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"Nada é casual"

por Pedro Correia, em 20.12.15

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«Nesta centena e meia de páginas nada é casual, porque o autor conhece o meio e as "personalidades" por dentro e por fora. Como é o caso de Pacheco Pereira, Manuel Alegre ou Jaime Gama. Por isso, quando escreve os seus verbetes, serão raras as afirmações biográficas gratuitas.»

 

«O modelo utilizado por Pedro Correia é divertido, mas principalmente é inventivo. Porque faz um crivo imediato dos já referidos prós e contras, separando o trigo do joio.»

 

«Eleger o melhor verbete será fácil? Não, porque o modo como foram elaborados não é coisa de principiante. O de Francisco Louçã é um sério candidato.»

 

João Céu e Silva, "Guia com todas as opções em aberto para sonhar com outros presidenciáveis" (ontem, no Diário de Notícias)

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Do blogue para as estantes

por Pedro Correia, em 19.11.15

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Do blogue para as estantes. A minha série Presidenciáveis, que mantive no DELITO DE OPINIÃO entre Fevereiro e Junho deste ano, está compilada em livro a partir de hoje disponível aos leitores. Com chancela editorial da Topbooks.

O lançamento será muito em breve. Irei dando notícias por aqui.

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Presidenciáveis (epílogo)

por Pedro Correia, em 17.06.15

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Quatro meses depois, chegou ao fim a minha série Presidenciáveis.

A avaliar pelas reacções registadas, julgo que obteve interesse junto dos leitores, mesmo quando discordavam por completo das escolhas: se as minhas contas não falham, os 70 nomes que aqui foram desfilando desde Fevereiro totalizaram 1346 comentários.

Em jeito de balanço, reúno agora todos os "presidenciáveis" que foram passando pelo DELITO DE OPINIÃO, por ordem decrescente de comentários suscitados. O que pode constituir um índice de popularidade - ou talvez não.

44 comentários - Vítor Constâncio

42 comentários - António Barreto, Ana Gomes

40 comentários - Henrique Neto, Nicolau Breyner

38 comentários - Henrique Medina Carreira

36 comentários - Boaventura de Sousa Santos

34 comentários - Jaime Gama

32 comentários - Maria José Morgado

30 comentários - Manuel Alegre, José Pacheco Pereira

28 comentários - Manuel Monteiro

26 comentários - Marcelo Rebelo de Sousa, João Bosco Mota Amaral, Paulo de Morais, Carlos César, Daniel Proença de Carvalho, Isabel Jonet

24 comentários - Manuel Carvalho da Silva, António Guterres, Luís Figo

22 comentários - Leonor Beleza, Carlos Carvalhas, Vital Moreira, Manuela Ferreira Leite

20 comentários - Francisco Pinto Balsemão, António Marinho Pinto, João Cravinho, Rui Moreira, Mário Nogueira, Fernando Ruas

18 comentários - Vasco Lourenço, José Gomes Ferreira, José Manuel Durão Barroso

16 comentários - Rui Rio, António Bagão Félix, João Lobo Antunes, Fernando Rosas, Alexandre Soares dos Santos, Francisco Louçã, José Eduardo Moniz

14 comentários - António Vitorino, António Sampaio da Nóvoa, António Garcia Pereira, João Soares, Lídia Jorge.

12 comentários - Guilherme d' Oliveira Martins, Diogo Freitas do Amaral, Fernando Nobre, Luís Amado, Eduardo Barroso, António Capucho, Paulo Rangel, Helena Roseta, José Mourinho

10 comentários - Pedro Santana Lopes, Alberto João Jardim, Carlos Monjardino, Assunção Esteves, José Ribeiro e Castro, José Silva Peneda, Ana Drago, Fernando Ulrich, Miguel Sousa Tavares, Álvaro Laborinho Lúcio

8 comentários - António Lobo Xavier

6 comentários - Belmiro de Azevedo, Maria de Belém Roseira, José Miguel Júdice

4 comentários - João Proença

 

Em "gostos" no Facebook, estes foram os mais votados:

Maria José Morgado (50)

Fernando Ruas (30)

João Proença (24)

José Pacheco Pereira (21)

Paulo de Morais (18)

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Presidenciáveis (70)

por Pedro Correia, em 16.06.15

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José Mourinho

 

Ganhar só no futebol, a partir de certa altura, deve ser profundamente desmotivador para alguém como José Mário dos Santos Mourinho Félix. Habituado às vitórias dentro das quatro linhas de todas as equipas que tem treinado e também a derrotar os adversários por palavras em conferências de imprensa, o mais célebre treinador do nosso tempo sagrou-se oito vezes campeão em quatro países diferentes (Portugal, Itália, Espanha, Inglaterra), conquistou duas Ligas dos Campeões Europeus (pelo FC Porto e pelo Inter) e foi agraciado em 2010 pela FIFA com o título de melhor técnico mundial.

Talvez chegue mais cedo do que se pensa o dia em que, cansado de somar títulos desportivos, acabe por perseguir outros desígnios. Que também exijam estratégia vencedora, instinto predador, muitos jogos mentais e capacidade de condução de homens - características em que este aquariano de 52 anos se tem destacado com nota máxima.

Com inúmeros admiradores em todos os continentes e uma implacável legião de inimigos fiéis que constitui o maior atestado da sua competência, Mourinho gostaria certamente de marcar pontos também no campeonato da política. E nenhum seria tão apropriado para ele como uma eleição presidencial.

Um bom candidato deve ser "raposa para reconhecer as armadilhas e leão para afugentar os lobos", prevenia Maquiavel, autor de cabeceira deste setubalense que acaba de levar o Chelsea pela terceira vez à conquista do título inglês, confirmando o que dissera na primeira conferência de imprensa que deu naquele clube, em 2004: "Eu sou especial" (special one). Um rótulo que perdura.

Filho de guarda-redes, aprendeu desde menino a valorizar uma boa organização defensiva como condição indispensável aos triunfos.

Por cá, com a clarividência habitual, nem Benfica nem Sporting o quiseram nas suas fileiras: foi no Porto que o seu talento enfim explodiu aos olhos de toda a Europa do futebol.

Divide as águas? Seguramente: nenhum verdadeiro líder gera unanimidades. Nem ele as procura. De Cristiano Ronaldo, seu alvo de estimação, chegou a dizer que "o verdadeiro Ronaldo é o brasileiro".

Mas ninguém como ele consegue unir quem está sob o seu comando, fazendo-se obedecer na mobilização contra o inimigo. E quando não existe inimigo inventa-se um: reais ou imaginários, nenhum deles fica sem resposta.

Dizia o técnico do Arsenal, Arsène Wenger, que o futebol praticado pelas equipas de Mourinho é "chato". Resposta pronta do visado: "Chato é estar dez anos sem vencer." Wenger calou-se: a farpa atingiu-o em cheio.

Acreditem: com ele em Belém, a Presidência da República seria tudo menos uma instituição entediante. 

 

Prós - Pouparíamos muito dinheiro em campanhas promocionais do País: José Mourinho é um dos raros portugueses reconhecidos em todo o mundo. Um Mourinho na suprema magistratura da nação reforçaria os nossos laços com os países islâmicos. Poderia convidar Cristiano Ronaldo a trabalhar com ele, fiel à máxima de Don Vito Corleone: os amigos devem estar perto e os inimigos mais perto ainda.

