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Costa e a "diletância"

por Pedro Correia, em 18.02.19

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António Costa falou há pouco no Palácio de Belém, onde assistiu à posse dos novos ministros e secretários de Estado, na quarta remodelação governamental ocorrida nesta legislatura. Aproveitando o local e a ocasião para fazer propaganda política, já a pensar na eleição de 26 de Maio, que permitirá aos portugueses escolher os nossos próximos eurodeputados. No dia em que, segundo uma sondagem da Aximage, a sua avaliação é a mais negativa, aos olhos dos portugueses, desde que assumiu o cargo de chefe do Executivo.

Confrontado pelos jornalistas, acabou por dizer aquilo que talvez não pensasse inicialmente, omitindo o respeito institucional que lhe deve merecer o Parlamento Europeu. Pronunciando-se, ainda por cima, na sede do representante máximo do poder político português - que não é ele, como sabemos.

«É saudável que haja membros do Governo que estejam disponíveis a servir o País no Parlamento Europeu. O Parlamento Europeu não pode ser só um local de diletância política e de sound bites», declarou o primeiro-ministro. Pouco lhe faltou para apelar, ali mesmo, ao voto em Pedro Marques e Maria Manuel Leitão Marques, os ministros que acabam de sair para concorrerem ao órgão legislativo que tem sede em Bruxelas e Estrasburgo.

Vão substituir, no elenco de candidatos do PS, os eurodeputados Francisco Assis (que foi o cabeça-de-lista em 2014) e Ana Gomes. Ambos "diletantes", presume-se. E especialistas em sound bites. Terá sido por isso que Costa lhes passou guia de marcha? Devem estar ambos satisfeitíssimos por receberem estes doces qualificativos, da parte de quem por cá manda, na hora do regresso à pátria.

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Maldita hemeroteca

por Diogo Noivo, em 28.01.19

"A maneira como PSD e CDS têm gerido a relação, sempre sensível, com as Forças Armadas, as magistraturas, a diplomacia e as Forças de Segurança combina tentativas ilegítimas de manipulação política e um desprezo ostensivo pelo estatuto e a centralidade destes braços indispensáveis do Estado. Promete-se o que se sabe não poder cumprir; joga-se o jogo perigoso das alianças táticas e circunstanciais, em torno, as mais das vezes, de bandeiras populistas e acenando com promessas de benefícios corporativos; e acaba-se invariavelmente por mentir, adiar, fugir e mentir outra vez."

Augusto Santos Silva, "O desprezo da direita pelo Estado" (4.8.2015)

 

O furto em Tancos, o desinvestimento nas Forças de Segurança, a descoordenação nos incêncios florestais, a guia de marcha a Joana Marques Vidal, os cortes no orçamento da Polícia Judiciária e outros casos de "desprezo ostensivo" são, seguramente, ficção.

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(Entrevista ao Diário de Notícias: transcrição e excertos em filme. Para quem tenha dúvidas ou queira aludir a uma hipotética descontextualização, este trecho em rodapé aparece no oitavo filme apresentado)

 

Quem me está próximo preocupa-se por eu falar sozinho, aparente sinal de senilidade, óbvio marcador de maluquice. "Não te preocupes", vou adiantando, "sempre falei", o que não sei se sossegará alguém. Não sabe, passará agora a saber, se isto ler, que muitas vezes, não sempre mas muitas vezes, nisso falo com o meu pai. Ontem à noite conversei com ele sobre isto, esta ministra da Saúde PS que considera os sindicalistas renitentes como "criminosos, infractores". "Pai, viste esta tipa, então o Partido apoia isto?" e ele, que foi comunista até à morte, daqueles cunhalistas "sem qualquer culto de personalidade", a menear a cabeça, com ar até amargurado, e eu sarcástico "isto já parece lá a vossa União Soviética, para estes gajos um dia destes nem haverá direito à greve", e ele a repreender-me "deixa-te de coisas". E eu, qual adolescente implacável, "eu deixo, mas vocês é que são a geringonça, a esquerda, a apoiarem esta tipa". Ele escorropichou o seu, sempre frugalíssimo, cálice de genebra (ou seria rum?), levantou-se e praguejou, à sua maneira, "patifes!". E culminou "isto tem que acabar" antes do seu "boa noite, vou-me deitar". Eu sorri, servi-me com abundância do rum (ou seria genebra?) e fiquei até a desoras a ver o "trio de ataque", o Oliveira, o Gobern e um rapaz de melena arisca que "representa" o Sporting. Pois antes estes que tal ministra geringôncica. Depois, antes de me deitar, ao espelho lavando os dentes, surpreendi-me a falar sozinho, "criminosos? infractores? os sindicalistas? ... estes gajos perderam completamente a noção". Nisso a minha mãe assomou ao corredor, preocupada, "Zé vai-te deitar, já é tardíssimo e estás para aí a falar sozinho", e eu que "tá bem, mãe, já estou a ir", e ela sorri-me "vai, que já bem me basta o teu pai que não me deixa dormir, ali a falar mal do governo".

