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Canas ao Tribunal Constitucional

por jpt, em 24.02.20

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A indicação de Vitalino Canas para o Tribunal Constitucional é algo extremamente gravoso e que só seria surpreendente se ainda vigorasse qualquer dúvida sobre o carácter de António Costa e da elite socialista sua apaniguada. Enviar um homem da actividade empresarial, e muitíssimo próximo de José Sócrates, para o Tribunal Constitucional é a total impudicícia. Sufragada ou acolhida com silêncio pela massa de apoiantes.

Em 2006 este Canas equiparou os terroristas fundamentalistas islâmicos aos caricaturistas dinamarqueses - notai bem, o PS propõe para juiz do Tribunal Constitucional alguém que considera ""estão bem uns para os outros, os caricaturistas irresponsáveis e os fundamentalistas violentos." ... E os colunistas e académicos ditos de "esquerda" que gastam páginas elaborando sobre as características ideológicas dos nomeados para o Supremo Tribunal dos EUA nada dizem agora.

Então, há já 14 anos, bloguei a minha memória de quando Canas, então Secretário de Estado, foi a Maputo, algo que acontecera em 1998. Garanto-vos, foi o político mais intelectualmente incapaz que cruzei. Uma coisa atroz. Deixo aqui a ligação para essa narrativa, para quem se possa interessar sobre a "densidade" política e pessoal deste homem.

E é este indivíduo, pois fiel amigo de Sócrates, que Costa coloca no Tribunal Constitucional. E nós assistimos ...

Porreiro, pá!

por jpt, em 05.02.20

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Há uma gripe lá na China, morrem uns chineses, preocupam-se uns chineses, andam aflitos os sacaninhas dos chineses? "Porreiro, pá", que ainda iremos fazer uns cobres, aumentar as exportações para lá ...  É isto a nossa ministra da agricultura. Onde vai o PS encontrar estes tipos? Sim, mesmo sendo eles, onde conseguem desencantar este tipo de gente?

Antes falidos que competitivos

por Paulo Sousa, em 27.01.20

Segundo dados das Finanças, cerca de 30.000 residentes beneficiam do regime de Residentes Não Habituais o que na prática equivale a estarem isentos de IRS. Incluem-se neste regime principalmente reformados de Estados Membros da UE, nomeadamente Finlândia, Suécia e França, assim como emigrantes portugueses que regressaram à pátria.

Esta situação tem causado algum incómodo aos países de origem pelo facto deste regime ser fiscalmente compensador para quem decide passar a reforma em Portugal, verificando-se assim uma perda de receita fiscal considerável por parte dos seus países de origem.

Podemos dizer que o clima ameno e a amabilidade dos portugueses ajuda neste processo, mas no fim de contas estamos a falar apenas do que será o único aspecto em que se pode dizer que o nosso enquadramento fiscal é competitivo. É como se estivessemos para os reformados estrangeiros como a Irlanda e a Holanda estão para as empresas.

Tudo isto tornou-se novamente assunto porque o governo pretende agora passar a cobrar 10% de IRS nestes casos. Não faltará quem aplauda tal medida. Se um português ganhasse o que ganha a classe média baixa na Escandinávia teria de pagar 40% de IRS, porque é que raio eles deverão estar isentos?

Há no entanto algo que convém não esquecer. A isenção fiscal destes reformados restringe-se ao IRS. Como têm casa - pagam IMI – almoçam, jantam, consomem electricidade e fazem compras - pagam IVA - têm veículo(s) próprio(s) - pagam IA e IVA sobre o IA, e IUC - deslocam-se pelo país - pagam IPP – e por aí a fora.

Isentos desta imensidão de impostos, taxas e taxinhas estão apenas os reformados escandinavos que não vivem em Portugal.

O governo podia apostar na divulgação noutros países onde a nossa fiscalidade é competitiva – esta verdadeira avis rara fiscal – mas os socialistas preferem descobrir, por tentativas, qual o ponto de equilíbrio destes contribuintes. Como sempre acontece nestas coisas, após os 10% iniciais outros aumentos se seguirão até chegaremos ao ponto em que haverá quem perca a paciência e mude para outras paragens, ficando então efectivamente isento de impostos portugueses.

As fobias do BE

por Paulo Sousa, em 11.01.20

O estado dos serviços públicos, nomeadamente os de saúde, chegou a uma degradação tal que já motivou os cartoonistas a comparar o SNS com um SOS.

É apenas o resultado das políticas do governo PS que, sem conseguir que a nossa economia cresça ao nível das nossas congéneres europeias, preferiu trocar défice público por défice de serviços.