 

Contras - Israel retiraria o seu embaixador de Lisboa: os judeus detestam mourinhos. No calor de um debate presidencial, poderia enfiar o dedo no olho de um adversário, como fez ao ex-técnico do Barcelona Tito Vilanova quando treinava o Real Madrid. A esfera armilar na bandeira nacional daria lugar a uma bola de futebol.

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Presidenciáveis (69)

por Pedro Correia, em 15.06.15

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Álvaro Laborinho Lúcio

 

Há quem defenda que uma futura IV República em Portugal devia ser uma república de magistrados. E, nessa hipótese, um nome gera largo consenso: Álvaro José Brilhante Laborinho Lúcio.

Fez de tudo um pouco no mundo da justiça: em começo de carreira foi procurador em comarcas do interior do País; depois seguiu durante algum tempo a magistratura judicial; regressou ao Ministério Público, como procurador na Relação de Coimbra; chegou a procurador-geral adjunto. Viria a jubilar-se como juiz conselheiro do Supremo Tribunal após ter sido secretário de Estado da Administração Judiciária (1990-91), ministro da Justiça (1991-95), deputado do PSD (1995-96) e ministro da República para a Região Autónoma dos Açores (2003-06). Também dirigiu a Escola da Polícia Judiciária e o Centro de Estudos Judiciários.

Faltou-lhe ter sido Procurador-Geral da República: esteve quase a ser indigitado. Mas este sagitariano de 73 anos já tinha avisado: não exerceria tais funções após ter tutelado a pasta governamental da Justiça. Há que saber separar as águas.

Hoje, com mais tempo disponível, tem assento no Conselho Superior da Magistratura e mantém uma discreta presença no espaço mediático. Em 2014 estreou-se na ficção literária com o livro O Chamador. Será prenúncio de que alguém o chamará em desafio para uma candidatura presidencial?

Quem o conhece não lhe regateia elogios: inteligente, ponderado, culto, sabe ouvir, é diplomata por instinto e vocação. Pose austera e serena, discurso fluente e currículo não lhe faltam. Num cenário desses, também não lhe faltariam apoios. Nem tripulação: bastaria este nativo da Nazaré querer aparelhar o barco.

 

Prós - A sua experiência em comarcas diversas do País ajudá-lo-ia a exercer "magistratura de influência" como Chefe do Estado. Atrairia votos de vários quadrantes - incluindo dos comunistas, que gostariam de ver um Álvaro em Belém. Há sempre muito de lúcido no apelido Lúcio.

 

Contras - No fechado mundo da corporação judicial há quem o conteste por ter acedido ao Supremo sem ser juiz de carreira. Não se livra da fama de ser um "homem do Presidente" ainda em funções, a quem sempre manifestou lealdade. Os complexos desafios de Belém exigem trabalho árduo e não apenas Laborinho.

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Presidenciáveis (68)

por Pedro Correia, em 12.06.15

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Lídia Jorge

 

Há tradições que não deviam perder-se. Ter Presidentes-escritores é uma delas. A tradição foi inaugurada, logo após o 5 de Outubro, por Manuel de Arriaga e Teófilo Braga - conhecidos literatos, contemporâneos de Eça de Queirós. Prolongou-se com outro inquilino de Belém, Manuel Teixeira Gomes, autor de umas Novelas Eróticas ainda hoje nada despidas de polémica.

Em 2006 e 2011 Manuel Alegre procurou restaurar esta tradição, mas os eleitores determinaram que ele não assinasse o Livro de Actas do Palácio de Belém. Entretanto houve escritores-deputados, como o próprio Alegre, Sophia de Mello Breyner Andresen e Natália Correia.

Nada surpreendente, esta atracção dos escritores pela política: André Malraux e Jorge Semprún ocuparam pastas ministeriais da Cultura em França e Espanha, Jorge Amado foi deputado estadual no Brasil, Rafael Alberti exerceu igualmente a função parlamentar nas Cortes em Madrid quando ali foi restabelecida a democracia, e Vargas Llosa candidatou-se à Presidência da República no Peru.

Entre nós, falta transpor para a política o prestígio social de que os escritores geralmente gozam mesmo nesta era de inflação de títulos literários. Lídia Jorge - signo Gémeos, de 68 anos e algarvia como Teixeira Gomes - seria um nome certamente bem acolhido como candidata presidencial. Alguém que nos pusesse a par de países como Malta, Finlândia, Irlanda, Lituânia, Islândia e Letónia: qualquer deles já se antecipou a Portugal atribuindo à chefia do Estado o seu genuíno género, que é o feminino.

Lídia Jorge, que em 2015 assinala 35 anos de vida literária, tem assumido posições de carácter cívico e político bem conhecidas, próximas do PS. Escreveu Os Memoráveis, que alguns consideram o melhor romance português alusivo ao 25 de Abril. Tem cultura, experiência, talento - e saberia, talvez até mais do que alguns antecessores em Belém, interpretar correctamente o preceito constitucional que propicia a intervenção presidencial quando está em causa o "regular funcionamento das instituições".

O que lhe falta? Talvez só vontade para inaugurar esse Dia dos Prodígios que seria o da representação feminina no posto de comando da República Portuguesa.

 

Prós - Seria um contraste salutar ver a gritaria habitual na política portuguesa transformada numa Costa dos Murmúrios. O facto de ter sido galardoada com o Prémio D. Dinis, pelo seu romance O Vale da Paixão, contribuiria para captar votos monárquicos. Analistas políticos e exegetas literários, após prolongada investigação, considerariam premonitórios desta candidatura os famosos versos de Ricardo Reis: "Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio."

 

Contras - É conterrânea de Cavaco Silva: talvez os portugueses já estejam fartos de ver naturais de Boliqueime em Belém. Os minhotos protestariam contra esta discriminação sulista: o último (e único) Presidente oriundo do Minho foi Sidónio Pais, assassinado em 1918. (E)leitores adeptos de outras correntes literárias poderiam lançar, em alternativa, as candidaturas de Mafalda Ivo Cruz, Rita Ferro ou Adília Lopes.

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Presidenciáveis (67)

por Pedro Correia, em 11.06.15

 

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José Miguel Júdice

 

Há pessoas que parecem nunca estar exactamente no mesmo sítio. E outras a quem tudo parece sempre acontecer cedo de mais.

E há quem acumule estas duas características. É o caso de José Miguel Júdice. Antes de chegar aos 30 anos já militara na extrema-direita universitária antes do 25 de Abril, fora preso no 28 de Setembro de 1974 por ligações ao Movimento Federalista Português, estivera ligado ao MDLP de Spínola no Verão Quente de 1975, trabalhara como assistente na Faculdade de Direito de Coimbra, iniciara uma promissora carreira como advogado e estreara-se como "analista político" em concorrência directa com Marcelo Rebelo de Sousa.

Após décadas com o País a "viver habitualmente", segundo a definição de Salazar, a geração de jovens a que Júdice pertenceu quis viver rapidamente. A história acelerava e eles aceleravam ao mesmo ritmo. Muitos deles acabaram por percorrer trilhos muito diversos daqueles que idealizaram.