 

 

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(Teodorico e Alpedrinha por Rui Campos Matos)

 

Foi-se a ministra, orgulhosamente lesbiana, a Guadalajara, decerto que com adido à ilharga – mas não a Cuernavaca com o necessário Cônsul, estou disso certo – e por lá resmungou algo, sobranceira a portugueses, Portugal e seus jornalistas e jornaleiros. Entretanto, cá longe, noutro “lá fora”, ando eu a reler, 35 anos depois, o “Relíquia”. Eça não é, diz quem sabe, o Zola, o Balzac, muito menos o Flaubert, mas é o que temos, e ainda que me solavanque o encanto – tetrali o “Os Maias” por causa do filme de João Botelho, e disso me apercebi, já nada adolescente ou vinteanista, franzindo o meu cenho ao traço grosso da caricatura que escorrega daquele Ega – continua uma delícia.

 

Enfim, perorava a ministra lá em Guadalajara quando o Raposão, o bom do Teodorico, me aportou a Alexandria, naquela sua ímpia, pois humana, peregrinação à então Terra Santa. Logo se acolheu ao afamado e recomendado “Hotel das Pirâmides”, deparando-se com um patrício (onde é que não há um português?), “moço de bagagens e triste“, ali algo desvalido dados os infortúnios de amores e impensares, o Alpedrinha, figura ímpar do panteão queiroziano, mais que não seja por aquela sua sábia e monumental saída, que em mim habitava sem lhe recordar a autoria (“Tu já estiveste em Jerusálem, Alpedrinha?“, perguntou-lhe o Teodorico, “Não senhor, mas sei … Pior que Braga, algo que talvez tenha acicatado aquele Luiz Pacheco). Chegava-se pois, no mesmo fim-de-semana da ministra no México, o bom do Teodorico às terras da Esfinge e, lá de tão longe, responde à sáfica governante: “E se o cavalheiro trouxesse por aí algum jornal da nossa Lisboa, eu gostava de saber como vai a política.”, atreveu-se o Alpedrinha. “Concedi-lhe generosamente todos os “Jornais de Notícias” que embrulhavam os meus botins“, logo concedeu o malandrote.

Isto nem em Cuernavaca lá iria. Quanto mais em Guadalajara.

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Destituição?

por jpt, em 29.10.18

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Isto começou com alguns conhecidos jornalistas da esquerda socialista que botam nos "jornais de referência", foi secundado por "opinadores". Para meu espanto até por antropólogos (ironizo um pouco quanto a este espanto, no seio da corporação surpreende-me a desfaçatez mas não o pensamento). Defende-se o escrutínio dos votos dos imigrantes brasileiros em Portugal para opinar sobre a pertinência da sua permanência no país. A indução de um ambiente de pressão, moral que seja, sobre essa "comunidade" - que será muito mais um colectivo inorgânico de indivíduos, contendo alguns núcleos de sociabilidade e de entrejuda mas não exclusivos. De facto, a exigência que estes cidadãos legalmente residentes ("documentados", na gíria politicamente correcta desta falsa "esquerda") assumam - relativamente ao seu país e, em sentido lato, face ao mundo - os valores político-culturais putativamente dominantes na sociedade que os acolheu. Nos termos dos intelectuais (e dos antropólogos em particular) trata-se da exigência de uma "assimilação", perspectiva sempre contestada quando relativa a imigrantes oriundos da Ásia ou da África. Uma vontade assimiladora que é sempre dita efeito de racismo, de lusotropicalismo, de imperialismo, de (neo)colonialismo (o prefixo está a ficar em desuso muito por influência do pensamento boaventuriano, que tornou "colonialismo" um all aboard para definir a história moderna e contemporânea). 

