Ao "Chiveve"

Um casal de novos amigos, olivalenses, enunciara com veemência a sua curiosidade sobre a gastronomia moçambicana. Nesse âmbito convidou-me, junto a um outro velho amigo de origens beirenses, para um almoço excursionista. Eu tinha boas referências do restaurante Chiveve e decidi aproveitar a ocasião para uma investigação. Foi uma opção acertada. O espaço (sito na Andrade Corvo lisboeta) é muito agradável, o serviço é competente e gentilíssimo - o dono Edi, ainda que ali em azáfama, foi mesmo acolhedor. As doses individuais são suficientes para saciar o comensal - longe vão os tempos pantagruélicos das comezainas, até doentias. E os preços vêm nada especulativos.
Como é adequado nestes momentos iniciáticos optámos por uma partilha de pratos. Para tal elencámos os “Big Five” da comida moçambicana que vem sendo divulgada alhures. Encetámos pelas obrigatórias chamuças - de vegetais pois, apesar de apresentadas no cardápio, infelizmente naquele dia não havia as de peixe, as quais são uma raridade por cá e sempre desejáveis. Afianço, “juro, palavra de honra, sinceramente…”, que as chamuças do Chiveve são recomendáveis: surgem com um estaladiço paradigmático e desprovidas do excesso de picância que afronta os neófitos e os sensíveis - por isso debruei-as com o piripiri da casa, que é condigno. É certo que às chamuças prefiro-as sem milho, mas isso é mero gosto meu. E sei que teóricos defendem esta via (quiçá moderna) que a casa segue, considerando o milho um contributo para aprazível textura do recheio e dando-lhe ainda um ligeiríssimo teor adocidado.





Quanto aos condutos austrais, o frango à zambeziana foi muito apreciado pelos neófitos e aceite pelos veteranos. Já o camarão frito “à moçambicana” foi saudado com júbilo geral. Diante do caril de caranguejo - desfiado, como deve ser, e isto é muito relevante pois nota de elevação gastronómica -, o tal júbilo foi até tão notório que, tendo-me eu distraído perorando, apenas o pude provar pois quando a ele aportei já os comparsas o haviam rapado, sem dó nem piedade e muito menos qualquer cerimónia. A matapa com camarão estava também muito bem, mesmo! Aliás, o “esparregado” - como eu sempre a anuncio aos patrícios desconhecedores - foi o prato preferido dos nossos curiosos amigos. E é necessário alongar-me sobre ela pois, por cá, por vezes acontece o encontro com uma boa matapa mas acompanhada de camarões desenxabidos: não é o caso da matapa do Chiveve, os camarões associados aportam excelentes. Tudo isto culminámos com uma ronda de sobremesas: arroz-doce com leite de coco, mousse de manga e mousse de malambe, que foram aplaudidos pelos gulosos. Finalmente, impõe-se deixar registo de que a xima (de milho) estava como mandam as regras - algo que para mim é o fundamental da refeição. E tão difícil é comer uma boa xima em Portugal…
Do Chiveve saímos todos saciados. E felizes. Eu com a certeza de que lá voltarei… em breve se possível.
(Parcela de um postal no meu "O Pimentel")










































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