António Costa entendeu que o PR quer manter a imagem de fiel da balança e por isso sabe que tem de negociar o OE com a esquerda.

O BE sabe disso e também sabe que votar contra o OE equivale a ser desqualificado na corrida ao poder que anda há anos a fazer, e por isso, com grande sacrifício, cala-se (abstém-se o que é o mesmo) perante a degradação dos serviços públicos em troca de um OE com um tão neo-liberal superavit.

Em política isto é perfeitamente normal, mas fez-me lembrar um episódio clássico da TV, o famoso “Ponha, Ponha, Ponha!!”. Vejam as imagens e imaginem a Catarina Martins ser arranhada pelo superavit.

 

Ferro Rodrigues

por jpt, em 14.12.19

0378.jpgQuando vivia em Maputo contactei - por razões profissionais ou conjugais - com inúmeros governantes portugueses ali visitantes, na sua maioria socialistas. Oscilavam entre o pungente (Vitalino Canas era um exemplo tétrico de défice mental) à extrema compostura arguta (Sousa Franco ou Luís Amado foram disso exemplos). Isto não é uma avaliação política: um imbecil nunca poderá ser bom governante mas alguém muito decente e capaz pode falhar rotundamente. É apenas uma consideração pessoal. Recordo isto devido ao episódio "vergonha" que Ferro Rodrigues acaba de protagonizar na AR a que preside. Pois há cerca de duas décadas ele visitou Maputo como ministro e a impressão que deixou foi a melhor: educado, afável, muito bem preparado.

Politicamente pouco me interessa. Para mim ele é, acima de tudo, o homem que acabado de ser eleito presidente do grupo parlamentar do PS, sob o novo secretário-geral Costa, foi discursar ao parlamento reclamar o legado governativo de Sócrates (estava este, então recém-regressado ao país, a pavimentar a sua via para Belém, entre posfácios de Eduardo Lourenço, conferências sobre Rimbaud, e elogios alheios ao seu magnífico PEC4). O qual foi detido logo a seguir (julgo que até na semana seguinte). E deixemo-nos de coisas, se até eu, mero emigrante de longo prazo, vulgar antropólogo docente, sabia desde 2007/8 das trapalhadas da banca, das aleivosias da malta que o rodeava, das coisas bem estranhas dos negócios em Moçambique (sobre as quais ninguém fala), do combate à liberdade de imprensa - e do quão misteriosa era a fonte dos seus recursos pessoais - é completamente impossível que o seu predecessor no PS tudo ignorasse. Sabia-o perfeitamente, sabiam-no os seus mais próximos (como o sabiam todos os membros daqueles governos, e o pessoal "menor" circundante daquele poder). Ou seja, Ferro Rodrigues não foi apenas conivente com o socratismo. Reclamou-o como legado a preservar. E o seu opróbrio (vede como evito o termo "vergonha") é esse.

Pode agora surgir Ferro Rodrigues a querer censurar o léxico do extremo-direitista Ventura, erro crasso que este muito agradece, como é óbvio. Mas o que me nada me surpreende é a impudicícia (vede como evito o termo "vergonha") com que os socialistas defendem esta patetice. Explico-me melhor: acabo de ler no mural FB de um prestigiado socialista a sua reflexão sobre o caso, até elíptica. E no seu mural há um comentário que ele acolhe, e até responde plácido ainda que discordante: trata-se de uma veemente concordância com Ferro Rodrigues aposta por um deputado (poeta,filósofo, bloguista) importante deste poder. Porfírio Silva de seu nome, o homem que acusou Passos Coelho de usar o cancro da sua mulher como propaganda eleitoral.

A minha pergunta é esta: pode Ferro Rodrigues, que aceita ombrear no seu grupo parlamentar com um filho da puta destes, ter algum critério sobre o léxico alheio? E já nem pergunto o mais óbvio, pode alguém que aceita dialogar com um filho da puta daqueles colher algum respeito pelas suas opiniões?

No meio disto quem se sai a rir, claro, é o comentador da bola. Irá longe, parece-me.

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A história é simples: a Câmara de Lisboa decidiu instalar a EMEL na freguesia de Olivais. Escolhendo um modelo todo desatento às características urbanísticas (espaciais e sociológicas) do "bairro". A presidente da Junta (PS) desde há anos garantira que sob sua presidência a EMEL nunca seria instalada, e disso também fez argumento de campanha eleitoral. Tudo isso foi varrido, e aí já está o processo de instalação do parqueamento pago. Com efeitos brutais na mobilidade/sociabilidade dos habitantes de tão peculiar freguesia. Para se justificar diz a presidente Rute Lima (entretanto candidata à AR por Lisboa) que os opositores à EMEL são "comunistas", e assim segue ufana no desdizer-se.
 
