergência.

Não lhe bastando isso, Elina Fraga avançou na altura com queixas-crime contra todos os ministros do XIX Governo Constitucional - incluindo o próprio Passos, agora tão elogiado por Rio - por considerar que o mapa judiciário não servia os interesses dos cidadãos. Não será das mais populares cartas de recomendação da novíssima dirigente laranja para se impor perante os militantes do partido.

 

Acontece que Elina Fraga, a advogada tão lesta a mandar investigar terceiros, está ela própria a ser investigada pelo Ministério Público, na sequência de uma auditoria pedida pelo bastonário que lhe sucedeu. Em causa estão suspeitas sobre contas e procedimentos na gestão da Ordem entre 2013 e 2017. Em causa, por exemplo, está o pagamento de honorários a sociedades de advogados por determinados serviços jurídicos.

Que tudo isto tenha sido tornado público, por extraordinária coincidência, no dia seguinte ao do encerramento do congresso do PSD reconduz-me afinal a Napoleão Bonaparte e à sua necessidade de ter em torno de si generais com sorte. Sem ela, nenhuma batalha consegue ser vencida.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Congressos tensos e congressos inexistentes

por João Pedro Pimenta, em 19.02.18

Fouçando de novo em seara alheia, não posso deixar de considerar simplesmente miserável esta "espera" que algumas figuras do aparelho laranja fizeram a Rui Rio no congresso do PSD, com a palma a ser ganha por Luís Montenegro e o seu discurso transbordante de rancor. Ganhou as eleições há menos de um mês e desde então não cessaram de se atirar a ele. Desde o Observador e os 758 artigos sobre o "caciquismo" de Salvador Malheiro (acho que o jornal online esgotou a palavra; louvável devia ser a actuação de Miguel Relvas), incluindo colunistas, como João Marques de Almeida, que depois de algumas crónicas laudatórias confessou fazer parte da equipa de Santana Lopes, até às conspirações de deputados em funções e às exigências desse grandíssimo vulto que é Miguel Pinto Luz (que na sua página de facebook intitula-se "figura pública").

 

O único caso que conheço com vagas semelhanças é o de Ribeiro e Castro à frente do CDS, e mesmo assim ficou aquém. A atitude mais decente seria deixar Rio trabalhar e depois se veria. Até lá, o PSD não passa de um saco de gatos, em que quem estica mais as garras são os derrotados que se acham com direito natural a mandar mesmo contra a opinião das urnas. 

 

Não posso deixar de reparar na diferença abissal entre a cobertura dos grandes e dos pequenos partidos e que ficou à vista nestes dias. O PSD teve direito a um fim de semana inteiro de directos, alteração da programação da TV, debates dirigidos para o próprio recinto, etc. Compreende-se. É o normal e todos queriam saber quais as propostas e as caras que o novo líder da oposição tinha para mostrar. Mas na semana passada houve o congresso do MPT (Partido da Terra, para os mais distraídos), que já tem 25 anos, que tem representação no Parlamento Europeu e que mudava de liderança, e não houve uma notícia nos principais jornais, nem uma reportagem da televisão, por minúscula que fosse, como acontecia antigamente, nem nada de nada. Quem soubesse do evento e o googlasse encontraria uma notícia da TSF e outra do DN da Madeira, e de resto, silêncio sepulcral. Não são só os meios e os militantes que distinguem o sucesso dos partidos: a cobertura jornalística tem também imenso peso. E quando há grupos que são não apenas ignorados mas condenados à inexistência, o discurso de "são sempre os mesmos partidos" tem aí muito por onde questionar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Congresso do PSD: quatro notas

por Pedro Correia, em 18.02.18

1. Rui Rio reafirmou a sua convicção de que o PSD é um partido com "matriz social-democrata", ainda que a social-democracia esteja em recuo acelerado um pouco por toda a Europa. Louvo-lhe a coragem política.

 

2. Mal iniciou funções na presidência do PSD, o novo líder já tem adversário interno assumido: Luís Montenegro chegou-se à frente e marcou o território. Vamos ouvir falar com muita insistência nele nos próximos dois anos. Não por ter feito marcação a Rio, mas por ter condicionado a margem de manobra de potenciais rivais. Que serão muitos, num futuro próximo.

