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Truques não privados - Mau serviço SAPO e DN

por João André, em 05.09.18

A nova Regulação Geral de Protecção de Dados (tradução pessoal) tem vindo a obrigar os diversos sites a pedir aos visitantes para aceitar ou gerir a política de uso de cookies. Na maioria dos casos, os sites optam por tratar os cookies de publicidade programática em bloco, com a opção de os tratar de forma individual. Isto é, os visitantes podem optar por aceitar ou rejeitar todos os cookies deste tipo ou então ir de empresa em empresa e permitir ou rejeitar o uso destes cookies. Para mais, a situação padrão mais comuns é ter estes cookies desactivados, sendo possível simplesmente reactivá-los com um clique do rato no botão oferecido para isso.

 

Não é o que fazem alguns sites portugueses. O SAPO (onde este blogue está alojado) e o Diário de Notícias (provavelmente outros também) preferem eliminar a opção de aceitar ou rejeitar em bloco os cookies de terceiros e, além disso, a opção padrão é tê-los activos. Dado que a lista, completamente exaustiva, não só é longa como obriga a muito tempo para ser vista de forma individual, o resultado é que os visitantes acabam por optar por manter estes cookies (ver a imagem abaixo).

 

gdpr sapo.PNG

 

Isto é simplesmente uma vergonha e gozar com a nova lei. É a situção em que os administradores decidiram colocar o máximo de entraves para obrigar as pessoas a aceitar os cookies e a prescindir da sua privacidade. Podemos concrodar ou não com a lei e as formas de a implementar, mas a atitude do SAPO, do DN e outros é simplesmente uma falta de respeito.

Sem fotos nem vídeos

por Sérgio de Almeida Correia, em 03.09.14

A propósito da divulgação não autorizada de fotos e vídeos sacados de um servidor virtual, penso ser assim que se diz, o jornal i colocou esta manhã na sua primeira página a pergunta que todos devem fazer: "Punha num servidor algures e de borla as fotos da sua intimidade?".

Não discuto o direito que cada um tem de tirar fotografias e de fazer vídeos em pelota, nas mais variadas posições e com os parceiros que muito bem entender, fazendo o que muito bem lhe apetecer. Isso faz parte da vida de cada um, da sua esfera privada, da sua intimidade.

Como não discuto que haja gente mais ou menos narcísica, que gosta de se admirar em fotos, em filmes, fazendo poses, dando cambalhotas ou exibindo as suas protuberâncias. E não faço distinção entre novos e velhos. Cada um é como é. E pode ter os gostos e hábitos que entender, mesmo que não sejam saudáveis na perspectiva de quem vê, desde que essa seja a sua opção, a escolha seja consciente e responsável e os seus gostos ou vícios privados não contendam com a minha liberdade ou não interfiram com a vida de terceiros. A mim, mesmo sendo um "conservador social-democrata liberal de esquerda não-marxista", seja lá o que isso for ou o rótulo que me ponham, nada me escandaliza. A vacuidade, a ignorância e a estupidez sim, incomodam-me. Mas quanto a isso também pouco posso fazer relativamente aos outros, ainda que em relação à minha pessoa tenha a obrigação de exigir mais e melhor, informando-me e procurando cultivar-me.

Se me perguntarem se acho bem que cada um faça o que lhe apetecer, acho óptimo, sendo-me indiferente o que fazem desde que não me perturbem. E se quiserem andar nus pelas nuvens e arquivar na rede os seus orgasmos para mais tarde recordarem é problema deles. Mas, respondendo à pergunta que o i sensatamente coloca, a minha resposta seria obviamente não, mesmo que no meu íntimo sentisse uma incontrolável necessidade de me fazer fotografar com Isabella Ragonese para não me esquecer de como era a diva e fazer sucesso junto dos amigos. A não ser, hipótese que admito, que confiasse cegamente nas novas tecnologias e tivesse interesse em entregar a guarda das minhas intimidades a terceiros que desconheço quem sejam, nem o que podem fazer com a minha informação.

Por muito retrógrado que seja, uma coisa é guardar artigos científicos na nuvem, outra será ser famoso e andar nu pela nuvem, quer dizer, pela casa, aproveitando para conviver com quem aparece, sem saber quem tem acesso à "casa", isto é, à nuvem, nem quando nem como, sempre com as janelas escancaradas e a luz acesa. E outra, ainda bem diferente, será ir para a janela em pêlo para ver a vista e aproveitar para mostrar as mamas e o rabo, fazendo de conta de que não há vizinhos, que na rua não passa ninguém, que ninguém boceja nas varandas ou que não aproveita o momento para tirar fotografias ao pôr-do-sol.

De qualquer forma, em conclusão, e porque me limito a expressar o que penso sujeitando-me naturalmente à crítica, e independentemente de há muitos anos ter escrito e defendido a introdução da cidadania digital, acabando com o anonimato na rede e tornando-a num espaço efectivo de liberdade e responsabilidade, entendo que todas as violações da privacidade devem ser severamente punidas, mas que quem quiser defender a sua terá de ser o primeiro a protegê-la, não se expondo ao voyeurismo alheio e não colocando a sua estupidez à mercê da intromissão de terceiros. Enquanto for possível andar nu e invisível pela Internet será difícil proteger a privacidade de quem nela se expõe, também a de cada um de nós, que é como quem diz a nossa própria liberdade. Ricos, famosos, exibicionistas e estúpidos incluídos, que nessa matéria, como em quase tudo nesta vida, não faço discriminações.

 

P.S. Penso que por aqui também respondo a quem há dias, a propósito de um comentário a uma entrevista de um companheiro de blogue, perguntava qual era o meu sentido da liberdade. Em termos resumidos é o que aqui fica.

A liberdade e a segurança

por João Campos, em 04.01.12

Teresa, a protecção de dados - aliás, a "privacidade", que o jornalista do Público coloca entre aspas como se fosse coisa menor - jamais é uma questão de "pruridos". É muito fácil olharmos para o caso sueco - que tem de facto aspectos interessantes, sobretudo ao nível da Justiça - e pensarmos "isto por cá é que era". Pessoalmente, acho que seria um desastre. Desde logo porque não somo suecos. E depois porque em matéria de cobrança de impostos, o Estado português tem muitos aspectos completamente arbitrários. Dar aos seus agentes um poder ainda maior sobre os contribuintes iria ser desastroso, sobretudo quando, e ao contrário da Suécia, não existe - como bem sabes - um sistema judicial eficaz para resolver eventuais problemas.

Não é por eu ter a minha situação fiscal perfeitamente regularizada que quero ver a minha conta bancária ou a minha situação fiscal na página de um jornal, ou afixada na junta de freguesia. Da mesma forma, também não é por eu nada ter a esconder que quero dar autorização a qualquer agente do Fisco que, com base em qualquer coisa infundada, se lembre de ir bisbilhotar.

Sabendo como são as coisas em Portugal, fazer por cá o que a Suécia fez e quer fazer seria pior do que deitar gasolina na fogueira - seria o equivalente a chamar aviões para despejar napalm. Recordemos a velha - e tão actual - frase de Benjamin Franklin sobre a liberdade e a segurança.


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