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'Postal' Zandinga

por Diogo Noivo, em 25.07.19

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"Face ao desaire [nas eleições legislativas de 28 de Abril], o Podemos depende do PSOE para ser relevante. Iglesias, que recusou apoiar um governo de Sánchez em 2016 e que sempre viu no PSOE um dos pilares da “casta”, encontra agora nos socialistas a chave para um Executivo “progressista” e de “esquerda”. A anunciada intenção do PSOE em governar sozinho, recorrendo a apoios parlamentares pontuais, não agrada a Iglesias, que tudo fará para entrar no governo – inclusive bloquear soluções."

A Espanha desavinda, Jornal Económico, 3 de Maio de 2019

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Anatomia de uma hecatombe (II)

por Diogo Noivo, em 19.02.19

A fotografia foi-me enviada por vários amigos. Li o texto e rapidamente conclui que era uma manipulação, um fake com alguma graça, mas obviamente falso.

Acontece que, afinal, é verdade: no seu livro de memórias políticas (a primeira vez que uma obra do género é publicada por um Presidente de Governo em exercício de funções), Pedro Sánchez diz ao mundo que a sua primeira decisão como Chefe do Executivo espanhol foi a de mudar o colchão e renovar a pintura do seu novo quarto no Palácio da Moncloa. Quando se juntam, a pobreza de espírito, a falta de noção do ridículo e a soberba redundam sempre num absurdo que provoca vergonha alheia.

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O aparatoso declínio do PSOE

por Pedro Correia, em 25.10.16

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 Um partido em sério risco de desmembramento

 

«Quando Marx pode mais que as hormonas, não há nada a fazer»

Julián Marías

 

1

O Partido Socialista Operário Espanhol, reunindo de emergência o seu órgão máximo entre congressos, decidiu no sábado viabilizar um novo Executivo do Partido Popular, liderado por Mariano Rajoy, com um “mandato imperativo” aos seus deputados, que deverão abster-se na votação de investidura.

Com esta decisão do seu Comité Federal – assumida por 139 votos favoráveis e 96 contra – o PSOE demonstrou uma responsabilidade institucional que há muito tardava, rompendo enfim um bloqueio de 300 dias sem formação de governo após duas eleições legislativas em que o PP conseguiu triunfar, embora sem maioria absoluta - a 20 de Dezembro de 2015 e a 26 de Junho deste ano.

Um bloqueio que se devia à intransigência do ex-líder socialista, Pedro Sánchez, apesar de o seu partido contar com apenas 85 deputados no Parlamento espanhol – menos 52 do que os 137 do Partido Popular. Uma diferença inultrapassável, fosse qual fosse a aritmética política. E que transformou em utopia o cenário de umas terceiras legislativas, que deviam ocorrer em vésperas do Natal.

 

2

Desde que perdeu a eleição parlamentar de 2011, após a fracassada governação de Rodríguez Zapatero que quase conduziu Espanha a um resgate financeiro de emergência idêntico ao ocorrido em Portugal, o PSOE foi resvalando até ao limiar da luta pela sobrevivência política em que se encontra agora.

A viabilização de um novo Governo de centro-direita, mais do que um tardio gesto de responsabilidade, aliás avalizado pela maioria dos eleitores socialistas, constitui portanto uma reacção instintiva à hecatombe que se avizinhava: uma sondagem muito recente divulgada pelo jornal El País, historicamente afim aos socialistas, atribuía uma votação quase irrisória ao PSOE, ultrapassado largamente à direita pelo PP e à esquerda pelo Podemos – amálgama de organizações da esquerda radical, que em diversas zonas do país mantém estreitos vínculos às forças nacionalistas e separatistas.

 

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 Pedro Sánchez: pura incompetência política

 

3

Fundado pelo sindicalista Pablo Iglesias em 1879, o PSOE é um dos mais antigos partidos europeus. E o único que resta dos que firmaram os pactos de transição em 1977 e 1978 que permitiram a refundação da democracia espanhola após quatro décadas de ditadura. A UCD de Adolfo Suárez dissolveu-se há 30 anos, a Aliança Popular de Fraga Iribarne transfigurou-se no final da década de 80 no actual PP e o Partido Comunista de Santiago Carrillo tornou-se uma curiosidade microscópica, sem qualquer relevância na Espanha contemporânea.

Os socialistas assumiram-se nestes 40 anos como uma força pendular na sociedade espanhola, tendo exercido funções governativas durante mais tempo do que os restantes partidos somados (UCD e PP). O seu líder mais carismático, Felipe González, rompeu com a orientação marxista num congresso extraordinário em 1979 e já enquanto primeiro-ministro, em 1986, desafiou a ala esquerdista do partido ao fazer ingressar o país na NATO.

A moderação de González fez alargar a base sociológica do PSOE, tornando-o um partido com verdadeira implantação nacional, que chegou a ocupar a presidência da maioria dos executivos autonómicos - incluindo a Catalunha, com José Montilla, entre 2006 e 2010, e o País Basco, com Patxi López, de 2009 a 2012.

Tudo isso mudou. Hoje está reduzido a dois feudos regionais: Andaluzia e Extremadura.