Não se trata apenas da rapina económica (impostos e taxas) estatal. Nem só do alijar das responsabilidades camarárias na situação automóvel - nas últimas três décadas a construção imobiliária, de estações de metro, e o crescimento do aeroporto, nunca foram conjugados com o do estacionamento (parques ou silos).
 
É pior ainda: pois as instâncias camarárias foram forçadas a aprovar a realização de um referendo aos fregueses para decisão sobre a instalação da EMEL. E estão a protelar a sua realização enquanto vão instalando o parqueamento pago. Ou seja, não é pura irresponsabilidade camarária, não é pura demagogia dos políticos. É mesmo violação dos procedimentos legais democráticos. O partido do poder, no centro de Lisboa, a comportar-se assim. E o (empobrecido) cidadão que pague, cada vez mais. Sem qualquer racionalidade, sem considerações do impacto social destas medidas punitivas, sem procurar desenhar modalidades menos agressivas.
 
Hoje, sexta-feira, depois do horário de trabalho, às 19 horas, é de ir até ali à Encarnação/Olivais Norte, diante da sede da Junta. Para exigir a realização do referendo. E depois que a população freguesa diga do seu entender: se sim, se não, e como. Mas, acima de tudo, para recusar que o poder político continue a tentar fintar o povo. Demagogicamente.
 
Por isso clamo: "De pé, ó vítimas da fome"! E lá estarei, ombreando com o "sal da terra". Contra esta gente.

Elogio a sete deputados do PS

por Pedro Correia, em 26.11.19

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Sérgio Sousa Pinto, um dos sete

 

Nesta data em que se assinalam 44 anos do fim da perversão do ideal do 25 de Abril pela esquerda totalitária, inscrevo aqui os nomes dos sete deputados do PS que aprovaram um voto de saudação ao 25 de Novembro na Assembleia da República:

Ascenso Simões

Hortense Martins

João Ataíde

João Paulo Pedrosa

Marcos Perestrello

Paulo Cegonho

Sérgio Sousa Pinto

 

Cumpre salientar que estes parlamentares socialistas honraram a melhor tradição histórica do seu partido, contrariando a orientação de voto da bancada, que os mandava imitarem o gesto de Pilatos, abstendo-se.

Os restantes acobardaram-se. Faltou pouco para alinharem com o PCP, o BE e o Livre (e a deputada socialista Isabel Moreira) na condenação do 25 de Novembro. Como se nada soubessem das lições da História.

Acontece que a 25 de Novembro de 1975, data crucial para o estabelecimento da democracia em Portugal, o PS de Mário Soares, Maria Barroso, Salgado Zenha, Jaime Gama, Sophia de Mello Breyner Andresen e Manuel Alegre não se absteve: estabeleceu uma linha fronteiriça entre a democracia representativa e a extrema-esquerda política e militar que queria implantar em Portugal a réplica de uma ditadura cubana, albanesa ou soviética.

 

Há 44 anos, Soares era o inimigo n.º 1 dessas forças extremistas, que o comparavam a um girondino da Revolução Francesa ou a Aleksandr Kerenksy, o efémero líder social-democrata russo destituído pela insurreição bolchevista de Lenine em 1917. O fundador do PS esteve à altura do seu papel histórico, assumindo-se como um resistente de primeira hora a uma ditadura de esquerda. Com a mesma fibra de lutador que revelara no salazarismo.

Esta lamentável abstenção do PS, traindo o legado do partido, foi também um voto contra Soares e os restantes socialistas que travaram o passo ao comunismo em Portugal.

Inqualificável

por Pedro Correia, em 22.11.19

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Bernardo Silva e Mendy, companheiros e amigos

 

O PS, indo a reboque do Bloco de Esquerda e da deputada do Livre, recusou exprimir solidariedade na Assembleia da República a um dos melhores jogadores portugueses da actualidade, titular absoluto da selecção nacional de futebol, alvo de uma infame acusação de racismo sem o menor fundamento.

Foi um acto de inqualificável cobardia política dos socialistas, talvez com receio de serem apontados a dedo pelos seus companheiros de estrada.

