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Delito de Opinião

Juntos seguimos e conseguimos *

Paulo Sousa, 05.01.22

“A partir das últimas décadas do século XX, este Pinhal tem sido largamente negligenciado. Para se ter uma ideia deste desinteresse, basta referir, por exemplo, que, no domínio dos recursos humanos, em 1980 havia 144 trabalhadores rurais, que, segundo os técnicos da altura, “não chegam para resolver cabalmente os problemas da instalação e tratamento dos povoamentos”, 29 guardas florestais, 4 mestres e 9 técnicos (engenheiros silvicultores). Hoje há 30 trabalhadores rurais (sobretudo mulheres), não há guardas a dependerem desta Direcção Geral (a Polícia Florestal que surgiu em sua substituição actua sobretudo na fiscalização da caça e pesca nos concelhos de Leiria, Marinha Grande, Pombal, Batalha e Porto de Mós) e há apenas 2 técnicos para uma zona que compreende Marinha Grande, Pombal, Figueira da Foz e Serra dos Candeeiros.

As tarefas dos trabalhadores rurais passam sobretudo por medir pinheiros fiscalizar cortes, pintar casas e pontes. Nas matas do Pedrogão e do Urso, que juntas perfazem 8.000 ha, trabalham apenas duas mulheres. O número é claramente insuficiente, segundo o responsável pela administração deste Pinhal, acrescentado ainda que este “está ao abandono”. Efectivamente o orçamento de 2003 para limpeza e conservação da Mata foi zero. Por outro lado, ela rende anualmente ao estado cerca de milhão e meio de euros.”

 

Vidas de Carvão, As carvoeiras do Pinhal do Rei
de Paula Lemos
Imagens & Letras - 2007

 

O grande incêndio de 2017 destruiu 86% da área da mata conhecida por Pinhal do Rei. O texto acima, quase premonitório, foi publicado dez anos antes deste evento trágico. Já aqui postei sobre a demora na sua replantação e de como é difícil passar por ali, lembrando toda aquela imensidão de verde, que nos idos anos 40 inspirou o poeta Afonso Lopes Vieira.

 

Catedral verde e sussurrante, aonde
a luz se ameiga e esconde
e aonde, ecoando a cantar
se alonga e se prolonga a voz do mar,
ditoso o Lavrador que a seu contento
por suas mãos semeou este jardim

 

Quem não conhece a zona, quem ali não tenha construído memórias e desconheça a sua dimensão, não imagina o sofrimento de quem visita a mata.

Na sua largura máxima a mata tem 8.400 mt e 18.700 mt no seu maior comprimento, num total que ultrapassa os 11.000 ha divididos em 342 talhões. São necessários longos minutos de carro para atravessar a zona. É uma imensidão de área que nunca mais voltarei a ver como a conheci.

Não chegasse a incúria que nos levou a esta tragédia, António Costa, apostado em desrespeitar o “ditoso Lavrador” de Afonso Lopes Vieira, uns meses após a tragédia visitou a área e mostrou-nos que o que ficava ali bem eram sobreiros. Os nossos antepassados eram uns palermas e ele é que sabe.

Em Abril passado, e perante a decisão do Governo de adiar mais uma vez a sua replantação, o PS da Marinha Grande manifestou “a sua mais profunda desilusão e descontentamento" o que é demonstrativo da falta de sensibilidade com que se governa o país a partir de Lisboa.

Muito mais do que em qualquer metáfora literária, plantar uma árvore é realmente oferecer algo às próximas gerações, e nisso, estes adiamentos consecutivos dizem muito da forma como este governo lida com o futuro.

Entretanto, as acácias vão progredindo e os sobreiros plantados pelo senhor das meias verdes, sucumbiram.

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Foto minha tirada a 3 de Janeiro de 2020

* Slogan do PS para as eleições legislativas de 30 de Janeiro 

Leitura recomendada

Pedro Correia, 14.12.21

Carta de Isabel Barradas a António Costa:

«Por que razão nos tornámos transparentes aos olhos da Direcção do nosso partido, partido que sempre defendemos, nos bons e nos maus momentos, enquanto militantes, e agora também enquanto eleitos dos órgãos nacionais?

Porque fazemos parte dos órgãos nacionais eleitos por uma tendência minoritária liderada pelo camarada Daniel Adrião?

Será que já se esqueceu, caro camarada, que também já foi minoria? E que apesar de ser minoria foi agregado e não excluído, isto no mais profundo respeito daquela que sempre foi a identidade e a cultura do Partido Socialista?»

