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O país dos "nanitos"

por Sérgio de Almeida Correia, em 19.03.18

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A seriedade moral na vida pública é como a pornografia, difícil de descrever mas imediatamente identificável quando a vemos. Descreve uma coerência de intenção e de acção, uma ética de responsabilidade política. Toda a política é a arte do possível. Mas também a arte tem a sua ética” – Tony Judt

 

Um tipo fica sem palavras. Aliás, as palavras de pouco servem. Depois de ler o seu currículo ("Em 1996, onze anos depois de ter começado a tirar o curso, Feliciano licenciou-se, finalmente, em Ciência Jurídicas e Políticas na Universidade Autónoma de Lisboa. Onze anos (para tirar cinco de curso) e onze valores na nota final."), passar os olhos pela sua "tese de mestrado" e mais uns quantos textos entretanto publicados sobre a figura no Observador, na Visão e em mais alguns jornais portugueses, fico com a sensação de que, de facto, quem tem razão sobre o que aconteceu, e vai continuar a acontecer (não se iludam, o Nanito corresponde genericamente ao padrão parido pelos nossos partidos políticos), não consigo tirar nem pôr uma palavra que seja (deixo as vírgulas para o deputado Duarte Marques e o "Catedrático" Coelho) ao que tenho vindo a escrever. Sem grande sucesso, é certo (Desabafo, O Padrão, Deve ser tempo de dizer basta, para só citar alguns).

O que me obriga a concordar com a perspectiva do Ricardo Araújo Pereira. Dá muito trabalho chegar a Berkeley.

Para a história ficarão todos os professores catedráticos, como os da foto, que de um forma ou de outra ampararam a sua ascensão política, profissional e académica, por esta ordem, e fizeram dele – não uma, nem duas, mas por três vezes – secretário de Estado dos governos de Durão Barroso, Santana Lopes e Passos Coelho, "mestre" (aqui a principal responsabilidade é do Prof. Leite Campos e dos outros membros do júri, partindo do princípio de que leram a coisa) e, quem sabe, mais um "catedrático convidado". Com a sua lábia e experiência deve ser uma mais-valia em qualquer curso de mestrado e/ou doutoramento.

Esta é a nossa elite política. Este é também um produto do nosso sistema de ensino. Um sistema de ensino que se especializou a formar "nanitos" com dezenas de 'livros" publicados*. Este é um produto genuinamente nacional. Mais português não há. Para todos os nossos males, com ou sem a nossa concordância.

 

(* – Se alguma dessas editoras que publicou os livros do Nanito quiser publicar a minha tese de doutoramento, cujo interesse comercial foi julgado nulo pela Almedina, fico à espera do contacto, mas aviso já que não escrevo nos termos do Acordo Ortográfico de 1990) 

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Boletim paroquial

por Sérgio de Almeida Correia, em 17.05.15

The taste of Portugal 11255501_988906907793706_394

"SEXA o Secretário de Estado da Alimentação e Investigação Agroalimentar esteve na Região Administrativa Especial de Hong-Kong e inaugurou a exposição de produtos portugueses "The Taste of Portugal" na cadeia de supermercados Food Mart, em Tseung Kwun." - notícia e imagem da página do Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong

 

Um tipo arranja um currículo destes para acabar num supermercado de Hong Kong a vender azeites.

 

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Penso rápido (47)

por Pedro Correia, em 03.09.14

Poucas coisas me chocam tanto como a exibição - tão tristemente portuguesa - da inveja e do despeito perante todos aqueles que se distinguem, se valorizam, se superam a si próprios, conseguindo ultrapassar a estreiteza de horizontes a que poderiam estar condenados, contrariando todas as sinas e todos os fados para singrar na vida.
Se esse sucesso ocorrer num palco internacional, suscitando calorosos aplausos além-fronteiras, a inveja aumenta em proporção geométrica. E atinge delírios irracionais.
De todos os sintomas de menoridade que nos caracterizam, este é um dos mais notórios. E um dos mais entranhados. Como se fizesse parte do nosso inconsciente colectivo. E se calhar faz mesmo, o que explica muito do que se lê e escuta por aí.

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Portugal em 6 de Maio de 2014

por Rui Rocha, em 07.05.14

 

E, estando-se nisto, perguntou o cego ao coxo: como andas? Ao que o coxo retorquiu, com igual prontidão: tal como vês. É exactamente assim, Portugal em 6 de Maio de 2014, que estamos. E não de outra maneira.

