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Insónias

por João Sousa, em 06.08.19

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Liguei agora a televisão por puro tédio e fiz um zapping sem qualquer esperança. Na RTP1 estão José Castelo Branco e Iran Costa (sim, o do "Bicho"). É então este o tal "serviço público" pago pelo contribuinte...

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Ab amore Dei

por Pedro Correia, em 26.10.18

Acabo de ouvir a Filomena Cautela dizer "por amor de Deus" no 5 para a Meia Noite, da RTP. Ainda antes da meia-noite, o que torna a coisa mais grave. Àquela hora estavam certamente criancinhas a ouvir. E as criancinhas devem ser poupadas a expressões eventualmente traumáticas como esta.

Bem sei que o programa tem bolinha no canto superior direito do ecrã. Mesmo assim, trata-se de algo inaceitável num Estado laico. Expressões de conteúdo teológico deviam ser rigorosamente interditas no canal público. Que esperam o Conselho de Administração, o Conselho de Opinião e o Conselho Geral Independente da RTP para aprovarem um Index Verbis Prohibitorum que possa prevenir tais despautérios?

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Motivo para deixar de ver a RTP

por Pedro Correia, em 01.10.18

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Sete anos depois, Cristina Esteves deixa de apresentar os telejornais do fim de semana na televisão pública.

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Primeiro o Bruno, depois o acessório

por João Pedro Pimenta, em 04.06.18

Eu sei que a crise do Sporting interessa muito aos portugueses e é motivo para especulações e discussões infinitas. Mas era mesmo preciso que a RTP abrisse o noticiário da noite de sexta-feira com a conferência "de imprensa" de Bruno de Carvalho num dia em que a Espanha e a Itália ganharam novos governos? Já nem falo das últimas medidas proteccionistas de Trump em busca da quimera do renascimento da indústria do aço no Midwest. Se isto são as prioridades de informação da televisão pública, então nem quero imaginar as das privadas. Na volta até são mais sensatas.

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Final da taça ou fim da linha?

por Sérgio de Almeida Correia, em 20.05.18

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Depois de durante dias seguidos ter sido bombardeado com a novela de Alcochete, a que se seguiu a novela da Taça de Portugal, com as rescisões, as ameaças, os desmentidos, os comunicados, as entrevistas e as conferências de imprensa com as catatuas e os marginais habituais; sem esquecer o último jornal da RTP com os títulos da imprensa diária comentados em directo, estava convencido de que a RTP, já nem digo a Televisão de Macau (que transmite os jogos da Liga dos Campeões e da Liga Europa, dos campeonatos de futebol da China e do Japão e, ainda, da segunda divisão inglesa, tendo já anunciado em canal aberto os 64 jogos do Mundial da Rússia), permitiria a todos os que vivem na Ásia, e àqueles que estão de viagem por estas paragens, como a equipa B do Sporting Clube de Portugal, assistirem em directo à final. 

Mas não. À mesma hora a que se jogava no Estádio Nacional o Aves - Sporting, por aqui tínhamos de gramar na RTP Ásia, uma vez mais, com os comentários futebolísticos dos "paineleiros" da bola com mais uma retransmissão de um programa requentado sobre a crise do Sporting.

Nem mesmo através da RTP Play era possível ver o jogo que a RTP 1 estava a transmitir em directo. Quanto à  RTP Internacional anunciava "Got Talent Portugal" (convém ensinar inglês aos provincianos que vivem fora de Portugal) e "Volta ao Mundo". Um verdadeiro serviço público de excelência para os portugueses que vivem fora. Curiosamente, ainda ontem vi a final da Taça de Inglaterra. 

Ouvir o relato pela rádio fez-me regressar, em 2018, aos domingos à tarde, em Moçambique, no final das décadas de sessenta e início de setenta do século passado, quando não havia RTP Internacional ou televisão a cores, e eu me escapava para acompanhar os relatos dentro do carro do meu pai.

E depois aparecem por aí umas cavalgaduras com os bolsos carregados de porta-chaves e pacotes de manteiga, para largarem uns perdigotos a enaltecer a herança camoniana, a lusofonia e a importância dos "portugueses da diáspora" (sic), enquanto nós suamos em bica e eles aproveitam para distribuir a granel a lataria do Dez de Junho. Não corresse eu o risco destas linhas serem lidas por menores e dir-lhes-ia o que podiam fazer com a tralha que nos trarão dentro de mais uns dias. 