 

3. Elina Fraga, sucessora de António Marinho e Pinto como bastonária da Ordem dos Advogados, regista uma progressão meteórica: ascende a uma das vice-presidências do PSD quando quase ninguém sabia que ela era sequer militante do partido. Eis um exemplo de "abertura à sociedade civil". Pena que os militantes, ignorando tal facto, lhe tenham tributado uma sonora vaia quando foi chamada ao palco.

 

4. O grande animador deste congresso foi Pedro Santana Lopes, sempre mais aplaudido do que o novo presidente. Há tradições que não mudam.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Rui Rio e o "novo PSD"

por Pedro Correia, em 16.02.18

68a4f69f7680ef07dcaf715b3876f2ee[1].jpg

 

Rui Rio, desaparecido em combate desde que venceu a eleição interna há mais de um mês, ressurgirá hoje na sessão inaugural do congresso do PSD.

Chega envolto numa névoa de interrogações.

Trará ele ideias inovadoras? Conseguirá "regenerar o partido", como prometem os seus mais firmes apoiantes e vem advogando há anos o seu principal ideólogo, Pacheco Pereira?

 

Da recente campanha eleitoral, ressaltaram três pontos do pensamento do novo presidente do PSD:

- Abertura à formação de um bloco central, prontificando-se a viabilizar um novo governo socialista que possa dispensar o apoio parlamentar de comunistas e bloquistas;

- Deslocação do PSD do centro-direita para o centro-esquerda, em nome da suposta matriz original do partido, abrindo assim espaço à progressão do CDS a nível nacional como já sucedeu nas autárquicas em Lisboa;

- Reafirmação da social-democracia como modelo ideológico do partido, renegando os modelos conservador e liberal, numa altura em que os partidos sociais-democratas estão em regressão em todo o espaço político europeu - como as eleições de 2017 na Holanda, Bulgária, França, Reino Unido, AlemanhaÁustriaRepública Checa e as eleições parlamentares realizadas no ano anterior em Espanha demonstraram.

 

Acredito que Rio seja consequente com este pensamento. E como a política vive muito de actos simbólicos, aguardo que aproveite este conclave laranja para anunciar a retirada do PSD do Partido Popular Europeu, que agrupa a família política conservadora, por troca com o Partido Socialista Europeu, que congrega a social-democracia e o trabalhismo representados nas instituições parlamentares de Bruxelas e Estrasburgo.

Com um só gesto, vira o PSD à esquerda, abraça sem reservas a social-democracia como família europeia do partido que agora lidera e começa a preparar terreno para uma futura coligação com o PS.

Os dirigentes visionários comportam-se assim. Dele, confesso, não espero menos que isto.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Procura-se

por Pedro Correia, em 07.02.18

rui-rio[1].jpg

 

Vencedor das eleições no PSD a 13 de Janeiro. Não foi visto nem voltou a ser escutado desde então. Tem estatura meã e denota dificuldades de orientação, costumando trocar a direita pela esquerda. Paradeiro incerto. Amigos e apoiantes, preocupados, gratificam quem o encontrar: garante-se desde já uma subsecretaria de Estado num futuro Governo PS-PSD.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A benfiquização do PSD

por Pedro Correia, em 01.02.18

 

seara_lfvieira1[1].jpg

  Luís Filipe Vieira com Fernando Seara

 

Se há matéria em que tenho genuína esperança de alteração de procedimentos no PSD, com a chegada de Rui Rio à liderança, é na relação entre o partido e o futebol. No seu mandato de 12 anos à frente da Câmara Municipal do Porto, Rio fez frente com sucesso aos poderes fácticos do mundo da bola que contaminam os circuitos políticos e transformaram vários dos seus antecessores numa espécie de valetes do FC Porto.

Em Lisboa, o novo presidente social-democrata deverá acautelar-se sobretudo com a tendência para uma inaceitável promiscuidade entre o PSD e o Benfica, fenómeno que ficou bem patente - com manifesto inêxito - nas recentes eleições autárquicas.

 

DE8qitCXcAEH8d-[1].jpg

 Luís Filipe Vieira e André Ventura

 

Numa tentativa quase desesperada de recuperação da popularidade pela via mais fácil e demagógica, o partido apostou em várias figuras ligadas ao reduto encarnado. Desde logo, candidatando à presidência da Câmara de Lisboa Teresa Leal Coelho, que foi administradora da sociedade anónima desportiva do Benfica no deplorável consulado de Vale e Azevedo.

