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Delito de Opinião

O que eles disseram de olhos nos olhos (6)

Pedro Correia, 10.12.25

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ANTÓNIO JOSÉ SEGURO:

«Precisamos de um Presidente da República com experiência política, que não venha ao improviso, que não venha aprender no cargo.»

«Sinto-me bem acompanhado. Tenho recebido apoio por todo o País. Na semana passada, 127 presidentes de câmara. Sou um candidato feliz.»

«Temos um sistema político desequilibrado. Precisamos que o campo político que eu represento tenha presença nos órgãos de soberania.»

«A grande diferença entre nós é que eu não utilizo o poder para humilhar os meus subordinados, como o senhor fez na Madeira. Quando rejeitamos a dignidade humana, não fazemos coisas como essas.»

«É indigno o que o senhor fez. Mostra como exerce o poder em público. Isso não o qualifica para Presidente da República.»

«Sou professor universitário: vivo do meu trabalho. Sou um pequeno empresário: vivo do risco de empreender. Não sou dependente da política.»

«O senhor não vai para Belém dar ordens aos partidos. O senhor tem de dialogar. Que experiência tem de diálogo com os partidos e com os governos?»

«Votar em si é uma aventura. É um tiro no desconhecido.»

«Liderar, em democracia, não é dar ordens. Liderar em democracia é fazer compromissos e alianças, é promover consensos.»

«Quando estava a ouvi-lo, parecia-me a Catarina Martins. Ela disse precisamente aqui os mesmos argumentos.»

«O senhor diz que é um candidato independente. Quem é que foi reunir com o líder do CDS, à noite, num bar de Lisboa? Foi o senhor. Quem é que foi almoçar, num almoço secreto, com o líder do Chega? O senhor. Quem é que escolheu como mandatário um ex-líder do PSD? O senhor. CDS, Chega, PSD - todos juntos. É isso que o senhor representa.»

 

HENRIQUE GOUVEIA E MELO:

«Portugal está à procura de um líder porque a Presidência é liderança.»

«António José Seguro não é um líder para os tempos modernos. O doutor Mário Soares disse isso de forma clara há 11 anos. Disse que o senhor é inseguro.»

«O senhor esteve onze anos fora da política e vem agora tentar reciclar a sua carreira política.»

«Nestes onze anos, eu estive presente. Estive em Pedrógão, estive no processo de vacinação, que foi difícil.»

«O senhor é um candidato nem-nem. Não é líder.»

«A minha alocução [na Madeira], naquele momento, parou um rastilho perigoso para as forças armadas. Se não percebe isso, não tem qualidades para ser comandante supremo das forças armadas.»

«A Presidência da República, para mim, é uma missão. E já provei essa capacidade na pandemia. Tive de lidar com uma grande desorganizazção. Estive presente, fui líder, apresentei resultados. Sou um profissional dos resultados.»

«Não me retirei perante um desafio.»

«O senhor é um líder  estagnação.»

«Eu represento o PS. O senhor representa uma facção do PS, nem consegue fazer o pleno do PS.»

«Eu não sou europeísta. Tenho um pé na Europa, tenho outro no Atlântico.»

 

Excertos do debate ocorrido ontem à noite na SIC, com eficiente moderação de Clara de Sousa.

Nem um

Pedro Correia, 10.12.25

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Se há candidato presidencial marcado pela solidão, é António José Seguro. Dos seis outros ex-secretários-gerais do PS ainda vivos e com saúde, nenhum lhe manifestou apoio até agora. Nem Vítor Constâncio, nem António Guterres, nem Ferro Rodrigues, nem José Sócrates, nem António Costa, nem Pedro Nuno Santos. O "animal feroz", aliás, já expressou a intenção de votar no Almirante.

Mas a solidão não é só dele. É também do actual líder do PS. José Luís Carneiro, após quatro longos meses de reflexão, manifestou enfim apoio ao homem que dirigiu o partido da mãozinha durante os três anos que separaram os consulados de Sócrates e de Costa. Mas esse apoio está longe de ser unânime na cúpula socialista. Basta lembrar que a Comissão Política Nacional inclui Manuel Pizarro, destacado apoiante de Gouveia e Melo. E a deputada Isabel Moreira já disse que prefere votar na bloquista Catarina Martins, enquanto paira um silêncio ensurdecedor sobre as opções de voto de figuras como Marta Temido, Augusto Santos Silva ou Mariana Vieira da Silva. 

