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Delito de Opinião

O comentário da semana

«Com guerra na Ucrânia, Putin tornou a Rússia num estado-vassalo da China»

Pedro Correia, 02.01.26

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«Com duas bombas atómicas em cima o Japão não capitulou, foi capitulado. E a Alemanha lá capitulou, é certo, mas só depois do seu próprio Führer ter assinado o infame "Decreto Nero" que a condenava à auto-aniquilação total - aliás completamente merecida, na óptica do tarado, por o povo alemão não ter estado à altura do grande destino que ele lhe traçara. Depois, o bombardeamento de Dresden foi a estocada final para a dita capitulação, nada como as bombas para concitarem a paz genuína.

Para terminar a guerra na Ucrânia não é precisa nenhuma capitulação: só é preciso que Putin se ponha a andar para o mesmo sítio de onde veio, que nem fica nada longe, uma vez que em quatro anos poucochito conseguiu avançar.

E, lá regressado, explique aos russos afinal o que foi fazer à Ucrânia: para que foram as centenas de milhares de mortos e estropiados; ou o que se ganhou em provocar o alargamento e fortalecimento da NATO com mais dois membros poderosos, até aí neutrais, para mais vizinhos próximos; ou com o rearmamento e prontidão acelerados de países como a Alemanha, ou a Polónia, ali ao lado; ou com o despertar do espírito de união europeu, congregado no apoio à defesa do país invadido que, de facto, luta por todos os outros, ameaçados de igual destino.

 

Putin que explique aos russos a sua grande estratégia, o que é que a Rússia ganhou por a ter transformado basicamente numa economia de guerra, colocada numa situação de dependência tal em relação ao apoio da China que se tornou num estado-vassalo desta, nada mais do que uma vítima grande, gorda e mole, do conhecido extrativismo chinês, logo ali à mão de semear. Um estado periférico na esfera de influência do verdadeiro incontestado gigante, a China, foi nisso que Putin transformou a Rússia.

E já não há resistência possível a essa "satelização", a menos que Putin queira começar uma nova guerra com a China; mas desta vez uma guerra a sério, daquelas com conscrição a doer, e não com as trapalhadas de soldados descaracterizados, mercenários e exércitos privados, "voluntários" dos confins siberianos e norte-coreanos e refugo humano recolhido nas prisões, toda uma "soldadesca" tão especial como a esquisita operação militar que deveria tomar Kiev em três dias e a Ucrânia em duas semanas.

Se há coisa que a História ensina é que a paz genuína não nasce das capitulações: nasce da cooperação e do entendimento voluntário entre as nações, fundamentados no acatamento do direito internacional e no respeito dos direitos humanos.

A paz genuína é o que a Europa começou a construir há 80 anos, e que Putin ameaça destruir em nome de um neo-imperialismo serôdio, brutal e imbecilizante.»

 

Da nossa leitora Zebra. A propósito deste meu texto.

Planos obscuros

Cristina Torrão, 10.12.25

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Instagram

"Que os EUA não considerem a China, nem a Rússia, mas sim, em princípio, a Europa como o maior perigo para a democracia e pretendam imiscuir-se na sua política interna, é absurdo e preocupante, em doses iguais."

Ingo Zamperoni, jornalista italo-germânico, a viver na Alemanha (um dos jornalistas mais conhecidos, neste país). É casado com uma norte-americana. O sogro é "trumpista".

Curiosidade: Já foi um "handsome".

Reflexão do dia

Pedro Correia, 10.10.25

«A cumplicidade da Rússia com o Irão não é um assunto para o qual possamos olhar descontraidamente. São dois regimes que integram vários aspectos de barbarismo, não só no que envolve o respeito pelos direitos humanos, como nos próprios costumes, e envolvimento da religião. É curioso como tanta gente que passa a vida a lembrar-nos que somos um país laico pouco ou nada tenha a dizer sobre o Irão ou a Rússia, onde não só não existe laicidade como a própria religião se coloca ao serviço do Estado.»