 

Esta ênfase persecutória sobre os brasileiros é ainda por cima discriminatória, de modo paternalista, essa suprema face do racismo: ninguém nesta "esquerda", se preocupa em andar a escrutinar os votos (se os houver) dos imigrantes nepaleses, dos paquistaneses ou bangladexes, integrados em processos eleitorais complexos, entre ascensões de comunistas, "trumps" asiáticos e fundamentalismos islâmicos; ninguém se lembra de tentar encontrar as simpatias políticas dos imigrantes magrebinos ou do ocidente subsahariano, onde abundam os radicalismos islamófilos. E se alguém aventar a necessidade de fazer essa pesquisa, logo a corporação antropológica (olha logo estes) e os jornalistas do ex-DN e do Expresso, virão contestar, desabridos, a deriva persecutória, racista, securitária. Mas sobre os brasileiros, o voto no energúmeno bolsonar? Tudo é permitido. Isto mostra bem o paroquialismo desta classe-média locutora portuguesa mas também a incongruência e mediocridade intelectual e moral deste meio. Pois trata-se de um meio ambiente, não apenas de alguns miseráveis: eles botam estas coisas e não há, nos seus contextos de referência, partidários, profissionais, uma única voz crítica. Se algum jornalista do CM ou do Observador, se algum professor da Católica ou do ISCSP, escrevesse sobre a necessidade de escrutinar os votos dos imigrantes angolanos ou mauritanos para aferir da pertinência da continuidade dessa comunidade? O que diriam jornalistas, antropólogos e outros intelectuais, as presidentes da junta socialistas, os "comunicadores" e bloguistas-facebuqueiros? O que escreveriam os anticolonialistas directores dos jornais de referência, ex-diários que acolhem estes verdadeiros xenófobos nas suas páginas e nem tugem nem mugem? Mas este lixo? Passa. Porque os seus locutores "fazem parte ...", "são dos nossos" ...

 

 

Margarida Martins, a conhecida guida gorda do frágil, é diferente. Pois é presidente de uma junta de freguesia lisboeta, eleita no PS. Tem responsabilidades oficiais. Representa a besta exactamente como os outros locutores, do Expresso de Balsemão, do DN de Ferreira Fernandes ou das universidades, sejam estas quais forem. Mas representa-a assente, sentada, num cargo público para o qual foi eleita nas listas do partido do governo. Para mais é presidente de Arroios, freguesia onde coabitam imigrantes de dezenas de nacionalidades. E tem este tipo de mentalidade persecutória (e assimilacionista) face a "comunidades" imigradas. Isto é um óbvio caso que requer a destituição. Pelo menos a retirada de apoio de um partido que está no governo e anda com a prosápia que anda - ali logo ao lado a mandar construir um templo com fundos públicos, destinado aos estrangeiros, por exemplo.

 

Claro que os jornais de referência não a atacarão. Afinal a "guida" é "lisboa". E, mais do que tudo, é "pêésse", das "nossas".

 

Um gajo olha para esta gente, estes guidas gordas, estes jornalistas rastejantes, estes antropólogos "de esquerda", e lembra-se, constata, que, como todos, tem um bolsonaro cá dentro. Há que o reprimir. Ser cívico, civilizado. E, nesse civismo, clamar o óbvio: Margarida Martins tem que ser destituída. Isto é inaceitável. Os restantes têm que ser desprezados. E ditos.