Daí compreender-se muito bem o ar triste que Seguro tem exibido nos debates televisivos. É caso para isso.

O que eles disseram de olhos nos olhos (5)

Pedro Correia, 09.12.25

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JOÃO COTRIM FIGUEIREDO:

«Ainda bem que entra ao ataque, que é para poder responder da mesma maneira.»

«Eu nunca disse que o Luís Marques Mendes me tinha contactado. Nunca falei em si.»

«Não vou dizer nomes, porque para mim isso não é essencial.»

«Escolheu este assunto para abrir o debate, está a dar-lhe extrema importância. Vou tomar isto como um elogio. É muito revelador que escolha começar por aí.»

«Sei que vai sair um livro seu, em que resume os 18 anos desde que saiu do Governo, até hoje, em cinco páginas. A vida profissional de pessoas, os contactos e as relações que tiveram são ou não são importantes para um Presidente da República?»

«Tem alguma coisa a esconder?»

«Não tenho uma carreira política de 50 anos nem a experiência de Luís Marques Mendes, mas tenho muita experiência noutras áreas. E tenho uma visão relativamente à sociedade portuguesa muitíssimo mais moderna e arejada.»

«Já o ouvi propor incluir um jovem no Conselho de Estado, [mas] não é isso que vai dar destaque à juventude.»

«Sou o candidato que fala em crescimento económico.»

«Luís Marques Mendes é membro do Conselho de Estado, ininterruptamente, desde 2002, 2003... E mesmo assim continuamos com estes problemas todos.»

«Promulgaria esta legislação  laboral nesta versão mais recente.»

«Os candidatos têm a obrigação de dizer o que pensam. [Mendes] não disse se promulga ou não. Eu disse claramente que promulgaria.»

«O papel do Estado como garante da segurança das pessoas em situações de desespero, eu defendo-o tanto ou mais do que o Luís Marques Mendes.»

«A banca comercial já nos custou muito. Houve quase 30 mil milhões de euros para resgatar bancos em Portugal.»

 

LUÍS MARQUES MENDES:

«Queria confrontar Cotrim Figueiredo com estas perguntas muito simples e concretas a exigir também respostas muito concretas. Quando é que eu falei consigo a pressionar para a sua desistência? Ou quem foram as pessoas que em meu nome o pressionaram? Não se fazem acusações destas sem apresentar provas.»

«Não se fazem acusações desta gravidade da forma ligeira como as fez. Ou se fazem acusações e se provam ou não se fazem acusações.»

«Quem não deve não teme e quem não se sente não é filho de boa gente

«É uma acusação não só grave como é feia. Mesmo os seus eleitores não gostam. Ninguém gosta

«O senhor comporta-se como uma espécie de André Ventura envergonhado. Isso não o recomenda para Presidente da República, até o desqualifica. Portanto, a sua palavra não é para levar a sério.»

«Tem alguma coisa a acusar-me? Diga. Responda!»

«Isto é uma tentativa de assassinato de carácter. Eu fui talvez a pessoa mais escrutinada nos últimos anos.»

«Em algumas coisas da sociedade e do Estado, são precisos consensos. Na justiça, no combate à corrupção...»

«Um Presidente da República tem um poder moderador e tem de ser moderado. Mas não [tem] de ser mole nem frouxo.»

«O Conselho de Estado é o único órgão político em Portugal que junta à mesma mesa o Presidente da República, o primeiro-ministro e o líder da oposição. Reúne quatro vezes por ano. Ter um jovem no Conselho de Estado é uma oportunidade para dar voz aos jovens.»

«O Governo tem todo o direito, toda a legitimidade, de fazer esta reforma [laboral].»

«Em sou muito mais ambicioso no plano social do que o João Cotrim Figueiredo.»

«Não podemos estar à espera que o mercado vá resolver os problemas dos idosos, dos pensionistas e dos reformados. A intervenção do Estado é fundamental.»

«Cotrim Figueiredo defendeu a privatização a 100% da Caixa Geral de Depósitos. Isto significaria que a Caixa iria provavelmente parar às mãos dos espanhóis. É o grande fusível do nosso sistema financeiro. Se o fusível quebra, pode ser um problema sério.»

 

Excertos do debate ocorrido anteontem à noite na TVI e na CNN Portugal, com a habitual moderação hesitante e gaguejante de José Alberto Carvalho.