Henrique Monteiro, no Expresso

Entre a liberdade e a servidão

Pedro Correia, 03.10.25

 

Alexis de Tocqueville era um visionário.

Escreveu ele na primeira parte da sua monumental obra Da Democracia na América, publicada em 1835:

«Os anglo-americanos confiam no interesse pessoal para levarem a cabo os seus objectivos e dão carta branca à energia autónoma e ao bom senso do povo; os russos centralizam toda a autoridade da sociedade num único braço. O principal instrumento dos primeiros é a liberdade e o dos últimos a servidão. O seu ponto de partida é diferente e os seus percursos não são os mesmos; contudo, ambos parecem escolhidos pela vontade divina para agitarem os destinos de metade do globo.»

Há quase duzentos anos já antevia o mundo de hoje com notável precisão. 

Desprezível

Pedro Correia, 02.09.25

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Ele, como sempre. Fiel à sua imagem de marca. A destilar ódio à União Europeia e à Ucrânia em geral e a Zelenski em especial. Como o soviético Lavrov, como Medvedev: na mesma linha. De uma fidelidade inabalável ao Kremlin.

Torcendo os factos, a todo o passo. Torturando a verdade. Com uma desfaçatez idêntica à do porta-voz de Putin e uma verborreia tão desprezível como a dele.

 

Anteontem, expeliu ele o seguinte na CNN Portugal:

ABUTRES E CHACAIS

«A Europa não tem dinheiro. Aquilo a que está a lançar a vista é aos activos russos, os 200 mil milhões que estão no Euroclear e que tanto a senhora Von Der Leyen como a senhora Kaja Kallas, como todo este grupo de abutres e chacais, estão à espera de cair em cima para saldar as contas de guerra com o argumento de que é para a reconstrução [da Ucrânia].»

XI E PUTIN «DEFENDEM A DEMOCRACIA»

«O que vejo no Ocidente é que um manda e os outros obedecem. No Ocidente defendemos a democracia intra-Estado (isto é, dentro de um Estado) e este grupo de países [da Organização de Cooperação de Xangai, incluindo China e Rússia] defende a democracia inter-Estados, entre os Estados.»

A RÚSSIA É QUEM MAIS ORDENA

«Ali, o projecto estratégico não é liderado pela China, é liderado pela Rússia. (...) Os factos demonstram. A Rússia tem quatro mil e muitas bombas atómicas, a China tem seiscentas. Xi dá a direita a Putin porque Putin assegura a capacidade estratégica da China.»

 

A 24 de Agosto - Dia da Independência ucraniana - o mesmo sujeito tinha surgido em antena, no mesmíssimo canal, para exalar isto:

PUTIN «QUER A PAZ»

«Zelenski está encostado às cordas.»

«Zelenski foi muito deselegante com o seu vizinho, a Hungria.»

«Zelenski devia seguir o conselho de Trump.»

«70% da população da Ucrânia quer a paz, neste momento os americanos querem a paz, os russos estão disponíveis para a paz. Quem parece que não quer a paz é Zelenski e os europeus.»

 

Leitura complementar:

Indignidade moral (6 de Junho de 2025)

Uma garrafa vazia, cheia de memórias

Maria Dulce Fernandes, 24.08.25

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“- Ó Avó! Porque é que tens garrafas vazias na estante dos livros?” Não são garrafas vazias, são recipientes cheios de memórias e recordações felizes e divertidas."

“-E são recipientes de quê?” São antigas garrafas de Pepsi, que nós trouxemos de Moscovo há mais de quarenta anos".

“-Mas não dizem Pepsi; apenas têm um E, um N ao contrário e uns símbolos estranhos." São letras do alfabeto cirilico – que estão para os russos como o abecedário está para nós - e essas letras querem dizer exactamente Pepsi."

“-E sabia a quê, a Pepsi na Rússia?” Sabia a Pepsi. E soube pela vida no dia em que lá chegamos. Como chegámos duas horas atrasados ao hotel, já não havia jantar. Só vodka, Pepsi e bolachas rançosas no bar. Teve de servir e matou a fome que era muita."

