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Vai para a tua terra!

por jpt, em 16.11.20

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(Fotografia de Miguel Valle de Figueiredo, "Ljubomir Stanisic", manifestação na Baixa de Lisboa, 14.11.2020)

O meu amigo Miguel Valle de Figueiredo continua, paulatinamente, a fotografar esta época do Covidoceno lisboeta - e lembro que já publicou o livro "Cidade Suspensa: Lisboa em Estado de Emergência". Anteontem foi à Baixa fotografar a manifestação de trabalhadores do sector da restauração que ali decorreu. Não conheço o pormenor das reclamações apresentadas nem sei quais os "orgânicos" organizadores. Enviaram-me um filme telefónico com um discurso, algo tétrico, um orador numa torrente de imprecações e insultos a tudo e todos. Boçal. Mas uma boçalidade tão desesperada que pungente, até cativando piedade - talvez o menos solidário dos sentimentos ...

Uma das imagens que o mvf trouxe foi esta, um (ao que me dizem) conhecido cozinheiro e dono de restaurante, Ljubomir Stanisic, que é figura relevante deste movimento profissional, e que tem tido discursos críticos ao poder político - nunca o ouvi, dizem-me que assim é. Trata-se de um cidadão português, antigo imigrante proveniente da Bósnia-Herzegovina.

Entretanto o que leio nas redes sociais?, para o que me chamam a atenção? Um deputado socialista alude ao financiamento bancário que o homem tem, como se isso possa minorar os seus direitos de cidadania - numa óbvia, ainda que subjacente, ameaçadora alusão ao seu estatuto de ex-imigrante, qual cidadão deficitário [e não substituirão o deputado, ainda por cima conhecido por se furtar a uma pena devido a condução inebriada, através de influências políticas, algo vergonhoso ... Pois pecar todos pecamos mas se assim é penar também é para todos]. E leio inúmeras pessoas invectivando que o homem volte para a terra dele. Assim mesmo, sem mais. Que isto de um "estrangeiro" criticar o governo é inaceitável. Esteja ou não naturalizado, pouco importa ... Esta mole humana socialista pensa - e alguns deles falam e escrevem - exactamente como a rapaziada do Chega. Já se vira aquando da eleição do Bolsonaro, quando no Expresso, no DN, na junta de Arroios e por tantas socialistas casas e teclados, se escreveu (e "laicou") que fossem os imigrantes brasileiros expulsos pois maioritariamente eleitores do novo presidente (esse uma peça irrecomendável, mas isso é assunto deles).

Amigo cruel chama-me a atenção para que um deputado (e plumitivo) socratista aproveita a onda e alude pejorativamente à "macholice" deste homem. Uns gritam a este português que vá para a terra dele porque criticou este governo (e mesmo que fosse imigrante isso seria curial, mas a tanto já não se pode imaginar que esta gente chegue ...). E este socratista chama-lhe "machola", como se diminuindo-o.

Fosse este homem oriundo de outro qualquer recanto onde tivesse havido guerra fraticida, tivesse este homem outra cor de pele, e estes pantomineiros gritariam pelo seu direito à livre expressão - para dizer as patacoadas que entender, o que muito provavelmente é o caso. E se fosse um invertido histriónico, uma "bicha louca", também o defenderiam com dentadas e unhadas, ao seu direito para que se exprimisse em liberdade consoante a sua "natureza". Mas não neste caso. Pois, pior do que tudo, crítico do PS. Por isso estrangeiro, devedor, atrevido, até ingrato. "Machola".

Esta gente - locutora, laicadora, e os tantos habituais das "boas causas" agora tão inertes nos clics (des)laicadores e nos irados "indignismos" - é o "Chega". 

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Há neste momento uma guerra cada vez menos surda no PS, já a pensar no ciclo pós-António Costa.

Defrontam-se dois projectos, que não são apenas pessoais: são também políticos. Ou uma hipotética parceria de longa duração com o PSD, que encontraria em Fernando Medina o protagonista ideal, ou uma provável fusão a prazo entre socialistas e bloquistas, com Pedro Nuno Santos ao leme.

 

Esta facção acaba de receber um poderoso incentivo com a entrada em cena de Ana Gomes, que ao apresentar-se como candidata presidencial fez questão de proclamar os laços de amizade que mantém com Marisa Matias, sua concorrente na campanha. Algo que só terá soado estranho a quem ignore o conflito que germina nos bastidores do PS.