O que eles disseram de olhos nos olhos (4)

Pedro Correia, 04.12.25

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ANTÓNIO JOSÉ SEGURO:

«Eu não seguia a maioria parte das intervenções que Marques Mendes fazia como comentador. Mas há uma diferença entre comentar a actualidade e transformar o país.»

«O centro-direita a que pertence Luís Marques Mendes não é o centro-esquerda a que eu pertenço.»

«O cartel da banca foi condenado em dois momentos a pagar 225 milhões de euros. Não pagou porque [o crime] prescreveu. Prescreveu porquê? Quais são as causas?»

«Marques Mendes diz que é muito interventivo. É membro do Conselho de Estado há 15 anos. Podia ter aconselhado os Presidentes da República a agir e a fazer esse pacto da justiça. Porque não fez?»

«Nós, ao ritmo a que temos vindo a diminuir a pobreza no nosso país, precisamos de um século para a eliminar. Isto é chocante, é um cancro social enorme.»

«O combate à corrupção tem de ser uma prioridade do estado de direito.»

«Penso que o senhor doutor fez parte, como consultor, de algumas das empresas que estavam na privatização. Defendi que houvesse planos anti-corrupção associados a cada processo de privatização, designadamente na TAP: isso seria útil para prevenir algumas das situações que neste momento estão em investigação. Na altura o governo do doutor Marques Mendes fez orelhas moucas.»

«Neste momento há um desequilíbrio completo do sistema político. A direita tem a maioria das juntas de freguesia, câmaras municipais, governo da Região Autónoma da Madeira, governo da Região Autónoma dos Açores, a maioria no parlamento, o primeiro-ministro... O país tem a ganhar se o sistema político estiver equilibrado.»

«Em duas leis essenciais - a lei dos estrangeiros e a lei da nacionalidade - com que é que o governo do seu partido fez acordo? Com o Chega. Matérias que são estruturantes para o nosso chão comum.»

«Precisamos de um Presidente da República para novos tempos e não para os velhos tempos.»

 

LUÍS MARQUES MENDES:

«Há uma grande diferença entre estes dois candidatos: António José Seguro privilegia mais as proclamações de carácter genérico. Eu quero ser bastante mais activo e interventivo.»

«Já houve um período, há 30 anos, com Guterres a primeiro-ministro e Jorge Sampaio a Presidente, com os ovos no mesmo cesto. Dois socialistas no topo do Estado. António José Seguro fazia parte desse governo. Fazia parte dos ovos que estavam no cesto - e nunca se queixou.»

«É preciso dar rapidamente o pontapé-de-saída para um pacto da justiça. O meu primeiro Conselho de Estado será sobre esta matéria.»

«A justiça está doente.»

«Há uma diferença [minha] com  o António José Seguro: eu sou mais interventivo, gosto de ir mais à frente.»

«Eu quero avançar no combate à pobreza. Vou instituir um Fórum Anual de Combate à Pobreza.»

«O governo Passos Coelho é que fez a privatização da TAP. Eu não fui membro desse governo.»

«A minha Casa Civil terá menos assessores políticos e mais assessores sociais.»

«Já assumi o compromisso de colocar um jovem [no] Conselho de Estado. Nunca na vida isso aconteceu.»

«Não indigitarei o líder do Chega primeiro-ministro nem lhe darei posse enquanto não tiver garantias por escrito de que o seu programa será limpo de inconstitucionalidades.»

 

Excertos do debate ocorrido ontem à noite na RTP e conduzido por Carlos Daniel com a segurança habitual.

Tudo o que um debate não deve ser

Sérgio de Almeida Correia, 01.12.25

Catarina Martins vs André Ventura: quem teve a nota mais alta? - SIC  Notícias

Já calculava que alguns dos "debates" entre os candidatos às próximas eleições presidenciais seriam muito pouco interessantes, iriam esclarecer nada ou quase nada, e que só serviriam para continuar a transmitir uma péssima imagem dos nossos (deles) actores políticos, mostrando nalguns casos a sua manifesta impreparação, falta de sentido de Estado, oportunismo, irresponsabilidade política e total desprezo pela situação do país e dos portugueses.

Confesso que nunca pensei é que se viessem a revelar bem piores do que aquilo que poderia imaginar nos maiores pesadelos.