“- A Rússia é horrível, avó? "Quem te disse isso? Estive lá há muito tempo, mas gostei muito de ver o que nos mostraram. Já deve ter mudado bastante desde esse tempo, ou então não. Já nessa altura era tudo fachada."

“- O que é que quer dizer tudo fachada? "Quer dizer que por detrás de todo o esplendor que nos mostravam, existia uma ruína presa por arames. “ – Não entendi. "Deixa lá ver se te sei explicar… o hotel, as estações de metro, as cadeiras da Ópera, os supermercados com grandes letreiros luminosos, mas vazios no interior, até os candeeiros da rua, por exemplo, parecem imponentes e majestosos se apenas olhares sem ver com atenção. Um segundo olhar, mais acurado, mostrava falhas na construção, na estruturação, na reparação,  na restauração… e interiores tristes, apagados, muitos vazios e envelhecidos. Mas isto foi há quarenta e quatro anos. Agora deve ser extraordinário viver num país rejuvenescido, livre, esclarecido e sempre na vanguarda do desenvolvimento."

"- Gostavas de lá voltar? "Gostava sim, mas tenho um dedinho que me diz que iria ficar muitíssimo desapontada."

A CCCP no Alasca

jpt, 17.08.25

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Aqui se mostra - com imagens - a arrogante chegada ao hotel onde se albergou em Anchorage do MNE russo, Lavrov. Impante sob uma camisola estampada com a velha sigla CCCP, explicitando bem o projecto Putin.

Desde há muito que isto é óbvio - e a invasão da Ucrânia foi apenas mais um passo -, mas ainda não tão propagandeado como agora. Mas diante desta jactância neo-soviética convém recordar que Moscovo pensou que a Ucrânia desabaria numa semana, e decerto imaginou um "efeito de dominó". E o seu regime está há três anos e meio atolado numa penosa guerra.

Com esta demonstração de sovietismo torna-se mais claro - para os obtusos que ainda não haviam compreendido - o apreço pela causa russa de tantos intelectuais "lusófonos", clientes dos seus regimes cleptocráticos. Pois abominam as democracias - ainda que nestas se venham mimar e sarar.

E por cá a camisola de Lavrov bem explica o fervor russófilo dos comunistas e seus amigos, dos generais comentadores e deste candidato d'agora, António Filipe. Quanto aos extremo-fascistas deste rincão, frenéticos nos apupos à "Europa" e nas loas a Putin? É, mais do que tudo, a submissão ao apelo fálico do "Grande Homem".

Vai ser o último a entender. Talvez.

Paulo Sousa, 20.06.25

Em 1994 a Rússia assinou o Memorando de Budapeste. Em troca da entrega do terceiro maior arsenal nuclear do mundo, a Ucrânia recebeu garantias de segurança.

Nesse mesmo ano, a Geórgia estabeleceu com Moscovo o Tratado de Amizade, Boa Vizinhança e Cooperação. Com a Arménia foi 1997. O documento mereceu o nome de Tratado de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua. Com a Síria dos Assad os acordos eram vários, alguns já do tempo da URSS. Todos eles asseguravam cooperação militar e política.

Já depois de ter invadido a Geórgia em 2008, onde ainda controla as regiões da Abcásia e da Ossétia do Sul, Putin formalizou, em 2015 e 2017, a presença da Força Aérea e da Marinha Russa na Síria com carácter de longo prazo.

Depois disso invadiu a Ucrânia e deixou a Arménia à sua sorte quando o Azerbeijão atacou o enclave de Nagorno-Karabakh.

A lista destes acordos de "cooperação" alarga-se a África. República Centro-africana, Sudão, Líbia, Mali e Burkina Faso. O Kremlin apoia uma facção, explora recursos locais e se o jogo virar, põe-se ao fresco.

Quando o regime sírio caiu, o melhor que Putin teve para oferecer ao seu ditador foi uma autorização de aterragem. Depois disso o carrasco de Damasco nunca mais apareceu. Se Assad ainda não foi defenestrado, deve fazer tudo para nunca ir além do rés do chão.

