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Delito de Opinião

Reflexão do dia

Pedro Correia, 04.01.26

«Condenar a invasão da Ucrânia, a barbárie em Gaza e a agressão americana na Venezuela não é um exercício de equivalência moral. Nem deve ser um exercício ideológico. É um imperativo de coerência. A lei não pode ser universal apenas quando convém. Se aceitarmos que a força define a justiça, então já não existe ordem internacional, apenas uma hierarquia armada.»

Manuel Serrano, no Expresso

Reflexão do dia

Pedro Correia, 08.12.25

 

«A cada dia nos informam que a IA já nos dispensa de aulas, aprendizagens, leituras, reflexões. Ela estuda-nos, disseca-nos, arruma-nos num algoritmo e passa a trazer-nos ao sofá só o que desejamos. E as novas gerações parecem felizes com a entrega. Julgam que a vassoura será sempre escrava.»

Rodrigo Guedes de Carvalho no Expresso do dia 5

Reflexão do dia

Pedro Correia, 11.11.25

«O director-geral e a directora de informação da BBC demitiram-se depois de ser claro aquilo de que eram acusados há muito: a estação tinha falsificado notícias para alimentar "a sua ideologia". Todas as semanas, a BBC era obrigada a desmentir pelo menos duas notícias sobre Israel (publicava tudo o que o Hamas queria), era tendenciosa no que dizia respeito a questões de género, racismo, a Israel e às alterações climáticas - além de ter truncado e falsificado um discurso de Trump para dar a ideia de que tinha apelado à invasão do Capitólio. O problema não era mentir constantemente, mas acreditar que devia fazê-lo por bondade e por estar "do lado certo"; ou seja, não era jornalismo, mas desinformação, activismo puro e militância.»

Francisco José Viegas, no Correio da Manhã

Reflexão do dia

Pedro Correia, 10.10.25

«A cumplicidade da Rússia com o Irão não é um assunto para o qual possamos olhar descontraidamente. São dois regimes que integram vários aspectos de barbarismo, não só no que envolve o respeito pelos direitos humanos, como nos próprios costumes, e envolvimento da religião. É curioso como tanta gente que passa a vida a lembrar-nos que somos um país laico pouco ou nada tenha a dizer sobre o Irão ou a Rússia, onde não só não existe laicidade como a própria religião se coloca ao serviço do Estado.»

Henrique Monteiro, no Expresso

Reflexão do dia

Pedro Correia, 25.08.25

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«Putin tem de convencer-se de que qualquer nova agressão desencadeará uma resposta esmagadora. Em última análise, Trump deverá apoiar com determinação a "coligação de vontades" europeia - e fazer o que for necessário para reagir a qualquer futura violação da soberania ucraniana pela Rússia. (...)

Alguns argumentarão que a Ucrânia terá simplesmente de aceitar as condições de Putin em nome da paz. Mas, tendo eu negociado com ditadores de Moscovo a Pyongyang, sei que o apaziguamento só lhes aguça o apetite: parafraseando Churchill, um apaziguador é alguém que alimenta um crocodilo na esperança de ser devorado só no fim.

Se a América liderar negociações que tenham como resultado uma vitória de Putin, não terminaremos esta guerra - abriremos caminho para a próxima.»

 

Mike Pompeo, antigo secretário de Estado dos EUA (2018-2021), em artigo publicado na edição de fim-de-semana do Financial Times

Reflexão do dia

Pedro Correia, 22.08.25

 

«Há muito dinheiro, mas muitíssimo desperdício. Há muitos planos, mas eficácia nula. Há muitos negócios, mas não para quem podia evitar os fogos. (...) Coisas simples podem ser feitas, além das óbvias reparações materiais. Por exemplo. Limpar o que vai ficar de madeira queimada. Impedir a regeneração espontânea de espécies invasoras. Organizar uma reflorestação amiga do ambiente e lucrativa para os proprietários. Apoiar a regularização da propriedade e a respectiva viabilidade económica, dando-lhe escala, por emparcelamento ou associativismo. Enfim, contrariar o abandono, causa de todos os males do interior. Um novo dia pode chegar, depois da noite escura, se a política descer ao terreno.»

