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Não satisfeito com o comportamento inqualificável de revelação em público de assuntos que deveriam estar sujeitos a reserva absoluta, Rui Machete dedica-se agora a negar o que não pode ser negado. A indicação de que um grupo de 2 a 3 pessoas de um universo de 12 a 15 pretende desertar é, obviamente, uma quebra lamentável de sigilo relativamente a um tema que deve ser tratado com pinças. Pedro Passos Coelho, entretanto, também já se apressou a manifestar solidariedade com o seu ministro. Pelo visto, as declarações de Machete não lhe causaram incómodo. Nada que surpreenda, realmente, em quem já nos habituou a escolher no mesmo sentido (errado) sempre que se trata de decidir entre ser solidário com incompetentes ou ser solidário com Portugal e com os portugueses. No meio desta falta de vergonha e trambiqueirice, só tenho pena de uma coisa. É de facto lamentável que, com o jeito que Machete tem para guardar um segredo, Passos Coelho não lhe tenha confiado informação sobre os valores que recebeu da ONG da Tecnoforma que agora, apesar do seu esforço, não consegue recordar. Machete não tardaria a pôr a boca no trombone. Depois bastar-nos-ia soprar ao ouvido de Passos Coelho que um dos seus 14 ou 15 ministros, homem, já entradote e com o primeiro nome começado por erre, tinha cometido uma terrível inconfidência. Creio que Passos Coelho e Machete ficariam de imediato esclarecidos sobre a gravidade, que persistem em ignorar, das suas omissões e dos seus actos.

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Ó gentis guerrilheiros do ISIS,

por Rui Rocha, em 23.10.14

se acaso tiver chegado aos vossos ouvidos, que Alá os proteja assim sensíveis aos sons como são, que o nosso ministro Rui Machete declarou que algumas das jovens portuguesas que vos acompanham pretendem regressar, assim pondo a respectiva segurança em inconcebível perigo, rogo-vos que não deis crédito a tais notícias. Sabei, ó emissários de Alá e intérpretes da sua vontade, que o nosso ministro é um rematado palerma e que Alá lhe concedeu aparentemente dois dedos de testa, mas nada mais desses dois dedos para dentro. Assim, permanecei serenos e amigáveis com as ditas jovens a quem permitis a suprema dádiva de partilhar as vossas vidas escolhidas. Não lhes deis, a graça de Alá permita que estas minhas palavras cheguem aos vossos ouvidos, assim sensíveis como são, nenhuma carga de porrada nem lhes corteis nada que lhes faça falta. Acreditai, até que as jovens escolhidas possam pôr-se ao fresco, assim o nosso apalermado ministro se cale por uns dias, que não desejam elas outra coisa que permancer ao vosso lado, bem sabendo que Alá não tem outra vontade, e assim esta se faça.

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Machete, o maquiavélico

por Rui Rocha, em 11.11.13

Com que então o Machete está balelas, não é... Ah e tal que já não assa quantas espeta, arrasta as botas e caladinho é que era uma casa cheia? Pois vai-se a ver e não. Que também é para isto que existem os jornais de referência. Para nos dar a basezinha. De acordo aqui com este doutor (não se deixem enganar pelo olhar mortiço), as afirmações de Machete fazem parte de um plano magistral que visa, de forma deliberada, chamar a atenção de Passos Coelho. Ou mesmo derrubá-lo, em conluio com Belém, dependendo do parágrafo que estiverem a ler. Imagino que era isso ou vestir-se de lantejoulas, cores garridas e ceroulas pelo joelho (isto, claro, se nos ativermos ao parágrafo de acordo com o qual a intenção era chamar a atenção). Vejamos, que não há nada que consiga reproduzir a luminosidade do raciocínio espelhado nas palavras do próprio escriba:

Foi este comentário de Rui Machete um acidente, um lapso, um flop comunicacional? Não creio: julgo que foi intencional. Rui Machete com a sua experiência, com o seu descomprometimento, quis chamar a atenção a Passos Coelho. Machete, inteligente como é, pensou muito bem nas consequências políticas das suas declarações. Passos Coelho está muito arrependido de o aceitar, a pedido de Cavaco Silva, no seu Governo.