Costa tem uma aversão inata ao Bloco e detesta Ana Gomes. O instinto político diz-lhe que a ex-embaixadora funcionará, nesta corrida a Belém, como aliada objectiva de Pedro Nuno Santos na disputa pela liderança do partido. E não ignora que este grupo tem ligações estreitas a influentes sectores da comunicação social: filho de jornalista, irmão de jornalista, é-lhe fácil reconstituir o circuito de cada manchete na imprensa e cada abertura de telediário. Sabe que o intervalo de poucos dias entre o anúncio público da candidatura de Ana Gomes e a notícia do seu envolvimento no apoio a Luís Filipe Vieira no Benfica não foi coincidência.

 

Alguns analistas políticos asseguram que nas presidenciais o confronto principal será entre Ana Gomes e André Ventura: isso é próprio de quem só consegue ver a espuma dos acontecimentos.

O que interessa acompanhar verdadeiramente é a evolução de posições no processo de substituição de Costa, que de algum modo já está em marcha. E de que a mais recente substituição no elenco de secretários de Estado constitui indício. Não apenas do esgotamento da capacidade de recrutamento do primeiro-ministro, hoje incapaz de atrair personalidades fora do circuito partidário para o elenco governativo, como do reforço do peso relativo de Pedro Nuno Santos: duas das cinco mudanças ocorreram no ministério que lhe está confiado e simbolizam o avanço de peões num tabuleiro de xadrez.

Dama, já existe: é a candidata presidencial.

 

O dilema hamletiano de um PS liderado por Medina, que privilegiaria um novo bloco central, e um partido sob o comando do titular da pasta das Infraestruturas, dando prioridade absoluta a entendimentos à esquerda, dominará a partir de agora as movimentações internas no PS. Cabendo à desalinhada Ana Gomes um papel decisivo.

Na corrida a Belém, ela funciona como lebre de Pedro Nuno para o Largo do Rato.

Isto é um assalto

por Paulo Sousa, em 08.10.20

Desde o início da pandemia que a chamada “elite” socialista que nos governa, alterou o seu padrão de comportamento.

Já nos tínhamos habituado a que todas as esquinas e cruzamentos da cada vez maior e mais pesada máquina do estado, tivessem controlados pelos boys e girls que desde o tirocínio na jota nunca mais nada fizeram na vida. Até aqui sem novidade.

Mas a sacudidela nas frágeis contas pública causada pelo COVID deixou os postiços todos à mostra. A pandega socialista acaba sempre com mais um pedido de assistência financeira e eles, que são os mesmo da última vez, já viram este filme. Vivemos uma sequela de mau gosto de uma crónica de uma morte anunciada.

Já sabemos que eles vão apontar em todas as direções à procura de culpados e nos vão garantir que, tal como acontece com a diarreia dos leitões, cinco segundos antes de começar estava tudo impecável. Mas não estava.

O cheiro a fim de festa, e a antecipação do cheiro que se segue, levou a uma mudança de padrão de comportamento. Eles deixaram de disfarçar.

Começou com o relaxamento das regras para a distribuição da esmola aditivada a que chamam bazuca. Seguiram-se os alertas do Tribunal de Contas sobre o facilitismo à corrupção que essa mudança acarretava. O Presidente TdC foi oportunamente trocado por outro, já com saber de experiência feita (em ajudar os amigos do PS entenda-se) e hoje soubemos que a lei que impedia os familiares de governantes de poderem negociar com o Estado, foi alterada.

Eles sabem que correm contra o tempo e que depois da próxima falência nem o “melhor povo do mundo” (o actual PR faz parte da clique) lhes voltará a deixar pôr as mãos na gamela. O tempo urge, eles andam frenéticos e agora vale tudo.

Mais 600 freguesias onde o PS tem tradição

por Paulo Sousa, em 05.10.20

Segundo o Jornal de Negócios, o governo está a preparar a criação de 600 novas freguesias.

Da última vez que o pais foi à falência, os senhores que foram chamados para nos governar, decidiram exactamente o contrário. Segundo a Pordata em 2012 existiam 4260 freguesias e esse número foi reduzido para 3092. Verificou-se portanto uma redução de 1168.

Não sei quanto dos impostos que os nossos netos terão de pagar se poupou com esta redução, mas foi certamente bastante dinheiro.

A confirmar-se, esta medida vai permitir o Estado (as Juntas de Freguesias são a menor divisão administrativa deste) consumir mais uns largos milhões de euros por ano.
Esta reforma não faz por isso sentido, especialmente neste momento de tão grave crise financeira.