O PSD apostou também, para a Câmara de Odivelas, em Fernando Seara, que durante anos representou o clube da águia em programas de debate na RTP e na TVI 24, além de ter sido frustrado candidato à presidência da Liga de Clubes.

Para a Câmara de Loures, não encontrou melhor do que André Ventura, um jurista que transitou da direcção de campanha de Luís Filipe Vieira à reeleição no Benfica para o painel de comentadores futebolísticos da CMTV, disparando impropérios contra sportinguistas e portistas com a mesma desenvoltura que o levou a estigmatizar a população cigana deste concelho.

Em Oeiras, designou como seu candidato  Paulo Vistas, ex-braço direito de Isaltino Morais, que em plena campanha eleitoral utilizou desbragadamente o "trunfo" benfiquista numa tentativa infrutífera de caçar votos, ao apresentar um projecto de uma putativa Cidade Desportiva das Modalidades em parceria com o presidente encarnado, Luís Filipe Vieira.

 

lfv_22setembro_noticia[1].jpg

Paulo Vistas com Luís Filipe Vieira

 

Quatro candidatos pelo distrito de Lisboa, quatro pessoas ligadas ao Sport Lisboa e Benfica, quatro casos de estrondoso fracasso nas urnas.

Espero que o sucessor de Passos Coelho ponha cobro a isto. Pelo menos tão má como a futebolização da política, é a benfiquização dos partidos - neste caso do PSD, o que aliás lhe retira toda a autoridade moral para criticar o ministro das Finanças por se instalar de borla na tribuna presidencial do Estádio da Luz, em possível colisão com o código de conduta aprovado pelo próprio Governo.

Se Rui Rio inverter esta tendência, irá na direcção correcta. Mesmo que possa irritar alguns dos seus conselheiros, que encaram o futebol como uma espécie de prolongamento da política. Basta aplicar em Lisboa - e no País - o mesmo distanciamento salutar que pôs em prática no Porto.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sim, porquê?

por Rui Rocha, em 28.01.18

legio.png

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Do calculismo

por Pedro Correia, em 18.01.18

Tenho lido e ouvido justas críticas ao "calculismo" daqueles que, podendo ter avançado agora para a liderança do PSD, optaram por ficar quietos aguardando o que vai seguir-se até ao próximo ciclo eleitoral.

O mais curioso é que estas críticas são formuladas com frequência entre elogios ao "desassombro" de Rui Rio. Esquecendo estes arautos de fraca memória o calculismo do próprio Rio, que levou uma década a tomar balanço para uma candidatura à presidência do PSD. Se o tivesse feito no momento próprio, teria poupado o partido à gestão errática de Luís Filipe Menezes e talvez tivesse poupado o País aos piores dois anos da governação Sócrates, com todo o seu estendal de amargas consequências.

Em política, nunca existem cenários perfeitos. Quem aguarda em excesso arrisca-se a chegar demasiado tarde, vá para onde for.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Frases de 2018 (5)

por Pedro Correia, em 17.01.18

«Eu não sou do PSD: eu sou do partido do doutor Sá Carneiro.»

Rui Rio, ontem, em entrevista à RTP

Autoria e outros dados (tags, etc)

Rio a correr para a foz

por Sérgio de Almeida Correia, em 16.01.18

image.aspx-3.jpeg

 (DN/Pedro Grandeiro/Global Imagens)

 

Da vitória de Rui Rio, neste momento, pouco mais se poderá dizer de que ainda estão todos a digeri-la. Os militantes e simpatizantes do PSD e os dos outros partidos.

Em o todo caso, o resultado alcançado não deixa de ser lisonjeiro para o vencedor. Participaram menos militantes do que em 2010, mas bem mais do que nas três anteriores eleições, tendo o líder sido eleito com mais votos do que Passos Coelho nos três anteriores escrutínios, ou do que aqueles que foram obtidos, respectivamente, por Marques Mendes, Menezes e Ferreira Leite em 2006, 2007 e 2008.

