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Um ano depois

por Pedro Correia, em 24.01.17

 

Sampaio da Nóvoa: este nome diz-vos alguma coisa?

 

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Pós-eleitorais (10)

por Pedro Correia, em 08.02.16

Continuo a ler por aí que Marcelo Rebelo de Sousa venceu com evidente facilidade a eleição presidencial "por não ser o candidato que a direita verdadeiramente queria". Esta tese, disseminada pelos cultores de etiquetas que proliferam na "análise política" à portuguesa, baralha os factos com brutal desfaçatez. As invectivas contra Marcelo, por parte dos seus adversários à esquerda, não pouparam pormenor algum nos meses que antecederam o escrutínio - dele disseram que era um novo Cavaco, que escrevia cartas a Marcelo Caetano, que fugiu à tropa, que tocava às campainhas das portas quando era miúdo, que chamou lelé da cuca ao doutor Balsemão, que mergulhou no Tejo, que perdeu um debate televisivo em mil novecentos e troca o passo.

Os eleitores votaram como lhes apeteceu, indiferentes à vozearia dos tudólogos. Agora aqueles que o invectivaram apressam-se a reclamar sem pudor um quinhão da vitória, garantindo ao País que "a direita anda aziada", Costa ficou feliz e Passos Coelho teve de engolir um elefante. Falam como se Marcelo fosse troféu de estimação em vez do alvo a que fizeram pontaria nos últimos meses. Sobre Sampaio da Nóvoa, que foi o candidato de quase todos eles, ninguém voltou a ouvir-lhes sequer um sussurro. Aplicam à política os versos do António Variações: "Eu só quero ir / Aonde eu não vou / Porque eu só estou bem / Onde não estou."

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Frases de 2016 (14)

por Pedro Correia, em 05.02.16

«[Eleição presidencial] foi uma derrota de toda a esquerda e uma derrota da esquerda é também uma derrota do PS.»

Manuel Alegre, na noite de 24 de Janeiro

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Pós-eleitorais (8)

por Pedro Correia, em 04.02.16

Três eleições presidenciais, três derrotas sucessivas dos candidatos da área socialista. Por clamorosos erros de estratégia política - todos atribuíveis ao chamado sector soarista do PS. Em 2005 Manuel Alegre já estava no terreno quando viu levantar-se uma onda interna destinada a derrubá-lo: a onda afinal era pequenina mas bastou para sagrar Cavaco Silva vencedor à primeira volta. Em 2010, novamente com Alegre em palco, do mesmo sector surgiu a candidatura alternativa de Fernando Nobre - e de novo Cavaco agradeceu o brinde. Na Primavera de 2015 eis que da mesma trincheira irrompe um ilustre desconhecido: Sampaio da Nóvoa. Era o impulso que faltava para um passeio triunfal de Marcelo Rebelo de Sousa com destino a Belém.

Tanto erro acumulado - e nenhuma lição extraída.

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Pós-eleitorais (6)

por Pedro Correia, em 02.02.16

De todos os lamentos pós-eleitorais oriundos da área do partido do Governo, o mais original foi este veemente desabafo da inconfundível Ana Gomes: «Teria gostado que o PS tivesse apoiado claramente um candidato», disparou a eurodeputada. Bem prega Frei Tomás: muitos socialistas teriam gostado que Ana Gomes começasse por clarificar a sua própria posição em matéria de campanha presidencial. Foi ela quem lançou Maria de Belém como candidata para depois apoiar Sampaio da Nóvoa. Todo um modelo de coerência.