Sobre os critérios que definirão quais das freguesias extintas em 2012, irão regressar ao activo, não me surpreenderia que alguém tenha estudado as preferências políticas de cada uma das referidas 1168. Será que esta alteração não tem apenas como objectivo melhores resultados autárquicos para quem está a decidir?

A confirmar-se, não foi nada que não tenham já aprendido noutras paragens.

Compacto de notícias que se seguiram à confirmação de que a “bazuca” financeira de Bruxelas vinha a caminho.

1) A procuradora que ficou em primeiro lugar para o Gabinete da Procuradoria Europeia, órgão que vai supervisionar a fraude nos fundos, foi preterida pelo governo. A ministra portuguesa da Justiça, Francisca Van Dunem, vetou Ana Almeida e optou por José Guerra, que já integrou o Eurojust e trabalhou diretamente com Van Dunem no DIAP de Lisboa.

2) As CCDR, responsáveis pela distribuição de fundos europeus, foram partilhadas por PS e PSD, ao ponto de terem provocado uma mini-remodelação no governo para que Secretários de Estado fossem lá colocados.

3) Vitor Escária, figura opaca, consultor do governo para os fundos europeus enquanto se mantinha na administração de uma empresa grande beneficiária desses fundos, é agora chefe de gabinete do PM

4) O governo apresenta uma proposta de revisão das regras de contratação pública aplicável aos fundos europeus, que como muitos alertam, abre a porta à corrupção.

5) O presidente do Tribunal de Contas é uma das vozes que se levantam contra esta reforma das regras de contratação pública e é “despedido” pelo PM.

6) Será anterior a tudo isto mas é relevente o silêncio absoluto do PS, incluindo do seu secretário geral, sobre a rocambolesca história da deputada Hortense Martins e os fundos europeus.

É fácil de concluir que o regime esta a mostrar uma enorme resiliência perante todos os desafios da iminente falência deste governo socialista. Será apenas a quarta vez que isso acontece.

 

PS: Parte do post foi copiado da Susana Coroado.

O socratismo nunca existiu!

por jpt, em 05.08.20

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A desfaçatez desta "boca" é espantosa. Mas apenas porque espalha-brasas, avessa ao silêncio que foi sendo imposto. De facto, foi isto que aconteceu. O socratismo nunca existiu! Governantes de pastas relevantes foram-no antes com Sócrates, como se isso nada fosse, e destes últimos alguns deixaram as famílias suceder-lhes no poder. Rodrigues reclamou-o como inspiração e foi a presidente da AR. Na justiça os processos marinam, sendo depurados até à inacção. E decerto que ninguém seguirá para a Tunísia. O Jugular Galamba avançou para os recursos minerais e encolhemos os ombros. Vara cumpre por todos, por uma qualquer minudência, sairá algo acabrunhado para a sua vida. E também vinha de baixo, e "lisboa" até vê com algum prazer o apertão nos arrivistas. Nada se passou, como se poderia saber algo desse nada? Nada se passou, o socratismo nunca existiu! Que raio de país ...

A honra perdida do PSD

por Pedro Correia, em 30.07.20

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Foto: Filipe Farinha / Lusa

 

Rui Rio prepara-se para accionar disciplinarmente os sete deputados do PSD que ousaram votar contra o vergonhoso pacto com o PS para trocar a presença quinzenal obrigatória do primeiro-ministro na Assembleia da República por deslocações bimestrais de Sua Excelência ao hemiciclo.

Tão vergonhoso foi esse pacto que 28 deputados socialistas também votaram contra, incluindo vários ex-ministros e ex-secretários de Estado: Ana Paula Vitorino, Ascenso Simões, Bruno Aragão, Capoulas Santos, Carla Sousa, Cláudia Santos, Eduardo Barroco de Melo, Fernando Anastácio, Filipe Neto Brandão, Francisco Rocha, Hugo Oliveira, Isabel Moreira, Joana Sá Pereira, João Paulo Pedrosa, Jorge Lacão, José Magalhães, Marcos Perestrello, Maria Begonha, Marta Freitas, Miguel Matos, Nuno Fazenda, Olavo Câmara, Pedro Bacelar de Vasconcelos, Sérgio Sousa Pinto, Sónia Fertuzinhos, Susana Correia, Tiago Barbosa Ribeiro, Tiago Martins. E cinco abstiveram-se: António Gameiro, Diogo Leão, Elza Pais, Rosário Gamboa e Pedro Delgado Alves. Além dos representantes de todas as restantes bancadas parlamentares - BE, PCP, CDS, PAN, PEV, IL e Chega.