O partido sai dividido, mas o resultado apresentado por Rio é melhor do que inicialmente se poderia esperar, atendendo aos anti-corpos que contra si existiam. O carisma de Santana Lopes, a sua experiência, a empatia com as bases, e o facto de ser um antigo líder e ex-primeiro ministro foram insuficientes para derrotarem Rui Rio. O resultado de Santana Lopes, acima dos 45%, longe de ser uma humilhação – Paulo Rangel obteve 34,44% em 2010 – coloca um ponto final nas suas ambições. Talvez esteja na hora de deixar de "andar por aí".

Claramente fracturado – a sul do Tejo, Rio só venceu em Faro – o partido vai ter necessariamente de se unir para construir uma alternativa de Governo, embora a perspectiva de lá chegar, salvo uma catadupa de erros políticos de António Costa, se afigure por agora como remota.

Rio tem desde já a tarefa de começar a arrumar a casa, libertando o partido dos "emplastros" de que se rodeou Passos Coelho e que ajudaram a afundar a anterior liderança, trocando-os por gente mais bem preparada, politicamente mais qualificada e que seja capaz de navegar pelas questões de actualidade sem ignorância e arremedos populistas. A ver se com Rio não aparece outro deputado a dizer que o Governo anterior tinha "proibido" a legionella.

A presença ao lado de Rio, no discurso de vitória, para além do presidente da sua Comissão de Honra, do experiente Nuno Morais Sarmento, que nos últimos anos tem sido um dos críticos do caminho trilhado pelo PSD e da forma como o partido se deixou enredar pela estratégia de grupos, grupinhos e grupelhos ligados aos jotinhas e ao poderoso lobby autárquico, não pode deixar de ser visto como um sinal da necessidade de mudança e de ser conferido outro peso, político e jurídico, à direcção do partido.

Para o CDS-PP a ascensão de Rio à liderança do PSD será factor de risco acrescido para o seu crescimento e sobrevivência com alguma dimensão que lhe permita voltar a aspirar a ser governo. As hipóteses do CDS-PP manter o actual protagonismo tenderão a esfumar-se. Com Rio, o acantonamento à direita tornar-se-á mais evidente, ficando mais difícil a pesca nas águas do centrão.

Quanto ao PS convém que tenha presente que a aliança à esquerda começará a ser mais periclitante à medida que nos formos aproximando do final da legislatura e o cenário eleitoral for ganhando contornos. A novela da Auto-Europa está aí a prová-lo, funcionando como balão de ensaio de alguns movimentos à sua esquerda. Neste cenário não será de colocar de lado um reforço da liderança de António Costa, com o consequente cerrar de fileiras dos seus indefectíveis e do partido em torno do líder. A evolução da conjuntura económica e os resultados em matéria de finanças públicas têm ajudado a manter a vela enfunada, mas daqui para a frente vai ser preciso algo de mais sólido. A margem de tolerância ficará cada vez mais reduzida.

A mudança de liderança num partido com a história e o peso do PSD é sempre motivo de atenção. E de esperança para quem acredita na regeneração das instituições e dos homens, confiando na existência de partidos fortes e com gente credível para renovar o regime e fortalecer a democracia, assegurando em todos os momentos modelos alternativos e consistentes de governação.

Autoria e outros dados (tags, etc)

PSD: enfim, um "banho de ética"

por Pedro Correia, em 15.01.18

«Todos sabemos como é que se desenrolam estas eleições. Há externalidades que por vezes influenciam o voto dos militantes. Nós sabemos que existe essa hipótese e por vezes as pessoas votam sem saberem precisamente em que é que estão a votar...»

Salvador Malheiro, director da campanha de Rui Rio

Autoria e outros dados (tags, etc)

A vitória de Rui Rio.

por Luís Menezes Leitão, em 14.01.18

O PSD profundo mostrou ontem a enorme capacidade que tem de se regenerar. Não alinhou em cantos de sereia de quem queria propor ao partido um passismo sem Passos, encabeçado por alguém de cuja experiência governativa os portugueses não têm boas recordações. Agora é altura de virar de vez a página e preparar rapidamente uma alternativa séria e consistente. É hora de agir, de facto.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Uma pequena diferença

por Pedro Correia, em 14.01.18

Notícias do PSD: o candidato que se propôs viabilizar um Governo minoritário do PS liderado por António Costa acaba de derrotar o candidato que também admitiu viabilizar um Governo minoritário do PS mas sem António Costa.