25 de Novembro

Pedro Correia, 25.11.21

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Nada justifica o comportamento timorato que o PS de há uns tempos a esta parte tem vindo a revelar na abordagem deste assunto.»

Francisco Assis, 2019

 

Há 46 anos, em 25 de Novembro de 1975, o PS de Mário Soares, Maria Barroso, Salgado Zenha, Jaime Gama, Sophia de Mello Breyner Andresen e Manuel Alegre não se absteve, como a grande maioria do PS actual: estabeleceu uma linha fronteiriça entre a democracia representativa e a extrema-esquerda política e militar que queria implantar em Portugal a réplica de uma ditadura cubana, albanesa ou soviética.

Soares era então inimigo n.º 1 dessas forças extremistas, que o comparavam a um girondino da Revolução Francesa ou a Aleksandr Kerenksy, o efémero líder social-democrata russo destituído pela insurreição bolchevista de Lenine em 1917. O fundador do PS esteve à altura do seu papel histórico, assumindo-se como um resistente de primeira hora a uma ditadura de esquerda. Com a mesma fibra de lutador que revelara no salazarismo.

O 25 de Novembro complementa e completa o 25 de Abril. São duas datas indissociáveis - excepto para fascistas e sociais-fascistas. Quem no PS hoje não entende isto, traindo o seu legado histórico, não entende nada.

A mudança política em curso

Paulo Sousa, 09.11.21

A percentagem da população que passou a auferir de transferências directas do Estado aumentou significativamente nos últimos 20 anos, e parte significativa destes beneficiários têm nestas transferências o seu principal meio de subsistência. Este mesmo período de tempo foi inegavelmente marcado por uma hegemonia do PS, hegemonia essa que tem neste aumento do números de dependentes do estado a sua principal marca. Poderão dizer que não, que a principal marca deste período da nossa história é a estagnação económica, mas essa é apenas outra face da mesma moeda.

É eleitoralmente difícil sair desta armadilha, pois como sabemos é possível ter uma maioria absoluta com pouco mais de 40% dos votos, e a percentagem dos que não querem mudar a actual situação é bem maior.

Aquando da mais recente falência do estado português, os nossos credores exigiram que mudássemos de rumo. Nesse período de tempo foram-nos impostas diversas reformas que acabaram por permitir uma recuperação. A chegada da geringonça apelidou de “reposições” ao recuar deste processo e assim regressamos ao imobilismo e à estagnação. A actual crise política foi desencadeada pelo esgotar das “reposições”, sendo que durante esse processo lá nos continuamos a afundar nas comparações com outros países europeus.

Nestas duas décadas a dívida pública aumentou de 70 mil milhões para 270 mil milhões. Não estivessem as taxas de juro a ser distorcidas pelo BCE e a ilusão da sustentabilidade desta dívida seria impossível de manter. No dia em que as taxas de juro subam 1 ou 2 pontos percentuais entraremos numa nova bancarrota.

Perante uma conjuntura como a actual, em que os aumentos das matérias-primas e da energia provocam uma subida consistente de preços, seria normal contar com um aumento das taxas de juro. As pressões políticas para que o BCE não o faça são significativas, mas não sabemos até quando o ADN do Bundesbank, que corre nas veias do BCE, adiará a tomada das medidas recomendadas pelos livros de economia para travar a inflação.

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Sendo este o cenário de fundo, António Costa afirmou na entrevista de ontem que em 2022 pretende aumentar a função pública, o salário mínimo e as pensões. Essas são as variáveis que considera adequadas para atingir os objectivos do PS, que se resume e continuar no poder.

Num cenário pós-eleitoral em que António Costa não consiga reunir apoio parlamentar que lhe permita governar, já sabemos que sairá de cena. É aí que poderá entrar Pedro Nuno Santos, a quem será mais fácil novos entendimentos à esquerda. Esta possibilidade colocar-nos-á a caminho de mais uma ruptura financeira, embrulhada nas lamechices habituais. E sim, podemos sair destas eleições tendo Pedro Nuno Santos como PM. Votar PS pode ter essa consequência.

António Costa diz que agora, e se tal for necessário, até se poderá entender com o PSD, mas nada diz sobre outra coisa que não seja manter o PS no poder. Certamente seguindo as notas dos seus assessores de comunicação, e para contrapor com Medina, ontem mostrou-se humilde batendo várias vezes com a mão no coração. Mesmo recorrendo a estas mensagens subliminares, nada diz como pretende inverter a estagnação das últimas duas décadas e sobre o que deve ser feito para que se possam aliviar as gerações futuras da dívida que nestes 20 anos quase quadruplicou.