 

A diferença entre as duas metades do bloco central é que os socialistas dispuseram da liberdade de voto que Rio cerceou na bancada laranja - apesar de só o PS ser partido de governo e a alteração agora introduzida ao regimento da Assembleia da República apenas beneficiar o primeiro-ministro enquanto lesa os direitos da oposição parlamentar da qual nominalmente o PSD ainda faz parte.

Assistimos, portanto, a este facto extraordinário: enquanto se comporta como serviçal do Governo, Rio dirige a sanha persecutória contra os sete rebeldes do seu próprio partido que agiram em consciência quando se insurgiram contra a honra perdida do PSD no momento da votação - entre eles o novo líder da JSD, Alexandre Poço, e a líder cessante, Margarida Balseiro Lopes.

Procura assim, com esta absurda ameaça de processos disciplinares, quebrar os últimos vestígios de dissidência no grupo parlamentar: 

 

Marcelo Rebelo de Sousa poderia dizer-lhe como se dirige um partido tolerando a autonomia de decisão dos deputados. Quando o actual Presidente da República liderava o PSD, as bancadas socialista e comunista tomaram a iniciativa de apresentar projectos de lei que ampliavam as circunstâncias legais da prática do aborto. Marcelo era contra, tal como a esmagadora maioria dos parlamentares do PSD. Mas não houve disciplina de voto nem monolitismo. Assim, no momento da votação, três deputados - José Pacheco Pereira, José Silva Marques e Rui Rio -  divergiram do líder sem recearem consequências disciplinares.

Foi em 1998. Rio não hesitou então em colidir com o presidente do partido enquanto deputado. Mas agora, na posição que Marcelo ocupava há 22 anos, procede precisamente ao contrário. Prestando assim mais um favor aos socialistas: o de os distinguir, por contraste, como campeões da liberdade individual. 

Um favor que António Costa nem sequer se dará ao incómodo de lhe agradecer.

Mais um frete de Rui Rio a Costa

por Pedro Correia, em 24.07.20

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1

Por uma vez concordo com o deputado André Silva, do PAN: com Rui Rio ao leme, o PDS tornou-se «a equipa B do PS». Com momentos inauditos de excesso de zelo, como ontem se verificou em São Bento: socialistas e sociais-democratas uniram-se para reduzir a prestação de contas do primeiro-ministro ao Parlamento. 

Até agora, por imposição do regimento da Assembleia da República, António Costa deslocava-se duas vezes por mês ao hemiciclo, onde era confrontado com perguntas de todas as bancadas da oposição. A partir de agora só é obrigado a cumprir tal função de dois em dois meses. Quatro vezes menos.

O simples facto de a crise pandémica exigir um escrutínio ainda mais apertado do Executivo, que não dispõe de maioria parlamentar, bastaria para desautorizar qualquer redução do controlo da actividade governativa pela Assembleia da República. O mais insólito é que tal iniciativa tenha o patrocínio do maior partido da oposição, que devia liderar a fiscalização política do Governo.

Como já escrevi aqui, Rio comporta-se como um mordomo do primeiro-ministro. Desconsiderando os eleitores, traindo o legado histórico do PSD e renegando o mais nobre papel da oposição, fundamental numa democracia representativa. Que o faça, explicitamente, para poupar trabalho ao primeiro-ministro é algo que já roça o delírio. Algo impensável, por exemplo, na democracia britânica: basta salientar que o titular de Downing Street comparece todas as quartas-feiras na Câmara dos Comuns.

 

2

Dirão alguns que esta colagem de Rio ao PS é mera manobra táctica, com o intuito de amealhar votos no futuro. Lamento contradizer tão boas almas, mas nenhuma sondagem indicia isso: a que o Público divulga hoje, elaborada pela Universidade Católica, confirma um fosso cada vez maior entre as intenções de voto nos dois maiores partidos, agora separados por 13 pontos percentuais.

 

3

Se o PSD se cobre de ridículo, o PS não sai melhor do filme. Trai, ele também, um honroso legado: a anterior reforma do regimento parlamentar que em 2007 instituiu os debates quinzenais ocorreu por iniciativa socialista, ficando associada a um dos seus principais impulsionadores, o deputado António José Seguro. Outros tempos, que já parecem muito distantes.

«É uma das invenções mais estúpidas que a Assembleia da República fez nos últimos anos», criticou de imediato António Costa, à época instalado na poltrona de comentador do programa Quadratura do Círculo. Sem esconder, já então, um certo rancor autocrático que Rui Rio tanto parece apreciar.