O primeiro recebeu 22.700 votos (54,3%), o segundo reuniu 19.100 votos (45,7%). Costa, compreensivelmente, já felicitou o vencedor.

Autoria e outros dados (tags, etc)

As vitórias efémeras de Santana

por João Pedro Pimenta, em 13.01.18

 

Não sou militante do PSD, mas quero sempre que para a liderança dos partidos vençam os melhores e, sinceramente, já tarda uma oposição eficaz ao actual (esquema de) Governo, e o CDS não basta, por mais que Assunção Cristas se esforce - com algum êxito. Por vezes Catarina e Jerónimo tentam preencher a vaga, mas é raro aventurarem-se em grandes indignações.

 

Vivi bastantes anos sob os mandatos de Rui Rio e pude ver os seus sucessos e os seus fracassos. É um homem rigoroso, minucioso com as contas, pouco influenciado por grupos de pressão e ameaças (lembram-se da manif dos Super Dragões?) e teimoso, para o bem e para o mal. Como pontos negativos é autoritário, tem uma visão limitada e demasiado genérica sobre diversos assuntos, como a justiça, e uma péssima relação com a comunicação social. Não parece ser a escolha ideal para líder da oposição e para primeiro-ministro, embora pudesse fazer um papel competente como ministro das finanças ou da administração interna. Ainda assim, prefiro alguém com as suas limitações mas com rigor e organização do que um viciado nas disputas políticas como Santana Lopes, que por onde passou deixou as finanças em pantanas, e que nem quando já tinha atingido finalmente uma aura de credibilidade "senatorial" resiste a vir disputar pela enésima vez a liderança do partido - que já teve, com o êxito que se viu - com uma leviandade que já se pensava ser coisa do passado.

 

E neste combate pela presidência do PSD, nestas tricas, acusações várias e respectivos desmentidos, tenho ouvido por mais do que uma vez que Santana é um "vencedor". Os únicos triunfos que lhe conheço são os das vitórias autárquicas na Figueira e em Lisboa. É sobretudo esta que os seus apoiantes recordam, com razão, porque vencer uma coligação entre o PS e o PCP com um presidente no cargo cujo mandato não tinha desagradado à população, e apenas com o PSD (e simbolicamente o PPM), era uma tarefa hercúlea. Mas as vitórias de Santana acabaram aí. E vale a pena lembrar que já depois de ter oferecido a maioria absoluta a Sócrates seria de novo candidato em 2009 à câmara de Lisboa, desta vez à frente de uma coligação que juntava PSD e CDS, e perdeu com o PS de António Costa apoiado pelo grupo de Helena Roseta.

É este o pormenor que merece ser apontado: caso ganhe a presidência do PSD, Santana terá pela frente não João Soares mas António Costa, o que significa que a conquista de 2001 perdeu a validade. Já agora, é bom lembrar que Rui Rio cometeu uma proeza semelhante, ao conquistar o Porto nessas mesmas eleições (que ditaram a demissão de Guterres) a um PS de Fernando Gomes considerado absolutamente imbatível. Rio manteve-se na câmara por três mandatos, crescendo sempre nas sucessivas eleições que disputou, sempre com uma coligação PSD/CDS. Fica a nota para quem se apoia demasiado em actos eleitorais que já lá vão. Até porque os votos não são dos candidatos, são dos eleitores, e eles podem mudar o seu sentido sempre que tiverem oportunidade.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Análise do debate.

por Luís Menezes Leitão, em 11.01.18

Não sei se o debate de ontem foi um nulo ou se teve algum vencedor. Depende muito dos conhecimentos que o público tenha em relação aos assuntos que estão em discussão. Lembro-me que um colega me dizia, em relação aos comentários de Marcelo Rebelo de Sousa, que estava sempre de acordo com ele, excepto quando estava dentro dos assuntos. Para mim ouvir Santana Lopes a debater questões económicas é como ouvir um concerto para violino de Chopin.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O embate deu empate (nulo)

por Pedro Correia, em 11.01.18

À hora do debate entre os dois candidatos à liderança do PSD optei por assistir ao jogo Cova da Piedade-Sporting. Só perto da meia-noite vi em gravação o segundo confronto televisivo entre Rui Rio e Santana Lopes, desta vez na TVI e só parcialmente em sinal aberto.