Em Madrid tornou-se a quarta força política. Em Barcelona, a quinta.

 

4

Sánchez é um caso clamoroso de incompetência política que apenas pôde manter-se ao leme da Calle Ferraz devido à manifesta cobardia da maior parte dos quadros socialistas – incluindo o que resta do seu baronato regional – que só despertaram ao ver o partido quase reduzido a escombros. Incapazes de fazer frente ao líder, preferiram desgastá-lo ao longo destes meses com relatos de "fontes anónimas" impressos nos jornais.

Em apenas dois anos, o medíocre Sánchez perdeu todas as eleições, por esta ordem cronológica: municipais, regionais, autonómicas na Catalunha, legislativas de 2015 e 2016.

As duas derrotas mais recentes ocorreram a 25 de Setembro nas autonómicas da Galiza e do País Basco. No primeiro caso, o PSOE perdeu quase 45 mil votos, baixando de 18 para 14 deputados no parlamento regional, dominado por uma inequívoca maioria absoluta do PP; no segundo, viu fugir-lhe cerca de 86 mil votos, e desceu de 16 para nove deputados, com o Partido Nacionalista Basco saindo triunfador das urnas.

Nem assim renunciou ao cargo. De desastre em desastre, preparava-se para levar o partido ao naufrágio maior: a terceira eleição legislativa em doze meses, que tornaria ainda mais irrelevante o PSOE na sua estonteada fuga para a frente.

As bases, representadas no Comité Federal, acabam de dizer-lhe: basta. Aconteceu aquilo que previ aqui, há quase três meses: “Sánchez sairá da pior maneira, empurrado pelos barões regionais do partido, com Susana Díaz à cabeça. Já recebeu um solene aviso dos seus pares, mais sintonizados do que ele com a vox populi: não haverá terceiras legislativas. Tal cenário seria catastrófico para os socialistas espanhóis, que vão recuando a cada novo teste eleitoral.”

 

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Juan Negrín e Indalecio Prieto nos anos 30: as lições da história 

 

5

É triste verificar que alguns líderes políticos só abandonam a cena ao serem empurrados, quando a ética da responsabilidade lhes impunha a demissão ao fim de duas ou três derrotas. No caso de Sánchez foi preciso esperar por sete para o empurrão surgir.

Empurrado, mas não convencido. Alguns dos seus apaniguados garantem que violará a disciplina de voto no Congresso dos Deputados, onde mantém assento: incapaz de aceitar a regra da maioria, ameaça votar não. E não tardou a tuitar esta mensagem: “Rapidamente chegará o momento em que a militância recuperará e reconstruirá o seu PSOE.”

Já afastado, continua a comportar-se como se ainda aspirasse disputar o poder a Rajoy num escrutínio do qual sairia inevitavelmente um PSOE ainda mais enfraquecido, transformado em parceiro menor da extrema-esquerda. No fundo, o sonho da direita espanhola.

 

6

Instala-se agora o fantasma do fraccionismo no partido, com a facção moderada a enfrentar aqueles que defendem uma aproximação dos socialistas ao Podemos. Nada de novo na história do partido, que durante a guerra civil (1936-39) assistiu ao choque das tendências internas – nomeadamente entre os reformistas como Indalecio Prieto e os ultra-radicais como Largo Caballero, auto-intitulado “Lenine espanhol”, contando estes com aliados como o titubeante Juan Negrín, apanhado entre dois fogos.

Hoje novamente fragmentado em inúmeros feudos internos, sem uma liderança firme, dividido entre o constitucionalismo que lhe serviu de bandeira nos anos em que foi mais forte e a pulsão populista proporcionada pelo ar dos tempos, com ocasionais flirts separatistas na Catalunha, o PSOE luta por sobreviver enquanto grande partido nacional. Com González, chegou aos 202 parlamentares. No período pós-Zapatero foi baixando sucessivamente: 110 deputados em 2011, 90 em 2015, 85 este ano.

A nível europeu, só o quase desaparecido PASOK grego se afundou tanto em tão pouco tempo.

A incapacidade de aprender as lições da história origina erros trágicos na política, algo que o aparatoso declínio dos socialistas espanhóis bem demonstra. Como se estivesse escrito nas estrelas: os prenúncios eram evidentes e nenhuma advertência foi escutada em tempo útil.

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Anatomia de uma hecatombe

por Diogo Noivo, em 03.10.16

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A pressão exercida pelos barões socialistas forçou Pedro Sánchez a demitir-se das funções de secretário-geral do Partido Socialista Obreiro Espanhol (PSOE). Esta não é a verdade dos factos, mas é a verdade para alguma imprensa portuguesa. Vamos por partes.