Mais recentemente, e já este ano no dia 17 de Janeiro, foi a vez do Irão. A tinta do tratado de parceria estratégica assinado entre a Rússia e o Irão (com uma validade de vinte anos) ainda mal deve ter secado. Esperando receber apoio para o seu programa nuclear, o Irão partilhou a tecnologia dos seus drones Shaed e até ajudou na construção de uma fábrica na Rússia. Quando os generais iranianos começaram a ser eliminados, Putin fez o que costuma. Nada. O Irão já não tem nada lhe para dar, apenas a incerteza que faz subir os preços do petróleo.

O currículo do actual Czar tem muitas mais traições que as constam neste pequeno resumo. A sua “confiabilidade” é internacionalmente reconhecida. Quando se assina qualquer coisa com ele, é quase uma garantia do exacto contrário. A minha maior surpresa continua a ser a convicção da excepcionalidade de Donald Trump. Se algum dia lá ele chegar, será o último dos humanos a entender que Putin só respeita a força.

Indignidade moral

Pedro Correia, 06.06.25

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Ontem à noite, no canal do costume, ouvi o famigerado major-general Agostinho Costa com as habituais diatribes anti-NATO e anti-União Europeia enquanto despejava propaganda moscovita, num misto de Lavrov e Medvedev. Desta vez excedeu-se a si próprio, cruzando uma linha absolutamente inaceitável. A propósito da aparatosa destruição de duas dezenas de bombardeiros estratégicos russos por drones de Kiev dotados de inteligência artificial num ataque a quatro bases aéreas, uma das quais situada a 1900 quilómetros da fronteira ucraniana. 

Talvez transtornado por esta péssima notícia na óptica do Kremlin, o referido comentador disparou isto em antena aberta: «Lembremos os side effects da aventura americana no Afeganistão, na forma como combateram os soviéticos, criando a Al-Qaida que depois lhes caiu em cima.»

Uma indignidade moral, esta equiparação da inquebrantável resistência ucraniana ao invasor russo - no quarto ano de feroz conflito bélico em solo europeu - à organização terrorista islâmica. Equiparação que mancha quem a profere. E que só desqualifica quem lhe dá palco.

Memória da infame aliança comuno-nazi

Pedro Correia, 10.05.25

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Lula com Putin em Moscovo: vénia do ex-opositor da ditadura brasileira ao tirano russo

 

Lula da Silva, vergonhosamente, foi um dos 29 dirigentes internacionais que ontem compareceram ao beija-mão a Putin na Praça Vermelha, assinalando o chamado Dia da Vitória. Ocasião aproveitada pelo ditador russo, com descarado despudor, para comparar a guerra defensiva que a URSS travou contra a Alemanha nazi à actual "operação militar especial" iniciada em Fevereiro de 2022 pelo Kremlin contra a vizinha Ucrânia, em flagrante violação do direito internacional.

Ver Lula e Putin no mesmo palco é chocante, embora não surpreendente. O antigo opositor à ditadura brasileira presta agora vénia a um dos maiores déspotas do planeta, que oprime e escraviza não apenas o povo russo: quer fazer o mesmo às nações vizinhas.

 

A Praça Vermelha costuma atrair péssima gente. A 1 de Maio de 1941, noutro desfile, apareceram ali outros convidados: oficiais de alta patente da Alemanha hitleriana, então aliada da União Soviética de Estaline no esmagamento de diversos Estados europeus. Da Polónia à França. Passando por Checoslováquia, Dinamarca, Noruega, Bélgica, Luxemburgo, Estónia, Letónia, Lituânia, Finlândia.

Berlim e Moscovo haviam-se aliado em 23 de Agosto de 1939, o que esteve na origem imediata da II Guerra Mundial. Estreita cumplicidade só quebrada a 22 de Junho de 1941, quando Hitler deu ordem à sua tropa para invadir a URSS.