Luís Marques, no Expresso

Reflexão do dia

Pedro Correia, 25.07.25

«A nomeação [de Centeno] para governador do Banco de Portugal seria em Julho de 2020. Dois meses antes, António Costa e Mário Centeno simulam um conflito em torno da injecção de dinheiro no Novo Banco. Marcelo Rebelo de Sousa intervém para dar razão a Costa. Logo aí ficou acordado que Centeno sairia no final de Junho depois de apresentar orçamento retificativo, um mês antes da indigitação do novo governador do Banco de Portugal (uma coincidência tão grande como a que Costa teria três anos mais tarde ao ser forçado a demitir-se pouco tempo antes da eleição para presidente do Conselho Europeu – a vida política portuguesa está cheia de azares felizes).

Centeno é substituído pelo seu secretário de Estado, que dias depois indica o seu antigo patrão no ministério para governador do Banco de Portugal. Costa esquece o conflito que tinha tido um mês antes e indigita o ministro que tinha acabado de demitir para governador do Banco de Portugal. Três anos e meio depois, quando Costa se demite a propósito do caso Influencer, indica como possível sucessor para um governo apoiado pela maioria absoluta do PS precisamente Mário Centeno, o ainda governador do Banco de Portugal.

Em resumo: um ministro de um governo PS simula um conflito semanas antes da indigitação do governador para poder ser indicado para o cargo pelo seu ex-secretário de Estado e confirmado pelo seu ex-chefe de governo. Três anos depois é conotado para liderar um governo desse mesmo partido. Independentemente das suas qualificações, que garantias de independência pode dar alguém nesta situação?

(...) Ninguém pode de boa fé, comparar esta história com a de Álvaro Santos Pereira, um ministro que chega como independente e sai ao fim de dois anos e depois passa 12 anos sem ligações partidárias, num cargo técnico ao qual acedeu por concurso.»

 

Carlos Guimarães Pinto, no SAPO

Reflexão do dia

Pedro Correia, 12.07.25

«José Sócrates foi um líder forte à custa de instituições fracas. Tentou controlar e condicionar a comunicação social, desde a RTP aos grupos privados, passando por jornalistas e comentadores. Nunca escondeu a animosidade contra a Justiça. Dirigiu a economia com mão de ferro, juntando negócios de Estado a negócios privados sem qualquer pudor. Colocou homens de confiança no assalto ao BCP. Foi no seu tempo que o grupo BES/PT fazia o que queria e Ricardo Salgado era o "dono disto tudo". Este foi o país imaginado por Sócrates que ruiu em 2011.

Por isso não é só Sócrates que está a ser julgado. É também esse país e esse tempo. Convém não esquecer.»

 

Luís Marques, no Expresso

Reflexão do dia

Pedro Correia, 27.06.25

«A II Guerra Mundial dizimou os fracos e os fortes, o preço foi excessivo para todos e o advento das armas nucleares anunciava o fim da humanidade. Só os sobreviventes podiam ter o atrevimento de aspirar a tanto, abolir a guerra de agressão, submeter a força ao direito, conter os fortes, proteger os fracos.»

 

Sérgio Sousa Pinto, no Expresso

Reflexão do dia

Pedro Correia, 08.06.25

«Em  2017, segundo o Eurostat, Portugal contava com 3,6% de cidadãos estrangeiros. No final de 2023 esta percentagem ia em 9,83%, também segundo o Eurostat. Mas quando a AIMA actualizou estes dados para 2024 chegámos a 15% da população imigrante. Se isto não é uma reforma estrutural o que será então uma reforma estrutural?»

Helena Matos, no Observador

Reflexão do dia

Pedro Correia, 19.05.25

«Nesta derrota das esquerdas, importa notar o desaparecimento do PCP de quase todo o país, mas especialmente varrido de todos os distritos do Alentejo onde não elegeu um único deputado. PCP e Bloco vivem numa galáxia exterior, a fazerem pensar naqueles grupos de soldados japoneses que, vinte ou trinta anos depois de terminada a guerra, ainda vagueavam pelas florestas de armas nas mãos, a defenderem-se ou à procura do inimigo. De sublinhar ainda a derrota do PS, que alcança um dos seus piores resultados de todos os tempos, após mais de 25 anos de governo nos últimos trinta. As esquerdas ficaram sem cabeça, sem ideia, sem programa e sem esperança.»

 

António Barreto, no Público

Reflexão do dia

Pedro Correia, 15.03.25

«Aqueles que pedem a paz a todo o custo não têm imaginação para prever o mundo novo que aí vem, que de novo não tem nada e é, na verdade, o mundo antigo dos maus velhos tempos. Sem direito, sem instrumentos de coacção caucionados pela ONU, sem NATO, sem Estados Unidos, a ordem liberal internacional, como lhe chamam os anglo-saxónicos, para todos os efeitos, acabou.