Houve uma altura em que este nativo de signo Leão, hoje com 65 anos, se limitava a comentar notícias. Depois, nos idos da década de 80, tornou-se ele próprio notícia. Filiado em 1981 no PSD, liderou a Distrital de Lisboa dos sociais-democratas e engrossou a corrente Nova Esperança - com Marcelo, Santana Lopes e Durão Barroso - que preparou a tomada do poder por Cavaco Silva.

Podia ter sido ministro: não chegou lá. Em 2006, coroando uma ruptura muito anterior, desfiliava-se do PSD. No ano seguinte seria mandatário da candidatura socialista de António Costa em Lisboa. Num ritmo que tinha tanto de frenético como de errante.

Acabou por destacar-se não na política mas na advocacia, como sócio de um dos mais prósperos e prestigiados escritórios lisboetas: a PLMJ, fundada em 1967 por António Maria Pereira (que Júdice conheceu na prisão após o 28 de Setembro de 1974) e Luís Sáragga Leal.

Mário Soares e Jorge Sampaio, advogados, foram Presidentes da República. Ambicionaria Júdice coroar mais de quatro dezenas de anos na vida pública com uma candidatura a Belém? É verdade que foi desperdiçando apoios pelo caminho. Mas também não lhe custaria obter outros, com a destreza de movimentos e a flexibilidade táctica que sempre demonstrou. Flectindo do extremo para o centro e rematando à vontade com os dois pés. Como um ás da bola. Só precisa que alguém lha passe.

 

Prós - A barba que sempre usou volta a estar na moda: em Espanha, por exemplo, é adoptada por políticos tão diversos como o Rei Filipe VI, o primeiro-ministro Mariano Rajoy e o líder do Podemos, Pablo Iglesias. A PLMJ, hoje com 350 advogados, 47 sócios e cem colaboradores, poderia funcionar como um eficiente centro de operações eleitorais. Ter sido bastonário da Ordem dos Advogados (entre 2002 e 2004) rende-lhe apoios junto de todos quantos pensam que isto só lá vai com umas bastonadas.

 

Contras - Bastaria chamar-se José Pedro em vez de José Miguel para ter muito mais probabilidades de atrair o voto liberal: o único Miguel que chefiou o Estado português foi também o nosso último rei absolutista - que os liberais baniram do País em 1834 e acabou por morrer no exílio em 1866. Ser proprietário da Quinta das Lágrimas - que pertence à sua família desde o século XVIII - não lhe assegura popularidade entre todos quantos se habituaram durante anos a sintonizar a Praça da Alegria. Já confessou numa entrevista "não ter feitio para ser político": nada pode causar tão boa impressão entre os eleitores como uma frase destas.

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Presidenciáveis (66)

por Pedro Correia, em 10.06.15

 

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José Pacheco Pereira

 

Transporta a esquerda nos genes embora já tenha sido um dos homens mais odiados pela esquerda em Portugal, nos tempos do cavaquismo puro e duro, em que chegou a liderar a Distrital de Lisboa do PSD e o grupo parlamentar social-democrata. Envolveu-se em contínuas polémicas tendo por frequente alvo os órgãos de informação que nunca deixaram de dar espaço e tempo aos textos e à voz deste portuense de 66 anos, signo Capricórnio.

Perdidas em 2010 as eleições internas no PSD, onde era o estratego de Manuela Ferreira Leite, passou a ter o novo líder laranja, Passos Coelho, em ponto de mira. Num crescendo de intensidade que o tornou no mais persistente opositor ao Governo na Quadratura do Círculo. Com idêntico vigor ao que utilizara no apoio à intervenção americana no Iraque, em 2003, para derrubar Saddam Hussein.

Apesar de ocasionais incursões noutras áreas, como a ficção científica, é incapaz de pensar fora dos parâmetros totalizantes da política. A própria biografia "não autorizada" de Álvaro Cunhal, de que é autor, surge com a advertência ao leitor que vem expurgada de tudo quanto não seja político. Tarefa complexa, pois o mundo do ex-líder do PCP começava e terminava na política. Como o mundo de José Álvaro Machado Pacheco Pereira.

Candidato presidencial? Porque não, se a política é a grande paixão da sua vida? Apoios partidários? Não precisa. Estariam com ele muitos dos que já o detestaram. E quem hoje o detesta também lhe faria propaganda, actualizando o mote de Oscar Wilde: «Falem de mim, mesmo que seja para dizer mal.»

 

Prós - A barba patriarcal assenta-lhe bem, tal como a estudada indumentária casual chic, apropriada às mais diversas circunstâncias. Tem um discurso muito articulado, embora de geometria variável, consoante adesões e aversões de ocasião. Fala e escreve em três grupos editoriais concorrentes: isso facilita-lhe o eco na comunicação social que ele sempre vergastou. Mário Soares, um velho amigo, seria capaz de votar nele. E Sampaio da Nóvoa - por sugestão de Soares - também.

 

Contras - Ser treinador de bancada é tarefa muito menos espinhosa do que ir a votos, como Pacheco bem sabe: foi candidato à câmara de Loures, em 1989, e perdeu. Mal com a extrema-esquerda por amor à esquerda reformista, mal com esta por amor ao liberalismo, mal com o PSD de Passos por amor ao PSD de Manuela, mal com a "Europa financeira" por amor à "Europa social": foi dinamitando demasiadas pontes para permanecer sem cicatrizes dos estilhaços que causou.

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Presidenciáveis (65)

por Pedro Correia, em 09.06.15

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Helena Roseta

 

Já demonstrou disponibilidade para avançar, mas está consciente de que uma campanha eleitoral custa dinheiro. E de campanhas sabe ela: já fez muitas, desde o início da democracia. Primeiro pelo PSD: foi deputada à Assembleia Constituinte e participou nas legislaturas iniciais, sempre na linha da frente da bancada parlamentar laranja. Esteve com Sá Carneiro até ao fim, liderou a Distrital de Lisboa do partido, chegou a ser conotada com a ala mais à direita dos sociais-democratas, mas viria a romper pela esquerda ao apoiar a candidatura presidencial de Mário Soares, contrariando as indicações de Cavaco Silva, que optou por Freitas do Amaral.

Basta lembrar que Freitas foi o candidato da direita nesse escrutínio de 1986 para se perceber como Portugal estava então muito mais à esquerda do que hoje. Era um país em que a banca comercial permanecia estatizada, a Constituição impunha que as nacionalizações eram "irreversíveis", quase todos os jornais pertenciam ao Estado e a televisão privada não passava de utopia.

Nesse país muito diferente do actual, esta arquitecta de signo Capricórnio viria a navegar às avessas, aderindo ao PS. Filiou-se em 1991 e viria a ser conotada com a ala mais à esquerda dos socialistas. Mas também não ficou lá muito tempo.