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Ventania

por jpt, em 14.10.18

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A ventania que remodelou o governo PS é muito mau sinal. Com o PSD igual ao Sporting pós-Alcochete, Cristas encantada com o pseudo-sucesso lisboeta e o CDS incapaz de por Mesquita Nunes onde já devia estar, o BE roblesado e o PCP no respeitável mas doloroso e inimputável estado mental em que tantos dos nossos queridos mais-velhos vão ficando, o vice de Sócrates reforça-se bem. A senhora da Cultura é competente (também quem lá estava era péssimo, fácil de substituir). E Cravinho é muito bom, cumpriu bem como presidente da cooperação e foi excelente como secretário de estado. Está na óbvia rota para futuro MNE. E o Matos Fernandes, tão resguardado que nunca chamuscado nos terríveis fogos e nas coisas do petróleo, vai-se alargando. "Marquem as minhas palavras", querem alguém do Porto no poder?, esperem-pouco e olhem para ali.

Contornar estes baixios vai ser muito difícil. Mas, como em tempos se disse, navegar é preciso, viver (a vida videirinha, funcionária/avençada) não é preciso ...

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O PS É QUE FEZ, O PS É QUE FAZ!

por jpt, em 09.10.18

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Num dia é o apelo da esquerda socialista à perseguição e expulsão de imigrantes que não votam para os países deles segundo os "nossos" princípios e valores - nenhum dos deles, nenhum líder, jornalista, deputado, bloguista-facebuqueiro, sempre tão ciosos da sua "superioridade moral", protesta com o desaforo destas aspirantes a modelos (até vejo portugueses antropólogos doutorados a convocar essa mesma perseguição, os democratas ..., nuns "que fazem eles neste país", "como é que os vamos tirar daqui", aos brasileiros residentes). Não se lê uma única pessoa da chamada esquerda, do arco "geringonça" a denunciar, contestar esta vilania. Um único.

No dia seguinte é esta apropriação necrófaga.

Em Moçambique numa campanha os propagandistas inventaram o belo chavão "A Frelimo é que fez, a Frelimo é que faz". O PS também se apropriou disso, virou-o "O PS É QUE FEZ, O PS É QUE FAZ!". Até o morto Saramago ...

O geringoncismo é mesmo isto. Execrável.

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Os pirilampos

por jpt, em 08.10.18

 

(Transcrevo um postal meu no facebook, apenas elidindo uma expressão trocada pelo seu acrónimo):

 

Há alguns dias uma consóror bloguista enviou-me esta palestra muito interessante, longa mas bem animada, com sageza e humor. Forma de olhar um Brasil(eiro) relevante, neste dia, nesta era, tão peculiares. Nada tendo a ver aproveito para deixar duas impressões, uma sobre o PSD (partido ao qual me liga nele ter votado em 1999) e outra sobre o não-PSD.

1 - tenho várias ligações-FB de veementes adeptos desse partido. Não todos mas vários, até dos mais arreigados (tipo com fotos de PPC afixadas nos murais), transpiram simpatia pelo efeito bolsonárico, entre o sarcasmo e a ironia face aos escombros da "esquerda" e a empatia com os dichotes do futuro presidente. Tenho alguma dificuldade em compreender como quem todos os dias defende a prévia PGR (como eu o faço) tem algum apreço por um tipo que proclama a tortura como um necessário instrumento de investigação; que quem se ira com MRS a exigir silêncio substantivo a Cavaco Silva considere despiciendo que se proclame a necessidade de matar Fernando Henrique Cardoso; que indignados com os kamovs de Costa e seu "não me faça rir" diante da desgraça florestal lusa achem piada ao anúncio da privatização dos restos da floresta brasileira; e por aí adiante. Sarcasmo ou pirraça para serem laicados que tudo isso seja.

Acho que esta gente vai ser um problema ... para o PSD, coito deste rebotalho. E digo-o com pena, preparado que estava para votar em PPC (pessoa que isento desta vergonha toda) na sua desejável candidatura contra o inaceitável PR que vamos tendo. Mas se na sua base de apoio abundarem estes piadísticos desprezíveis isso ser-me-á impossível. Por questões ideológicas: pois se nada tenho contra as aspirantes a modelos (como a actual gentrificação da prostituição consigna) tudo me move contra aquilo, tão diferente, dos "fdps": esta mescla de blasés imbecis e de lineares fascistas.