Nem queria acreditar: os últimos cinco minutos deste embate decorreram com ambos os candidatos a perorar sobre cenários de derrota eleitoral do PSD em futuras legislativas. Um admitia viabilizar um governo minoritário do PS com Costa, outro admitia viabilizar um governo minoritário do PS sem Costa.

A moderadora, Judite Sousa, introduziu o tema e ambos caíram na armadilha, como principiantes da política. Discutindo a melhor forma de entregar o poder de bandeja aos socialistas.

Veredicto: empate nulo. Como o zero-a-zero que se registava ao intervalo do Cova da Piedade-Sporting. Costa só pode sorrir: tem motivos para isso.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Rui Rio em público

por Pedro Correia, em 08.01.18

LMXT9PS0.jpg

 

«Aquilo que hoje está no Público, na primeira página, está mal. Porque induz as pessoas mal. Mas depois, se forem ver as respostas, está bem.»

 

«Isto não tem nada a ver com a pergunta que me fazem... A resposta está bem no Público. A primeira página é que está mal.»

 

«Quem ler a primeira página do Público, dá ideia que eu ganho as eleições no próximo sábado e estou a apoiar o Governo na semana seguinte. Não é nada disso. Isso não. Era o que faltava!»

 

Rui Rio, hoje, em entrevista ao Jornal da Noite da SIC

Autoria e outros dados (tags, etc)

Santana: vitória clara no debate

por Pedro Correia, em 05.01.18

Só hoje vi o debate Pedro Santana Lopes-Rui Rio de ontem à noite. Felicito a RTP por tê-lo organizado em canal aberto, no cumprimento da indispensável missão de serviço público. Felicito o Vítor Gonçalves pela moderação serena, fiel à sua imagem de marca.

Quanto ao vencedor, nem uma hesitação: não liguem aos comentadores politicamente correctos que se apressaram a sugerir um "empate técnico". Nada disso: ganhou Santana. Não aos pontos, mas por KO.

Rio, arrasado, foi às cordas. Vê-se bem que lhe falta muita rodagem no exercício do contraditório. Nem parece que anda há mais de trinta anos na política, desde o tempo em que foi jotinha lá nos idos de oitenta.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pergunto

por Rui Rocha, em 27.11.17

Constato que os caríssimos andam por aí a gozar com o Morais Sarmento por este apoiar o Gui Guio. Consideram, portanto, que a coisa funcionaria melhor se apoiasse o Pedgo?

Autoria e outros dados (tags, etc)

"Diz qualquer coisa de oposição"

por Pedro Correia, em 12.10.17

68a4f69f7680ef07dcaf715b3876f2ee[1].jpg

 

Faz hoje um mês, previ aqui que Rui Rio seria uma das figuras em foco de Outubro a nível nacional. Pela necessidade de finalmente assumir uma candidatura à liderança ao PSD.

Passos Coelho facilitou-lhe a vida, saindo de cena após as humilhantes derrotas eleitorais que o partido sofreu em Lisboa e no Porto, aliás muito previsíveis.

 

Dizem-me que Rio já andava a preparar-se há mais de um ano para este momento, cuidando de tudo ao pormenor, como é do seu feitio meticuloso.

Teve azar: o dia mediático, que já andava dividido pelas primeiras informações públicas em torno do Orçamento do Estado para 2018 e pela réplica formal do Governo espanhol ao desafio separatista da Catalunha, acabou por ser totalmente absorvido pela acusação formal da Procuradoria-Geral da República ao ex-primeiro-ministro José Sócrates, que vai sentar-se no banco dos réus pela suspeita de ter cometido 31 crimes. Facto sem precedentes na história política e na história judicial do País.

 

Rio nunca poderia ter previsto isto. Mas podia e devia ter feito um discurso mais vibrante e mobilizador perante a galeria de apoiantes em Aveiro.

Escutei-o pela televisão. Iam já decorridos 15 minutos de discurso quando dei por mim a parafrasear aquela personagem de Nanni Moretti: "Diz qualquer coisa de oposição!"

Acabou por dizer, daí a momentos, nessa intervenção de 17 minutos. Com uma frase que sabia ser apropriada a títulos de jornal: "O PSD é um partido de poder, não é a muleta do poder."

Achei muito pouco para quem se candidata à liderança do maior partido da oposição ao Governo socialista. Nestas coisas, como ensinava o engenheiro Guterres, nunca há segunda oportunidade para uma primeira impressão.