Helena Roseta desencantou-se com os partidos, não com a política. Rompendo com o PS, apoiou a candidatura rebelde de Manuel Alegre a Belém (2006) que surpreendeu os "analistas" sempre distraídos ao atingir o segundo lugar nessa eleição. Aproveitando o balanço, formou ela própria uma lista independente à câmara alfacinha, em 2007, sob a sigla Cidadãos por Lisboa. Tornou-se vereadora e hoje, aos 67 anos, é presidente da Assembleia Municipal.

Começou muito nova a interessar-se pela política, nos meios católicos da oposição ao salazarismo. Meio século depois continua tão envolvida como dantes na vida pública, mas numa fase pós-partidos. E teima em aumentar a participação feminina nos cargos dirigentes portugueses. Conseguirá meios para a campanha rumo a Belém? Já se percebeu que vontade não lhe falta.

 

Prós - Nasceu no mesmo ano de Hillary Clinton, que já anunciou a candidatura à Casa Branca em 2016. Mantém o c na palavra arquitecta, sem operações estéticas: correcta opção ortográfica de quem presidiu à Ordem dos Arquitectos entre 2002 e 2007. Pertenceu à geração dos cabouqueiros da democracia portuguesa, que andou a colar cartazes em todo o País e a levar pancada nos comícios: falta prestar a devida homenagem a esta geração.

 

Contras - Teve uma experiência mal-sucedida como presidente da Câmara de Cascais, na década de 80. Contaria com a oposição da esmagadora maioria dos taxistas lisboetas: é uma fervorosa adepta das ciclovias. Transitar da direita à esquerda contraria o paradigma enunciado pelo ex-chanceler alemão Willy Brandt: um esquerdista muito activo aos 20 anos será um convicto social-democrata a partir dos 40.

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Presidenciáveis (64)

por Pedro Correia, em 08.06.15

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Miguel Sousa Tavares

 

Estreou-se no jornalismo num periódico onde se fazia mais política do que informação. E ficou vacinado: através dos anos assumiu-se como um comentador isento de clubite política, embora não de paixão por causas públicas nem de clubite futebolística, que aliás pratica sem camuflagens. É tripeiro de berço e de afición desportiva, sem esconder uma incomensurável aversão pelos rivais históricos do FC Porto.

Ao lê-lo na imprensa ou escutá-lo na televisão, detectam-se bem os seus amores e ódios. Gosta de viajar, ler, caçar, comer: ele e Ernest Hemingway teriam sido compinchas. Gosta de futebol e de acelerar na estrada. Detesta coisas tão diversas como a regionalização, a lei do tabaco, os atentados urbanísticos no litoral português, a privatização da TAP e o "acordo ortográfico".

Miguel Andresen de Sousa Tavares demarca-se da larga maioria dos políticos apesar de os ter conhecido quase todos, por via profissional ou em casa dos pais - Sophia de Mello Breyner Andresen e Francisco de Sousa Tavares. Ela poetisa, ele advogado. De ambos herdou o impulso para a escrita: de rara sensibilidade e virtuosismo estético, no caso dela; de uma combatividade tenaz e truculenta, no caso dele.

Dos pais herdou também o apego à liberdade e o imperativo da mobilização cívica - através da palavra e do exemplo. Oriundos das fileiras católicas, foram ambos pertinazes opositores à ditadura. Sophia integrou a bancada socialista na Assembleia Constituinte (1975-76). Francisco distinguiu-se como deputado independente eleito nas listas da Aliança Democrática, de Sá Carneiro, antes de ser ministro da Qualidade de Vida no executivo do bloco central.

Comentador respeitado, mesmo por aqueles que discordam dele, este nativo de Caranguejo - prestes a completar 63 anos - poderá renunciar à condição de treinador de bancada e deixar-se enfim seduzir pelo palco político numa corrida presidencial?

Talvez resmungue perante tal hipótese, talvez até a considere absurda. Mas se souberem convencê-lo com as palavras certas e as circunstâncias assim determinarem, ainda é capaz de mudar de ideias. E tornar seu lema, em tal contexto, estes belos versos de sua mãe: "Pudesse eu não ter laços nem limites / Oh vida de mil faces transbordantes / P'ra poder responder aos teus convites / Suspensos na surpresa dos instantes." 

 

Prós- A presença em Belém deste opositor à construção de um terminal de contentores que corte o horizonte visual do Tejo dar-nos-ia a certeza de termos um Presidente com vocação para ver navios. Anti-acordista convicto, jamais confundiria um acto presidencial com a primeira pessoa do presente do indicativo do verbo atar. A deputada centrista Teresa Caeiro, com quem está casado, seria uma esplendorosa Primeira Dama.

 

Contras - Transformaria todo o Palácio de Belém em espaço aberto a fumadores, contrariando as normas da Organização Mundial de Saúde. Os republicanos mais ferrenhos, ao vê-lo vibrar tanto com as camisolas azuis e brancas, suspeitariam que há nele inclinações monárquicas. A Tapada das Necessidades voltaria a ser zona de caça para dar largas às inclinações cinegéticas do Chefe do Estado, motivando-lhe críticas duríssimas do Partido dos Animais: até pessoa lhe chamariam.

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Presidenciáveis (63)

por Pedro Correia, em 05.06.15

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Isabel Jonet

 

Muitos dos que em Janeiro de 2015 andaram a bater no peito gritando "Je suis Charlie" figuram na primeira linha do apedrejamento público quando está em causa a liberdade de expressão. Basta percorrer as redes sociais para se detectar o fenómeno: as palavras carregadas de azedume e ódio a quem parece pensar de maneira diferente surgem num galope incessante. Estas ondas de intolerância alimentadas pelas novas tecnologias vão e vêm, em cadências regulares, como água do mar a bater na praia. Geram picos de emoção e fúria que logo se transferem para novos alvos.

Uma dessas polémicas ocorreu entre nós em 2012, a propósito de um debate televisivo que teve como protagonista Isabel Jonet. A presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, criado em 1991, disse algo que, recordado à distância, parece mera expressão do senso comum: "Estamos a empobrecer porque vivíamos acima das nossas possibilidades. Os portugueses têm de reaprender a viver mais pobres."

Chamaram de tudo a esta aquariana de 55 anos que exerce o voluntariado há cerca de um quarto de século e hoje é presidente da Federação Europeia dos Bancos Alimentares. Foi alvo de chacota com pinceladas misóginas e houve até uma petição pública na internet para a sua destituição. Alguns dos que viriam a ser "Charlies" gabaram-se então de nunca terem contribuído para o Banco Alimentar, que auxilia mais de 400 mil pessoas carenciadas e mantém como lema "aproveitar onde sobra para distribuir onde falta". Só o bom senso parece mais difícil de distribuir...

A petição - rapidamente esquecida - recolheu 5422 assinaturas, tendo sido superada por outra em defesa de Isabel Jonet, que congregou 7038 signatários.

E se a curto prazo, aproveitando tamanha febre peticionária, houvesse uma petição destinada a lançar esta economista numa candidatura presidencial para pôr fim ao monopólio masculino da função?

 

Prós - O Banco Nacional Contra a Fome, com ela à frente, obteve em 2005 o Prémio dos Direitos Humanos da Assembleia da República, votado por unanimidade. Quem é capaz de mobilizar mais de 42 mil voluntários em duas mil lojas, numa rede de 2665 instituições de solidariedade, também é capaz de atrair votos. Em 2012 recebeu uma tremenda vaia no congresso do Bloco de Esquerda, semelhante às que os árbitros costumam escutar nos estádios, o que parece habilitá-la para Belém: afinal o Presidente da República não é o supremo árbitro do sistema?