No dia 20 de Dezembro de 2015, o PSOE, capitaneado por Pedro Sánchez, obteve o seu pior resultado eleitoral de sempre em eleições legislativas, o resultado mais baixo desde 1977. Deste acto eleitoral não saiu um governo e, como tal, foi necessário repetir eleições. No dia 26 de Junho de 2016 os espanhóis voltaram às urnas e o PSOE bate o seu próprio recorde: perdeu 5 deputados e cerca de 156 mil votos. Nova derrota histórica. O seu adversário directo, o Partido Popular (PP), reforçou a vitória obtida em Dezembro, conseguindo mais votos (aproximadamente mais 600 mil) e mandatos (mais 14), isto apesar de ser a força política associada à austeridade, à subserviência a Bruxelas e, pior, a casos de corrupção e de branqueamento de capitais. Por outras palavras, mais do que uma derrota histórica, o resultado dos socialistas a 26 de Junho de 2016 foi uma humilhação sem paliativos.

No plano local o cenário não é mais ameno. Nas eleições celebradas recentemente na Galiza e no País Basco, o grande derrotado foi o PSOE. Na Galiza perdeu 5 mandatos, na Euskadi perdeu 7 mandatos e 40% dos votos, e em ambas é ultrapassado pelo Podemos. Importa recordar que, entre 2009 e 2012, o PSOE governou o País Basco.

Em suma, associando os resultados nacionais aos resultados locais, o PSOE foi de derrota histórica em derrota histórica até uma cada vez mais provável irrelevância final. Pedro Sánchez pegou num partido com vocação de governo, uma força política fundamental no processo de consolidação da democracia em Espanha, e levou-o à beira da irrelevância. No entanto, nada disto foi suficiente para que Sánchez assumisse publicamente quaisquer responsabilidades. A este rosário deprimente há ainda que somar episódios pouco edificantes como, por exemplo, o “Comando Luena”: César Luena, braço direito de Sánchez, organizou uma ‘tropa de choque’ para, nas redes sociais, denegrir e insultar todos aqueles que ousavam criticar a direcção socialista. Ou seja, derrotados nas urnas e totalitários na gestão interna do partido.

 

 

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A ética de geometria variável

por Pedro Correia, em 04.08.16

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Pedro Sánchez conduziu o PSOE aos dois piores resultados da história do partido - o segundo mais antigo da Europa do seu espectro político, logo após o SPD alemão. José Luis Rodríguez Zapatero, o anterior presidente do executivo socialista, demitiu-se ao perder as legislativas de 2011 para o Partido Popular. O seu sucessor, Alfredo Pérez Rubalcaba, demitiu-se ao perder as europeias de 2014.

Sánchez, que já perdeu duas legislativas em seis meses e tentou em vão ser chefe do Governo, insiste em manter-se agarrado ao que lhe resta do poder interno. Indiferente aos apelos à razão lançados por iustres socialistas, como Felipe González, submete toda a estratégia do PSOE à sua luta pela sobrevivência: neste caso já não está em causa o interesse nacional nem sequer o interesse partidário, mas apenas o interesse pessoal. A ética da responsabilidade, que políticos como ele tanto apregoam, só é aplicável aos outros. Uma tese de geometria variável, bem adequada aos tempos actuais.

Sairá da pior maneira, empurrado pelos barões regionais do partido, com Susana Díaz à cabeça. Já recebeu um solene aviso dos seus pares, mais sintonizados do que ele com a vox populi: não haverá terceiras legislativas. Tal cenário seria catastrófico para os socialistas espanhóis, que vão recuando a cada novo teste eleitoral.

Em 2010, convém recordar, o PSOE e o PSC - partido "irmão" da Catalunha - tinham 169 dos 350 deputados no Congresso de Espanha. Nos tempos áureos de González chegaram aos 202. Hoje restam-lhes 85.

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Lobos e cordeiros

por Diogo Noivo, em 02.03.16

Assinalam-se na próxima semana os 8 anos da morte de Isaías Carrasco. É normal que o nome não seja familiar. Não era um político célebre nem uma vedeta televisiva. Era tão simplesmente um portageiro espanhol. Em 2009 escrevi sobre ele no Público:

 

Isaías Carrasco foi vereador do PSOE em Mondagrón-Arrasate, um bastião do movimento etarra. Em dado momento, retirou-se da vida política e regressou à sua anterior profissão: portageiro numa via rodoviária basca. Esta actividade profissional impunha-lhe uma vida modesta. Decidiu, uma vez abandonado o cargo público, prescindir da escolta armada a que tinha direito. No dia 7 de Março de 2008, quando saía de casa acompanhado pela mulher e pela filha, foi assassinado a tiro por um comando da ETA.”

 

O assassinato de Isaías Carrasco foi a maneira vil e tirânica encontrada pela ETA de participar nas eleições legislativas que ocorreram naquele ano. Aliás, assassinatos selectivos e engenhos explosivos sempre foram para a organização terrorista ETA procedimentos equivalentes ao que representa o voto para os democratas.

Esta morte foi recordada no debate de investidura de hoje, em Madrid. O secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, viu-se obrigado a recordar a Pablo Iglesias que os etarras são terroristas e não, como afirmou o líder do Podemos nesse mesmo debate, “presos políticos”. Esta e outras intervenções de Iglesias põem em evidência que a prosápia popular (e populista) do Podemos oculta uma identidade política que não é compatível com os valores e princípios que fundam o Estado de Direito Democrático. Ao contrário do que por vezes se ouve e lê, o facto de um partido aceitar resultados eleitorais não faz dele uma organização com convicções democráticas.

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