 

4

Este «conluio entre PS e PSD», como bem observa o José Teixeira, pôs a democracia parlamentar em marcha-atrás. Com a agravante, no caso do PSD, de Rio ter imposto disciplina de voto aos seus deputados - ao contrário do que sucedeu na bancada socialista, onde se registaram 28 votos contra e cinco abstenções.

Apesar disso, também na bancada laranja se ergueram sete vozes discordantes, desafiando a orientação de voto. Vale a pena anotar o nome destes deputados: Alexandre Poço, Álvaro Almeida, Emídio Guerreiro, Margarida Balseiro Lopes, Pedro Pinto, Pedro Rodrigues e Rui Silva.

Todos prestigiaram a função parlamentar e honraram a melhor tradição do PSD. Pena terem sido tão poucos.

A saúde dos portugueses vs o grande capital

por Paulo Sousa, em 17.07.20

Como acontece com todas as utopias, o liberalismo utópico equivaleria a um retrocesso civilizacional.

Depois de salvaguardado este ponto prévio, tenho de salientar que apesar da fama de defender sempre o grande capital, o liberalismo representado no nosso país pela IL mostra um lado humano defendendo que o dinheiro gasto para salvar a TAP seria mais bem gasto na saúde dos portugueses.

A quem não sofra de frémitos de autocensura recomendo a leitura desta entrevista, onde Carlos Guimarães Pinto desmonta o discurso de Pedro Nuno Santos, e demonstra com clareza a dimensão de mais este erro do governo.

"O dinheiro que será injectado na TAP, apenas nesta primeira fase, daria para pagar ao sector privado as consultas e cirurgias em atraso, evitando parte deste desastre. Infelizmente para o governo a saúde dos portugueses não é estratégica, ao contrário da TAP. Talvez fosse boa altura para mudar as prioridades."

É curioso como são os socialistas, os sempre autodenominados donos dos valores do humanismo, a pôr em práctica exactamente o contrário.

São vários os analistas que defendem que António Costa entregou o Ministério das Infraestruturas a Pedro Nuno Santos para o queimar. Quanto pior lhe corra a vida política e mais desastrosas forem as consequências das suas decisões, mais distante ele ficará da liderança do PS. Este é o tipo de decisões que mostram que entre as lutas internas no seu partido e o interesse do país, o PM coloca as nossas algibeiras e o nosso futuro último lugar.

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Na sequência da notícia da nomeação de Rita Rato Fonseca, antiga deputada comunista (PCP), para directora do Museu do Aljube, escolhida por um concurso, Alexandre Pomar deixou no seu mural de facebook um texto que diz tudo o que é necessário. Aqui o reproduzo:

"Esta é mesmo uma questão fracturante e há que ir ao âmago da questão. É mesmo por ser do PC e ter sido deputada desse partido durante 10 anos, até 2019, sem ter saído por dissidência, que a Rita Rato não tem idoneidade para dirigir o Museu do Aljube. Nem credibilidade, perfil, curriculum, como quiserem. Não se trata de exigir credenciais académicas ou museológicas, conforme algumas críticas de eficácia lateral, mais ou menos hipócritas, mas por fundamentação política.

Quem conhece a história da oposição ao Estado Novo e ao salazarismo (e a memória vai-se esbatendo para as gerações mais recentes que a não viveram), sabe que o PC foi vítima e algoz, censurado e censor, perseguido e perseguidor, tanto face a outras tendências e movimentos oposicionistas (anarquistas, trotskistas, sociais-democratas, marxistas-leninistas-maoistas, autogestionários, liberais, etc) como face a muitos dos seus próprios dirigentes e militantes (desviantes, fraccionistas, dissidentes, críticos, e ex-militantes em geral).

O PC propõe, pratica e defende uma versão partidária da história, a sua e a do país, que tanto inclui a sua dependência perante a União Soviética e a sua repressão política, interna e externa, perante as suas organizaçoes internacionais (Komintern, 1919-1943, e Kominform, 1947-1956) e os seus estados satélites, como a ocultação e manipulação da sua história própria, bem como dos seus arquivos e documentos. O PC impõe a sua história oficial, com uma prática militante e sectária continuada através das décadas, das mudanças do mundo e das suas sucessivas derrotas. Uma história que exclui, em especial, o reconhecimento da Oposição anti-comunista, que foi tendo dificilmente direito de existência.

Tudo isto desqualifica a sra para dirigir um museu dedicado à resistência anti-fascista, que deve ilustrar a sua diversidade e as suas tensões e contradições internas, a história controversa das Oposições, que serviu ela mesma a longevidade do regime, combatendo-o e combatendo-se.