 

Contras - José Barata Moura gravaria uma nova versão do seu velho disco Vamos Brincar à Caridadezinha, com efeitos virais garantidos no espaço virtual. Os produtores de gado bovino fariam campanha declarada contra quem se atreveu a dizer que "se não temos dinheiro para comer bifes todos os dias não podemos comer bifes todos os dias". Alguns, entre duas garfadas, lançariam uma petição para extinguir o Banco Alimentar, alegando que só existe para "perpetuar a fome", enquanto outros, mais radicais ainda, lançariam outra petição para acabar com todas as petições. 

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Presidenciáveis (62)

por Pedro Correia, em 04.06.15

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José Manuel Durão Barroso

 

Alguns políticos contemporâneos assemelham-se a certas donzelas do romantismo literário: vão dizendo não para se tornarem mais apetecíveis no momento em que finalmente pronunciam a palavra sim.

José Manuel Durão Barroso, que já bebeu nos ensinamentos de Lenine, conhece bem a importância do passo dado atrás como prelúdio dos dois passos que logo se dão em frente no momento mais propício. Político de sucesso, nestes dias oscilantes, é político de geometria variável - como ele, aliás, deu abundantes provas em Lisboa e Bruxelas. Primeiro na hábil ascensão ao posto de ministro dos Negócios Estrangeiros num executivo de Cavaco Silva. Depois ao liderar uma coligação com o CDS de Paulo Portas após uma campanha eleitoral caracterizada por nada amáveis trocas de galhardetes. Em seguida, ao largar uma legislatura a meio, rumando à Comissão Europeia e deixando o País entregue a Santana Lopes, que nem era do Governo nem se tinha submetido a votos. Enfim, ao tornar a capital da União Europeia numa espécie de subúrbio de Berlim: esta foi a peculiar forma que escolheu, adaptando-a a um conceito muito sui generis de realismo político, de dar largas na idade adulta ao inflamado internacionalismo da sua juventude.

Figura reconhecida além-fronteiras, este nativo de signo Carneiro tornou-se aos 59 anos naquilo que o jornalismo português mais enaltece: uma "reserva da nação". Ao demarcar-se da corrida a Belém livrou-se desde logo do involuntário protagonismo nas charlas dominicais de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI, que vinha insistindo nele como "candidato natural da direita" para o desgastar com requinte florentino.

Bastou-lhe dizer que não seria candidato a Belém: em política as fórmulas mais simples são sempre as mais eficazes. Tê-lo-á feito com reserva mental? Só o destino poderá desvendar a resposta. Por enquanto libertou-se do fatalismo das manchetes, sempre repetitivas e quase sempre desfavoráveis para quem já dispensa apresentações na vida pública.

Durão vive por estes dias na ficção de ser um português igual aos outros - algo em que ele é o segundo a não acreditar. O primeiro é Francisco Balsemão, que o designou como seu sucessor no selecto Clube de Bilderberg - versão terrena do Olimpo reservado aos deuses pluricontinentais. Deste clube até Groucho Marx aceitaria ser sócio...

Ei-lo já com pose senatorial e majestática, entre vénias pouco dissimuladas: Portugal premeia sempre aqueles que aparentemente não estão. Mesmo que estejam.

 

Prós - Tem currículo internacional. Foi presidente da Comissão Europeia (2004-2014), contando na altura com a bênção do Presidente Jorge Sampaio. Posou ao lado de Bush, Blair e Aznar numa célebre fotografia que correu mundo: a da cimeira dos Açores, que precedeu a invasão do Iraque pelos EUA, em 2003. Sabe que ganhará as eleições presidenciais, só não sabe quando

 

Contras - George W. Bush poderia oferecer-se para fazer campanha ao lado dele. Tony Blair também. Aznar, idem aspas. Na adolescência leu com devoção o Livro Vermelho de Mao Tsé-tung, bebendo frases como esta do Grande Timoneiro: "O guerrilheiro depende do povo como o peixe depende do mar." Já não segue Mao, mas continua a seguir o cherne: há algo nele daquele peixe cantado por O'Neill, navegando na "água silenciosa de um passado" eternamente por superar.

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Presidenciáveis (61)

por Pedro Correia, em 03.06.15

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José Eduardo Moniz

 

Eram açorianos os dois primeiros Presidentes da República Portuguesa: Manuel de Arriaga (natural da cidade da Horta) e Teófilo Braga (de Ponta Delgada). Há precisamente cem anos que os Açores deixaram de estar representados no Palácio de Belém por um filho da terra. É mais que tempo de poder ser retomada a tradição, que remonta a 1910.

Exceptuando Pauleta, talvez o açoriano mais conhecido dos seus compatriotas seja o micaelense José Eduardo Moniz. Dirigiu durante largos anos a RTP, depois foi director-geral da TVI, que sob o seu comando se tornou líder de audiências. Falando português em horário nobre sem sotaque brasileiro.

Este nativo do signo Touro chega aos 63 anos, após uma longa carreira no jornalismo, como vice-presidente do Benfica, onde é responsável pela área da comunicação - designadamente ao nível da televisão do clube, que goleou a concorrência ao conseguir o exclusivo para Portugal dos jogos do campeonato inglês.

Moniz detesta perder, nem a feijões - no futebol e fora dele. Este é um atributo dos políticos - um mundo que o ex-director da RTP bem conhece por experiência directa e por via conjugal (é casado com Manuela Moura Guedes, que chegou a ser efémera deputada do CDS e mais tarde assombraria os serões de José Sócrates como apresentadora do Jornal Nacional da TVI).

Seria inimaginável uma "candidatura de cidadania", apoiada por eleitores sem filiação partidária que recusam mais do mesmo e gostariam de ver pela primeira vez um benfiquista assumido ocupar o Palácio de Belém? Moniz, que tem o apelido do conquistador de Lisboa, talvez não se importasse de disputar tal desafio. E tomem nota: ele nunca joga para o empate. O segundo lugar, como se diz na gíria da bola, é o primeiro dos últimos.

 

Prós - Seria inaugurada, com ele ao leme, a Belém TV (não por acaso com a sigla BTV), tendo como prato forte da emissão o programa Alô Presidente, e a sede da Presidência da República amanheceria pintada de encarnado para manter acesa a "chama imensa" de seis milhões de benfiquistas. Rui Costa seria o Chefe da Casa Civil, com a missão de assegurar "transições ofensivas" destinadas a prevenir ou remediar conflitos institucionais. Enfim, haveria um inquilino em Belém capaz de ler discursos sem ser monocórdico.

 

Contras - Não faltaria quem lhe descortinasse tentações totalitárias: seria ele capaz de transformar Portugal num imenso Big Brother? Os jardins de Belém, que por vezes recebem visitas do público, tornar-se-iam Jardins Proibidos. Para alguns, ver Manuela Moura Guedes como Primeira Dama seria como subir à Barca do Inferno. Sendo o Estado laico, abundariam críticas a um Presidente devoto de Jesus.