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Uma vergonha

por Pedro Correia, em 04.05.18

Prática inaceitável e vergonhosa revelada em reportagem da RTP: deputados de vários partidos - alguns até residentes a poucos metros da Assembleia da República - recebem ajudas de custo diárias e "abonos de deslocação" por indicarem no Parlamento moradas longínquas como habitação permanente. Enquanto no Tribunal Constitucional deixam evidente que residem em Lisboa.

Parabéns à Sandra Machado Soares pela investigação. Eis um exemplo de bom jornalismo.

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Carvalho está firme e hirto

por Pedro Correia, em 11.04.18

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Última hora no canal púbico.

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Os Habsburgos na RTP2

por João Pedro Pimenta, em 21.12.17

Apesar das séries de TV - ou agora até da net, ou de um híbrido entre as duas - estarem em grande, suplantando mesmo o cinema, não sou grande seguidor. A oferta é imensa, tem inúmeras categorias, e a obrigatoriedade de seguir os episódios, sobretudo quando há várias épocas, implica um esforço de fidelidade que tem os seus custos. 

 

Quando não são extensas acompanho uma ou outra. E há algumas que não sendo especialmente mediáticas têm o seu interesse. É o caso de uma produção que passou na RTP2 até há cerca de duas semanas, com o título português Maximiliano: Poder e Amor (no original Maximilian: Das Spiel von Macht und Liebe), que narra o encontro do herdeiro do trono do Sacro Império que dá nome à série com a duquesa da Borgonha. Centrando-se na particular relação entre os dois, com as habituais sub-tramas de romances pelo meio, a série mostra-nos um período charneira da história da Europa, entre o fim da Idade Média e o início do Renascimento. Constantinopla caíra poucos anos antes, na mesma altura em que findava a Guerra dos Cem Anos, e Portugal tinha iniciado a expansão africana. A história começa com a notícia da morte de Carlos, o Temerário, na batalha de Nancy, e das atribulações que a sua filha Maria teve de passar, em particular com a burguesia flamenga (a duquesa da Borgonha tinha a sua corte na então próspera Gand), pouco afecta à casa ducal e mais próxima da França de Luís XI, inimigo jurado do Temerário, com cujo filho (quase uma criança) pretendia casar Maria, anexando o velho ducado e seus territórios, que então se estendiam da Borgonha propriamente dita até à actual Holanda, aos territórios franceses. Dando a volta a estas maquinações, Maria casar-se-ia com Maximiliano.

 

Não querendo fazer demasiadas revelações caso a série volte a passar na TV um dia destes, compreende-se melhor assim o fim de uma potência, a Borgonha, que a ter sobrevivido como estado (e como reino, como pretendia o Temerário) mudaria bastante a geopolítica da Europa como a conhecemos, e a ascensão de outra. O Sacro Império passava por inúmeros problemas, numa altura em que os exércitos eram sobretudo constituídos por mercenários, para cuja manutenção era preciso dinheiro, que não abundava nos cofres dos Habsburgos. Para mais, estavam rodeados de poderosos inimigos - a França a oeste e a leste a Hungria do poderoso Matias Corvino e seus estados vassalos, como a Valáquia do célebre Vlad, o Empalador. Ironicamente, a coroa da Hungria seria mais tarde ostentada pelos Habsburgos. Mas todos esses problemas são retratados na série, onde começa a formar-se a dinastia que dominaria a Europa no futuro próximo. Se então a Borgonha passava por uma crise dinástica, Castela passava por outra, que acabou com o triunfo de Isabel, a Católica, sobre a pretendente apoiada por Portugal, Joana, a Beltraneja. A resolução das duas acabaria por ficar umbilicalmente ligada: o filho de Maximiliano e de Maria, Filipe, o Belo, casar-se-ia com a filha dos Reis Católicos (de Castela e de Aragão), Joana, a Louca, e o filho de ambos, que a História recorda como Carlos V, herdaria os títulos de Imperador do Sacro-Império, Duque de Borgonha (embora a região com esse nome tivesse sido anexada pela França) e Rei de Castela e Aragão, com todos os territórios inerentes e ainda os do Novo Mundo. O seu filho Filipe seria também, a partir de 1580, Rei de Portugal, como se sabe.