Vai-se a ver e quando Machete pediu desculpa a Angola o que pretendia era desestabilizar Moçambique. E o certo é que passaram uns dias e foi o que se viu. E quando se esqueceu da coisa das acções queria, ai o sacana que agora é que o topo, desencadear uma guerra pela sucessão no Grupo Espírito Santo. Pois aí a temos. Ou não? Confessem lá que não tinham pensado nisto, hã? Ah pois é. E quando pararem de rir, ainda vem o melhor. Temos não um texto isolado, fruto de uma inspiração momentânea, mas uma saga. Está prometido que amanhã a ideia de base será retomada, confrontando-a com as posições do Tribunal Constitucional e do Presidente da República. Nem mais, nem menos. Esperemos que o facto de a tese da intencionalidade de Machete ser razoavelmente incoerente com o resto do texto não faça esmorecer este esforço titânico de esclarecimento da opinião pública. É que, para além de lançar luz sobre as intenções de Machete, ainda há neste mundo de Deus outras muitas questões carecidas de explicação. Ou também vos passou despercebida a questão das pizzas? Pois, pois. Quer dizer então que nunca desconfiaram de nada mesmo sabendo que esta é transportada em caixas rectangulares, tem a forma de uma circunferência e é cortada em porções triangulares? Desculpem, mas não passam de uns meninos.

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A diplomacia segundo Machete.

por Luís Menezes Leitão, em 11.11.13

 

Eu sempre achei que Passos Coelho tinha imenso jeito para escolher ministros. Aliás, a escolha da Ministra das Finanças ia conseguindo só por si deitar abaixo o Governo, o que teria sido um alívio. Só é por isso de louvar a escolha de Rui Machete para Ministro dos Negócios Estrangeiros. Com Machete à frente da nossa diplomacia, os Estados Unidos — ou qualquer outro país — não precisam de fazer escutas aos nossos governantes pois o Ministro dos Negócios Estrangeiros se encarrega de dizer publicamente tudo o que se passa. Houve uma investigação do Ministério Público a dirigentes angolanos? O Ministro dos Negócios Estrangeiros esclarece em Angola que vai ser tudo rapidamente arquivado, como se verificou, pedindo antecipadamente desculpas diplomáticas. Portugal está em dúvida quanto a ter um segundo resgate ou um programa cautelar? O Ministro dos Negócios Estrangeiros esclarece na Índia que cairemos inevitavelmente no segundo resgate se os juros não baixarem abaixo dos 4,5%. É claro que os nossos credores já sabem há muito que o segundo resgate e uma reestruturação da dívida são inevitáveis, pelo que fogem da dívida portuguesa como o diabo da cruz. Mas podia dar-se o caso de algum investidor indiano mais distraído acreditar que Portugal afinal ia pagar isto. Machete não quer enganar esses investidores pelo que esclarece logo que olhem para os juros antes de se porem a comprar títulos.

 

Quem pode criticar Machete por dizer a verdade no estrangeiro? Bem podem Henrique Monteiro e José Sócrates andarem a discutir no Expresso a filosofia kantiana sobre a mentira e as suas consequências morais. Machete dá-lhes um exemplo prático do respeito pela verdade. Como dizia o Apóstolo João (João 8:32) "veritas vos liberabit" (a verdade vos libertará). Portugal está salvo.