É por isso que as próximas eleições serão uma oportunidade única para invertermos o triste caminho que o país tem trilhado. Para isso, será necessário levar as gerações mais novas às urnas de voto. Só com a entrada dos eleitores que votam pela primeira vez, e dos que normalmente se abstêm, será possível reduzir o peso relativo dos que não querem saber do futuro do país e votam apenas olhando para o respectivo umbigo.

Limianos

jpt, 26.10.21

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Paulo Portas, que desta poda muito sabe, já avisara. Os deputados PSD da Madeira poderão de "modo autónomo" (ou seja, em acordo partidário esconso) viabilizar o orçamento, coisa que o seu dirigente já veio confirmar.

Convirá recordar que numa época de "vacas gordas" (apesar do então celebrizado "discurso da tanga") o PS de Guterrres fez um acordo parlamentar esconso com o CDS de Portas, através do manuseio de deputado Campelo, que aparentemente tudo trocou pelo queijo Limiano. O presidente Sampaio muito hesitou em aceitar tal solução. Os seus conselheiros dividiram-se na opinião. Mas acabou por aceitar tal opção - que de facto foi uma violação do espírito da constituição e, como tal, um perjúrio presidencial. Morreu, em paz, sem que tivesse sido efectivamente escrutinado por tal cedência.

O arranjo "limiano" - cujo vero conteúdo se comprovou, para quem pudesse ter dúvidas, quando o deputado Campelo, apesar de ter sido temporariamente sancionado pelo seu partido, veio a ser chamado para o governo quando Portas a ele acedeu - foi pestífero. Provocou um bamboleio tal que o governo caiu dois anos depois, apesar do PS ter exactamente metade dos deputados. Nesse trambolhão promoveu ao poder uma inconsequente direcção do PSD e causou uma atrapalhada sucessão no PS que desembocou numa incompetente direcção que logo se veio a desagregar, em rumo espúrio. Disto tudo brotou o longo consulado do pérfido José Sócrates - que as pessoas das lideranças políticas já bem conheciam, por mais vestais que se queiram continuar a afirmar. 

Toda aquela marosca, repito, foi no tempo "das vacas (europeístas) gordas". E teve o deletério efeito de longo prazo que teve. Agora, neste estado endividado, (quase) pós-pandémico e diante da crise internacional anunciada, não há espaço para tais artimanhas. E temos o pior presidente da república da história do regime, o mais volúvel e superficial, homem desprovido da gravitas que Sampaio tinha. Incapaz de pensar o país para além da sua vácua vaidade. Só podemos exigir a Rui Rio que não se ponha com brincadeiras destas. E a Costa que tenha tino. E vice-versa.

 

Tudo isto é poucochinho

Pedro Correia, 25.10.21

Uma semana antes do Dia de Finados, a "geringonça" exala o último suspiro. António Costa - outrora o grande agregador da esquerda, derrubador de putativos "muros de Belim" - acaba mais isolado que nunca. Nem PCP, nem Bloco de Esquerda, nem sequer o PAN aprovam o seu Orçamento do Estado.

Como diria António José Seguro, tudo isto é poucochinho. Cá se fazem, cá se pagam.

O Polígrafo, a queda de Medina e os Olivais

jpt, 04.10.21

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A propósito dos hipotéticos efeitos nos resultados eleitorais de Lisboa tidos pela reportagem da "Sábado" sobre as práticas aquisitivas da presidente da junta de freguesia de Arroios, o Polígrafo tem hoje um artigo - de Carlos Gonçalo Morais - que mostra terem sido substanciais as perdas da candidatura de Medina nessa freguesia. E através da comparação com as outras freguesias lisboetas onde o PS não ganhou a freguesia (perdendo a presidência ou repetindo a derrota) evidencia ser Arroios uma das freguesias onde a punição eleitoral do PS, tanto para a Câmara como para a Junta, foi maior, apenas ultrapassada pela acontecida no Lumiar, deixando assim implícito (quase explícito...) que o desvendar daquelas deselegantes práticas da presidente da Junta terão lesado a candidatura camarária do partido incumbente. Para comprovar isso o artigo apresenta uma tabela com os resultados dessas freguesias. E conclui, certeiramente, que "é verdadeiro que a freguesia presidida por Margarida Martins – Arroios - foi uma daquelas em que o PS perdeu mais votos nas últimas autárquicas em Lisboa, quer para a Câmara Municipal, quer para a Assembleia de Freguesia, com a erosão a ser ainda maior para Margarida Martins do que para Fernando Medina."