Autoria e outros dados (tags, etc)

É Tempo de Agir

por Rui Rocha, em 11.10.17

agir.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

Obviamente, demite-se

por Pedro Correia, em 03.10.17

image[4].jpg

 Foto: Miguel A. Lopes/Lusa

 

Esmagado pela  hecatombe eleitoral e confrontado certamente com cenários demolidores na Comissão Política do partido, Pedro Passos Coelho sai pelo seu pé, exercendo a única opção credível que lhe restava. Como escrevi ontem aqui, restava-lhe abandonar o palco empurrado - o que seria péssimo para ele e nada recomendável para um partido que mantém intactas as ambições de regressar ao poder a médio prazo.

Rui Rio é agora forçado a abandonar a prolongada reclusão a que se entregara, apenas interrompida pelo apoio que concedeu ao malogrado candidato do PSD à Câmara Municipal do Porto - pessoa cujo nome, sinceramente, não cheguei a fixar. Nada famosos, os resultados que Rio patrocinou: 10,3%, apenas um mandato na vereação da Invicta e menos de metade dos votos obtidos por Luís Filipe Menezes há quatro anos. O pior desfecho de sempre do partido laranja num acto eleitoral da capital do Norte.

Há melhores cartões de visita, convenhamos. Mas o ex-autarca portuense terá mesmo de sair da sua zona de conforto, competindo-lhe ser uma das figuras em foco na política portuguesa neste mês de Outubro, na linha do que já  aqui fora antecipado. Se a circunstância faz o homem, como dizia o outro, eis Rio precisamente por estes dias a ser moldado pela circunstância.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A pior maneira de perder

por Pedro Correia, em 12.09.17

rui_rio1700a13e_base[1].jpg

 

«Rio inicia contactos para alternativa a Passos.»

Manchete do Expresso de 29 de Outubro de 2016

 

Acabou-se o silêncio entrecortado de recados com sentido dúbio, acabou-se a interminável espera por uma inspiradora vaga de fundo, acabou-se a margem para novo ciclo de ambiguidades acarinhadas pela imprensa amiga.

No dia 2 de Outubro, contados os votos autárquicos, o discretíssimo Rui Rio terá de sair enfim da sua zona de conforto e dizer ao que vem. Garantindo que desafiará Pedro Passos Coelho na corrida à próxima liderança do PSD. Limitar-se a gerir o silêncio é próprio dos tíbios. E deles não reza a história.

Prevejo por isso que o ex-presidente da Câmara Municipal do Porto será uma das figuras em foco na cena política portuguesa do próximo mês. Ou fala agora ou perde em toda a linha mesmo sem tentar. Que é sempre a pior maneira de perder.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Rui Rio, o rei dos títulos

por Pedro Correia, em 04.11.16

20012321_UvrGa[1].jpg

 

 

"Cavaco e Passos preferem Rui Rio"

Notícia de 1ª página do Expresso, 10 de Janeiro 2015

 

"Rio já pensa nas presidenciais mas ainda não decidiu quando avança"

Notícia do Público, 29 de Abril

 

"Rio avança para Belém"

Notícia da SIC, 29 de Maio

 

"Falso avanço fragiliza Rio"

Notícia de 1ª página do Sol, 5 de Junho

 

"Rui Rio avança no fim do mês"

Manchete do i, 8 de Julho

 

"Rui Rio avança já para Belém"

Notícia de 1ª página do Sol, 10 de Julho

 

"Rio jantou com Passos e avança antes das eleições legislativas"

Notícia do Diário de Notícias, 11 de Julho

 

"Rio já decidiu presidenciais"

Notícia de 1ªpágina do Expresso, 18 de Julho 

 

"Rio vê vantagens 'tácticas' em avançar mais cedo"

Notícia de 1ª página do Público, 20 de Agosto

 

"Rui Rio já não avança em Setembro"

Manchete do i, 27 de Agosto

 

"Rui Rio diz se avança ou não em Outubro"

Notícia de 1ª página do i, 2 de Setembro

 

"Crise política afasta Rio da corrida a Belém"

Manchete do Jornal de Notícias, 15 de Outubro

 

"Rui Rio desiste de Belém mas não do PSD"