 

Claro que grande parte destes acontecimento não vêm narrados na série, que decorre num período de cinco anos. Nela cabem o romance, a intriga, a traição, a desobediência e a guerra, num ambiente algo pesado e penumbroso. Tem também uma excelente fotografia e alguns aspectos curiosos, como o facto de todos falarem na respectiva língua e em mais nenhuma - o austríaco falava com a borgonhesa em alemão e esta respondia-lhe em francês, ao passo que em Gand se falava flamengo. Nem uma palavra em inglês. Só é pena que não tenha sido referido um pormenor: o de Maximiliano e Maria, que antes do casamento nunca se tinham visto (e casam mesmo por procuração) serem já primos, uma vez que a mãe dele, já morta na altura dos acontecimentos, e a avó dela eram sobrinha e tia, ambas portuguesas, ambas da casa de Aviz (filha de D. Duarte e de D. João I, respectivamente). Tirando a omissão lusa e outras de menor importância, e só lamentando não haver mais cenas de batalha, a série cumpre perfeitamente a função didáctica. Que haja mais.

 

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O jornalismo perdeu por goleada

por Pedro Correia, em 16.09.17

Será talvez pleonástico, mas a RTP cumpriu a sua obrigação de serviço público, sem aspas. Anteontem à noite, ao juntar no mesmo estúdio os 12 candidatos à presidência da Câmara de Lisboa, num debate bem moderado por António José Teixeira. Oportunidade para ouvirmos alguns dos que actuam no chamado "campeonato dos pequenos", com aspas. Só assim denominado porque outros canais televisivos, como a  SIC e a TVI, decidiram apostar apenas nos mesmos - os do costume, os de sempre.

Critério jornalístico, dizem. Se a pauta que aplicam aos candidatos fosse aplicada pelos espectadores às televisões, nunca ambas, TVI e SIC, teriam destronado o canal público.

 

À mesma hora em que os doze de Lisboa debatiam na RTP, a TVI dava um exemplo inverso, de mau jornalismo, ao reunir num debate cinco dos sete candidatos à câmara de Loures (e porquê Loures e não Odivelas, ou Sintra, ou Matosinhos, ou Almada, ou Gaia, ou Barreiro?) apenas para dar palco ao estridente e histriónico candidato do PSD. Que foi o primeiro a falar, por amável deferência da imoderadora Judite Sousa, e também o único que falou o tempo todo, monopolizando a sessão. Tudo menos um debate, afinal.

Vendo bem, o que estava ali em jogo era uma tentativa quase desesperada da TVI de roubar por 90 minutos - o tempo que dura, em regra, um desafio de futebol - um protagonista habitual da sua concorrente CMTV, que já a ultrapassou em audiência nos canais por cabo. O cabeça de proa do PSD, travestido de Tea Party em Loures, teve o seu momentinho de glória perante a benevolente Judite e o ar acabrunhado dos figurantes neste pseudo-debate onde o melhor da política, que todos dizem ser a que se desenrola no plano autárquico, deu lugar ao pior do futebol.

 

Levado ao colo pela jornalista incapaz de arbitrar, o tipo que só quer aparecer e diz tudo o que possa dar-lhe audiência no campeonato dos cromos televisivos - incluindo injuriar sportinguistas, destratar ciganos e mandar às malvas o Código Penal - ganhou por goleada. Derrotando não os rivais que com ele surgirão nos boletins de voto mas o jornalismo sem aspas, que ainda enaltece a isenção e o pluralismo como imperativos éticos e virtudes cívicas.

As autárquicas só serviram de pretexto.

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Inculta e infantil

por Pedro Correia, em 13.10.16

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Câmara Municipal de Montreal: "hotel de cidade", como lhe chama a RTP

 

O canal 2 da RTP autodefine-se, desde há uns tempos, como uma alternativa "culta e adulta" aos raros telespectadores que a frequentam. Não faço a menor ideia de onde partiu este slogan, mas quem o concebeu acertou ao lado: não conheço ninguém verdadeiramente culto que proclame ter tal qualidade e, como é sabido, só os adolescentes insistem em considerar-se adultos.

Faria bem melhor a RTP 2 em não se presumir tão culta. Para não tornar demasiado evidentes os atentados de lesa-cultura que vai cometendo. Ainda há dias abri a boca de espanto com um deles, durante a exibição de um documentário francês de promoção turística sobre o Quebeque, inserido numa série denominada (vá-se lá saber porquê) Flavors.