Cinquenta e dois dias antes, nesse 1.º de Maio moscovita, ainda figuravam como sorridentes comparsas no estrangulamento de outros povos. Vale a pena ver o filme desse dia. Para que a infame aliança comuno-nazi não se dissipe no nevoeiro da memória colectiva.

 

Execrável

Pedro Correia, 01.03.25

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«Zelenski recebeu orientações da Casa Branca para dress code: "O senhor apresenta-se aqui de fato e gravata." Zelenski voltou a aparecer vestido à Chuck Norris. Vimos como é que Trump ficou irritado logo à chegada. Se a senhora me convida para ir a sua casa, no mínimo ponho uma camisa por respeito pelo anfitrião. Se lhe foi definido um dress code, no mínimo era isso que Zelenski devia ter feito. São normas de boa educação, decoro e diplomacia. Senão, pode ir de chanatas e calções, não é? Se o anfitrião definiu como é que ele deve ir, é assim que ele deve ir...»

 

«Quem atiçou J. D. Vance foi Zelenski, que lhe perguntou se já tinha ido à Ucrânia, se conhecia a realidade... Depois ouviu o que não gostou.»

 

«Alguém que vai a um país que é o seu principal doador para assinar um acordo que representa a sobrevivência do [seu] país não se pode comportar desta maneira. Não pode levantar a voz aos Estados Unidos.»

 

«Zelenski demonstrou uma insolência inqualificável para um país que está numa crise existencial e em vias de ser ocupado pelos russos.»

 

Major-general Agostinho Costa, hoje, na CNNP. O mesmo que, na mesma estação, afirmou a 28 de Fevereiro de 2022: «Estou convencido que o senhor Zelenski já não está lá [em Kiev]. Senão a gente via-o na rua. Já não está lá. Está certamente em Lviv.» 

TRUMPUTIN

Pedro Correia, 25.02.25

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Washington juntou-se ontem a Moscovo, na Assembleia Geral da ONU, num voto contrário à condenação do assalto russo à Ucrânia e ao apoio à integridade territorial deste país soberano. No própria dia em que se assinalava o terceiro aniversário da criminosa agressão a Kiev, a mando do regime totalitário de Vladimir Putin. 

Só 16 países representados na Assembleia Geral acompanharam russos e norte-americanos nesta posição. Entre eles, a Bielorrússia, a Nicarágua, a Guiné Equatorial, a Eritreia, o Mali, o Sudão e a Coreia do Norte.

Podemos concluir: nunca os EUA andaram tão mal acompanhados.

Isto não impediu a resolução - proposta pela generalidade dos países da União Europeia e pela própria Ucrânia - de ser aprovada por larga margem: 93 votos a favor, 18 contra e 65 abstenções.

Assim se consumou, para quem ainda alimentasse dúvidas, a ruptura do consenso euro-atlântico por decisão unilateral da Casa Branca. À vista de todo o mundo, num lugar tão emblemático.

Confirma-se: esta administração de Donald Trump e J. D. Vance vai conduzindo os Estados Unidos da América a um colapso moral. Não demorou meses ou anos, como muitos previam. Bastaram trinta e poucos dias.

Trair a Europa, apunhalar a Ucrânia

Pedro Correia, 21.02.25

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Foi notícia esta tarde: Donald Trump poderá viajar em 9 de Maio a Moscovo, onde se sentará ao lado de Putin no chamado "desfile da vitória" - grande parada bélica na Praça Vermelha. Falta confirmar, mas com o antecessor/sucessor de Joe Biden nada é garantido. Por ter uma relação muito atribulada com a verdade. 

Inequívoca é a sua aversão a Zelenski, que - diz ele - «não tem lugar à mesa das negociações» para pôr fim a três anos de invasão russa. Enquanto confessa estar «já farto de ouvir» o homólogo ucraniano.

Decalcando cada vez mais a narrativa do Kremlin, o novo-velho inquilino da Casa Branca trai a Europa e apunhala a Ucrânia. Em velocidade furiosa, no 32.º dia do seu mandato presidencial. 

Há muitas maneiras de passar à História: pode ser também pelos piores motivos. Trump candidata-se desde já a isso.