 

Como há dois meses assinalei aqui, Bernardo Silva - que alinha no Manchester City, acaba de ser eleito melhor médio ofensivo do mundo e tem lugar cativo no onze da equipa das quinas com presença garantida no Europeu de futebol - limitou-se a fazer uma piadola no Twitter com um colega de equipa, que é seu grande amigo. Acontece que este colega, o francês Mendy, tem um tom de pele mais escuro do que a do Bernardo: foi quanto bastou para se levantem clamores histéricos contra o internacional português, acusando-o de racismo.

Uma organização denominada Kick It Out apressou-se a exigir a adopção imediata de medidas punitivas contra o «comportamento ofensivo» do nosso compatriota, pressionando a Federação Inglesa de Futebol. E esta cedeu aos clamores da correcção política: Bernardo foi condenado a um jogo de suspensão, ao pagamento de uma multa de quase 60 mil euros e ao cumprimento de um programa comunitário de educação presencial para o descontaminar do putativo vírus racista.

Sublinhe-se que em momento algum Mendy se mostrou ofendido ou apresentou queixa contra o colega.

 

Hoje, no parlamento, PS, BE e Livre cerraram fileiras, recusando o voto de solidariedade com Bernardo proposto pelo CDS. Vários destes parlamentares - sobretudo os socialistas - adoram acotovelar-se nas tribunas dos estádios em aplausos frenéticos à selecção nacional e farão tudo para conseguirem ver in loco os jogos do Europeu, que se disputam em diversas capitais europeias. Alguns, imagine-se, até são comentadores de futebol na rádio e na televisão.

Felizmente para eles, a hipocrisia justifica reparos morais mas ainda não merece censura penal. Ficam assim dispensados de frequentar programas comunitários e de pagar qualquer multa, ao contrário do talentoso futebolista a quem acabam de negar o voto solidário que se impunha. Convicto como estou que nesta matéria pensam inteiramente como eu: é profundamente injusto e vergonhoso rotular Bernardo Silva de racista.

Palavras para recordar (60)

por Pedro Correia, em 15.11.19

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EDUARDO LOURENÇO

Diário de Notícias, 25 de Maio de 2008

«PS e PSD são duas alternativas à mesma coisa.»

Notas breves sobre a noite eleitoral

por Diogo Noivo, em 07.10.19

1. Ao contrário do que foi dito por António Costa, os portugueses não gostam da geringonça. Os portugueses gostam do PS. Os socialistas reforçaram o seu respaldo eleitoral, mas o Bloco de Esquerda perdeu mais de 57.000 votos e a CDU mais de 115.000 (um desaire colossal). Ver nestes resultados um triunfo da geringonça é um delírio.

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fonte: SGMAI

 

2. O resultado do PSD é inenarrável. Pior só mesmo o discurso de Rui Rio. O Pedro Correia já aqui disse o essencial sobre o assunto.

 

3. Mais do que um mau resultado, o CDS pode ter iniciado o princípio do fim. A próxima liderança será determinante.

 

4. Dos pequenos partidos que entram o parlamento, o mais votado foi o Chega, ainda que por margem diminuta. É favor abrir os olhos. A culpa não é dos eleitores, frequentemente acusados de incultura quando partidos desta natureza chegam aos parlamentos (aliás, olhando para a votação por grau de escolaridade, o campeão junto daqueles que menos formação têm será o PS). Os eleitores têm sempre razões atendíveis e importa compreendê-las.

 

5. A Tunísia também foi às urnas ontem. Tem cerca de 11 milhões de habitantes e 7 milhões de eleitores. Portugal tem mais ou menos a mesma população e mais de 10 milhões de eleitores. Um destes países tem um Ministério para a modernização administrativa.

Fora da caixa (27)

por Pedro Correia, em 07.10.19

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«O Bloco de Esquerda cresceu em tantos distritos deste país..

Catarina Martins, ontem à noite

 

Politicamente, a "geringonça" só foi um bom negócio para o PS. O Bloco de Esquerda recuou nas urnas e o PCP teve o pior resultado eleitoral de sempre em eleições legislativas.

Os números aí estão, para demonstrar.

 

Após quatro anos de acordo político entre o PS e os dois parceiros à esquerda, que viabilizaram todos os orçamentos concebidos por António Costa e Mário Centeno, o PCP recua de 8,3% para 6,5%. Perde cinco deputados (tinha 17, agora tem 12, dois dos quais cedidos ao partido-satélite PEV) e vê fugir mais de cem mil votos (em 2015 recolheu 445.900 boletins nas urnas e desta vez não chega aos 330 mil).

Para o BE, estranhamente eufórico na noite de ontem, este escrutínio também evidencia um recuo. Não em número de deputados (mantém os 19 representantes que já tinha), mas em percentagem (perde 0,5%, recuando de 10,2% para 9,7%) e sobretudo em número de eleitores (vê fugirem cerca de 60 mil, baixando dos 550.892 em 2015 para os actuais 492.487).