O referido programa mostrava edifícios históricos da cidade de Montreal. Às tantas ouvimos a seguinte frase, proferida na locução portuguesa: "A arquitectura do seu hotel de cidade reflecte todas as influências da sua história movimentada."

Câmara municipal ou prefeitura - hôtel de ville, em francês - foi assim traduzida à letra pela absurda expressão "hotel de cidade" por quem ignora os rudimentos da língua francesa. Só podia dar asneira.

Procurei a ficha técnica portuguesa, na expectativa de ver quem assinava a tradução e a locução deste documentário. Em vão: a coisa é anónima. Não pode haver maior incentivo para a asneira.

Nada culto, portanto. E nada adulto num canal de televisão capaz de cometer erros tão infantis. Com o dinheiro de todos nós.

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Sair da casca

por João Campos, em 26.06.16

Na RTP, promove-se a partida entre a Inglaterra e a Islândia a dizer algo do género (cito de memória): "afinal, a Inglaterra não quer sair do Euro, mas a Islândia é a favor do Brexit." Há dias, durante o jogo que opôs as selecções da Rússia e de Gales, um dos comentadores contou a história de uma actriz pornográfica que teria oferecido a um dos jogadores russos 16 horas de sexo se ele marcasse aos galeses (não marcou, evidentemente, o que só torna a cuscovilhice mais divertida). No mesmo jogo, perante a imagem de um adepto de Gales a chorar, comentou-se que ele (o adepto) ou estaria emocionado pela prestação da equipa, ou talvez tivesse apenas constatado que já não tinha trocos para a cerveja. E estes nem foram casos isolados: nos trechos promocionais dos jogos que transmite têm imperado os trocadilhos (muito secos, admita-se, mas ainda assim), as alusões humorísticas a algum contexto da actualidade, e os comentários durante as partidas têm sido marcados por inúmeras piadas e referências no mínimo invulgares às equipas, aos jogadores, aos treinadores, aos adeptos ou a outra coisa qualquer que passe pela cabeça dos comentadores de serviço.

 

É impressão minha, ou isto do europeu de futebol deu a volta ao miolo da emissora pública? Enfim, se deu, então já não era sem tempo, como se costuma dizer. Nestes dias tão sisudos é salutar ver a RTP a sair da casca e a adquirir sentido de humor. Esperemos que seja para manter, e que não se resuma a um epifenómeno suscitado por um torneio de futebol. 

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Quando terrorista parece turista

por Pedro Correia, em 17.06.16

«Hoje ninguém mais discute que, apesar de ser uma língua só, temos a variante brasileira e a variante portuguesa, iguais em quase tudo mas diferentes especialmente no vocabulário (o que é natural) e na pronúncia (como pode ser constatado em qualquer canal da TV portuguesa).

Na pronúncia portuguesa, há uma forte tendência de queda das vogais átonas. "Pelotão", na voz dos âncoras da RTP, soa como "plutão". Luís Fernando Veríssimo conta que assistiu a uma chamada sobre os atentados de Paris e demorou a perceber que o "turismo" de que tanto falavam era, na verdade, "terrorismo". Esse processo teve um impacto direto na pronúncia dos pronomes átonos, que lá ficaram anêmicos, praticamente reduzidos a uma mera consoante. Em "dá-me", por exemplo, o "me" é realizado como /m'/, em "devo-te", o "te" vira /t'/, literalmente uma cuspidinha.

Aqui no Brasil, porém, ocorreu exatamente o contrário: o sol dos trópicos fez muito bem às vogais, deixando gordos e saudáveis nossos pronomes.»

 

Cláudio Moreno, professor aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e autor d' O Prazer das Palavras, em artigo de opinião na revista Veja 

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Terapia

por Francisca Prieto, em 15.02.16

Apesar de não costumar assistir a ficção portuguesa, comecei a ver na diagonal a Terapia, na RTP1, por ser amiga de uma das actrizes. Três episódios mais tarde, ainda nem se vislumbrava no ecrã um cabelo da tal amiga, e já estava rendida à série. Ao invés do registo noveleiro a que a televisão portuguesa nos tem habituado, em Terapia assistimos a um registo muito próximo do universo cinematográfico. Com a particularidade de ser um formato que exige excelência do trabalho dos actores, porque é disso que se trata: de dissecar a alma humana até ao seu fio mais descarnado. E ninguém aguentaria assistir a minutos sem fim de texto, em grande plano, se este não fosse muito bem interpretado.