Da falta de ideias à de educação, da linguagem desbragada ao estilo carroceiro, com frases e apartes de estrebaria, gritaria, mãos e braços no ar, sem esquecer mentiras, insultos, falsas verdades, omissões convenientes e incoerências, nada tem faltado.

O pseudodebate de ontem entre Catarina Martins e André Ventura, que aproveitei para ver durante a minha hora de almoço, é apenas mais um exemplo de algo que nunca deveria ter acontecido. E admiro a paciência do entrevistador, por muito bem paga que seja.

Aos debates que se têm visto seria preferível o silêncio. 

Este seria bem mais enriquecedor, educativo e muito menos ofensivo da dignidade nacional.

E os portugueses continuariam tão esclarecidos sobre as ideias dos candidatos presidenciais como estavam antes. Sem "debate".

A caminho das Presidenciais (2)

Paulo Sousa, 01.12.25

Estávamos nos idos de 2013 e António José Seguro liderava o PS após a derrota eleitoral que se seguiu à chamada da Troika. Cavaco Silva, então Presidente da República, propôs um Compromisso de Salvação Nacional que juntasse os três partidos mais votados, o PSD, CDS e PS, para que, com um governo alargado, se garantisse a estabilidade necessária para ultrapassa a grave crise em curso. Apesar de o PS ter inicialmente mostrado disponibilidade para iniciar o processo de diálogo, logo depois voltou atrás e essa solução governativa nunca viu a luz do dia, deixando para o PSD e CDS o ónus das medidas negociadas com a Troika, pelo próprio PS.

O impulso inicial reflectia a abertura de António José Seguro a partilhar os custos governativos da situação criada pelo seu próprio partido. A recusa que se seguiu foi o resultado da imensa pressão que as elites do PS colocaram no líder do seu partido. Se no impulso inicial podemos observar o sentido de estado que o agora candidato à Presidência diz ter, na recusa que se seguiu concluímos que esse sentido de estado soçobrou perante a pressão de um momento difícil.

A comparação é esdrúxula, mas nessas horas que em o mundo parece ter-se combinado contra um indivíduo, recordo-me sempre da expressão “the finest hour” que, depois de ter sido usada por Churchill num dos seus memoráveis discursos, ficou para sempre associada à Batalha de Inglaterra e à coragem dos que se recusam render-se sem combate. A proposta do Compromisso de Salvação Nacional colocou António José Seguro na sua “finest hour” e ele arriou a carga.

Vivemos momentos turbulentos e apesar do que aqui escrevi há dias, não posso votar num candidato com esse currículo.

O que eles disseram de olhos nos olhos (3)

Pedro Correia, 26.11.25

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ANDRÉ VENTURA:

"Eu estou farto que a esquerdalhada faça o que quer no parlamento."

"Marques Mendes, se calhar, tem alguns interesses mais escondidos [em Angola]."

"O senhor é político desde 1976, eu ainda não tinha nascido."

"Estou farto até à cabeça de estar rodeado de corruptos."

"Não me venha dizer que é independente, porque não é. Tem um partido que o protegeu sempre, o PSD."

"Em vez de conversa da treta, como a sua me parece, temos de ir onde dói: quem andou a roubar tem de ficar sem o património. Temos de os agarrar, temos de acabar com eles."

"Eu nasci em 1983. Nasci em democracia e o que vi nesta democracia foi corrupção, corrupção, corrupção. Não me venham pedir para olhar 100 ou 200 anos para trás."

"Está ao lado da casta que nunca quer ser investigada."

"O seu partido está cheio de corruptos do princípio ao fim. Os senhores andam a roubar malas de dinheiro do país."

"Marques Mendes é a marioneta de Luís Montenegro. (...) Nem Passos Coelho o apoia."

 

LUÍS MARQUES MENDES:

"André Ventura comemora o 25 de Novembro porque não gosta do 25 de Abril. Convive mal com a opinião dos outros. E quer combater o 25 de Abril."

"André Ventura actua com total falta de sentido de Estado. No plano do Estado não contam as preferências pessoais."

"Os políticos mandarem prender alguém era no tempo da PIDE, não é agora."

"O senhor está a fazer teatro."

"Passa a vida a interromper os outros, não tem coragem de ouvir os outros. É uma atitude de fraqueza."

"O senhor está a branquear o regime anterior, onde havia mais corrupção."