Eu direi que é "Verdadeiro, Mas...". E recordo este meu postal, "Os Olivais e a derrota de Medina" - nisso para ele apelando à atenção do Polígrafo, se tal for possível. É certo que na freguesia dos Olivais o PS não perdeu a presidência da Junta (o critério que o artigo escolheu para a comparação). Mas as suas perdas foram substanciais, e isso será um dado interessante para esta reflexão sobre o peso global da derrota em Arroios. 

Para o evidenciar vou aduzir Olivais à lista de freguesias apresentadas pelo Polígrafo:

 

 

Outras consequências da conquista de Lisboa

João Pedro Pimenta, 01.10.21

Ainda sobre as autárquicas, a conquista de Lisboa pela coligação liderada pelo PSD pode ter outras consequências a médio prazo. Dizia-se, aquando da apresentação de Carlos Moedas como candidato, que uma eventual vitória poderia ser um trunfo para Rui Rio mas também uma ameaça, já que o ex-comissário europeu seria então uma forte hipótese para a liderança do partido.

Julgo que esse cenário é improvável. Recém chegado à câmara, e com muito trabalho pela frente, Moedas não deve estar certamentea pensar em liderar o partido. É verdade que a presidência da CML é tida como um trampolim para voos maiores, com propriedade, tendo em conta os casos de Sampaio, Santana e Costa. Mas será ainda muito cedo para pensar em algo mais, até porque não faltam outros candidatos à liderança laranja. De resto, Rio marcou pontos com as suas escolhas certeiras, como Coimbra e Funchal, e, evidentemente, a capital.

É no outro partido do poder que este resultado pode ser mais determinante. Perdida de forma inesperada a governação Lisboa, o seu grande trunfo, Fernando Medina viu certamente esfumar-se qualquer veleidade a chefiar o PS no pós-António Costa. Isso abre ainda mais o caminho a Pedro Nuno Santos, que com a sua combatividade e o conhecimento (e controlo) do aparelho socialista, vê crescer amplamente as suas ambições a liderar o partido no futuro. 

Sucede que, a ser este o cenário, aliás provável. Pedro Nuno herdará um PS desgastado pelo poder e pelos inúmeros problemas com que se deparou, alguns por culpa própria. Além disso, representa uma ala mais esquerdista do partido. O sempre decisivo eleitorado de centro, talvez agora menos numeroso, não deixará de olhar para o PSD como alternativa óbvia. Rio ou qualquer outro líder do partido terá então uma boa oportunidade para ganhar o poder, ou pelo menos de ficar em primeiro, a reboque e por via indirecta da conquista de Lisboa.

 

Semana de reflexão

João Sousa, 24.09.21

Há coisa de duas semanas, uma empresa de "investigação e estudos de mercado" (a Pitagórica) veio aqui ao bairro fazer uma sondagem sobre as autárquicas: se eu ia votar, se não ia votar, em votando se iria manter o sentido de voto, se eu pensava que o partido vencedor seria o mesmo ou um diferente, coisas do género. Isto pode não significar nada, mas a verdade é esta: nunca, desde que eu moro aqui, alguma empresa de sondagens alguma vez mostrou interesse em qualquer um dos meus votos. Sondagens sobre os meus hábitos de leitura, o meu consumo televisivo, a minha vida sexual, isso é mato: raro é o trimestre durante o qual não recebo o telefonema da praxe. Mas questões relacionadas com política - nunca.

Durante esta semana, o bairro foi regularmente sujeito aos raides de uma viatura de propaganda do PS. Na quarta-feira, a traquitana chegou mesmo a estacionar durante meia-hora aqui no cruzamento central, infernizando-nos o almoço com o altifalante. Além disso, no dia anterior, alguém encheu-me a caixa de correio com um jornal de campanha do PS: 24 páginas (que seguiram imediatamente para o Ecoponto) de conversa fiada que superavam, na quantidade, o próprio Boletim Municipal.

Este bairro não passa de quatro ruas, nenhuma delas com mais de trezentos metros, que se cruzam duas a duas numa espécie de jogo do galo. Raro é o prédio que tenha mais de três andares. É estranho tal investimento propagandístico do PS aqui. Aliás, a campanha do PS em todo o concelho tem sido bastante sobredimensionada, exibindo em largos cartazes o apoio de figuras mais ou menos públicas como um cozinheiro assíduo das televisões.

E o PS, por acaso ou talvez não, é cliente da Pitagórica.

O PS pode até admitir, como dizem nos jornais, perder 10 a 15 autarquias nestas eleições - mas estou convencido de que o PS tem genuínas esperanças de ganhar a Câmara do Seixal à CDU.