2. Muitos devaneios se escreveram sobre o Brasil (ainda há pouco aqui vi transcrição de uma intelectual pomposa botando ontem que são os ricos que apoiam Bolsonaro. Viu-se ...). Mas talvez o mais significativo foi o que li ontem, um enfático apelo de uma intelectual a um não Bolsonaro em nome dos "mulheres, homossexuais, afrodescendentes, ameríndios". Um tipo olha para isto e pensa "quer-se dizer, um gajo como eu, homem, medianamente heterossexual, totalmente eurodescendente, não serve?". Ou vai como mero "companheiro de viela"?

Talvez tudo isto promova um "efeito Bolsonaro" em algumas mentes: por um lado, e de uma vez por todas, a consciência de que a criminalização do exercício de funções políticas, que o PT praticou, promove a extrema fragilização das instituições e das adesões democráticas. Ou seja, que não é preciso esperar que o deputado Galamba, tarde e a péssimas horas, se pronuncie contra o fartar vilanagem para que as pessoas se sintam legitimadas para criticar a "esquerda"; e, por outro lado, a percepção que esta visão comunitarista, centrada na imaginação e estrategização de raças, géneros, comunidades de crentes e tralhas afins, é uma mera importação de agendas e modos de pensar, e é insuficiente. E incompetente. Por mais simpáticos que sejam (alguns) objectivos. E pensar que há que largar este danado radicalismo cristão, a fusão de poder(es) e culpa, alimentado pelas esquizofrénicas ciências sociais embrenhadas na cartografia denunciatória e ilegitimadora dos (micro)poderes. Pois estes, "injustos" que surjam, são ordenadores, são vistos como tal e, afinal, são requeridos como tal. Como se viu, ai, ai, ontem. Por maiores ou melhores "políticas" que os queiram combater ...

Há sempre uma outra solução, a tradicional: dizer que os outros estão alienados quando pensam/actuam diferente do que nós pensamos. E que estão iluminados quando connosco concordam. Honestamente, aos 54 anos (e dito trumpista, homofóbico, quase-nazi, ressabiado, invejoso, fascista e, mais-do-que-tudo, lusotropicalista), nada percebo do Brasil e pouco mais sobre o resto. E gostava de ser algo iluminado. Mas estou farto destes pirilampos que se acham focos eléctricos.

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Não é preciso ser druida

por jpt, em 04.10.18

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Escrevi "O ministro da defesa ainda o é (ele que disse que se calhar não tinha havido roubo em Tancos - estamos a brincar?, não é óbvio o que o homem sabia?)" - num postal de 27.9 (e podia ter sido de há meses), e boto eu sem fontes, mero civil, e ainda por cima emigrado.

O traste lixou-se agora em tribunal: a que horas será preso, é o que me ocorre perguntar? E já agora, a ministra do mar, aquela que nomeia a sócia para gerir os portos (g'anda lata ...), já se demitiu? Irá presa?

Isto com esperança, que ser sportinguista é ser esperançoso, de que ainda haveremos de chegar aos kamovs. Apesar das progenituras anticolonialistas. Devagarinho ..., e decerto que só depois do Celo de Sousa ter caído. Mas haveremos de lá chegar. Até às barragens. Até às barragens chegaremos. A essas se calhar já só em registo de "história". Mas ficarão as "histórias", pelo menos para se reconhecerem os apelidos dos descendentes. Destes socialistas.

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Para os amigos tudo. Para os outros, há o PS

por João Villalobos, em 07.09.18

Adoro a pastinha encarnada cujos segredos apenas podemos especular. A gravata fúnebre do senhor lá atrás (o qual, como diria um escritor que ninguém já hoje lê, sorri à morte com meia cara). A outra pastinha azul sobre cujos segredos apenas podemos especular, quase da cor do vestido da mesma senhora que olha quiçá para as chem trails no céu. E, principalmente, a coerência de certo PS na defesa dos seus. A bem da transparência. Nas próximas eleições, só será parvo quem quiser. A fotografia é do grande repórter fotográfico António Pedro Ferreira. O que ela retrata é de todos nós.

A notícia relacionada. E a legenda da foto, para que não haja confusões por parte de quem não segue os links: "Valdemar Alves com António Costa, em 2017, durante as homenages às vítimas dos incêndios de Pedrógão Grande".