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Na última versão conhecida, a que leio no Público às 19.56 do dia 8 de Outubro de 2013, Rui Machete afirma que na entrevista que deu à RNA pretendia minimizar os efeitos de uma violação do segredo de justiça. Esta versão, veremos se definitiva ou não (o historial recente demonstra que as versões de Rui Machete sobre determinado acontecimento não costumam durar mais que a vida de uma mosca da fruta) tem dois problemas. O primeiro consiste em poder ser muito verdadeira mas não ser menos desconhecida de um certo Rui Machete que exercia como Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal há menos de uma semana. Na verdade, o tal Rui Machete, não confundir com o Rui Machete que hoje presta esclarecimentos no Parlamento, emitiu um comunicado em que tenta justificar tais declarações admitindo que estas se referiam a aspectos substanciais do processo (gravidade dos factos em investigação) e em nenhum momento coloca sobre a mesa qualquer ligação das suas palavras à violação do segredo de justiça. Da mesma maneira, não devemos confundir o Rui Machete que declarou ter vendido acções a um preço X com o Rui Machete que reconheceu uns tempos depois que as tinha vendido ao preço Y. É ainda evidente que nenhum destes Machetes deve, por sua vez, confundir-se com o Machete que afirmou em determinada altura que não detinha quaisquer das acções que os outros Machetes declararam posteriormente ter vendido a diferentes preços. A proliferação de Machetes não é, todavia, a maior razão de preocupação. A dificuldade principal é que, pelo visto, os diversos Machetes nunca se encontram e cada um dos Machetes não faz ideia do que fazem ou dizem os outros. O segundo problema é que um dos Machetes, o que deu a entrevista à RNA e posteriormente emitiu o comunicado justificativo (presumo que sejam o mesmo mas confesso que nesta matéria não tenho certezas) faltaram gravemente ao respeito aos portugueses pondo em causa de forma desastrada o princípio fundamental da separação de poderes. O terceiro problema é que o Machete que está hoje no Parlamento é bem capaz de ter faltado ao respeito aos angolanos por dar a entender que o outro Machete disse umas coisas que na realidade não disse e que, na verdade, as suas declarações foram conversa fiada para os entreter. Temos assim ou excesso de Machetes (um fenómeno de multiplicação de ortónimos), ou razoável falta de vergonha e, em qualquer caso, razões mais do que suficientes para uma demissão ainda que para tal se tenha de aplicar o conceito desportivo de expulsão por acumulação de amarelos. Quanto ao mais, sei bem que falei de dois problemas no início do texto e acabei por referir três. Tratou-se, como bem compreenderão, de mera imprecisão factual. De expressão menos feliz, se quiserem, em que, todavia, não incorri em erro superior a cinquenta por cento. 

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A lição do Jornal de Angola.

por Luís Menezes Leitão, em 07.10.13

 

Eu até acho que o Jornal de Angola dá uma lição aos portugueses, demonstrando quão apreciado foi o servilismo do Ministro Machete por aquelas bandas. E acrescenta mais: "Portugal está no centro de uma grave crise social e económica sem fim à vista. O Estado Social que nasceu com a Revolução de Abril tem sido friamente destruído pelas elites reinantes. Os fundos de coesão da CEE foram desbaratados por cleptocratas insaciáveis que à sombra de partidos democráticos se comportaram como vulgares ladrões sem sequer se disfarçarem com colarinhos brancos. (…) Face ao esvaziamento dos cofres públicos, até as pensões e reformas dos idosos são confiscadas. Milhares de jovens quadros são obrigados a procurar em países estrangeiros o pão nosso de cada dia (…). As elites portuguesas famintas de dinheiro entraram em desvario. À medida que a crise aperta, eles disparam em todas as direcções, atingindo por vezes membros do bando. À medida que a “troika” drena milhares de milhões de euros para os bolsos dos credores, as elites reinantes ficam sem cheta e tornam-se mais agressivas". Para mal dos nossos pecados, esta é presentemente a imagem de Portugal no mundo: um país onde até os dias marcantes da sua história deixaram de ser comemorados, já que o único objectivo nacional é deixar contentes os nossos credores.


Depois de o Ministro dos Negócios Estrangeiros ter "pedido diplomaticamente desculpa" a um Estado estrangeiro pela actuação do Ministério Público português, num país em que a separação de poderes é princípio constitucional, o Governo bem podia fechar para obras. Ponham cá uma comissão liquidatária da troika que faz perfeitamente o trabalho de destruir o nosso Estado. E pelo menos poupava-nos a vergonha.