Não é incomum, quando digo a alguém que moro no Seixal, esse alguém fazer uma piada como "Eh pá, tu moras na terra vermelha". É uma certa ideia feita, esta, a de que o Seixal é um antro de comunistas. Acontece que não é, de todo, verdade. A autarquia, sim, tem sido comunista desde (talvez) sempre. Mas é-o em largo contraste com as eleições nacionais onde, desde pelo menos 2009 (não recuei mais, por falta de tempo, nas minhas investigações), o concelho é uma espécie de socialistão:

2009
PS: 34,82%
CDU: 19,17%

2011
PS: 28,72%
PSD: 24,87%
CDU: 18,86%

2015
PS: 34,09%
PSD: 23,14%
CDU: 17,85%

2019
PS: 38,80%
CDU: 15,13%

Nas autárquicas, apesar da manutenção do PCP no poder, é notório um contínuo encurtar da distância do PS:

2005
CDU: 44,74% (24.293 votos)
PS: 23,85% (12.950 votos)

2009
CDU: 47,85% (27.949 votos)
PS: 22,41% (13.090 votos)

2013
CDU: 43.42% (22.658 votos)
PS: 23,78% (12.409 votos)

2017
CDU: 36,87% (21.901 votos)
PS: 29,60% (17.582 votos)

O PS deve estar a sentir o cheiro de sangue na água. Acredito haver o sério risco de uma "vitória surpresa" do PS no Seixal que até serviria para atenuar o impacto mediático de algumas derrotas noutros locais. As mudanças demográficas aqui do concelho não estão, de todo, a ajudar a CDU - mas isto será (talvez) assunto para uma outra ocasião.

Portugal ganhou com o Covid-19

jpt, 23.09.21

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"Ganhámos com o Covid-19", vangloria-se o secretário de Estado da Modernização Administrativa. Quando a epidemia aportou à Europa tivemos uma ministra da Agricultura a perspectivar que isso seria bom para as nossas exportações - mostrando bem o quão "a leste do paraíso" estava o Conselho de Ministros desta questão. Depois tivemos muitas decisões e discursos erráticos. Em Janeiro, quando éramos o pior país do mundo em termos absolutos, também tivemos um oficial de comunicação [ex(?)-jornalista] de uma universidade pública a ter muito sucesso ao consagrar a ministra da Saúde como "Super-Marta". Por esta... ter invectivado uma jornalista que a questionava sobre a tétrica situação que vivíamos. Em Maio apanhei o deputado Pinotes que, enquanto comentava futebol, clamava "está tudo a correr bem". Nem duas semanas depois viu-se, no regresso a medidas de controlo. Ou seja, para estupor e vil demagogia estaríamos já vacinados. 

Mas agora, no nojento afã demagógico de vésperas de eleições, vem-me este clamar isto. Em cima de tudo o que aconteceu, dos mortos e sofrimentos, das falências e desempregos, das mágoas e máculas, vem-me este tipo dizer "que ficámos bem na fotografia". No meu tempo um tipo ouvia uma coisa destas e respondia-lhe como deve ser, aludindo à imoralidade materna e/ou pendor anal do locutor. Mas agora não se pode, dizem-nos "preconceituosos", "fóbicos". Fica assim, então, o pior, mais peludo e abjecto dos insultos: Eurico Brilhante Dias!

José Magalhães, o javardo

jpt, 07.09.21

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Como é sabido Paulo Rangel - estando a ser alvo de uma campanha na imprensa com alusões à sua vida privada - enunciou publicamente a sua homossexualidade. À esquerda criticam-no. Acusam-no de duas coisas: de preparar uma recandidatura à presidência do seu partido. E de não ter participado há uma década na luta por alteração legislativa favorecedora de aspirações do movimento homossexual, como tal não tendo cumprido preceitos considerados necessários à dita "identidade". Sonantes nisso são vários membros da "identidade" socratista, esses que na referida época tudo faziam para defender o poder PS das acusações da evidente roubalheira que acontecia, o enorme ataque às instituições democráticas e seus gigantescos efeitos nas finanças públicas e na economia nacional. Essa gente - entre a qual muito soa o velho eixo do blog "Jugular" e seus sequazes - tem essa "incoerência" e "hipocrisia". Pois dizem-se de "identidade" democrática mas foram (e decerto que o são) cúmplices ou coniventes com a corrupção, integrando a evidente "identidade" ladroagem. Ou seja, em termos de "coerência" com os preceitos de alguma identidade é caso para sobre eles clamar agora "dizem os rotos ao nu". E é lamentável que gente dessa laia seja presença habitual como "comentadores" na imprensa estatal e ocupe postos públicos de incidência política.