O colapso da Ucrânia não será o último colapso europeu. Tudo dependerá exclusivamente do apetite e do bom senso de Putin. Boa sorte com isso.»

Sérgio Sousa Pinto, no Expresso

O "sistema"

Paulo Sousa, 15.03.25

"Em pouco mais de um ano, dois governos caíram por suspeitas graves sobre a conduta do primeiro-ministro. Ora, essas suspeitas não resultaram de casos sem relação entre si. Os incidentes não são obviamente iguais, mas ambas as situações derivam do mesmo problema: a maneira como a classe política da actual democracia usa um Estado hipertrofiado para exercer um poder muito pouco democrático e extrair rendas em proveito pessoal. O que transparece nas operações Marquês, Tutti Frutti, Influencer e agora neste caso de Luís Montenegro não é a idiossincrasia desta ou daquela personagem, mas um “sistema”. É talvez mais claro agora que as reformas em Portugal, isto é, a liberalização da economia e a reestruturação do Estado e dos serviços públicos, não são apenas uma questão de equilíbrio e de eficiência, mas uma questão de democracia e de ética. O regime nunca deixará de sujar-se enquanto os políticos forem tentados a tirar partido das “influências” que o estatismo lhes dá. É essa, neste momento, a principal fonte da instabilidade política em Portugal."

 

Rui Ramos, Observador

Reflexão do dia

Pedro Correia, 03.03.25

«A Europa pensa a relação entre Estados com base em ideais plasmados num quadro normativo romântico. Pelo contrário, Washington e Moscovo orientam-se pelo pragmatismo dos interesses. Aqui chegados, façamos o mesmo. Apaziguar Moscovo não serve os interesses europeus, ainda que seja um passo lógico para as prioridades externas dos EUA. Não precisamos de gostar de Zelensky, de acreditar no vigor moral da Ucrânia, nem ter grande entusiasmo pela Ordem Liberal. Basta perceber que paz é um conceito exigente, muito mais ambicioso do que a mera ausência de guerra, e que qualquer acordo com Putin será um curto interregno na violência destinada a enfraquecer a Europa.»

 

Diogo Noivo, no Diário de Notícias

Reflexão do dia

Pedro Correia, 02.03.25

«O mundo está a mudar a uma velocidade vertiginosa porque a democracia americana foi tomada de assalto por um Presidente que nunca escondeu a sua admiração pelos "homens fortes" que sabem fazer-se obedecer. Que prometeu expandir o território americano, que quer fazer do Canadá o 51.º Estado, que diz que a União Europeia foi criada para "lixar" a América, que vê a NATO como um fardo, que elogia Putin. E que convive na Sala Oval com o homem mais rico do mundo, que fala por ele, age em seu nome, e está a destruir paulatinamente as instituições que faziam da América um exemplo para o mundo. Rodeado de fiéis sem um pingo de dignidade que se dobram por um prato de lentilhas.»

 

Teresa de Sousa, no Público 

Reflexão do dia

Pedro Correia, 15.02.25

«Podiam ter escolhido outro sítio sem ser Munique. Parafraseando Bogart em Casablanca: de todas as cidades de todos os países do mundo, têm de reunir-se precisamente nessa, a que nos traz a memória da ignomínia do apaziguamento dos Sudetas. A profética frase de Churchill sobre a desonra e a guerra, primeiro uma e depois a outra. A da conferência que cedeu às anexações de Hitler e lhe deu carta branca para invadir a Polónia.»

 

Ignacio Camacho, no ABC (tradução minha)

Reflexão do dia

Pedro Correia, 14.02.25

«Munique nunca desilude. Em 1938, Chamberlain encontrou-se com Hitler e, nas costas do Presidente da Checoslováquia, entregou um pedaço do país para ter "paz no nosso tempo". Todos sabemos como acabou essa história: depois de devorar os Sudetas, Hitler reclamou o resto.

Passaram 87 anos. Novamente em Munique, parece que os EUA tencionam repetir a receita de Chamberlain: entregar um pedaço da Ucrânia à Rússia na esperança de uma "paz para o nosso tempo". Mas sem garantias de segurança efectivas para Kiev, haverá apenas o tradicional compasso de espera para que Moscovo se recomponha e volte a atacar.»

 

João Pereira Coutinho, no Correio da Manhã