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Presidenciáveis (60)

por Pedro Correia, em 02.06.15

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Francisco Louçã

 

Se fosse espanhol, usava barba e rabo-de-cavalo, e diria aos seus apaniguados que sonhava "conquistar o céu", à semelhança de Pablo Iglesias, o líder-ídolo do Podemos. Mas Francisco Louçã, embora compartilhe o ideário de Iglesias, tem uma personalidade muito diferente: é mais reservado, mais calculista, mais cerebral.

Oriundo da escola trotskista, olha muito menos para o céu do que para os lados: a qualquer momento pode surgir uma picareta estalinista pronta a pôr fim a todos os sonhos de edificação de uma sociedade sem classes, onde seja suprimida a "exploração do homem pelo homem" - utopia perseguida pelo homo sapiens desde que deixou de habitar cavernas.

Este nativo de Escorpião, com 58 primaveras registadas no bilhete de identidade, é catedrático de Economia mas não ignora as lições da História: sabe que todas as revoluções devoram os seus filhos. Deixou, portanto, de ser revolucionário a tempo inteiro e foi abraçando o gradualismo reformista. Na linha dos teóricos da social-democracia clássica, como Eduard Bernstein e Karl Kautsky: vale mais uma reforma na mão do que duas revoluções a voar.

Parece que foi anteontem, mas já passaram quase duas décadas desde que fundou o Bloco de Esquerda - com Miguel Portas, Fernando Rosas e Luís Fazenda. Quatro mosqueteiros que em 1999 se propunham desarrumar o sistema partidário português e romper com certas capelinhas quase imutáveis. Quando a palavra Syriza ainda não tinha sido inventada.

Foi bom enquanto durou: o Bloco atingiu um clímax de 16 deputados, ultrapassando os comunistas, nas legislativas de 2009.

A partir daí, sempre a recuar: em 2012 Louçã cedeu o posto de comando a uma insólita liderança bicéfala que tem conduzido os bloquistas à irrelevância. Condenados a festejar vitórias gregas e espanholas enquanto somam derrotas em Portugal.

Enquanto o Bloco se estreita, Louçã vai-se espraiando. Ninguém duvida: na próxima eleição presidencial, caso seja candidato, obterá muito mais do que os magros 5,3% alcançados na corrida a Belém de 2006 que culminou com a eleição de Cavaco Silva.

É para ele que se viram muitos olhares situados na margem esquerda do espectro político português.

Avançará? Como diria Trotsky, "quem se ajoelha perante o facto consumado é incapaz de enfrentar o futuro". Ninguém imagina o ateu Louçã ajoelhado.

 

Prós - Tem inegável capacidade argumentativa e uma clareza de exposição verbal que muitos lhes invejam. Moderou as suas posições nos últimos anos: até já escreve num blogue em parceria com Bagão Félix - o socialismo revolucionário a partilhar espaço com a democracia-cristã num curioso aggiornamento à portuguesa. Teríamos em Belém um homem poupado: não gasta um cêntimo em gravatas.

 

Contras - "Eu sei o que é o sorriso de uma criança", disse um paternalista Louçã a Paulo Portas num célebre debate eleitoral - lapso infantil próprio de quem não soube escutar o sábio Diácono Remédios: não havia necessidade. Às vezes é mais difícil convencer familiares do que desconhecidos: Vítor Gaspar, seu primo direito, não votaria nele. Os seus erres muito pronunciados e cáusticos podem tornar-se irrrrritantes, dando-lhe uma imagem de arrrrrogância.

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Presidenciáveis (59)

por Pedro Correia, em 01.06.15

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Fernando Ulrich

 

Nunca os portugueses desconfiaram tanto dos banqueiros como agora. Haveria condições para um deles concorrer à Presidência da República?

No país de Oliveira e Costa, João Rendeiro, Jardim Gonçalves e Ricardo Salgado apetece seguir o exemplo dos nossos sagazes ancestrais, que arrecadavam o pecúlio amealhado, fosse muito ou pouco, debaixo de um "colchão fofo e de penas" como aquele que Nicolau Tolentino imortalizou no seu poema satírico.

Mas convém não generalizar em excesso. Apesar de vários administradores e gestores da banca lusa terem mais a ver com um Oliveira da Figueira do que com um Barão Rothschild, alguns escaparam à voragem e até apresentam bons resultados. É o caso de Fernando Ulrich, que se tem distinguido à frente do BPI neste tempo em que um banco dar lucro se tornou notícia.

E a propósito de notícia: estamos perante um banqueiro sui generis, que começou como jornalista nos tempos heróicos do Expresso como jornal de oposição à ditadura e mesmo afastado destas lides profissionais nunca escondeu o fascínio pelo mundo da comunicação. Gosta de falar claro e não foge à polémica. Pelo contrário, por vezes vai ao encontro dela. Como quando, no auge dos apertos do cinto orçamental, lhe perguntaram se os portugueses seriam capazes de aguentar os pesadíssimos custos da crise: «O País aguenta mais austeridade? Ai aguenta, aguenta!» Ele é que não ia aguentando os impropérios que então escutou...

Vista do Conselho de Administração de um banco a realidade tem tendência para parecer mais cor-de-rosa. Precisamente o tom da fachada de um palácio em Belém que Ulrich - 62 anos, signo Touro - não se importaria de habitar, segundo garante quem conhece o seu gosto pela política. Igual ou superior à paixão que nunca perdeu pelo jornalismo.

Aguentaria ele estar longe da banca? Aguentaria, aguentaria...

 

Prós - Não teria problemas para pagar a campanha eleitoral: conseguiria boas condições de financiamento no BPI, a juros módicos e reembolsáveis em suaves prestações mensais. Bastaria o apelido Ulrich, com origem comprovada em Hamburgo, para lhe valer uma carta de recomendação da chanceler alemã e a abertura aos portugueses de uma linha especial de crédito do Banco Central Europeu. A comercialização de colchões multiplicar-se-ia no País. O símbolo da sua candidatura poderia ser um simpático leitãozinho-mealheiro, o que lhe garantiria votos na região da Bairrada.

 

Contras - A esquerda radical organizaria manifestações repudiando o "candidato usurário" e lembraria o diálogo d' O Auto da Barca do Inferno entre o onzeneiro e o anjo: "- Esse bolsão tomara todo o navio. / - Juro a Deus que vai vazio! / - Não já no teu coração." Defensor da liberalização dos despedimentos, esqueceu-se de especificar se tal medida também deve abranger o Presidente da República. Jorge Jesus não votaria nele: em 2013 o banqueiro disse aos deputados que deviam preocupar-se com "quanto ganha" o treinador do Benfica. O Papa Francisco, que desconfia de banqueiros e já disse que "São Pedro não tinha conta em nenhum banco", talvez anulasse a anunciada deslocação a Fátima em 2017.

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Presidenciáveis (58)

por Pedro Correia, em 29.05.15

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Fernando Ruas

 

Eis a prova viva de que na política nem tudo são agruras, canseiras e desgostos, ao contrário do que alguns alegam. Basta olhar o rosto prazenteiro deste social-democrata de velha cepa para se perceber que dele emana a calma personificada. Uma impressão reforçada pela farta cabeleira que exibe, sem ali reluzir um só fio de prata.

