De dilação em dilação até à prescrição final
[foto: Miguel A. Lopes - Lusa]
José Preto deixa de ser advogado de Sócrates.
Quando soube da rabulazinha de renúncia de Pedro Delille, recordo-me de pensar que estaríamos no início de uma nova técnica dilatória. Não fui, claro, só eu a pensá-lo. A própria juíza presidente do colectivo, no despacho em que concedeu 20 dias para Sócrates nomear outro advogado, alertou:
«Em tese, a interrupção da audiência de julgamento permite que, no futuro, o Mandatário constituído no processo possa novamente renunciar, e assim sucessivamente, com outros mandatários, produzindo um efeito dilatório intolerável para a boa administração da justiça que cabe aos Tribunais assegurar, com valor constitucional, porquanto é garante do estado de Direito democrático».
Em menos de dois meses, já tivemos: José Preto ser o novo advogado de Sócrates; José Preto ser internado no Santa Maria com uma pneumonia, ter alta ao fim de doze dias e ir para casa "cozer" uma virose contraída durante o internamento; Inês Louro, advogada oficiosa nomeada para acompanhar Sócrates durante a ausência do seu advogado, recusar-se invocando "objecção de consciência" por ser militante do Chega e antiga militante do PS; Ana Velho, segunda advogada oficiosa, pedir dispensa devido à "dimensão e complexidade do processo"; José Preto deixar de ser advogado de Sócrates. Seguramente que não fui exaustivo.
E agora, o que se segue? Agora, aproveitando acasos e fazendo encenações, receio que será, nas palavras da juíza: "... e assim sucessivamente".