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Canção infantil com novo arranjinho

por Rui Rocha, em 07.10.13

Ah, ah, ah, seu machetinho, 

Ah, ah, ah, seu machetinho, 
Onde pões a mão
Sais logo da linha

Onde pões a mão
Sais logo da linha


Sais logo da linha que nem é tua
Sais logo da linha que nem é tua
Salta machetinho pró meio da rua
Salta machetinho pró meio da rua.

No meio da rua não hei-de ficar,
No meio da rua não hei-de ficar,
Eu hei-de ir à FLAD escolher o meu par
Eu hei-de ir à FLAD escolher o meu par

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Um emocionado elogio fúnebre

por Rui Rocha, em 06.10.13

O Jornal de Angola saiu em defesa de Rui Machete e acusou a procuradora de se ter posto “fora da lei”.

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Machete, kota, vais ter de bazar

por Rui Rocha, em 06.10.13

Machete foi consultor em escritório de advogados que defende angolanos investigados pela PGR.

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Ponto de ordem à mesa

por Rui Rocha, em 05.10.13

Vamos lá tentar esclarecer alguma confusão que por aí anda. Uma expressão menos feliz é isto:

 

Isto é uma interpretação pessoal:

 

isto, bem, isto é um capacho:

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As Necessidades e a porcaria

por Rui Rocha, em 21.09.13

Rui Machete reagiu, no dia em que tomou posse como Ministro do Estado dos Negócios Estrangeiros, às críticas dos que sublinhavam as suas ligações ao BPP e ao BPN. Nessa oportunidade referiu que tais críticas eram “reflexo da podridão dos hábitos políticos”. Machete não podia estar mais certo no diagnóstico que fez. Há, de facto, hábitos podres na política portuguesa. Há por exemplo quem tenha escrito e enviado uma carta em 2008 onde garantia o seguinte: "Não sou nem nunca fui gestor/administrador do BPN ou membro do seu Conselho Fiscal ou sequer acionista ou depositante da mesma instituição bancária". Sabe-se hoje que as primeiras acções da SLN contabilizadas na carteira de investimentos de Machete foram subscritas, em 2001, no aumento de capital da holding para 350 milhões de euros. E que nos anos seguintes, voltou a investir na SLN e, no final de 2005, detinha 25.496 títulos. E que as acções foram vendidas com uma mais-valia de 150%. Agora, o Bloco de Esquerda trouxe à praça pública a contradição entre o que foi dito e a realidade dos factos. Se não existissem hábitos podres na política portuguesa, Machete teria apresentado, perante tudo isto, um pedido de desculpas e a sua demissão. Tal não apagaria a vergonha de ser apanhado a mentir aos setenta e tal anos. Mas daria pelo menos aos cidadãos um sinal de que sobra um módico de decência no sistema político: quem mente sai do governo, quem é “esquecido”, para além de ter de tomar Memofante, também não pode lá ficar. Todavia, como há podridão, Machete achou que podia introduzir um momento humorístico. Em comunicado hoje cometido, refere-se a imprecisão factual. E acrescenta:“No momento em que escrevi esta carta, em 5 de novembro de 2008, não tinha quaisquer ações ligadas ao Banco Português de Negócios (BPN). Aliás nunca tive, em qualquer momento, ações do BPN. Equivocadamente escrevi então que nunca tinha tido ações da Sociedade Lusa de Negócios (SLN)”. Como se alguém como Machete, metidinho até ao pescoço em todo o lodaçal desse escabroso negócio, não soubesse que, para o que está em causa, a SLN e o BPN eram uma e a mesma coisa. É preciso que esta gente saiba que há limites. E que, desta vez, um mínimo de salubridade impõe que as Necessidades não permaneçam envolvidas nesta porcaria.

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