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A solução da crise

por Ana Vidal, em 13.07.11

 

O sr. Ramires tem a melhor fruta de Sintra. É impossível passar-lhe à porta e não entrar por ali dentro em absoluto êxtase olfactivo, logo seguido de uma degustação compulsiva, patrocinada pelo sorridente proprietário das grades que exibem aquelas incontáveis e luzidias maravilhas. Mas os talentos do sr. Ramires vão muito para além de saber escolher boa fruta: como qualquer português que se preze, percebe de tudo um pouco e debita, solenemente, sábios conselhos aos fregueses sobre qualquer assunto que os atormente, desde a insolvência financeira às dores nas cruzes. Espicaça-o a concorrência do barbeiro, mesmo defronte, também ele um homem da Renascença, qual Leonardo. Um, domina o público masculino. O outro, o feminino.

 

Quando entrei ontem, hipnotizada por uns figos cheirosos e de um tamanho que só no Entroncamento, discutia-se a magna questão da dívida soberana. Ou melhor, o sr. Ramires perorava com toda a segurança, perante uma plateia de três pensionistas, sobre ráting (não tem nada a ver com ratos, dona Ilda, não fique já pr'aí toda arrepiada...), o FMI (agora entregaram aquilo a uma mulher, vamos a ver no que dá...), os mercados (já viu, dona Adelina? e a gente a achar que nos mercados só se vendia peixe, fruta e hortaliças, e vai-se a ver vendem países...), a Europa (eu sempre disse que isto de juntar anões com gigantes ia dar bota...), enfim, os grandes temas da actualidade. Mal me apanhou a jeito, fragilizada pela malabarística tarefa de abrir um figo em cruz sem faca e sem me sujar, disparou, do alto da sua longa experiência de analista de macro-economia: "Atão, menina, já viu isto da Mudes? (a fonética era esta, mais coisa menos coisa). Afinal era aquela gente do diabo que nos estava a comer as papas na cabeça!". E, de rajada, antes que eu tivesse tempo de pensar numa resposta à altura de tão grande responsabilidade, acrescentou, a coçar a orelha: "Olhe, mas ainda bem, que isto assim resolve-se em duas penadas. Já disse ao meu Renato, que está por lá a bulir há dezoito anos, que se venha embora e não deixe lá nem mais um tostão. Ele e os outros todos. Se os emigrantes sairem todos da América, eu sempre quero ver quem vai trabalhar para os camones. A Mudes fecha a porta enquanto o diabo esfrega um olho, e a gente fica por cá outra vez sossegados na nossa vidinha!".

 

Saí consolada. A solução da crise internacional está encontrada, finalmente. Falta só avisar a Mudes.

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Não há saloiadas grátis

por João Carvalho, em 30.06.11

 

Quando se passa meia vida no PSD e um dia se quer bater o pé, o melhor é pedir primeiro explicações ao Pacheco Pereira, que tem grande estaleca a trabalhar com os pés.

Sim, que andar a oferecer bombons ao adversário é uma ideia de que o Pacheco Pereira nunca se lembraria. Bate-se o pé, rompe-se uma sola, mas mais nada além disso. Menos ainda ensaiar aproximações ao adversário, que é atitude própria de um valentíssimo saloio.

Qualquer mimo oferecido ao adversário há-de sair caro e acabar mal. Tão caro e tão mal que depois é melhor nem ver o resultado.

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"Portugal a banhos"

por João Carvalho, em 19.08.10

Sugiro-vos uma visita aqui. António Martins assina este "Portugal a banhos". Deixem o rato passar por cima de toda a gente na praia.

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O "ferveroso" e "ferdvrsadete"

por João Carvalho, em 30.05.10

Agora que a selecção nacional vai emigrar para África e que Scolari não está cá, é tempo de promover o optimismo lusitano através das palavras patrióticas deste «ferveroso adepto de futebol». É portista, mas isso agora não interessa. Só interessa que é um «ferveroso adepto de futebol» e, sobretudo, um «ferdvrsadete de futebol». Aqui.*

 

* — Ninguém é obrigado a ouvir mais do que os primeiros 16 segundos.

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Portugal dos Pequeninos em livro

por Paulo Gorjão, em 27.05.09

 

O lançamento será na Bertrand do Chiado, dia 3 de Junho, às 18.30, e a apresentação do livro e do autor será feita por José Pacheco Pereira. Marcarei presença, seguramente.

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O nosso livro






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