Com este visual quase inalterado, Fernando Ruas foi galgando sucessivos patamares na vida pública: presidente da Câmara Municipal de Viseu (1989-2013), deputado, presidente da Mesa do Congresso do partido laranja, presidente da Associação Nacional dos Municípios Portugueses. Sempre com o mesmo sorriso rasgado de quem está de boas relações com a vida.

Há dois anos, por impossibilidade legal de acumulação de novos mandatos autárquicos, deixou de figurar como líder da guarda avançada do Cavaquistão. O primeiro-ministro indicou-o em 2014 para as listas de candidatos do PSD ao Parlamento Europeu, em lugar elegível. Escassos meses antes, por mera casualidade, Ruas declarara em tom peremptório numa sessão pública: "Não conheço ninguém no PSD com o sentido de Estado de Passos Coelho."

De Viseu para Bruxelas, o salto foi enorme. Não haverá outros na carreira deste economista de 66 anos, nascido sob o signo Capricórnio e que hoje reclama ser a "voz do interior" na eurocâmara? Se fizer falta um "verdadeiro representante do País real" como candidato à Presidência da República ele chega-se à frente. Com a destreza revelada quando se integrou nos Rangers de Lamego durante o serviço militar, a disponibilidade de que deu provas no seu feudo beirão e o desassombro que não deixaria de manifestar em nova declaração pública sobre o líder do partido.

Sem perder o sorriso. Nem ganhar um cabelo branco.

 

Prós - Animaria Belém, instalando no vetusto edifício presidencial uma versão lisboeta do Palácio do Gelo, que durante o seu mandato autárquico começou a aquecer as noites viseenses. Os portugueses voltariam a ter alguém com sotaque da boa e velha Beira na Presidência, após dois alfacinhas e um algarvio, mantendo-se assim uma antiquíssima tradição do solo pátrio: Portugal não é o mesmo sem um beirão a mandar.

 

Contras - É o último resistente na política portuguesa à anacrónica moda do bigode, que até os presidentes do México e os jogadores do Benfica deixaram de usar. O apelido dele induz em erro: em vez de Ruas devia chamar-se Rotundas, Fernando Rotundas. Reza a lenda que inaugurou 127 em Viseu, a mais contornável das cidades portuguesas.

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Presidenciáveis (57)

por Pedro Correia, em 28.05.15

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Paulo Rangel

 

Os políticos não se medem aos palmos. Se assim fosse, jamais Napoleão teria conquistado as pirâmides do Egipto e nunca Nicolas Sarkozy teria conquistado o coração de Carla Bruni. Paulo Rangel não parece sentir o menor incómodo em olhar os repórteres da televisão de baixo para cima: pelo contrário, a palavra sai-lhe fluente e escorreita, como se desse uma aula de Direito Administrativo ou falasse no plenário do Parlamento Europeu - só para mencionar duas funções que tem praticado com manifesto gosto.

Deste aquariano de 47 anos pode dizer-se - com e sem ironia, em simultâneo - que a política o seduz desde pequenino. Do Porto para Bruxelas, com passagem por Lisboa, onde foi deputado do PSD e presidente do grupo parlamentar no tempo em que Manuela Ferreira Leite - efémera líder do partido laranja - ainda não trocara Cavaco Silva por Alexis Tsipras como figura de referência.

Rangel não a acompanhou neste giro à esquerda, mantendo o seu liberalismo à moda antiga temperado com a atracção que nunca deixou de sentir pela modernidade: foi um dos primeiros políticos a abraçar a blogosfera, onde chegou a reunir um clube de fãs, e não se importa de trocar uma sonata de Chopin por heavy metal. Nisto difere de Sarkozy: provavelmente as baladas sussurrantes da Bruni só lhe produzem tédio.

Fez uma dieta radical que lhe deu ar de trinca-espinhas e até motivou críticas de Manuel Alegre: «Desde que emagreceu, perdeu o ar de intelectual bonacheirão e tornou-se agressivo.» Palavras que talvez tenham soado a elogio ao eurodeputado. Como dizia outro Paulo, que foi santo e pregou aos coríntios, «quando me sinto fraco então é que sou forte».

 

Prós - Seria o primeiro inquilino de Belém natural do Grande Porto (nasceu em Vila Nova de Gaia), rompendo um centralismo que dura há mais de um século: sete dos 18 Presidentes da República Portuguesa (Canto e Castro, Gomes da Costa, Óscar Carmona, Craveiro Lopes, Américo Thomaz, Mário Soares e Jorge Sampaio) eram ou são alfacinhas de gema. É um firme opositor do aborto ortográfico: entende que todas as consoantes, incluindo as mudas, têm direito a nascer. Talvez nenhum político nacional seja tão poliglota como este jurista, fluente em vários idiomas: com ou sem passagem por Belém, a ONU espera por ele.

 

Contras - Padece de dificuldades respiratórias: chegou a queixar-se diversas vezes de "asfixia democrática". É afectado por ocasionais lapsos de memória: antes de militar no PSD filiou-se no CDS mas esqueceu-se de que tinha assinado a ficha de inscrição. Perdeu contra Passos Coelho a eleição interna dos sociais-democratas em 2010: esta derrota privou-o do irrepetível desafio de governar o País na maior situação de crise financeira de que há registo em Portugal.

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Presidenciáveis (56)

por Pedro Correia, em 27.05.15

Congresso PS: João Soares chegou de táxi e ouviu hesitações do motorista

 

João Soares

 

Transporta a política nos genes: teve um avô ministro, a mãe foi deputada constituinte, o pai chegou duas vezes a primeiro-ministro e ocupou durante uma década o Palácio de Belém. Privilégio por um lado, mas também um pesado fardo: por mais que faça, será sempre comparado desfavoravelmente com Mário Soares, protagonista de circunstâncias históricas excepcionais e, portanto, irrepetíveis.

Mas João Barroso Soares - 65 anos, signo Virgem - foi um dos melhores presidentes da câmara de Lisboa: bastou-lhe ter posto fim ao decrépito Casal Ventoso, miserável chaga a céu aberto na capital de outrora, para lhe valer um lugar de relevo na galeria dos alcaides alfacinhas.

Opositor muito jovem à ditadura, sem transitar pela extrema-esquerda, é um social-democrata da velha guarda, admirador de Clement Attlee, Willy Brandt e Olof Palme - todos ideologicamente apedrejados noutras eras pelo pecado de serem "reformistas" à luz do esquerdismo dominante nos circuitos intelectuais. Hoje nenhum deles seria bem visto na Comissão Europeia presidida por Jean-Claude Juncker, mesmo respeitando o rigoroso dress code da agremiação, que não tolera políticos sem gravata.

Durante décadas foi considerado júnior. Agora que é sénior, João Soares continua demasiado novo para escrever memórias após ter sido autarca, eurodeputado e um dos mais viajados parlamentares da Assembleia da República - sem o menor receio de andar de avião, apesar de quase ter perdido a vida num grave acidente aéreo no sul de Angola.