"O senhor não se candidata a xerife da República, pois esse cargo não existe "

"A justiça tá doente. O meu primeiro Conselho de Estado será sobre a reforma da justiça e o combate à corrupção. É preciso acabar com os diagnósticos e ter acção."

"Hoje há uma justiça pa ricos e outra pa pobres "

"André Ventura não tem propostas concretas e exequíveis para assunto nenhum."

 

Excertos do debate ocorrido ontem à noite na SIC, com moderação competente de Clara de Sousa.

O que eles disseram de olhos nos olhos (2)

Pedro Correia, 21.11.25

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JOÃO COTRIM FIGUEIREDO:

«A independência não se proclama: pratica-se.»

«Eu saberei resistir a todas as pressões que me queiram desviar dos superiores interesses dos portugueses e de Portugal.»

«Não vai dizer-me que é cadastro ter passado partidário.»

«Tenho uma abrangência muito maior do que o partido de onde sou oriundo. Tenho apoios de figuras do PS, do PSD, do CDS, da IL, do Chega.»

«As estruturas da sua candidatura foram responsáveis pela máquina de propaganda de José Sócrates.»

«Eu uso avental, mas é na cozinha.»

«Tinha um professor que dizia que cada vez que ouvia falar de estratégia numa empresa, isso queria dizer que alguém ia ao bolso de alguém.»

«Não me falta optimismo nem energia.»

«Eu sou a verdadeira vacina contra o pessimismo e o medo do futuro.»

 

HENRIQUE GOUVEIA E MELO:

«A Presidência da República não é um conselho de administração. É um serviço à nação.»

«[Cotrim] quer levar correntes ideológicas  Presidência da República.»

«O candidato presidencial tem de ser mais aberto, apanhar um espectro político maior para ajudar a construir soluções que um candidato não-partidário ajuda a encontrar porque tem esse afastamento dos interesses partidários.»

«Venho de fora do sistema, que está um bocado descredibilizado.»

«Eu não sou maçom.»

«Sou social-democrata.»

«A economia são as pessoas. Economia sem coesão é má economia.»

«O povo, quando vota, é inteligente.»

«Este país precisa de avançar.»

 

Estreia absoluta de ambos em debates entre candidatos presidenciais. Na noite de ontem, na RTP, com boa moderação de Vítor Gonçalves.

O que eles disseram de olhos nos olhos (1)

Pedro Correia, 19.11.25

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ANTÓNIO JOSÉ SEGURO:

«O senhor está sempre a dividir, está sempre com extremismos, está sempre com ódio.»

«O senhor está sempre a pôr as pessoas umas contra as outras, está sempre a dividir entre os bons e os maus. Eu não consigo olhar para o País assim.»

«Compreendo as razões que assistem aos representantes dos trabalhadores para convocarem uma greve geral.»

«A revisão da legislação laboral nem fez parte da proposta eleitoral do Governo.»

«O deputado André Ventura tem mais anos de actividade partidária neste século do que eu, contando os anos em que esteve no PSD.»

«Há uma diferença entre ser candidato de um partido ou candidato apoiado por um partido. (...) Se quer debater com o PS, dou-lhe o número do telefone de José Luís Carneiro e o senhor debate com ele.»

«O senhor deputado está na eleição errada: devia estar nas eleições legislativas. Andou a pedir aos portugueses para votarem em si, mas borrifou-se para esse voto e está a candidatar-se a Presidente da República.»

«Daqui a quatro meses vou recebê-lo em Belém. Eu como Presidente da República, o senhor como líder partidário.»

«O senhor não me dá lições de patriotismo.»

«Faz favor, se quiser interromper. Não há problema.»

«O senhor não baseia a sua retórica em factos.»

«O senhor não é por falar mais alto que resolve os problemas.»

 

ANDRÉ VENTURA:

«O António José Seguro é como o Melhoral, que não faz bem nem faz mal.»

«Esteve no governo de António Guterres, do pântano, da crise, do desnorte do País.»

«Tem de haver uma lei laboral que incentive ao trabalho e à produtividade.»

«As pessoas ficam sem comboio para ir ao hospital e ir trabalhar, quando pagam o passe e não recebem compensação nenhuma [em dias de greves]. Essas também merecem uma palavra da nossa parte.»

«Nunca como no tempo do PS os jovens emigraram tanto: 30% foram para fora. É a sua herança, é a herança do PS. Deixou-nos com os salários mais baixos da União Europeia.»

«A herança do seu partido destruiu o SEF.»