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Obrigado, Santana Lopes.

por Luís Menezes Leitão, em 27.08.18

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Pela segunda vez o PS vai agradecer a maioria absoluta que lhe proporcionou. Merece desde já ser feito militante honorário, uma vez que faz mais pelo resultado eleitoral do partido do que qualquer líder do PS.

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O debate em curso no PS

por Pedro Correia, em 16.07.18

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O maior debate ideológico neste momento na política portuguesa ocorre no interior do PS, já a apontar para um período posterior à actual liderança. Com uma clivagem cada vez mais evidente entre a sua ala maioritária, europeísta e firme defensora dos compromissos de Portugal enquanto membro das instituições comunitárias, e uma ala que anda seduzida por um certo populismo eurocéptico, de braço dado com forças partidárias que nunca advogaram a construção europeia e não escondem a aversão à união monetária.

Isto ocorre num período histórico de clara regressão da social-democracia clássica à escala continental. Socialistas e sociais-democratas estão em recuo acelerado em quase toda a Europa - Alemanha, Holanda, Dinamarca, Finlândia, Áustria, Bélgica. Na Itália, em França e na Grécia os partidos socialistas eclipsaram-se. Tiveram de mudar de nome e de configuração para não desaparecerem de vez.

Na Alemanha, a última eleição federal ganha pelo SPD foi em 2002.

No Reino Unido, as últimas legislativas com triunfo eleitoral do Partido Trabalhista datam de 2005.

Em Espanha, o PSOE não vence uma eleição parlamentar desde 2008.

Este pano de fundo torna ainda mais interessante o debate em curso entre os socialistas cá do burgo. Enquanto uns sonham com a formação de um vasto bloco europeísta liderado pelo PS a partir do centro, que inclua os despojos futuros do cada vez mais fragmentado PSD, outros imaginam um partido federador e congregador das esquerdas eurocépticas, capaz de pescar em águas populistas e liderado a prazo por um candidato a Corbyn português. Como observa Vasco Pulido Valente, «a nova geração do PS é indistinguível da geração do Bloco de Esquerda: têm a mesma educação, o mesmo percurso social, vestem-se da mesma maneira, gostam das mesmas coisas».

Tempos interessantes, a que convém dar atenção.

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Assis tinha razão

por Pedro Correia, em 13.07.18

No fundo, Augusto Santos Silva vem dizer agora o que Francisco Assis já dissera em 2015: há incompatibilidades genéticas entre os parceiros da geringonça. Face aos compromissos europeus e à gestão das finanças públicas, pedras angulares de qualquer governação.

A grande alteração de contexto é a perda gradual e constante do PS nas intenções de voto, confirmada a cada sondagem de há um ano para cá. Felizmente para António Costa, existe  Rui Rio - sempre incapaz de lhe fazer uma crítica, sempre pronto a amparar-lhe a queda.

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O melhor discurso do congresso

por Pedro Correia, em 27.05.18

Ana Gomes, ontem, na reunião magna do PS:

 

«Errámos deixando que o pântano atolasse o País.»

«Não vale a pena varrer para debaixo do tapete o que do passado nos pode enraivecer e envergonhar.»

«Contra a corrupção, tráfico de influências, portas giratórias entre Estado e consultadorias privadas, contra a impunidade, exige-se acção.»

 

(Só conseguiu falar enquanto decorria a final da Liga dos Campeões)

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Difícil

por Pedro Correia, em 26.05.18

«O que achou do discurso de António Costa?» Esta é a pergunta que alguns repórteres, em representação de mais do que um canal de TV, fazem nos bastidores do congresso socialista na Batalha aos principais colaboradores do secretário-geral do PS, tanto no partido como no Governo.

Vida de jornalista, de facto, anda difícil por estes dias.

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Desafinação

por Pedro Correia, em 25.05.18

O PS pode andar muito afinado sob a batuta de António Costa. Mas vendo a sessão de abertura do congresso do partido, na Batalha, ninguém diria: duas moçoilas e um mancebo em palco entoam a Grândola, Vila Morena com arrepiante embora convicta desafinação.

Perdoa-lhes, Zeca: el@s não sabem como cantam. Mas no peito dos desafinados também bate um coração.