Notícia de 1ª página do i, 16 de Outubro

 

"Rio não vai ao congresso"

Notícia do Expresso, 1 de Abril 2016

 

"Rio inicia contactos para alternativa a Passos"

Manchete do Expresso, 29 de Outubro 2016

 

"Rui Rio nega estar a fazer contactos para se candidatar à liderança do PSD"

Notícia do Observador, 4 de Novembro 2016

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Agarrem-me senão eu bato-lhe

por Pedro Correia, em 31.03.16

Rui Rio deu uma entrevista na antevéspera do congresso do PSD para revelar ao País que não estará presente na reunião máxima dos sociais-democratas. Se fosse, avisou em tom grave, teria que criticar Pedro Passos Coelho e "perturbar" o conclave. Assim limita-se a picar o ponto na comunicação social - onde sempre vence por goleada.

É uma variação, como qualquer outra, daquele velho dito "agarrem-me senão vou-me a ele". Rio é, aliás, especialista neste número. Faz agora um ano, esteve quase a candidatar-se a líder do PSD. Faz agora um ano, esteve quase a candidatar-se à Presidência da República. Nunca lhe faltou imprensa amiga a desvendar-lhe o pensamento, dando nota de que estaria pronto para "avançar" fosse para o que fosse.

Eterno candidato a candidato, dá sempre a sensação de que se move. Mas é pura ilusão de óptica, pois acaba por nunca sair do mesmo sítio.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O cerco aperta-se.

por Luís Menezes Leitão, em 31.03.16

Escrevi aqui que Passos Coelho estava a deixar o PSD ficar absolutamente cercado, quer pelos partidos da maioria governamental, quer pelo CDS, quer até pelo próprio Presidente da República. Na verdade, Marcelo não perde uma oportunidade para desancar Passos e apoiar Costa. Aliás, Marcelo e Costa até parecem o Senhor Feliz e o Senhor Contente da rábula criada por Nicolau Breyner. Hoje estou convencido de que o (para mim na altura) incompreensível apoio de António Costa a Sampaio da Nóvoa não visava outra coisa que não permitir a eleição de Marcelo, como veio a ocorrer. E Marcelo tem-se mostrado extremamente agradecido, nunca vacilando no apoio ao actual governo. 

 

Passos Coelho, pelo contrário, parece o Senhor Triste, todos os dias suspirando de saudade pelos tempos em que chefiava o governo e só falando desses tempos. Ainda ontem, no debate quinzenal, foi patético vê-lo pedir a António Costa que avaliasse as reformas que o governo anterior fez, parecendo completamente focado no passado e ignorando os combates do presente, que são duríssimos e onde não se pode fraquejar.

 

Só que até ontem faltava mais um elemento na equação: o surgimento da oposição interna. Essa oposição surgiu agora, com uma entrevista de Rui Rio, logo seguida de outra entrevista de Paulo Rangel. Ambos alinham pelo mesmo diapasão, dizendo em primeiro lugar o óbvio: que a oposição que Passos Coelho está a fazer ao governo está a ser muito frouxa e que o PSD precisa de uma renovação profunda, como aliás o CDS fez agora. O que é curioso, no entanto, é que não assumam desde já o objectivo (para todos evidente) de conquistar a liderança, dizendo Rui Rio que nem sequer se vai dar ao trabalho de ir ao congresso e Paulo Rangel que se sente muito bem no Parlamento Europeu.

 

Estamos assim perante o calculismo típico dos políticos portugueses em que António Costa fez escola. O objectivo daqueles dois é fritar Passos Coelho em lume brando durante dois anos ou mais, para depois lhe dar o golpe mortal nas vésperas das eleições. A Passos Coelho estaria assim reservado o papel de ser o António José Seguro do PSD, que irá de vitória em vitória partidária esmagadora — mesmo com 95% — até à derrota final, no momento em que o D. Sebastião há muito aguardado surgirá numa manhã de nevoeiro, para depois disputar as eleições sem o peso dos anos na oposição.

 

Confesso que me irritam profundamente estes esquemas de calculismo político. Era mais que altura de os partidos acabarem com isto. Mas é manifesto que é isso que vai suceder.

Autoria e outros dados (tags, etc)


O nosso livro





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2017
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2016
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2015
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2014
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2013
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2012
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2011
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2010
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2009
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D