«Eu nunca serei uma jarra de enfeitar.»

«Marcelo Rebelo de Sousa é uma jarra numas coisas e uma traição noutras.»

«Há imigrantes que passam à frente dos portugueses na saúde. O senhor aceita de bom grado que chegue alguém do Bangladeche, da Índia e do Paquistão, e passe à frente de uma família portuguesa no acesso à saúde.»

«Eu sou candidato a Presidente de Portugal. Não sou candidato a presidente do Bangladeche. Se quiser, apanhe um avião e vá para lá.»

«O senhor tem a mesma conversa da treta que não vai em nada, vai manter tudo igual.»

«Essa conversa da treta levou ao estado do País em que estamos.»

 

Primeiro dos 28 anunciados debates entre candidatos presidenciais. Na noite de anteontem, na TVI e na CNN Portugal, com péssima "moderação" do gaguejante José Alberto Carvalho. 

Maratona vira corridinha de 100 metros

Pedro Correia, 07.11.25

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Da cartola do historiador Rui Tavares acaba de sair uma espécie de Tino de Rans em versão envernizada. É o Jorge de Amarante: dizem-me que ocupa um assento da agremiação Livre no areópago de São Bento. Foi o melhor que conseguiram como candidato privativo a Presidente da República.

O rapaz tem-se desdobrado em entrevistas, numa acelerada tentativa de fuga ao anonimato. Na noite de domingo, verteu palavras num programa humorístico da SIC. Candidata-se porquê? «Porque gosto da república». Sorte dele, não gostar da monarquia: seria putativo candidato a príncipe, com eventual passagem prévia pela fase sapo.

«Isto é uma maratona», declarou Jorge de Amarante confessando ter «muita, muita vontade de ganhar esta eleição». Foi ao ponto de sublinhar: «Eu sou o único candidato que quer ser realmente Presidente da República.» E até transmitiu à posteridade esta frase que merece inscrição em bronze: «Quero ser o prato que temos à nossa frente e temos muita vontade de começar a comer.»

Pensei de imediato: oxalá o prato seja de papel para ele manter a dentadura intacta.

 

Três dias volvidos, quarta-feira, nova entrevista. Desta vez à RTP. Quis falar mais a sério, mas sem passar da tentativa: diz ter aparecido depois de todos os outros por verificar que a esquerda estava muito desunida. Contribuindo assim para fragmentar ainda mais esse hemisfério, onde já se situavam (por ordem de entrada em cena) António José Seguro, António Filipe e Catarina Martins - fora o Almirante, agora situado à esquerda do PSD. Parece rábula dos Monty Python. Ou do Gato Fedorento.

«Não podia ter virado as costas a este desafio», confessou o pupilo de Tavares. Qual desafio? Correr a maratona em 100 metros? É o que parece: hoje, em entrevista a Lusa, o ignoto deputado já admite desistir da prova, ainda antes de soar o apito da partida. Afirmando-se predisposto a ceder passagem a Seguro.

Bastaram cinco dias para virar as costas ao desafio, para demonstrar ser afinal o único candidato que não quer chegar a Presidente. Implora, quase em desespero: agarrem-me senão eu candidato-me. 

Terá reponderado: o prato não era de papel, arriscava mesmo quebrar os dentes. 

Quem mais irá sair da cartola do historiador? Talvez o veterano Manuel João Vieira, que costuma dizer: «Só desisto se for eleito.»

A caminho das Presidenciais

Paulo Sousa, 27.10.25

Ninguém acredita que as próximas Presidenciais serão resolvidas na primeira volta. Entre a maioria do comentariado que tenho ouvido, Ventura será um dos dois candidatos mais votados e, dada a sua elevada taxa de rejeição, qualquer outro que se apresente contra ele na segunda volta será o próximo Presidente da República Portuguesa. No geral, concordo com esta análise.

Para quem não faz parte da seita Ventura, o auto-proclamado “escolhido por Deus para salvar Portugal”, terá então de escolher na primeira volta qual será o seu opositor na segunda. Então e não é razoável votar naquele que mais se desejava para Presidente? É pois, mas só nas eleições para a Associação de Estudantes.