Só o PS cresce. Em percentagem (mais 4,4%), em número de votos (mais cerca de 120 mil) e sobretudo em deputados (para já são mais vinte, subindo de 86 para 106 ainda antes do apuramento dos círculos da emigração, que atribuem quatro lugares no hemiciclo).

 

Quando derrotou Freitas do Amaral na duríssima campanha presidencial de 1986, Mário Soares deu-se ao luxo de enviar no dia seguinte um enorme ramo de flores à esposa do seu antagonista. Um gesto galante que bem poderia ser agora imitado por António Costa: Catarina Martins não merece menos que isto. E Jerónimo de Sousa justifica pelo menos um generoso cabaz de frutos secos.

Um homem só no meio de uma multidão

por Paulo Sousa, em 04.10.19

A reacção de António Costa à interpelação de um popular marcou o último dia de campanha.

Segundo o Expresso terão sido os seguranças do PM que o terão travado. À primeira leitura pode parecer que protegeram o candidato, mas não, defenderam foi o cidadão de um “chega para lá” de António Costa.

Os guarda-costas fizeram as vezes da PSP. Não fosse a falta de investimento nas forças de segurança e certamente que a Polícia teria podido a defender o cidadão.

Ironia à parte, este é um tipo de situação que pode perturbar os candidatos. Há dias Assunção Cristas passou por um episódio idêntico.

Estes eventos, em que se cruzam figuras públicas com cidadãos anónimos são interessantes. Ali se cruzam dois ângulos de observação totalmente opostos com um potencial de desvantagem para o “famoso”. Todos os indivíduos ali presentes o conhecem, a sua voz, o seu percurso pessoal, os seus sucessos e insucessos. Pelo contrário, ele só conhece, e não muito bem, o seu círculo imediato. É um homem só no meio de uma multidão.

É impossível não ter uma opinião sobre essa pessoa, especialmente por se tratar de um político. Para uns pode ser uma figura simpática e para outros exactamente o contrário disso. Ele sabe que uns estarão satisfeitos consigo, mas também sabe que para outros ele poderá representar o que de mal lhes terá corrido na vida no passado recente.

A distância física que sempre separau o decisor público do cidadão anónimo naquele momento esbate-se.

Algumas figuras públicas é ali que se sentem bem e se encontram consigo próprios. Para outros, a arruada é um tormento e representará o preço mais alto a pagar pela carreira política. O ruído que rodeia a caravana talvez ajude a distrair a exposição que sente, mas por mais alto que a música toque nunca irá substituir a roupa que parece ter deixado em casa.

Sem dúvida que António Costa se encaixa neste tipo de desconforto e, sem pestanejar, aceitaria trocar meio Centeno por campanhas eleitorais sem arruadas.

Quem aprecia o actual PM arranjará para si próprio e para os amigos explicações para o que aconteceu e apontará culpados em número suficiente para que não tenha de ajustar a decisão de voto. Pelo contrário, quem não gosta dele, encontrará neste episódio a cereja em cima de um bolo feito de arrogância, cativações, incêndios, Tancos e nepotismo.

A reacção destemperada de hoje mostra uma face escondida de alguém que, estando no limiar de esforço, não se conseguiu conter. A campanha é fisicamente cansativa, o músculo piramidal reclamou, as sondagens não o confortam e a surpresa do caso Tancos pesou muito mais do que as boas notícias que os amigos do INE lhe tinham preparado.

O que vi naquelas imagens foi um homem a soçobrar no limiar da fadiga.

Estará apto a lidar com os cenários que se abrirão domingo à noite?

Fora da caixa (22)

por Pedro Correia, em 04.10.19

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«Poucos deram tanto a Portugal, à liberdade e à democracia.»

António Costa, ontem, sobre Freitas do Amaral 

 

A campanha eleitoral terminou ao princípio da tarde de ontem. Precisamente quando foi conhecida a triste notícia do falecimento de Freitas do Amaral, o último fundador civil do nosso regime democrático - resta o general Ramalho Eanes, ilustre sobrevivente desta estirpe já com lugar na História.

Este infeliz acontecimento relegou para segundo plano tudo quanto vinha a ser discutido no espaço mediático, o que muito jeito dá a António Costa - confirmando que o secretário-geral socialista é o político com mais sorte em Portugal. A campanha corria-lhe razoavelmente mal: Costa está longe de ser brilhante nas caravanas de propaganda eleitoral, para as quais tem pouco jeito e quase nenhuma paciência. A nova dimensão dada ao lamentável caso de Tancos, centrada na acusação deduzida pelo Ministério Público ao ex-titular da pasta da Defesa Azeredo Lopes, fragilizou o primeiro-ministro numa das dimensões que mais cultiva: a sua faceta de homem de Estado.