Ainda mais denotativo do ambiente intelectual dessa abjecta mole é a reacção às inaceitáveis declarações de ontem do deputado socialista José Magalhães. Autor da recente Carta Portuguesa de Direitos Humanos na Era Digital foi então basto criticado. Mas logo sufragado pela imprensa do Estado, através de um inenarrável servilismo da apresentadora Cautela, em programa em horário nobre, que culminou com ela roçando-se no veterano político. Mas mais o defenderam e, entre outros apoios, recordo que no muito activo mural de FB de um ex-bloguista surgiu o deputado Sérgio Sousa Pinto - antigo inventor do mote "causas fracturantes" e mudo durante a década de paixão socratista mas que, por estuporada amnésia colectiva, se tornou agora o xuxu do centro-direita porque faz algumas "críticas" ao PS - afirmando-o "grande deputado", elevando-o acima das fundamentadíssimas críticas a uma lei excessiva. Nesse fluxo Magalhães, e a sua iniciativa legislativa, saiu reforçado aos olhos da plácida opinião pública. 

Pouco depois o deputado solidarizou-se com um autarca do PCP que propunha o espancamento dos militantes e simpatizantes do PSD do seu concelho. E aconselhou, explicitamente, o uso de armas para esse efeito. A amálgama de identitaristas calou-se diante do despautério. E agora Magalhães atinge o "grau zero", fazendo insinuações sobre a vida sexual de Paulo Rangel, atingindo - que me lembre - o ponto mais baixo da refrega política em Portugal. De novo se calam os identitaristas, paladinos do movimento homossexual. Silêncio também nas lideranças do PS: nem o seu presidente, nem o seu líder parlamentar, nem o seu secretário-geral falam, distanciando-se desse modus operandi político. Nem a sua secretária-geral adjunta, de quem até por razões pessoais se poderia esperar mais atenção a este tipo de argumentação. Pois é - ou foi - casada com Paulo Pedroso, também ele em tempos alvo de acusações por práticas sexuais. Já agora também este ex-ministro socialista, ainda que tendo sido lesto a criticar Rangel pela sua ausência na luta pelos "direitos dos homossexuais" não encontrou vagar ou motivo para se distanciar da aleivosia de Magalhães. Como também o presidente da Assembleia da República não o fez, nem o grupo de eurodeputados do PS. Nada, o silêncio total das estruturas partidárias do PS diante desta execrável atitude José Magalhães. O javardo. No fundo mostrando que eles partilham, de facto, uma identidade: esse javardismo.

Certo, haverá quem diga que muitos se calam por receio da influência maçónica de Magalhães. É possível. Serão então javardos medrosos.

Termino  com uma proposta para os tempos de lazer. Vejam (ou revejam) a série "Billions". Poderão perceber melhor este javardismo. E constatar que, por si só, não tem grande sucesso.

António Costa sexagenário

jpt, 17.07.21

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(Conselheiro Acácio, por António)

António Costa faz hoje 60 anos (os meus votos de saúde). O Público, sempre servil ao poder PS, disponibiliza (em acesso livre) este seu panegírico, escrito por Ascenso Simões (o mui ilustre que anda afadigado em derrubar o Padrão de Descobrimentos e, presumo, outras coisas).
 
Recomendei, através de múltiplas redes sociais (do já velho e-mail ao whatsapp), a leitura deste texto aos meus amigos moçambicanos. Pois na "Pérola do Índico" ao longo dos anos fui lendo alguns extremados elogios (em artigos e até em livro) a políticos bem instalados. E muitos dos meus amigos (quantas vezes eleitores, simpatizantes e até militantes dos partidos dos assim supra-elogiados) diante desses textos faziam um ricto enojado, naquilo tão desconfortável da vergonha pelo alheio. E resmungando "isto só aqui é que é possível!!!".
 
Pois é a esses meus amigos que aviso: leiam este texto. E vejam que "estamos juntos!!!". Que isto de videirinhos despudorados há-os em todo o lado. Já Eça de Queirós o sabia e descrevia.

Ainda Cabrita?

jpt, 08.07.21

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(Postal de 5.7.2021)
 
O ministro da Segurança Rodoviária - que tem acumulado dislates políticos - atropela um trabalhador na auto-estrada quando vogaria a cerca de 200 à hora numa zona de trabalhos sinalizados. Na sequência os seus serviços emitem declarações falsas, tentando imputar responsabilidades ao patrão do falecido. 3 semanas depois nada mais se sabe - para além de uma grotesca história sobre a propriedade do carro oficial -, uma delonga que apouca a estabilidade política no sector tutelado.
 