Poderia ser vereadora se existisse um pacto político PS-PC publicamente validado em eleições, poderia dirigir uma galeria ou um parque da CML, uma cantina para sem abrigo. por exemplo. Mas não pode dirigir o Museu da Resistência."

Nota: entretanto Pomar colocou o texto no seu blog, com uma adenda signicativa.

Adenda: sobre este assunto é recomendável ler o devastador "Aqui há rato" de João Pedro George, na revista "Sábado".

The next big thing?

por Paulo Sousa, em 11.07.20

Segundo o secretário de estado João Galamba, que anda arredado dos títulos dos jornais há tempo suficiente para deixar qualquer português preocupado, a fábrica de hidrogénio que está a ser projectada para Sines “será o maior projecto industrial em Portugal desde o 25 de Abril”.

Não há muito tempo também foi notícia a atribuição de uma concessão para a exploração de lítio a uma empresa com capital social de 50 mil euros.

A relação entre o PS e os negócios estruturantes para o país, que mais tarde se revelam escândalos, ao ponto de escandalosamente banalizarem a palavra escândalo, já é antiga.

Se tivesse de apostar qual destes dois grandes investimentos irá ser o próximo grande escândalo da temporada teria dúvidas em escolher. Mas é garantido que qualquer um destes projectos tem grande potencial. Se houvesse um totobola para estas coisas o melhor era apostar numa tripla.

Serei só eu a achar que fazia sentido que o agora secretário de Estado João Galamba, um dos delfins de José Socrates, merecia uma escolta preventiva do Ministério Público?

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Ao que consta a antiga deputada comunista (PCP) Rita Rato Fonseca será nomeada directora do Museu do Aljube - Resistência e Liberdade. Sobre a (in)qualificável decisão é necessário ler este texto no Malomil. Letal.

Adenda: bem lembra o Pedro Correia que a atrevida ignorância histórica da então deputada Fonseca foi referida aqui no Delito de Opinião, aquando dos "dislates" proferidos: "Gulag? Nunca ouvi falar", entre outras indecências ...

Quase

por Pedro Correia, em 08.07.20

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18 de Junho de 2019:

Rui Rio elogia «decisão arrojada» do Governo sobre o SIRESP

20 de Novembro de 2019:

No congresso do Partido Popular Europeu, em Zagrebe, Rio realça o reforço conjunto do PS e do PSD em Portugal 

12 de Março de 2020:

Rio diz ser «dever» do PSD apoiar «todas as medidas que o Governo entenda necessárias, mesmo que não sejam simpáticas»

18 de Março de 2020:

Rui Rio a António Costa: «A sua sorte é a nossa sorte»

15 de Abril de 2020:

Rui Rio escreve aos militantes do seu partido: criticar o Governo nesta altura «não é patriótico»

25 de Abril:

Rio elogia resposta do regime democrático à crise sanitária

14 de Maio de 2020:

Rio enaltece o apoio do Governo às famílias

1 de Junho de 2020:

Rui Rio promete «oposição colaborativa» com o Governo face à pandemia

5 de Junho de 2020:

Rio defende que o País já vive em austeridade e quer «ajudar o Governo» no orçamento suplementar

29 de Junho de 2020:

Rui Rio saúda decisão do Governo de retirar amianto das escolas

3 de Julho de 2020:

Rui Rio: «O primeiro-ministro não pode passar a vida em debates quinzenais. Tem é de trabalhar.»

 

Façamos justiça a Rio: ele tem feito esforços hercúleos para transformar o PSD, derrubando o que vinha de trás.

Está quase a conseguir derrubar o D da sigla.

Medina na calçada para São Bento

por jpt, em 30.06.20

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Nas últimas décadas da história do PS é muito raro encontrar este tipo de críticas internas. Medina confronta-se com o disparatado rumo de tudo isto e "chega-se à frente". Durante a época do confinamento (esse que Costa diz não ter existido) andou por aí em delírio de demagogia a fingir que entregava bilhas de gás, a atrasar distribuição de material médico oferecido para aparecer na fotografia e mariolagens similares. E agora, no pós-confinamento (esse que Costa diz não ter existido), dá o primeiro passo na corrida para o pós-Costa, perdão, para o pós-Covid. Já em Abril batera na pateta DGS, mas agora vem malhar a sério.