O desaparecimento de Freitas, senador da democracia, e as cerimónias fúnebres que lhe serão devidas hoje e amanhã, dia de reflexão eleitoral, encerram simbolicamente um capítulo da nossa vida colectiva. E põem fim prematuro a uma campanha que se revelou mais incómoda para o PS do que alguns responsáveis socialistas previam.

Recordo-me da dramática recta final das legislativas de 1999, marcada pelo súbito falecimento de Amália Rodrigues, que gerou comoção nacional. Foi a 6 de Outubro, vai fazer 20 anos depois de amanhã - quatro dias antes de os portugueses irem então a votos.

Também a campanha terminou nesse dia. E dela saiu uma vitória pírrica do PS: António Guterres ficou a um escasso lugar da maioria absoluta e acabou por nunca recuperar desse trauma. Nascia uma legislatura condenada ao fracasso desde o vagido inicial.

Embora com protagonistas diversos, a História tem tendência a repetir-se.

Fora da caixa (21)

por Pedro Correia, em 03.10.19

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«Quero levar os portugueses a viver habitualmente.»

Salazar (1938) 

 

Não sei se mais alguém pensou como eu. Mas achei refrescante a intervenção da candidata do MRPP no debate organizado pela RTP com os representes dos pequenos partidos. Não pelas ideias, claro: são mais antigas do que o animatógrafo, a grafonola, o hidroavião e o zepelim. Mas pela sinceridade: vê-la defender abertamente o «modo de produção comunista» revela-nos, por contraste, até que ponto o PCP se tornou um partido reformista, longe de qualquer ideal revolucionário. Há quanto tempo não ouvimos Jerónimo de Sousa advogar os dogmas do marxismo-leninismo? É possível um partido verdadeiramente comunista votar quatro orçamentos de Estado em estrita obediência às normas do pacto de estabilidade e aplaudir a maior contracção do investimento público de que há memória na democracia portuguesa?

Há muito que o PCP deixou de amedrontar as "classes dominantes": tornou-se um partido fofo, respeitador da moral burguesa e dos bons costumes. Isto explica-se, em parte, por já não ser acossado pela defunta "esquerda radical" que se acoitava sob a bandeira do BE: Catarina Martins deu uma guinada ao Bloco, tornando-o um movimento "eco-socialista", quase pós-ideológico, new age. Por muito que isso incomode o professor Fernando Rosas, a "renegociação da dívida" e a saída de Portugal do sistema monetário europeu deixaram de figurar entre as proclamações bloquistas, agora mais embaladas por jazz de hotel do que pelos estridentes acordes d' A Internacional.

Música para os ouvidos de António Costa, que nestes quatro anos reduziu os partidos à sua esquerda a caricaturas de si próprios. Enquanto se encarregava de seduzir largas parcelas da classe média com duas percepções dominantes: contas certas e ordem nas ruas.

Esquerda radical neutralizada e direita sociológica despojada das principais bandeiras: eis o balanço político de quatro anos de "geringonça", eis o contributo de António Costa para sedimentar o regime instaurado com a Constituição de 1976, alterando-lhe o eixo dominante ao leme de um partido socialista que há muito deixou de o ser.

Os antigos pregoeiros da revolução andam hoje mais preocupados com a extinção das focas do que com a extinção da classe operária. E quem ainda sonhar com a revolução comunista pode sempre votar no MRPP.

 

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Fim-de-semana

por jpt, em 29.09.19

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Enquanto decorre a campanha eleitoral e o secretário-geral Jerónimo de Sousa defende o governo minoritário do PS, proclamando que o PSD ataca o "affaire" Tancos à falta de outros argumentos contra ... o governo minoritário do PS (o que diria o camarada Pimentel deste clamoroso e desnorteado "desvio de direita" do Partido....!?)

convirá recordar - naquele anglicismo do "shame on you" - as hostes socialistas (e, face ao acima exposto, também os "camaradas e amigos" do PCP) de que neste último sábado se cumpriu exactamente um ano que o juiz Ivo Rosa foi "sorteado" - como os trabalhadores judiciais bem sabiam que iria "acontecer" - para abafar, perdão, julgar o processo de José Sócrates.