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Pós-eleitorais (5)

por Pedro Correia, em 01.02.16

O PCP parece viver numa realidade paralela, como bem demonstra a mais recente edição do jornal oficial dos comunistas. Analisando o escrutínio presidencial de 24 de Janeiro, o impagável Avante! conclui o seguinte: «Não há resultados eleitorais capazes de apagar o carácter ímpar da candidatura de Edgar Silva e do colectivo imenso a que deu expressão; o projecto que corporizou é, também ele, inapagável, pois radica nas aspirações mais profundas dos trabalhadores e do povo.» Dir-se-ia a celebração de uma vitória. Mas não: trata-se afinal da leitura que os comunistas fazem do descalabro oficial do seu candidato - o pior resultado de sempre do PCP nas urnas. Por mais pesada que seja a derrota, o partido da foice e do martelo transforma-a sempre numa radiosa tomada do Palácio de Inverno. Com esta lógica discursiva, os amanhãs jamais cessarão de cantar.

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Piadola de Livararia

por Francisca Prieto, em 29.01.16

Piadola.jpg

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Pós-eleitorais (4)

por Pedro Correia, em 29.01.16

Continuo a ler e a escutar alguns tudólogos que anunciam ao País ter sido Sampaio da Nóvoa um dos "vencedores" da eleição presidencial. Isto autoriza-me a revisitar a história. E a reescrevê-la. Estou assim em condições de garantir-vos que foram estes os verdadeiros "vencedores" das eleições presidenciais ocorridas nos últimos 40 anos: Otelo Saraiva de Carvalho em 1976, Soares Carneiro em 1980, Freitas do Amaral em 1986, Basílio Horta em 1991, Cavaco Silva em 1996, Ferreira do Amaral em 2001 e Manuel Alegre em 2006 e 2011. Triunfadores, todos eles.

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Pós-eleitorais (3)

por Pedro Correia, em 28.01.16

As chamadas esquerdas quiseram medir forças nas presidenciais. Perverteram o espírito deste escrutínio, transformando-o numa segunda volta das legislativas (e em novo round das primárias do PS, no caso do confronto Nóvoa/Belém). Alegavam que só a multiplicação das candidaturas conseguiria travar o passo ao "candidato da direita". Pura mistificação, como a linguagem das urnas demonstrou: as esquerdas multiplicadas valem hoje apenas 38,1%. Em política o aumento de parcelas costuma produzir efeitos destes: subtrair em vez de somar.

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Pós-eleitorais (2)

por Pedro Correia, em 27.01.16

Pedro Silva Pereira salientava na noite de segunda-feira, na TVI 24, que o bom resultado eleitoral de Marisa Matias "premeia o contributo do BE para uma governação à esquerda". Este raciocínio do eurodeputado socialista conduz-nos fatalmente à conclusão que o PCP tem dado um contributo negativo à governação, visto ter obtido o seu pior resultado eleitoral de sempre.

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Pós-eleitorais (1)

por Pedro Correia, em 26.01.16

Ouço e leio que Sampaio da Nóvoa, rejeitado por mais de três quartos dos eleitores, "cumpriu os seus objectivos". O jornal Público,  para meu espanto, chegou a incluí-lo entre os vencedores da eleição presidencial. Pensava eu que o maior objectivo do antigo reitor era passar à segunda volta. Afinal estava enganado.

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Há-de aparecer alguém para pagar

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.01.16

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Nestas coisas, como nas PPP, convinha ter alguma cautela para depois não faltar dinheiro para pagar a conta. Eu bem sei que no fim há-de aparecer alguém para pagar, que até poderá ser o próprio, mas estar a contrair encargos sem saber como se irá pagá-los, estar a contar com a subvenção estatal e os donativos dos contribuintes sem saber se os irá receber, tudo isso me parece pouco sério e uma imprudência.

Vi o seu apelo à recolha de donativos para fazer face à factura das presidenciais e só estranhei que no pedido que fez não tivesse logo avisado os potenciais doadores de que irá recusar todos os donativos que possam vir de pessoas singulares ou colectivas que estivessem na disposição de ajudar mas que andaram a ganhar a vida emitindo pareceres, foram ou são deputados ao serviço dos grandes interesses empresariais, advogados que trabalham em grandes escritórios, gestores e administradores de empresas com grandes negociatas com o Estado, de gente que trabalhe ou tenha trabalhado para o BES, para o BPN, para o lobby dos construtores, da banca, dos laboratórios médicos, dos manuais escolares, das farmácias, das autarquias, e por aí fora. Isso teria sido coerente e consequente com o que antes defendeu.

