Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



A ginasta e o ditador

por Alexandre Guerra, em 08.08.16

Excelente e oportuno documentário que ontem à noite passou na RTP2 sobre a ginasta romena Nadia Comaneci, que, com apenas 14 anos, ficou imortalizada pelo "perfect ten" obtido na qualificação da competição das paralelas assimétricas dos Jogos Olímpicos de Montreal em 1976. O documentário Nadia Comaneci: A Ginasta e o Ditador (2016) começa precisamente com essa prestação perfeita, aliando uma graciosidade divina nos movimentos a uma impressionante capacidade técnica, quase sobre-humana. O mundo rendeu-se perante algo que nunca tinha visto. Nessas Olimpíadas, Comaneci viria a repetir mais alguns "perfect ten", quer nas paralelas assimétricas, quer na prova da trave. Apesar de a Roménia ter ficado em segundo lugar atrás da União Soviética, era a primeira vez que um pequeno e pobre país para lá da Cortina de Ferro se intrometia no combate pela disputa do ranking das medalhas na modalidade da ginástica entre as duas super-potências da Guerra Fria. Nadia regressa a Bucareste já na condição de heroína romena, com a aura de mito e, sobretudo, como um símbolo daquilo que o regime de Nicolaeu Ceausescu poderia "produzir" ao nível da excelência física e estética. O ditador comunista condecorou-a com a mais alta distinção do Estado e a partir dessa altura Comaneci passou a ser o mais importante recurso político para a estratégia propagandística de Ceausescu.

 

E é precisamente essa relação entre Comaneci e o superior interesse do Estado romeno, personalizado no "camarada" Ceausescu, que faz do documentário de Pola Rapaport um registo tão cruel, mas ao mesmo tempo tão comovente. Nadia Comaneci era idolatrada no mundo, era a personificação da virtuosidade da máquina "comunista", mas, para lá da glória das medalhas, nada tinha, sobretudo não tinha a liberdade. Quando nos anos 80 a Roménia entrou uma espiral de crise que culminou mais tarde com as mortes brutais de Nicolae e da sua não menos sanguinária mulher, Elena Ceausecu, Comaneci chegou a depender de um amigo para ter pães para comer. Passou fome e era apenas mais uma entre um povo sofredor e faminto. Mas nem isso ela era, porque, como admite um agente reformado da antiga Securitate (serviços secretos romenos), Nadia Comaneci teve sempre os seus movimentos vigiados pelo Estado, tinha a sua liberdade completamente cerceada.

 

Nadia Comaneci nunca se ria, nem mesmo quando era mais nova. Houve jornalistas que lhe chegaram a perguntar por que é que nunca se ria e o seu treinador lá vinha prontamente responder que era porque ela estava concentrada nos exercícios. Talvez, até porque ela era uma perfeccionista, uma atleta obcecada com a técnica e com a busca constante do impossível. Mas, a verdade é que quando ela deserta para os Estados Unidos em 1989, e na primeira conferência de imprensa que dá, vimos uma Comaneci diferente, sorridente, alguém que parece ter renascido. Se calhar, Nadia nunca sorria porque não tinha liberdade. Não a liberdade de voar, porque isso ela sempre teve, mas a liberdade de viver. E foi essa liberdade que Comaneci terá encontrado quando deixou para trás a Cortina de Ferro.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Eficácia sueca

por Sérgio de Almeida Correia, em 07.07.14

Apesar de muitos amigos meus fazerem compras a estes cavalheiros, eu nunca o fiz. E se já tinha má impressão destes tipos, agora reforcei a ideia. Saber que o seu dinheiro e os seus lucros serviram para sustentar uma corja de torcionários e corruptos, predispondo-se a esquemas de pagamentos manhosos e ao uso de prisioneiros políticos da ex-RDA como mão-de-obra, não abona muito a favor da tão propalada seriedade sueca. Afinal qual é a diferença entre esses métodos usados na Roménia e alguns mais típicos de certas regiões da Europa do Sul? Fico à espera de conhecer a forma como se irão redimir do seu passado (não muito distante).

Autoria e outros dados (tags, etc)


O nosso livro




Posts mais comentados


Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2017
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2016
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2015
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2014
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2013
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2012
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2011
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2010
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2009
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D