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Um milhão

por Pedro Correia, em 02.04.20

Acaba de ser ultrapassada uma barreira muito preocupante: há já um milhão de infectados pelo novo coronavírus à escala mundial. Com mais de 51 mil vítimas mortais também oficialmente registadas. Num caso e noutro, não custa nada a crer que as estatísticas reais sejam bastante superiores. Basta sabermos que em mais de metade dos países ou territórios afectados pela pandemia - que são quase todos - os testes continuam a escassear. E não faltam capitais do globo onde as certidões de óbito evitam qualquer alusão ao Covid-19, optando por mencionar "pneumonia" ou "infecção respiratória aguda".

É a Primavera mais sinistra de todas quantas guardamos na memória.

Tralalá, tralalá

por Rui Rocha, em 14.04.16

Cidade sem carros, aeroporto sem aviões, Abril sem Primavera, Portugal sem austeridade, Lacerda sem contrato, Maria João Bastos sem Amélie, Ministro sem gravata, Piupiu sem Frajola, neném sem chupeta, queijo sem goiabada, Romeu sem Julieta, tralalá, tralalá...

Março

por Isabel Mouzinho, em 29.02.16

Quando chega Março, tudo muda. Março sabe-me sempre a princípio. Escreve-se com M de Mouzinho e de Mãe. E, também por isso, Março é meu. É o mês que me viu nascer e é o mês da Primavera. É azul, como o céu e o mar. Traz consigo muita luz, cor e festa. E a serenidade da brisa da tarde, na claridade que mansamente se prolonga, que cresce um pouco mais dia após dia, encurtando a noite.

É o esplendor da natureza a renascer em efusiva e contagiante ostentação. São perfumes de flores e cheiros frescos e intensos, sentidos despertos que facilmente se deixam inebriar, pele que se destapa, vontade de passear ao sol.

E é o som do canto dos pássaros, o melro preto de bico muito amarelo que me visita todas as manhãs, e os chilreios na minha varanda ao amanhecer, para anunciar o nascimento de mais um dia.

Março convida ao amor e à ousadia, revitaliza a alma e traz boa disposição em doses reforçadas, a cada novo despertar. Em Março volto sempre a nascer, em alegria, força, energia e vontade. Porque, tal como na canção, é  promessa de vida no meu coração.

 

Página de um diário

por Helena Sacadura Cabral, em 21.06.15

Verão.jpeg

Lisboa, 21 de Junho de 2015

 

Entrámos hoje no Verão. Não é uma estação que me seduza. Nem agora, nem antes. É um período excessivo de pormenores dos quais não gosto: muito sol, muita gente, muito suor, muito álcool.

Sou mais das quadras intermédias, como o Outono ou a Primavera, embora esta me cative menos do que a primeira, que também possui alguns excessos. Sobretudo de vida, que desponta por todo o lado.

Dir-me-ão que o Outono tem um lado triste, de fim que se aproxima. É verdade. Mas tem aquele amarelo laranja das folhas caídas das árvores que atapetam as ruas - e pessoalmente me tocam fundo -,  que dão ao campo e às cidades uma uniformidade que nas outras estações se não descortina. Aliás, essa "tristeza outonal", que tantos referem, é o bálsamo indispensável para compensar os cúmulos estivais.

Muitas vezes me tenho perguntado o porquê desta preferência, quando a minha alegria atávica pouco parece ter de comum com tal tristeza. Começo a acreditar que é o balanço psicológico que tal determina e que a sabedoria popular tão bem explica, quando afirma que os opostos se atraem. É um facto, comigo. E não só no campo meteorológico...

Apelo veemente a todos os "Gilbertos"

por Rui Rocha, em 23.03.15

Agora que chegou a Primavera, por favor não se esqueçam de usar as golas dos polos bem levantadas para ser mais fácil identificarmos os pacóvios.

Para que bate o luar na relva?

por Laura Ramos, em 20.03.12

 Claude Monet

 

O luar quando bate na relva
O luar quando bate na relva
Não sei que coisa me lembra...
Lembra-me a voz da criada velha
Contando-me contos de fadas.
E de como Nossa Senhora vestida de mendiga
Andava à noite nas estradas
Socorrendo as crianças maltratadas...
Se eu já não posso crer que isso é verdade,
Para que bate o luar na relva?

 

Alberto Caeiro

De vez em quando a primavera

por José Navarro de Andrade, em 20.03.12

Não houve primavera como a de Odilon Redon, não há primavera como a de Ann Craven.

Cada um no príncipio do seu século, ambos desconformes à norma do seu tempo.

 

Odilon Redon, "Evocação de borboletas", 1911

 

 Ann Craven, "Red miracle", 2007


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