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Como é que o PS resiste a isto?

por Pedro Correia, em 25.05.18

O PS, reunido a partir de hoje em congresso na Batalha (António Costa nunca descura os pormenores), deixará de contar com João Galamba nas funções de porta-voz - ou de trombeteiro, como se diz em linguagem popular. 

Ainda mal refeito do choque, não consigo imaginar como conseguirá resistir o partido a tão grande perda.

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sócrates

por Sérgio de Almeida Correia, em 04.05.18

Fiquei esta manhã a saber que resolveu sair do PS. Não estranho. Há cartões mais valiosos. E que dão mais crédito. Só lamento que lá tenha entrado, mas já agora espero que outros lhe sigam o gesto. Os que com ele andaram ao colo, que lhe deram vitória esmagadoras em congresso e agora o criticam, bem como a Manuel Pinho, como se tivessem peçonha. Amigos, pois claro.

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Frases de 2018 (22)

por Pedro Correia, em 02.05.18

«Ficamos entristecidos e até enraivecidos com isto: que pessoas que se aproveitam dos partidos políticos, e designadamente do PS, tenham comportamentos desta dimensão e desta natureza. Evidentemente que ficamos revoltados com tudo isto.»

 

Carlos César, presidente do PS e líder parlamentar socialista, referindo-se hoje a José Sócrates e Manuel Pinho, em entrevista à TSF

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Rio: a primeira valsa em Lisboa

por Pedro Correia, em 22.02.18

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Anteontem, no segundo acto formal da sua nova existência política como presidente do PSD (o primeiro, na véspera, fora uma audiência protocolar com Marcelo Rebelo de Sousa em Belém), Rui Rio reuniu-se durante duas horas e meia com o primeiro-ministro, na residência oficial de São Bento.

A própria duração do encontro equivale, por si só, a uma declaração política sem necessidade de palavras. Em benefício da imagem pachorrenta e "dialogante" de António Costa.

 

No final deste prolongado rendez vous na fortaleza governativa, Rio pronunciou-se mais como uma espécie de conselheiro informal do primeiro-ministro do que como líder de uma força política da oposição: "Estivemos os dois a tratar mais do que possa consubstanciar políticas positivas e não estivemos a carregar naquilo que nos divide", apressou-se a tranquilizar os jornalistas, não fosse alguém acusá-lo de falta de patriotismo.

"Os partidos devem fazer um esforço por procurar aquilo que os possa unir em torno do interesse nacional. Normalmente a cultura é diferente: andam a carregar nas tintas, naquilo em que divergem. Eu quero introduzir uma cultura um bocadinho diferente", acrescentou, dissipando as últimas dúvidas que pudessem subsistir quanto à cordialidade dominante.

 

Apoio ao Executivo nas grandes linhas estratégicas da governação: eis, portanto, a "cultura um bocadinho diferente" que o ex-presidente da Câmara do Porto promete trazer ao maior partido da oposição.

Já ontem, na SIC Notícias, o ministro do Planeamento retribuía a vénia, com manifesto agrado, ao novo líder do partido laranja: "Há uma grande diferença em relação à anterior liderança [do PSD] nesta afirmação da disponibilidade para discutir as matérias essenciais e estratégicas para o futuro que não encontrámos anteriormente." Isto após Rio ter mostrado abertura para consensos sobre a reprogramação dos fundos comunitários.

Promete ser o primeiro "pacto de regime" da nova vaga. E andará longe de ser o único.

 

A política portuguesa, por estes dias, vai girando ao ritmo de uma valsa ornada de salamaleques, com dois grandes partidos "genuinamente sociais-democratas" a ocuparem um imenso centro sem fissuras e ainda um partido "social-democrata de esquerda", que é aquilo em que o BE na prática se transformou, cada vez mais disponível para entrar na dança, acolitado por suaves epígonos como o PAN e o Livre. Todos na linha do "socialismo reformista", isento de glúten. Com alguns adoçantes mas sem corantes nem conservantes.
Receio que, pelo rodopiar da carruagem, o PCP e o CDS acabem ilegalizados por fuga à norma. A menos que se socialdemocratizem também: arranja-se sempre lugar para mais um nestas voltinhas de carrossel.

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