O regime protegeu-se e prossegue, kamoviano. O PCP aplaude. Os socratico-costistas suspiram, aliviados. Os BEs saracoteiam.

E o povo vota.

 

80 anos de Sampaio no Público

por jpt, em 16.09.19

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O antigo presidente Jorge Sampaio cumpre 80 anos e o jornal "Público" dedicou-lhe bastante espaço. Grande entrevista, artigo encomiástico de um seu colaborador, inúmeros depoimentos de personalidades conhecidas. Eu simpatizo com Sampaio: esteve duas vezes em Moçambique, com elegância e competência. É um grande sportinguista (condição não suficiente mas que me impulsiona o apreço). Mas não é sobre ele que boto. É sobre o jornal. E sobre quem lá trabalha.

No café acabo de folhear o "Público". Leio em vigorosa diagonal as várias páginas sobre o antigo presidente da república, antigo presidente da câmara de Lisboa e antigo secretário-geral do PS. Não há uma única alusão ao momento crucial da sua presidência. Quando - no exercício dos seus legítimos poderes - demitiu um governo maioritário e abriu caminho à ascensão ao poder do seu sucessor no PS, José Sócrates. Não há uma única alusão a isso, repito. Nem uma única reflexão sobre o processo subsequente, de degenerescência do poder político. E da degenerescência do próprio PS, e da esmagadora maioria dos seus apoiantes (alguns dos quais são meus amigos reais e devem ler isto, sabendo, claro, do quanto os desprezo apesar da entristecida amizade que ainda lhes dedico), reduzidos a apoiantes nada envergonhados da roubalheira. A qual continua, neste incessante esforço de esconder e fazer esquecer a cumplicidade de todo o aparelho socialista e dos seus "companheiros de estrada" (e dos prostitutos a la Jugular) com a criminalização do Estado.

E o que temos agora, nas vésperas de mais umas eleições, controlado que já está o aparelho judicial, calados que estão os pequenos núcleos contestatários ou meramente analíticos na imprensa estatal (vejam o que aconteceu ao "Sexta às 9" na RTP, suspenso no período eleitoral pela nova direcção de informação, ali colocada - exactamente como Sócrates fazia com a imprensa toda - para controlar os danos da ladroagem do aparelho socialista)? O que temos agora? O jornal "Público" a fazer o frete ao PS, a produzir "amnésia organizada", a reforçá-la.

A propósito de Sampaio tudo o que haveria para saber sobre o "Público" e seus profissionais, e colaboradores cúmplices, está dito.

 

Bruxelas e arredores

por jpt, em 27.08.19

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Em Bruxelas, da qual parti, vão agora confluir os três primeiros da lista europeia do PS, todos antigos governantes de Sócrates (Pereira, seu braço-direito, e ao que parece também usufruindo dos serviços do "chófer", e os dois Marques). E agora também esta Ferreira, feita Comissária Europeia, que foi ministra do Sócrates secretário de estado, quando tudo começou para ele. Maternal, chocou o ovo da mamba, por assim dizer. E fê-lo tão bem que ele, já PM, década e meia passada até a lançou para a Câmara do Porto.

Costa continua a "narrativa" de que não havia indícios sobre algo errado. Alguns amigos meus, daqui a uns anos, vir-me-ão, pesarosos, repetir o choradinho "Eu não vi". Mas não. Percebem, sabem. Vivem nisto porque vivem disto. E por isso, nos pequenos jeitos que vão tendo, sufragam esta gente.

Adenda: 

eu já nem me lembrava mas vejo ecos disso. Esta mulher - para além de complicadas relações matrimoniais com um enorme rombo na Caixa Geral de Depósitos, que me parecem pelo menos moralmente duvidosas - tem esta concepção política: "O dinheiro é do Estado, é do PS!". Ou seja, diz ao eleitorado que o dinheiro que a administração pública gasta, o sempre respeitável erário público, é do partido que está no poder. E, lembremo-nos, para além das complicadas relações matrimoniais com um enorme rombo na banca pública, Ferreira clamou ao seu eleitorado que "o dinheiro é do Estado, é do PS!", quando o seu antigo secretário de estado José Sócrates era o primeiro-ministro. Uma quase infinita desfaçatez.

E é esta mulher, é esta prática da política e é esta visão do mundo, que Costa envia para Comissária Europeia. E é esta mulher que os painelistas avençados e administradores não executivos do costume, mais os dêénes e públicos, irão agora gabar em uníssono.