No primeiro episódio, a Soraia Chaves aguenta-se bem, mas num papel ingrato: o de mulher destrambelhada que se faz valer pela sedução (já a tínhamos visto fazer isto, e bem, pelo que não nos caem os queixos).

É no segundo episódio que nos rendemos com um Alex interpretado pelo Nuno Lopes, que nos diverte, ao mesmo tempo que nos esmurra o estômago. E ao longo de todas as terças feiras, a personagem vai ganhando cada vez mais corpo, ao ponto de a dissociarmos do actor. Tão bom, mas tão bom, que é imperdível.

Depois, quando liguei a televisão na primeira quarta feira da série, dei com uma adolescente chamada Catarina Rebelo que me fez entregar os pontos. O raio da miúda é tão bem malcriada que estamos sempre à espera de ver quando é que o Virgílio Castelo perde a paciência.

A minha amiga aparece mais à frente, como mulher do Virgílio Castelo, o psiquiatra de serviço. Primeiro de mansinho, em cenas curtas, mas depois, às sextas feiras, com mais protagonismo, durante as sessões de terapia de casal com a Ana Zannati (impecavelmente igual a si própria, num desempenho tranquilíssimo).

Ora eu estava habituada a ver esta minha amiga noutro tipo de registo. Concretamente no de Manoel de Oliveira, onde fazia de senhora do Douro, ou descia dos céus feita ninfa no meio da guerra colonial, ou então era uma freira, ou até uma rapariga pobre do Raul Brandão, a falar francês pelo filme fora. Sempre tudo muito devagarinho e com olhares enigmáticos.

Sempre bem, sempre em obras de eleição, mas num universo etéreo, como se fosse fora do mundo.

Era-me muito difícil avaliar o seu trabalho de actriz porque ficava invariavelmente desconcertada. Tinha sempre a sensação de que aquela senhora era uma espécie de sósia da minha amiga a quem digo montes de disparates sem qualquer cerimónia, e isto, de alguma maneira, não fazia sentido.
Na sexta feira passada quando a vi, na Terapia, fiquei banzada. Provavelmente porque a personagem se move num universo que me é mais próximo, pela primeira vez consegui olhar para a Leonor actriz sem que fosse através de uma cortina de organza. Deparei-me com uma força extraordinária, que se movimenta pelo texto fora (e que difícil que era o raio do texto e que violenta era a tensão do momento cénico) e que derruba tudo, com uma fluidez irrepreensível e uma linguagem corporal de se lhe tirar o chapéu.

Parabéns à direcção de actores, parabéns aos actores e, se me permitem, uma grande salva de palmas à minha amiga de quem tanto me orgulho.

 

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Um dia em grande

por Sérgio de Almeida Correia, em 27.06.15

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E assim se encerra uma semana plena de êxitos desportivos. À tarde foi a vitória de Miguel Oliveira no Grande Prémio da Holanda, em mais uma indiscutível demonstração de todas as suas qualidades no Campeonato do Mundo de Motociclismo. À noite, já madrugada, chegou a extraordinária exibição da selecção nacional de futebol, categoria de sub-21, no Campeonato da Europa, a decorrer na República Checa, dando uma lição de futebol, em termos técnicos e tácticos, à rapaziada alta e loura da chanceler Merkel. Um resultado de 5-0 numa meia-final de um campeonato europeu é sempre um grande resultado. Contra a Alemanha, que cilindrara o Brasil há um ano no Mundial, em circunstâncias idênticas nos mais velhos, tem o sabor de um abraço para o outro lado do Atlântico, como quem diz "não nos esquecemos do que vos aconteceu". E qualquer que venha a ser a classificação final, nas motas ou no futebol, esta juventude já mostrou que está para lavar e durar.

