O comentário da semana
«Com guerra na Ucrânia, Putin tornou a Rússia num estado-vassalo da China»

«Com duas bombas atómicas em cima o Japão não capitulou, foi capitulado. E a Alemanha lá capitulou, é certo, mas só depois do seu próprio Führer ter assinado o infame "Decreto Nero" que a condenava à auto-aniquilação total - aliás completamente merecida, na óptica do tarado, por o povo alemão não ter estado à altura do grande destino que ele lhe traçara. Depois, o bombardeamento de Dresden foi a estocada final para a dita capitulação, nada como as bombas para concitarem a paz genuína.
Para terminar a guerra na Ucrânia não é precisa nenhuma capitulação: só é preciso que Putin se ponha a andar para o mesmo sítio de onde veio, que nem fica nada longe, uma vez que em quatro anos poucochito conseguiu avançar.
E, lá regressado, explique aos russos afinal o que foi fazer à Ucrânia: para que foram as centenas de milhares de mortos e estropiados; ou o que se ganhou em provocar o alargamento e fortalecimento da NATO com mais dois membros poderosos, até aí neutrais, para mais vizinhos próximos; ou com o rearmamento e prontidão acelerados de países como a Alemanha, ou a Polónia, ali ao lado; ou com o despertar do espírito de união europeu, congregado no apoio à defesa do país invadido que, de facto, luta por todos os outros, ameaçados de igual destino.
Putin que explique aos russos a sua grande estratégia, o que é que a Rússia ganhou por a ter transformado basicamente numa economia de guerra, colocada numa situação de dependência tal em relação ao apoio da China que se tornou num estado-vassalo desta, nada mais do que uma vítima grande, gorda e mole, do conhecido extrativismo chinês, logo ali à mão de semear. Um estado periférico na esfera de influência do verdadeiro incontestado gigante, a China, foi nisso que Putin transformou a Rússia.
E já não há resistência possível a essa "satelização", a menos que Putin queira começar uma nova guerra com a China; mas desta vez uma guerra a sério, daquelas com conscrição a doer, e não com as trapalhadas de soldados descaracterizados, mercenários e exércitos privados, "voluntários" dos confins siberianos e norte-coreanos e refugo humano recolhido nas prisões, toda uma "soldadesca" tão especial como a esquisita operação militar que deveria tomar Kiev em três dias e a Ucrânia em duas semanas.
Se há coisa que a História ensina é que a paz genuína não nasce das capitulações: nasce da cooperação e do entendimento voluntário entre as nações, fundamentados no acatamento do direito internacional e no respeito dos direitos humanos.
A paz genuína é o que a Europa começou a construir há 80 anos, e que Putin ameaça destruir em nome de um neo-imperialismo serôdio, brutal e imbecilizante.»
Da nossa leitora Zebra. A propósito deste meu texto.


