Vai daí, por não apreciar a falta de imaginação de Marques Mendes, que representa o status-quo imobilista e que terá achado que imitar o percurso de Marcelo seria boa ideia, nem o candidato que escolheu Rui Rio para mandatário, dou por mim a considerar votar no candidato que mais incomoda os Socratistas. Nessa escolha, alivia-me ainda saber que não estarei ao lado dos que lançavam hossanas às habilidades de António Costa, pois esses, desprezam o Tózero, o do poucochinho.

Ainda não está fechado, mas pode ser que tenha o assunto resolvido.

Assim não consegue

Pedro Correia, 22.10.25

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Certos candidatos a cargos políticos abusam da informalidade. Eis um exemplo. A Catarina Martins conhece-me assim tão bem ao ponto de me tratar por tu nos cartazes com o seu rosto espalhados pela cidade de Lisboa?

Por acaso ela até me conhece: entrevistei-a em tempos para o Diário de Notícias, em anos recentes cruzámo-nos com frequência nos corredores parlamentares e viajámos duas ou três vezes na carreira 727 da Carris (lembro-me dela de máscara sanitária em tempos pandémicos). Mas nunca fomos próximos apesar de eu ter alguns amigos no Bloco de Esquerda.

 

Olho o cartaz e questiono-me qual será o grau de eficácia desta falsa intimidade com o eleitor.

Tenho sérias dúvidas de que resulte, a avaliar pela hecatombe eleitoral do partido que já teve 19 deputados e hoje só ocupa um lugar na segunda fila do hemiciclo. O mesmo partido que perdeu 75% dos seus vereadores nestas autárquicas, passando de quatro a nível nacional para um solitário assento na câmara de Lisboa, aliás à boleia do PS.

Havia elegido 94 deputados municipais, desta vez só conseguiu 17 - e apenas seis em listas próprias.

Perdeu agora mais de cem mil votos, baixando de 137.560 para 30.629.

 

Conclusão óbvia: o eleitorado quer distância do Bloco. Nada a ver com o tratamento por tu. Os gurus da propaganda do partido mais esquerdista do parlamento andam equivocados: aquela letra T ganharia muito em ser trocada por um S. Assim a comunicação política talvez funcionasse, com um distanciamento respeitoso. Porque não somos todos lá de casa. Aliás, neste momento quase ninguém é.

"Consigo" teria vantagem suplementar: a óbvia analogia com a primeira pessoa do presente do indicativo do verbo conseguir. Duplo significado, portanto. Como expressão de uma vontade firme. Andaram mal, os estrategos do BE: assim estragam mais do que remendam. E garanto: não é por me tratarem por tu que me aproximam mais deles.

Como dizia o poeta, sei que não vou por aí.

Nem Sassá Mutema quer salvar a pátria

Pedro Correia, 20.08.25

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António José Seguro fez um nó cego àqueles socialistas que andam há meses a implorar por um candidato com imaculado pedigree “de esquerda”, seja lá o que isso for. Enquanto o inefável comité de proprietários do PS se desdobrava em ingentes esforços para travar o passo ao antigo secretário-geral na corrida a Belém, este fazia calmamente o seu caminho. Fiel à sua imagem de marca: sem insultar ninguém, sem lançar desqualificativos a outros, indiferente ao chorrilho de provocações que o visavam nas redes digitais.

Os arautos da “verdadeira esquerda” – agora congregados na frente eleitoral autárquica em Lisboa – foram disparando nomes no carrossel mediático, em desespero crescente. Sem sucesso algum.

 

A 26 de Junho, António Vitorino deu-lhes nega alegando “não reunir condições”. A 2 de Julho, Augusto Santos Silva seguiu-lhe o exemplo. Mário Centeno tinha sido o primeiro a desistir por antecipação, logo a 16 de Janeiro.

Faltava Sampaio da Nóvoa – o nosso Sassá Mutema, “o salvador da pátria”, que havia motivado romarias idolátricas amplificadas pelos jornais do costume. Também ele disse não, já a 13 de Agosto. Evita assim correr o risco de se enganar redondamente - como quando afirmou, em Dezembro de 2015, que se sentia “praticamente seguro” de uma segunda volta na corrida a Belém. No mês seguinte, não chegou a 23% dos votos, com Marcelo a vencer em toda a linha.

 

Cada nome lançado na praça pública revelou-se um tiro de pólvora seca. Esta vaga de deserções não augura nada de bom para os apóstolos da “esquerda unida”.

Segue-se agora quem? Talvez o Tino de Rans. Mas é duvidoso que aceite.

Enquanto Seguro assiste, de cadeirinha.