Pena foi que a RTP Internacional, uma vez mais, não tivesse cumprido os serviços mínimos. Se quanto ao motociclismo isso é normal, o mesmo não se pode dizer e é incompreensível quanto ao futebol. Desta vez, valeram a Internet e o site da UEFA. Mesmo sem locução. Porque em Macau, depois de ter sido anunciada a transmissão, os portugueses tiveram direito a ouvir Júlio Isidro a entrevistar Ana Isabel num programa para encher chouriços. Não houve transmissão do jogo da selecção nacional de sub-21 porque a zona não estava no "pacote". Dinheiro só há para carros novos, propaganda e mandar reabrir as embaixadas onde se irão colocar, "à mama" do défice, os boys e as girls do Pedrinho, do Maduro e dessa referência das laranjadas e pirolitos nacionais que andou a queimar etapas na Câmara de Gaia.    

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Sem notícias, sem uma explicação (2)

por Sérgio de Almeida Correia, em 16.05.15

O Delito de Opinião deve ter muita força. Hoje, às 20 horas de Macau, a RTP Internacional voltou a emitir para os seus telespectadores na China o Jornal da Tarde. Aqui deixo o registo e também o meu agradecimento, em nome dos portugueses que beneficiam desse serviço, a quem fez o favor de ter a iniciativa que determinou a sua reposição.

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Sem notícias, sem uma explicação

por Sérgio de Almeida Correia, em 15.05.15

Nos últimos anos, para quem acompanha as emissões da RTP Internacional na Ásia, era normal ver o Jornal da Tarde, em directo, por volta das 20 ou das 21h locais, dependendo da diferença horária ser de 7 ou 8 horas. A RTP Internacional teve, inclusivamente, um anúncio em que avisava os seus telespectadores asiáticos de que já podiam acompanhar os noticiários à hora local mais conveniente. Confesso que isso, e um ou outro programa cultural ou desportivo, normalmente a desoras, era o pouco que se conseguia ver. Agora, de repente, de há duas ou três semanas para cá, sem aviso, a programação foi alterada e ninguém sabe porquê. Não há uma notícia, não há um horário fiável, a programação é um enigma, e volta não volta lá levamos com a repetição de mais um enlatado entre o Preço Certo, o Jorge Gabriel, a Ágata e as notícias dos arraiais na Madeira. À hora que seria habitualmente a do Jornal da Tarde  passámos a ser brindados com novelas requentadas da "produção nacional" e por volta das 21h, quando aquelas acabam, começa o "5 Para a Meia-Noite", que como todos sabem é um programa altamente educativo, com bolinha vermelha no canto superior direito, para que a miudagem se divirta à brava antes de se ir deitar. O Dr. José Cesário, que dentro de dias estará de novo e pela enésima vez em excursão por Macau para visitar os seus compinchas do partido, dizer no seu estilo paroquial que está atento e a trabalhar e distribuir os habituais brindes do 10 de Junho, o que acontece numa altura em que mais dois secretários de Estado também andaram a "exportar" Portugal no Oriente, talvez possa, entre os seus afazeres partidários, dar uma palavrinha à nova Administração da RTP e trazer uma explicação. Compreende-se que as eleições legislativas, as eleições para o Conselho das Comunidades Portuguesas, os afazeres empresariais e a distribuição de comendas ocupem grande parte do seu tempo, mas já agora se pudesse contribuir para alguma coisa de útil, e que é do interesse de toda a comunidade, também não seria mau.     

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Um trabalho excepcional

por Sérgio de Almeida Correia, em 10.05.15

Em 2010, escolhi o seu Tempo Contado como o meu blogue da semana. Foi uma das minhas primeiras escolhas pelas razões que ali ficaram a constar. E que hoje repetiria. Depois disso continuei a apreciar a sua escrita e estou sumamente agradecido a Francisco José Viegas, a quem não tive oportunidade de dizer quando o vi na Rota das Letras, pelo trabalho de edição da sua obra. Ontem, tive o prazer de poder ver e ouvir o extraordinário documentário, e peço desculpa por não me conter, que António Pedro Vasconcelos e Leandro Ferreira realizaram sobre essa personagem fascinante que é J. Rentes de Carvalho. Gostava de vos poder aqui deixar o link para verem o programa, mas tudo o que consegui foi o horário das próximas emissões da RTP. Se puderem não percam, pois trata-se de uma verdadeira pérola de excelência no mau serviço público que normalmente é prestado aos portugueses que estão fora e que a acompanham pelas  emissões da RTP Internacional. 

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Benefício da esperança

por Sérgio de Almeida Correia, em 14.03.15

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Passada a fase mais troglodita da gestão PSD/CDS da RTP, de que o ex-ministro Miguel Relvas foi nos últimos anos o expoente máximo, e de despachada a gestão cervejeira de Alberto da Ponte, parece que finalmente aquela casa começa a ter um rumo.