Entretanto, e ainda que atarefados com múltiplas tarefas (o governo está a violar a Constituição, o que não é normal em democracia, e fá-lo de "modo intempestivo" devido a uma "irrelevância estatística", após ter celebrado a rentrée dos Reis Magos turistas), os habituais publicistas da "situação" desunham-se nas teclas, invectivando de "oportunistas" os condoídos com o "estado da arte", e um deles, Marques Lopes, segue a via socratista e clama que o problema são as "perguntas do Correio da Manhã". Um antigo ministro socialista enche o peito e proclama que todos os governantes violam os limites das velocidades rodoviárias, nisso querendo ilibar politicamente o prócere Cabrita - mas "esquece-se" de referir que este é, e repito, o ministro da segurança rodoviária e que os seus serviços já mentiram à república sobre esta matéria. Matéria essa que implicou uma morte. Pormaiores que seriam letais se houvesse um minimo de... decência.
 
Enfim, lembro que a semana passada o ministro da Saúde inglês se demitiu, apesar da intensa demonstração de apoio que recebeu da sua rainha (basta ver o pequeno filme para tal perceber). Pois foi filmado a beijar uma amiga de longa data e, malvado tóxico que é, também a acariciá-la abaixo das costas. Entenda-se que não caiu devido a moralistas invectivas dada aquela infidelidade conjugal. Mas porque sendo ministro da saúde violou as regras de "distância social" naquela beijoquice com a amiga. Ou seja, e ainda que a patética argumentação demonstre como o puritanismo correctista se multiplicou neste Covidoceno, Hanckock caiu porque violou os ditames impostos pelo Estado no âmbito da sua tutela.
 
Percebe-se que os publicistas avençados nem queiram saber disto, pois as respectivas tenças têm como termos de referência (ToRs) o ecoar da cartilha semanal. Mas que um gajo que foi ministro não queira perceber isto? Isto é o descalabro do PS. E cada vez mais cheira a fim de festa. Mal, mesmo, já fedor.

O Secretário de Estado Galamba

jpt, 08.07.21

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(Postal de 3.7.2021)

"Jovem segura sombrinha para que o Secretário de Estado Galamba não apanhe sol na moleirinha.", ironiza Rui Rocha.

Galamba está no poder - e numa posição importante - devido aos seus intensos serviços de propaganda socratista, muitos deles cumpridos no blog colectivo Jugular, constituído por radicais socratistas e do qual emanou (foi a Professora Palmira Silva que o instruiu) um blog anónimo remunerado de contra-informação e de disseminação do que agora se chama "fake news", o Câmara Corporativa, sempre pelos "jugulares" louvado e defendido. Se se pode torcer o nariz a estes antecedentes galambianos também se pode conceder que são adequados ao vigente socratismo sem Sócrates.
 
Enfim, a historieta deste "pequeno mal" do pacote de jornalistas, activistas e académicos que serviram com denodo a corrupção socratista e que continuam em funções, no governo, na política activa e na imprensa (até escandalosamente no "serviço público" da RTP, como Vale de Almeida), está mais do que sabida e redita. Mas tem alguma pertinência lembrá-la nesta semana. Durante a qual um dos mais afamados membros desse grupo e, in illo tempore, sabida promotora deste Galamba, câncio, provocou debate sobre a pérfida objectivação das mulheres por causa de um vestido atrevido (há quem lhe chame combinação) de uma assistente do inenarrável programa "Preço Certo" - como se o problema não fosse o programa, por si mesmo inaceitável numa televisão pública.
 
Mas a tal propagandista do socratismo (com ou sem o "animal feroz"), seus inúmeros "partilhadores" e concordantes, calam-se diante desta imensa objectivação das mulheres, deste rebaixar do "pessoal menor", nisto de em 2021 uma merdita de secretário de estado - e de um partido que se diz "socialista" - aceitar que uma mulher lhe seja apenas haste de guarda-sol.
 
Isto é o Portugal de hoje. Esta escumalha imunda Jugular a colher aplausos. "Anunciada na tv". E a chegar ao governo, para gerir os interesses nas minas. E parte, substancial, do povo pronta para lhes segurar seja o que for...
 
Como eu prefiro eu uma quarentona voluptuosa em vestes generosas! Antes o "Preço Certo" que estes "jugulares".