Sei que as contas da campanha serão apresentadas, serão claras e que baterá tudo certo, mas é pena que em questões tão sérias como as que abordou tivesse andado a dar tiros para o ar, acabando a acusar tudo e todos e desperdiçando o capital de simpatia e apoio que inicialmente gerou para a sua causa. A causa do combate à corrupção, aos lobbies, ao clientelismo político e de Estado, ao tráfico de influências, à fraude em geral, é um combate e uma causa de todos os cidadãos portugueses livres e sérios, que não pode continuar a ser tratada da forma que Paulo Morais tem feito. E não pode servir de bandeira para alimentar egos e protagonismos. Por isso, lamento ver Paulo Morais, por cuja causa tenho simpatia e na qual também me tenho empenhado à minha maneira e com os meios que tenho, a acabar assim a sua participação, desta forma inconsequente. 

Já não bastava o resultado miserável que obteve como ainda acaba a pedir dinheiro aos contribuintes para pagar os custos da sua campanha. Se não tinha dinheiro não gastava. É tão simples quanto isto.

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Frases de 2016 (13)

por Pedro Correia, em 26.01.16

«Podíamos apresentar um candidato ou uma candidata assim mais engraçadinha.»

Jerónimo de Sousa, na noite eleitoral

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Breves notas sobre os resultados

por Tiago Mota Saraiva, em 25.01.16

Marcelo Rebelo de Sousa ganhou, como se esperava. Teve mais votos que Cavaco em 2011 e, provavelmente, conseguiu ir buscar votos a todos os partidos. Fez um discurso de unidade nas antípodas do do anterior Presidente da República. Saberá ser popular.

 

Sampaio da Nóvoa é, na verdade, uma surpresa. Teve uma percentagem maior do que a maioria das sondagens lhe deram e do que Alegre em 2011. Não atingiu o objectivo de uma segunda volta, mas não sai desta eleição politicamente morto.

 

Marisa Matias é a grande surpresa da noite. Não conseguiu apenas consolidar uma parte muitíssimo significativa dos votos do BE, como terá conseguido penetrar no tradicional eleitorado comunista (veja-se, por exemplo, os resultados das autarquias comunistas de Constância ou Almada). As notícias de uma fuga de votos do eleitorado do BE para Marcelo eram manifestamente falsas.

 

Maria de Belém não foi alvo de um assassinato de carácter, como os seus apoiantes repetiram. Belém revelou-se. Não conseguiu conquistar o eleitorado socialista como pretendia, enfraqueceu o segurismo e demonstrou a fraca expressão eleitoral que a poderosa ala direita do PS tem. Desaparecerá sem fama nem glória da vida política, podendo levar para casa a sua pensão vitalícia.

 

Edgar Silva não deve ser visto como o culpado do mais fraco resultado eleitoral de um candidato com o apoio do PCP. Viu-se pouco o Edgar que trabalha com os que nada têm e que intervém junto do lumpén, para assumir uma postura institucional de porta voz do partido. A sua candidatura demonstrou que o eleitorado do PCP não é estanque, nem é alheio aos discursos políticos das candidaturas de Marisa Matias e Sampaio da Nóvoa.

 

Tino de Rans não é uma surpresa. Repete, com menos vigor, o resultado de José Coelho das eleições de 2011. 

 

Paulo de Morais e Henrique Neto são figuras instrumentais para o sistema ao lançarem a suspeita de corrupção sobre todos sem concretizar acusações. Foram duas candidaturas com discursos semelhantes, mas sem brilhantismo. Morais destacou-se no resultado, ainda que fique aquém do que o próprio pensava poder alcançar.

 

Jorge Sequeira era o único candidato sem qualquer relação passada com algum partido político. Teve 0,3% dos votos expressos.