A nomeação de Nuno Artur Silva para os conteúdos já fora para mim uma agradável surpresa. Conhecer esta manhã os novos nomes para a direcção de informação foi agora sinal de satisfação. Gente como Paulo Dentinho, Daniel Deusdado, João Paulo Baltazar e Teresa Paixão não merecem o benefício da dúvida. Merecem o benefício da esperança numa área que tem sido tutelada por um ministro que, sendo um jurista de excepção, se tornou num verdadeiro papagaio político ambulante. A "falha", em boa hora verificada, já com o difícil período das legislativas no horizonte, um Governo de pantanas e um Presidente da República colapsado, só confirma aquela que tem sido a regra. Do mal o menos.

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Verdadeiro serviço público.

por Luís Menezes Leitão, em 26.01.15

Acho inconcebível que esteja a passar despercebida aquela que considero, depois de Yes, Minister mas agora num registo sério, a melhor série de televisão alguma vez feita sobre política: Borgen, de segunda a sexta-feira na RTP2. Borgen, que significa castelo em dinamarquês, corresponde à designação comum do palácio de Christiansborg, sede do parlamento e do governo dinamarquês e lugar de trabalho do Primeiro-Ministro. A série relata a ascensão ao cargo de Primeira-Ministra da Dinamarca de uma jovem mulher, Birgitte Nyborg, que consegue montar uma coligação num parlamento dividido, oferecendo o apoio do seu partido na condição de ser designada Primeira-Ministra.

 

Neste âmbito, a série dá-nos um retrato extremamente realista dos meandros de um governo de coligação e das rivalidades entre os ministros, abordando mesmo os problemas pessoais e familiares que ocorrem a uma mulher que ascende a um cargo tão importante. E nem sequer falta a relação com a imprensa, mostrando como hoje a política passa muito mais pela influência sobre os media do que pelos debates parlamentares. Quase nunca vemos uma sessão parlamentar, mas passamos todo o tempo a ver o spin doctor Kasper Juul a manobrar os jornalistas como peças de xadrez.

 

O que achei curioso na série é a semelhança com a política portuguesa, mesmo sendo os países tão diferentes. Mas a série demonstra igualmente a humanidade e a fragilidade dos políticos que não há spin doctor que consiga esconder. Um dos episódios é sobre a nomeação do comissário dinamarquês, obrigando a Primeira-Ministra a conciliar a esse propósito simultaneamente conflitos no governo e no partido com as pressões do presidente  da comissão, que condiciona a atribuição de uma pasta importante à nomeação de alguém com peso político efectivo.  Mas quando a Primeira-Ministra consegue um nome que a todos satisfaz, o nomeado sofre um AVC quando lhe dizem que iria ser sujeito a um interrogatório de seis horas no parlamento europeu. Não há desígnio político que consiga superar a fragilidade humana dos protagonistas.

 

Esta série é um verdadeiro serviço público que a RTP2 nos proporciona.

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"Serviço público"

por Pedro Correia, em 26.12.14

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RTP Informação, hoje, 19.29: «Marco Silva está nesta altura por um fio. O anúncio da saída do técnico do Sporting deverá acontecer a qualquer momento.»

RTP Informação, hoje, 19.32: «A verdade é que, ao que tudo indica, Marco Silva vai mesmo ficar no Sporting. Acaba de falar na Sporting TV Bruno de Carvalho, garantindo a continuidade do técnico.»

 

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Quando a primeira "notícia" foi para o ar no serviço público de televisão - sem estar confirmada junto de fontes credíveis, como mandam as boas regras jornalísticas - Bruno de Carvalho já tinha publicamente deixado claro, em declarações emitidas às 19.06 na Sporting TV, que o treinador do Sporting continua em funções. A CMTV, apercebendo-se disso, reproduziu essas declarações no seu serviço noticioso logo a partir das 19.08.

Lamentavelmente, a RTP foi a última a perceber. Entre a notícia e o boato, preferiu o boato.

 

ADENDA: Às 20 horas, como comprova a foto aqui em baixo, o Telejornal da RTP insistia ainda, nas legendas em rodapé, que «Marco Silva deverá abandonar o comando técnico do Sporting».

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