Poderá ser ele o candidato presidencial que tantos socialistas reclamam? O seu amigo Manuel Alegre é capaz de incentivá-lo com versos de um poema intitulado "Bairro Ocidental", inserido no novíssimo livro com o mesmo nome: "Na Eurolândia tudo é permitido / bruxela-se um país berlina-se outro / um dia ao acordares estás eurodido / e o teu país efemizado é só um couto."

 

Prós - Nunca foi apoiante de José Sócrates e até concorreu contra ele, com manifesto insucesso, numa eleição interna do PS. Os monárquicos veriam com bons olhos esta sucessão dinástica: depois dos Bragança, os Soares. Alegre dedicar-lhe-ia em rigoroso exclusivo outra quadra, talvez assim: "Quem já foi feliz em princípio / na Praça do Município / poderá sê-lo também / no Palácio de Belém."

 

Contras - Perdeu contendas autárquicas contra Santana Lopes (em Lisboa) e Fernando Seara (em Sintra): é uma péssima carta de recomendação. Nas cimeiras lusófonas, José Eduardo dos Santos evitaria cumprimentar este "tuga" que tomou partido contra o MPLA no conflito angolano e até tem um filho chamado Jonas, em homenagem ao desaparecido líder da Unita. O pai Mário torceria o nariz a esta candidatura: acha o filho excessivamente moderado.

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Presidenciáveis (55)

por Pedro Correia, em 26.05.15

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Ana Drago

 

Um Presidente da República não tem que ser um senhor já grisalho, de pose senatorial, sobrolho franzido e gesto circunspecto. A regeneração republicana que tantos defendem poderá passar por alguém com um rosto fresco, capaz de trazer efectiva novidade à cena política e mobilizar a enorme massa de abstencionistas, em grande parte composta por eleitores com idade inferior a 35 anos - muitos dos quais nunca exerceram o direito de voto que tão duramente a geração anterior conquistou.

Experiência política, currículo académico, sólida formação intelectual, sensibilidade apurada para as questões sociais: eis atributos que não faltam a Ana Drago, que na corrida a Belém poderia dar voz à corrente jovem, aparentemente tão alheada dos mecanismos da democracia representativa.

Esta socióloga algarvia, nascida há 39 anos sob o signo Virgem em Vila Real de Santo António, com raízes aristocráticas locais, começou a tornar-se conhecida em 2000, ainda com cara de menina, num programa da RTP ao lado do psiquiatra Daniel Sampaio e do jornalista Luís Osório. O programa chamava-se Conversa Privada mas não tardou a transformar em figura pública esta miúda franzina que então usava óculos e já tinha uma espantosa capacidade de expressão verbal.

A miúda tornou-se graúda, ma non troppo. E graduou-se como parlamentar qualificada, em duas legislaturas, na primeira fila do Bloco de Esquerda, de que foi dirigente nacional. A ala mais moderada do BE apostou nela como sucessora de Francisco Louçã. Ganhou Catarina Martins, actriz, e ela ficou para trás. Recuou a tal ponto que acabou por abandonar o partido, hoje Bloco só no nome. Com esta baixa o BE perdeu mais que ela.

 

Prós - É uma das vozes mais moderadas da chamada esquerda radical, capaz de falar sem recorrer a nenhum dos típicos chavões desta área política. Seria a mais jovem candidata de sempre a Belém, mas convém não esquecer que Ramalho Eanes era pouco mais velho - tinha apenas 41 anos - quando assumiu a Presidência, em Julho de 1976. Daria conteúdo prático ao imaginativo título de um livro que escreveu sobre o movimento estudantil anti-propinas em ela participou na década de 90: Agitar Antes de Ousar.

 

Contras - O apelido dela, conotado com dragões, é pouco apelativo para leões e águias. A dupla cisão bloquista em que milita - Livre/Tempo de Avançar - goza de boa imprensa mas quase ninguém percebeu ainda muito bem o que é fora do eixo alfacinha Chiado-Príncipe Real. Conserva um ar juvenil: ninguém diria que está quase a apagar 40 velas do bolo de aniversário, algo que só numa candidatura presidencial pode ser defeito.

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Presidenciáveis (54)

por Pedro Correia, em 25.05.15

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António Capucho

 

Já ambicionou ser presidente da Assembleia da República. Na altura - corria o mês de Junho de 2011 - Pedro Passos Coelho trocou-lhe as voltas, preferindo Fernando Nobre para tal função, que acabaria afinal por ser confiada à inconfundível Assunção Esteves.

Foi um "inconseguimento frustracional", como diria a própria Assunção. António Capucho não perdoou a Passos esta desfeita. A partir daí ultrapassou a oposição nas críticas ao Governo liderado pelo partido que ele ajudou a fundar em 1974 e onde detinha um dos mais vistosos currículos. Foi secretário-geral nos tempos pioneiros de Sá Carneiro, vice-presidente social-democrata, ministro, líder parlamentar, eurodeputado, conselheiro de Estado, autarca no feudo laranja de Cascais.

Ao trocá-lo por Nobre, Passos comprou uma guerra inútil. E arranjou um inimigo: Capucho tornou-se demolidor na contestação ao executivo PSD-CDS, chegando a apelar publicamente ao Chefe do Estado para dissolver o Parlamento em Julho de 2013 - com o País ainda sob intervenção externa, sem acesso aos mercados financeiros e ameaçado por taxas de juro proibitivas. Na altura percorreu os canais televisivos a defender tal tese, à qual Cavaco Silva fez orelhas moucas.

Concorreu às autárquicas desse ano em Sintra, como candidato à Assembleia Municipal, numa lista independente que se opunha à do PSD. E nas europeias de 2014 apelou ao voto no PS de António José Seguro, transmitindo a sensação de andar com o passo trocado. Marchando em qualquer direcção, desde que fosse contra Passos.

Este capricorniano de 70 anos acabou por ser expulso do PSD - sancionado em função dos estatutos aprovados no tempo em que era secretário-geral.

Permanece desde então à espera de uma vaga de fundo que o recupere para a política. Não faz segredo: nada lhe  agradaria tanto como uma corrida presidencial. "Tenho perfil para o lugar de Presidente da República", assegura com a singular imodéstia que sempre o notabilizou.

 

Prós - Foi um dos raros ministros portugueses que já ocuparam a mais cobiçada das pastas governamentais: a da Qualidade de Vida. É o candidato ideal para captar votos ao centro: ninguém faz hoje a menor ideia se ele é de esquerda ou de direita. António é o nome mais comum dos Presidentes portugueses. Já houve cinco: António José de Almeida, António Óscar de Fragoso Carmona, António Sebastião Ribeiro de Spínola, António dos Santos Ramalho Eanes e Aníbal António Cavaco Silva. 

 

Contras - O precário estado de saúde que em Janeiro de 2011 o levou a renunciar, por esse motivo expresso, à presidência da Câmara de Cascais. Diz-se ainda social-democrata mas qualquer socialista lhe serve: votou "em consciência e em coerência" no PS de  Seguro e prepara-se para votar no PS de Costa, de quem tem "boa impressão enquanto político e enquanto pessoa". Já quis ser presidente da Cruz Vermelha, algo que afugentaria o voto dos mais fervorosos laicistas.

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