 

Cândido Ferreira nem em Leiria, de onde provinha, conseguiu votação significativa. Cumpriu o seu papel de manter dúvidas sobre a licenciatura de Nóvoa, como se o ex-reitor não as tivesse esclarecido de imediato. Fica a dúvida sobre como terá conseguido o número de assinaturas necessárias.

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Marcelo: o que ficou escrito

por Pedro Correia, em 25.01.16

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31 de Janeiro de 2014:

«Marcelo Rebelo de Sousa será o primeiro a anunciar a candidatura à Presidência da República, condicionando todas as outras estratégias, à esquerda e à direita. Enquanto outros fazem que andam mas não andam, ele sabe o que quer. E quer que se saiba.»

 

23 de Fevereiro de 2014:

«Era um congresso "sem história", diziam. O PSD sai deste congresso com um cabeça de lista às europeias e um candidato presidencial. O novo ciclo político já começou.»

 

24 de Fevereiro de 2014:

«Marcelo Rebelo de Sousa deu o pontapé de saída na campanha presidencial sem necessidade sequer de abordar o tema. Fê-lo em horário nobre, com os canais informativos de televisão a transmitir em directo, e aproveitando a seu favor o palco do congresso do PSD, que fora montado para outro efeito.»

 

22 de Maio de 2014:

«Podem as sumidades dos aparelhos inventar as alternativas que quiserem na desesperada recusa de enxergarem o óbvio. É inútil: PSD e CDS estão reféns de Marcelo. E quem não perceber isto não percebe nada.»

 

6 de Fevereiro de 2015:

«Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa mal precisará de percorrer o País em sessões de campanha: já o faz, de algum modo, no telecomício semanal em que se confirma como um dos mestres da comunicação política portuguesa. Com uma linguagem que todos entendem.»

 

16 de Outubro de 2015:

«Dois potenciais rivais fora de cena e mais um candidato a baralhar as contas na margem contrária: como se já não bastasse tudo isto, à noite surgiu em antena Pacheco Pereira, no local do costume, disparando críticas ao ex-líder do PSD. Pacheco, que é o decano dos comentadores televisivos e foi vice-presidente de Rebelo de Sousa, considera que este concorre para Belém com "uma mancha ética": a de ter sido ele próprio comentador na televisão... Enfim, um dia em cheio para Marcelo. Só boas notícias.»

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Presidenciais (34)

por Pedro Correia, em 24.01.16

1. Não haverá segunda volta. O País é poupado a três semanas extra de campanha que se destinariam apenas a ampliar a vitória hoje conseguida por Marcelo Rebelo de Sousa, com 52% dos sufrágios. Vencendo em todos os distritos do País.

 

2. Nenhum partido pode reclamar este triunfo. É um capital político de Marcelo, pessoal e intransmissível. Ele fará desse capital o que entender. E não vai desperdiçá-lo, estou certo disso.

 

3. Não havendo partido vencedor neste escrutínio, há um partido claramente derrotado. O PS de António Costa, que perdeu por falta de comparência - algo inédito em 40 anos de vida democrática. A ausência de clareza paga-se cara.

 

4. Sem candidato oficial, os socialistas tiveram no entanto um candidato oficioso. Que contou com parte do aparelho do partido, o apoio do presidente do PS e cinco ministros em comícios (Adalberto Campos Fernandes, Augusto Santos Silva, Capoulas Santos, Eduardo Cabrita e Vieira da Silva). Tanto aparato para nada.

 

5. Sampaio da Nóvoa candidatou-se para "unir a esquerda". Não só não a uniu como conseguiu dividir as hostes socialistas. Com 22,9%, rejeitado por mais de três quartos dos eleitores, é um dos derrotados da noite. Recolheu menos de metade dos votos obtidos por Marcelo.

 

6. Maria de Belém protagonizou uma campanha que merece figurar em futuros manuais como exemplo de tudo quanto não se deve fazer: errante, desconexa, sem força anímica nem fio condutor. Obteve apenas 4,2% dos votos: sai humilhada das urnas.