Mais uma adenda: Henrique Pereira dos Santos teve a gentileza de comentar este texto no meu mural do Facebook . E julgo curial trazer esse comentário para aqui, até porque discordante do teor do postal (ou de parte dele): "acusar Elisa Ferreira de ter chocado maternal ente o ovo, suando foi a primeira vítima de Sócrates (eu estava lá) não é rigoroso. Sobre o resto não tenho nada a dizer, mas sobre o período em que Sócrates se chamava a si próprio o Zé das Sobras por causa da contenção com que Elisa Ferreira o tentou manietar sei o que vi de camarote." Muito lhe agradeço o comentário. E o esclarecimento. 

 

Poderia Bolsonaro ser deputado do PS?

por Tiago Mota Saraiva, em 23.08.19

Miranda Calha - deputado eleito nas listas do PS à Assembleia Constituinte, à Assembleia da República nas I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X e XI legislaturas eleito por Portalegre, à XII legislatura eleito pelo Porto e à XIII legislatura eleito por Lisboa - subscreveu com mais 85 deputados do PSD e CDS-PP um pedido de fiscalização sucessiva da lei sobre o direito à autodeterminação da identidade de género. Miguel Morgado, o seu mais destacado promotor, tem vindo a defender que se trata do início de um combate contra a "ideologia de género" termo que, como se sabe, é uma criação da máquina de propaganda de Bolsonaro e enferma de um "ligeiro" problema de rigor científico sobre o qual não me deterei neste escrito.

 

Leonel Gouveia foi eleito em 2013, nas listas do PS, como presidente da Câmara Municipal de Santa Comba Dão e é, como se sabe, o grande defensor da ideia que o Estado deve construir um Museu Salazar. Não sei se será a mesma coisa mas, para 2019, já anunciou a realização, com dinheiros municipais, da "requalificação da Escola Cantina Salazar em Centro Interpretativo do Estado Novo".


Sabe-se que, num e noutro caso, a posição oficial do PS é, como seria natural, contrária ao que estes dois destacados militantes defendem. Por outro lado, o PS sempre defendeu que é um partido que aceita a diversidade de opiniões e faz disso uma bandeira. Ora em boa verdade, em todos os partidos há diversidade de opiniões e de formas diferentes elas são, mais ou menos, expressas no espaço público ou no seio do partido. O problema destes dois casos, e haverá outros no PS, não é a sua opinião mas a partir de uma posição pública alcançada nas listas do partido tomarem uma posição política e ideológica (e não opinativa) antagónica e que não pode, nem deve, deixar de comprometer o partido.
Esta qualidade de que o PS se orgulha é uma liberalidade que desrespeita e descredibiliza o voto popular. Quantos votantes do PS no distrito de Lisboa gostarão de saber que o seu voto serviu para eleger um deputado que se juntou à luta contra a "ideologia de género"? Quantos militantes do PS, ideologicamente anti-fascistas, gostarão de saber que um presidente de Câmara eleito nas suas listas é o principal defensor do Museu Salazar?
Um partido não deve ser meramente uma agremiação e gestão de interesses diversos, nem deve ter representantes ou militantes que defendam tudo e o seu contrário. Se é certo que deverá haver margem, maior ou menor, para acolher a diversidade de opiniões em qualquer partido também há que definir limites e fronteiras que o PS parece não ter.
Daí a questão que lanço no título deste post: poderia Bolsonaro ser deputado do PS?

Postais de Lisboa (15)

por Pedro Correia, em 08.08.19

thumbnail_20190808_164451-1[2].jpg

Varanda da sede do Partido Socialista, no Largo do Rato

(foto minha, tirada esta tarde)

Aos amigos tudo...

por João Sousa, em 31.07.19

O filho do secretário de Estado da Protecção Civil é sócio de uma empresa que celebrou vários contratos com entidades públicas.

A Joule e a Joule Internacional, empresas detidas pelo pai, pela mãe, pelo irmão e pela própria ministra da Cultura, fizeram contratos com a Câmara de Lisboa e com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

O pai do ministro das Infraestruturas e da Habitação continuou, imparável, a celebrar contratos com o Estado apesar do filho fazer parte do governo.

O marido da ministra da Justiça assumiu publicamente ter deixado apenas de fazer contratos públicos com o Ministério onde a sua mulher exerce funções governativas.

Perante isto, Augusto Santos Silva, aquele que foi certo dia apresentado por um jornalista que o entrevistava como possuidor de uma "fina ironia", diz ser "um absurdo interpretar literalmente a lei de incompatibilidades". Diz isto mas não me parece ser um exercício da tal "fina ironia": é antes um corolário da frase que ficou colada a Almeida Santos "aos amigos tudo, aos inimigos nada, aos restantes aplique-se a lei".


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