Recolher obrigatório

jpt, 08.07.21

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(Postal de 2.7.2021)
 
Devido a louvor alheio acabo de ler um artigo de uma afamada jornalista de investigação - do independente Diário de Notícias - no qual, e a propósito do Ministro da Administração Interna, as críticas aos governantes são resumidas a oportunismos de oposicionistas, afadigados a tentarem fazer cair ministros.
 
Por isso aqui garanto que não tenho a utopia de derrubar o sempiterno ministro Santos Silva, ainda por cima logo após a conclusão da presidência europeia. Apenas recordo que há menos de um mês o ministro (dos negócios estrangeiros) considerava "intempestiva", incompreensível e baseada em "irrelevância estatística" a decisão do parceiro britânico de controlar as deslocações ao nosso país - algo que depois a Alemanha também decidiu -, ameaçando-o mesmo com "retaliações".
 
Agora, e enquanto os avençados d'agora se desdobram em elogios ao governo, à "Super-Marta"e ao "está tudo bem" (como o sportinguista deputado Pinotes quando vai comentar futebol à TV), é declarado o recolher obrigatório em 45 concelhos. Decerto que medida "intempestiva" devido a uma "irrelevância estatística", dirá o auto-proclamado "parolo".
 
Quanto aos críticos? "Oportunistas", clamará a "jornalista de investigação" câncio no seu espaço no independente "Diário de Notícias". E os oficiais de comunicação - no ISCTE e não só - reforçarão os elogios à "Super-Marta".
 
No fundo? "Porreiro, pá!".

Segurança Rodoviária

jpt, 08.07.21

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(Velho postal de 30.6.2021)
 
A gentrificação da esquerda portuguesa, com a "colarinhização" do operariado remanescente e o avençamento dos antigos "intelectuais orgânicos", nunca se terá visto tanto como agora: o Ministro da Administração Interna, detentor da tutela sobre a segurança rodoviária, transitando em excesso de velocidade numa zona sinalizada atropela mortalmente um operário não-especializado, ali a trabalhar. O governante alija-se de quaisquer responsabilidades. A família enlutada cai na ruína.
 
E a "esquerda" - sindicatos, partidos, associações, publicistas - cala-se. O ministro? Duas semanas passadas continua em funções.
 
(Já agora, e porque é a única moeda de que estes trastes percebem: sabem para onde depois vão os votos?)
 
Adenda: A tentativa de ministro e governo se eximirem à responsabilidade relativamente a "contrapartidas" financeiras (com as aspas necessárias diante do termo utilizado para um seguro devido à família amputada do seu pai) é uma coisa inenarrável. Mas a isso soma-se a atitude, que me narram, do ministro Eduardo Cabrita nem sequer ter tido a humanidade de se inteirar no local - por frémito solidário que fosse - do acontecido com o sinistrado, mantendo-se com o seu ministro encerrado na viatura. Algo que mostra, grita, o tipo de homem que ali está, evidentemente depois tentando-se escapulir à assumpção de responsabilidades, políticas, morais, financeiras.
 
Neste caso não há muito a escalpelizar: um carro de ministro em excesso de velocidade atropela um trabalhador em área laboral sinalizada. Grande borregada do condutor, total responsabilidade política do ministro. Um infelicidade absoluta para o falecido, um drama para a sua família. E um infelicidade muito relativa, ainda assim, tanto para o motorista como para o seu mandante. Que deverão arcar com as suas pesadas responsabilidades e, apesar de tudo, seguir com as suas vidas. Mas como esperar isso quando o PM Costa, interrogado sobre hipotéticas responsabilidades num incêndio que causou 60 e tal (65?) mortos, tantos deles numa estrada, teve o desplante de responder "Não me faça rir". "Não me faça rir"!!!..-
 
E tudo se torna ainda mais pérfido se pensarmos não só que Cabrita é o responsável pela Segurança Rodoviária. Mas também no facto de que - na sequência das críticas à "endogamia" do governo passado, pejado de relações conjugais e filiais - a sua mulher deixara de ser ministra. Para agora, dois anos depois, ser "repescada" para um posto muitíssimo bem remunerado (16000 euros mensais, mais ou menos). E que é o de Autoridade de Mobilidade e Transportes, o que imediatamente - mesmo se for algo incorrecto - faz remeter para este acontecimento infausto. Ou seja, o governo (mesmo que Cabrita seja, como é, um péssimo ministro) tem que tentar calar isto. E os avençados, jornalistas, universitários, colunistas, velhos bloguistas do "Jugular" e Câmara Corporativa e actuais Adões e Silvas, têm de redobrar o afã na constante felação ao poder, socorrendo o governo nesta abjecta vergonha.