 

7. Nunca o PCP, em nome próprio ou por interposta figura, teve tão pouca expressão eleitoral: Edgar Silva, sem chama nem carisma, quedou-se nos 4% - pouco acima do Tino de Rans, que chegou aos 3,3%. Prova de que as personalidades contam, até num partido colectivista.

 

8. Marisa Matias é, após Marcelo, a segunda vencedora da noite. Fez uma boa campanha, sem chavões, usando uma linguagem que todos entenderam. Confirma a importância crescente das mulheres na política portuguesa. E, com 10,1%, alarga a influência social do Bloco.

 

9. Algumas luminárias, sempre desconfiadas da capacidade de julgamento dos eleitores, receavam um crescimento das forças populistas. Não havia motivo para tanto receio. Os portugueses não votam às cegas. E sabem distinguir o trigo do joio.

 

10. Estas presidenciais terão consequências inevitáveis na base de apoio do Governo. Os comunistas, que em três meses ficam pela segunda vez atrás do BE nas urnas, farão a partir de agora um esforço acrescido de autonomia. Para evitarem pagar um preço eleitoral futuro ainda maior que os conduza à irrelevância actual dos partidos irmãos em França ou Espanha, reduzidos a escombros. Costa que se acautele.

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Frases de 2016 (11)

por Pedro Correia, em 24.01.16

«É o povo quem mais ordena e foi o povo que me quis.»

Marcelo Rebelo de Sousa, há pouco, no discurso da vitória eleitoral

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Presidenciais (33)

por Pedro Correia, em 22.01.16

Os adversários abriram a Marcelo Rebelo de Sousa uma auto-estrada rumo ao Palácio de Belém.

Primeiro os adversários internos: mesmo promovidos pela imprensa amiga, durante meses a fio, nenhum deles saiu da sombra.

Depois, os da "verdadeira direita", seja lá o que isso for: ei-los adormecidos à sombra da bananeira enquanto ruminam um ódio antigo ao candidato "bacteriologicamente impuro" em quem fatalmente votarão.

A seguir, o PS: a estratégia suicida dos socialistas foi o condimento que faltava para a vitória anunciada do ex-presidente do PSD nesta eleição presidencial.

E desta vez Marcelo nem precisou de mergulhar no Tejo. Seria mais fácil, aliás, vermos Sampaio da Nóvoa a praticar tal gesto.

Pouco mais lhe resta senão isso.

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Declaração de voto

por Tiago Mota Saraiva, em 22.01.16


O nosso futuro próximo não é um mar de rosas. A pressão dos directórios europeus já nos fez pagar o BANIF e prepara uma batalha de imposição do seu orçamento cujas consequências ainda são difíceis de prever. O futuro Presidente da República fará sempre parte dessa batalha, seja seguindo a estratégia de quem manda na UE, seja na defesa do direito soberano de ser o país, e o seu povo, a decidir as suas principais opções estratégicas.
Depois deste período de campanha não me parece haver grandes dúvidas que dos dez candidatos, apenas três, escolhem a segunda opção: Sampaio da Nóvoa, Marisa Matias e Edgar Silva. Os outros sete ou não têm consciência desta dicotomia ou são ideologicamente afectos às escolhas dos mercados e das famílias políticas que mandam na UE.
Com os dados que temos das sondagens permito-me concluir duas coisas. Em primeiro lugar, Marcelo Rebelo de Sousa não aparece tão destacado que possamos dar como garantida a sua eleição à primeira volta. Curiosamente, os resultados de Marcelo nas sondagens são muito similares aos de Cavaco antes das eleições de 2006 e 2011 (em que obteve respectivamente 50,54% e 52,95%) - será interessante analisar, posteriormente, se o eleitorado de Marcelo não é praticamente o mesmo que o de Cavaco. Por outro lado, com o colapso de Maria de Belém, não parece haver grandes dúvidas que, a haver segunda volta, está será disputada entre Marcelo e Nóvoa.
Sendo assim o meu voto em Edgar Silva é óbvio e combativo. Além de ser do meu campo político, Edgar defende uma ideia para o país e para a presidência da república que é a que me está mais próxima.
Contudo o resultado de Edgar Silva nesta primeira volta pode vir a ter outra leitura. Apesar de haver diferenças entre eleições e de nas presidenciais se votar em pessoas, um resultado entre os 2-3%, como lhe é atribuído nas sondagens, penalizará o PCP. A escolha corajosa de levar a candidatura até ao fim - teria sido mais fácil se tivesse apoiado outra candidatura, mas correr-se-ia o risco de desmobilizar algum eleitorado, o que só beneficiaria Marcelo - poderá ter o reverso da medalha num momento difícil para a intervenção política do partido. Se Edgar Silva mantiver ou superar o eleitorado que tradicionalmente vota no candidato apresentado pelo PCP será um novo tónico na intervenção do partido e, sobretudo, nas batalhas que, a cada dia, terá de travar na Assembleia da República.