 
Mas diz o que se sabe há muito, que "fraco rei faz fraca a forte gente". Muitos fazem para que nos esqueçamos mas Medina vem agora lembrá-lo, coisas da sua agenda própria, e nós agradecemos-lhe o mote: o desatino de Fevereiro e Março, a homohisteria do pusilânime Sousa, no seu desvairado "gozo fininho" de semi-quarentena festiva; esse florentino MNE a preparar a sagrada "presidência" dizendo da inutilidade de fechar fronteiras e agora a apregoar retaliações ... fechando fronteiras; a pateta ministra da Agricultura (como estão as exportações portuguesas que ela prenunciava lucrarem com o Covid?), o desnorte errático da consabidamente incompetente Temido - essa tipa que acha que não devemos "mamar copos" e se vai saracotear desengraçadamente entre as barrascas do Cinco para a Meia-Noite, deslumbrada com a visibilidade que este Covid lhe trouxe - e mais da Dra. Freitas (ide visitar os idosos, sede solidários), catatuando contra a escola das netinhas que encerrava à revelia da inacção estatal. Depois nós, os fascistas/populistas/tóxicos/lusotropicalistas, a resmungarmos que não se fizessem festas políticas diante do boçal Rodrigues a recusar máscaras e contenção, a sinalizar o "degelo" com o afirmar da unicidade sindical na festarola do camarada Sousa, mais o festival "born in usa" dos demagogos da cidade universitária, resquícios putrefactos da imundície socratista, e nisto agora também o mariola do Benfica a pavonear-se, todos unidos no "o que o que é preciso é animar a malta" ...
 
Meses passaram nisto, mas prepararam o tal degelo?, reescalonaram os transportes públicos (Medina pavoneia as suas ciclovias, eu sei, gutural na sua cidade-para-turistas, onde estão os turistas agora?)?, e já agora, onde estão aquelas centenas de ventiladores comprados, já estão disponíveis?, reescalonaram os serviços de saúde pública?
 
Costa, que se rodeia desta pobre gente porque é esta que é fiel - lembrai-vos quando nós populistas/fascistas/tóxicos/lusotropicalistas contestávamos um poder carregadinho de gente das mesmas famílias? - tem agora esta primeira infecção grave. Ele que se cuide, e com antibióticos - isto não é um vírus, é mesmo bactéria residente, estava adormecida. Aloja-se na peçonha, esta estirpe PS.

PAN = PS's pet

por Paulo Sousa, em 24.06.20

Como o Pedro Correia já aqui tinha referido, o PAN tem beneficiado de uma brandura de escrutínio, que explica a surpresa da recente ruptura do seu único deputado no PE.

Segundo o que o Observador apurou, os assessores políticos parlamentares deste partido eram remunerados pela Câmara Municipal de Lisboa dentro da rubrica orçamental relativa ao seu deputado municipal.

Além da questão do recurso aos recibos verdes, práctica criticada pelo partido, dos referidos assessores terem um email no domínio pan.parlamento.pt e ainda assim emitirem os seus recibos em nome do município lisboeta, temos o grande detalhe de que na prática a socialista Câmara liderada pelo Sr. Medina apoia a vida parlamentar deste recente partido.

Em política o que parece é e, perante isto, entendemos que a permanente sintonia política entre o PS e o PAN ultrapassa qualquer coincidência.

De tanto conviverem com os seus animais de estimação, os animalistas do PAN projectaram essa relação com o PS e acabaram por se tornar, eles próprios, num partido de estimação. Com trela, biscoito e caixinha de areia.

Bloco central, versão Covid

por Pedro Correia, em 22.05.20

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Nasceu hoje, em Ovar, de parto natural, para deleite dos progenitores e do gentil obstetra que acompanhou os procedimentos na maternidade local. Aparenta robustez e já mama vigorosamente, segundo relatam as gazetas com base em relatos fornecidos por testemunhas presenciais do feliz acontecimento. 

Associamo-nos às congratulações generalizadas que têm emanado do Minho ao Algarve, sem esquecer as ilhas adjacentes, augurando desde já ao rebento uma vida longa, próspera e repleta de bênçãos terrenas e celestes.

A bem da Nação.

O candidato socialista

por Pedro Correia, em 19.05.20

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António Costa, na Autoeuropa, 13 de Maio: 

«Como não há duas sem três, cá devemos voltar outra vez. A terceira data é óbvia: é no primeiro ano do [próximo] mandato do Senhor Presidente. Portanto, faço-me desde já convidado.»

 

Ferro Rodrigues, no Bairro Alto, 18 de Maio:

«Tinha dito há um ano e meio que se as eleições fossem amanhã não hesitaria em votar no Professor Marcelo Rebelo de Sousa. Não tenho motivos nenhuns para retirar isso.»

Le parti c'est moi

por Pedro Correia, em 14.05.20

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António Costa foi ontem confrontado com o pedido de demissão do ministro das Finanças devido ao conflito surgido a propósito de uma injecção financeira ao Novo Banco - aliás prevista no contrato assinado em Outubro de 2017 entre o Estado e o fundo norte-americano Lone Star, em obediência à Resolução 151-A/2017, do Conselho de Ministros. Assinada por ambos, Costa e Centeno.

Perante este problema, o chefe do Governo recorreu a um dos seus truques mediáticos: desviou o foco noticioso, aproveitando uma visita à Autoeuropa para lançar a recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa ao Palácio de Belém. Com o apoio implícito do partido do Governo e a convicção plena de um triunfo nas urnas - ao ponto de ter antecipado aos portugueses que daqui a um ano Marcelo continuará ao leme da barca presidencial. 

De uma assentada, resolveu três problemas: mudou de imediato o curso das manchetes noticiosas, com óbvio impacto internacional, pois Centeno é também presidente do Eurogrupo; reforçou o afecto do Chefe do Estado, algo sempre útil em situações de crise; e afastou de cena a incómoda Ana Gomes, que não contará com o seu voto. 

spin governamental apressou-se a comunicar que, naquele momento, Costa não falava enquanto primeiro-ministro - apesar de a visita a Palmela constar da sua agenda oficial - mas como secretário-geral do PS. O que torna tudo mais insólito, pois não consta que tenha consultado os órgãos dirigentes nem as bases a propósito de tão magna questão. Aliás o congresso socialista que devia decorrer no fim do mês em Portimão e as eleições internas a ele associadas - incluindo a eleição do secretário-geral - foram remetidos para data incerta, algures no Verão. 

Eis uma curiosa concepção unipessoal da política: Costa decide pelo PS sem consulta prévia ao partido. Como se batesse no peito, proclamando: «Le parti c'est moi.» Singular cruzamento de Luís XIV com Tarzan: os socialistas parecem apreciar.

Prioridades

por Paulo Sousa, em 12.04.20

Ontem no facebook, tropecei neste vídeo sobre o meu concelho. A mensagem é positiva e apelativa. O concelho tem paisagens incríveis, o que também ajuda.

Enquanto munícipe confesso que gosto de ver o concelho de Porto de Mós a aparecer cada vez mais vezes nos media e, pouco a pouco, a marcar posição no mapa cerebral dos portugueses. Nessa linha de raciocínio é uma promoção bem conseguida.

Mas enquanto ia vendo desfilar as paisagens, o castelo, os ofícios, entendi que havia ali qualquer coisa de institucional mas um bocado em bicos dos pés. Por que raio é que a Câmara, que se tem desdobrado na aquisição de equipamentos de protecção individual (EPI) para os Lares e Centros de Saúde, que criou uma linha apoio Covid, que tem emitido comunicados claros e sucintos quase diariamente à população, por que raio é que foi gastar dinheiro numa coisa bonita mas totalmente supérflua quando o país se encontra em estado de emergência, com circulação limitada, com proibição de ajuntamento de pessoas, com a economia quase parada, e perante tanta incerteza? Não têm mais nada onde gastar o dinheiro? Onde é que esta gente tem a cabeça?

Felizmente nos últimos segundos pude respirar de alívio. Era apenas uma vaidade da oposição.

Ainda gostava de saber quanto é que isto custou. Podiam ter simplesmente poupado o dinheiro, ou tê-lo gasto na aquisição de EPI para uma qualquer instituição de terceira idade, mas preferiram fazer uma coisa bonita para mostrar às pessoas. De caminho e sem se aperceberem disso acabaram também por mostrar o que acham que é realmente importante.

Quem se mete com o PS leva

por Paulo Sousa, em 25.03.20

Parece que já foi há tanto tempo mas muitos de nós lembram-se bem do nosso défice oficial de 7,5%, que afinal era superior a 13%.
Esse tempo mostrou bem a regra que faz título a este post. Quem se mete com o PS leva, e isso incluí a matemática.

Vendo bem, essa ciência, ou lá o que é, apenas se baseia em abstrações. Qual ciência exacta, qual carapuça? Não pense essa matematicazinha, mesmo dizendo que representa a realidade, que vai assustar o governo do PS!!
Ainda ontem conseguiram esfregar o nosso glorioso superavit de 0,2% (!!!) na tromba da reacção!! Vai buscar!! Como diriam no tempo do Eça, ter um superavit é chic!.

Não venham agora com números do vírus diferentes dos números oficiais só para querer meter nojo às pessoas de bom gosto. Como é que se atrevem?

Oh, sô polícia! Desapareça!


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