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Presidenciais (32)

por Pedro Correia, em 22.01.16

Em recente entrevista à SIC Notícias, o primeiro-ministro disse abertamente que não teria tomado a iniciativa de promover o chamado "acordo ortográfico" e lembrou que a ortografia continua a não ser aplicada de modo uniforme pelos países de língua oficial portuguesa, o que aliás basta para anular o suposto mérito do dito (des)acordo.

António Costa é outro resignado - como tinha sido Passos Coelho antes dele. Discorda, mas acha que não deve mexer-se naquilo porque já está. Não dá um passo para defender o que não merece defesa.

 

É, de resto, cada vez mais difícil encontrar algum entusiasta da escrita acordística, como ficou bem patente nesta campanha presidencial. Vários candidatos em liça são declaramente contra o (des)acordo. Basta ler os textos programáticos que divulgaram para perceber isso. Edgar Silva, Henrique Neto, Marisa MatiasPaulo de MoraisSampaio da Nóvoa utilizam a grafia pré-acordística sem rodeios nem complexos. Tal como sucede no site eleitoral de Maria de Belém.

Nas próprias declarações públicas proferidas antes ou durante a campanha ficou bem patente a distância que diversos protagonistas desta corrida presidencial mantêm face às normas contidas no Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (AO90).

 

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"A minha posição é contrária ao novo acordo por considerar que a questão não foi suficientemente discutida na sociedade portuguesa, mas também nos órgãos de poder", afirma Henrique Neto.

"Sou contra. Acho que a língua não muda por decreto. É por isso que continuo a escrever sem as normas do acordo", considera Marisa Matias.

"Sou claramente contra. A língua é que se deve impor às normas e não o contrário. É uma matéria sobre a qual o Parlamento tem de se pronunciar rapidamente e se houver necessidade faz-se um referendo", observa Paulo de Morais.

"Conhecidas que são opiniões divergentes e as reticências de alguns países na sua aplicação, não pode deixar de ser ponderada a necessidade de alterações profundas no processo de elaboração e dos conteúdos do AO90 ou mesmo uma eventual desvinculação de Portugal", conclui Edgar Silva.

"[O acordo] deve ser reavaliado com muita determinação", sustenta Sampaio da Nóvoa.

"Tem de ser feita uma reavaliação do AOLP", defende Maria de Belém.

 

Mesmo Marcelo Rebelo de Sousa, único candidato que revela alguma simpatia pela grafia pseudo-unificada, confessou: "Ainda escrevo como escrevi toda a vida. Não vou mudar."

Chega e sobra para avaliar o grau de popularidade do dito "acordo": quase ninguém consegue vislumbrar a menor vantagem na sua aplicação. Não fosse este um país onde por sistema se pensa uma coisa e se pratica outra, já há muito o AO90 tinha sido revisto ou revogado.

 

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